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1 ..FUNDOS ESPECIAIS Amigos e amigas estudantes do Ponto dos Concursos! Com a aproximação do concurso do TCU, estamos programando três cursos on line específicos para esse certame: Contabilidade Pública, AFO e LRF e AFO e Contabilidade Pública em Exercícios, sendo que este último será anunciado em breve. Desejo a todos que realizem uma excelente preparação para esse e outros concursos. Tenham a certeza de que todo seu esforço será plenamente recompensado. É um investimento com retorno imensurável. Não se rotule de menos capacitado do que os outros candidatos e procure apenas fazer a sua parte com a melhor boa vontade possível para que sua vaga seja conquistada. Como diz o Dr. William Douglas, a dor é temporária mas o cargo é para sempre. Vale a pena relembrar que o sol nasce para todos, porém, a sobra é só para os que procuram. Ânimo e força de vontade! Procure seu espaço na sombra. No nosso encontro de hoje abordaremos acerca dos FUNDOS ESPECIAIS, atendendo um recente pedido de candidatos. Bom estudo! Os Fundos Especiais estão previstos na Constituição Federal que, em seu art. 167, inciso IX, determina que a criação de qualquer fundo deve ser precedida de autorização legislativa, federal, estadual ou municipal. Antes da CF/88 os Fundos Especiais apresentavam sua base legal primária na Lei n /64, no Decreto-Lei n.º 200/67 e no Decreto nº /86. Conceito 1

2 Os Fundos Especiais são entendidos como forma de gestão autônoma de recursos públicos, sendo sempre vinculados a um órgão da Administração Pública, centralizada ou descentralizada. Atenção! Fundo especial não se caracteriza uma entidade jurídica, mas sim como uma unidade orçamentária, ou seja, como um ente contábil representado por um conjunto de contas especiais que identificam e demonstram as origens e as aplicações de recursos nas atividades para o qual foi criado. O Fundo Especial possui características peculiares. Assim, é constituído pelo produto de receitas específicas que, por lei, vinculam-se à realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação. As receitas orçamentárias destinadas aos fundos, sejam elas originadas de tributos, atividades próprias, contribuições sociais, transferências, convênios, contratos ou outros ajustes, bem como de outras origens, serão classificadas nas suas dotações orçamentárias próprias. Importante! Um fundo especial, para fins orçamentários, é considerado uma unidade orçamentária, haja vista que na Lei Orçamentária Anual - LOA deverá haver dotação orçamentária própria, enquanto que as Transferências a Estados, Distrito Federal e Municípios, Encargos Financeiros da União, Operações Oficiais de Crédito, Refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária Federal e Reserva de Contingência, não são unidades orçamentárias, mas sim considerados órgãos. Observe o que a legislação estabelece acerca dos fundos especiais: Constituição Federal de 1988: Art São vedados: IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, 8º, bem como o disposto no 4º deste artigo IX - a instituição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa. 2

3 Lei nº 4.320/64: Art. 71. Constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que, por lei, se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação. Art. 72. A aplicação das receitas orçamentárias vinculadas a fundos especiais far-se-á através de dotação consignada na Lei de Orçamento ou em créditos adicionais. Art. 73. Salvo determinação em contrário da lei que o instituiu, o saldo positivo do fundo especial apurado em balanço será transferido para o exercício seguinte, a crédito do mesmo fundo. Art. 74. A lei que instituir fundo especial poderá determinar normas peculiares de controle, prestação e tomada de contas, sem, de qualquer modo, elidir a competência específica do Tribunal de Contas ou órgão equivalente. Decreto-Lei nº 200/67 O 2º do art. 72 desse Decreto-Lei estabelece que nos casos de concessão de autonomia financeira, fica o Poder Executivo autorizado a instituir fundos especiais de natureza contábil, a cujo crédito se levarão todos os recursos vinculados às atividades do órgão autônomo, orçamentários e extra-orçamentários, inclusive a receita própria. Decreto Federal nº /86 Art. 71. Constitui Fundo Especial de natureza contábil ou financeira, para fins deste decreto, a modalidade de gestão de parcela de recursos do Tesouro Nacional, vinculados por lei à realização de determinados objetivos de política econômica, social ou administrativa do Governo. 1º São Fundos Especiais de natureza contábil, os constituídos por disponibilidades financeiras evidenciadas em registros contábeis, destinados a atender a saques a serem efetuados diretamente contra a caixa do Tesouro Nacional. 2º São Fundos Especiais de natureza financeira, os constituídos mediante movimentação de recursos de caixa do Tesouro Nacional para depósitos em estabelecimentos oficiais de crédito, segundo cronograma aprovado, destinados a atender aos saques previstos em programação específica. Art. 72. A aplicação de receitas vinculadas a fundos especiais far-se-á através de dotação consignada na Lei de Orçamento ou em crédito adicional. Art. 73. É vedado levar a crédito de qualquer fundo recursos orçamentários que não lhe forem especificamente destinados em orçamento ou em crédito adicional. Art. 74. A aplicação de recursos através de fundos especiais constará de programação e será especificada em orçamento próprio, aprovado antes do início do exercício financeiro a que se referir. Art. 75. Somente poderá ser contemplado na programação financeira setorial o fundo especial devidamente cadastrado pela Secretaria do Tesouro Nacional, 3

4 mediante encaminhamento da respectiva Secretaria de Controle Interno, ou órgão de atribuições equivalentes. Exemplo de Fundos Especiais FUNDO ROTATIVO DA CAMARA DOS DEPUTADOS; FUNDO ESPECIAL DO SENADO FEDERAL; FUNDO DA SECRETARIA ESP. DE EDIT. E PUBLICACOES; FUNDO DE INFOR. E PROC. DE DADOS DO SEN. FEDERAL; FUNDO ESPECIAL DE ASSIST. FINANC. PART. POLITICO; FUNDO DE IMPRENSA NACIONAL; FUNDO NACIONAL ANTIDROGAS; FUNDO DO MINISTERIO DA DEFESA; FDUNDO DE ADMINISTRACAO DO HFA; FUNDO DO SERVICO MILITAR; FUNDO AERONÁUTICO; FUNDO AEROVIARIO; FUNDO DO EXÉRCITO; FUNDO NAVAL; FUNDO DO ENSINO PROFISSIONAL MARÍTIMO; FUNDO DE ESTUDOS DO MAR; FUNDO FEDERAL AGROPECUARIO; FUNDO GERAL DO CACAU; FUNDO DE DEFESA DA ECONOMIA CAFEEIRA ; FUNDO NAC. DE DESENV. CIENTIFICO E TECNOLOGICO; FUNDO ESPECIAL DE TREINAMENTO E DESENVOLVIM.; FUNDO ESP.DES. APERF. ATIV. DE FISCALIZAÇÃO; FUNDO DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO SOCIAL; FUNDO DE FINANC. AO ESTUDANTE DO ENS. SUPERIOR; FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO; Para encerrar, uma questão de concurso! (FCC Técnico de Orçamento/MPU 2007) De acordo com o disposto na Constituição Federal, em seu a trigo 167, em matéria orçamentária, é permitido ao Poder Executivo (A) o ínicio de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual. (B) a instituição de fundos de qualquer natureza, desde que com prévia autorização legislativa. (C) a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais. (D) a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes. 4

5 (E) a concessão de créditos ilimitados, desde que com prévia autorização legislativa. Resolução Essa questão foi retirada do art. 167 da Constituição Federal e dispensa comentários, haja vista que a resposta encontra-se no inciso IX abaixo transcrito. Observe o regramento constitucional: Art São vedados: I - o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual; II - a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais; III - a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta; IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, 8º, bem como o disposto no 4º deste artigo; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de ) V - a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes; VI - a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa; VII - a concessão ou utilização de créditos ilimitados; VIII - a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos dos orçamentos fiscal e da seguridade social para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas, fundações e fundos, inclusive dos mencionados no art. 165, 5º; IX - a instituição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa. X - a transferência voluntária de recursos e a concessão de empréstimos, inclusive por antecipação de receita, pelos Governos Federal e Estaduais e suas instituições financeiras, para pagamento de despesas com pessoal ativo, inativo e pensionista, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) XI - a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 1º - Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade. Um forte abraço. 5

6 Prof. Deusvaldo Carvalho 6

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