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1 Das Partes e Procuradores a) Capacidade processual e postulatória Vimos que para o processo se desenvolver VALIDAMENTE é necessário dentre outros pressupostos, que as partes tenham capacidade processual e capacidade postulatória. Em outras palavras: elas, para estarem em juízo, para praticarem os atos processuais, devem ser dotadas de capacidade civil e estarem representadas por um advogado. Por serem pressupostos processuais, o juiz poderá analisa-las de ofício, e, caso não estejam presentes, deve ele, mediante suspensão do processo, fixar prazo para que o defeito seja sanado, sob as consequências do art. 76 do NCPC (extinção do processo ou revelia). Cumpre ainda, dentro do assunto da capacidade processual, fazer as seguintes e últimas observações: a.1) capacidade do incapaz sem representante (ou os interesses deste colidem com os daquele), do réu revel preso e o citado fictamente (por edital ou com hora certa) - art. 72, NCPC. O juiz nomeará um curador especial para tais pessoas, sendo tal função exercida pela Defensoria Pública, o qual pode praticar todos os atos de defesa do curatelado, tais como oferecer contestação, interpor recurso, produzir prova, opor embargos à execução (Sum. 196 STJ), etc. a.2) capacidade processual das pessoas casadas (arts. 73 e 74 do NCPC): Como regra, a pessoa casada tem capacidade processual, mas, para ações reais imobiliárias, o cônjuge necessita do consentimento do outro (autorização marital ou outorga uxória), exceto se casado pelo regime da separação absoluta de bens. Se o consentimento não pode ser dado ou não é dado por injusta razão, o cônjuge deve pedir o suprimento do consentimento ao juízo de família (art. 74). Por outro lado, os 1º e 2º do art. 73 tratam de demandas em que há litisconsórcio necessário entre os cônjuges (ambos devem figurar no polo passivo). Havendo prova da união estável nos autos, também haverá necessidade de consentimento/ citação do companheiro ( 3º, art. 73). a.3 ) representação das pessoas jurídicas e formais: art. 75 do NCPC.

2 41 b) Substituição processual e sucessão processual Substituição processual ocorre quando a lei permite que alguém em nome próprio, pleiteia direito alheio. Por exemplo, quando o MP atua na defesa de direitos coletivos, difusos ou individuais homogêneos, onde o verdadeiro titular do direito não é o MP, mas a coletividade, que está por ele substituída. Tem a ver com a legitimidade extraordinária prevista como exceção no artigo 18 do NCPC. Já a sucessão processual, permite que, no curso do processo, seja em virtude da morte da parte (causa mortis), ou seja, pela transferência em vida do objeto litigioso para terceiro (inter vivos), ocorre uma alteração no pólo ativo ou passivo (a depender do caso). Há uma sucessão processual, pois que um terceiro sucederá a parte, ingressando no processo em seu lugar, assumindo o pólo ativo ou passivo. CUIDADO: pois o sucessor não é substituto processual; ele pleiteia em nome próprio direito próprio, visto que passa a ser novo titular do direito ou da obrigação. A confusão terminológica é frequente porque, na sucessão, em sua essência, ocorre uma substituição de partes, saindo uma para outra assumir o seu lugar. Mas uma coisa é SUBSTITUIÇÃO DE PARTES, e a outra coisa bem diversa é a SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. No 1º caso, trata-se de SUCESSÃO PROCESSUAL. No 2º caso, LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA. Feitas tais diferenças, cumpre-nos notar que o NCPC trata a sucessão como uma exceção, uma vez que o artigo 108 proclama que no curso do processo, somente é lícita a sucessão voluntária das partes nos casos expressos em lei (regra da perpetuatio legitimationis). E tais casos estão previstos nos artigos seguintes: art. 109, que trata da sucessão por ato inter vivos, e art. 110, que trata da sucessão causa mortis. Na sucessão inter vivos o adquirente da coisa ou o cessionário do direito SÓ poderá ingressar em juízo, substituindo ou sucedendo o alienante ou cedente, que é a parte original no processo, se a parte contrária o consentir ( 1º). Por outro lado, se esta não concordar, o terceiro adquirente ou cessionário não sucederá a parte original, que permanece no processo, mas poderá intervir como seu assistente litisconsorcial ( 2º). Já na sucessão causa mortis, a substituição ocorrerá pelo espólio ou pelos seus sucessores (depende se já houve ou não a partilha) que deverão se habitar. Para tanto, o processo será suspenso (artigo 313, 1º e 2º).

3 42 Por fim, os artigos 111 e 112 tratam da substituição de seus procuradores, seja por revogação do mandato (iniciativa da parte) ou pela renúncia do mandato (iniciativa do advogado). c) Direitos e deveres das partes e de seus procuradores O artigo 77 do NCPC enumera vários deveres das partes e dos seus procuradores, os quais podem ser resumido no dever geral de procederem com lealdade e boa-fé processual. Destacam-se os deveres dos incisos IV e VI, quais sejam, o dever de cumprir e não criar embaraços ao cumprimento das decisões judiciais (que cabe à parte e não ao seu representante judicial - 8º) e de não agir em atentado processual (alterar ilicitamente a situação de fato, induzindo o juiz a erro), os quais importam em ato atentatório à dignidade da justiça (Contempt of Court). Neste caso, impõem-se à parte (e não aos advogados, defensores públicos ou membros do Ministério Público - a responsabilidade destes se dá no âmbito administrativo - 6º) uma multa de até 20% o valor da causa ( 2º) ou, se esse for irrisório ou inestimável, até 10 salários mínimos ( 5º), a qual será revertida à União ou ao Estado (que a receberá mediante execução fiscal depois de inscrita na dívida ativa), especificamente aos fundos de modernização do Poder Judiciário - art. 97, NCPC ( 3º). No caso do atentado, além da multa, o juiz deverá determinar o retorno ao estado de fato anterior e pode proibir a parte de falar nos autos até que isso ocorra ( 7º). c.1) Responsabilidade das partes por dano processual arts. 79 a 81 NCPC Enquanto no art. 77, acima citado, o NCPC lista os deveres das partes e seus procuradores (exceto nos casos dos já comentados incisos IV e VI, que implicam em ato atentatório à dignidade da justiça), no art. 79 e, principalmente, no art. 80, ele prevê as hipóteses que configuram o seu desrespeito, reputando a parte ou interveniente como litigante de má-fé. Portanto, nestes casos, deverão eles ser condenados, a requerimento ou de ofício pelo juiz, em litigância de má fé, sujeitando-se, de acordo com o art. 81: - a uma multa superior a 1% e inferior a 10% do valor atualizado da causa ou, se esse for irrisório ou inestimável, até 10 salários mínimos, a qual será revertida à outra parte, que foi sua vítima (art. 96, NCPC);

4 43 - à indenização à parte contrária dos prejuízos que ela sofreu (o juiz deve fixar o valor da indenização; não sendo possível, será liquidado); - à honorários advocatícios e todas as despesas efetuadas pela parte vítima. c.2) Despesas processuais e honorários advocatícios arts. 82 a 97 NCPC Algumas observações deverão ser feitas: - em regra, cada parte adianta as despesas dos atos que requerer ou realizar (att. 82, caput); - o autor além de prover as despesas de seus atos, pagará também as despesas de atos praticados pelo juiz e os requeridos pelo MP, quando este atuar como fiscal da ordem jurídica ( 1º); - quanto aos honorários periciais, a parte que requereu a perícia efetua o pagamento; mas se a perícia for requerida por ambas as partes ou determinada de ofício pelo juiz, os honorários são rateados (art. 95 NCPC); - o vencido será condenado, além do principal, a pagar ao vencedor as despesas que este antecipou ( 2º, art. 82), bem como os honorários ao advogado do vencedor art. 85 (os chamados honorários de sucumbência ). ATENÇÃO: honorários de sucumbência honorários contratuais; - em caso de sucumbência recíproca, as despesas serão distribuídas entre as partes proporcionalmente (art. 86); - em caso de desistência, renúncia ou reconhecimento do pedido, as despesas e honorários serão pagos pela parte responsável pelo ato abdicativo (art. 90); - em caso de atos requeridos pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público (quando for parte) ou pela Defensoria Pública, não há exigência de antecipação do pagamento das despesas. Ao final, se elas forem vencidas, deverão reembolsar ao vencedor as despesas que ele tiver pago (art. 91, NCPC). c.2.1) honorários de sucumbência (art. 85, NCPC): Como se viu anteriormente, a parte vencida será condenada a pagar honorários de sucumbência em favor do advogado da parte vencedora da demanda. Os honorários de sucumbência são fixados entre 10 e 20% do valor da condenação ou do proveito econômico obtido ou sobre o valor atualizado da causa ou por apreciação equitativa ( 2º e 8º), levando em consideração alguns critérios definidos na lei (grau de zelo

5 44 do profissional; lugar de prestação do serviço etc). ATENÇÃO: sendo vencida a Fazenda Pública, o percentual é variável a depender da faixa da condenação (incisos I a V do art. 85), e, sendo de valor inestimável ou irrisório o proveito econômico, o juiz fixará por apreciação equitativa ( 8º). Mesmo quando o advogado atua em causa própria ele tem direito a honorários de sucumbência, se for o vencedor ( 17). Também tem direito a honorários de sucumbência o advogado público ( 19). O prolongamento do processo, em razão da interposição de recurso, importa em majoração dos honorários ( 11). Se a sentença for omissa quanto aos honorários e transitar em julgado, é possível ao advogado propor ação autônoma visando à condenação ( 18). c.2.2) Gratuidade da justiça arts. 98 a 102, NCPC A gratuidade pode importar em (art. 98, 1º, 5º e 6º, NCPC): - isenção de todas as despesas, - isenção de despesas de atos processuais específicos, - redução de percentual das despesas, - pagamento parcelado das despesas. Se a parte beneficiária da gratuidade for vencida, a ela se atribuirá o ônus da sucumbência, mas somente haverá execução se a situação de insuficiência for alterada no prazo de 5 anos (art. 98, 2º e 3º, NCPC). O pedido de assistência pode ser feito em qualquer fase do processo (petição inicial, contestação, em recurso etc), por pessoa natural ou jurídica, e o juiz somente deve indeferi-lo se houver prova nos autos quanto à capacidade econômica da parte (art. 99, NCPC). A parte tem direito à gratuidade mesmo quando está representada por advogado particular (art. 99, 4º, NCPC). Quando o benefício da gratuidade é concedido, a parte contrária pode impugnar esse direito, a fim de que o juízo o revogue art. 100 NCPC. Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de sua revogação caberá agravo de instrumento, exceto de resolvida em sentença, quando então caberá apelação (art. 101).

6 45 Confirmada a denegação ou revogação da gratuidade, ou até sobrevindo o trânsito em julgado da referida decisão, a parte deverá efetuar o recolhimento das custas processuais (art. 101, 2º e art. 102).

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