DOCUMENTO PARA AS PRÉ-CONFERÊNCIAS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO DE RIO CLARO: BASE PARA A CONAE / 2010

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1 DOCUMENTO PARA AS PRÉ-CONFERÊNCIAS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO DE RIO CLARO: BASE PARA A CONAE / 2010 Construindo o Sistema Articulado de Educação: o Plano Nacional de Educação, Diretrizes e Estratégias de Ação Como condição para as decisões a serem tomadas em 2010, na Conferência Nacional de Educação, todos os segmentos estão convidados a pensar e refletir sobre a educação de sua cidade e de sua região, a partir dos temas indicados abaixo. A idéia é indicar problemas e propor alternativas tendo em vista a construção de um Sistema Nacional de Educação organizado democraticamente com vistas à efetivação do direito à educação com qualidade social para todos e para cada um. Para tanto, propõe-se um novo Plano Nacional de Educação. A base das mudanças na educação nacional é a educação que ocorre no município. Por essa razão, pensar em 2010 é também pensar no Plano Municipal de Educação de Rio Claro; no atendimento às demandas das crianças pequenas, dos jovens e adultos que vivem na cidade; no papel da universidade pública; no funcionamento dos Conselhos na área educacional, na relação entre a esfera pública e a privada para a oferta e a gestão da educação... Enfim conquista-se a oportunidade de se pensar a partir da base, o município, as mudanças no campo da educação: vamos aproveitá-la. Os seis eixos temáticos que norteiam nossa discussão têm seu conteúdo diluído no texto problematizador abaixo, cujo objetivo é servir de ponta-pé-inicial para as reflexões e sugestões de cada pré-conferência. São eles: 1- Papel do Estado na garantia do direito à educação de qualidade: organização e regulação da educação nacional; 2- Qualidade da educação, gestão democrática e avaliação; 3- Democratização do acesso, permanência e sucesso escolar; Formação e valorização dos profissionais da educação; 4- Financiamento da educação e controle social; 5- Justiça social, educação e trabalho: inclusão, diversidade e igualdade. Prefeitura de Rio Claro Secretaria Municipal da Educação Conselho Municipal de Educação 1

2 TEXTO MOBILIZADOR - Construindo o Sistema Articulado de Educação: o Plano Municipal de Educação, Diretrizes e Estratégias de Ação para a educação com qualidade social em Rio Claro. 1- O ponto de partida são os conhecidos dados de exclusão educacional brasileiros, você sabia que apenas 12,1% da população brasileira na faixa etária de 18 a 24 anos encontram-se matriculada em algum curso de graduação no Brasil e que 60,4% não têm sequer o ensino fundamental completo? Em Rio Claro a situação é menos grave. Temos apenas 5,1 % da população acima de 15 anos analfabeta, porém 54,29% da população acima de 25 anos têm menos de oito anos de escolaridade. 2- Essa situação é ainda pior se nos deslocarmos para os municípios e estados mais pobres. Por isso, é fundamental para se pensar na efetivação do direito à educação, que o governo Federal, os estados e os municípios atuem de forma articulada e colaborativa. Pretende-se por em prática o regime de colaboração previsto desde 1988 na Constituição Federal? Mas como? 3- Inicialmente, é necessário pensar no Sistema Municipal de Educação de Rio Claro. Qual o papel da Prefeitura em relação às creches públicas e privadas? O que é necessário fazer para garantir que o ensino fundamental de nove anos seja uma medida que favoreça o desenvolvimento das crianças? Como acompanhar e fiscalizar as atividades das instituições privadas, tendo em vista que a educação privada precisa do aval governamental para funcionar? Como ocorre o atendimento educacional aos alunos com necessidades especiais e aos jovens e adultos que não tiveram acesso à escolaridade obrigatória na idade própria? 4- As respostas a essas questões dependem de recursos financeiros compatíveis com um custo-aluno qualidade. Por essa razão, o tema do financiamento da educação é de grande importância, pois, sem uma ampliação consistente de recursos e sua correta aplicação, não garantiremos o acesso equitativo e universal à educação básica de qualidade e muito menos a elevação das matrículas na educação superior pública. 5- Ou seja, mais do que saber quanto a prefeitura tem para gastar com educação é preciso que os cidadãos digam qual a educação que se quer e precisa. É esta necessidade que 2

3 deve fundamentar a definição do custo-aluno ano. Ao pensarmos dessa forma, estaremos planejando o gasto em educação a partir do que os cidadãos indicam como necessário e não apenas em função do que seja possível gastar. 6- Mais uma vez entra em cena a importância de se regulamentar o Regime de Colaboração, pois não é apenas a prefeitura de Rio Claro que deve assumir o investimento na educação na proporção necessária á educação de qualidade. Qual o papel dos diferentes níveis de governo federal, estadual, e municipal -, no financiamento da educação da cidade? 7- Como sabemos, mais recursos precisam de mais controle social... Como se dão os processos de gestão, acompanhamento, controle e fiscalização dos recursos no município? É possível falar em uma gestão transparente dos recursos? Há uma ação articulada entre os órgãos responsáveis Conselhos, Ministério Público, Tribunal de Contas para a efetiva fiscalização da aplicação dos recursos destinados à educação? 8- Para pensar a educação no município de Rio Claro e suas necessidades é preciso, no mínimo, levar em conta a realização dos princípios constitucionais para a educação: 9- GARANTIA DE ACESSO E PERMANÊNCIA NA ESCOLA EM TODOS OS NÍVEIS PARA TODOS OS ALUNOS. A luta pela educação pública sempre esteve associada à luta pela construção dos direitos sociais e humanos e, no Brasil, a luta pela democratização da educação tem sido uma bandeira de luta dos movimentos sociais. No entanto, os municípios, enquanto uma das instâncias do poder público vem atendendo a essas reivindicações de forma focalizada, priorizando o acesso ao ensino fundamental. É preciso lembrar que a democratização da educação não se limita ao acesso, e que a focalização no ensino fundamental acaba por deixar um grande número de crianças de 0 a 5 anos e de jovens sem atendimento educacional. 10- Pensar a educação na cidade, exige que pensemos em todos os níveis e modalidades de ensino: a educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio, a educação superior, a educação especial, profissional, de jovens e adultos, a educação no campo...como está o acesso, das crianças e jovens da sua comunidade a estes diferentes etapas e modalidades de ensino? 3

4 11- Há no município a necessidade de investimento na ampliação do número de instituições escolares? A implantação do ensino fundamental de 9 anos está contribuindo para ampliação do acesso da crianças de 6 anos à escola? 12- Há transporte e a alimentação para todos os que necessitam? Os alunos do Ensino Médio podem usufruir desses recursos? Há biblioteca em uso nas escolas? E os computadores? 13- Há no município escolas de tempo integral? Que sugestões teriam para melhorálas? É adequada a relação entre o número de alunos e o de professores? 14- Como está o atendimento dos alunos com necessidades especiais? Há articulação entre a saúde e a educação? 15- O que é preciso fazer para melhorar o sucesso escolar dos alunos? Os espaços físicos, mobiliário e material didático-pedagógico são adequados? Você conhece o projetopolítico- pedagógico das escolas..o Conselho de Escola conhece??? 16- LIBERDADE PARA ENSINAR, APRENDER, PESQUISAR E CRIAR E O PLURALISMO DE IDÉIAS E CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS. Há possibilidade de efetivar este princípio? Como se elaboram os projetos pedagógicos nas escolas? 17- A GRATUIDADE NOS ESTABELECIMENTOS OFICIAIS DE ENSINO. Como mantê-la, para todos e em todos os níveis? Aqui também a questão do financiamento da educação é de grande importância. É preciso, por exemplo, pensar no papel da educação superior pública. Como a UNESP poderia se fazer mais presente na cidade? Como garantir a autonomia universitária com adequado financiamento. 18- A VALORIZAÇÃO DOS EDUCADORES. Nesse momento de participação da comunidade na reflexão sobre a política educacional municipal, vale refletir sobre a formação e valorização dos profissionais da educação professores, especialistas e funcionários de apoio e técnico-administrativos que atuam nas instituições públicas e privadas, nos diferentes níveis e modalidades de ensino. 19- Qual a formação dos profissionais da educação que atuam no sistema de ensino municipal, estadual e privado? Eles possuem as qualificações mínimas exigidas? Ainda é preciso investir em formação inicial? Como tem se dado a formação continuada dos profissionais da educação? 4

5 20- Há ações de formação continuada para os funcionários de apoio e técnicoadministrativos? A educação a distância é uma alternativa válida para a formação continuada dos profissionais da educação? 21- Plano de carreira, jornada de trabalho em uma única instituição, condições dignas de trabalho... O que precisa ser feito para que o município mantenha os melhores educadores? Como garantir que os direitos e as conquistas do professorado não signifiquem uma perda para o aluno? Qual a melhor forma de selecionar os diretores escolares e professores? O que fazer com quem não se responsabiliza pelo seu trabalho? 22- A GESTÃO DEMOCRÁTICA. Os Conselhos de escola, Conselho Municipal de Educação, Conselho de Acompanhamento e Controle dos recursos do FUNDEB o Conselho Tutelar têm se constituído em espaços de apropriação do exercício de elaboração das diretrizes e prioridades da educação nos diferentes níveis: escola e município? Quem são os segmentos presentes? A universidade tem cumprido seu papel? Como garantir a participação efetiva dos estudantes e das famílias na construção do projeto educativo? Como estimular a auto-organização de nossos estudantes? Participação se aprende participando A GARANTIA DE UM PADRÃO MÍNIMO DE QUALIDADE. Como transformar este princípio em realidade? O que seria uma creche de qualidade, uma pré-escola de qualidade uma escola de Ensino Fundamental de qualidade, uma escola de Ensino Médio de qualidade e uma Universidade de qualidade? Para quem? E as escolas privadas...como garantir sua qualidade? 24- Tais respostas implicam pensar a educação na cidade. Implicam pensá-la como política de Estado construída democraticamente e acordada em suas bases gerais pelos diferentes grupos e interesses que atuam no município. A educação municipal não é a educação de um governo ou partido, mas a educação dos cidadãos que residem na cidade. 25- Em qual cidade? Há uma única Rio Claro? As necessidades dos diferentes bairros são as mesmas? Quais as necessidades desta região? Muitas das necessidades vividas pelas escolas requerem investimentos em áreas distintas da educacional: é preciso acabar com a desigualdade social...o que fazer em Rio Claro? Como pensar a educação articulada a políticas de lazer, meio ambiente, distribuição de renda, cultura e esporte. 5

6 26- É pensando nessa desigualdade estrutural que temos que enfrentar o problema da qualidade de ensino. Porém não basta garantir ou propor condições de oferta adequadas para a inserção de nossos cidadãos nas diferentes etapas de escolaridade. É preciso saber se as intuições estão funcionando adequadamente, é preciso avaliar. Quem avalia? O que é objeto de avaliação? Como política pública a educação pública precisa ser avaliada, a escola precisa se auto-avaliar e precisa saber-se responsável pelo aprendizado de seus alunos. Mas, só as públicas? 27- E as privadas? Que conseqüências o processo de avaliação institucional deve trazer para o estabelecimento, seja creche ou universidade... É certo que a avaliação é parte desejável e necessária de toda ação, especialmente se esta implicar a vida de milhares de crianças e jovens. Mas, como avaliar a educação em Rio Claro? Quem avaliará? Para quê? Se pensarmos na educação no município, em um Sistema Municipal de Educação, que congregue e articule todas as esferas administrativas (estado, união, município e iniciativa privada) qual o papel do Conselho Municipal de Educação, nesse processo? REFLITAM, DEBATAM, PENSEM EM TODAS ESSAS QUESTÕES... QUE PROPOSTAS TÊM A FAZER? POR ONDE COMEÇAR? EM QUE PRAZOS? 6

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