Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina 008ª Zona Eleitoral de Canoinhas/SC

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1 Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina 008ª Zona Eleitoral de Canoinhas/SC ; Diagnóstico de volume de trabalho de zonas eleitorais como ferramenta de gestão Gestão Estratégica Guilherme Augusto Delbem Técnico Judiciário, área administrativa O presente trabalho tem como objetivo apresentar um método de trabalho que possibilite a qualquer Tribunal Regional Eleitoral do país identificar regiões críticas de seu estado, onde haja desequilíbrio no volume de trabalho de suas zonas eleitorais, elaborar propostas de remanejamento e/ou criação de zonas eleitorais através de critérios objetivos. Serve ainda como ferramenta de gestão estratégica, auxiliando na tomada de decisões e eventual motivação de atos administrativos.

2 Identificação do Problema A história da criação das zonas eleitorais se confunde com a história da criação e desenvolvimento dos municípios. Recursos naturais e econômicos, indicadores sociais, oportunidades: esses são os atrativos que fazem com que as pessoas se estabeleçam, formando cidades. Esse crescimento é difícil de ser previsto e calculado com exatidão devido às inúmeras variáveis que influenciam na situação. Entretanto a Administração, neste caso os Tribunais Regionais Eleitorais, não pode deixar que o acaso influencie na criação das zonas eleitorais ou que estejam condenados a trabalhar da forma em que estão organizados atualmente. Deve haver, em nome do princípio da eficiência, um método para criar novas zonas e remanejar zonas eleitorais existentes através de critérios objetivos, de modo a equilibrar o uso dos recursos humanos e materiais disponíveis. Não havia, até hoje, um método que fosse capaz de se incumbir desta tarefa. Para criação de zonas eleitorais eram utilizados somente os critérios legais, que são baseados essencialmente em questões geográficas e de números de eleitores. É natural, portanto, que haja desequilíbrios em diversas regiões de quase todos os TREs brasileiros, afinal de contas sabe-se que a organização e a eficiência não ocorrem espontaneamente, mas são frutos de muito trabalho e visão. O desequilíbrio na distribuição da força de trabalho dentro de um TRE pode gerar uma série de problemas que vão além das dificuldades de recursos humanos no ano eleitoral, mas também, como exemplo, tem-se a lentidão na prestação jurisdicional, a desatualização do cadastro eleitoral, dificuldades para o atendimento direto à população e a redução do poder de fiscalização, tão importante no contexto da Justiça Eleitoral. Métodos e Técnicas Adotados A solução para o problema identificado foi dividida em duas partes. Para a primeira parte da solução, foi criado um método para diagnóstico do volume de trabalho. Criou-se um índice chamado IZE: Índice de Zona Eleitoral, que é calculado a partir de diversos indicadores de modo a permitir uma comparação numérica entre o volume de trabalho de cada zona eleitoral, numa escala de 0 a 1, baseando-se nos seguintes indicadores: nº. de eleitores, de locais de votação, de seções, de municípios, de servidores e de diretórios municipais de partidos atendidos. Após o cálculo foi realizada uma classificação em 4 categorias, utilizando-se para tanto uma analogia com as cores da Bandeira Nacional, conforme os critérios a seguir: a) Zona Verde: trata-se da zona eleitoral que dispõe de recursos suficientes para continuar suas atividades por um tempo considerável, sem sobrecarga dos recursos humanos e materiais. As zonas eleitorais nesta classe poderão ceder recursos ou acumular outras atribuições para equilibrar com zonas eleitorais mais sobrecarregadas. b) Zona Amarela: trata-se de uma zona eleitoral equilibrada, de porte adequado, com equilíbrio entre demanda de serviços e recursos. c) Zona Azul: trata-se de uma zona eleitoral operando no limite de seus recursos, mas ainda sem comprometer o efetivo atendimento aos eleitores.

3 d) Zona Branca: trata-se de uma zona eleitoral sobrecarregada. Estas zonas eleitorais estão sujeitas à problemas. Cabe à Administração Pública dar tratamento diferenciado às zonas desta categoria, comprometendo-se em não criar zonas nestas condições e redistribuir recursos para extinguir Zonas Brancas já existentes, transformando-as em Zonas Azuis ou Amarelas, preferencialmente através de remanejamentos. Em seguida deve ser colocado no mapa o IZE (Índice de Zona Eleitoral) de cada zona eleitoral, ou da região de interesse para estudos. Concluída a fase inicial, passa-se a segunda etapa da solução, que consiste na eventual execução do remanejamento de zonas eleitorais. Analisando-se o mapa das zonas eleitorais e seus respectivos IZEs serão identificadas regiões onde haja zonas eleitorais fronteiriças e que possuam o valor do IZE muito diferentes. Esse fato indica que há zonas eleitorais com volume de trabalho diferentes permitindo a realização do remanejamento de forma a produzir um resultado mais eficiente. Esse método, resumidamente descrito, foi publicado na Resenha Eleitoral nº. 18 do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina e já foi utilizado para realizar o remanejamento de 3 zonas eleitorais na região de Lages/SC. A Coordenadoria de Eleições do TRE/SC baseou-se totalmente no estudo realizado e já foi apreciado pelo Pleno do TRE/SC, tendo sido lavrado o Acórdão , acolhendo na íntegra o pedido de recomposição, exatamente na forma proposta. Os autos do processo foram remetidos ao Tribunal Superior Eleitoral na data de 22/07/2011 para aprovação (Protocolo /2010, CZER 7229). A facilidade na elaboração da proposta de remanejamento dependerá da configuração da região a ser estudada. Se na região houver vários municípios e várias zonas eleitorais, pode ser que o equilíbrio possa ser atingido apenas pela redistribuição de municípios inteiros entre as zonas eleitorais envolvidas. Esta é uma das situações mais simples de se resolver. Entretanto, nem sempre isso é possível. A região escolhida para a análise foi a região de Lages/SC, que é composta por 8 municípios, divididos entre 3 zonas eleitorais, perfazendo um eleitorado superior a eleitores. Este exemplo envolve a redistribuição de locais de votação dentro do município sede, que por apresentar maior complexidade pode demonstrar melhor o uso desta ferramenta. Resultados e Benefícios Alcançados Serão apresentados os valores dos indicadores das zonas eleitorais envolvidas. Os dados foram retirados da intranet do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina. Os comparativos são apresentados em forma de tabela e gráficos. Antes de ser realizado o remanejamento das 3 zonas eleitorais referidas, a situação de seus indicadores era a seguinte: Tabela 1: Indicadores das zonas eleitorais antes do remanejamento Zona Eleitoral Municípios Eleitorado Nº. de Locais de Votação Nº. de Seções 21ª ª ª Partidos Fonte: acesssado em 17/02/2009.

4 Após a aplicação do método, a situação dos indicadores tornou-se: Tabela 2: Indicadores das zonas eleitorais após o remanejamento Zona Eleitoral Municípios Eleitorado Nº. de Locais de Votação Nº. de Seções Partidos 21ª ª ª O panorama mostrado na tabela anterior refletem as alterações que foram aprovadas pelo TRE/SC na ação CZER 7229, expedida ao TSE para aprovação em 22/07/2011. A situação anterior e posterior ao remanejamento são demonstradas a seguir em gráficos. Gráfico 1: Comparativo de Eleitorado Situação do Eleitorado ª 93ª 104ª Eleitorado Eleitorado

5 Gráfico 2: Comparativo entre nº. de Seções e Locais de Votação Situação de Seções e Locais de Votação ª ª 104ª Votação Pré Votação Pós Nº. Seções Pré Nº. Seções Pós Gráfico 3: Comparativo entre nº. de Municípios e Partidos Situação de Seções e Locais de Votação ª ª 104ª Votação Pré Votação Pós Nº. Seções Pré Nº. Seções Pós

6 Analisando-se as tabelas e gráficos antes da aplicação do método, pode-se perceber nitidamente o desequilíbrio nos indicadores entre as 3 zonas eleitorais estudadas. Curiosamente elas têm sua sede no mesmo prédio, mas nota-se realidades de trabalho totalmente diferentes. Após a aplicação do método verifica-se um maior equilíbrio. A 93ª Zona Eleitoral que abrangia 7 municípios continua sendo maior em alguns aspectos, mas após o remanejamento é evidente o equilíbrio. É o equilíbrio destes aspectos que confere a maior eficiência no trabalho da Justiça Eleitoral, que no caso em tela abrange 8 municípios, totalizando mais de eleitores. A 104ª zona eleitoral ficou um pouco menor que as outras, mas a medida era necessária pois ela abrange a região do município de Lages com maior crescimento populacional dos últimos anos, comparando-se com as outras duas zonas eleitorais. O gráfico a seguir pretende mostrar o IZE de cada zona eleitoral antes e depois do remanejamento. É uma maneira de testar a credibilidade do método. De acordo com as explicações realizadas, espera-se que antes o IZE seja significativamente diferente para as 3 zonas envolvidas, assim como é esperado que o IZE se mostre numericamente valores bem mais próximos uns dos outros. Gráfico 4: Comparativo entre os IZEs Análise do IZE 70,00 60,00 59,45 50,00 40,00 30,00 IZE Antes IZE Depois 20,00 10,00 0,00 7,35 9,37 5,63 0,46 0,52 21ª 93ª 104ª Mais uma vez, analisando-se o gráfico anterior, verifica-se que o método consegue refletir com exatidão o volume de trabalho das zonas eleitorais, permitindo identificar desequilíbrios, e ser útil na elaboração de propostas de criação de zonas eleitorais e/ou remanejamentos.

7 Conclusão Diante de todo o exposto, pode-se dizer que o presente trabalho é uma iniciativa inovadora. Em geral, de acordo com a legislação vigente, são usados poucos critérios para criação de zonas eleitorais, e nem sempre eles refletem as reais condições de atendimento à população por parte dos servidores e juízes eleitorais. Em tempos de contenção de gastos, onde a eficiência já não é mais uma opção e sim um dever da Administração Pública, ressalta-se que o remanejamento ocorre sem custos diretos para a Justiça Eleitoral como seria numa eventual criação de nova zona eleitoral ou relotação de servidores. O presente trabalho já foi aplicado na prática pela Coordenadoria de Eleições do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, o que demonstra sua efetividade. Os comparativos realizados mostram os seus resultados positivos diante da situação apresentada. Além das aplicações já mencionadas, o diagnóstico de zonas eleitorais pode ser uma poderosa ferramenta de gestão. O administrador, sabendo o tamanho real de cada zona eleitoral poderá alocar recursos humanos e materiais com maior consciência. Poderá justificar uma compra, ou a negativa a um pedido de um juízo eleitoral com fundamento, com embasamento, motivando tecnicamente os seus atos administrativos. Outro exemplo seria no caso de criação de novos cargos para a Justiça Eleitoral. Em qual zona eleitoral aqueles servidores serão mais aproveitados? Qual zona eleitoral tem a real necessidade? O Índice de Zona Eleitoral, IZE, permite dar esta resposta com exatidão. Outra aplicação seria em estados com extensa área territorial. Nestes estados o método certamente teria grande importância. Devido às limitações de tamanho elencadas no item 7 do Edital 01/2011 da XI Mostra Nacional de Trabalhos da Qualidade no Poder Judiciário não é possível detalhar tanto as questões técnicas de execução do método, entretanto são técnicas simples. Foram utilizados apenas recursos disponíveis no próprio cartório eleitoral, como software de planilha eletrônica, tabelas retiradas da intranet, mapa eletrônico das zonas eleitorais e eventualmente mapas locais escaneados. Certamente um servidor dedicado poderá realizar o mesmo método, após uma palestra, em seu TRE.

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