MINISTÉRIO DA DEFESA Assessoria de Planejamento Institucional. Espaço do Pesquisador Teses, Dissertações, Monografias e Artigos Científicos

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1 MINISTÉRIO DA DEFESA Assessoria de Planejamento Institucional Espaço do Pesquisador Teses, Dissertações, Monografias e Artigos Científicos O texto a seguir, assim como as idéias, informações e dados nele contidos, expressam o pensamento de seu autor, sendo de sua inteira responsabilidade, e não representam, necessariamente, a opinião do Ministério da Defesa.

2 Mariana Oliveira do Nascimento Plum A aplicação do artigo quarto do Tratado de Não- Proliferação Nuclear Dissertação de Mestrado Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação da PUC- Rio como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Relações Internacionais. Aprovada pela Comissão Examinadora Abaixo. Orientador: Prof. Mônica Herz Rio de Janeiro, 08 de maio de 2009.

3 Mariana Oliveira do Nascimento A aplicação do artigo quarto do Tratado de Não- Proliferação Nuclear Dissertação de Mestrado Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação da PUC- Rio como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Relações Internacionais. Aprovada pela Comissão Examinadora Abaixo. Prof. Mônica Herz Orientadora Instituto de Relações Internacionais Puc-Rio Prof. Kai Kenkel Instituto de Relações Internacionais Puc-Rio Prof. Antônio Jorge Ramalho da Rocha Instituto de Relações Internacionais - UnB Rio de Janeiro, 8 de maio de 2009.

4 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do trabalho sem a autorização da universidade, da autora e do orientador. Mariana Oliveira do Nascimento Graduou-se em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, em Ficha Catalográfica Nascimento Plum, Mariana Oliveira do A aplicação do artigo quarto do tratado de nãoproliferação nuclear / Mariana Oliveira do Nascimento ; orientadora: Mônica Herz f. : il. ; 30 cm Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Inclui bibliografia 1. Relações internacionais Teses. 2. Energia nuclear. 3. Enriquecimento de urânio. 4. Salvaguardas. 5. Segurança. 6. Artigo quarto do TNP. I. Herz, Mônica. II. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Instituto de Relações CDD: 327 Internacionais. III. Título.

5 Aos meus pais, Marta e Flávio, por todo apoio e confiança.

6 Agradecimentos A realização desta dissertação recebeu a colaboração de diversas pessoas a quem eu gostaria de agradecer À minha orientadora, professora Monica Herz, pela dedicação e atenção durante toda a realização deste trabalho e pela inspiração, motivação, carinho e apoio durante todo o curso. Aos meus pais, que sempre acreditaram nos meus sonhos, vibraram com as minhas conquistas, apoiaram todas as decisões e contribuíram imensamente para a realização desta dissertação. Ao querido Thiti, por todo apoio, carinho, ajuda e compreensão, e por ser o melhor dicionário de sinônimos e de inglês. o melhor. Ao meu irmão, por todos os conselhos e por sempre me incentivar a buscar

7 À professora Letícia Pinheiro, pelos incentivos desde o segundo período da graduação, e pelo apoio durante todo o mestrado. Aos professores Andréa Hoffmann, André Mello, Gómez, João Pontes Nogueira, Luis Fernandes, Mônica Salomon e Nizar Messari, pela relação amistosa compartilhada nesta jornada. Às queridas Vera, Regina, Natasha e Luciana, por estarem sempre dispostas a ajudar, mesmo fora do horário de atendimento da secretaria do curso de relações internacionais. cooperação. Ao senhor Antonio Oliveira, secretário da ABACC, pela preciosa ajuda e Ao professor Octavio, pela grande compreensão, apoio e paciência. À Paula, Jorge e César, amigos inseparáveis, que por meio de nossas inúmeras conversas e reuniões tornaram os últimos dois anos muito melhores de serem vividos. Aos queridos Cláudio, Cristina, Daniel, Diogo, Jana, LF, Luis Feldman, Miguel e Natália, por todos os estudos em grupo, comemorações, viagens, discussões e bons momentos vividos nos últimos anos. sempre. Ao amigo Danilo, pelos inúmeros livros e materiais emprestados desde À DBRNP, por todos os momentos de companheirismo e alegrias. trabalho. À Capes a À Puc-Rio, pelos auxílios concedidos para a conclusão deste Aos professores Antonio Jorge Ramalho da Rocha e Kai Kenkel por comporem a Banca de Mestrado.

8 Resumo Nascimento Plum, Mariana Oliveira do; Herz, Monica. A aplicação do artigo quarto do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Rio de Janeiro, p. Dissertação de Mestrado Instituto de Relações Internacionais, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Os bombardeios nucleares contra Hiroshima e Nagazaki alteraram profundamente o conceito de guerra entre os Estados nacionais. A partir do momento em que os dois cogumelos atômicos espalharam-se sobre as cidades japonesas, a inclusão da ameaça nuclear em conflitos interestatais passou a ser preocupação obrigatória das nações que disputariam áreas de influência durante a Guerra Fria. Estimulada por essa preocupação, a comunidade internacional tomou diversas medidas durante os últimos 50 anos para restringir o uso dos armamentos nucleares. O Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) foi uma das principais iniciativas para atingir esse fim. Seus artigos determinaram a proibição do desenvolvimento e da aquisição de armamentos nucleares após 1967, além de incentivar o desenvolvimento da tecnologia nuclear civil e o encorajamento do progressivo desarmamento dos Estados. Os acordos firmados no final da década de 60, entretanto, não foram capazes de prever o avanço da tecnologia nuclear. Se o uso pacífico do átomo era permitido em 1968, hoje o desenvolvimento de tecnologias de duplo uso - tais como o enriquecimento de urânio, ainda que para fins pacíficos não é visto com bons olhos. As dificuldades para verificar a boa-fé do desenvolvimento e do uso dessas tecnologias tornaram a possibilidade de sua proliferação um problema ainda mais temido. O surgimento de programas nucleares clandestinos e, consequentemente, de novos Estados nucleares, além da cada vez mais presente possibilidade de terrorismo nuclear, abalaram a credibilidade do Regime de Não-Proliferação. Para tentar controlar os danos causados por esse problema, as diversas reuniões de revisão do TNP vêm tentando preencher as brechas que desafiam o regime. Esta dissertação mostra quais são as principais tensões existentes dentro do regime e como a comunidade internacional e a Agência Internacional de Energia Atômica estão atuando para lidar com essas dificuldades. A análise do artigo IV

9 do TNP parece demonstrar que, se as cláusulas do contrato não forem cumpridas de forma igualitária por todos os Estados-parte, será muito difícil resolver os problemas da não-proliferação. Palavras Chave: Energia Nuclear, Enriquecimento de Urânio, Salvaguardas, Segurança, Artigo quarto do TNP.

10 Abstract Nascimento Plum, Mariana Oliveira do; Herz, Monica. A aplicação do artigo quarto do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Rio de Janeiro, p. Msc. Dissertation Instituto de Relações Internacionais, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. The nuclear bombings over Hiroshima and Nagasaki have deeply changed the concept of war among national States. From the moment the two atomic mushroom clouds spread in the sky over the Japanese cities, the inclusion of the nuclear threat in interstate conflicts has become a mandatory worry to the nations that would struggle for influence areas during the Cold War. Stimulated by these worries, the international community has taken several measures over the last 50 years in order to curb the use of nuclear weapons. The Non-Proliferation Treaty (NPT) has been one of the main initiatives aimed at this purpose. Its articles instituted the proscription of developing and acquiring nuclear weapons after 1967, besides motivating the expansion of civil nuclear technology and heartening the progressive disarmament of states. The agreements signed by the end of the 60s, however, were not able to predict the advance of nuclear technology. If the peaceful use of the atom was allowed back in 1968, today the development of dual-use technology such as uranium enrichment, even for peaceful reasons is still frowned upon. The difficulties to examine the true intentions behind developing and using this technology have changed the possibility of its proliferation into a truly fearsome problem. The blossoming of rogue nuclear programs, and, therefore, of new nuclear states, allied to the growing threat of nuclear terrorism, has shaken the credibility of the non-proliferation regime. In order to control the damages induced by this problem, several review conferences have been trying to mend the gaps that challenge the regime. This paper tries to show which are the main tensions inside the regime and how the international community and the International Atomic Energy Agency are trying to cope with these matters. The analysis of Article IV of the NPT seems to

11 demonstrate that if the treaty provisions are not equally observed by all member states, it will be extremely hard to overcome the problems of non-proliferation. Keywords: Nuclear Energy, Uranium enrichment, Safeguards, Security, Article IV of NPT

12 Sumário Lista de Abreviaturas e Siglas Lista de Ilustrações Introdução O Regime de Não-Proliferação Nuclear O início da política de controle de armamentos A criação da Agência Internacional de Energia Atômica AIEA O Tratado de Não-Proliferação Nuclear TNP Surgimento de novos Estados nucleares Protocolo Adicional do TNP Renascimento Nuclear Tecnologia Dual Nuclear Enriquecimento de Urânio Aplicações da Energia Nuclear Proliferação de Tecnologia Dual no século XXI Terrorismo Energia Medidas de Verificação e Salvaguardas A AIEA Salvaguardas, Verificação e Monitoramento Histórico de Verificações O papel das Nações Unidas na verificação Aplicação do Artigo Quarto O artigo quarto Brasil e Argentina Países Baixos e Alemanha Japão Irã Conclusão Bibliografia Anexos

13 Lista de Abreviaturas e Siglas ABACC AIEA BTWC CEA COPREDAL CSNU CTBT CWC EURATOM GEN HEU porcentagem LEU porcentagem MAD NWS NNWS OEA OECD ONU OPANAL OPEP OTAN Agência Brasileiro-Argentina de Cooperação e Controle de Materiais Nucleares Agência Internacional de Energia Atômica Biological and Toxin Weapons Convention Convenção de armas tóxicas e biológicas Comissão de Energia Nuclear Comissão Preparatória para a desnuclearização da América Latina Conselho de Segurança das Nações Unidas Comprehensive Test Ban Treaty Tratado para a proibição de testes nucleares Chemical Weapons Convention Convenção de Armas Químicas Comunidade Européia de Energia Atômica Grupo de Exportadores Nucleares High Enriched Uranium - Urânio enriquecido em alta Low Enriched Uranium Urânio enriquecido em baixa Mutual Assured Destrution Destruição mútua garantida Nuclear Weapon States Estados nuclearmente armados Non Nuclear Weapon States Estados não-nuclearmente armados Organização dos Estados Americanos Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico Organização das Nações Unidas Organização para a Proscrição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe Organização dos Países Exportadores de Petróleo Organização do Tratado do Atlântico Norte

14 SCCC TIAR TLATELOLCO TNP Sistema Comum de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares Tratado Interamericano de Assistência Recíproca Tratado de Proscrição de Armas Nucleares na América Latina Tratado de Não- Proliferação Nuclear

15 Lista de Ilustrações Figuras 1. Reação de fissão nuclear em cadeia Ciclo do combustível nuclear Capacidade mundial de enriquecimento de urânio Fontes de geração de energia no mundo Usinas nucleares no mundo Desenvolvimento do sistema de salvaguardas Gráficos 1. Produção de energia nuclear Geração de energia nuclear em Conclusão de Salvaguardas Compreensivas Conclusão de Protocolos Adicionais Tabelas 1. Enriquecimento de urânio no mundo Esforços de Prevenção da Proliferação de Armas de destruição em 70 massa... 3.Usinas nucleares em operação no mundo Emissão de CO

16 1 Introdução Alcançar a cooperação entre os Estados é um objetivo complexo e extremamente difícil na política mundial. A dificuldade existe não apenas pelo fato de envolver um grande número de atores com interesses e necessidades diversas e que apresentam diferentes graus de desenvolvimento econômico, tecnológico e social, mas, principalmente, porque as instituições internacionais formalizadas não são totalmente eficazes para garantir o cumprimento de normas e leis, acordos ou tratados. A anarquia, definida como ausência de um poder soberano com monopólio do uso legítimo da força, é tradicionalmente identificada como a característica fundamental do sistema internacional, o que leva muitos autores a analisar suas implicações nas relações entre Estados. É o que fazem Kenneth Waltz 1, John Herz 2 e Robert Jervis 3, ao tratar das possibilidades de cooperação e conflito geradas pela falta de uma autoridade centralizada. Kenneth Waltz é, dentre estes teóricos, o que tem uma visão mais radical sobre a impossibilidade de se contornar a anarquia internacional. O autor defende a utilização da dicotomia anarquia/hierarquia afirmando que although such pure orders do not exist, to distinguish realms by their organizing principles is nevertheless proper and important 4. Segundo Waltz (1979), a anarquia leva necessariamente à competição entre as unidades que compõem o sistema, pois, não havendo autoridade que garanta a defesa dos membros, o sistema funciona com base no princípio de auto-ajuda, e cada unidade deve maximizar poder para garantir sua sobrevivência. Mesmo quando a cooperação poderia gerar ganhos absolutos para todos os envolvidos, os Estados preocupam-se com ganhos relativos, pois não estão certos quantos às futuras intenções dos demais participantes em um eventual arranjo cooperativo. Assim, a cooperação se tornaria uma exceção rara e frágil ao padrão de conflito nas relações internacionais, pois the condition of insecurity at the least, the 1 Kenneth Waltz, Theory of International Politics, Nova York: MacGraw Hill, John Herz, Idealist Internationalism and the security Dilemma, World Politics, Vol. 2, No pág Robert Jervis, Cooperation Under the Security Dillema, World Politics, v.30, n.2,p , Kenneth Waltz, op. cit., pág. 115.

17 1.Introdução 15 uncertainty of each about the other s future intentions and actions works against their cooperation 5. Apesar de também considerar a anarquia como princípio organizador do sistema internacional, Herz (1950) se afasta de Waltz ao explicar a cooperação entre Estados não como uma anomalia, mas como um padrão que se encaixa perfeitamente na lógica da competição gerada pelo dilema de segurança 6, pois cooperation and solidarity tend to become elements in the conflict situation, part of their function being the consolidation and the strengthening of particular groups in their competition with other groups 7. O autor afirma, ainda, que é possível mitigar o conflito gerado pela anarquia através do que denomina liberalismo realista, que apesar de partir da visão realista das relações internacionais têm um caráter normativo idealista. Por sua vez, Jervis (1978) não trata a cooperação como apenas um elemento dentro da lógica da competição, como faz Herz (1950), e tampouco considera a competição como um princípio incontornável, como Waltz (1979). Jervis (1978) ressalta que apesar de todos os atores saberem que a opção de cooperar é a que traz menores riscos à segurança nem sempre é possível alcançá-la. Isso acontece porque não existem mecanismos que obriguem os Estados a cooperar; porque estes buscam o controle de recursos, uma vez que a ausência de autoridade internacional impede que haja uma divisão eqüitativa desses recursos; e, em busca do aumento de sua segurança, um estado pode gerar a insegurança do outro o dilema de segurança, citado acima. Jervis (1978) procura explicar o dilema de haver cooperação em um mundo anárquico, de unidades auto-interessadas, aplicando a teoria dos jogos para demonstrar como o dilema de segurança pode ser mitigado. Os cálculos subjetivos, feitos pelos tomadores de decisão, sobre os custos e benefícios da 5 Kenneth Waltz, loc. cit. 6 Dilema de segurança é definido em seu artigo Idealist Internationalism and the security Dilemma : o dilema de segurança ocorre em sociedades anárquicas em que os atores estão constantemente preocupados com sua segurança e com a possibilidade de um ataque. Para minimizar essa insegurança os atores buscam aumentar o seu poder em comparação ao poder dos outros. Isso, no entanto, gera insegurança no outro, que também vai buscar o aumento de seu poder. Nesse ambiente de total competição os atores nunca conseguem atingir a segurança desejada, podendo entrar em uma corrida armamentista, buscando o de acúmulo de segurança e poder. John Herz, Idealist Internationalism and the security Dilemma, World Politics, Vol. 2, No p Idem. p 260

18 1.Introdução 16 cooperação podem ser manipulados, e para que favoreçam a cooperação o melhor cenário é aquele em que: (i) os custos de ser explorado e os possíveis ganhos em explorar o outro Estado são relativamente baixos; (ii) e os benefícios da cooperação e os custos de uma guerra são altos. Considerando o mundo em que as armas nucleares estão presentes, Jervis (1978) demonstra que o dilema de segurança ocorre em virtude da incapacidade de distinção entre o que seriam armas para fins defensivos e armas para fins ofensivos. A possibilidade da instalação de um escudo anti-mísseis fez com que uma arma, em tese defensiva, acabasse com a possibilidade de um segundo ataque, rompendo com o equilíbrio gerado pelas armas nucleares através da destruição mútua garantida. 8 Mas, para o autor, mesmo em um ambiente onde impera o dilema de segurança é possível obter cooperação entre os Estados. Keohane e Axelrod (1985) definem a anarquia de forma semelhante a Jervis: ausência de uma autoridade central que imponha limites na busca dos interesses dos Estados. Afirmam que a trapaça é endêmica ao sistema, mas, apesar disso, a cooperação às vezes pode ser alcançada. 9 A Anarquia é constante no sistema internacional, mas há situações em que os Estados podem ter interesses comuns e nas quais, dependendo de como o contexto da interação está estruturado, o resultado pode ser a cooperação, e não o conflito. 10. No entanto, a busca pela cooperação só é feita quando os Estados acreditam que podem obter algum benefício. Em um sistema anárquico, os Estados não possuem informações completas sobre os demais. Através das instituições, eles conseguem reduzir os custos das incertezas sobre os outros, criando um ambiente de interação estratégica, em que as suas estratégias são combinadas com as estratégias dos demais atores. Para Keohane e Axelrod, (1985) a cooperação irá depender da percepção dos Estados acerca das atitudes dos outros e a percepção de uma estrutura de cooperação está baseada nas crenças do ator e não na realidade. Os autores sugerem a criação de regimes para lidar com esses problemas. Para eles os 8 Robert Jervis, Cooperation Under the Security Dilemma, World Politics, v.30, n.2,p , Axelrod e Keohane (1985). "Achieving Cooperation Under Anarchy: Strategies and Institutions." World. Politics 38 (October): Nogueira, João Pontes. Messari, Nizar, Teoria das Relações Internacionais:correntes e debates Rio de Janeiro: Elsevier, pág 91.

19 1.Introdução 17 regimes fornecem informações sobre os atores, facilitam e desenvolvem a manutenção de uma reputação, promovendo padrões para medir as ações e para delegar responsabilidade para a aplicação de sanções. O conceito de Regimes Internacionais foi elaborado por Stephen Krasner para demonstrar como instituições e normas internacionais delimitam o comportamento dos agentes no sistema internacional. Stephen Krasner (1983) afirma que: International regimes are defined as principles, norms, rules, and decision-making procedures around which actors expectations converge in a given issue-area. 11 De acordo com Robert Jervis (1982), os Estados se beneficiam do estabelecimento de Regimes Internacionais por meio da criação de regras e instituições que irão controlar a competição existente entre eles. A motivação para a criação dos regimes internacionais baseia-se na idéia de reciprocidade: When states accept reciprocity they will sacrifice short-term interests with the expectation that others actors will reciprocate in the future, even if they are not under a specific obligation to do so. 12 Dessa forma, os princípios e normas estabelecem as bases para que a reciprocidade aconteça e devem ser considerados como as características básicas de um regime. Na área de segurança, os regimes são mais difíceis de serem estabelecidos por conta da competição existente entre os Estados. São criados quando os atores do sistema internacional desejam reduzir as suas inseguranças, passando a cooperar em busca de um objetivo comum. De acordo com Keohane (1983), um Estado escolhe fazer parte de um regime considerando três características do sistema internacional: 1. Ausência de uma autoridade internacional 2. Ausência de informações completas sobre intenções de outros Estados 3. Custos de transação Isso significa que: 11 Stephen Krasner,, International Regimes. Cornell University Press pág Ibid., pág 3

20 1.Introdução 18 a major function of international regimes is to facilitate the making of mutually beneficial agreement among governments, so that the structural condition of anarchy does not lead to a complete war of all against all. 13 Desde a 1ª Guerra Mundial que os Estados buscam a criação de regimes de segurança para evitar a proliferação de armamentos em geral e a redução da insegurança e da guerra. A partir da década de trinta, começaram a se formar os diversos regimes de segurança que temos atualmente: armas nucleares, armas químicas e biológicas, armas convencionais, mísseis e minas terrestres. O foco desta dissertação estará em um regime de segurança em especial: O Regime de Não-Proliferação Nuclear. O Regime de Não-Proliferação Nuclear é conseqüência das negociações ocorridas no final da 2ª Guerra Mundial, quando ataques nucleares efetuados pelos Estados Unidos alteraram a lógica de guerra até então vivenciada pelos Estados. A possibilidade de uma guerra total, com potencial para acabar com a vida de milhões de pessoas, destruindo cidades, estados e até países, gerou uma imensa preocupação em torno da posse de armamentos nucleares. Até 1949, os Estados Unidos eram o único país possuidor de tecnologia para construção de armas nucleares. Os horrores produzidos pelas bombas que caíram em Hiroshima e Nagazaki levaram o gigante americano a buscar diversas formas de impedir que outros países pudessem adquirir tais armamentos. Quando a União Soviética atingiu o status de potência nuclear, a Guerra Fria já era uma realidade e as questões de segurança passaram a girar em torno da possibilidade de um holocausto nuclear. Como conseqüência, discussões internacionais travadas durante as décadas de 1950 e 1960 estiveram focadas na não-proliferação nuclear e na tentativa de proibir que mais países pudessem ter acesso a esse tipo de tecnologia. O Regime de Não-Proliferação Nuclear surgiu como uma tentativa de controlar os efeitos que a posse de tecnologia nuclear promove, criando um sistema de regras e procedimentos para regular o comportamento dos Estados e evitar o uso de armas nucleares em conflitos que poderiam causar uma destruição devastadora. Ele foi criado a partir de uma barganha entre os Estados nucleares e não-nucleares, em que o Tratado de Não-Proliferação Nuclear TNP determina 13 Robert Keohane, The Demand for International Regimes, in: International Regimes. Cornell University Press pág 332

21 1.Introdução 19 as diretrizes a serem seguidas e a Agência Internacional de Energia Atômica AIEA verifica se os Estados estão cumprindo com elas. O TNP foi assinado em 1968, após inúmeras negociações entre Estados Não-Nucleares e Estados Nucleares. O TNP é o principal instrumento do Regime de Não-Proliferação Nuclear. Seu objetivo principal era evitar uma guerra nuclear e instaurar uma cooperação internacional para a utilização civil da energia nuclear. O tratado foi ratificado no final de 2002 por 188 países, inclusive as cinco grandes potências nucleares e membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas ONU: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, China e França. Apenas três países ficaram de fora: Israel, Índia e Paquistão. O TNP está baseado na distinção entre as cinco potências nucleares, que fabricaram ou acionaram uma arma nuclear antes de 1º de fevereiro de 1967, e os Estados não nuclearmente armados. O tratado contém um compromisso recíproco dos Estados não-nucleares de não desenvolver ou comprar estas armas e, em compensação, lhes garante o acesso ao uso pacífico da energia nuclear, condicionado ao controle da AIEA. A criação de um regime de segurança nuclear possibilita que dúvidas geradas pelo medo de trapaça sejam minimizadas, demonstrando a vontade política dos países nele envolvidos de dar transparência aos seus programas nucleares, criando um ambiente de confiança mútua. A geração de confiança entre os Estados membros de um regime é um dos objetivos principais. As salvaguardas da AIEA surgem nesse contexto como um mecanismo de geração de confiança entre os Estados membros do TNP. O sistema de salvaguardas da AIEA permite que uma das principais causas para a geração de conflitos seja minimizada: a disponibilidade de informações. As salvaguardas da Agência garantem a verificação das atividades nucleares de cada Estado-parte do Tratado, influenciando as percepções dos Estados sobre as intenções e capacidades nucleares dos outros. 14 A principal peça do Regime de Não-Proliferação Nuclear, o TNP, sempre foi alvo de críticas por colocar os Estados não-nucleares sob forte sistema de verificação e controle e não impor aos Estados nucleares nenhuma medida 14 Para medidas de confiança mútua ver: S.Tulliu & T. Schmalberger, Lexicon for Arms Control, Disarmament and Confidence Building, Unidir, Janeiro 2004.

22 1.Introdução 20 obrigatória em relação ao desarmamento nuclear. Além disso, a eficácia do Regime também ficou prejudicada quando Estados não-signatários do TNP como Índia, Israel e Paquistão conseguiram acesso à tecnologia nuclear sem precisar observar as restrições do Regime de Não-Proliferação. A motivação para a realização deste trabalho veio da percepção de que há uma diferença de abordagem entre os Estados no que tange à questão nuclear. Essa constatação, que parece óbvia quando nos referimos a Estados Nucleares e Não-Nucleares, não fica tão clara quando observamos apenas os Estados Não- Nucleares. A aplicação das salvaguardas da AIEA e a verificação do cumprimento das especificações do Tratado deveriam ser o fator determinante para que um Estado possa prosseguir ou não com seu programa nuclear civil. No entanto, em certas situações, alguns Estados recebem tratamento diferenciado mesmo quando estão em concordância com as prescrições da Agência e têm o direito de desenvolver atividades nucleares para fins pacíficos abolido. O tratamento diferenciado dado aos Estados não nuclearmente armados criou uma das principais tensões existentes no Regime. A adesão a um regime internacional é uma escolha política cujo objetivo é a acomodação dos interesses dos Estados negociantes. Entretanto, a negociação de regime não é puramente consensual. A estrutura do sistema internacional, em que as relações de poder e dependência são fatores importantes, é essencial para a caracterização de um regime. 15 Regimes internacionais podem ser, de certa forma, impostos pelos atores mais poderosos do sistema, que constrangem as decisões dos mais fracos. Para entender a formação e a manutenção de um regime internacional devemos ser sensíveis ao contexto em que os acordos foram formados. Nesse sentido, um regime pode sofrer alterações caso o contexto internacional seja modificado. Resta saber se essas alterações irão mudar substancialmente o regime, enfraquecê-lo ou apenas adaptá-lo à nova ordem vigente. As regras de um regime internacional podem ser mudadas ou quebradas para ficar de acordo com as exigências do momento. Estão em constante 15 Ver: Robert Keohane, The Demand for International Regimes, in: International Regimes. Cornell University Press pág 332, e também: Abram Chayes e Antonia Handler Chayes, On Compliance, in: International Organization 47, 2, Sping pag 180.

23 1.Introdução 21 negociação e renegociação. Contudo, conforme defendido por Stephen Krasner (1982): If the principles, norms, rules and decision-making procedures of a regime become less coherent, or if actual practice is increasingly inconsistent with principles, norms, rules, and procedures, then a regime has weakened. 16 O programa nuclear iraniano vem despertando enormes preocupações na ONU, na AIEA, nos Estados Unidos e demais atores do sistema internacional. A possibilidade de desenvolvimento de um programa nuclear clandestino e, consequentemente, da violação das normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear TNP por parte de Teerã levantaram discussões sobre como lidar com os países violadores do tratado e o desenvolvimento do ciclo do combustível nuclear no mundo contemporâneo. A problemática situação atual da Coréia do Norte levanta discussões sobre utilização dos benefícios do TNP para criação de programas paralelos e elaboração de mecanismos para garantir o cumprimento do Tratado. A retomada da energia nuclear como opção para os problemas de diversificação de matriz energética também aumentou a preocupação com a proliferação da tecnologia. Atualmente, apenas oito países possuem capacidade nuclear para fins militares. Porém, reatores nucleares para fins pacíficos estão presentes em 56 países. As crescentes preocupações com o aquecimento global e mudanças climáticas fizeram com que as estimativas pela opção nuclear crescessem, prevendo-se um aumento significativo de países optando pela energia nuclear. O aumento da energia nuclear traz preocupações sobre poluição e rejeitos nucleares, saúde,segurança e, claro, sobre a não-proliferação. O Renascimento nuclear e toda a situação enfrentada por Irã e Coréia do Norte nos últimos anos refletem a problemática de se lidar com a tecnologia nuclear. Se o Tratado permitia o uso pacífico dessa tecnologia em 1968, hoje em dia atividades como enriquecimento de urânio por parte de Estados não-nucleares, ainda que para fins pacíficos, são vistas com preocupação e desconfiança. 16 Stephen Krasner, Structural Causes and Regime Consequences: Regimes as Intervening Variables, in: International Organization, 36, 2, Spring 1982, pág 189.

24 1.Introdução 22 O Tratado de Não-Proliferação Nuclear inclui em seu artigo quarto a possibilidade de utilização da tecnologia nuclear para fins pacíficos: Nenhuma disposição do presente Tratado será interpretada no sentido de afetar o direito inalienável de todas as Partes no Tratado a desenvolver a investigação, a produção e a utilização da energia nuclear para fins pacíficos, sem discriminação. 17 Entretanto, à época de realização do tratado, apenas os países que já possuíam armas nucleares dominavam esse tipo de tecnologia sensível, como a produção de materiais físseis e sistemas de entrega de armamentos nucleares. O desenvolvimento de novas tecnologias nucleares causa impacto no Regime de Não-Proliferação Nuclear. Passa a existir uma necessidade de controle dessas novas tecnologias de uso dual para evitar que ocorra uma nova proliferação nuclear 18. O Tratado de Não-Proliferação congelou o status nuclear das cinco grandes potências, não permitindo que nenhum outro país pudesse adquirir armamento nucleares com base em um marco temporal: 1º de fevereiro de Para conseguir adesão dos Estados ainda não-nucleares, os cinco países nucleares tiveram que conceder o direito de acesso à tecnologia nuclear desde que para fins pacíficos e comprometeram-se a buscar o desarmamento nuclear. Embora não tenha sido estipulada nenhuma data para o desarmamento, ao incluir essa condição, os Estados Nucleares concederam aos Estados não-nucleares condicionantes para o cumprimento dos ideais de não-proliferação. Como proibir o acesso às armas nucleares a esses Estados se o compromisso com o desarmamento não está sendo cumprido? As cláusulas do tratado continuam sendo objeto de discussão e interpretação. Os artigos quarto e sexto do TNP, que tratam respectivamente do direito à tecnologia nuclear para fins pacíficos aos Estados não-nucleares e da redução dos arsenais dos Estados não-nucleares são alvos de discussão e polêmica por não terem sido implementados em sua totalidade. Se por um lado existem 17 Artigo 4 do Tratado de Não-Proliferação Nuclear disponível em acesso em :28/01/ SANDS, Amy. The impact of new Technologies on nuclear weapons proliferation, in: Nuclear Proliferation after the cold war, 1994, pag 259

25 1.Introdução 23 países com programas nucleares clandestinos violando o TNP, por outro lado os países nucleares que não realizam cortes nos seus arsenais também são violadores. Além disso, existem países que desejam realizar seus programas nucleares dentro das normas do TNP, mas que sofrem com os questionamentos e dúvidas sobre as reais intenções dos seus programas. Somando-se a isso, temos os casos dos países que não são parte do TNP, mas que recebem ajuda dos países nucleares para o desenvolvimento dos seus programas. Alguns dos grandes desafios que o regime de não-proliferação nuclear precisa enfrentar giram em torno das seguintes questões: Como lidar com tecnologias que podem ser letais, mas que ao mesmo tempo garantem desenvolvimento econômico e social para países que lidam com a fome, a pobreza e doenças de todo tipo? Como lidar com a oposição entre proliferação e desenvolvimento, uma vez que, no mundo atual, em que os recursos são escassos e a poluição afeta a qualidade de vida, a energia nuclear pode ser uma grande solução? Como lidar com a dificuldade enfrentada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e por toda a comunidade internacional em garantir transparência nos programas nucleares dos diferentes países e conseguir realizar verificações, monitoramento e aplicações de salvaguardas de forma eficaz? Como lidar com um regime de não-proliferação que não é universal, em que cada caso é tratado de forma diferente? Como lidar com um regime que impõe fortes obrigações para os países não- nucleares e não faz o mesmo com os nucleares? O que fazer com os países nucleares que estão fora do Tratado de Não-Proliferação Nuclear? Considerando as questões acima, no primeiro capítulo dessa dissertação será apresentado o regime de não-proliferação nuclear, descrevendo como começou a política de controle de armamentos, como foi criada a AIEA e as negociações do TNP, destacando os pontos que cada grupo de país defendeu naquele momento. Também serão abordadas as questões sobre o surgimento de novos Estados Nucleares, salientando as tensões existentes entre a nãoproliferação nuclear e o processo de Renascimento Nuclear.

26 1.Introdução 24 Posteriormente, será tratada a problemática da tecnologia dual, demonstrando como é o processo de enriquecimento de urânio e porque esse processo gera tanta polêmica. Em seguida, será analisado o trabalho de verificação e monitoramento da AIEA para evitar que novos Estados Nucleares surjam e que as atividades nucleares para fins pacíficos sejam desviadas para fins não declarados. Também serão demonstradas as diferentes aplicações da energia nuclear e como a possibilidade de terrorismo nuclear está afetando o regime. No quarto capítulo será analisado o trabalho da AIEA, descrevendo o processo de Salvaguardas realizado pela agência e como são feitas as fiscalizações e monitoramento das atividades nucleares dos Estados-parte do TNP. Em seguida, será descrito o histórico de verificações implementadas pela AIEA, ressaltando quantas salvaguardas fora aplicadas, de que tipo, em que países e quais as conclusões que a agência chegou. Será observada também a contribuição do Conselho de Segurança para garantir o cumprimento das verificações e em que situações foi necessário recorrer a esse órgão. Por fim, no último capítulo, será discutido como o artigo quarto do TNP vem sendo aplicado, sua relação com os outros artigos do tratado e com o processo de renascimento nuclear, destacando novamente a importância que a energia nuclear vem ganhando no mundo atual. Será demonstrada a aplicação do artigo quarto em seis países: Brasil, Argentina, Alemanha, Países Baixos, Japão, e Irã. Esses países foram escolhidos como exemplo por serem os únicos a enriquecer urânio além das cinco potências nucleares. Será relatado como foi o processo de construção do programa nuclear de cada um deles e como a notícia sobre a construção de reatores de enriquecimento de urânio foi recebida pela comunidade internacional. O Tratado de Não-Proliferação e o cumprimento das normas da AIEA estão sendo invocados de acordo com uma abordagem seletiva para a nãoproliferação nuclear, que varia caso a caso e utiliza instrumentos diversos de acordo com o proliferador ou proliferador em potencial 19. O objetivo desta pesquisa é analisar o TNP, em particular a aplicação do artigo quarto no mundo pós Guerra Fria. Deseja-se mostrar que o regime de nãoproliferação nuclear não está preparado para lidar com os novos desafios das 19 Robert Ayson, Selective non-proliferation or universal regimes? In: Australian Journal of International Affairs Vol.59, No 4, pp , December 2005.

27 1.Introdução 25 últimas décadas como o surgimento de novos Estados Nucleares, a necessidade de diversificação de matriz energética e a possibilidade de terrorismo nuclear. Será também avaliado o cumprimento das normas e regras estabelecidas pelo Regime de Não-Proliferação Nuclear e a sua relação com a crise que o Regime enfrenta no século XXI.

28 2 O Regime de Não-Proliferação Nuclear Os ataques nucleares efetuados pelos Estados Unidos contra o Japão nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, alteraram drasticamente a ordem mundial. A capacidade de destruição desse armamento, o monopólio americano de tecnologia nuclear e a rivalidade que surgia entre EUA e União Soviética nos acordos de paz da 2ª Guerra Mundial desencadearam uma nova corrida armamentista pela posse das armas nucleares. O Regime de não-proliferação nuclear surgiu durante a Guerra Fria como uma tentativa de controlar os efeitos que a posse de tecnologia nuclear promove, criando um sistema de regras e procedimentos para regular o comportamento dos Estados e evitar o uso de armas nucleares em conflitos que poderiam causar uma destruição devastadora. Do final da década de 40 até os dias de hoje, foram implementadas inúmeras medidas para conter a proliferação nuclear. Diversos acordos e tratados bilaterais, regionais e multilaterais foram assinados desde então, como forma de solucionar essa questão, motivo de desconfiança, medo e conflito entre os Estados. 2.1 O início da política de controle de armamentos O ideário de controle de armamentos teve início antes da era nuclear. A Conferência de Genebra, em 1864, e as Convenções de Haia, em 1899 e 1907, estão entre os primeiros tratados internacionais sobre leis e crimes de guerra. Esses processos são os que mais se parecem com o que chamamos de controle de armamentos, uma vez que determinaram a limitação de armamentos e orçamentos para guerra, a proibição de certos tipos de armas e práticas militares e a criação de instituições para a mediação dos conflitos. A 1ª Guerra Mundial, ocorrida entre 1914 e 1918, mudou a direção da política mundial e também da política de controle de armamentos. Os vitoriosos da guerra reuniram-se em Paris e construíram uma nova ordem baseada no

29 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 27 Tratado de Versalhes que, entre outras exigências, obrigava a Alemanha ao desarmamento. Durante o período entre - guerras uma nova era de controle de armamentos se iniciou. Desejava-se controlar as tecnologias militares que haviam se configurado como propulsores da corrida armamentista antes da 1ª Guerra Mundial; Também foi estabelecida a primeira convenção proibindo a utilização de gases como técnicas de guerra. Em 1932, ocorreu a Conferência Mundial para o Desarmamento, em que as partes buscavam novas garantias de segurança e limitações para a utilização das forças navais, aéreas e terrestres. Contudo, foi após a tragédia causada pelas bombas atômicas no final da 2ª Guerra Mundial que ocorreu um impulso decisivo para busca por um mecanismo que freasse o uso de armamentos. O bombardeio a Hiroshima e Nagasaki foi a causa principal para que os Estados percebessem a necessidade de controlar o uso das armas e, em especial, controlar o uso da tecnologia nuclear. O processo de controle de armamentos envolvia dimensões competitivas e cooperativas, uma vez que os Estados buscavam o controle de armamentos para preservar e aumentar a sua segurança 20. O controle dos armamentos nucleares dominou a agenda de segurança internacional durante toda a Guerra Fria. A primeira resolução adotada pela recém criada Organização das Nações Unidas ONU foi o estabelecimento da Comissão de Energia Atômica (CEA United Nations Atomic Energy Comission UNAEC) em janeiro de 1946 com os objetivos de 1) estender a todas as nações as vantagens da tecnologia para fins pacíficos, 2) criar mecanismos para o uso da tecnologia apenas para fins nãomilitares, 3) futura eliminação de armamentos nucleares, e 4) produção de operações e práticas de inspeção que impedissem violações. A potência norte-americana era a principal defensora da não-proliferação nuclear. Os Estados Unidos eram os únicos detentores de armamentos nucleares até o momento e possuíam uma grande preocupação em evitar que essa tecnologia fosse disseminada entre outros países. Durante o primeiro ano da era Nuclear, os Estados Unidos dedicaram grande parte de sua atenção para, unilateralmente, acabar com a disseminação de armas nucleares Wheeler, Michael. A History of Arms Control, in: Larsen, Jeffrey, Arms Control: Cooperative Security in a Changing Enviroment. Lynne Rinner Publishers, Gaddis, John Lewis. The long Peace. Oxford University Press, New York, p.109.

30 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 28 Quando ocorreu a primeira reunião da CEA, em 1946, os Estados Unidos apresentaram o primeiro plano de não-proliferação nuclear, o plano Baruch. Esse plano propunha a criação de uma Autoridade Internacional de Desenvolvimento Atômico que pudesse controlar e inspecionar as atividades nucleares em todo mundo. Além disso, sugeria-se que as medidas que fossem tomadas pela Autoridade Internacional contra os países que não respeitassem as atividades proibidas pelo plano não estariam sujeitas ao poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança 22. A União Soviética discordava do plano americano 23. Desde as conferências de paz da 2ª Guerra Mundial que EUA e URSS percebiam os diferentes interesses que possuíam e colocavam-se em lados opostos. Os soviéticos acreditavam que o plano Baruch pretendia controlar o acesso às armas nucleares e manter o monopólio americano, e, em se tratando de uma questão tão sensível como armamentos nucleares, discordavam totalmente da idéia de acabar com o poder de veto para esse assunto, assim como de um controle internacional sobre todas as fases das atividades nucleares. O plano Baruch sugeria uma enorme transferência de poder para um órgão internacional, uma transferência que Stalin e outros líderes dos diversos países jamais poderiam aceitar. 24 Os soviéticos afirmavam, ainda, que tal proposta era uma violação da soberania estatal e que causava interferência na vida interna dos Estados 25. Em contrapartida ao plano Baruch, a URSS lançou o plano Gromyko, que propunha a proscrição de bombas atômicas e a destruição das existentes. O plano soviético também não foi aceito, uma vez que os Estados Unidos não estavam dispostos a abrir mão de seu potencial nuclear. As divergências que enfrentavam com a URSS e a forte presença dos exércitos soviéticos no continente Europeu eram considerados ameaçadores pelos EUA e a manutenção de armamentos nucleares garantiria segurança aos norte-americanos. As diferenças substanciais 22 US Department of Energy, acesso em 11 de novembro de Lima, Maria Regina Soares de. The Political Economy Of Brazilian Foreign Policy: Nuclear Energy, Trade And Itaipu. Vanderbilt, Estados Unidos Tese (Doutorado em Ciência Política). Vanderbilt University.p Fischer, David. History of The International Atomic Agency: the fisrt forty years. Vienna: The Agency p Lima,M.R.S., op.cit., p.68

31 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 29 existentes entre EUA e URSS impediam que qualquer progresso em relação à não-proliferação fosse alcançado e os dois planos fracassaram. Porém, em Agosto de 1949 a União Soviética passou a configurar como potência nuclear, tendo realizado sua primeira explosão. Para os americanos, as implicações foram assustadoras: sem o monopólio atômico, o governo Truman teria que pensar na expansão de suas forças convencionais, talvez desdobrando parte delas em caráter permanente na Europa, contingência não prevista no Tratado do Atlântico Norte. Teria de produzir mais bombas atômicas para manter uma supremacia quantitativa e qualitativa sobre a URSS. E viu-se a considerar uma terceira e mais draconiana opção, cuja existência os cientistas americanos só então revelaram a Truman: tentar fazer a chamada super bomba bomba termonuclear ou de hidrogênio que seria no mínimo mil vezes mais potente que as armas que tinham devastado Hiroshima e Nagasaki. 26 A União soviética levaria até 1953 para desenvolver a sua versão desta arma, dando início a uma nova geração de ogivas nucleares menores, mais leves e mais poderosas. Essa corrida armamentista era movida pelo receio recíproco de que o inimigo passasse a frente na produção de armas, provocando um desequilíbrio no cenário internacional. Se um deles tivesse mais armas, seria capaz de destruir o outro. O novo status dos soviéticos fez com que a postura norte-americana fosse alterada, adaptando-se à existência de mais um país nuclear, sabendo que, a partir de então, as posições sobre a não-proliferação deveriam ser conciliadas. A ordem que os EUA vivenciaram no imediato pós 2ª guerra já não existia mais, configurando-se um novo sistema, onde EUA e URSS se posicionavam como as lideranças nucleares do lado capitalista e comunista. Em 1952 a Comissão para Energia Atômica foi desfeita e, em seu lugar, foi criada a Comissão de Desarmamento que cobria todas as questões sobre controle de armamentos, desarmamento, e negociações de acordos multilaterais. A comissão tinha como objetivo a preparação de propostas para regulação, limitação e redução de todas as forças armadas e armamentos em um programa coordenado. Nesse mesmo ano o Reino Unido tornou-se a terceira nação a alcançar o status nuclear. A perda do monopólio nuclear dos Estados Unidos para URSS e Reino Unido mostrou a urgência da criação de um sistema de não-proliferação 26 Gaddis, Jonh Lewis. História da Guerra Fria, Rio de Janeiro: Nova fronteira pág 34

32 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 30 nuclear que garantisse que mais nenhum outro país tivesse acesso a esse tipo de tecnologia. Uma vez que a descoberta cientifica e tecnológica do artefato nuclear fosse desvendada e passasse a ser propriedade pública, replicá-la seria apenas uma questão de engenharia A criação da Agência Internacional de Energia Atômica AIEA No final de 1953, o presidente americano Dwight D. Eisenhower propôs o programa Átomos para a Paz", que determinava a cooperação nuclear para fins pacíficos, desde que os países aceitassem um sistema de salvaguardas internacional. O programa representava um compromisso entre a promessa de acesso a tecnologia nuclear pacífica e a preocupação para restringir esse acesso. 28 As proposições dos Átomos para a Paz foram determinantes nas discussões sobre a criação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em 1954 e 1955, até o seu estabelecimento em Apesar da recusa soviética em engajar na proposta substancial (que pedia que cada lado colocasse parte de seu material físsel para fins pacíficos sob supervisão internacional) eles não bloquearam a criação da Agência Internacional de Energia Atômica que surgiu da proposta de Eisenhower. 29 Em agosto de 1955 ocorreu a primeira Conferência de Genebra, um enorme encontro que reuniu cientistas, engenheiros e líderes de Estado para discutir os usos pacíficos da energia atômica. A conferência foi um marco na história da ciência, a primeira conferência intergovernamental feita para debater o progresso de uma nova tecnologia. A conferência confirmou para o mundo que os diversos usos da tecnologia nuclear, em particular a geração de energia, estavam disponíveis. 30 Dessa forma, a conferência persuadiu diversas nações a lançarem um programa de pesquisa e desenvolvimento e atraiu seu interesse na 27 Fischer, David. Op. Cit, p Gardner, Gary. No proliferacion Nuclear: Un Manual. Instituto de Investigaciones Culturales Latinoamericanas, 1994, p Larsen, Jeffrey A., Arms Control: Cooperative Security in a Changing Environment. Lynne Rienner.Colorado 2004, p Fischer, David. Op. Cit. p.32.

33 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 31 proposta de criação de uma Agência Internacional de Energia Atômica. A conferência permitiu que os cientistas dos diversos países pudessem discutir e conversar sobre a tecnologia nuclear. A única tecnologia que foi mantida sob total segredo foi a de enriquecimento de urânio. 31 Após a Conferência de Genebra, especialistas de EUA, URSS, Reino Unido, França, Canadá e Tchecoslováquia se reuniram para discutir as questões técnicas que desenhariam o sistema de salvaguardas. Essa foi a primeira discussão séria sobre controle nuclear desde a criação da CEA. 32 A AIEA é criada, então, com a função de encorajar e ajudar nas pesquisas, desenvolvimento e aplicações práticas para o uso de energia atômica com fins pacíficos no mundo, além de estabelecer e administrar as salvaguardas. Dessa forma, a Agência surge como forma de garantir que as atividades por ela assistidas não seriam usadas para nenhum fim militar e que a aplicação de salvaguardas em situações especiais só seria realizadas quando fossem requeridas pelos Estados membros. O estatuto da AIEA foi adotado em dezembro de 1956, pelo voto unânime de todos os membros das Nações Unidas. A criação da AIEA pode ser considerada como o primeiro processo de positivação de um regime internacional nuclear. Conforme exemplificado no capítulo anterior, um regime é um conjunto de princípios, normas, regras e procedimentos de tomada de decisão em que as expectativas dos atores convergem em uma determinada área das Relações Internacionais 33. A criação da AIEA como uma agência de controle de materiais nucleares, aprovada por todos os países membros da ONU, evidencia a vontade dos Estados em buscar um mecanismo que freasse a proliferação de armamentos nucleares, ainda que a agência não abordasse a questão dos países já possuidores da tecnologia, EUA, URSS e Reino Unido. Pode-se afirmar que o objetivo americano era diminuir uma possível ameaça a seus interesses. A construção de uma agência internacional que pudesse controlar a propagação de armamentos nucleares surge como uma forma de diminuir os efeitos que o dilema de segurança poderia causar nos atores naquele momento. O poder de vigilância que a AIEA teria diminuiria os riscos de 31 Fischer, David. op. cit, p Fischer, David. op. cit, p Krasner, Stephen. International Regimes. Cornell University Press. Ithaca and London,.1983.p.1

34 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 32 insegurança que o arsenal de um Estado poderia trazer aos outros. Somando-se a isso, a AIEA não representava qualquer risco para os países que possuíam tecnologia nuclear. 2.3 A criação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear A Comunidade Européia de Energia Atômica - EURATOM Os anos que sucederam a 2ª Guerra Mundial foram muito importantes para a elaboração das bases da Comunidade Européia. Em um mundo bipolar, onde a política de contenção pautava as ações norte-americanas, a existência de países fortes no oeste europeu era de suma importância. Foi neste período que o plano Marshall foi implementado, fornecendo pesados financiamentos às nações aliadas e ajudando a reerguer as economias falidas da região. Assim, os acordos que ocorreram nessa época seguiam essa lógica: fortalecer os Estados para evitar perturbações sociais. O Benelux, criado em 1944, foi um exemplo dessa tendência. Entretanto, foi apenas com a criação da Comunidade Européia do Carvão e do Aço, em 1951, que o primeiro passo rumo à integração foi dado. As experiências bem sucedidas até então incentivaram os países membros a criar a Comunidade Econômica Européia CEE que, além de aumentar a cooperação funcional, visava à formulação de um mercado único. Em março de 1957, a CEE deu o primeiro passo para a criação de um mecanismo regional para proscrição de armas nucleares, fundando a Euratom, com objetivo de fortalecer a integração, coordenar o desenvolvimento de energia nuclear dentro da CEE e: implementar um regime de salvaguardas regional para garantir que os materiais nucleares não sejam desviados para fins que não aqueles pretendidos, e para garantir a conformidade com obrigações de salvaguardas garantidas pela Euratom 34. Entretanto, a criação da Euratom não impediu que a França efetuasse o seu primeiro teste nuclear, em Os franceses, como tantos outros países europeus devastados pela 2ª Guerra Mundial, temiam o ressurgimento da Alemanha como

35 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 33 potência militar. Apesar de Euratom pregar o uso de tecnologia nuclear para fins pacíficos, ela não garantiria à França que a Alemanha iria cumprir com mais esse acordo. As salvaguardas da Euratom excluíam os programas nucleares de França e Inglaterra. Existia o medo de uma possível transferência de tecnologia da URSS à Alemanha Oriental e de um novo revanchismo do país contra as decisões dos acordos de paz da 2ª Guerra, que separou a Alemanha em áreas de influência. A manutenção dos armamentos de França e Reino Unido protegeria esses dois países de um possível ataque alemão, e as determinações da Euratom também deveriam prevenir que a Alemanha tivesse acesso às armas nucleares. Conforme Jervis (1982) destaca, um regime de segurança é extremamente válido, mas também extremamente difícil de ser mantido. O medo de que o outro viole ou venha a violar um acordo comum é um incentivo potente para que os Estados atuem buscando a própria segurança, ainda que seu desejo seja de um regime próspero 35. O temor francês de que a Alemanha repetisse seus feitos pré 2ª Guerra eram mais fortes que a comunidade de energia atômica européia. A crise dos mísseis cubanos 1962 O dilema de segurança enfrentado por Estados Unidos e União Soviética fez com que as duas potências buscassem ampliar cada vez mais a sua capacidade destrutiva. O poder militar alcançado pelas duas potências era tão alto que havia a possibilidade de destruição mútua (MAD Mutual Assured Destruction). Estados Unidos e União Soviética passaram a viver sob a lógica da possibilidade de um segundo ataque: o grau tecnológico permitiu que qualquer um dos dois países tivesse poder para retaliar o outro depois de ser atingido por um ataque nuclear. Contudo, como ressalta Barry Buzan (1998), nenhum dos lados tinha certeza de que conseguiria retaliar um possível ataque. Tanto EUA quanto URSS temiam estar vulneráveis a um primeiro ataque que neutralizasse as suas forças 36. Assim, a corrida armamentista prosseguia e a tensão de uma possível guerra nuclear só aumentava. 34 Inventory of International Nonproliferation Organizations and Regimes. Center for Nonproliferation Studies. Monterey Institute of International Affairs, 2000, pág Jervis, Robert. Security Regimes, in International Regimes, Cornell University Press, Ithaca and London, p Buzan, Barry. The Arms Dynamic in World Politis. Lynne Rienner Publishers.1998.p.55

36 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 34 A chegada de Fidel Castro ao poder em Cuba, alterou significativamente a relação que os cubanos possuíam com os Estados Unidos. O que inicialmente era uma relação de subordinação tornou-se rivalidade, por conta das políticas nacionalistas que estavam sendo implementadas por Castro e da discordância americana, que tinha seus interesses na ilha ameaçados. Em 1961, os Estados Unidos iniciam o embargo à Cuba e as relações são rompidas. Por outro lado, a União Soviética aproveita o rompimento dos dois e se aproxima de Castro. Os ideais soviéticos eram muito próximos dos defendidos pelo presidente cubano e um país aliado próximo aos Estados Unidos era considerado como uma excelente oportunidade. Nesse mesmo momento, o muro que separaria o lado oriental do ocidental em Berlim é construído e marca a vontade explícita soviética de afastar os EUA da região que era considerada como área de influência comunista. Também é nesse momento que fica explícita a separação bipolar mundial. A crise dos mísseis cubanos 37 é desencadeada pela colocação secreta de mísseis atômicos soviéticos no território de Cuba. Quando os satélites americanos descobriram as armas, uma crise mundial se instalou. Sentindo-se ameaçados, os americanos ameaçaram os soviéticos de um ataque nuclear e o mundo parou durante 13 dias, temendo uma guerra nuclear que pudesse causar uma destruição que fosse muito além dos territórios rivais e gerasse conseqüências para o mundo inteiro. A crise dos mísseis cubanos foi o ápice do modelo de destruição mútua garantida. Estados Unidos, União Soviética e todo o resto do mundo viveram em 1962 o momento de maior tensão nuclear. Como John Lewis Gaddis (2006) destaca: o que evitou que ocorresse uma guerra no outono de 1962 foi a irracionalidade do terror absoluto que tomou conta de ambos os lados. Foi o que Churchill previra quando alimentou a esperança em uma igualdade de aniquilamento. 38 A ameaça de uma guerra que poderia trazer a destruição total, a ausência de uma autoridade internacional que possa estabelecer sanções, a falta de 37 Para mais detalhes sobre a crise dos mísseis cubanos ver: Mônica Herz, The Soviet Image of Latin America: Sources and Images, Tese de Doutorado em Relações Internacionais apresentada na London School Of Economics And Political Science, LSE, Grã-Bretanha.

37 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 35 informações suficientes sobre seu adversário e sobre as suas ações, e o enorme custo que um conflito como esse poderia trazer, são algumas das razões que podem levar os Estados a buscarem, a partir de então, um mecanismo que pudesse conter a ameaça de uma guerra sem precedentes na história. A resolução da crise dos mísseis cubanos resultou em um longo período de relativa distenção. Geir Lundestad (2000) afirma que não houve grandes evoluções nas relações entre Leste e Oeste, mas os dois lados estavam interessados em evitar que uma crise similar ocorresse 39. A crise dos mísseis cubanos demonstrou a necessidade da possibilidade de mudança de contato entre os líderes de Washington e Moscou 40. A linha vermelha 41 foi estabelecida e, no ano seguinte à crise dos mísseis, foi assinado o Tratado de Moscou ou de Proscrição das Experiências com Armas Nucleares na Atmosfera, no Espaço Cósmico e sob a Água, que entrou em vigor em outubro de Contudo, o acordo não proibia as experiências nucleares subterrâneas, permitindo que países mais desenvolvidos nuclearmente continuassem a desenvolver os seus programas. Ao excluir da proibição os testes subterrâneos, tornou-se na prática um Tratado de Não-Proliferação por inibir apenas os Estados que ainda engatinhavam na área 43. Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido podiam abrir mão de experiências nucleares na atmosfera, águas ou espaço exterior, continuando a realizar testes subterrâneos, mais complexos e onerosos, necessários para sofisticação do armamento nuclear. Alguns países, a exemplo da França, que tinha acabado de ser declarada potência nuclear, recusaram-se a assiná-lo, por 38 Gaddis, John Lewis, História da Guerra Fria; tradução de Gleuber Vieira, - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p Lundestad, Geir, East, West, North, South. Major developments in International Politics ; translated from the norwegian by Gail Adams Kvam. Norwegian University Press. Oslo. P Idem p A linha vermelha ou Hot Line foi um instrumento adotado por EUA e URSS em situações de crise para que os chefes de Estado dos dois países pudessem entrar em contato e resolvessem contenciosos antes que eles culminasse em possível conflito. 42 Lundestad, Geir, East, West, North, South. Major developments in International Politics ; translated from the norwegian by Gail Adams Kvam. Norwegian University Press. Oslo p Lamaziére, George. Ordem, Hegemonia e Transgressão: A Resolução 687(1991) do Conselho de Segurança das Nações Unidas, A comissão Especial das Nações Unidas e o regime internacional de não-proliferação de armas de destruição em massa. Brasília: Instituto Rio Branco; Fundação Alexandre de Gusmão; Centro de Estudos Estratégicos,1998. p. 53.

38 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 36 acreditarem que tal Tratado era uma tentativa de congelar o desenvolvimento nuclear. A crise dos mísseis cubanos influenciou decisivamente nas posições dos países latino-americanos em relação à proliferação nuclear. A repercussão do conflito que deveria ser apenas entre EUA e URSS nas sessões da Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos OEA foi a principal causa para que os governantes latino-americanos decidissem estabelecer medidas que evitassem que a situação ocorrida em Cuba pudesse ser repetida em qualquer outro país latino-americano, sendo utilizado como objeto de barganha e alvo da competição entre União Soviética e Estados Unidos. Tratado de Tlatelolco A América Latina sempre possuiu uma posição marginal nas relações internacionais. O continente nunca representou uma área estratégica decisiva politicamente ou geograficamente no contexto da Guerra Fria. Contudo, o conflito entre Washington e Moscou converteu a América Latina em um lugar de posicionamento de armas nucleares com fins de dissuasão 44, como ocorreu na Crise dos Mísseis de Cuba, em Enrique Román-Morey (1997) destaca que: O evento mostrou para o mundo o inevitável perigo que um holocausto nuclear representava e demonstrou que a América Latina e o Caribe, que nunca foram partes diretas do conflito entre as duas potências, poderiam estar envolvidas nos desastrosos resultados do conflito 45. A principal conseqüência da Crise dos Mísseis cubanos para a América Latina foi o impulso que promoveu para a criação de um regime de nãoproliferação nuclear regional. Após a resolução da Crise, com a retirada dos mísseis de Cuba e sua expulsão da OEA, os governos e povos da América Latina e do Caribe decidiram que nunca mais gostariam de estar sujeitos a ameaças e 44 Fonrouge, Marcelo. Desarme Nuclear Regímenes Internacional, latinoamericano y argentino de no proliferación, Instituto de Las Naciones Unidas de Investigación sobre El Desarme, p Román-Morey, Enrique. Precursor of Other Nuclear weapons Free Zone, in Nuclear Weapons Free Zones in the 21 st Century, United Nations Institue for Disarmament Research, 1997.p.8

39 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 37 medos de possíveis guerras nucleares em seus territórios 46. Assim, desde 1963 que os países Latino americanos demonstram o seu desejo de desnuclearização do continente. A primeira iniciativa foi a declaração conjunta feita publicamente em 29 de abril de 1963 por cinco presidentes latino-americanos: Bolívia, Brasil, Chile, Equador e México. A declaração era para anunciar a disposição de um acordo multilateral com os demais países da América Latina, em que se estabelecia o compromisso de não fabricar, receber e armazenar armas nucleares 47. Cinco dias após a declaração dos cinco presidentes, a Décima Oitava sessão da Assembléia Geral da ONU aprovou a resolução A resolução de 27 de novembro fixava medidas de desnuclearização da América Latina, limitando-as aos princípios da Carta da ONU e acordos regionais 48. Um ano depois, em novembro de 1964, dezessete países latino americanos reuniram-se para criar a Comissão Preparatória para a Desnuclearização da América Latina (COPREDAL), sediada no México, em Tlatelolco. Essa comissão tinha a incumbência de apresentar um anteprojeto multilateral básico 49, que posteriormente iria se transformar no Tratado de Tlatelolco. De acordo com Paulo Wrobel (1993), exitiram três fatores que contribuíram para as negociações de Tlatelolco: 1. O primeiro deles seria a tradição diplomática latino-americana favorável a acordos multilaterais; 2. O segundo seria a existência de um pacto de segurança coletiva com os Estados Unidos, formalizado no Tratado do Rio TIAR Isso contribuiria para que se considerasse a região sob a proteção do guarda chuva nuclear norte-americano. 3. O terceiro e último seria a ausência de conflitos inter-regionais. Embora houvesse questões de instabilidade política interna, a região 46 Epstein, William. Tlatelolco and a Nuclear Weapon Free World, in Nuclear Weapons Free Zones in the 21 st Century, United Nations Institue for Disarmament Research, 1997.p Robles, Alfonso Garcia. La Proscripción de Las Armas Nucleares en la America Latina resumen de sus principales etapas, acesso em 27 de outubro de Oliveira, Odete Maria de. Os descaminhos do Brasil nuclear,ijuí: Ed. UNIJUÍ 1999.p Idem, p.61

40 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 38 estava geograficamente muito distante dos principais focos de tensão mundial e das rivalidades da Guerra Fria. 50 É evidente a contribuição que o TIAR e a OEA deram para a promoção de uma balança militar no continente. Contudo, apesar desses mecanismos terem sido os pilares do sistema de segurança latino-americano e terem contribuído para a formação do Tratado de Tlatelolco, seus princípios estavam severamente atrelados aos interesses norte-americanos, e os dois mecanismos não atuavam como os países do sul desejavam. Isso se torna claro na afirmação de Enrique Morey (1997): A decisão soberana dos países Latino-Americanos em declararem-se como a primeira zona livre de armas nucleares (...) não tem outro significado que a tentativa de afirmação de uma política externa independente, com oposição explícita a intervenções estrangeiras na região 51. Somando-se a isso, existia a discordância dos países não-possuidores de armas nucleares das discussões que estavam sendo travadas desde o final da 2ª Guerra Mundial para a elaboração de um regime internacional de não-proliferação nuclear. Como foi abordado anteriormente, os países não-possuidores de armas nucleares acusavam os possuidores de armas de utilizarem prerrogativas altamente discriminatórias e de tentarem manter a dependência tecnológica dos países do sul, já que não deveria ser permitido o acesso à tecnologia nuclear. Como Barry Buzan (1998) destaca, é muito difícil separar a tecnologia nuclear para fins militares da tecnologia nuclear para fins pacíficos 52. Era com base nesse tipo de argumento que as potências nucleares desejavam barrar o acesso à tecnologia nuclear. O tratado de Tlatelolco surgiu, também, como uma possibilidade de contornar esse impasse entre Estados não-nucleares e nucleares, garantindo que os primeiros pudessem ter acesso à tecnologia, permitindo, inclusive, a prática de explosões nucleares para fins pacíficos. 50 Paulo Wrobel, A Diplomacia Nuclear Brasileira: A Não-Proliferação nuclear e o Tratado de Tlatelolco., in Contexto Internacional, Rio de Janeiro, vol 15, nº1, jan/jun 93, p Enrique Román-Morey, op.cit. p Barry Buzan, op.cit. p.60.

41 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 39 O tratado foi aberto para assinatura em 14 de fevereiro de 1967 e 32 países da região concordaram em assiná-lo, sendo Cuba a única exceção, só tendo assinado o Tratado em O tratado entrou em vigor em 25 de abril de 1969, depois que 11 países da região haviam ratificado. As obrigações de Tlatelolco eram Proibir e prevenir na região: (a) teste, uso, manufatura, produção ou aquisição por qualquer meio de qualquer arma nuclear, pelas partes contratantes, direta ou indiretamente, em nome de qualquer um, ou de qualquer outra maneira e (b) receber, estocar, instalar ou qualquer outra forma de possessão de qualquer arma nuclear, direta ou indiretamente, pelas partes contratantes, por qualquer um em seu nome, ou de qualquer outra maneira 53. Com o objetivo de assegurar o cumprimento das obrigações previstas no Tratado, as partes contratantes estabeleceram um organismo internacional, denominado Organização para a Proscrição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe, OPANAL. A OPANAL era responsável pela convocação de conferências ordinárias e extraordinárias, bem como reuniões de consulta em assuntos relacionados com os propósitos, medidas e procedimentos estabelecidos no Tratado e para supervisionar o cumprimento do Sistema de Controle e as obrigações derivadas do Tratado de Tlatelolco. 54 Foram realizados acordos multilaterais e bilaterais para incluir a AIEA como instrumento de verificação, atuando em conjunto com a OPANAL, aplicando as suas salvaguardas às atividades nucleares dos Estados membros. Foram ainda incluídos dois Protocolos Adicionais, que estendiam as obrigações do tratado aos países nucleares, obrigando-os a respeitar o status desnuclearizado da região. Conforme já explicitado anteriormente, o Tratado de Tlatelolco recebeu muitas críticas, principalmente pelo artigo dezoito 55 que permitia explosões nucleares, tendo os Estados Unidos se manifestado absolutamente contrário a esse 53 Center for nonproliferation studies, Inventory of International Non Proliferation Organization and Regimes, 2000, Monterey Institute of International Studies.p OPANAl, acesso em 27 de outubro de O artigo 18 do tratado de Tlatelolco determina que:1. As Partes Contratantes poderão realizar explosões de dispositivos nucleares com fins pacíficos - inclusive explosões que pressuponham artefatos similares aos empregados em armamento nuclear - ou prestar a sua colaboração a terceiros com o mesmo fim, sempre que não violem as disposições do presente Artigo e as demais do presente dos Artigos 1 e 5.

42 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 40 artigo. Contudo, a inclusão do artigo no Tratado de Tlatelolco foi a forma que os países não-possuidores de armas nucleares encontraram para não legitimar o monopólio da tecnologia nuclear desejado por EUA, URSS e Inglaterra. O tratado de Tlatelolco criou pela primeira vez na história uma zona livre de armas nucleares, sendo o primeiro tratado da história a lidar com desarmamento nuclear. Hugo Palma (1986) enfatiza que : Tlatelolco concretizou o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares em uma região densamente povoada, diferente do que ocorreu no tratado Antártico. No caso da América latina, se proíbe o uso de armas nucleares em uma região que nunca a teve mas demonstra a vontade dos países em banir a aquisição desse tipo de armamento. Nenhuma outra região obteve sucesso com esse tipo de zona, o que credita caráter especial ao acordo de Tlatelolco 56 Essa posição também é compartilhada por Mônica Hirst (2003), que considera que o Tratado de Tlatelolco - que cobre toda a América latina - levou a região a ser considerada como um arquétipo de zona livre de armas nucleares 57. Nesse sentido, reportando mais uma vez Hugo Palma (1986), é evidente que tudo relativo às armas nucleares tem implicações diretas para a questão da confiança.(...) O tratado de Tlatelolco é a confirmação inquestionável desta vinculação.(...) O tratado de Tlatelolco não menciona a confiança, mas ao referir-se à segurança, necessariamente a implica. Confiança e segurança são inseparáveis e são também pré-requisitos para o desarme.o tratado fomenta a confiança por satisfazer todas as exigências da doutrina e constituir uma prática conseqüente 58 A construção do sistema latino-americano de segurança, com a criação do TIAR e da OEA, chegando ao estabelecimento do tratado de Tlatelolco foram as formas que a América Latina alcançou para criar um ambiente de confiança mútua, uma ferramenta necessária para mudar de uma lógica de confrontação para uma lógica de cooperação Palma, Hugo. América Latina: limitação de Armamento e Desarme na Região, Centro Peruano de Estudos Internacionais, 1986, p Hirst, Monica. Seguridad Regional en Las Américas, in La Seguridad Regional en Las Américas, Friedrich Ebert Stiftung en Colmbia (FESCOL), Colombia,2003, p Palma, Hugo. El Tratado de Tlatelolco y las Medidas de Fomento a las Confianza, in El Tratado de Tlatelolco y las Zonas Libres de Armas Nucleares:Un ejemplo a Seguir, in XXX Aniversario de la Apertura a Firma del Tratado de Tlatelolco para la Proscripción de las Armas Nucleares en la América Latina y el Caribe, 1997, acesso em 27 de outubro de Donadio, Marcela; e Tibiletti, Luis. Srategic Balance and Regional Security, in Strategic balance and confidence building in the Americas, Woodrow Wilson center press, 1998, p. 108.

43 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 41 É a partir desse contexto que Argentina e Brasil irão começar a construir um relacionamento rumo à cooperação. A institucionalização da cooperação no hemisfério iria sedimentar as bases para que Argentina e Brasil pudessem formular sua política de entendimento e confiança. Como define Francisco Rojas Aravena (1998): medidas de confiança mútua são ações bilaterais e multilaterais desenhadas para prevenir situações de crise ou conflito. Elas buscam reforçar a paz e a segurança internacional, contribuir com a comunicação entre os Estados e criar um ambiente favorável para o estabelecimento de uma rede de entendimento, livre de ameaças e elementos surpresa. 60 O Tratado de Não-Proliferação Nuclear TNP 1968 As negociações sobre um Tratado de não-proliferação nuclear iniciaram em 1958, quando a Irlanda apresentou à Assembléia-Geral das Nações Unidas sua preocupação sobre a difusão de armamentos nucleares. Em 1961, a Assembléia- Geral adotou a resolução irlandesa e as discussões sobre a prevenção da disseminação de armas nucleares passaram ao centro das atenções da organização. Depois dessa resolução, outros dois projetos de não-proliferação foram apresentados à ONU e, posteriormente, transformados em resolução. Entretanto, as divergências entre EUA e URSS impediam que uma resolução de maior abrangência, com a adesão das potências nucleares, fosse assinada. A vontade americana de criar uma aliança militar nuclear multilateral, através da OTAN, com a transferência de energia nuclear e com a participação da Alemanha Ocidental, gerava discordância entre as duas potências. A União Soviética opunha-se a qualquer resolução que não incluísse aquele país no Tratado de proscrição. Enquanto os dois países não resolviam as suas questões de segurança na Europa, pouco progresso foi alcançado na negociação do tratado. Quando França e China emergiram como potências nucleares, a viabilidade de um acordo sobre não-proliferação nuclear aumentou, já que as negociações não estariam só dependentes de dois Estados com interesses ao mesmo tempo divergentes e competitivos. 60 Aravena, Francisco Rojas. A Step Toward Expansion and Stability, in Strategic balance and confidence building in the Americas, Woodrow Wilson center press, 1998, p. 130

44 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 42 Barry Buzan (1998) 61 acredita que EUA e URSS decidem cooperar porque isso lhes garantiria que o objetivo maior, evitar a proliferação de novos Estados Nucleares, seria alcançado. A disseminação de armamentos tão poderosos era vista como uma ameaça a seu próprio poder e segurança, uma vez que acreditavam que era uma vantagem possuir o monopólio nuclear vis-à-vis adversários potenciais. Além disso, Estados Unidos e União Soviética viam na não- proliferação uma forma de consolidar seu status simbólico no sistema internacional. 62 Além disso, o entendimento soviético de que a Alemanha assinaria o tratado, possibilitou maior abertura para o diálogo. Como conseqüência, em agosto de 1967, foi apresentado um projeto conjunto de não-proliferação EUA- URSS. Este projeto foi rejeitado por vários países. As idéias básicas da realização de um tratado de não-proliferação nuclear baseavam-se na crença de que quanto mais dedos nos gatilhos nucleares, mais perigoso será o mundo. 63 O principal ponto de divergência na proposta das superpotências estava nas responsabilidades designadas para os Estados nuclearmente armados 64 - NWS - e para os Estados não nuclearmente armados 65 - NNWS. Enquanto os primeiros tinham como obrigação não transferir tecnologia nuclear a países não-possuidores da mesma, os outros deveriam passar por vistorias e estavam proibidos de adquirir armas nucleares. Os NNWS desejavam incluir no texto do Tratado questões que envolvessem desarmamento. A garantia de conseguir um mundo mais seguro deveria tratar da não-proliferação pela não-ação não-aquisição de armas nucleares e tratar do desarmamento pela ação comprometimento dos NWS em reduzir os arsenais nucleares. 66 Além de falar sobre a proibição de aquisição de armas nucleares, esses Estados desejavam que também fossem abordadas questões como o fim da produção de armamentos e a redução dos arsenais, além de estarem preocupados com sua vulnerabilidade em um possível ataque nuclear, e com o atraso que tal acordo poderia provocar no desenvolvimento nuclear desses países, considerando seu uso pacífico. 61 Buzan, Barry. op.cit. p Idem 63 Weapons of Mass Destruction Commission Weapons of terror: freeing the world of nuclear, biological and chemical arms. Stockholm: Weapons of Mass Destruction Commission, p Estados nuclearmente armados, em inglês, Nuclear Weapons States NWS. 65 Estados não nuclearmente armados, em inglês, NNWS - Non Nuclear Weapon States. 66 Weapons of Mass Destruction Commission Op.Cit. p.19

45 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 43 Negociações foram feitas para adequar o Tratado às preocupações dos NNWS. No entanto, os NWS não estavam de acordo com a redução de seus arsenais e nem com a transferência de tecnologia nuclear para fins pacíficos. O texto foi reescrito de forma a inserir a questão do uso pacífico de energia atômica, permitindo que esses países tivessem acesso à tecnologia nuclear, materiais e equipamentos, além do acesso às explosões benéficas, que permitissem executar obras de engenharia, interligar bacias fluviais, abrir canais e portos, entre outros. Todas essas ações sob um forte sistema de vistorias, que garantiria que a tecnologia não seria desviada para fins militares. Além disso, em relação à preocupação de ataques nucleares, o Tratado incluiria um artigo que afirmava que um ataque nuclear contra um país nãonuclear resultaria na ação imediata do Conselho de Segurança e de todos os seus membros nucleares 67, o que inseria o TNP na lógica de segurança coletiva. Contudo, o Tratado continuava sem estabelecer qualquer comprometimento adicional por parte dos países nucleares, além daqueles que estavam contidos na Carta da ONU. Como constata Odete de Oliveira (1998): O mundo se divide em Estados nucleares, que têm a bomba e não têm obrigações e Estados não-nucleares, que não têm a bomba, mas têm obrigações. (...) o TNP pretendia consolidar a manutenção do status quo dos países detentores de força atômica, utilizando, para tanto, apenas um critério de classificação, meramente fixado em torno de uma data imposta no TNP: primeiro de janeiro de Em junho de 1968, foi aprovada na Assembléia-Geral da ONU, por 95 votos a favor e 21 abstenções, a resolução (A/RES/2373) sobre o Tratado de Não- Proliferação Nuclear. Em seguida, a resolução foi adotada pelo Conselho de Segurança e aprovada por 10 votos afirmativos e 5 abstenções. Em julho de 1968, o Tratado foi aberto para assinatura e passou a vigorar em março de O Tratado determinava que os Estados detentores de armas nucleares tinham como obrigações não transferir para qualquer receptor armas nucleares, ou qualquer outro tipo de 67 Lima, Maria Regina Soares de. The Political Economy Of Brazilian Foreign Policy: Nuclear Energy, Trade And Itaipu. Vanderbilt, Estados Unidos.1986.Tese (Doutorado em Ciência Política). Vanderbilt University. p Oliveira, Odete Maria de. A Integração bilateral Brasil-Argentina: tecnologia nuclear e Mercosul, in Revista Brasileira de Política Internacional, volume 41, número 1, Instituto Brasileiro de Relações Internacionais, p. 67

46 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 44 explosivos nucleares, e não auxiliar, encorajar ou induzir qualquer país nãopossuidor de armas nucleares a fabricar ou adquirir tais armamentos. Para os países não-possuidores de armas nucleares, o Tratado determinava que não poderiam receber quaisquer armas ou material nuclear de qualquer país com capacidade de transferência e não fabricar ou adquirir tais armamentos. 69 Além disso, o TNP ainda obrigava os países não-nucleares a colocar todos os seus programas nucleares sob as salvaguardas da AIEA. Apesar da assinatura do Tratado, as divergências quanto ao seu caráter discriminatório ainda existiam, o que resultou na negação de diversos países de aderir ao TNP. As diversas obrigações e o controle a que os países não-nucleares estavam sujeitos, em contraposição às mínimas exigências feitas aos países nucleares, ainda eram a causa para a rejeição do TNP. Países como África do Sul, Argentina, Brasil, Índia, Israel e Paquistão 70 recusaram-se a assinar o TNP, defendendo que essa era mais uma forma das grandes potências garantirem a sua superioridade, tanto em questões militares, quanto em questões econômicas. Esses países acreditavam que deveria constar no texto do Tratado um artigo que exigisse a redução dos arsenais por parte dos países nucleares. A desigualdade do Tratado ficava evidente quando países como Estados Unidos e França promoviam testes nucleares, enquanto os não-nucleares deveriam abdicar de suas pretensões de armamentos e sujeitar os seus programas nucleares pacíficos às salvaguardas da AIEA. O Tratado seria, então, contraditório: Uma vez que afirma o princípio do uso pacífico da energia nuclear, mas priva os não-nucleares de fazerem experiências para fins pacíficos e de propiciarem o avanço de tal tecnologia. Os nucleares, ao contrário, são duplamente contemplados: continuarão a fazer as suas explosões bélicas e farão também as experiências pacíficas dos não-nucleares. 71 A adesão de países não-nucleares só foi garantida através de um dos artigos do Tratado que garantia que, em troca da não-produção de armas nucleares e da abertura para um sistema de verificações, os NNWS poderiam ter total acesso à tecnologia nuclear para fins pacíficos, contando com a cooperação dos NWS. Os 69 Programme for Promoting Nuclear Non-Proliferation, The Evolution of the Nuclear Non- Proliferation Regime, vol1, p.5 70 A África do Sul aderiu ao tratado em julho de A Argentina aderiu em fevereiro de Brasil assinou em julho de Índia, Israel e Paquistão até hoje não aderiram ao TNP. Esses três países são detentores de armamentos nucleares. 71 Oliveira, Odete Maria de. op. cit. p. 70.

47 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 45 custos para os países sem grande projeção internacional de ingressar nesse tipo de regime seriam menores do que ficar fora dele. Entretanto, nas conferências para verificação, esses países ainda buscavam a inclusão de cláusulas que freassem a corrida armamentista dos países nucleares. Destaca-se que o tratado não contemplava qualquer tipo de sanção ou restrição para países não-signatários e violadores do regime de não-proliferação. Soares de Lima (1986) destaca que: Os países não-signatários poderiam ser considerados caronas do TNP porque eles podem usufruir o bem coletivo fornecido pelo regime, sem ter que incorrer em qualquer dos custos associados com a adesão ao regime: renúncia das armas nucleares e conformidade com o princípio de salvaguardas. 72 Dessa forma, o Tratado de Não-Proliferação Nuclear foi considerado como totalmente discriminatório por parte dos NNWS que eram signatários, uma vez que esses eram os únicos que não tinham permissão para produzir tecnologia nuclear e ainda estavam sujeitos às verificações da AIEA. Contudo, apesar de ser considerado como discriminatório, o TNP continua sendo o único tratado que reúne as cinco potências NWS em uma obrigação legal em relação ao desarmamento Surgimento de novos Estados Nucleares O surgimento de Novos Estados Nucleares impôs sérios desafios ao Regime de Não-Proliferação Nuclear. Colocou-se em dúvida se as medidas para conter a proliferação nuclear eram realmente efetivas. O trabalho da AIEA foi questionado, assim como todo o texto do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Além disso, questionava-se como lidar com países que não faziam parte do Regime, mas que estavam colocando tudo o que havia sido construindo para conter a expansão das armas nucleares à prova. Índia, Paquistão e Israel são os únicos países que não assinaram o TNP 74. Também são os únicos países que possuem armamentos nucleares além das cinco 72 Lima, Maria Regina Soares de. Op.Cit., p Dhanapala, Jayantha. Multilateral Diplomacy and the NPT United Nations Institute on Disarmament Research, p Posteriormente, a Coréia do Norte irá se retirar do Tratado. Isso será discutido nos próximos tópicos.

48 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 46 grandes potências. 75 Os programas nucleares desses três Estados mostraram que a ausência de universalidade do Tratado era sim um problema. Uma vez que esses países não fazem parte do Regime de Não-Proliferação Nuclear, eles não precisam cumprir com as normas e regras impostas e também não estão sujeitos às punições. Índia, Paquistão e Israel desafiam o TNP ao demonstrar que ficar de fora do Regime não trouxe restrições, mas sim garantias de acesso à tecnologia nuclear e aos armamentos nucleares. Além disso, um dos principais objetivos de fazer parte do TNP, o de receber auxílio das potências nucleares para o desenvolvimento da tecnologia nuclear, foi quebrado quando os Estados Unidos decidiram cooperar com o programa nuclear Indiano. Qual incentivo de permanecer no TNP? Restrições, imposições, vigilância? Esses três países colocaram em xeque todo o Regime de Não-Proliferação. Os casos do Iraque e da Coréia do Norte também são de extrema relevância. Os dois países mostram que poderiam agir às margens do TNP, participando de todas as instituições, efetuando as verificações e, ao mesmo tempo, cultivando programa nucleares clandestinos, longe dos olhos da AIEA e das grandes potências. Os programa nucleares de Iraque e Coréia do Norte apontaram que auxílio de desenvolvimento nuclear era algo extremamente perigoso e que talvez fosse necessário restringir ainda mais os direitos dos Estados não-nucleares. Essa discussão sobre o acesso à tecnologia nuclear para fins pacíficos vêm sendo levantada em todas as Conferências de Revisão desde Nas próximas seções, mostraremos um pouco mais sobre os programas nucleares desses países. Índia e Paquistão O primeiro desafio sofrido pelo Tratado de Não-Proliferação ocorreu quatro anos depois de sua entrada em vigor: o teste nuclear realizado pela Índia em A instabilidade do sul asiático com China, Índia e Paquistão disputando regiões fronteiriças e as percepções indianas de ameaças vindas da China e do Paquistão, incentivou o país a buscar a competição armamentista e o desenvolvimento nuclear. 75 Conforme ressaltado anteriormente, Israel até hoje não assumiu ter armas nucleares.

49 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 47 A Índia sempre teve uma posição contrária ao TNP. Defendia que o Tratado é absolutamente discriminatório e que deveria haver um desarmamento global e não apenas parcial como o TNP propõe. A explosão nuclear realizada pela China em 1964, dois anos após anexar um pedaço da Cachemira, forneceu o incentivo necessário para a Índia buscar o seu programa nuclear. A Índia alegou que a explosão era um mero teste para analisar as capacidades da tecnologia nuclear, que não tinha cunho militar e, ainda, que não estava violando nenhum tratado uma vez que não era signatária de nenhum instrumento que limitasse a utilização de tecnologia nuclear. O teste realizado foi visto como um desafio para o Tratado, pois provava a ineficácia das salvaguardas da AIEA, a ineficiência dos controles de exportação de materiais nucleares estabelecidos pelos TNP e também o caráter dual desse tipo de tecnologia, que poderia ser adquirida com a justificativa de uso pacífico, mas utilizada para fim militar. Após o teste Indiano, o Paquistão tomou todas as medidas necessárias para adquirir também um programa nuclear. Ao contrário da Índia, que sempre teve posições fortes contrárias ao TNP, o Paquistão nunca foi contra o Tratado per se. 76 Apenas condicionava a sua assinatura à assinatura da Índia. Não poderia existir apenas um país de acordo com o TNP e sujeito as suas restrições enquanto o outro ficasse de fora. Ignorando o Regime de Não-Proliferação Nuclear e depois de vinte e quatro anos sem realizar mais nenhum teste nuclear, a Índia fez mais duas explosões em maio de As autoridades indianas declararam que os testes nucleares possibilitaram dados críticos para a validação de sua capacidade de desenvolver armas nucleares de diferentes tipos para diferentes aplicações. 77 A resposta do Paquistão veio dezessete dias depois com a realização de cinco testes nucleares, os primeiros efetuados pelo Paquistão. As explosões de Índia e Paquistão foram rechaçadas mundialmente, mas apenas alguns países tomaram medidas mais drásticas contra eles. Os Estados Unidos impuseram uma série de sanções contra os dois países, entre elas: proibição de todas as 76 Sheikh, Ali T. Pakistan, in: Reiss, Mitchell Litwak, Robert, Nuclear Proliferation after the Cold War, Woodrow Wilson International Center for Scholars, p Diamond, Howard. India Conducts Nuclear Tests; Pakistan Follows Suit, Arms control Today, acesso em 29 de novembro de 2008.

50 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 48 exportações de tecnologia sensível e término de todas as formas de ajuda militar, econômica e política. A grande reviravolta no tratamento da Índia foi a assinatura da Iniciativa de Cooperação Nuclear Civil entre Índia e Estados Unidos, em O objetivo do acordo era prover total cooperação nuclear para fins civis, contrariando três décadas da política de não-proliferação americana, que buscava impedir que a Índia adquirisse qualquer tecnologia nuclear dos Estados Unidos e de outros países. O acordo gerou uma série de questionamentos, entre eles de que o acordo provoca prejuízos graves aos esforços para conter a proliferação de armas nucleares, já que a Índia poderá importar combustível e tecnologia nuclear mesmo tendo testado armas nucleares e não tendo assinado o Tratado de Não-Proliferação (TNP). 78 As autoridades paquistanesas declararam desejar um acordo similar com os EUA, de forma que não haja discriminação entre a forma de tratamento dada à Índia e ao Paquistão. Israel O programa nuclear Israelense sempre foi tratado de forma ambígua. O Estado israelense evitava referências precisas em relação a sua capacidade militar buscando evitar um debate público sobre a sua política nuclear e prevenindo um confrontamento direto com os Estados Unidos por conta do Regime de Não- Proliferação. A recusa a assinar o TNP advém dessa política ambígua, pois assim não estaria obrigado a cumprir as restrições do Tratado, mantendo a possibilidade de atividade nuclear. Além disso, Israel declarava que o TNP não era um instrumento suficientemente eficiente para garantir a não-proliferação no Oriente Médio. A opção nuclear serviria, então, como uma forma de garantir a paz para Israel através da contenção com os Árabes. O potencial nuclear israelense ofereceria um balanço em relação às ameaças árabes, produziria uma percepção Árabe de que 78 Paquistão quer acordo nuclear após acerto entre EUA e Índia, artigo no jornal Estado de São Paulo, disponível em: acesso em: 09 de outubro de 2008.

51 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 49 Israel não poderia ser derrotado militarmente e deveria ser acomodado politicamente. 79 Ao manter viva a possibilidade nuclear, Israel impediria que houvesse um monopólio nuclear Árabe no Oriente Médio e garantiria, assim, sua sobrevivência. Iraque A descoberta do programa nuclear clandestino do Iraque foi um grande choque para o regime de não-proliferação nuclear. As diversas violações do TNP eram muito maiores do que o imaginado e passaram despercebidas pelos inspetores da AIEA e pelos diversos serviços de inteligência. Ainda, grande parte do programa nuclear iraquiano havia sido construída através de importações de equipamentos e materiais vindos do Ocidente e que também não foram detectados pelo controle de exportação nuclear previsto pelo TNP. As suspeitas do programa nuclear Iraquiano iniciaram em 1989, quando os Estados Unidos e outros países pressionaram as autoridades Iraquianas para cessar suas aspirações nucleares. O Iraque negou qualquer tentativa de adquirir armas nucleares ou de violar as recomendações do TNP. Porém, após a invasão ao Kuwait e a ofensiva realizada para retirar os iraquianos desse território foi percebido que o Iraque não só estava montando um programa nuclear, como já tinha atingido um nível bastante avançado. Ao fim do conflito entre Iraque e Kuwait o Conselho de Segurança impôs um intenso programa de desarmamento nuclear ao Iraque através de três resoluções: a resolução 687 determinava que a AIEA visitasse o Iraque para averiguar suas atividades nucleares e seu potencial; a resolução 707 ordenava o fim do programa nuclear; e a resolução 715 decidia planos de verificação e monitoramento que garantissem o cumprimento de todas as determinações pelo governo de Sadam Hussein. O programa nuclear Iraquiano despertou a necessidade de aprimorar os sistemas de verificação, monitoramento e salvaguardas da AIEA para que o Regime de Não-Proliferação pudesse ser implementado de forma eficaz. 79 Feldman, Shei. Israel, in: Reiss, Mitchell Litwak, Robert, Nuclear Proliferation after the Cold War, Woodrow Wilson International Center for Scholars, p.62

52 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 50 Coréia do Norte A Coréia do Norte ratificou TNP em 1985 como condição para receber ajuda da União Soviética para implementar seu programa de energia nuclear. Contudo, a Coréia do Norte possuía diversas contrariedades em relação ao regime de salvaguardas proposto pelo tratado e não desejava implementá-lo totalmente. No entanto, conforme estabelecido pelo artigo III do TNP, o país signatário deveria cumprir as salvaguardas dezoito meses após a sua assinatura. A Coréia do Norte não cumpriu o prazo estipulado e ainda determinou uma série de condições para concluir o acordo. As medidas de salvaguardas só entraram em vigor em Quando a Coréia do Norte apresentou seu relatório à AIEA foi descoberto que o país possuía muito mais instalações do que se pensava, além de um programa de reprocessamento de plutônio. Por meio de imagens de satélites e de investigações foram descobertas instalações que não haviam sido listadas no relatório bem como quantidades de plutônio enriquecido muito maiores do que as apresentadas. Em 1993, a AIEA solicitou visitas as instalações, porém a Coréia recusou. Quando a AIEA determinou uma visita especial às instalações norte-coreanas a resposta recebida foi a ameaça de se retirar do TNP. O caso foi reportado ao Conselho de Segurança que após diversas tentativas de acordo com a Coréia do Norte reuniu-se novamente para discutir medidas drásticas. Em 1994, a Coréia do Norte chegou a um acordo que determinava o fim do programa nuclear, a autorização das visitas dos inspetores, o fornecimento de petróleo pelos EUA para compensar a energia nuclear perdida, a garantia de que os EUA não atacariam a Coréia do Norte com armas nucleares e o compromisso de permanecer no TNP e buscar o desarmamento nuclear com a Coréia do Sul. Nos últimos anos a Coréia do Norte estampou as capas de todos os jornais do mundo ao realizar testes nucleares em 2006, afirmar que retomaria programa nuclear e ameaçar novamente sua saída do TNP. Os últimos acontecimentos, em março de 2009, mostram que a situação da Coréia do Norte ainda está longe de ser resolvida.

53 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear Protocolo Adicional ao TNP A descoberta de programas nucleares clandestinos no Iraque e na Coréia do Norte mostrou que as salvaguardas adotadas pela a IAEA eram falhas e não garantiam que não haveria desvio da tecnologia nuclear para fins militares. Até a Guerra do Golfo, a AIEA não teve nenhuma motivação para fazer visitas especiais em locais adicionais. Era necessário reforçar o regime a aumentar a eficiência das operações implementadas pela AIEA. O caso do Iraque demonstrou que um determinado Estado autoritário com vastos recursos financeiros e com desenvolvimento nuclear avançado poderia desafiar o TNP e manter suas atividades nucleares ilegais em segredo por muitos anos. 80 O caso da Coréia do Norte demonstrou que para evitar programas nucleares clandestinos eram necessárias que três medidas fossem tomadas: realização de inspeções especiais para confirmar relatórios de salvaguardas, informações mais extensivas sobres as atividades nucleares, incluindo acesso aos resultados de operações de inteligência nacionais e, finalmente, apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas para implementar sanções nos casos em que houver recusa das inspeções. 81 Visando aumentar os constrangimentos aos membros do TNP de adquirir ilegalmente armas nucleares, a AIEA iniciou discussões para reformular o regime de salvaguardas da Agência. O programa foi lançado em 1993 e deveria ser executado a partir de Esse programa foi desenvolvido para os Estados signatários do TNP e que possuíam acordos de salvaguardas com a AIEA. O objetivo do programa era aumentar a efetividade e melhorar a eficiência do sistema de salvaguardas, expandindo as habilidades da AIEA de checar instalações clandestinas ao permitir que seus inspetores tivessem acesso a qualquer instalação desses países. Assim, o programa deu origem ao protocolo adicional ao TNP, que impunha padrões de salvaguardas mais severos que os adotados até então. O protocolo adicional permitia que a AIEA tivesse acesso a informações sobre toda 80 Fischer, David. Op cit. p.286

54 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 52 atividade relacionada ao uso de material nuclear em Estados com acordos de salvaguardas e expandia o acesso físico da AIEA às instalações para garantir que as informações pudessem ser confirmadas. Apesar do protocolo adicional não aumentar o suficiente a confiança sobre o cumprimento das salvaguardas, marca um grande passo no Regime de Não Proliferação Nuclear. As negociações do protocolo também envolviam acordos com os Estados Nucleares para contribuir com a eficiência da não-proliferação nuclear. Era necessário garantir a universalidade do Protocolo para que sua negociação pudesse avançar. Dessa forma, as exportações de tecnologia também entraram nas fiscalizações da AIEA, garantindo que países não-nucleares não recebessem tecnologia por transferência ilegal de países nucleares. Além disso, os Estados não-nucleares frisaram que as salvaguardas deveriam ser executadas de forma que não prejudicasse o desenvolvimento tecnológico e econômico dos países ou a cooperação internacional no campo das atividades nucleares. O protocolo adicional entrou em vigor em 1997 e, até março de 2006, 75 países já haviam aderido. Países como a Líbia, Irã e Iraque assinaram o protocolo com o objetivo de reduzir as desconfianças existentes sobre seus programas. Outros países, como o Brasil, recusaram-se a assinar o protocolo, afirmando que era apenas mais uma medida discriminatória no campo da não-proliferação nuclear em que mais restrições eram impostas aos países não-nucleares. 2.6 Renascimento Nuclear A formulação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear foi feita de modo que as potências nucleares existentes na época (EUA, URSS, Reino Unido, França e China) fossem congeladas e que os Estados não-nucleares fossem convencidos a abandonar a opção nuclear para fins militares. A barganha realizada para garantir a não-aquisição de armas nucleares estava baseada em três idéias 82 : 81 Idem, p Walker, William. Nuclear Order and Disorder, in: International Affairs 76: 4, 2000, p.708

55 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear O direito de obter tecnologia nuclear para fins pacífico estaria garantido. Inclusive, os Estados Nucleares ajudariam os não-nucleares que fizessem parte do tratado a adquirir capacidades nucleares para fins pacíficos. Esse acordo ficou estabelecido na redação do artigo quarto do TNP 83 ; 2. Os detentores de capacidade nuclear não ameaçariam ou atacariam os não-nucleares com armas nucleares e ainda formariam uma aliança contra ataques de outros Estados Nucleares; 3. Os nucleares buscariam acabar com a corrida armamentista e trabalhariam para alcançar o completo desarmamento nuclear. Essa promessa foi colocada no artigo seis do TNP 84. Como destaca William Walker (2000), a legitimidade da ordem nuclear foi estabelecida em mútua obrigação e reciprocidade entre os Estados não-nucleares e os Estados Nucleares. Porém, de acordo com Michael Ruhle (2007) 85 : Ao dar peso igual à proliferação horizontal e a proliferação vertical o TNP postula uma equivalência moral entre os Estados nucleares que mantém o seu status nuclear e os Estados não-nucleares que estão violando as determinações do tratado. 86 Ou seja, os Estados Nucleares não teriam legitimidade moral para exigir o cumprimento do tratado a não ser que eles realmente fizessem o desmantelamento do seu arsenal nuclear. No entanto, não houve nenhum esforço realmente expressivo de qualquer uma das potências nucleares de efetivar o exposto no artigo seis. 83 O artigo quatro do TNP determina que: 1.Nenhuma disposição deste Tratado será interpretada como afetando o direito inalienável de todas as Partes do Tratado de desenvolverem a pesquisa, a produção e a utilização da energia nuclear para fins pacíficos, sem discriminação, e de conformidade com os Artigos I e II deste Tratado. 2. Todas as Partes deste Tratado comprometemse a facilitar o mais amplo intercâmbio possível de equipamento, materiais e informação científica e tecnológica sobre a utilização pacífica da energia nuclear e dele têm o direito de participar. As Partes do Tratado em condições de o fazerem deverão também cooperar - isoladamente ou juntamente com outros Estados ou Organizações Internacionais - com vistas a contribuir para o desenvolvimento crescente das aplicações da energia nuclear para fins pacíficos, especialmente nos territórios dos Estados não-nuclearmente armados, Partes do Tratado, com a devida consideração pelas necessidades das regiões do mundo em desenvolvimento. 84 O artigo seis do TNP determina que: Cada Parte deste Tratado compromete-se a entabular, de boa fé, negociações sobre medidas efetivas para a cessação em data próxima da corrida armamentista nuclear e para o desarmamento nuclear, e sobre um Tratado de desarmamento geral e completo, sob estrito e eficaz controle internacional. 85 Ruhle, Michael. Enlightment in the second nuclear age, in: International Affairs 83:3, 2007, p.515

56 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 54 Esse seria apenas um dos muitos outros problemas do TNP. A acessibilidade a tecnologia nuclear para fins pacíficos tornou-se extremamente controversa quando foi descoberto que os programas nucleares de Índia, Iraque e Coréia do Norte iniciaram com a justificativa de fins pacíficos e foram desviados para fins militares. O uso dual da tecnologia nuclear tornou-se um dos principais desafios do Regime de Não-Proliferação Nuclear. A dimensão energética da tecnologia nuclear permitida pelo TNP complicou a garantia de que a não-proliferação militar ocorreria. Uma vez que a maioria das tecnologias nucleares civis e militares são praticamente indistinguíveis, alguns especialistas preocuparam-se que a situação ocorrida com o programa nuclear da Coréia do Norte poderia se repetir no Irã, em que um Estado poderia usar seu programa nuclear civil para tornar-se uma potência militar nuclear. Apenas as etapas finais para produzir as armas nucleares eram proibidas - etapas que um determinado regime poderia concluir logo após retira-se do tratado. 87 As diversas crises do petróleo que ocorrem no século XX fizeram com que o interesse pela tecnologia nuclear crescesse e as preocupações com a difusão de tecnologia sensível pelo mundo começaram a aumentar. Gráfico 1 Produção de Energia Nuclear e Porcentagem de energia nuclear na geração total de energia Idem 87 Idem 88 World Nuclear Association, in: acesso em 12 de dezembro de 2008.

57 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 55 Como podemos ver no gráfico acima, no início da década de 70, a energia nuclear era responsável por menos de 2% da energia gerada mundialmente. A geração de energia nuclear cresceu consideravelmente até o final da década de 80, quando a produção de energia nuclear passou quase uma década estabilizada. A partir do início do século XXI há um aumento de produção. Em 2007, a energia nuclear tornou-se responsável por quase 18% da geração mundial. Ao mesmo tempo em que se buscava um maior controle da nãoproliferação dos materiais nucleares, os países em desenvolvimento defendiam o seu direito de acesso à tecnologia nuclear pacífica. A principal discussão sobre a não-proliferação nuclear centrava-se no entrave que a falta de acesso aos materiais nucleares poderia causar nos países em desenvolvimento. Atualmente, as discussões sobre o acesso à tecnologia nuclear também estão focadas em desenvolvimento de tecnologia. Os países desenvolvidos não negam o direito de utilização de energia nuclear pelos países em desenvolvimento, mas afirmam que não é necessário que esses países possuam o conhecimento de todas as fases do ciclo do combustível e se oferecem como exportadores do urânio enriquecido para os reatores nucleares. O argumento é que aquele país que detém a tecnologia completa do ciclo do combustível nuclear poderá utilizá-la tanto para a produção de armas quanto para a utilização pacífica de energia nuclear. Em contrapartida, os países em desenvolvimento defendem que não podem ficar dependentes das exportações dos países desenvolvidos. Ao invés de estarem sujeitos ao cartel do petróleo estariam sujeitos ao cartel do urânio. Além disso, países como o Brasil, que possuem enormes reservas de urânio, não querem ficar dependentes de outros países e sim aproveitar o potencial existente, garantindo maior autonomia no setor energético. 89 Os países em desenvolvimento destacam também a necessidade de salvaguardas sem discriminação, argumentando que as salvaguardas são aplicadas de maneira desigual: os países europeus que possuem tecnologia nuclear ou que venham a anunciar o desejo de desenvolver a tecnologia não sofrem o mesmo tratamento que, por exemplo, os países localizados no Oriente Médio. Qual seria 89 França defende diálogo e se opõe a sanções contra o Irã, notícia publicada no portal G1 em 18 de setembro de 2006, in: acesso em 30 de março de 2007.

58 2. O Regime de Não-Proliferação Nuclear 56 então o critério para a permissão do desenvolvimento da tecnologia nuclear? Por que ela é tão controversa? De acordo com o diretor geral da AIEA, Mohamed El Baradei, os problemas para a não-proliferação poderiam ser minimizados se as tecnologias sensíveis do ciclo do combustível fossem colocadas sob o controle de arranjos multilaterais. El Baradei destaca que essa idéia não acabaria com todas as chances de proliferação nuclear, mas poderia ser uma opção multilateral satisfatória, fornecendo combustível nuclear de forma segura e adequada, sem correr riscos de alternativas independentes. 90 Em 2003, durante a Conferência-Geral da AIEA, foram realizadas as primeiras propostas para um controle multilateral dos materiais nucleares sensíveis. Em 2004, foi criado um grupo de especialistas para discutir a criação de uma autoridade internacional que regulasse esses materiais. No entanto, as soluções que o grupo propôs foram consideradas insatisfatórias. Os participantes não conseguiram deixar suas bagagens políticas de lado e muitos defenderam que a proliferação de tecnologia sensível não era o perigo e sim a posse de armas nucleares pelos cinco Estados Nucleares. A insistência na manutenção dos direitos concedidos pelo artigo quarto do TNP fez com que o foco das discussões ficasse em torno da garantia dos processos de enriquecimento e reprocessamento e não na busca por formas de desencorajar o desenvolvimento dessas atividades. 91 O avanço nas discussões sobre a criação de uma autoridade internacional para gerenciar a produção de materiais nucleares de uso dual também depende do avanço sobre o cumprimento das prescrições previstas no TNP. 90 Lance Joseph, Multilateral Approaches to the Nuclear Fuel Cycle, Lowy Institute for international Peace, 2005, disponível em: acesso em 25 de setembro de 2008, p Idem.

59 3 A Tecnologia Nuclear de Uso Dual O Tratado de Não-Proliferação Nuclear representava uma barganha entre três partes: Os Estados Nucleares, que se comprometiam com um desarmamento nuclear; os Estados não-nucleares, que se comprometiam a não adquirir armas nucleares; e um acordo global entre todos os Estados-parte, que buscariam a cooperação para o uso pacífico da energia nuclear 92. Com a crise do petróleo em 1970, o interesse pela tecnologia nuclear cresceu, e as preocupações com a difusão de tecnologia sensível pelo mundo começaram a aumentar. Ao mesmo tempo em que se buscava um maior controle da não-proliferação dos materiais nucleares, os países em desenvolvimento defendiam o seu direito de acesso à tecnologia nuclear pacífica. A principal discussão sobre a não-proliferação nuclear centrava-se no entrave que a falta de acesso aos materiais nucleares poderia causar nos países em desenvolvimento. Em 1971, foi formado um grupo de países exportadores de materiais nucleares para redigir uma lista dos materiais que deveriam estar sob as salvaguardas da AIEA quando passados a um país não-nuclear. O grupo, chamado de Comitê Zanger, foi o primeiro grande acordo dos exportadores nucleares sobre a regulação do comércio nuclear. A explosão nuclear realizada pela Índia em 1974 e a crescente busca pela aquisição de tecnologia nuclear levaram a uma nova preocupação em relação à eficiência dos controles de exportações e transferências de tecnologias nucleares. Assim, em 1975, foi criado o Grupo dos Exportadores Nucleares (GEN) que teria como objetivo a coordenação da legislação sobre as exportações de materiais, equipamentos e tecnologias nucleares aos países que ainda não a possuíssem. 93 A criação do Comitê Zanger e do GEN permitiu que padrões para as transferências nucleares pudessem ser estabelecidos, refletindo a concordância desses países de que era necessário restringir as exportações de materiais sensíveis. Durante a conferência de Revisão do TNP, em 1975, os países possuidores de tecnologia nuclear defenderam a necessidade de restringir o acesso 92 Joseph, Lance. Multilateral approaches to the nuclear fuel cycle, Lowy Institute for international policy, August 2005, pg Ruchkin, S.V., Loginov, V.Y, Securing the nuclear fuel cycle: What next? in AIEA bulletin 48/I, September 2006.

60 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 58 às tecnologias nucleares sensíveis. Por outro lado, os países não-possuidores de tecnologia nuclear defendiam o acesso irrestrito às tecnologias nucleares para fins pacíficos e o cumprimento do artigo quarto do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. O resultado da primeira conferência de revisão do TNP foi uma disputa entre os Estados não-nucleares, que desejavam que as cinco potências cumprissem com a redução dos arsenais estabelecido no Tratado, bem como o acesso à tecnologia nuclear aos não-nucleares, e os Estados Nucleares que, preocupados com a proliferação, desejavam aumentar as restrições aos materiais atômicos. A principal preocupação estava focada na descoberta e domínio do ciclo da energia nuclear, especialmente na etapa do enriquecimento de urânio. O urânio enriquecido é a matéria prima utilizada para a geração de energia. Uma vez que a tecnologia de enriquecimento de urânio é dominada, ela poderá ser utilizada para fins pacíficos, como a simples geração de energia, ou para fins militares, como a produção de armas nucleares. Outra matéria prima para o desenvolvimento de armas nucleares é o plutônio, que pode ser obtido no lixo nuclear. As últimas décadas trouxeram enormes desafios ao TNP. Além dos casos já citados neste trabalho, como a Coréia do Norte e o Iraque, que demonstraram ser possível explorar os benefícios da cooperação nuclear pacífica, prevista no TNP, para desviar seu uso para fins militares surge a preocupação sobre a aquisição de armas de destruição em massa por grupos não-estatais. A possibilidade de que grupos terroristas possam ter acesso à tecnologia nuclear, por meio da transferência ilegal de tecnologia, fez com que os países nucleares buscassem controlar ainda mais a transferência e o desenvolvimento de materiais nucleares.

61 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual Enriquecimento de Urânio 94 O urânio é um elemento encontrado na natureza que serve de matéria prima tanto para o combustível nuclear, que permite a geração de energia elétrica, como para a fabricação de armas nucleares. O urânio está presente na natureza em uma mistura de três isótopos: 95 U 234 : um componente altamente radioativo encontrado no urânio natural, mas que não tem nenhuma aplicação nuclear. U 235 : único material físsil 96 que ocorre na natureza em quantidades significantes. U 238 : isótopo mais encontrado na natureza. 99,2% do urânio natural é desse tipo. No entanto, não é físsil. O U 238 pode ser separado através de uma descarga de nêutrons, liberando uma enorme quantidade de energia, conhecida como reação de fissão nuclear em cadeia 97, que posteriormente pode ser usada como combustível nuclear para usinas termonucleares, de hidrogênio e bombas atômicas. Para ser possível a ocorrência de uma reação de fissão nuclear em cadeia é necessário haver quantidade suficiente de U 235, que é fissionada por nêutrons de qualquer energia. O nêutron, ao atingir um núcleo de urânio, provoca sua quebra em dois núcleos menores e a liberação de mais nêutrons que, por sua vez, irão atingir outros núcleos e provocar novas quebras, liberando grande quantidade de 94 Esta seção foi feita com base nos seguinte trabalhos: 1. Manual de No Proliferacion Nuclear, Gary Gardner; 2.Uranium Enrichment Just Plain facts to Fuel an Informed debate on Nuclear Proliferation and Nuclear Power, Aijum Makhijan, Lois Chalmers, Brice Smith in: Institute for Energy and Enviromental Resarch, acesso em 12 de agosto de 2008; 3.Seminário Internacional: Energia Nuclear como Alternativa Sustentável? Realizado em 06/07 de dezembro de 2007 na cidade do Rio de Janeiro; 4. acesso em 14 de agosto de acesso em 14 de agosto de Isótopos são átomos de um mesmo elemento químico que possuem massas diferentes. Os isótopos do Urânio possuem as mesmas propriedades químicas, mas diferentes propriedades nucleares. 96 Matérias físseis são aqueles que podem sofrer fissão nuclear. O evento crucial para controlar a energia nuclear é a divisão do átomo. Essa ação, conhecida como fissão nuclear, libera uma enorme quantidade de energia que dependendo de sua intensidade pode apenas gerar energia elétrica ou criar uma explosão de altas proporções. 97 Em cada reação de fissão nuclear resultam dois a três nêutrons, como conseqüências da absorção do nêutron que causou a fissão. Torna-se, então, possível que esses nêutrons atinjam outros nêutrons de urânio 235, sucessivamente, liberando muito calor. Esse processo é conhecido como reação de fissão nuclear em cadeia.

62 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 60 energia. Se a velocidade dessa reação em cadeia não for controlada, a reação ocorre muito rapidamente (em menos de 1 segundo), liberando enorme quantidade de energia. É o que acontece, por exemplo, na explosão da bomba atômica. Mas se a reação for controlada, como ocorre num reator, é possível aproveitar a energia liberada. 98 A figura a seguir demonstra, de maneira esquemática, a reação de fissão nuclear em cadeia. Figura 1. Reação de fissão nuclear em cadeia 99 Em alguns tipos de reatores é necessário haver a proporção de 32 átomos de U 235 para 968 átomos de U 238, em cada grupo de 1000 átomos de urânio, ou seja, 3,2% de U 235. O urânio encontrado na natureza precisa ser tratado industrialmente, com o objetivo de elevar a proporção (ou concentração) de U 235 para U-238 de 0.7% 100 para 3,2%. O processo físico de retirada de U 238 do urânio natural, aumentando, em conseqüência, a concentração de U 235, é conhecido como Enriquecimento de Urânio. Foram desenvolvidos diversos processos de enriquecimento de urânio, entre eles o da Difusão Gasosa e da Ultracentrifugação (em escala industrial), Jato Centrífugo (em escala de demonstração), e um processo a Laser. No Brasil, o método utilizado é o da Ultra- centrifugação. 98 Mello, Paula Homem, Radioatividade e a polêmica história das suas aplicações, in: acesso em 14 de agosto de acesso em 14 de agosto de Nível Natural de U-235.

63 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 61 Reatores de água leve utilizam 3 a 5% de urânio enriquecido, isto é, de U 235, sendo o resto U 238. Matérias com essa quantidade de urânio são chamadas de Urânio Enriquecido em baixa porcentagem (Low Enriched Uranium ou LEU). Bombas atômicas não podem ser feitas de urânio natural ou de Urânio enriquecido em baixa porcentagem. A proporção de U 235 é muito pequena para produzir uma reação de fissão nuclear em cadeia crítica. O Urânio deve ser enriquecido em no mínimo 20% para poder ser utilizado como matéria prima para a bomba. No entanto, uma bomba feita com essa quantidade de urânio enriquecido seria grande demais para ser lançada, necessitando enormes quantidades de urânio e ainda mais de materiais explosivos para se tornar uma massa crítica. Dessa forma, para criar uma bomba atômica viável é necessário enriquecer urânio a no mínimo 90%. Materiais enriquecidos nessa porcentagem são chamados de urânio altamente enriquecidos (High enriched Uranium ou HEU). Os mesmos processos e os mesmos equipamentos utilizados para enriquecer urânio em baixa porcentagem também são utilizados para enriquecer urânio em alta porcentagem. Assim, toda a tecnologia utilizada para enriquecimento de urânio é uma potencial fonte de proliferação de armas nucleares. Por conta da dualidade dessa tecnologia é que a sua proliferação tem se tornado tão controversa nos últimos anos. Algumas formas de enriquecer urânio são mais difíceis de detectar que outras, aumentando a preocupação com o surgimento de programas clandestinos que não passam pelas vistorias, monitoração e salvaguardas da AIEA. A tecnologia dual gera desconfiança por si só e, conforme será demonstrado no próximo capítulo, a AIEA ainda possui diversos entraves para conseguir realizar o seu trabalho de forma totalmente eficaz. Nas etapas de extração e conversão é muito difícil que o urânio consiga ser desviado para fins militares, uma vez que nessas etapas ele ainda não atingiu o grau necessário para prover uma reação em cadeia crítica capaz de promover uma explosão nuclear. Nas demais etapas do ciclo do combustível, enriquecimento, fabricação de combustível, reprocessamento e produção de água pesada, o risco de desvio de material para fins militares é muito maior, tendo em vista que nessas etapas é possível produzir urânio com alto grau explosivo Gary Gardner, Manual de No Proliferacion Nuclear, 1994, Instituto de Investigaciones Culturales Latinoamericanas.

64 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 62 Na figura 2, observamos as etapas do ciclo do combustível nuclear. Figura 2. Ciclo do Combustível Nuclear 102 A figura 3 apresenta a capacidade de enriquecimento de urânio de alguns dos Estados enriquecedores de urânio. Na tabela abaixo podemos observar todos os Estados que possuem capacidade para enriquecer urânio para fins comerciais e/ou para fins militares. 102 Comissão Nacional de Energia Nuclear

65 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 63 Figura 3.Capacidade Mundial de Enriquecimento de Urânio. 103 Tabela 1. Enriquecimento de Urânio no mundo. 104 Enriquecimento de Urânio no Mundo Comercial Militar Alemanha Sim Não Argentina Em construção Não Brasil Sim Não China Sim Sim Estados Unidos Sim Sim Grã Bretanha Sim Sim Holanda Sim Não França Sim Sim Índia Programa Experimental de Enriquecimento de Urânio Sim* Irã Sim Desconhecido Iraque Parado Não Israel Programa Experimental de Enriquecimento de Urânio Sim* Japão Sim Não Paquistão Não Sim Rússia Sim Sim * Enriquecem a partir de PU-239 Fonte: Como se pode observar, os únicos países que possuem capacidade de enriquecimento de urânio, além das cinco potências nucleares e de Índia, Israel e Paquistão, são Alemanha, Argentina, Brasil, Irã, Iraque, Japão e Holanda. O programa de enriquecimento do Iraque foi interrompido após a descoberta das atividades nucleares ilegais. Os programas nucleares de Alemanha, Argentina, 103 FALK, Jim, BODMAN Roger, Uranium Enrichment, in: acesso em 12 de dezembro de acesso em 15 de dezembro de 2008

66 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 64 Brasil, Irã, Japão e Holanda serão objeto de análise desta dissertação no capítulo 5. Plutônio O urânio enriquecido não é o único material nuclear que gera problemas para a não-proliferação. A utilização do plutônio como matéria prima para bombas nucleares também é alvo das atividades de verificação e das preocupações mundiais. O plutônio não é encontrado na natureza e é um subproduto do uso do urânio. Existem diversos tipos de isótopos de urânio, Pu 238, Pu 239, Pu 240 e Pu 241, e todos os tipos são radioativos 105. Quando produzem eletricidade, as usinas nucleares geram plutônio. Ele fica contido no combustível nuclear irradiado, que resulta da operação de um reator nuclear. Em alguns países, o combustível nuclear irradiado é quimicamente dissolvido em um processo chamado de reprocessamento, no qual o urânio e o plutônio são separados do resto do lixo atômico contido no combustível. O plutônio é formado quando o núcleo de um átomo de urânio captura um ou mais nêutrons, modificando a estrutura atômica e criando um novo elemento. Esse processo ocorre dentro de um reator nuclear e envolve a transformação de U 238 em plutônio. Existem dois tipos de plutônio que devem ser considerados: os de reatores e os de armas. O plutônio de reator é aquele que resulta do combustível nuclear irradiado num processo com duração de três anos. O plutônio para ser utilizado em armas tem que ser fabricado com essa finalidade, e é produzido do urânio que foi irradiado durante dois ou três meses. Os dois tipos de plutônio são distintos em sua composição isotópica, mas são igualmente considerados como riscos à não-proliferação. A AIEA considera todos os tipos de plutônio como materiais potenciais para a fabricação de bombas atômicas, portanto todos os isótopos de plutônio devem estar sob as salvaguardas da agência. Ainda que o plutônio seja usado basicamente na construção de armas, houve várias tentativas de empregá-lo como combustível em reatores nucleares. A 105 US Departament of energy, in: acesso em 20 de março de 2009.

67 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 65 primeira vez que o plutônio foi produzido em grandes quantidades foi na década de 1940, como parte do projeto americano de criar bombas atômicas. A produção continuou durante a Guerra Fria. A dificuldade de acesso ao urânio durante as décadas de 60 e 70 fez com que surgisse o processo de reprocessar o plutônio produzido pelos reatores nucleares para empregá-lo como combustível de uma nova geração de reatores, chamados de geração rápida. Acreditava-se que esses reatores, além de produzir energia, também gerariam mais plutônio do que o usado originalmente como combustível 106. Enquanto nos Estados Unidos foi proibido o uso da tecnologia de reprocessamento, países como França, Japão e Reino Unido prosseguiram nesse caminho. A França opera, hoje, a maior usina desse tipo no mundo, prestando serviços não só para os reatores franceses, mas também para o Japão, Suíça, Bélgica e Alemanha. Elementos combustíveis contendo plutônio e urânio provenientes do reprocessamento são regularmente usados em reatores na França e Japão Aplicações da energia nuclear para fins pacíficos 108 Os materiais nucleares podem ser utilizados para outras finalidades que não a construção de armas e a geração de energia. A medicina, a indústria e a agricultura são as áreas mais beneficiadas pela energia nuclear. Os isótopos radioativos, radioisótopos, devido à propriedade de emitirem radiações, têm vários usos. Os radioisótopos oferecem aos pesquisadores, engenheiros e médicos, fontes 106 Greenpeace, in: acesso em 20 de março de Dantas, Vera. O destino dos rejeitos radioativos, in: Revista Brasil Nuclear, ano 14, n.34, 2008, disponível em: acesso em 17 de dezembro de Esta seção foi realizada utilizando os seguintes trabalhos: Comissão Nacional de Energia Nuclear CNEN - acesso em 14 de agosto de 2008 ALMEIDA, Elizabeth, TAUHATA, Luiz, Radiações Nucleares: usos e cuidados, Comissão nacional de energia nuclear CNEN, 1984 Mello, Paula Homem, Radioatividade e a polêmica história das suas aplicações, in: acesso em 14 de agosto de 2008.

68 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 66 versáteis de radiação atômica, tornando-se um dos instrumentos de maior importância para a ciência, indústria, agricultura e medicina. Medicina Nuclear Pela absorção da energia das radiações (em forma de calor) células ou pequenos organismos podem ser destruídos. Essa propriedade, que é inconveniente para os seres vivos, pode ser usada em seu benefício, quando empregada para destruir células ou microorganismos nocivos. A Medicina Nuclear é a área que utiliza os radioisótopos, tanto em diagnósticos como em terapias. Os raios x também advêm de radiações. Radioterapia A radioterapia teve origem na aplicação do elemento rádio para destruir células cancerosas. Posteriormente, outros radioisótopos passaram a ser usados, apresentando um maior rendimento. Agricultura É possível acompanhar, com o uso de traçadores radioativos, o metabolismo das plantas, verificando o que elas precisam para crescer, o que é absorvido pelas raízes e pelas folhas e onde um determinado elemento químico fica retido. A marcação de insetos com radioisótopos também é muito útil para a eliminação de pragas, identificando qual predador se alimenta de determinado inseto indesejável. Nesse caso o predador é utilizado ao invés de inseticidas nocivos à saúde. Em defesa da alimentação e do meio ambiente também é possível determinar se um agrotóxico fica retido nos alimentos ou quando vai para o solo, para a água e para a atmosfera. Ainda no campo dos alimentos, uma aplicação importante é a irradiação para a conservação de produtos agrícolas, como batata, cebola, alho e feijão. Indústria A aplicação de radioisótopos mais conhecida na indústria é a radiografia de peças metálicas ou gamafria industrial. Os fabricantes de válvulas usam a

69 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 67 gamafria na área de controle de qualidade para verificar se há defeitos ou rachaduras no corpo das peças. A indústria farmacêutica utiliza fontes radioativas de grande porte para esterilizar seringas, luvas cirúrgicas, gaze e material farmacêutico descartável. 3.3 Proliferação de Tecnologia Dual no século XXI Terrorismo Em janeiro de 1992, a proliferação de armas nucleares, químicas e biológicas foi considerada uma ameaça à paz e à segurança internacional pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas - CSNU. No entanto, isso foi apenas uma declaração emitida pelo CSNU, não tendo sido concretizada nenhuma resolução a esse respeito. As preocupações sobre a segurança das armas nucleares e materiais físseis aumentaram nas últimas décadas devido ao número de alegações sobre tráfico ilícito de materiais radioativos, ao problema crônico de segurança nas instalações nucleares da Rússia e outras ex-repúblicas soviéticas, às afirmações de que grupos terroristas desejam adquirir materiais nucleares, e às preocupações de ataques terroristas a instalações nucleares civis. 109 Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 trouxeram uma mudança significativa para os esforços internacionais para combater a proliferação de armas de destruição em massa. A questão da proliferação envolvendo atores não-estatais não constava na agenda internacional até então: Depois de setembro de 2001 ficou óbvio que os esforços de não-proliferação tinham que incluir os atores não-estatais em seu âmbito, além da evidência do nexo entre terrorismo e a capacidade destrutiva das armas de destruição em massa Weapons of Mass Destruction Comission, final report, Weapons of Terror: freeing the world of nuclear, biological and chemical armas, Stockholm, Sweden, 1 june 2006, pg AHLSTROM, Christer, United Nation Security Council Resolution 1540: non proliferation by means of international legislation, in: SIPRI 2007 Year book: armaments, disarmament and International Security, Oxford University Press, 2007, pg 460.

70 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 68 Peter Beckman, Paul Crumlish, Michael Dobkowski e Steven Lee (2000) definem terrorismo nuclear como a posse e o uso ou ameaça do uso de armas nucleares por um grupo de indivíduos ou por um indivíduo agindo independentemente de um Estado, os quais, por meio do uso ou da ameaça de uso da violência, desejam atingir objetivos políticos. Os autores colocam ainda que, apesar de dizerem que pode ser um indivíduo agindo independente de um Estado, isso não implica afirmar que eles não estejam recebendo assistência de um governo estatal ou coordenando suas atividades com as de algum país. 111 A criação de um comitê ad hoc contra a proliferação de armas de destruição em massa pelos EUA, a revelação de que A.Q Khan, cientista paquistanês, estava envolvido em uma rede internacional clandestina de transferências de tecnologia de armas nucleares do Paquistão para a Líbia, o Irã e a Coréia do Norte e as crescentes preocupações sobre as brechas dos mecanismos de verificação de armas biológicas reforçaram a urgência de manter as armas de destruição em massa longe das mãos erradas. 112 Para que uma arma nuclear seja construída são necessárias duas coisas: material físsil e conhecimento tecnológico. A produção de urânio enriquecido ou plutônio é altamente custosa e difícil, necessitando de uma infra-estrutura que apenas Estados deveriam possuir. Contudo, foi percebido nas últimas décadas que os sistemas de segurança das instalações nucleares de diversos países não possuíam o controle necessário, permitindo que terroristas pudessem ter acesso aos materiais nucleares bem como às armas nucleares. De acordo com a Comissão de Armas de Destruição em Massa, 113 o primeiro passo para prevenir o terrorismo nuclear é evitar que os terroristas tenham acesso a materiais e armamentos nucleares, passo que requer a implantação de medidas de segurança em todos os lugares que existam ou possam existir esses materiais. 111 Peter Beckman, Paul Crumlish, Michael Dobkowski e Steven Lee, Nuclear Predicament, The Nuclear Weapons in the Twenty-First Century. Upper sadler river:prentice hall, BOSCH, Olívia, VAN HAM, Peter, Global non proliferation and couter terrorismo: the impact of UNSCR 1540, Brooking Institution Press, Washigton DC, pg Weapons of mass Destruction comission, Op. Cit, pg 83

71 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 69 A Resolução foi discutida em abril de 2004 com o objetivo de acabar com as inadequações das medidas existentes e o desafio de controlar a proliferação de Armas de Destruição em Massa ADM nas mãos de atores nãoestatais. A Resolução 1540 não substituiu os tradicionais fóruns e processos para negociar tratados de não-proliferação e controle de armamentos. Como um mecanismo suplementar, reforça as normas, obrigações e requerimentos legais dos três grandes tratados de armas de destruição em massa: 1) Tratado de Não- Proliferação Nuclear - TNP, 2)Convenção de armas tóxicas e biológicas - BTWC 115 e 3) Convenção das armas químicas - CWC 116 ; bem como requer medidas efetivas para esses. A Res1540 é uma medida de contra-proliferação, com foco nos atores nãoestatais. Requer aos Estados, parte ou não dos tratados de não-proliferação, que criminalizem e reforcem as medidas contra a proliferação de armas para e por atores não-estatais. Em 2005, a Assembléia-Geral das Nações Unidas adotou a Convenção Internacional para suprimir atos de terrorismo nuclear. Até abril de 2006, a Convenção contava com 102 assinaturas. Essa convenção afirma a necessidade de criminalização nacional dos atos de terrorismo nuclear e compromete as partes a cooperar internacionalmente com a prevenção, investigação e julgamentos de atos de terrorismo nuclear. Os Estados com armas nucleares possuem seus próprios procedimentos para manter em segurança as armas nucleares. A maioria dos governos prefere lidar com essas ameaças de acordo com leis e políticas domésticas, apesar de a prevenção de terrorismo nuclear ser uma preocupação de todos os Estados. O que a Res1540 e a Convenção contra atos de terrorismo estabelecem é uma ação multilateral para prevenir a aquisição de artefatos nucleares por atores nãoestatais. A AIEA também publicou uma lista de padrões comuns para o transporte de materiais nucleares, de acordo com a Convenção sobre a proteção física de 114 A Resolução 1540 decide que os Estados não devem fornecer nenhuma ajuda aos atores não estatais para desenvolver ou adquirir armas de destruição em massa; todos os Estados devem adotar leis efetivas que proíbam atores não estatais de adquirir ou desenvolver armas de destruição em massa; todos os estados devem estabelecer medidas efetivas de controle doméstico para evitar a proliferação de armas de destruição em massa; estabelece a criação de um comitê que irá conferir o cumprimento das disposições da resolução. Fonte: RES1540 in: 115 BTWC sigla do nome da convenção em inglês: Biological and Toxin Weapons Convention 116 CWC - sigla do nome da convenção em inglês: Chemical Weapons Convention

72 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 70 materiais nucleares. Na tabela abaixo estão listados todos os esforços multilaterais para prevenir o uso indevido de armas de destruição em massa. Ano Tabela 2. Esforços de Prevenção da Proliferação de ADM. 117 Esforços de Prevenção da Proliferação de ADM 2001 Secretariado da AIEA preparou uma série de objetivos e princípios fundamentais para a proteção física das instalações nucleares. A AIEA também auxilia os Estados através do Serviço Internacional de Proteção Física, e desenvolveu um plano de ação contra o terrorismo nuclear apoiado por um orçamento extra do Fundo de Segurança Nuclear 2002 G8 estabeleceu a necessidade de conter a proliferação de armas e materiais de destruição em massa e reforçou a urgência de criar medidas apropriadas para a efetiva proteção física das instalações que contenham materiais nucleares A AIEA aprovou um código de conduta sobre a segurança das fontes radioativas. A agência realizou diversos relatórios e adotou diversas resoluções sobre as medidas para garantir a segurança contra o terrorismo nuclear O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou a resolução 1540, que requere que todos os Estados desenvolvam e mantenham medidas apropriadas e efetivas de proteção física das instalações nucleares Os Estados Unidos investiram US$ 5 bilhões nas atividades de desarmamento nuclear da Rússia, sendo que ¼ deste montante foi investido no aprimoramento da segurança nuclear A Assembléia-Geral da ONU adotou a Convenção Internacional para suprimir os atos de terrorismo nuclear Lançada a estratégia global contra o terrorismo. A estratégia, adotada em 8 de setembro de 2006, marca a primeira vez em que os diversos países concordaram com uma abordagem estratégica comum para lutar contra o terrorismo. A possibilidade de desvio de artefatos nucleares para as mãos de atores não-estatais dificulta o acesso à tecnologia nuclear pacífica aos Estados nãopossuidores de armas nucleares. A necessidade de controle desse tipo de material é urgente e necessária, mas a obstrução do desenvolvimento nuclear pacífico, direito garantido aos Estados não-nucleares pelo artigo quarto do TNP, gera inconformidade e revolta nesses Estados Energia O aquecimento global constitui um dos maiores desafios do Século XXI. Diversas pesquisas e estudos realizados nessa área demonstram a urgente 117 Weapons of Mass Destruction Comission, final report, Weapons of Terror: freeing the world of nuclear, biological and chemical armas, Stockholm, Sweden, 1 june 2006, pg 84.

73 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 71 necessidade de se reduzir drasticamente as emissões de carbono e, assim, manter o impacto do aquecimento global dentro de limites ainda toleráveis. 118 As emissões de dióxido de carbono pela queima de combustíveis fósseis respondem pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa. A geração de energia nuclear ocupa um papel crucial entre as tecnologias que poderiam contribuir para a redução das emissões. A primeira geração de instalações nucleares foi criada sob a justificativa de amenizar a poluição causada pelas usinas que utilizavam os combustíveis fósseis como matéria-prima. A energia nuclear também era vista como uma forma de reduzir a dependência da geração de energia pelo petróleo. O aumento do preço dos barris de petróleo durante a década de 70 gerou um enorme incentivo econômico para a utilização da energia nuclear. Diversos estudos mostraram que a energia nuclear é a que tem melhor relação custo/benefício quando se trata de geração de energia, custos e preservação do meio ambiente. 119 No entanto, o emprego da energia nuclear é alvo de polêmica desde que foi introduzida no mercado de energia devido aos riscos que o desenvolvimento de sua tecnologia gera acidentes, como o caso de Chernobyll, o uso militar dos materiais nucleares e o terrorismo, citados anteriormente neste trabalho. O aumento da população mundial gerou o crescimento da demanda mundial de energia e forçou o aparecimento de fontes não-convencionais, deslocando a atenção dos países para a necessidade de diversificar os meios de produção de energia. As mudanças climáticas e os efeitos do aquecimento global fizeram com que os tomadores de decisão pensassem na possibilidade de substituir a geração de energia através de combustíveis fósseis, trocando por fontes de energia com baixa emissão de poluentes, como a energia nuclear, única alternativa capaz de produzir energia suficiente para a demanda da terra. Atualmente, 64% da energia mundial vem de combustíveis fósseis, 16% de energia nuclear, 19% de hidrelétricas e 1% de outras fontes de energia renováveis, conforme mostrado na figura abaixo. 118 MATTHES, Felix, Energia nuclear e mudança climática, Fundação Heinrich Boll, 2005.

74 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 72 Figura 4. Fontes de Geração de Energia no Mundo. 120 Os problemas ambientais gerados pelas usinas que utilizam combustíveis fósseis demonstraram a necessidade de buscar alternativas que não contassem com fatores ambientais, como a necessidade de chuvas para as hidrelétricas, mas que também não contribuíssem para a poluição do meio ambiente. A opção pelo uso de outras fontes renováveis, como biomassa, eólica e solar é perfeita, no entanto de potencial bastante limitado. Essas fontes não podem ser únicas, mas sim complementares, considerando que não são capazes de gerar energia em larga escala. O que se busca no cenário atual é uma fonte de energia com bom custobenefício e que gere o menor dano possível à natureza. De acordo com relatório elaborado pela própria AIEA, a energia nuclear utiliza recursos naturais para a produção de energia, aumenta o capital humano e, quando bem administrada, gera pouco impacto nos ecossistemas. 119 AIEA, Nuclear Power and Sustainable Development, in: acesso em 11 de dezembro de 2008.

75 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 73 Atualmente, a energia nuclear é utilizada em sua maior parte por países industrializados, que são capazes de produzi-la e que são os grandes consumidores desse tipo de energia. A figura 5 apresenta as usinas nucleares existentes no mundo. Na tabela 3 está exposta a situação de cada uma das usinas em operação no mundo. Figura 5. Usinas Nucleares no Mundo World Nuclear Association, in: acesso em 20 de março de acesso em 23 de agosto de 2008

76 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 74 Tabela 3. Usinas nucleares em operação no mundo 122. País Nº. de unidades em Operação Capacidade de Geração MW África do Sul Alemanha Nº. de unidades em construção Capacidade de Geração MW Argentina Armênia Bélgica Brasil Bulgária Canadá China China (Taiwan) Coréia Eslovênia Espanha Estados Unidos Finlândia França Grã-Bretanha Holanda Hungria Índia Irã Japão Lituânia México Paquistão República Eslovaca República Tcheca Romênia Rússia Suécia Suíça Ucrânia Total acesso em 23 de agosto de 2008

77 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 75 O gráfico abaixo demonstra a geração da energia nuclear em Gráfico 2. Geração de Energia Nuclear em Como se pode observar no gráfico 2, a maioria dos países que utiliza a energia nuclear são aqueles considerados desenvolvidos. África do Sul, Argentina, Brasil, Índia, México e Paquistão aparecem como produtores de energia, mas a sua contribuição para a geração de energia nuclear mundial ainda é bastante limitada. A cadeia completa de energia nuclear, desde a extração de recursos até a construção de plantas, emite apenas de 2 a 6 gramas de carbono por kilowatt-hora. Isso é o mesmo que a energia solar e a eólica produzem. A tabela 4 mostra uma comparação da emissão de CO 2 de acordo com a fonte de energia. 124 Tabela 4. Emissão de CO 2 Emissão de CO 2 por Fontes KW/hora Carvão 955g Óleo 818g Gás 446g Nuclear 4g 123 World Nuclear Association, in: acesso em: 20 de março de 2009.

78 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 76 Globalmente, a energia nuclear impede que 600 milhões de carbono sejam emitidos anualmente no meio ambiente, o mesmo que a energia hídrica. Nos países da OECD, a energia nuclear é responsável pelos último 35 anos de redução de emissões de carbono. No entanto, as polêmicas em torno da energia nuclear são muitas. Os acidentes ocorridos em Chernobyl e em Three Mile Island geram discussões até hoje sobre a segurança das instalações nucleares. Além disso, organizações ambientais, como o Greenpeace, argumentam que: Para construir a usina, para extrair e enriquecer o urânio utilizado como combustível nuclear, para armazenar os rejeitos nucleares e desativar a usina ao final de sua vida útil, é necessária uma grande quantidade de energia. Este processo todo significa a emissão de muitos gases, inclusive CO2. Assim, ao se considerar todo o ciclo produtivo da indústria nuclear, temos uma energia que emite muito mais gases de efeito estufa do que qualquer tipo de energias renovável. 125 As discussões sobre os rejeitos radioativos também questionam a necessidade de utilização da energia nuclear. Os rejeitos radioativos podem ser classificados em baixa, média ou alta intensidade e a forma de armazenamento e eliminação desses rejeitos é bastante controversa. Os rejeitos de baixa e média atividade são armazenados em tambores metálicos de 200 litros que, por sua vez, são colocados em blocos monolíticos de concreto capazes de garantir seu isolamento por vários séculos, tempo que leva para que se tornem inativos. A guarda definitiva desses recipientes é feito em repositórios construídos na superfície, em locais seguros e protegidos. 126 O armazenamento dos rejeitos de alta atividade compreende duas fases. Inicialmente, o combustível utilizado nos reatores - que gera uma grande quantidade de calor é resfriado por um período mínimo de 10 anos em piscinas especiais localizadas dentro da própria usina onde foi produzido. 127 Esse processo pode ser estendido por até 40 anos, que é o tempo médio de vida de um reator acesso em 15 de dezembro de Greenpeace, disponível em: acesso em 03 de abril de Dantas, Vera. O destino dos rejeitos radioativos, in: Revista Brasil Nuclear, ano 14, n.34, 2008, disponível em: acesso em 17 de dezembro de Idem.

79 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 77 Trata-se de uma prática adotada em usinas nucleares do mundo inteiro, de acordo com as diretrizes da AIEA. 128 Depois de resfriado, o combustível pode ser reprocessado ou ser preparado para a armazenagem intermediária (de curta, média ou longa duração) ou definitiva. Nesse caso, o material é acondicionado em cápsulas metálicas, soldadas e lacradas, que são colocadas em repositórios subterrâneos de grande profundidade, localizados em áreas com condições geológicas naturais milenarmente estáveis (baixa probabilidade de abalo sísmico), baixo índice pluviométrico e pouca densidade populacional. Os terrenos preferenciais são formações rochosas, que funcionam como uma blindagem que evita a corrosão dos recipientes onde os rejeitos são acondicionados. 129 O que acontece é que ainda não existe nenhum repositório definitivo em funcionamento. Alguns projetos estão em andamento, em países como EUA, Finlândia, França, Suécia e Japão. No entanto, com a retomada da opção nuclear a previsão mais recente é que a capacidade nuclear deve dobrar até 2050, com a construção de novas usinas e a ampliação da vida útil das já existentes em função da aceleração do aquecimento global, a questão do destino dos rejeitos torna-se muito mais urgente. 130 Em 30 de novembro de 2007, o diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, afirmou a relação existente entre desenvolvimento e segurança 131. De acordo com Baradei, questões como fome, pobreza e doenças transformam-se em questões de segurança para os países em desenvolvimento, uma vez que geram instabilidade no país e, mesmo, na região. A necessidade de desenvolvimento econômico e social torna-se latente para os países em desenvolvimento. Sua relação com acesso à energia é inegável tanto no que diz respeito à produção de alimentos quanto à medicina 132. Considerando a necessidade de alternativas energéticas, uma vez que as reservas de óleo e gás vêm declinando a cada dia, a preocupação com o meio ambiente e o reduzido potencial hidrelétrico mundial, a energia nuclear passa a ser 128 Idem 129 Idem 130 Idem 131 Discurso realizado em 30 de novembro de 2007 em Cuyo, Argentina, Balseiro Institute, University of Cuyo. Disponível em: acesso em:28/01/ acesso em 14 de agosto de 2008

80 3. A Tecnologia Nuclear de Uso Dual 78 uma das alternativas para o problema energético global. Enquanto a sua capacidade poluidora ainda é contestada, a sua alta capacidade de produção energética é realidade. É justamente a busca pela aquisição de usinas nucleares por parte de países em desenvolvimento que torna a energia nuclear um problema para a proliferação de armas nucleares. O grande desafio da energia nuclear é superar a imagem negativa que foi construída com o acidente em Chernobyl e com as armas de destruição em massa. No próximo capítulo, veremos como a AIEA trabalha para garantir a veracidade das informações daqueles Estados que possuem instalações nucleares e para assegurar que os materiais nucleares não sejam desviados para fins bélicos.

81 4 Medidas de Verificação e Salvaguardas A capacidade dual da tecnologia nuclear gerou enorme discussão no início da década de 50. Após a descoberta do potencial destrutivo das bombas atômicas e também do enorme potencial da energia nuclear, iniciou-se uma série de discussões para evitar que um novo bombardeio atômico voltasse a ocorrer, mas que não restringisse o acesso aos benefícios que a tecnologia nuclear poderia trazer. A recém criada AIEA estabeleceu medidas para verificar se os Estados estavam utilizando o material nuclear apenas com objetivos pacíficos. Os tratados sobre proliferação nuclear assinados posteriormente visavam ao mesmo objetivo: não permitir o uso militar da energia nuclear. O presente capítulo retoma pontos vistos nos capítulos anteriores como o enriquecimento de urânio e o estabelecimento do Regime de Não-Proliferação nuclear, demonstrando como foi configurado o sistema de verificação e monitoramento criado pela AIEA para evitar que novos países adquiram as bombas nucleares. 4.1 A AIEA Conforme explicado no capítulo dois, a Agência Internacional de Energia Atômica foi criada em 1957 com os objetivos de acelerar e de ampliar a contribuição de energia nuclear para a paz, a saúde e a prosperidade em todo o mundo. A AIEA tornou-se um órgão verificador internacional, trabalhando com os Estados para garantir a utilização segura e pacífica da energia nuclear. O estatuto da AIEA O estatuto da AIEA foi estabelecido após conversas realizadas entre os Estados formadores do Grupo Negociador, composto por Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá, Austrália, África do Sul, Bélgica, Portugal,

82 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas 80 Tchecoslováquia, Brasil e Índia 133. O grupo negociador reuniu-se, durante oito semanas do ano de 1959, para elaborar as diretrizes da nova agência da ONU. Ficou acordado que o objetivo da AIEA seria promover o uso pacífico da energia nuclear, evitando que fosse usada para fins militares 134. As funções da AIEA seriam 135 : Tomar qualquer ação para promover a pesquisa e o desenvolvimento das aplicações da energia nuclear para fins pacíficos; Fornecer materiais, serviços, equipamentos e instalações para que a pesquisa e o desenvolvimento da energia nuclear possam ser realizados nas áreas em desenvolvimento; Promover trocas de informações científicas e técnicas; Estabelecer e aplicar salvaguardas para garantir que nenhuma assistência ou bem fornecido pela AIEA possa ser utilizados para fins militares; Estabelecer ou adotar padrões de segurança nuclear. O grupo negociador decidiu também como seria o desenho institucional da agência, estabelecendo três órgãos principais 136 : 1. Conferência-Geral, na qual todos os Estados membros da AIEA se reúnem uma vez por ano para analisar o trabalho da AIEA, estabelecer as diretrizes para futuros programas e aprovar o orçamento anual; 2. Junta dos Governadores, órgão executivo da Agência na qual 35 membros, representantes dos seus respectivos governos, se fazem representar através de um governador. A junta dos governadores se reúne de três a quatro vezes por ano para aprovar o programa e discutir o orçamento que serão levados à Conferência-Geral, além de aprovar e discutir acordos, tomar as decisões e executar as funções da AIEA, submetendo-as posteriormente à Conferência-Geral. 133 O grupo negociador foi formado em dezembro de 1954 e era composto por 8 países Estados Unidos,Reino Unidos, França, Canadá, Austrália, África do Sul e Portugal. Os cinco últimos foram chamados para participar do grupo por serem produtores de urânio. Em fevereiro de 1956 a União Soviética, a Tchecoslováquia, o Brasil e a Índia foram convidados a participar do grupo. O objetivo era ligar a AIEA à ONU e trazer maior representatividade. Fonte: FISCHER, David. History of The International Atomic Agency: the fisrt forty years. Vienna: The Agency p Objetivos declarados no artigo 3 do estatuto da AIEA. 135 Objetivos retirados de: FISCHER, David. History of The International Atomic Agency: the fisrt forty years. Vienna: The Agency p Fischer, David. History of The International Atomic Agency: the fisrt forty years. Vienna: The Agency p.37

83 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas Secretariado, chefiado diretamente pelo Diretor-Geral que executa os programas aprovados pela AIEA. O secretariado está organizado em cinco departamentos. Quatro deles são dirigidos por vice-diretores-gerais e um, o departamento de salvaguardas e inspeções, é dirigido por um inspetor-geral. A AIEA foi estabelecida para desenvolver três programas principais: a energia nuclear, a segurança nuclear e as salvaguardas nucleares. Em março de 1970, quando o Tratado de Não-Proliferação entrou em vigor, a Agência ficou com a missão de concluir acordos de salvaguardas que cobrissem todas as atividades nucleares nos territórios de todos os Estados membros do tratado. Sob o escopo do tratado, a AIEA recebeu a responsabilidade de realizar salvaguardas para garantir que nenhum Estado consiga criar armas nucleares ou qualquer outro material nuclear explosivo. Da mesma forma, o tratado previa que todos os membros não-nucleares deveriam concluir acordos de salvaguardas com a AIEA. Assim, a junta de governadores da Agência criou um Comitê de Salvaguardas que estabelecia a estrutura e o conteúdo dos acordos a serem concluídos entre a AIEA e os Estados não-nucleares parte do TNP Salvaguardas, Verificação e Monitoramento Salvaguardas As salvaguardas da AIEA são o conjunto de medidas estabelecidas para comprovar que não há desvio de material nuclear para usos não-declarados à agência. As salvaguardas da AIEA constituem um componente vital do TNP, pois é através delas que os Estados membros podem garantir o cumprimento dos acordos bilaterais e internacionais pelos Estados não-nucleares. O objetivo das salvaguardas é limitar as atividades dos Estados nãonucleares apenas ao uso pacífico da tecnologia nuclear. As salvaguardas da AIEA vão desde atividades nacionais e internacionais até a administração e o controle de materiais nucleares, além de um sistema de fiscalização e inspeções no âmbito dos acordos com a AIEA.

84 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas 82 Materiais sob as salvaguardas da AIEA O sistema de salvaguardas foi montado para detectar todos os materiais nucleares. Esses materiais incluem urânio enriquecido, plutônio e Urânio 233. Também incluem o urânio natural e os rejeitos de urânio. Além disso, todas as instalações que trabalham com materiais nucleares também estão incluídas. Fontes radioativas que não contenham materiais nucleares não estão sujeitos às salvaguardas e não precisam ser reportadas à AIEA. Tipos de Salvaguardas O estatuto da AIEA autoriza a Agência a 138 : Examinar e aprovar a construção de plantas nucleares (apenas para verificar que as instalações não estão sendo construídas para uso militar, que estão de acordo com os padrões de segurança e que permitem a aplicação de salvaguardas); Requerer os registros de operações das plantas; Requerer e receber relatórios sobre as operações; Aprovar os meios de reprocessamento de combustível mas apenas para garantir que o reprocessamento não está sendo desviado e garantir que as sobras de materiais físseis especiais, plutônio, serão entregues a AIEA; Enviar inspetores aos países que são receptores de tecnologia nuclear. Os inspetores devem ter acesso total e irrestrito a todos os locais, dados e pessoas que estejam lidando com materiais nucleares que requerem salvaguardas. 139 Dessa forma, as salvaguardas permitem que, por meio de inspeções e avaliações a AIEA consiga verificar e monitorar as atividades nucleares realizadas no mundo, tentando garantir que estejam sendo utilizadas exclusivamente para fins pacíficos. Os critérios para a aplicação das salvaguardas foram determinados 137 Artigo terceiro do TNP. 138 Fischer, David. History of The International Atomic Agency: the fisrt forty years. Vienna: The Agency p Idem

85 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas 83 no documento de informação circular número 153 (INFCIRC/153) 140 e incluem a efetividade do sistema de contabilidade e controle de cada Estado, as características do ciclo do combustível, entre outros. Assim, foram estabelecidos quatro tipos de acordos 141 : 1. Acordos de Salvaguardas Abrangentes - Comprehensive safeguards agreements - CSAs: Todos os Estados não-nucleares parte do tratado de não proliferação nuclear, assim como todos os Estados-parte de tratados de zonas livres de armas nucleares regionais são obrigados a concluir acordos de salvaguardas abrangentes com a AIEA. Em concordância com os termos desses acordos, um Estado aceita que todos os materiais nucleares utilizados em todas as atividades nucleares pacíficas sejam salvaguardados dentro do seu território ou sob sua jurisdição ou levado para fora dos seus limites sob seu controle, de modo que seja possível verificar que esses materiais não estão sendo desviados para fins militares. Sob esse tipo de acordo a AIEA tem o direito e a obrigação de garantir que as salvaguardas estão sendo aplicadas em todos os materiais nucleares. 2. Acordos voluntários Voluntary offer agreements VOAs: As cinco potências nucleares partes do TNP concluíram acordos de salvaguardas cobrindo algumas ou todas as suas atividades nucleares pacíficas. Sob o escopo dos acordos voluntários, as instalações e materiais nucleares notificados à AIEA pelos Estados são oferecidos para a aplicação de salvaguardas. 3. Acordos de salvaguardas de itens específicos Item specific safeguards agreements: acordos nessa categoria cobrem apenas materiais, instalações e outros itens específicos. Os Estados-parte sob esse acordo concordam em não usar material, instalações e outros itens para fins que não 140 O INFCIRC/153 foi estabelecido em 1970 e substituiu o INFCIRC/66 que foi estabelecido em Esse último ainda está em vigor para os seguintes países: Índia, Paquistão e Israel. O INFCIRC/66 foi substituído porque previa verificações a apenas algumas instalações e não a todas, como prevê o INFCIRC The safeguards system of the international atomic agency, 141 Fischer, David. History of The International Atomic Agency: the fisrt forty years. Vienna: The Agency p.43, 141 IAEA,

86 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas 84 os pacíficos. A AIEA implementa esse tipo de acordo nos três Estados que não são parte do TNP: Índia, Israel e Paquistão. 4. Protocolos Adicionais: Esses acordos são para aqueles Estados que possuem acordos de salvaguardas com a AIEA, de forma a aumentar a efetividade e aprimorar a eficiência do sistema de salvaguardas como um contribuinte dos objetivos globais de não-proliferação. A aceitação e a implementação das salvaguardas da AIEA servem como um importante mecanismo de construção de confiança. Conforme abordado no capítulo 2, o dilema de segurança criado pela aquisição de armas nucleares pode ser amenizado com o estabelecimento de uma agência internacional que possa controlar a disseminação de armas nucleares. As salvaguardas da AIEA possibilitam que haja um intercâmbio de informações, considerando que as inspeções e o monitoramento internacional são realizados com transparência. Dessa forma, o sistema cooperativo de salvaguardas nucleares permite que o medo de que algum Estado viole o acordo seja reduzido, aumentando a confiança no regime e entre os Estados. A AIEA e o seu sistema de salvaguardas foram estabelecidos há mais de 50 anos para ajudar os Estados a reconciliar a natureza dual do átomo, de forma que a energia nuclear pudesse ser colocada a serviço da paz e do desenvolvimento. 142 Praticamente todos os países do mundo utilizam tecnologias nucleares para uma variedade de propósitos pacíficos: alimentação, energia, indústria e medicina, por exemplo. Apenas algumas dessas atividades envolvem o tipo de material nuclear que pode ser revertido para a fabricação de armas nucleares, o urânio altamente enriquecido, abordado no capítulo anterior. Condução das atividades de salvaguardas da AIEA Department of Safeguards. IAEA Safeguards, Staying Ahead of the Game, Vienna: The Agency.July p Department of Safeguards. IAEA Safeguards, Staying Ahead of the Game, Vienna: The Agency.July p.7

87 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas 85 Os requerimentos do sistema de salvaguardas da AIEA são muitos e variados. Eles vão desde informações relevantes e acesso às instalações e materiais, até a infra-estrutura necessária para que as salvaguardas possam ser implementadas de maneira eficiente e efetiva, incluindo análise capacitação do pessoal da AIEA, análise de informações e, de suma importância para que tudo isso seja possível, a cooperação e o apoio dos Estados-parte. Existem três tipos de fontes de informação importantes para que a AIEA consiga realizar o seu trabalho: 143 (i) aquelas que são fornecidas pelos próprios Estados; (ii) aquelas que são derivadas das verificações realizadas pelos inspetores da AIEA; (iii) aquelas provenientes de fontes abertas, que podem ser informações dadas por outros Estados, por exemplo. A coleta dessas informações pode ser realizada através de quatro principais procedimentos utilizados nas operações de salvaguardas: 1. Relatórios: O operador da instalação nuclear deve enviar à AIEA relatórios periódicos, demonstrando tudo o que foi produzido, enviado, descartado e também todos os inventários realizados. Um relatório também deve ser enviado caso haja uma perda significativa de material ou qualquer possibilidade de remoção de material não autorizada. Apesar das informações requeridas nesses três procedimentos serem fornecidas pelo operador, os acordos de salvaguardas do TNP devem ser enviados pelos Estados. Ou seja, todos os dados e relatórios enviados à AIEA estão sob a chancela do Estado e suas instituições, logo, o Estado é responsável por tudo aquilo que ocorre dentro das instalações. 2. Revisão do desenho da instalação: O operador da instalação nuclear deve fornecer a AIEA o desenho da instalação com informações suficientes de forma que possa ser elaborado um plano detalhado de salvaguardas para essa instalação. Esse plano irá definir os pontos estratégicos onde o inspetor irá realizar a contabilidade e o controle dos materiais nucleares utilizados. Nesses mesmos pontos serão instalados instrumentos de salvaguardas, como câmeras de vigilância, selos etc. Esses últimos são chamados de medidas de vigilância e contenção e garantem a continuidade do trabalho dos inspetores. 143 Department of Safeguards. IAEA Safeguards, Staying Ahead of the Game, Vienna: The Agency.July p.31

88 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas Registros: O operador deve manter registros de todas as operações da instalação nuclear. Deve registrar todo material recebido, produzido, descartado, jogado no lixo e enviado para outros lugares. Em intervalos regulares, o operador dever realizar inventários de todo material existente na planta. Isso irá mostrar se a quantidade e a composição dos materiais nucleares existentes na instalação são os mesmos que foram calculados nos registros de recebimento, envio, produção etc. 4. Inspeções: São realizadas pelos Oficias da IAEA. A quantidade de inspeções realizadas em um ano irá variar de acordo com o tamanho da instalação e com o tipo de material e tecnologia que está sendo trabalhado As inspeções são utilizadas para verificar a veracidade das informações fornecidas pelos Estados. Assim, todos os relatórios e registros são verificados, as discrepâncias são investigadas, instrumentos são instalados, testados e consertados e selos são colocados. São realizadas medições de radiação dos materiais utilizados e amostras podem ser coletadas para serem analisadas nos laboratórios da IAEA. Conforme discutido no capítulo anterior, o urânio só pode ser utilizado para bombas se for enriquecido a mais de 90%. As medições servem para garantir que não há urânio altamente enriquecido sendo manuseado ou desviado para fins não declarados. A AIEA possui quatro tipos de inspeções diferentes 144 : 1. Inspeções ad hoc: Feitas para verificar se o relatório enviado à AIEA sobre os materiais nucleares e sobre as transferências nucelares está correto. 2. Inspeções de Rotina: O tipo mais usado de inspeções. Podem ser realizadas de acordo com um calendário específico ou podem ser não-anunciadas ou anunciadas em um curto período de tempo. As inspeções de rotina só podem ser realizadas nos Estados que possuem salvaguardas compreensivas com a Agência e valem apenas para as instalações nucleares ou lugares com materiais nucleares (pontos estratégicos). 3. Inspeções Especiais: são realizadas quando a AIEA considera que as informações fornecidas pelos Estados não estão adequadas o suficiente para serem realizadas as conclusões de salvaguardas acesso em 04 de março de 2009.

89 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas Visitas de salvaguardas: podem ser realizadas em momentos apropriados durante o ciclo do combustível para verificar informações relevantes sobre o desenho da instalação. O objetivo dessas medidas de salvaguardas é proporcionar transparência sobre as atividades, planos e materiais nucleares de um Estado, aumentando o escopo e a profundidade das informações dadas a AIEA e expandindo o acesso dos inspetores a locais relevantes, além das instalações declaradas. A principal meta é dar à AIEA a autoridade e as medidas técnicas necessárias para garantir que não há desvio de materiais nucleares e instalações não declaradas. Desafios ao sistema de salvaguardas. Diversos desafios ocorreram nos últimos anos levantando o debate sobre como aumentar a eficiência e a eficácia das salvaguardas nucleares e sobre como reforçar o trabalho da Agência Internacional de Energia Atômica 145. A situação ocorrida com o Iraque e a Coréia do Norte no início da década de 90 expôs a fraqueza do sistema de salvaguardas: Iraque 146. Apesar de possuir salvaguardas abrangentes, o Iraque, até 1991, conduziu um programa clandestino de armamentos nucleares. Esse programa era conduzido nas mesmas instalações em que a agência realizava inspeções de rotina aos materiais declarados. Diversas medidas foram tomadas para reforçar as salvaguardas e inviabilizar que situações como essas ocorressem novamente. O Protocolo Adicional da AIEA foi uma dessas medidas. Coréia do Norte 147. No início dos anos 1990, a AIEA verificou inconsistências entre as atividades nucleares declaradas pela Coréia do Norte e as informações disponíveis à AIEA através das inspeções de salvaguardas. Quando os esforços bilaterais falharam, a AIEA convocou a Junta dos Governadores para exigir acesso aos locais onde as inconsistências foram identificadas. A Coréia do 145 Ver: Safeguards to prevent nuclear weapons proliferation. Briefing Paper 5, October Back to Basics: Rethinking safeguards principles, Australiam Safeguards and Non Proliferation Office, July Nuclear Safeguards as an evolutionary system, Nuclear non proliferatio Review, Winter Samore, Gary, Iraq. in:reiss, Mitchel. Litwak, Robert. Nuclear Proliferation after the Cold War, Woodrow Wilson Center Press, 1994

90 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas 88 Norte negou o acesso e, desde 1993, medidas de salvaguarda abrangentes não são realizadas no país. O caso da Coréia demonstrou a necessidade de mecanismos de verificação com um grau mínimo de intrusão, permitindo o acesso da AIEA a esses locais mesmo sem estar presente no local exato. A experiência vivida com a Coréia do Norte e com o Iraque demonstrou as limitações da implantação do sistema de salvaguardas, que se concentrava nos materiais declarados pelos Estados. Assim, nos últimos 15 anos ocorreram mudanças no foco do sistema, que não verificaria apenas a veracidade das informações declaradas, mas também buscaria informações sobre instalações, atividades e materiais não declarados. Dessa forma, em 1995, a Junta dos Governadores declarou que a IAEA tinha o direito e a obrigação de verificar se as informações enviadas estavam corretas e completas. Novas medidas foram tomadas para reforçar o sistema de salvaguardas, conforme mostra a figura 5 abaixo 148. Figura 6. Desenvolvimento do Sistema de Salvaguardas desde Carlin, Robert, North Korea, in:reiss, Mitchel. Litwak, Robert. Nuclear Proliferation after the Cold War, Woodrow Wilson Center Press, Ver Anexo 1 - Medidas para reforçar o sistema de salvaguardas,

91 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas 89 Algumas dessas medidas podiam ser implementadas sob a autoridade existente do acordo de Salvaguardas Abrangentes. Outras requeriam uma autoridade legal adicional e resultaram em um novo instrumento legal, o Protocolo Adicional 150, discutido no capítulo dois. Quando totalmente implementadas em um Estado, as medidas fornecidas pelas salvaguardas abrangentes e pelo protocolo adicional permitem a AIEA elaborar conclusões de salvaguardas sobre o não-desvio de material nuclear e sobre a ausência de materiais nucleares não declaradas pelo Estado como um todo. Isso porque, juntos, eles fornecem uma série de indicadores que podem ser utilizados para verificar a veracidade e a totalidade das declarações dos Estados. 151 As salvaguardas abrangentes servem para verificar a veracidade das informações passadas pelos Estados. Pretende-se com o Protocolo Adicional observar se essas informações estão não somente corretas como também absolutamente completas. As medidas que podem ser implementadas com o Protocolo Adicional em vigor são 152 : A AIEA deve ter total acesso e o Estado deve fornecer informações sobre todas as partes do ciclo do combustível, incluindo as minas de urânio, a fabricação do combustível, as usinas de enriquecimento, os lugares onde é depositado o lixo atômico, bem como todas as localidades onde os materiais nucleares estão presentes ou possam estar presentes no futuro. Acesso da AIEA com notificação de curto prazo (duas horas) e informações dadas pelo Estado sobre todas as construções de uma instalação nuclear. Coleta de amostras em localidades diferentes das que foram declaradas. Permissão para serem utilizados os sistemas de comunicação internacionais, incluindo satélites e outras formas de telecomunicação para ajudar nas inspeções da AIEA. Aceitação por parte do Estado das designações dos inspetores da AIEA e vistos para entrada dos inspetores durante pelo menos um ano. 149 Department of Safeguards. IAEA Safeguards, Staying Ahead of the Game, Vienna: The Agency.July p Documento que estabelece o protocolo adicional: InfCirc/ Department of Safeguards. IAEA Safeguards, Staying Ahead of the Game, Vienna: The Agency.July p.15

92 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas 90 Acesso da AIEA e fornecimento de informações pelo Estado sobre todas as atividades de pesquisa e desenvolvimento relacionadas ao ciclo do combustível nuclear. Fornecimento de informações sobre a elaboração de tecnologia nuclear sensível e também sobre a exportação desse tipo de tecnologia. Inspeções da AIEA em todas as localidades que fabricam e importam tecnologia sensível. Contudo, a autoridade da AIEA permanece desigual de acordo com cada país analisado. Apesar das salvaguardas estarem em vigor na maioria dos países signatários, e de muitos já terem concluído o Protocolo Adicional, diversos países ainda não cumpriram com as suas obrigações para concluir os acordos de salvaguardas. Atualmente, dos 188 países signatários do TNP, ainda existem 27 Estados não-nucleares que não estão com acordos de salvaguardas em vigor: (i)andorra, Bahrein, Benin, Cabo Verde, Gabão, Mauritânia, Montenegro,Serra Leoa, Togo, já assinaram os acordos, mas eles ainda não entraram em vigor; (ii) República da África Central, Chade, Djibouti, Guiné Equatorial, Moçambique e Timor-Leste já aprovaram os acordos, mas eles ainda não foram assinados; (iii) Angola, República do Congo, Eritréia, Guiné, Guiné Bissau, Quênia, Libéria, Micronésia, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Somália e Vanuatu não aprovaram e não assinaram nenhum acordo de salvaguardas com a AIEA. O Gráfico 3 demonstra o número de Estados que ainda não concluíram acordos de salvaguardas com a AIEA sob o regime do Tratado de Não- Proliferação Nuclear até acesso em 05 de março de 2009.

93 4. Medidas de Verificação e Salvaguardas 91 Gráfico 3. Conclusão de Acordos de Salvaguardas Abrangentes (Estados que ainda não concluíram acordos de salvaguardas sob o TNP) Ainda existem mais de cem países que ainda não estão com o protocolo adicional do TNP em vigor. 153 Em março de 2009, 131 países estavam com o protocolo adicional aprovado, 119 estavam com ele assinado e 90 já estavam com ele em vigor. Considerando os 188 Estados membros do TNP, existem 61 que sequer submeteram o protocolo adicional para aprovação. O gráfico abaixo demonstra a conclusão dos protocolos adicionais desde a sua entrada em vigor até março de Department of Safeguards. IAEA Safeguards, Staying Ahead of the Game, Vienna: The Agency.July p.31

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