Autor(es) GABRIELA KRAFT FLORENCIO. Co-Autor(es)

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1 8º Simposio de Ensino de Graduação ANÁLISE DOS DADOS DO SISVAN-WEB, ANO DE PERFIL NUTRICIONAL DE GESTANTES AVALIADAS EM UNIDADES DE SAÚDE DA ATENÇÃO BÁSICA NO MUNICÍPIO DE PIRACICABA SP. Autor(es) GABRIELA KRAFT FLORENCIO Co-Autor(es) ALINE MARIA TEIXEIRA DE LIMA DANIELA AZANHA FÁBIO MATEUS KELY SCOGNAMIGLIO MARIA DO CARMO BONATTO DE LIMA MURIENE TURCATO COSTA VICTOR ALEXANDRINO MARCIA JULIANA CARDOSO Orientador(es) CARLA MARIA VIEIRA 1. Introdução A vigilância Nutricional na gestação mostra-se importante para evitar agravos à saúde materna e ao desenvolvimento da criança. Com o cálculo do IMC (Índice de Massa Corpórea) é possível conhecer o estado nutricional atual da gestante e o estado pré-gestacional e subsidiar a previsão de ganho de peso até o final da gestação (BRASIL, 2005; BRASIL, 2004). Quando identificado precocemente o estado nutricional de gestantes há uma contribuição para que a intervenção seja eficaz e minimize as mortalidades perinatal e neonatal (SUNDERS E BESSA, 2005). Sabe-se que o peso pré-gestacional e o ganho de peso durante a gestação irão determinar o estado nutricional e a saúde materna. Dentro deste contexto, o peso do recém nascido também pode ser influenciado pelo estado nutricional da gestante (BARROS, et al, 2008). Durante a gravidez o organismo sofre modificações fisiológicas que geram um aumento da necessidade de nutrientes (proteínas, carboidratos, lipídios), esse aumento garante a nutrição materna e a formação adequada do feto (WILLIAMS, 2001). No caso da gestante eutrófica, as recomendações enfatizam a importância de manter-se neste estado, com orientações voltadas para a promoção de hábitos alimentares saudáveis (BRASIL, 2005). Quando a demanda de energia não é suprida, a gestante tem um déficit negativo em relação ao peso. Tal situação não é recomendada na fase gestacional, pois pode trazer conseqüências como: baixo peso ao nascer, mortalidade perinatal, neonatal e/ou infantil e retardo no crescimento intra-uterino (BELARMINO et. al., 2009). Na fase gestacional, o ganho de peso excessivo também é um fator de risco, pois pode ocasionar complicações como: Diabetes gestacional, dificuldades no parto, risco ao feto no período perinatal, obesidade infantil, defeito no tubo neural (independente da

2 suplementação de ácido fólico), macrossomia fetal e necessidade de parto cirúrgico (BRASIL, 2004 E BARROS, et. al., 2008). Diante dessas considerações faz-se necessário conhecer o estado nutricional da gestante, por meio do acompanhamento individual na atenção primária de saúde, mas também na sua dimensão coletiva. As políticas de intervenção para a promoção da segurança alimentar, deste grupo populacional, dependem do monitoramento nutricional no âmbito municipal (referência PNAN). Esse trabalho apresenta-se como uma contribuição nesse sentido e com o objetivo de analisar o perfil nutricional de gestantes adolescentes adultas a partir dos dados coletados no ano de Dados oriundos das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF) que foram registrados no programa SISVAN-Web pela Coordenadoria de Programas de Alimentação e Nutrição (CPAN) da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba, São Paulo. 2. Objetivos Analisar o perfil nutricional de gestantes adolescentes adultas a partir dos dados coletados nas UBS e USF, registrados no programa SISVAN-Web pela Coordenadoria de Programas de Alimentação e Nutrição da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba, São Paulo. 3. Desenvolvimento O município de Piracicaba - SP conta com 23 UBS e 35 USF. Foram avaliadas, durante o ano de 2009, 1661 gestantes, moradoras das áreas de abrangência das unidades de saúde as quais enviaram os dados coletados para a CPAN. Os dados antropométricos coletados foram o peso e a altura, para classificação do estado nutricional de acordo com o cálculo de Índice de massa corpórea (IMC), associados à idade e período gestacional. Os pontos de corte para baixo peso, eutrofia, sobrepeso e obesidade foram àqueles propostos pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do município, que utiliza a referência Organização Mundial da Saúde, 2002 (BRASIL, 2004; WHO, 2002). Os dados foram coletados por profissionais da equipe de saúde das unidades, no momento da realização do pré-natal. Dados como peso e altura foram registrados manualmente em planilhas, pela maioria das unidades, e enviados para a CPAN, para serem inseridos no Módulo Gerador de Relatórios do SISVAN Web. Duas USF digitaram seus dados no módulo, na própria unidade e enviaram via internet diretamente para a CPAN. O Módulo Gerador de Relatórios do SISVAN Web permite que se tenham relatórios contendo uma área de abrangência, região de cobertura, período, fase de vida, sexo, raça/cor e origem do registro, possibilitando a obtenção dos dados utilizados. A partir dos dados de peso e altura, o Modulo Gerador de Relatórios do SISVAN Web classifica o estado nutricional do individuo avaliado. Os resultados foram tabulados em planilha do Microsoft Excel 2007 e expressos em tabelas e gráficos, separados por gestantes adolescentes e adultas e em regiões do município, a saber: norte, sul, leste, oeste, centro e rural para UBS e norte, sul, leste e oeste para USF. Considerando a existência de parceria entre o poder publico municipal e a Universidade Metodista de Piracicaba, as atividades de extensão universitárias são realizadas pelo Curso de Nutrição junto à CPAN. A partir da solicitação da CPAN ao estágio supervisionado de Nutrição em Saúde Coletiva, foi dado início, no ano de 2010, ao estudo contínuo dos dados do perfil nutricional das gestantes atendidas na rede básica de saúde do município. 4. Resultado e Discussão Foram avaliadas 1633 gestantes atendidas em UBS e USF, durante o ano de A amostra era composta por 428 (26%) adolescentes e 1233 (74%) adultas. O presente estudo mostrou que em relação à classificação do IMC, 19,27% das gestantes apresentaram baixo peso, 41,78% eutrofia e 38,9% com excesso de peso. Segundo Belarmino et. al.,(2009), o ganho de peso insuficiente da gestante está relacionado à maior risco de retardo de crescimento intra-uterino e mortalidade perinatal. Por outro lado, o ganho de peso excessivo pode estar associado a diabetes gestacional, dificuldades no parto e risco para o feto no período perinatal. A figura 1 expressa os percentuais do estado nutricional de gestantes adolescentes e adultas. Destaca-se uma maior prevalência de

3 obesidade em gestantes adultas comparadas às gestantes adolescentes. Em contrapartida é visto que o baixo peso é superior na população adolescente. O ganho de peso insuficiente durante a gestação acarreta no menor transporte de nutrientes e de oxigênio para o feto podendo refletir no tamanho da placenta e no baixo peso ao nascer. Sendo assim, o baixo peso ao nascer é umas das principais conseqüências da desnutrição materna e indica o retardamento no crescimento intra-uterino. O ganho de peso inadequado durante a gestação implica em prejuízos no desenvolvimento neurológico do feto, deficiência imunológica, seqüelas no crescimento pós-natal e má formação de alguns órgãos. Estudo realizado na Califórnia (EUA) verificou que mulheres que ganham pouco peso durante a gestação (<10 kg) apresentam um risco maior de ter filhos com defeitos no tubo neural (VITOLO, 2008). O início da gestação com excesso de peso ou o ganho excessivo durante o período gestacional podem propiciar complicações clinicas como diabetes e hipertensão, os quais ocorrem em sua maioria em gestantes com excesso de peso. A obesidade durante a gestação pode refletir na má formação do tubo neural, independente de ocorrer a suplementação de ácido fólico ou não. O feto pode apresentar um excesso de peso, o que aumenta as o numero de cesáreas. Belarmino et. al.,(2009) em estudo de campo realizado no Centro de Desenvolvimento Familiar, em Fortaleza-CE, com 40 gestantes adolescentes, verificaram que 50% das mesmas apresentaram peso adequado, 27,5% baixo peso e 22,5% sobrepeso, resultando em 50% de gestantes classificadas como de risco nutricional. A eutrofia do presente estudo se assemelha ao encontrado por Belarmino et. al.,(2009); já o baixo peso é maior no presente estudo, em contrapartida o sobrepeso foi maior no estudo em Fortaleza-CE. Em outro estudo realizado em São Paulo-SP mostra que 44,3% das gestantes adolescentes estavam com sobrepeso/obesas e apenas 1,3% estavam desnutridas no final da gestação (FURLAN et al., 2003 apud BELARMINO et al., 2009). A figura 2 mostra a distribuição do estado nutricional das gestantes de acordo com as regiões. Através deste pode-se analisar que a eutrofia é prevalente no centro. O baixo peso teve pouca diferença entre as regiões, contudo prevaleceu na região oeste, com 21,3%. As gestantes com sobrepesos aparecem em maior numero na região rural e a obesidade no centro. Embora tenha sido constatada maior freqüência de sobrepeso nas capitais mais industrializadas (Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro), as capitais situadas no Nordeste (Salvador e Fortaleza) também apresentaram maiores prevalências de sobrepeso/obesidade do que baixo peso (NUCCI et al., 2001 apud BELARMINO et al., 2009). O que explica a alta prevalência de sobrepeso e obesidade em todas as regiões do país é o processo de transição nutricional, a qual aumentou com o processo de industrialização. Essa transição consiste na mudança do perfil nutricional da população, de desnutrição para sobrepeso e obesidade. 5. Considerações Finais Conclui-se que as gestantes atendidas em UBS e USF são em sua maioria adultas. Prevalece o estado nutricional de eutrofia e excesso de peso entre as gestantes avaliadas na atenção básica de Piracicaba, no ano de Observa-se maior prevalência de obesidade em gestantes adultas comparadas às gestantes adolescentes. Em contrapartida é visto que o baixo peso é superior na população adolescente. De acordo com as regiões verifica-se que na região central da cidade o estado nutricional de eutrofia apresenta-se em maior prevalência entre as gestantes avaliadas. O baixo peso teve pouca diferença entre as regiões, contudo prevaleceu na região oeste. Já o sobrepeso apareceu em maior numero na região rural. O aprofundamento das análises é necessário para compreender melhor as tendências em relação ao estado nutricional gestacionais, assim como as possíveis explicações para os resultados detectados. Novas análises estão em andamento para melhor elucidação destas e de outras questões sobre o monitoramento nutricional da população piracicabana atendida pela rede pública de saúde. A parceria do estágio de Nutrição em Saúde Coletiva do Curso de Nutrição da UNIMEP com a Coordendoria de Programas de Alimentação e Nutrição da Secretaria de Saúde do Município de Piracicaba tem proporcionado ganhos significativos nesse campo de estudo e práticas em nutrição. São contribuições importantes no conjunto de ações de promoção da Segurança Alimentar e Nutricional na região. Referências Bibliográficas BARROS, D.C.D; SAUNDERS, C.; LEAL, M.D.C. Avaliação nutricional antropométrica de gestantes brasileiras: uma revisão sistemática. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant, n. 8, v.4, p , out/dez., BELARMINO, G.O.; MOURA, E.R.F.; OLIVEIRA, N.C.; FREITAS, G.L. Risco nutricional entre gestantes adolescentes. Acta. Paul. Enferm, BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Área Técnica de Alimentação e Nutrição do Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Política de Saúde. Obesidade e desnutrição. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2004.

4 BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Pré-natal e Puerpério: atenção qualificada e humanizada. Série A - Normas e Manuais Técnicos. Brasília, BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. 2ª ed revista Série B. Textos Básicos de Saúde, Brasília, DF, p. Disponível em: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Vigilâncias Alimentar e Nutricional SISVAN: orientações básicas para a coleta, o porcessamento, a análise de dados e a informação em serviços de saúde. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília, 2004 DUARTE, C.T. Saldo de qualidade Núcleo de Apoio à Saúde da Família reúne profissionais especializados para fomentar o atendimento preventivo, mudando para melhor as políticas públicas em todo o País. Revista Nutrir, CRN 3º Região, ano II. nº 3, FURLAN, J.P.; GUAZZELLI, C.A.F.; PAPA, A.C.S. et al. A influência do estado nutricional da adolescente grávida sobre o tipo de parto e o peso do recém-nascido. RBGO, SAUNDERS, C.C.; BESSA, M.T.A. Assistência Nutricional Pré Natal. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: Cultura médica, p VITOLO, M.R. Nutrição da gestação ao e envelhecimento. Ed. Rubio, Rio de Janeiro, WILLIAMS, S.R. Nutrição durante a gravidez e lactação. Fundamentos de nutrição e dietoterapia. 6a ed. Porto Alegre: Artes Médicas; Anexos

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