BENEFÍCIOS OBTIDOS APÓS A IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS ERP

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1 UNIVERSIDADE UNIGRANRIO PROGRAMA DE MESTRADO E DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: GESTÃO ORGANIZACIONAL BENEFÍCIOS OBTIDOS APÓS A IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS ERP LEANDRO ROCHA FURINI RIO DE JANEIRO 2014

2 LEANDRO ROCHA FURINI BENEFÍCIOS OBTIDOS APÓS A IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS ERP Dissertação apresentada à Escola de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade do Grande Rio Prof. José de Souza Herdy, como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre em Administração. Orientadora: Prof.ª Marta Dalbem RIO DE JANEIRO 2014

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4 CATALOGAÇÃO NA FONTE/BIBLIOTECA - UNIGRANRIO F984b Furini, Leandro Rocha. Benefícios obtidos após a implantação de sistemas ERP / Leandro Rocha Furini f. ; 31 cm. Dissertação (mestrado em Administração) Universidade do Grande Rio Prof. José de Souza Herdy, Escola de Ciências Sociais Aplicadas, 2014.

5 Agradecimentos Esta dissertação de mestrado não seria possível sem o apoio e a participação de algumas pessoas, as quais gostaria de destacar nestes agradecimentos: Agradeço à minha esposa Thatiani que soube suportar todas as minhas ausências, mesmo quando estava fisicamente em casa, mas concentrado em meus estudos. Sem o apoio e compreensão dela não seria possível concluir esse trabalho. À professora Marta Dalbem, pelas inúmeras dicas e revisões de texto, desde a idéia inicial até o fechamento do estudo, mesmo com as mudanças que foram necessárias devido aos percalços encontrados. E, claro, às empresas que participaram da pesquisa, sem as quais este estudo não poderia ter sido realizado.

6 Resumo: Esta pesquisa quali-quantitativa busca identificar quais benefícios operacionais, gerenciais, tecnológicos, estratégicos, organizacionais e financeiros são auferidos por empresas que implantaram ERPs. Por meio de entrevistas em 3 empresas dos setores elétrico, construção e financeiro, identificaram-se quais, dentre os benefícios listados na literatura, foram de fato observados nas empresas. Este estudo sinaliza que o ERP traz diversos desses benefícios esperados às empresas, principalmente aqueles ligados a questões operacionais, gerenciais, estratégicas e organizacionais, mas menos que o esperado nas questões relacionadas à Tecnologia da Informação. Como as empresas entrevistadas não monitoraram os benefícios financeiros, uma análise não paramétrica dos indicadores financeiros de 14 empresas abertas, antes e depois da adoção dos ERPs, permitiu identificar que os ERPs podem ter contribuído para a redução da rentabilidade das empresas, embora tenham gerado melhoras na gestão do capital de giro. Este benefício também foi identificado na pesquisa qualitativa, que apontou redução do tempo de ciclo e melhora na produtividade. Outros benefícios também foram ressaltados, como melhor controle de desempenho, melhor Governança Corporativa, liderança de custo/economias de escala, mudança da cultura organizacional para uma cultura focada em resultados. Na contramão destes benefícios encontrados, a pesquisa qualitativa indicou piora nos custos gerais de TI, na motivação dos funcionários e na rentabilidade das empresas. Apesar da percepção geral de que a implantação de ERPs foi benéfica às empresas, constatou-se que as empresas entrevistadas não monitoraram de forma estruturada o seu impacto, não sendo possível afirmar que os benefícios superam os custos de implantação. Finalmente, com base nos pontos levantados na literatura e nas entrevistas, este trabalho propõe métricas para que esse acompanhamento dos benefícios possa ser feito de forma tangível nas empresas. Palavras-chave ERP, Tecnologia da informação, Índices financeiros, Governança corporativa.

7 Abstract: This qualitative and quantitative research seeks to identify which operational, managerial, technological, strategic, organizational and financial benefits are earned by companies that have implemented ERP systems. Through interviews in 3 companies of electrical, construction and financial sectors, based on literature, we have identified which of the benefits were in fact observed in the companies. This study indicates that ERP brings many of those expected benefits to companies, especially those related to operational, managerial, strategic and organizational issues, but less than expected in matters related to IT. As the interviewed companies did not monitored the financial benefits, a non-parametric analysis of financial ratios about 14 listed companies, before and after the adoption of ERP, allows to identify that ERPs may have contributed to the reduction of corporate profitability, although they have generated improvements management of working capital. This benefit was also identified in the qualitative research, which showed a reduction in cycle time and improves productivity. Other benefits were also highlighted as better control performance, better corporate governance, cost leadership / economies of scale, organizational culture change towards a results focused culture. On the other hand, qualitative research indicated worsening in overall IT costs, in employee motivation and corporate profitability, which confirms the results of quantitative research. Despite the general perception that the implementation of ERPs was beneficial to companies, it was found that the interviewed companies not monitored in a structured way its impact and it s not possible to say that the benefits outweigh the costs of implementation. Finally, based on the points raised in the literature and interviews, this paper proposes metrics for monitoring the benefits that this can be done in a tangible way in business. Key-words ERP, Information tecnology, Financial ratios, Corporate Governance.

8 Sumário 1 INTRODUÇÃO FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA OBJETIVOS DA PESQUISA JUSTIFICATIVAS TEÓRICA E PRÁTICA DELIMITAÇÃO REVISÃO DE LITERATURA ESTUDOS SOBRE BENEFÍCIOS DOS ERPS REFERENCIAL TEÓRICO CONSOLIDADO METODOLOGIA ANÁLISE QUALITATIVA ANÁLISE QUANTITATIVA Índices Financeiros e Variáveis de Controle Utilizados ANÁLISE DOS RESULTADOS RESULTADOS DA ANÁLISE QUALITATIVA Análise da Empresa Elétrica Análise da Empresa Construtora Análise da Empresa Financeira Análise Consolidada das Entrevistas RESULTADOS DA ANÁLISE QUANTITATIVA Testes Estatísticos e Hipóteses Estatítica Descritiva e Teste de Wilcoxon Regressão CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS... 88

9 Lista de Tabelas Tabela 1 Tabela 2 Tabela 3 Tabela 4 Tabela 5 Tabela 6 Tabela 7 Tabela 8 Tabela 9 Tabela 10 Tabela 11 Tabela 12 Tabela 13 Estudos do impacto da implantação de ERPs no desempenho financeiro Benefícios da Implantação de ERPs Empresas selecionadas para análise quantitativa Análise consolidada das entrevistas Métricas de Avaliação dos Benefícios Obtidos Resultados esperados para o teste de Wilcoxon Estatística Descritiva dos Índices Financeiros Teste de Normalidade Dimensão das Amostras - teste de Wilcoxon Análise da Significância - teste de Wilcoxon Análise da Significância do modelo de Regressão Análise do R² do modelo de Regressão Análise dos coeficientes do modelo de Regressão

10 Siglas e Abreviaturas BI DRE ERP TI IBGC IFRS MRP PPR ROA ROI ROS PMDD PME PMF PMPF PMV VCE XML Business Intelligence Demonstrativo de Resultados do Exercício Enterprise Resource Planning Tecnologia da Informação Instituto Brasileiro de Governança Corporativa International Financial Reporting Standards Materials Requirement Planning Personalized Product Recommendations Retorno sobre ativos Retorno sobre investimentos Retorno sobre vendas Prazo médio de desconto de duplicatas Prazo médio de estoque Prazo médio de fornecedores Prazo médio pagamento de fornecedores Prazo médio de vendas Virtual customer environments Extensible Markup Language

11 9 1 INTRODUÇÃO Vistos por muitos como solução para os problemas de gestão empresarial, os sistemas integrados de gestão ou ERP - Enterprise Resource Planning, passaram a ser largamente utilizados pelas empresas. ERPs são sistemas que objetivam integrar todas as informações geradas na empresa por intermédio de uma base de dados única. No início dos anos 2000 muitos estudos sobre ERPs e sua implantação foram realizados. Na época, os pesquisadores buscavam entender quais eram as mudanças ocorridas em uma organização com a informatização de sua gestão, partindo de modelos de gestão pouco informatizados e descentralizados, para modelos de gestão centralizados a partir destes sistemas. Uma década depois, a maioria das empresas já se encontram informatizadas. Agora, o que move o processo contínuo de investimentos em TI nas empresas é a necessidade das organizações de se ajustarem ao ambiente para a consequente manutenção de seus lucros, crescimento, perenidade, entre outros objetivos. Para tal, as organizações deparam-se com a necessidade de alterar estruturas, processos internos e tecnologias. Em função da grande presença da tecnologia nos processos atuais de negócio, frequentemente as necessidades de mudança envolvem decisões sobre as soluções de tecnologia de informação (TI), dentre elas os softwares ERP. Ao longo dos anos, do ponto de vista tecnológico e de processo, vários estudos foram realizados para determinar os impactos da implantação destes sistemas nas organizações. Como exemplo, Saccol et al (2003) apresentam em seus estudos os seguintes impactos decorrentes do processo de implantação de sistemas ERP: impactos tecnológicos, impactos estruturais e impactos comportamentais. Existem outros impactos que precisam ser entendidos e observados, entre eles as questões operacionais, estratégicas, gerenciais, organizacionais e

12 10 financeiras, também bastante relevantes. No mercado, a busca por soluções que tragam, além da simples informatização, ganhos de processo, ganhos de mercado e melhores resultados, trouxe como consequência a busca por melhores soluções de sistemas e um aumento nos investimentos em softwares. De acordo com o estudo Mercado Brasileiro de Software Panorama e Tendências realizado em 2012 pela Associação Brasileira de Empresas de Software ABES, os investimentos com aquisição ou cessão de uso de software cresceram 15,7% em 2011 e 26,7% em 2012, chegando a USD 27.2 Bn. Engelbert e Graeml (2011) descrevem estes e outros custos oriundos de processos de troca de tecnologias pelas empresas, antes e durante o processo de troca de tecnologia, mas não os benefícios financeiros auferidos. Uma análise custos versus benefícios permite diagnosticar se um investimento em ERP agrega de fato valor às empresas mas, dado o caráter multifacetado e algumas vezes intangível dos benefícios auferidos por sistemas ERP, resta a dúvida se as empresas os têm analisado de forma estruturada e, também muito importante, como têm mensurado tais benefícios. Este trabalho busca contribuir ao desafio de como monitorar os impactos de um ERP nas empresas, primeiro, levantando na literatura os benefícios que ERPs podem trazer para as empresas e, depois, identificando se tais benefícios ou outros - foram percebidos em 3 empresas brasileiras, de tamanhos e setores diferentes. Este estudo relata as experiências dessas empresas, colhidas por meio de entrevistas com participantes ativos na implantação. A esse estudo qualitativo, soma-se um estudo quantitativo em que os índices financeiros de 14 empresas abertas foram analisados, antes e depois da implantação de ERPs. Afinal, sugerimos métricas para acompanhamento durante o processo e pós a implantação de ERPs, as quais podem auxiliar as empresas em processo de negociação junto a provedores de ERPs.

13 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA Para subsidiar a tomada de decisão sobre a adoção de um sistema ERP, é de suma importância entender e mensurar os seus benefícios. Desta forma, foca-se neste estudo o levantamento e a análise das mudanças observadas após a implantação de ERPs, objetivando responder às seguintes questões: Quais os benefícios da implantação de Sistemas ERP? As empresas têm mensurado esses benefícios? 1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA Como objetivo geral, busca-se neste estudo identificar quais são os benefícios obtidos após a implantação de sistemas ERP. Para tal, buscam-se os seguintes objetivos intermediários: Identificar o que leva as empresas a investir em implantação de softwares ERP; Identificar quais benefícios, tangíveis e intangíveis, financeiros ou não financeiros, espera-se obter com a implantação de um sistema ERP; Haja vista que algumas empresas que implantaram ERPs divulgam demonstrativos financeiros publicamente, e que esta é uma fonte de informação que poderia ajudar a responder a uma das questões de pesquisa prescindindo-se das percepções dos executivos, julgou-se importante identificar na literatura quais indicadores financeiros podem melhor explicar as mudanças ocorridas no desempenho financeiro de uma empresa; A partir de pesquisa qualitativa, identificar a percepção dos executivos quanto aos benefícios obtidos após a implantação de um sistema ERP, e se tais benefícios foram mensurados.

14 12 A partir de análise quantitativa de demonstrativos financeiros públicos, identificar se e quanto o desempenho financeiro é impactado pela implantação e quais indicadores financeiros sofrem maior impacto; 1.3 JUSTIFICATIVAS TEÓRICA E PRÁTICA Do ponto de vista tecnológico e de processo, as dificuldades a serem enfrentadas durante a implantação ou substituição de sistemas ERPs são relevantes, mas também bastante conhecidas e exploradas na literatura. Contudo, há pouca pesquisa empírica sobre os benefícios auferidos, em especial no Brasil. Entender quais são os benefícios obtidos, e se as empresas os têm observado de forma estruturada, é o foco desta pesquisa, cujos resultados podem ser úteis à academia e ao mundo corporativo. 1.4 DELIMITAÇÃO Este trabalho analisa empresas que efetuaram implantação de seus ERPs de 2008 a 2012, período este onde ainda há memória nas empresas sobre o tema. Esta delimitação temporal também permite que o pósimplantação esteja fora do momento mais crítico da crise financeira internacional e da convergência ao IFRS 1. Na pesquisa qualitativa, dada a dificuldade de acesso e também de identificar executivos ainda nas empresas e que tivessem acompanhado o processo de implantação e sua efetividade, a amostra se restringiu a três empresas brasileiras, de capital nacional, sendo uma do setor elétrico, uma do setor de construção e outra do setor financeiro, de tamanhos variados. Destas, apenas a empresa do setor elétrico é de capital aberto e a de construção é de controle familiar. Essas características variadas trazem riqueza de informações e reflexões sobre o tema, mas dificultam generalizações. Para a análise quantitativa-financeira, foram consideradas apenas empresas de capital aberto negociadas na Bovespa e, portanto, com 1 IFRS International Financial Reporting Standards - são normas internacionais de contabilidade publicados e revisados pelo International Accounting Standards Board (IASB)

15 13 demonstrativos financeiros divulgados ao público. Além disso, foram consideradas somente as empresas onde se pode identificar, por meios dos sites dos provedores de ERPs, o período em que houve a implantação dos sistemas. Como resultado destas restrições, a análise quantitativa utilizou uma amostra de 14 empresas brasileiras e os resultados dos testes estatísticos restringem-se a essa pequena amostra.

16 14 2 REVISÃO DE LITERATURA Um sistema integrado de gestão, comumente chamado de ERP - Enterprise Resource Planning, é um software de planejamento que integra os dados-chave e a comunicação entre as áreas da empresa, fornecendo informações detalhadas sobre suas operações (BUCKHOUTet al., 1999). Com primórdios no início da década de 90, sua inserção no Brasil acentuou-se a partir de Segundo Saccol et al (2003, p.326), as empresas passaram a adotar o sistema como uma nova plataforma tecnológica, abandonando seus sistemas legados, que precisariam ser adaptados. Schmitt (2004) justifica a disseminação de ERPs lembrando que o custo de matérias-primas cresceu de 30-40% do custo final dos produtos na década de 1940 para 60 a 70% nos anos 1990, exigindo eficiência na gestão de estoques para ter competitividade no mercado. A expansão acelerada da tecnologia e o dinamismo das mudanças no ambiente de negócios contribuíram ainda mais para desenvolver os Sistemas de Informação, dentre eles, o próprio ERP. Os sistemas ERP surgiram da evolução dos sistemas MRP Materials Requirement Planning, este com objetivos ainda estreitos de administração de estoque. Segundo Corrêa, Gianesi e Caon (2001), ao módulo básico MRP foram depois agregados módulos de outras funções da cadeia de suprimentos como: o planejamento da capacidade de produção (RCCP - Rough-Cut Capacity Planning e CRP Capacity Requirements Planning), o planejamento de vendas e operação (S&OP Sales and Operations Planning), a programação-mestre da produção (MPS Master Production Schedule), o controle de compras (PUR - Purchasing) e o controle da fábrica (SFC - Shop Floor Control). Com estes módulos, estes sistemas passaram a se chamar MRP II, ainda com foco no cumprimento dos planos de entrega de produtos com menor custo de estoques (CORRÊA et al, 2001). Depois da informatização e integração do processo produtivo, surgiu a necessidade de integrá-lo às demais áreas, visando aumentar o controle e

17 15 melhorar o processo decisório. Aos MRP II foram, então, acrescidos módulos de: controladoria, gerenciamento financeiro, compras, apoio às atividades de vendas e gerenciamento de recursos humanos, entre outros. Estes módulos, integrados em sistemas únicos, passaram a ser chamados de sistemas ERP (Corrêa et al., 2001) que, na definição mais ampla de Cavalcanti (2001, p.185), levam em consideração a visão de processo de uma organização com a finalidade de atingir as suas metas, integrando todas as áreas e funções do negócio. Hehn (1999) descreve que os módulos de sistemas ERP partilham dos mesmos dados, favorecendo a eficiência e minorando o risco de inconsistências, usando processos de trabalho padronizados que tendem a adotar as melhores práticas de cada função. Souza & Zwicker (2001) também destacam a forma de trabalho padronizado e ainda que sistemas ERP procuram atender a requisitos genéricos do maior número possível de empresas, incorporando modelos de processos de negócio obtidos pela experiência acumulada de fornecedores, consultorias e pesquisas benchmarking. Este é um ponto importante, pois a implantação de um software ERP traz consigo a necessidade da adequação da forma de trabalho ao novo sistema, que não aceita customizações relevantes. Miltello (1999) lembra que em um ERP todos os processos são documentados e contabilizados, gerando regras bem definidas e permitindo maior controle sobre alguns pontos vulneráveis do negócio, como a administração de custos, controle fiscal e estoques. O apoio às decisões estratégicas é outro benefício apontado por Cunha (1998) e Wood Jr. (1999), este lembrando que ERPs agilizam a tomada de decisão e podem ser aplicados, com adaptações, a qualquer empresa, permitindo o monitoramento em tempo real. Isso se tornou mais necessário a partir da integração de empresas transnacionais e da tendência de substituição de estruturas funcionais por estruturas ancoradas em processos. Buckout et al. (1999) reforçam a facilidade de controle sobre a empresa como benefício de ERPs. Com o crescimento da competição, maior controle

18 16 favorece a lucratividade e a perenidade, além de atender à crescente exigência por governança corporativa, rapidez no processamento de informações, maior aproximação com os consumidores e satisfação, todos exemplos dos novos desafios impostos às empresas. Turban, Mclean e Wetherbe (2004) e Lozinski (1996) citam a redução de mão de obra, devido à simplificação e automatização dos processos. Hypolito e Pamplona (1999, p. 6) citam benefícios tangíveis - ligados a ganhos reais como os ganhos de capital com a redução de estoques, eliminação de atividades que não agregam valor, redução de horas e até mesmo de funcionários -, e intangíveis, como a maior satisfação dos clientes internos e externos, velocidade de funcionamento, confiabilidade na tomada de decisões, redução de riscos em decisões gerenciais. Até os anos 2000, ERPs foram implantados como parte da própria informatização das empresas. A partir dos anos 2000, a maioria das empresas já se encontrava informatizada, mas em função da grande presença de tecnologias nos processos de negócio, frequentemente as necessidades de mudança estratégica passaram a envolver soluções de tecnologia de informação (TI), dentre elas a introdução de novos softwares ERPs ou mesmo a agregação de novos módulos aos ERPs existentes. Batista (2005) lembra que informações precisas e confiáveis e mecanismos que auxiliem os profissionais a melhor estudar as informações são de fundamental importância. Esta ideia é reforçada por Rezende e Abreu (2009), que ressaltam a informação cada vez mais ágil, democratizada e sem barreira de distância, graças à tecnologia; portanto, TI é vista hoje como fonte geradora de negócios. Uma boa gestão da informação permite agregar valor quando permite à empresa perceber oportunidades e ameaças a sua operação, detectando problemas e tendências, informações sobre o cliente e o mercado. Passam a ser temas frequentes na literatura o alinhamento entre TI e estratégia organizacional, TI como forma de interação com o consumidor, TI como patrocinadora de uma cadeia de valor que incorpora fornecedores e clientes.

19 17 Os estudos de alinhamento estratégico entre negócio e TI têm mais de quinze anos. Henderson e Venkatraman (1999) descrevem que TI está transcendendo seu papel original de BackOffice, evoluindo para um papel estratégico, não só no suporte das estratégias de negócio, mas também ajudando a definir novas estratégias. Ainda, que a simples utilização de uma aplicação (software) não é suficiente para prover à empresa vantagem competitiva; esta vantagem é obtida da capacidade de explorar as informações geradas, o que requer uma grande mudança no papel de TI na organização. Para Lederer & Burky (1988) e Reich & Benbasat (2000) os objetivos e os planos de TI devem ser originados da missão, objetivos e planos de negócio da organização, e vice-versa. Chane e Reich (2007) descrevem que, por duas décadas, o alinhamento estratégico de TI tem se tornado assunto comum entre executivos. Neste sentido, espera-se que ERPs que considerem esta perspectiva contribuam com um melhor desempenho da empresa. McKenna (1995) já lembrava que consumidores têm mais informações sobre os produtos, mais produtos para escolher e das mais diversas formas - shoppings, lojas especializadas, catálogos, telefone e internet -, o que diminui a fidelidade às marcas, exigindo das empresas esforço para estabelecer e consolidar suas marcas. Zang et al. (2011) descrevem a significância da Internet como canal de comércio, não só devido à comunicação entre indivíduos, mas também à relação entre empresas e consumidores, que podem se tornar mais duradoura. Sites de vendas e interação online com consumidores são ferramentas poderosas e este canal tem sinergia com os sistemas ERP os quais, portanto, ganham importância na era do comércio digital. Os mesmos autores citam o PPR Personalized Product Recommendations, que refere-se à personalização de recomendações de produtos, de acordo com as preferências e gosto dos consumidores, advindas do processo de aprendizado obtido na relação varejista em meios eletrônicos como a internet. Zang et al identificaram que existe maior lealdade dos consumidores em processos de compra online do que na forma de comércio

20 18 tradicional, sendo a intenção de recompra diretamente ligada à qualidade dos PPRs. Mais recentemente, empresas como Microsoft, Cisco, Nokia, Volvo e Nike estabeleceram ambientes virtuais de consumidores (VCE virtual customer environments), que vão desde pequenos grupos de discussão online até sofisticados centros de protótipos de produtos. Em alguns casos as empresas incorporam mecanismos para integrar inovações propostas por estes fóruns com os sistemas internos de desenvolvimento de produtos (NAMBISAN, 2008). PPRs e VCEs podem ser considerados importantes estratégias de negócio e ter softwares ERPs que permitam o uso destas ferramentas é fator importante que pode influenciar uma empresa a substituir seu software. A sinergia pode acontecer também em outras etapas da cadeia de valor: recursos tecnológicos permitem que fornecedores e clientes troquem informações sobre suprimentos e produção (Ghiassi&Spera, 2003), permitindo inflenciar processos externos que têm efeito direto na produção. O caso da Dell, descrita por Magretta (1998), ilustra TI/ERPs como meio para integração de toda a cadeia de valor a partir do foco no consumidor, agregando fornecedores, customização em massa e produção just-in-time. De acordo com Engelbert e Graeml (2011), os custos de troca de tecnologia podem ser determinantes na decisão e limitar ou até impedir que tal troca ocorra. Os autores destacam custos de: seleção, aquisição, ativação, aquisições complementares ao software, contratação de fornecedores especializados, compatibilização de sistemas e de formatos de informações, aquisições ligadas aos efeitos de rede e comprometimento da cadeia, aprendizado, estabelecimento de novos relacionamentos, formais, contratuais, relacionados à troca quando em programas de fidelidade, psicológicos, custos de oportunidade e de volta (caso ocorram problemas na implantação). Mediante esta extensa relação de custos de implantação de um ERP, é de suma importância entender os ganhos, ou seja, os benefícios subsequentes à implantação.

21 19 Souza e Zwicker (2001) avaliaram as razões para implantação de ERP e identificaram quatro respostas relevantes ao contexto, na época: a) integração de processos e informação, b) acompanhar tendências, c) pressão da matriz e/ou acionistas, d) não perder terreno para concorrentes. As respostas são sinais de institucionalização da adoção de ERPs, deixando dúvidas se as empresas têm tido disciplina em mensurar seus benefícios ou mesmo em fazer uma análise custo versus benefício desta decisão. Afinal, os benefícios amplos anteriormente citados têm sido atingidos? Há outros benefícios a identificar? Os benefícios têm sido mensurados? Os benefícios compensam os custos? Diversos autores têm estudado os benefícios da implantação de um ERP, como se detalhará na seção ESTUDOS SOBRE BENEFÍCIOS DOS ERPS Shang & Seddon (2000), autores seminais na análise da pósimplementação, consideram cinco dimensões de benefícios esperados: operacionais, gerenciais, estratégicos, de TI e organizacionais. Estas cinco dimensões e suas sub-classificações foram obtidas a partir da revisão da literatura de tecnologia da informação desde 1970, sob o ponto de vista da alta gerência das organizações, além da análise dos benefícios descritos pelos fornecedores de software e da percepção de 267 empresas que utilizam o software, sendo 233 avaliações obtidas a partir de 233 cases de sucesso encontrados na web e 34 entrevistas diretas. Wu et al (2008), descrevem que implantar sistemas ERPs sempre envolvem muitas incertezas e os autores usam um quadro de análise baseado em opções reais para melhorar o processo de decisão em utilizar sistemas ERPs. Usando um algoritmo que tenta calcular e valorar os benefícios obtidos com o uso destes softwares, determinam o valor presente (NPV) dos investimentos em ERP considerando dois grupos de benefícios esperados: tangíveis e intangíveis. Para valorar os benefícios tangíveis, os autores consideram em seu modelo a variável lucro líquido após a implantação total do software.

22 20 Em relação aos benefícios intangíveis, e baseando-se no modelo de criação de valor de Kalafute Low (2001), Wu et al (2008) descrevem 9 grupos e 25 itens de avaliação destes benefícios. Os grupos de benefícios descritos são: capacidade de inovação empresarial, relações com consumidor, alianças com parceiros, gestão de tecnologia, marca e imagem, relações com funcionários e questões de ambiente e comunidade. Com base nos estudos de Shang & Seddon (2000) e Wu et al (2008), propõe-se nesta pesquisa um quadro ampliado de avaliação dos benefícios do uso de ERPs, como referencial teórico. Para tal, analisaram-se os itens de avaliação coincidentes, bem como os itens que podem ser complementares. Entendendo o estudo de Shang e Seddon (2000) como mais focado em relação à análise dos benefícios, optou-se por manter a proposta e a forma de agrupamento de benefícios destes autores e incrementar o modelo, com itens complementares do estudo de Wu et al (2008) e dos demais autores apontados nesta revisão de literatura. Identificou-se ainda que estes trabalhos são pouco específicos nas questões financeiras e de governança corporativa e, portanto, a necessidade de incorporar ao quadro referencial teórico um maior detalhamento destes benefícios. O impacto financeiro de um ERP pode ser medido pela análise de indicadores financeiros, obtidos a partir das demonstrações financeiras e contábeis das empresas (WESTON e BRIGHAM, 2008; ASSAF NETO, 2006). Alguns estudos têm medido o impacto da implantação de um ERP nos resultados de uma empresa. Wieder et al. (2006), por exemplo, analisaram o retorno sobre ativos (ROA), retorno sobre investimentos (ROI) e retorno sobre vendas (ROS). Além destes indicadores, incluíram também o percentual de crescimento de vendas, redução de custos e analisaram o fluxo de caixa. A análise foi aplicada em 102 empresas australianas que implantaram ERPs e os principais resultados contradizem as afirmações de fornecedores ERPs, na medida em que não

23 21 foram encontradas diferenças significativas de desempenho entre os ERPadotantes e não-adotantes. Lu e Jinghua (2012), de forma complementar, analisaram os efeitos moderadores de governança corporativa, diversificação e crescimento da indústria no desempenho financeiro pós ERP. Em amostra de 137 empresas usuárias de ERP e listadas em bolsas nos EUA de 1998 a 2007, os autores utilizaram o retorno sobre ativos (ROA) como variável dependente e definiram o grau de governança corporativa, diversificação e crescimento da indústria, além do tamanho e estrutura de capital da empresa como variáveis independentes. Via regressão, identificaram que empresas com maior nível de governança corporativa tiveram melhor ROA do que empresas com baixo nível de governança, no pós-implantação. Por outro lado, empresas com alto grau de diversificação tiveram resultados piores do que empresas com pouca ou nenhuma diversificação, enquanto em mercados com bom crescimento o ROA foi melhor do que os de empresas em mercado com pouco ou nenhum crescimento. Hassab Elnaby et al (2012), em estudo semelhante, investigaram o efeito mediador tanto da estratégia de negócios quanto das capacidades organizacionais das empresas. Para tal, buscaram entender a relação entre o ROA e estas variáveis a partir da análise de dados financeiros de 469 empresas americanas que efetuaram implantação de ERPs. Concluem que ERPs têm um significante e positivo impacto em empresas que têm estratégias de prospecção de negócios e que um ERP não apenas é útil para o controle de custos, mas que também contribui para o desenvolvimento de novos produtos. No Brasil, Faria (2010) buscou identificar em que nível investimentos em TI impactam no resultado, a partir da análise do retorno operacional (ROP) de bancos em relação a seus investimentos em TI e em pessoal. A partir de uma análise cross-section, identificou que em todos os anos do período de 1997 a 2008, os investimentos em TI, bem como os gastos com pessoal, tiveram impacto positivo no resultado operacional dos bancos no Brasil.

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