Cancro da Mama. Estrutura normal das mamas. O que é o Cancro da Mama

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1 Cancro da Mama O Cancro da Mama é um tumor maligno que se desenvolve nas células do tecido mamário. Um tumor maligno consiste num grupo de células alteradas (neoplásicas) que pode invadir os tecidos vizinhos e disseminar-se (metastizar) para outros órgãos do corpo. É mais frequente nas mulheres mas pode atingir também os homens. Estrutura normal das mamas As mamas são os órgãos responsáveis pela produção de leite. A mama feminina é formada por múltiplos lóbulos (unidades produtoras de leite), ductos (canais que ligam os lóbulos ao mamilo) e estroma (tecido adiposo e conjuntivo que rodeia e suporta os ductos, lóbulos, vasos e linfáticos). Os músculos peitorais que recobrem as costelas e que se situam abaixo da mama não fazem parte dela. Nas mulheres, as mamas podem ter tamanhos, formas e consistências variadas e, durante a vida, mudam em função da idade, ciclo menstrual, gravidez, menopausa, uso de pílulas anticoncepcionais ou por factores hormonais. O que é o Cancro da Mama O organismo humano é constituído por triliões de células que se reproduzem pelo processo de divisão celular. Em condições normais, este é um processo ordenado e controlado, responsável pela formação, crescimento e regeneração de tecidos saudáveis do corpo. Algumas vezes, no entanto, as células perdem a capacidade de limitar e comandar o seu próprio crescimento passando, então, a dividir-se e multiplicar-se muito rapidamente e de maneira aleatória. Como consequência dessa disfunção celular, isto é, desse processo de multiplicação e crescimento desordenado das células, ocorre um desequilíbrio na formação dos tecidos do corpo, no referido local, formando o que se conhece como tumor. O cancro da mama, muitas vezes, apresenta-se como uma massa dura e irregular que, quando palpada, se diferencia do resto da mama, pela sua consistência.

2 Tipos de Cancro da Mama É importante conhecer alguns dos termos utilizados para descrever os cancros da mama, porque o tratamento e prognóstico variam de doente para doente e em função do tipo de tumor. Adenocarcinoma: quase todos os tumores malignos da mama têm origem nos ductos ou nos lóbulos da mama, que são tecidos glandulares. Os dois tipos mais frequentes são o carcinoma ductal e o carcinoma lobular. In situ: este termo define o cancro da mama precoce, quando se encontra limitado aos ductos (carcinoma ductal in situ) ou lóbulos (carcinoma lobular in situ), sem invasão dos tecidos mamários vizinhos ou de outros órgãos. Carcinoma ductal in situ (CDIS): o carcinoma ductal in situ é o tumor da mama não invasivo mais frequente. Praticamente todas as mulheres com CDIS podem ser curadas. A mamografia é o melhor método para diagnosticar o cancro da mama nesta fase precoce. Carcinoma lobular in situ (CLIS): embora não seja um verdadeiro cancro, o CLIS é por vezes classificado como um cancro da mama não invasivo. Muitos especialistas pensam que o CLIS não se transforma num carcinoma invasor mas as mulheres com esta neoplasia têm um maior risco de desenvolver cancro da mama invasor. Carcinoma ductal invasor (CDI): este é o cancro invasor da mama mais frequente. Tem origem nos ductos e invade os tecidos vizinhos. Nesta fase pode disseminar-se através dos vasos linfáticos ou do sangue, atingindo outros órgãos. Cerca de 80% dos cancros da mama invasores são carcinomas ductais. Carcinoma lobular invasor (CLI): tem origem nas unidades produtoras de leite, ou seja, nos lóbulos. À semelhança do CDI pode disseminar-se (metastizar) para outras partes do corpo. Cerca de 10% dos cancros da mama invasores são carcinomas lobulares.

3 Carcinoma inflamatório da mama: este é um cancro agressivo mas infrequente, correspondendo a cerca de 1% a 3% de todos os cancros da mama. Outros tipos mais raros de cancro da mama são o Carcinoma Medular, o Carcinoma Mucinoso, o Carcinoma Tubular e o Tumor Filoide Maligno, entre outros. Sinais ou sintomas mais comuns no Cancro da Mama O cancro, assim como outras doenças, frequentemente, apresenta sintomas que devem ser observados. Por essa razão, pode-se dizer que, de certa forma, o diagnóstico começa com a observação de qualquer alteração no funcionamento geral do organismo. O cancro da mama pode apresentar diversos sintomas: - aparecimento de nódulo ou endurecimento da mama ou debaixo do braço. - mudança no tamanho ou no formato da mama. - alteração na coloração ou na sensibilidade da pele da mama ou da auréola. - secreção contínua por um dos ductos. - retracção da pele da mama ou do mamilo. - inchaço significativo ou retracção da pele. O cancro da mama, quando no início, pode ser tratado antes que se espalhe, quando as hipóteses de cura são maiores, os tratamentos menos agressivos e não mutilantes. Portanto, ao sentir qualquer alteração em suas mamas, deve recorrer ao seu médico.

4 Como é feito o diagnóstico do Cancro da Mama É fundamental que o diagnóstico do cancro da mama seja feito o mais precocemente possível, pois isto aumenta as hipóteses de cura, evita que o cancro se espalhe (metastize) para outras partes do corpo, favorecendo o prognóstico, a recuperação e a reabilitação. Para um diagnóstico precoce do cancro da mama, é necessário que todas as mulheres: - Façam um auto-exame das mamas mensalmente, após o período menstrual - Vão ao médico especialista em patologia mamária uma vez por ano - Sejam integradas em programas de rastreio O exame clínico da mama pode confirmar ou esclarecer o seu auto-exame, e o médico especialista em mamas é a pessoa mais indicada para isso. Como é feito o diagnóstico clínico do cancro da mama Para fazer o diagnóstico, o médico submeterá a mulher a um cuidadoso exame clínico e fará algumas perguntas sobre a história familiar. Palpação Palpando a mama com as mãos, o médico poderá sentir a presença de um nódulo. Neste caso, ele poderá solicitar alguns exames, tais como: Mamografia É o principal exame das mamas, realizado através de raios X específico para examinar as mamas. Como é muito preciso, permite ao médico saber o tamanho, localização e as características de um nódulo com apenas alguns milímetros, quando ainda não poderia ser sentido na palpação. Faça uma mamografia de rotina sempre que solicitada pelo seu médico.

5 Ultrassonografia (ecografia) Complementa a mamografia e informa se o nódulo é sólido ou contém líquido (cisto). Citologia aspirativa Por meio de uma agulha fina e de uma seringa, o médico aspira certa quantidade de líquido ou uma pequena porção do tecido do nódulo para exame microscópico. Esta técnica esclarecerá se trata de um cisto (preenchido por fluido), que não é cancro, ou de um nódulo sólido, que pode ou não corresponder a um cancro. Biopsia É o procedimento (cirúrgico ou não) para colher uma amostra do nódulo suspeito. O tecido retirado é examinado ao microscópio pelo patologista. Este procedimento permite confirmar se estamos perante um cancro da mama. Receptores hormonais (estrógeno e progesterona) São testes de laboratório solicitados pelo médico, caso o cancro seja diagnosticado durante a biopsia. Estes testes revelam se as hormonas podem ou não estimular o crescimento do cancro. Com esta informação, o médico pode decidir se é ou não aconselhável a indicação de um tratamento à base de hormonas. Esses testes são feitos no tumor e a amostra é colhida durante a biopsia. Caso a biopsia detecte um tumor maligno, outros testes laboratoriais serão feitos no tecido para que se obtenha mais dados a respeito das características do tumor. Também serão solicitados exames (raio X, exames de sangue, ecografia, cintilograma ósseo, provas de função hepática etc.) para verificar se o cancro está presente em outros órgãos do corpo. Todos os testes e exames solicitados pelo médico têm como objectivo avaliar a extensão e o estádio da doença no organismo.

6 O sistema de estadiamento do cancro da mama leva em conta o tamanho do tumor, o envolvimento de gânglios linfáticos da axila próxima à mama e a presença ou não de metástases a distância. O cancro da mama é classificado em estádios: Estádio 0: Corresponde ao Carcinoma ductal in Situ Estádio I: Quando o tumor tem até 2cm, sem qualquer evidência de se ter espalhado pelos gânglios linfáticos próximos. Estádio II: Inclui tumores de até 5cm, mas com envolvimento de gânglios linfáticos ou então, um tumor primário com mais de 5cm, sem metástases. Estádio III: Quando o tumor tem mais de 5cm e há envolvimento dos gânglios linfáticos da axila do lado da mama afectada. Estádio IV: Quando existem metástases distantes, como no fígado, ossos, pulmão, pele ou outras partes do corpo. Uma vez identificado o estádio, é possível ao médico planear o tratamento mais adequado.

7 Tratamentos utilizados no combate ao cancro da mama O cancro da mama tem boas opções de tratamento. A escolha depende de: - do estádio da doença. - do tipo do tumor. - do estado geral de saúde da paciente. O especialista em patologia mamária é a pessoa mais indicada para avaliar e escolher o tratamento mais adequado a cada caso. O cancro da mama pode ser tratado por meio de cirurgia, radioterapia, quimioterapia, ou terapia hormonal. Dependendo das necessidades de cada paciente, o médico poderá optar por um ou pela combinação de dois ou mais tratamentos. Cirurgia - é o tratamento inicial mais comum e o principal tratamento local. O tumor da mama será removido, assim como os gânglios linfáticos da axila (esses gânglios filtram a linfa que flui da mama para outras partes do corpo e é através deles que o cancro pode alastrar-se). Existem vários tipos de cirurgia para o cancro da mama, e eles são indicados de acordo com a fase evolutiva do tumor. Tipos de Cirurgia Os diferentes tipos de cirurgia usados no tratamento de cancro da mama são: Tumorectomia - é a cirurgia que remove apenas o tumor. Em seguida, aplica-se a terapia por radiação. Às vezes, os gânglios linfáticos das axilas são retirados como medida preventiva. É aplicada em tumores mínimos.

8 Quadrantectomia - (tratamento que conserva a mama) é a cirurgia que retira o tumor, uma parte do tecido normal que o envolve e o tecido que recobre o peito abaixo do tumor. A radioterapia é aplicada após a cirurgia. É indicada no estádio I e II. Deve-se associar a correcção plástica das mamas, para evitar assimetrias e cicatrizes desnecessárias. Mastectomia simples ou total É a cirurgia que remove apenas a mama. Às vezes, no entanto, os gânglios linfáticos mais próximos também são removidos. É aplicada em casos de tumor difuso. Pode-se manter a pele da mama, que auxiliará muito a reconstrução plástica. Mastectomia radical modificada É a cirurgia que retira a mama, os gânglios linfáticos das axilas e o tecido que reveste os músculos peitorais. Mastectomia radical É a cirurgia que retira a mama, os músculos do peito, todos os gânglios linfáticos da axila, alguma gordura em excesso e pele. Este tipo de cirurgia é raramente realizado; é aplicado em tumores maiores, no estádio III.

9 Radioterapia - utiliza raios de alta energia que têm a capacidade de destruir as células cancerosas e impedir que elas se multipliquem. Da mesma forma que a cirurgia, a radioterapia é um tratamento local. A radiação pode ser externa ou interna. Quimioterapia - é a utilização de drogas que agem na destruição das células malignas. Pode ser aplicada através de injecções intramusculares ou endovenosas ou por via oral. Hormonoterapia - tem como finalidade impedir que as células malignas continuem a receber a hormona que estimula o seu crescimento. Esse tratamento pode incluir o uso de drogas, que modificam a forma de actuar das hormonas, ou cirurgia, que remove os ovários - órgãos responsáveis pela produção dessas hormonas. Da mesma maneira que a quimioterapia, a terapia hormonal actua nas células do corpo todo. Reabilitação - vem auxiliar os métodos de tratamento para que a paciente tenha melhor qualidade de vida. É feita através da cirurgia plástica de reconstrução e dos serviços médicos de apoio (fisioterapia, psicologia etc.) A importância do período de recuperação O período de recuperação das doentes em tratamento é muito importante e varia de acordo com as características individuais, a extensão da doença e o tratamento recebido. A prática de exercícios físicos após a cirurgia ajuda a restabelecer os movimentos e a recuperar a força no braço e no ombro. Auxilia, também, na diminuição da dor e da rigidez nas costas e no pescoço. Os exercícios são cuidadosamente programados e devem ser iniciados logo que o médico permita, o que costuma ocorrer um ou dois dias após a operação. Inicialmente, os exercícios são suaves e podem ser feitos na cama. Gradativamente, passam a ser mais activos e devem ser incorporados na rotina diária. Após a mastectomia, o uso do soutien com prótese é aconselhável. A cirurgia plástica de reconstrução pode ser realizada imediata ou posteriormente. O seu médico auxiliará as doentes nessa decisão.

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