Juízos Cíveis de Coimbra

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1 Juízos Cíveis de Coimbra AA.:António Francisco Domingues, portador do Cartão do Cidadão nº válido até 13/10/2013, contribuinte fiscal nº e mulher Florbela Francica Santos Domingues portadora do Cartão do Cidadão nº válido até 13/10/2013, contribuinte fiscal nº , casados, residentes na Rua Vítor Cordon, nº2 Bloco 6, 1 Dto., Mafra, Ré: SÓCASASOL Construção Civil e Obras Públicas, Lda, Sociedade Comercial por Quotas, com o Cartão de Pessoa Colectiva nº , e sede na Av. Fernão de Magalhães,S/B, 1º, sala 5, em Coimbra, FORMA DE PROCESSO : ACÇÃO SUMÁRIA VALOR: 5.135,34 (cinco mil cento e trinta e cinco euros e trinta e quatro cêntimos) FUNDAMENTOS: 1º Os AA e Ré celebraram entre si, a 23 de Março de 2009, um contrato a que deram a designação de contrato promessa de compra e venda, que se junta sob doc.1 e cujo teor se dá por integralmente reproduzido. Por esse contrato, os AA prometeram comprar à R. e esta prometeu vender o prédio fracção autónoma destinada a 2º

2 habitação, tipo T2, correspondente ao 3º andar esquerdo (de frente para o prédio) e aparcamento na cave com o nº1, lote 1, sito na Rua 5 de Outubro, freguesia de Eiras, concelho de Coimbra, descrito na Conservatória do Registo Predial de Coimbra sob o nº 2279 da referida freguesia, e inscrito na matriz predial urbana sob o nº3608 cfr. Cláusula primeira e segunda. 3º Do referido contrato resultou que o preço global da venda seria de ,00 (cento e dez mil euros) cfr. Cláusula terceira. 4º Os AA entregaram à R., a título de sinal e princípio de pagamento a quantia de 5.000,00 (cinco mil euros) cfr. cláusula terceira, alínea a). 5º Ficando de entregar a restante parte do preço no montante de ,00 (cento e cinco mil euros), a obter mediante a concessão de empréstimo bancário, no dia da realização da escritura pública de compra e venda cfr. Cláusula terceira, alínea b). 6º AA e R., na altura em que assinaram o contrato, condicionaram-no à obtenção de um empréstimo por parte dos AA junto de uma instituição de crédito, para realizarem o pagamento do restante preço,

3 7º Facto de que a Ré tinha pleno conhecimento 8º Tendo, inclusive, assumido a obrigação de facultar aos AA todos os documentos necessários à instrução do pedido de financiamento bancário (cfr. cláusula 7ª do aludido contrato promessa) Ocorre porém que, 9º Apesar de todas as diligências realizadas por parte dos AA, necessárias para o efeito, o referido empréstimo não foi concedido pela instituição bancária Banco YY, cfr. doc. 2, cujo teor se dá aqui por reproduzido. Com efeito, 10º em data que não sabem precisar, mas que situam em data próxima à assinatura do referido contrato-promessa, os AA. na pessoa do A. marido, procurou a instituição bancária Banco YY, balcão de Mafra, onde o casal reside, solicitando a concessão de crédito imobiliário no valor de ,00 (cento e cinco mil euros) 11º tendo fornecido, posteriormente, os elementos solicitados, a saber: declaração de IRS do agregado, fotocópia dos respectivos bilhetes de identidade e cartões de contribuinte, planta de localização e planta do imóvel. 12º

4 Forneceram ainda a identificação do imóvel a adquirir (supra sob 2º), a identificação da vendedora (ora Ré) e ainda o contacto telefónico do consultor imobiliário - Sr. Carlos Pereira - para efeitos de marcação e posterior avaliação do referido imóvel. 13º Tendo vindo, posteriormente, de acordo com as práticas bancárias, a subscrever a referida proposta, a qual apresentada a apreciação, foi recusado pelos serviços do Banco YY com o fundamento : recusado nos termos da Deliberação 037/CE/FNB, RG superior a 80%. Taxa de esforço superior a 55%. Rendimento do agregado familiar anual inferior a ,00. 14º Facto que deu origem ao envio, por parte do Banco YY, da carta datada de , remetida ao A. marido, comunicando-lhe a não aprovação da proposta de crédito imobiliário apresentada.(cfr. doc. 2) 15º Tendo em conta os fundamentos da recusa, os AA. entenderam que, apresentar idêntica proposta em quaisquer outras instituições de crédito, a resposta seria a mesma. Com efeito, 16º Os AA. auferiam mensalmente, a título de pensões de reforma a quantia aproximada de 1.000,00 (mil euros) cfr. doc. 6 e 7 que se anexam e cujos integrais teores se dão por aqui inteiramente reproduzidos. Ora, 17º Perante a factualidade supra descrita, os AA comunicaram à R., por carta datada de 10 de Agosto de 2009 cfr. doc.3 - a

5 impossibilidade de cumprimento do supra referido contratopromessa. 18º E por conseguinte, a resolução do mesmo, solicitando a devolução da quantia entregue a título de sinal. 19º Acusando a recepção da carta referida nos artigos antecedentes, a R. por carta datada de 10 de Setembro de 2009, veio comunicar aos AA a marcação da escritura definitiva de compra e venda, cfr. doc. 4 20º A realizar no dia 16 de Setembro pelas 10:30, no Centro de Formalidade de Empresas,(!!!!) sito no Parque de Exposições da ACCI. 21º Informou ainda a R., quanto á resolução do contrato promessa operada pelos AA, a sua não aceitação. 22º Perante tal situação, os AA interpelaram novamente a R., no sentido de se ter tornado impossível o cumprimento do referido contrato, uma vez que não têm forma de efectuar o pagamento da quantia remanescente por falta de concessão de empréstimo bancário. cfr. doc. 5 23º

6 Reclamando, uma vez mais, a devolução dos 5.000,00 (cinco mil euros), que haviam sido entregues a título de sinal. Com efeito, 24º Aquando das negociações do contrato promessa, os AA referiram à R. que só poderiam cumprir o pagamento dos ,00 (cento e cinco mil euros), mediante a concessão de empréstimo bancário, por eles a solicitar para o efeito, facto esse, aliás outrossim, do conhecimento da sociedade de mediação imobiliária Casa SOL, entidade que procedeu à elaboração do contrato-promessa e acompanhou a respectiva outorga. 25º Razão pela qual, tal facto ficou a constar na cláusula terceira, alínea b), segundo a qual «o remanescente do preço, ou seja, a quantia de ,00 (cento e cinco mil euros), a obter mediante a concessão de empréstimo bancário, será pago pelos Segundo outorgante à Primeira no dia e com a realização de escritura de compra e venda ora prometida» (sublinhado nosso). 26º Refere ainda a cláusula sétima do referido contrato promessa que «A Primeira Outorgante compromete-se ( ) a assinar e subscrever todos os documentos necessários ao registo provisório de hipoteca e de aquisição provisória no âmbito do referido financiamento bancário a que os Segundo Outorgantes vão recorrer para pagamento da última prestação do preço» (sublinhado nosso). 27º

7 Com efeito, uma vez que não foi possível aos AA obter o crédito bancário necessário para pagamento do remanescente, torna-se impossível por parte destes, o cumprimento da referida obrigação. 28º Logo, outra interpretação não poderá haver, que não seja no sentido de considerar que a mencionada situação se deve a uma impossibilidade não culposa por parte dos AA. 29º O que acarreta a extinção da obrigação nos termos do disposto no art. 790º nº 1 do C.Civil. 30º Só o incumprimento definitivo e culposo do contrato promessa dá lugar às cominações previstas no art. 442º nº 2. Nestes termos, e nos demais de direito, deve a presente acção ser julgada totalmente procedente, por provada, e em consequência, I) Declarada a impossibilidade de cumprimento não culposa dos AA, consequentemente, II) Declarar-se resolvido o contrato promessa celebrado entre AA. e R.; III) Condenada a Ré a reconhecê-lo; IV) Condenar-se a R. a restituir aos AA. a quantia recebida a titulo de sinal, no valor de 5.000,00 (cinco mil euros) acrescido de juros vencidos e vincendos, desde a a data da 1º interpelação, até efectivo e integral pagamento.

8 Junta: 7 documentos, procuração, comprovativo do pagamento da taxa de justiça na modalidade de pagamento faseado, em prestações mensais de 80, nos termos da concessão de apoio judiciário (cfr. documentos que se juntam) A Advogada

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