CONSTITUIÇÃO ECONÓMICA ANGOLANA PERSPECTIVA DE INTERVENÇÃO DO ESTADO NA SUA CONCRETIZAÇÃO

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1 CONSTITUIÇÃO ECONÓMICA ANGOLANA PERSPECTIVA DE INTERVENÇÃO DO ESTADO NA SUA CONCRETIZAÇÃO Por: Manuel Costa (Economista) ESCOLA NACIONAL DE ADMINISTRAÇÃO, Luanda, 02 de Outubro de

2 ENQUADRAMENTO A Cons tuição Económica conforma a Ordem Fundamental da Economia (via disposições cons tucionais: regras, princípios); e Estabelece: (1) Limites (legislação e polí cas económicas devem visar a concre zação da Cons tuição); e (2) Impulso (deves ser adoptadas leis e implementadas polí cas económicas dentro das normas cons tucionais). 2

3 ENQUADRAMENTO A Cons tuição Económica acha- se, de modo geral, definida no Título III (Organização Económica, Financeira e Fiscal) da Cons tuição da República de Angola (CRA) conforme publicado no D.R. I Série, n.º 23, de 05/02/2010; Está repar da em 2 Capítulos: I Princípios Gerais; e II Sistema Financeiro e Fiscal; 3

4 ENQUADRAMENTO Capítulo I, com 10 Ar gos: (i) Princípios fundamentais; (ii) Jus ça social; (iii) Planeamento; (iv) Sectores económicos; (v) Reservas públicas; (vi) Bens do Estado; (vii) Domínio público; (viii) Domínio privado; (ix) Irrevesribilidade das nacionalizações e dos confiscos; e (x) Direitos fundiários; e Capítulo II, com 6 Ar gos: (i) Sistema financeiro; (ii) Banco Nacional de Angola; (iii) Sistema fiscal; (iv) Impostos; (v) Contribuições especiais; (vi) Orçamento Geral do Estado. 4

5 PILARES DA CONSTITUIÇÃO ECONÓMICA 1. A Cons tuição Económica funda- se na realização das tarefas fundamentais do Estado, nomeadamente as estabelecidas nas alíneas b), c), d), e), f), g), h), i), m), o) e p) do ar go 21.º da CRA, tendo em conta: Princípios cons tucionais fundamentais: p. ex. o da protecção da propriedade privada das pessoas singulares e colec vas e da livre inicia va económica e empresarial (cf. o ar go 14.º); e Direitos cons tucionais fundamentais: (i) livre inicia va económica privada; (ii) livre inicia va empresarial e coopera va; (iii) promoção, disciplinamento e protecção da ac vidade económica e dos inves mentos pela lei para garan a do desenvolvimento do País e a emancipação económica e tecnológica dos angolanos e os interesses dos trabalhadores (cf. o ar go 38.º); direitos económicos sociais e culturais (Capítulo III do Título II); 5

6 PILARES DA CONSTITUIÇÃO ECONÓMICA 2. Garan a dos direitos e liberdades económicas em geral, na valorização do trabalho, na dignidade humana e na jus ça social (cf. ar go 89.º, n.º 1); 3. Coexistência dos sectores económicos público, privado e coopera vo em matéria de propriedade dos meios de produção e o reconhecimento do direito de uso e fruição de meios de produção pelas comunidades rurais (normas consuetudinárias); 4. Intervenção do Estado, regulada por lei, na coordenação, regulação e fomento do desenvolvimento nacional harmonioso, com base num sistema de planeamento (cf. ar go 89.º, n.º 2 e ar go 91.º, n.º 1).; 6

7 PILARES DA CONSTITUIÇÃO ECONÓMICA 5. Sistema Financeiro para garan a dos recursos para o financiamento do desenvolvimento económico e social; e 6. Sistema Fiscal para o financiamento das acções do Estado e outras en dades públicas. 7

8 ASPECTOS DE CONCRETIZAÇÃO LIVRE INICIATIVA - IGUALDADE DE OPORTUNIDADES - JUSTIÇA SOCIAL A livre inicia va económica e empresarial visa assegurar que os cidadãos possam criar riqueza pessoal e de ascenderem, com base no seu empenho, talento e mérito pessoal, nos vários domínios da vida económica e social do país. A Cons tuição estabelece a igualdade de oportunidades a todos os cidadãos, independentemente da sua filiação polí ca e condição económica e social, no respeito pelas liberdades individuais. 8

9 ASPECTOS DE CONCRETIZAÇÃO LIVRE INICIATIVA - IGUALDADE DE OPORTUNIDADES - JUSTIÇA SOCIAL A existência de desigualdades económicas e sociais previne que todos os cidadãos se apresentem em igualdade de condições para rarem par do das oportunidades. É por isso exigível legislação e polí cas públicas que promovam as mesmas possibilidades de acesso para todos, fundamentalmente, a: Saúde e assistência médica; Educação e ensino; Emprego; e Meios económicos. 9

10 ASPECTOS DE CONCRETIZAÇÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO O Estado garante a coexistência dos sectores económicos público, privado e coopera vo em matéria de propriedade dos meios de produção e o reconhecimento do direito de uso e fruição de meios de produção pelas comunidades rurais (normas consuetudinárias) (ar go 92.º). Como reservas públicas (ar go 93.º) estabelece- se como reserva absoluta do Estado o exercício de ac vidades de banco central e emissor e a determinação e regulação por lei das ac vidades económicas de reserva rela va do Estado, bem como as condições de acesso às demais ac vidades económicas. 10

11 ASPECTOS DE CONCRETIZAÇÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO Portanto, apenas a ac vidade de banco central e emissor cons tui reserva absoluta do Estado; e devem ser reguladas por lei as ac vidades económicas de reserva rela va do Estado e as condições de acesso às demais ac vidades económicas. Para isso, importa dis nguir (i) a propriedade da en dade que exerce a ac vidade económica (empresa, sociedade) da (ii) tularidade dos ac vos que sustentam a ac vidade económica exercida e da (iii) responsabilidade pela provisão dos bens ou serviços que resultam do exercício da ac vidade económica. 11

12 ASPECTOS DE CONCRETIZAÇÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO Deve par r- se, primeiro, do estabelecimento do universo das ac vidades económicas que devem cons tuir reserva rela va do Estado, o que pressupõe ter em conta as os objec vos estratégicos do Estado (tarefas fundamentais do Estado) e assim definir- se quais devem ser os bens e serviços cuja provisão deve ser de responsabilidade do Estado (que seriam, necessariamente, bens e serviços públicos ou semi- públicos); 12

13 ASPECTOS DE CONCRETIZAÇÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO A delimitação da reserva rela va do Estado se traduziria na regulação do acesso ao exercício da ac vidade económica, abarcando os planos (i) da propriedade da en dade que exerce a ac vidade económica e (ii) da responsabilidade pela provisão dos bens ou serviços que resultam do exercício da ac vidade económica; a questão da propriedade/ tularidade dos ac vos que sustentam o exercício da ac vidade económica deve ser vista no caso em que a ac vidade em questão seja a provisão dos bens ou serviços. 13

14 ASPECTOS DE CONCRETIZAÇÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO Par ndo- se do pressuposto que a ac vidade económica e necessária, da aplicação do "teste de mercado" de Trivedi, resultaria: A reserva da ac vidade ao sector público quando (i) não seja possível ao sector privado a desenvolver, nem (ii) seja possível contrata- la ao sector privado (neste caso pode- se é discu r a natureza da en dade que desenvolveria a ac vidade); A concessão da ac vidade ao sector não público quando (i) não seja possível ao sector privado a desenvolver, mas (ii) seja possível contrata- la ao sector privado; e Livre acesso quando o sector privado a possa desenvolver. 14

15 ASPECTOS DE CONCRETIZAÇÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO A regulação da questão da propriedade/ tularidade dos ac vos que sustentam o exercício de ac vidades económicas de provisão de bens ou prestação de serviços públicos deve ser vista na perspec va do interesse estratégico do Estado; Sendo o acesso à ac vidade económica por meio de concessão, na circunstância em que os ac vos sejam do Estado, tais ac vos fariam parte da concessão; e Há que considerar ainda modalidades de acesso que envolvem também o financiamento da construção de tais ac vos em contratos de concessão (p. ex. BOT, BOOT, BLT) 15

16 MUITO OBRIGADO! 16

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