Dança em cadeira de rodas e inclusão. Prof. Dr. Maria Beatriz Rocha Ferreira

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1 Dança em cadeira de rodas e inclusão Prof. Dr. Maria Beatriz Rocha Ferreira

2 No último século ocorreram mudanças sociais importantes no mundo. Podemos observar mudanças de comportamentos, de organização das sociedades, de programas educacionais, de políticas, de direitos humanos, entre outros.

3 Antigamente não se pensava que as pessoas com deficiências pudessem dançar, fazer apresentações e muito menos competir. Elas estavam à margem da sociedade. Eram totalmente excluídas.

4 E hoje, como será que a situação está?

5 Atualmente as pessoas com deficiências ainda são muitas vezes excluídas socialmente, pois trazem a marca da diferença. Embora muito já se tenha feito nas últimas décadas, para que saíssem de um total abandono social. Para se chegar a situação atual, houveram esforços de muitas pessoas e áreas do conhecimento propiciando um avanço no conhecimento sobre deficiências, o reconhecimento dos direitos humanos, mudanças sócio-políticas em diferentes países, especialmente as dos países desenvolvidos economicamente, como Estados Unidos, Canadá e Europa.

6 DESAFIOS O desafio é reconhecer a pessoa com deficiência como um todo e com capacidades diferenciadas. Ao se valorizar outros aspectos da pessoa, e não somente a deficiência, abre-se oportunidades para o desenvolvimento de outras ações da saúde e da educação.

7 Dança A dança faz parte do patrimônio cultural da humanidade. Ela está na esfera do prazer, da alegria, das emoções e merecem ser valorizadas por isto. Ela se apresenta em diferentes formas nas diversas culturas. Contribui para o desenvolvimento de habilidades básicas, de sentidos táteis e auditivos, de ritmo, de melhoria da orientação espaço temporal, autonomia, incentiva a participação em grupo, a superação, o protagonismo para a construção de uma sociedade melhor, entre outros.

8 Dança em Cadeira de Rodas A dança em cadeira de rodas é uma atividade recente na humanidade. Foi originada na Suécia em 1968 com objetivos terapêuticos e recreação.

9 Ela se desenvolveu fundamentada na dança moderna, na dança de salão e na dança terapêutica. E portanto traz em si as qualidades e problemas de cada uma destas áreas. Pode ser praticada enquanto dança social nas festas, artística e competitiva.

10 A dança em cadeira rodas é uma oportunidade fundamental para se propiciar o desenvolvimento das pessoas com deficiência, visando a saúde, o bem estar, a educação, o prazer, entre outras.

11 Dança em cadeira de rodas e inclusão Neste curso a dança em cadeira de rodas será tratada na dimensão sócio-antropológica. E portanto, abordaremos os seguintes conceitos sociológicos: Ser humano relacional Figurações Poder Mudanças sociais e habitus Inclusão e a dança em cadeira de rodas nos processos de mudanças sociais

12 Ser relacional A espécie humana tem características singulares que a diferencia de todas as outras. Nós somos seres relacionais, isto é dependemos uns dos outros para sobreviver. Desde o nascimento o ser humano depende de um corpo de conhecimento pré-existente na sociedade para se desenvolver. Este corpo de conhecimento é formado por pessoas que se interrelacionam de diferentes maneiras na história da humanidade.

13 Figurações Teoria Figuracional Norbet Elias As vidas das pessoas se desenrolam de maneira interdependentes e em grande parte são moldadas por, figurações sociais que elas formam uns com os outros. Exemplo de figurações família, escola, clubes, amigos,religião etc. As figurações são dinâmicas, isto é estão continuamente em fluxos, passando por mudanças de diversas maneiras, algumas rápidas e efêmeras e outras mais lentas e profundas, podendo levar séculos.

14 Figurações Teoria Figuracional Norbert Elias Os processos que ocorrem nessas figurações possuem dinâmicas próprias. Entretanto estas dinâmicas, entretanto não estão isoladas da dinâmica das outras figurações. Por exemplo, as dinâmicas que ocorrem nas famílias, nas escolas tem características próprias, e são influenciadas pela mídia, internet, governo, que por sua vez tem dinâmicas próprias. Diante desta complexidade de figurações que se interrelacionam, as mudanças sociais a longo prazo não são totalmente planejados e nem previsíveis.

15 Por exemplo: os pais dependem dos filhos para exercerem o papel de pais e vice versa, o professor dos alunos e vice versa. Os papéis sociais de ambos são construídos fundamentados num corpo de conhecimento da sociedade em que vivem, e que são construídos ao longo dos anos. Os comportamentos dos pais e filhos do século XXI são diferentes daqueles dos séculos XIX e anteriores.

16 Poder As relações humanas não são tão simples de se compreender. São complexas e há sempre tensões de poder imbricadas nelas. Para Nobert Elias, o poder está sempre situado como elemento fundamental nas figurações. Poder é entendido no sentido de quem manda, delibera, exerce a autoridade e a força. Poder está relacionado com o conhecimento, a competência, a legitimidade, a referência, a recompensa e a punição. As implicações do exercício de poder se modificam com as transformações das sociedades e políticas

17 Poder (teoria figuracional Nobert Elias) As relações de poder não são estáticas, isto é, não estão concentradas exclusivamente no Estado, na Igreja, nas mesmas pessoas, nos grupos ou nas entidades. Mas em todas elas, com maior ou menor intensidade. Se pensarmos numa balança de poder e pusermos mais força de um lado, o eixo dela penderá mais para aquele lado. Se pusermos força do outro lado, o eixo irá para o outro lado, ou poderá se equilibrar Nas relações humanas, ocorre situação semelhante, as tensões influenciam a relação de poder, que poderá ir mais para um lado, ou para o outro, ou se equilibrar. As mudanças na balança dependem de vários fatores, tais como: tempo, tipo de sociedade, conhecimentos, articulações políticas, interferências externas de governo, de outros locais, etc. E muitas vezes demoram anos, séculos para ocorrerem, e outras vezes podem se modificar mais rapidamente.

18 Habitus social (teoria figuracional Nobert Elias) Habitus social designa as internalizações de valores, das estruturas, das ideologias, dos significados pelos membros de uma sociedade advindos de um processo de mudanças de longa duração na história. No processo de aquisição de novos papéis sociais do deficiente houve mudanças importantes na aquisição de novos valores, na interpretação e julgamentos de pré-conceitos, nas ressignificações de padrões, nas mudanças nas relações do equilíbrio de poder e nas interrelações. Entretanto todas as mudanças sociais dependeram das pessoas. São elas que interagem, constroem a sociedade.

19 Inclusão/exclusão social Os processos de inclusão e exclusão social devem ser vistos nas figurações sociais, nas especificidades das sociedades, nas épocas históricas, mas lembrando sempre que existe um dinamismo nas figurações, que por sua vez estão interrelacionadas com outras figurações e que se modificam com o passar do tempo. Atualmente a pessoa com deficiência tem uma outra situação social. Ela é mais reconhecida enquanto pessoa, seus os direitos, e cada vez mais aceita na sociedade. Claro que o processo ainda é muito longo para ser aceita totalmente e em todos os setores.

20 Dança em cadeira de rodas e inclusão A dança em cadeira de rodas propicia novas possibilidades e papéis sociais para as pessoas se divertirem, competirem, enfim dançarem. Este novo papel social é que favorece a pessoa com deficiência novas perspectivas de vida. Ela exerce uma nova atividade, lida com o corpo e emoções de maneira diferente. Sente se bem e saudável.

21 Considerações Finais Nós precisamos sentir protagonistas nos processos de mudanças sociais. Todos nós estamos inseridos em redes de interdependências, em figurações carregadas de sentimentos de poder, que muitas vezes apóiam alguns e os outros ficam de fora, excluídos do processo. Precisamos fazer esforços para que haja mais equilíbrio na balança de poder e dar oportunidades iguais para todos.

22 Referência Bibliográficas ELIAS, N. Introdução à sociologia. Lisboa: Edições 70, A sociedade dos indivíduos. Jorge Zahar Editor: Rio de Janeiro, ROCHA FERREIRA, M.B. Jogo, representações sociais, configurações, inclusão/exclusão. In. Atividade física, deficiência e inclusão escolar. SEESP/MED 2010, v. 6, p ISBN Possibilidades de Movimentos Artísticos sobre uma Cadeira de Rodas. E a volta dos espetáculos de alta performance. In: Dança Artística e Esportiva para Pessoas com Deficiência: Multiplicidade, complexidade e maleabilidade corporal. Vol. 1. Org. Confederação Brasileira de Dança em Cadeira de Rodas, Juiz de Fora/MG, p , 2005.

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