EFICÁCIA DO MISOPROSTOL NA RESOLUÇÃO DOS CASOS DE ABORTAMENTO

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1 EFICÁCIA DO MISOPROSTOL NA RESOLUÇÃO DOS CASOS DE ABORTAMENTO VASCONCELLOS, Marcus Jose do Amaral. Docente do Curso de Graduação em Medicina. TURANO, Camila Toledo. Discente do Curso de Graduação em Medicina Palavras- chave: Abortamento; Misoprostol; Interrupção da gestação; Intervençãoem saúde Introdução O uso do misoprostol para fins obstétricos ocorre desde a década de 80. Tem como ação preparar o colo para uma manipulação uterina de esvaziamento, seja para resolução do abortamento ou para indução do parto, e pode ser estendida para outras indicações de introdução cirúrgica pelo colo do útero, como introdução de dispositivo intrauterino ou histeroscopia. Também há indícios de resolução no controle de prevenção de hemorragia pós parto. Foi retirado do mercado, por um período, após descobrirem esta ação do misoprostol, pois previamente inserido tinha finalidade de proteção da mucosa gástrica, entretanto retornou e permanece até os dias de hoje para uso restrito. O uso de misoprostol no abortamento reduziu significativamente a mortalidade materna no período periparto e alterou a causa de mortalidade, antes considerada a principal causa de mortalidade a infecção devido ao abortamento provocado e hoje estudos comprovam a incidência da mortalidade por problemas oriundos da hipertensão arterial e hemorragia. Desde sua introdução, no Brasil, na década de 80 ( ), reduziu de 156 casos para 112 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos; de 1996 até 2014 o índice de mortalidade continua em decréscimo, para 60 casos/100 mil nascidos vivos, com distribuição diferente entre as regiões brasileira, conforme mostra o gráfico abaixo. Em virtude deste benefício, em países onde legalizaram o aborto, como a Colômbia, a distribuição do misoprostol é ampla.

2 1996. Gráfico 1- Taxas de mortalidade materna pelas diversas regiões do país em Fonte DATASUS Gráfico 2- Taxas de mortalidade materna pelas diversas regiões do país em As vias de administração do misoprostol são: sublingual, oral, vaginal e retal. Diferem quanto a distribuição corporal, pico de atividade e meia vida. Estudo comprovou que o índice de falha e de complicações foi igual nas vias de administração, no entanto a via sublingual teve o maior sucesso resolutivo. Além disso, outro estudo(barberoet al) fez análise de risco teratogênico, o qual mostrou uma diferença significativa de malformações no grupo estudo: 6,49% nas mulheres que usaram misoprostol contra 2,15% nas que não usaram, que resultou em risco relativo de 3,02. (IC = 1,02-8,98 ).

3 OBJETIVOS GERAL: Determinar o percentual de utilização de misoprostol para resolver os casos de abortamento na Maternidade do Hospital de Clínicas de Teresópolis. ESPECÍFICO: (1) analisar as doses utilizadas de misoprostol na resolução do abortamento e suas vias de administração (sublingual, retal, vaginal) (2) quantificar o percentual dos resultados sob algumas variáveis: idade, estado civil, cor, escolaridade. (3) quantificar as complicações após o uso do misoprostol. METODOLOGIA Este estudo, de caráter descritivo, prospectivo, do tipo coleta de dados, iniciouse em março de 2015, terminando em janeiro de 2016, entrevistou 11 pacientes com quadro de abortamento, internadas na Maternidade do Hospital de Clínicas CostantinoOttaviano do Centro Universitário Serra dos Órgãos ( HCT ). A entrevista constava de questionário estruturado, e efetuado somente após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Foi realizada por três alunas do curso de Graduação em Medicina do referido Centro Universitário, sob a orientação de docente responsável pela Maternidade do HCT. Para este trabalho, foram incluídos pacientes com diagnóstico na internação de abortamento inevitável, abortamento incompleto, abortamento retido e abortamento infectado, assim caracterizados: Abortamento inevitável (colo com dilatação maior que 2 cm;bolsa herniada pelo colo uterino; sangramento importante; dor que não responde à medicação; útero sem o amolecimento normal; curva de Beta HGC achatada; USG sem vitalidade embrionária e descolamento ovular.). Abortamento incompleto (sangramento vaginal intenso e incessante; cólica persistente; toque com útero endurecido e incompatível com amenorreia; colo entreabaerto; USG com ecos endometriais amorfos; beta HGC negativo). Abortamento infectado(sangramento e dor variável; útero amolecido e doloroso ao toque; colo dilatado com secreção purulenta; febre e taquicardia; leucocitose (> mm3); comprometimento do estado geral;usg com imagem de restos ovulares.). Abortamento retido (retenção de ovo morto; ovo anembrionado; paciente assintomática; útero involuído; ausculta fetal negativa; USG confirma diagnóstico). Estes diagnósticos

4 obedeceram o protocolo da Maternidade do HCT, que está cadastrado na direção do hospital e foi entregue a Secretaria Municipal de Saúde do município de Teresópolis. Este trabalho se preocupou em separar os segmentos de atendimento pré-natal que estas pacientes haviam recebido: privado, assistencial e do próprio ambulatório da UNIFESO. Por fim, foi realizado um levantamento comparativo entre a idade, cor, escolaridade, trabalho e estado civil. RESULTADOS Estudo prospectivo, tipo coleta de casos, realizado entre 12 de março de 2015 a 18 de janeiro de 2016, na maternidade do Hospital de Clínicas CostantinoOttaviano do Centro Universitário Serra dos Órgãos. Após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, 11 pacientes responderam questionário estruturado que tratava das características epidemiológicas, e os dados obtidos foram: Idade das pacientes oscilou entre anos, prevalente entre anos (n=9). A raça prioritária foram brancas e negras, com a branca prevalente (n=7). Escolaridade teve, em sua maioria, o ensino médio incompleto (n=5). Estado civil, casadas (n=6). Trabalho fora de casa foi superior que as pacientes sem trabalho (n=6). Todas as pacientes foram atendidas pelo sistema SUS. Neste período a maternidade realizou 532 partos com recém-natos vivos, e o misoprostol foi utilizado em pacientes para resolução do abortamento, nas seguintes doses totais: 200mcg(n=2); 400mcg(n=2); 800mcg (n=4); 1200mcg (n=1); 1400mcg (n=1); 2400mcg(n=1). A via retal foi a via de escolha exclusiva e estas doses correspondem a comprimidos de 200mcg, que ao final somaram as doses utilizadas. O intervalo médio foi de 6 horas entre uma dose e outra. Os 11 casos forma resolvidos satisfatoriamente, sendo que a maioria necessitou de ultrassonografia que indicou, em alguns casos, uma wintercuretagem para revisão de cavidade. REFERÊNCIAS: 1 Gómez-Sanchez PI, Urquijo-Velazquez LH, Villarreal C. Estratégia FIGO para la prevencion del aborto inseguro: experiencia en Colombia. RevColombObstetGinecol. 2011;62(1): Barbero P, Liascovich R, Valdez R ET al. Efecto teratogênico Del misoprostol: um estúdio prospectivo em Argentina. ArchArgentPediatr.2011;109(3):

5 3 Souza ASR, Amorim MMR, Costa AAR ET al. Farmacocinética e farmacodinâmica do misoprostol em Obstetrícia. Femina.2009;37(12). 4 Saav I, Kopp KH, Fiala C et al. Sublingual versus vaginal misoprostol for cervical dilatation 1 0r 3 h prior tosurgicalabortion: a double-blinded RCT. Hum Reprod.2015;30(6): Gippini I, Diazdeteran E, Cristóbal I et al. Análisis Del valor Del misoprostol em Le tratamiento Del aborto diferido. Prog. Obstet Ginecol. 2012;55(3):101-7.

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