Sistema de Gestão da Qualidade PROTOCOLO: Limpeza concorrente e terminal do leito, cortinas, mobiliários e equipamentos hospitalares

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1 Página: 1/9 INTRODUÇÃO: A limpeza e a desinfecção de superfícies são elementos que propiciam segurança e conforto aos pacientes, profissionais e familiares nos serviços de saúde. Colabora também para o controle das infecções relacionadas à assistência à saúde, por garantir um ambiente com superfícies limpas, com redução do número de microrganismos, e apropriadas para a realização das atividades desenvolvidas nesses serviços. A limpeza consiste na remoção das sujidades depositadas nas superfícies inanimadas (piso, paredes, teto, mobiliário e equipamentos) utilizando-se meios mecânicos (fricção), físicos (temperatura) ou químicos (saneantes), em um determinado período de tempo. Pode ser realizada com água e sabão ou detergentes específicos. A desinfecção corresponde ao processo de destruição de microrganismos em forma vegetativa presentes em objetos inanimados. O uso de desinfetantes está indicado quando existe matéria orgânica presente na superfície, ou quando o procedimento de desinfecção é estabelecido como forma de proporcionar um ambiente mais seguro independentemente de matéria orgânica. A escolha das técnicas de limpeza e desinfecção está diretamente relacionada ao tipo de superfície a ser higienizada, a quantidade e o tipo de matéria orgânica presente. O processo de limpeza de superfícies em serviços de saúde envolve a limpeza concorrente (diária) e limpeza terminal. DEFINIÇÃO: - Limpeza Concorrente: É realizada diariamente, em todas as unidades dos estabelecimentos de saúde, inclusive na presença de pacientes. Tem como objetivo remoção de sujidade, coleta de resíduos, reposição de material e desinfecção do ambiente quando indicado. A limpeza concorrente é de responsabilidade do serviço de higiene e enfermagem, diferenciando o profissional que realizará o procedimento, de acordo com alguns fatores como a presença de paciente no leito. A frequência da limpeza concorrente varia de acordo com a área hospitalar conforme a classificação abaixo:

2 Página: 2/9 Áreas Críticas: são aquelas em que existe o risco aumentado de transmissão de infecções, por serem locais onde se realiza grande volume de procedimentos de risco, com ou sem pacientes ou onde se encontram pacientes com seu sistema imunológico deprimido. P.ex.: salas de cirurgia, Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Berçário de Alto Risco, Pronto-Socorro, Unidade de Queimados e de Isolamento de Doenças Transmissíveis, Unidade de Transplantes, Central de Material e Esterilização, Salas de Hemodiálise e Hemodinâmica, Laboratório de Análises Clínicas e de Anatomia Patológica, Banco de Sangue, Serviço de Nutrição e Dietética, Lactário, Lavanderia, Farmácia etc. Áreas Semicríticas: são todas aquelas ocupadas por pacientes com doenças infecciosas de baixa transmissibilidade e doenças não infecciosas, excluindo as incorporadas às áreas críticas. P.ex.: enfermarias, quartos de pacientes internados, ambulatórios, banheiros, posto de enfermagem, elevador, corredores etc. Áreas Não-Críticas: são todas aquelas não ocupadas por pacientes e onde não se realizam procedimentos de risco. P.ex.: áreas administrativas, vestiário, copa etc. Tabela 1 - Frequência mínima de limpeza concorrente CLASSIFICAÇÃO DA ÁREA Áreas críticas Áreas semi-críticas Áreas não-críticas Áreas comuns Áreas externas FREQUENCIA MÍNIMA 3x por dia; data e horário preestabelecidos e sempre que necessário. 2x por dia; data e horário preestabelecidos e sempre que necessário. 1x por dia; data e horário preestabelecidos e sempre que necessário. 1x por dia; data e horário preestabelecidos e sempre que necessário. 2x por dia; data e horário preestabelecidos e sempre que necessário. Na sala de operações (SO) do centro cirúrgico a limpeza concorrente deve ser realizada após o termino de cada cirurgia. Limpeza concorrente Responsabilidade da execução: Responsabilidade do Serviço de Higiene: - campainha - interruptores de luz

3 Página: 3/9 - portas e maçanetas - parapeitos de janelas - pisos - instalações sanitárias - cama e suas grades, na ausência de paciente - cortinas vinílicas/plásticas - criado-mudo na ausência de pertences. - painel de gases - suporte de soro quando estiver sem medicamentos ou bomba de infusão - mesa de refeição na ausência de alimentos - cesta para lixo - geladeira e frigobar somente parte externa - televisão - outros mobiliários que podem ser utilizados durante internação Responsabilidade da Enfermagem: - equipamentos em uso (monitores, ventiladores, incubadoras, bombas de infusão,etc) - mesa de cabeceira quando possuir equipamento médico hospitalar - limpeza de equipamentos e acessórios como cabos, sensores, bolsas pressurizadas, glicosímetros, etc, antes da devolução para a Central de Equipamentos, - na presença de paciente acamado realizar limpeza de: Cama e suas grades Painel de gases Mesa de cabeceira Suporte de soro (quando estiver com bomba de infusão ou medicamento) OBS: Todo mobiliário do paciente acamado ou não acamado será feito limpeza concorrente pelo Serviço de Higiene desde que não possua equipamentos médico/ ou pertences do paciente. A retirada de equipamentos

4 Página: 4/9 médico/ deve ser feita pela equipe de enfermagem e posteriormente solicitado higiene ao auxiliar de limpeza. Caso não sejam retirados esses materiais, o Serviço de Higiene não terá como executar a limpeza concorrente. - Limpeza Terminal: Tem por finalidade a redução da contaminação do ambiente, bem como a preparação segura e adequada para receber um novo paciente. Inclui todas as superfícies e mobiliários, portanto, é realizada em todas as superfícies horizontais e verticais (Ex: limpeza de paredes, pisos, teto, painel de gases, equipamentos, todos os mobiliários como camas, colchões, macas, mesas de cabeceira, mesas de refeição, armários, bancadas, janelas, vidros, portas, peitoris, luminárias, filtros e grades de ar condicionado), das áreas críticas, semi-críticas, não-críticas, infra-estrutura e área comum. A limpeza terminal é de responsabilidade do serviço de higiene, enfermagem e engenharia dependendo do local e equipamentos a serem limpos. Deve ser realizada nos leitos após a desocupação do local, seja alta do paciente, transferência ou óbito e nas internações de longa duração. A definição de internação prolongada, para realização de limpeza terminal, tem duração que varia de acordo com a classificação da área (Ex: UTI e outras áreas críticas acima de 7 dias de internação e enfermarias e outras áreas semi críticas acima de 15 dias de internação) e deve ser programada de acordo com a tabela a seguir. Tabela 2 Frequência de limpeza terminal programada CLASSIFICAÇÃO DA ÁREA Áreas críticas Áreas semi-críticas Áreas não-críticas Áreas comuns FREQUENCIA DE LIMPEZA TERMINAL Semanal (data, horário, dia da semana preestabelecido). Quinzenal (data, horário, dia da semana preestabelecido). Mensal (data, horário, dia da semana preestabelecido). (Data, horário, dia da semana preestabelecido). Na sala de operações (SO) do centro cirúrgico a limpeza terminal deve ser realizada após o termino das cirurgias programadas do dia.

5 Página: 5/9 Limpeza terminal Responsabilidade da execução: Responsabilidade do Serviço de Higiene: - piso, parede, teto, janelas, portas, maçanetas, luminárias, grades de ar condicionado - todos os mobiliários (cadeira, criado-mudo, cama, etc) - instalações sanitárias - cortinas vinílicas/plásticas - painel de gases - suporte de soro - geladeira e frigobar - cesta para lixo - Televisão Responsabilidade da Enfermagem: - equipamentos utilizados pelo paciente, quando são fixos dos setores (monitores, ventiladores, incubadoras, bombas de infusão, etc) - comunicar a Central de Equipamentos se o paciente estava em precauções de contato por multirresistente. Responsabilidade da Engenharia: - limpeza dos equipamentos desocupados que forem retirados das unidades ou enviados para manutenção. OBJETIVOS A limpeza e desinfecção de superfícies em serviços de saúde são elementos primários e eficazes nas medidas de controle das infecções. Tem a finalidade de preparar o ambiente para suas atividades, mantendo a ordem e conservando equipamentos e instalações, evitando principalmente a disseminação de microrganismos responsáveis pelas infecções relacionadas à assistência à saúde. Deverá contribuir para prevenir a deterioração de superfícies, objetos e materiais, promovendo conforto e segurança aos pacientes, acompanhantes e aos funcionários, por intermédio de um meio limpo. Deverá também sempre considerar a importância de manter

6 Página: 6/9 as superfícies limpas (diminuindo o número de microrganismos dessas) com otimização de custos. RECOMENDAÇÔES: - Limpeza concorrente de superfícies próximas ao paciente: Realizar limpeza de acordo com POP, utilizando tecido fornecido pela lavanderia (compressa) ou papel toalha embebido com álcool 70%, das superfícies próximas ao paciente (grade da cama, mobiliários, bomba de infusão, ventilador mecânico, carrinho de medicamento, etc). Em UTIs e unidades classificadas como críticas realizar a limpeza concorrente três vezes ao dia (uma vez por plantão) independente dos pacientes estarem isolados ou não; em unidade de internação e unidades classificadas semi-críticas realizar a limpeza concorrente 2 vezes ao dia, quando o paciente estiver em isolamento realizar a limpeza três vezes ao dia (uma vez por plantão). Quando houver presença de pouca quantidade de matéria orgânica (ex: gota de sangue, escarro, etc) utilizar primeiro pano com água e sabão até completa limpeza, remover o sabão com pano úmido, secar e posteriormente realizar fricção com álcool à 70%. Na presença de quantidade maior de matéria orgânica solicitar que o serviço de higiene realize a limpeza. - Limpeza terminal do leito: O Serviço de Higiene e Limpeza deve ser acionado para fazer a limpeza terminal em situações de alta, transferência ou óbito do paciente. Em situações em que o paciente estiver em internação prolongada, a enfermagem deverá realizar primeiramente o rodízio de leitos na unidade e assim que o leito estiver desocupado, chamar o Serviço de Limpeza. Os pacientes com internação prolongada deverão trocar de leito a cada 7, ou no máximo 15 dias, para pacientes internados em UTIs e em outras unidades críticas e a cada 15, ou no máximo 30 dias, para pacientes internados em enfermaria e em outras unidades semi-críticas, para que seja realizado a limpeza terminal do ambiente, inclusive da cama. Esta medida deve ser aplicada a todos os pacientes internados independente de estarem isolados ou não.

7 Página: 7/9 - Limpeza terminal das cortinas: As cortinas devem ser higienizadas sempre que houver sujidade visível. A limpeza terminal das cortinas deve seguir as recomendações listadas a seguir: Cortinas de tecido: Solicitar ao Serviço de Hotelaria a retirada e colocação das cortinas. - cortinas de leitos em que o paciente apresentou microrganismo multirresistente: retirar cortina para lavar após alta, transferência ou óbito de paciente e em caso de internação prolongada retirar a cortina para lavar quando for feito o rodízio de leito para limpeza terminal. - cortinas de leitos em que o paciente não apresentou microrganismo multirresistente: retirar a cortina para lavar a cada 15 dias, inclusive nos casos de internação prolongada. Cortinas vinílicas/plásticas: Solicitar ao Serviço de Higiene a limpeza das cortinas, e quando as cortinas precisarem ser retiradas solicitar ao Serviço de Hotelaria. - após alta, transferência ou óbito de paciente independentemente de apresentar microrganismo multirresistente, será realizada a limpeza terminal da cortina com cloro orgânico ou com vapor, esta higiene será realizada no leito não sendo necessário retirá-la; em caso de internação prolongada realizar a higiene quando for feito o rodízio de leito para limpeza terminal. - as cortinas vinílicas/plásticas deverão ser retiradas para lavar em local adequado a cada 30 dias. - Limpeza terminal de equipamentos: - Todos os equipamentos devolvidos à Central de Equipamentos (CEQUIP), devem passar por um processo de limpeza terminal com uso de pano úmido com água e sabão, posteriormente, remoção do resíduo do sabão com pano úmido, secagem e fricção com

8 Página: 8/9 álcool à 70%, realizado por funcionário da Central de Equipamentos. A guarda do equipamento na Central só deve ser realizada após sua limpeza terminal. O Serviço de Higiene não realiza limpeza de equipamentos (concorrente ou terminal). - EPIs: Durante o processo de limpeza concorrente ou terminal deve ser utilizado como EPI as luvas de procedimento, exceto para a equipe de limpeza que utilizará luvas de PVC amarela ou azul. Os auxiliares de limpeza devem usar obrigatoriamente óculos de proteção apenas para limpeza terminal de teto e parede, e os coletores para o transporte de resíduos até o abrigo externo. - Presença de matéria orgânica: Em presença de matéria orgânica, o Serviço de Higiene realiza a limpeza em macas e camas com detergente neutro e após é feita a desinfecção com cloro orgânico. Em derramamento e ou em grande quantidade de matéria orgânica deve ser realizada a remoção do excesso e descontaminação com cloro orgânico antes da limpeza. REFERÊNCIAS: 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do Paciente em Serviços de Saúde:Limpeza e Desinfecção de Superfícies. Brasília: ANVISA, Basso M, Abreu ES. Limpeza, desinfecção de artigos e áreas e antissepsia. 2 ed. São Paulo: APECIH Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar, p Sehulster L, Chinn RYW. Guidelines for environmental infection control Health-Care facilities. Centers for Disease Control and Preventing, Jun Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto. Manual de Limpeza, Desinfecção e Esterilização em Unidades de Saúde. 2006

9 Página: 9/9 5. APECIH Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar. Monografia: Higiene, Desinfecção ambiental e Resíduos Sólidos em Serviços de Saúde. São Paulo: APECIH, 2013 ELABORAÇÃO (desta versão) Elaborado por: Revisado por: Aprovado por: Nathalia P. Tereran Coren: Grupo Assessor Dir Enfermagem Daniela V. S. Escudero Coren: CCIH Leila Blanes Coren:68603 Coordenação Assistencial de Enfermagem Juliana Oliveira da Silva CRM: CCIH João Luiz Grandi Coren: Gerência de Meio Ambiente Jean Marcel de Mello Supervisor de Central de Equipamentos Sandra de Oliveira Campos CRM Diretoria Técnica

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