Aula 6 Desenvolvimento da linguagem: percepção categorial

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1 Aula 6 Desenvolvimento da linguagem: percepção categorial Pablo Faria HL422A Linguagem e Pensamento: teoria e prática Módulo 1: Aquisição da Linguagem IEL/UNICAMP 19 de setembro de 2016

2 SUMÁRIO PRELIMINARES PERCEPÇÃO CATEGORIAL PRÓXIMA AULA BIBLIOGRAFIA

3 AVALIAÇÃO Listas de exercícios L2 e L3 terão entre 3 e 5 itens apenas. Toda semana teremos parte da aula de quarta-feira para discutir o trabalho final em sala. Quanto à prova, uma alternativa: Escolher 3 pontos do programa Resenha crítica relacionando os pontos e ilustrando com dados de aquisição 1 a 2 páginas, fonte 12 e espaçamento de linha simples Entrega até dia 23/10 (mesma data para o trabalho final) Neste caso, os seminários ficam mantidos, mas para o dia 17/10

4 RECAPITULAÇÃO GERAL Uma visão geral da aquisição: Há fatos de aquisição a serem explicados (criatividade, rapidez, precocidade, período crítico etc.) Três questões básicas: O que a criança aprende? Quando ela aprende? Como ela aprende? Diferentes abordagens, diferentes pressupostos e interesses: comportamentalismo, interacionismo, conexionismo, teoria baseada em uso, gerativismo (ou racionalismo) Há marcos gerais do processo (sequencialidade) que se repetem entre crianças e para diversas línguas (universalidade e uniformidade)

5 RECAPITULAÇÃO GERAL Uma visão geral da aquisição (cont.): Adultos utilizam propriedades fonológicas, como as fronteiras fonológicas, por exemplo, para processamento de enunciados Estudos mostram que desde muito cedo, bebês já são sensíveis a propriedades fonológicas do input Bebês parecem utilizar informações prosódicas para pré-processar os dados de entrada A hipótese de alavancagem prosódica se mostra plausível como forma da criança adentrar o conhecimento lexical e sintático

6 INTRODUÇÃO Um pouco de fonética e fonologia: Fonética: caracterização de sons (produção, percepção, propriedades acústicas) Fonologia: sons que distinguem significado, regras de distribuição dos sons e propriedades segmentais Cada língua faz seu recorte do estoque universal de traços fonéticos distintivos t d +consonantal +consonantal vocalico vocalico +anterior +anterior +coronal +coronal nasal nasal -vozeado +vozeado

7 INTRODUÇÃO Um pouco de fonética e fonologia (cont.): Propriedades fonéticas não-previsíveis das palavras são diretamente armazenadas no léxico mental As previsíveis são armazenadas na forma de regras fonológicas como, por exemplo, a regra que determina a aspiração de oclusivas no inglês, quando em início de palavra (p.e., /p h / x /p/ em Potter x airport ) Línguas variam quanto a quais traços ou combinações de traços são utilizados e, ainda, quanto a quais traços são ou não distintivos e em que contextos o são (p.e., /r/ em início ou meio de palavra no português)

8 O QUE É? Percepção discreta de fenômenos sensoriais que podem ser variados ao longo de um contínuo. Dentro de um trecho do contínuo, os perceptos são percebidos como sendo os mesmos. Uma mudança abrupta na percepção se dá numa certa posição desse contínuo: mudança de identidade. Parece estar presente noutras espécies. Exemplos: as várias visões de um rosto, por exemplo, mapeadas numa identidade comum ou os sons da fala percebidos como fonemas discretos.

9 EXEMPLO: VOT Um dos exemplos mais claros da percepção categorial: distinção sonoro/surdo (vozeado/desvozeado) em posição inicial de sílaba. VOT (voice onset time): relação de tempo entre a soltura da oclusão e o início do vozeamento; parâmetro acústico. O VOT varia entre as línguas. Há estudos para outros traços acústicos, com grau de sucesso variável.

10 VOT: ALGUNS TESTES Fonte: Vowels and Consonants Contínuo que vai de bad para bat [10.1] Identificação: 10.2 Lista aleatória de palavras deste contínuo (9 itens, 1.5 segundos de espaço) 10.3 Outra lista aleatória Discriminação: 10.4 Conjunto de 10 pares de palavras do contínuo ( s para iguais, d para distintos) 10.5 Outro conjunto

11 VOT: ALGUNS TESTES Respostas: Identificação: bad (1 4), bat (6 9) Discriminação: idênticos ( s ) e distintos ( d ) 10.4 s, s, d, d, s, d, d, s, s, d 10.5 s, s, d, d, s, d, d, s, s, d

12 VOT: PERCEPÇÃO EM BEBÊS Estudo experimental (Goodluck, 1991:15): resposta de bebês (taxa de succção) a variações de 20ms no VOT, na fronteira de [p] [b] ( 20D ), fora da região de fronteira ( 20S ) e grupo controle com estímulos sem variações ( 0 ).

13 VOT: DISCRETIZAÇÃO Percepção de [p] e [b] em inglês e tailandês: diferentes VOTs (Goodluck, 1991:16).

14 VOT: VARIAÇÃO Mesmo VOT, mas diferentes fonemas em inglês e tailandês (Goodluck, 1991:17):

15 EXEMPLO: VOT Conclusões: Preferência por certos intervalos no contínuo para categorizações. No caso do VOT: [-50ms : -20ms] e [20ms : 50ms]. Variação: quais intervalos estão ativos numa dada língua e quais rótulos serão atribuídos.

16 CONCLUSÃO Aprendiz universal aprendiz da língua: Criança: aparato perceptual inato; percepção precoce é relativamente independente da experiência, mas é alterada por esta. Entre 6 e 12 meses: intervalos ativos e rótulos de cada divisão do contínuo. Intervalos não utilizados se tornam inativos. À medida em que a criança dispõe das categorias perceptuais adequadas, ela passa a ser capaz de reconhecer palavras no input, a despeito de variações no sinal acústico e a aquisição lexical inicia.

17 Tópico atual: Leitura de Scliar-Cabral (2004) Próximo tópico: a aquisição lexical e o problema gavagai Trazer os dados a serem usados no trabalho final para atividade dos grupos em sala

18 BIBLIOGRAFIA 1. GOODLUCK, H. (1991) Language acquisition: a linguistic introduction. Blackwell Publishers: Oxford, UK. 2. SCLIAR-CABRAL, L. (2004) Declínio da percepção categorial fonética inata no primeiro ano de vida. Letras de Hoje, v.39, n o 3, p

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