Matriz para avaliação do sistema de Distribuição de produtos do setor de bebidas

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1 Matriz para avaliação do sistema de Distribuição de produtos do setor de bebidas Isabel Marcia Rodrigues (UTFPR) João Carlos Colmenero (UTFPR) Luiz Alberto Pilatti (UTFPR) Antonio Carlos Frasson (UTFPR) Resumo: Este artigo propõe uma metodologia para avaliar o desempenho do sistema de Distribuição de produtos de uma organização do segmento de bebidas. Para conquistar vantagens competitivas no mercado as empresas buscam estratégicas que lhe assegurem um diferencial perante o concorrente. Neste contexto, a Logística através de uma coordenação eficiente da Distribuição física pode contribuir para alavancar a competitividade de uma organização. O presente artigo aborda aspectos de Logística e Distribuição, Análise Estratégica e por último apresenta a metodologia para avaliação do sistema de Distribuição em forma de uma matriz de análise. Palavras-chave: Distribuição, Análise SWOT, Matriz. 1. Introdução Fortes mudanças trazidas pela globalização e conseqüentemente por uma acirrada concorrência obrigam as empresas a buscarem melhorar seu desempenho. Atualmente, focar em produtividade e qualidade na produção não basta para alcançar um diferencial no mercado. A satisfação dos clientes aliado a redução de custos são fatores importantes para ser competitivo. A Logística tem sido citada como fonte de vantagem competitiva, pois atualmente toda a capacidade produtiva de um país está na dependência desta atividade que é responsável por direcionar todo o fluxo de insumos para a fabricação, bem como realizar a distribuição de produtos até o consumidor final. A essência de um sistema logístico está em realizar uma operação dinâmica integrando processos de produção, transporte e armazenagem. Dentre estes a Distribuição tem grande relevância, pois influencia diretamente as variáveis custos e atendimento aos clientes. No entanto sabe-se que é um grande desafio para as empresas monitorar seu sistema de Distribuição de forma que resulte em vantagem competitiva frente a seus concorrentes. Neste contexto, o presente estudo propõe uma metodologia para o sistema de Distribuição através da Análise SWOT. Esta análise é uma ferramenta de gestão empresarial e representa as iniciais das palavras Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças). 2. Logística e Distribuição O conceito de Logística tem recebido abordagens diferentes na literatura, mas em síntese pode se dizer que a essência da Logística está em realizar uma operação dinâmica integrando os processos de produção, armazenagem, transporte e nível de serviço, buscando realizar as atividades com baixo custo e priorizando o atendimento aos clientes. Mesmo recebendo destaque nas empresas somente há alguns anos, esta atividade é 1

2 milenar e foi essencial para que muitos impérios tivessem sua hegemonia. Atualmente toda a capacidade produtiva de um país está na dependência da Logística, pois ela direciona todo o fluxo de insumos para a fabricação bem como realiza a distribuição de produtos até o consumidor final. Segundo Bowersox et al (2007), não é mais possível imaginar a realização das atividades de marketing, produção ou comércio internacional sem a participação da Logística. Nas 24 horas de um dia, consumidores do mundo inteiro esperam entregas pontuais de produtos e serviços, e preferencialmente sem erros. No entanto, muitos nem percebem o alto nível de comprometimento que a Logística precisa ter para atendê-los e o quanto é desafiadora esta atividade. Dentre as atividades que compõem a Logística, Ballou (2006) as classifica como suporte e principais. As atividades suporte são caracterizadas por contribuir com os objetivos da Logística, mas muitas vezes não são essenciais na estrutura de uma empresa dependendo do negócio em que atua. Por exemplo, o carvão e a pedra brita não necessitam de proteção quanto ao clima e assim dispensam a armazenagem. As principais ou também denominadas atividades chave, são essenciais para que a Logística alcance seus objetivos de forma eficiente. Geralmente estão dentro da distribuição física e representam a maior parte dos custos logísticos. Neste contexto, percebe-se a importância da escolha de um canal de distribuição eficaz, pois além de contribuir para a redução de custos das empresas, pode concretizar uma das premissas da Logística que é entregar o produto certo, no tempo certo e com qualidade, colaborando para um satisfatório nível de atendimento ao cliente. Alguns autores, Oliva (2005), Ballou (2001), Alvarenga e Novaes (2005), conceituam Distribuição, como um processo de movimentação e transporte de produtos acabados, tendo como partida a fábrica e destino o cliente, seja no atacado ou varejo. Para Faria e Costa (2007) este processo teve início com a atividade de Marketing (produto, preço, promoção e distribuição) e atualmente tem como função desde a armazenagem até a consolidação da carga e expedição do produto. O processo de Distribuição pode ser realizado através dos modais: rodoviário, ferroviário, aéreo, hidroviário, o dutoviário e o multimodal, que é uma junção de dois ou mais dos primeiros modais citados. De acordo com Alvarenga e Novaes (2005), a partir da década de 50, época do desenvolvimento da indústria automobilística e da pavimentação de muitas rodovias no Brasil, o modo rodoviário expandiu muito, sendo hoje a forma de transporte mais utilizada pelas empresas absorvendo cerca de 60% do total das cargas do país. Conforme Ballou (2001), o processo de Transporte é a atividade mais importante da Logística, pois ocupa cerca de 60% dos custos logísticos. Como um dos desafios das empresas é atender o mercado de maneira eficaz ao menor custo possível, a Distribuição, além de responder pela maior parte dos custos é um diferenciador, pois nela estão contidas algumas variáveis importantes no quesito atendimento ao cliente. De acordo com Bowersox et al (2007), estas variáveis são caracterizadas por: - : que implica em dispor estoques para atender a necessidade dos clientes, - Consistência: que é a confiança que o cliente tem que receberá o produto na data acordada, - Velocidade: se refere a entregar os produtos de forma rápida, - Flexibilidade: é o atendimento a situações incomuns e inesperadas de um cliente, - Tempo de recuperação nas falhas: quando ocorrem avarias nos produtos ou a necessidade de corrigir pedidos incorretos. 2

3 Para muitas organizações, abastecer os clientes atendendo as variáveis mencionadas com custos competitivos é uma tarefa onerosa e de difícil execução. Diante destas e outras dificuldades as indústrias questionam qual a melhor forma de distribuição dos produtos: frota própria, reduzir ou aumentar o número de caminhões, terceirizar a distribuição, entregas diretas ou centros de distribuição. A resposta para estas questões se define através de uma análise estratégica que a empresa pode desenvolver para entender o mercado em que atua e atendê-lo da melhor forma possível. 3. Análise estratégica Para escolher uma estratégia que tenha sucesso é preciso conhecer os clientes importantes, saber quais produtos ofertar e analisar quais atividades executar. A organização deve analisar com profundidade estes itens para elaborar sua estratégia e se diferenciar de seus concorrentes (HIKAGE, 2006). A análise estratégica conceitua e avalia as táticas que uma empresa está utilizando, ao examinar o seu ambiente externo e interno quanto a sua aceitação perante o mercado, suas vantagens e desvantagens e também sua competitividade. Esta avaliação começa desde a definição da visão e missão e finaliza com a verificação do posicionamento do negócio frente à concorrência através de melhores custos, diferenciação e foco em clientes potenciais (BICHO E BAPTISTA, 2006). Um procedimento que pode contribuir positivamente com as organizações para avaliar suas vantagens e desvantagens posicionando a alta direção através de uma visão de suas fraquezas e fortalezas é a Análise SWOT. Este sistema é uma ferramenta da gestão empresarial utilizada por muitas empresas que demonstra os obstáculos que precisam ser superados e as condições favoráveis que devem ser administradas. De acordo com Marques (2005) o termo inglês SWOT representa as iniciais das palavras Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças) e tem a finalidade de analisar os pontos fortes e fracos de uma corporação, bem como as ameaças e oportunidades da mesma frente ao mercado em que atua. A análise é realizada em dois níveis, no ambiente externo e interno. O Ambiente externo compreende as mudanças que ocorrem fora da organização, mas que podem afetar seu desempenho e se caracterizam pelas ameaças ou oportunidades. O ambiente interno examina os pontos fortes e fracos e que precisam ser monitorados constantemente. Este processo permite visualizar qual área tem desempenho positivo perante o mercado e qual é frágil e precisa melhorar. Uma das áreas promissoras para alavancar vantagens competitivas para as empresas e que tem sido citada por autores conceituados como Bowersox et al (2007), Christopher (1997), Ballou (2006) é a Logística. Os autores acreditam que empreender o sistema logístico de forma coordenada é uma oportunidade para as empresas conquistarem seu diferencial perante os clientes e a concorrência devido a contribuição tanto com a redução de custos quanto ao atendimento a clientes. Para Ballou (2006), uma estratégia Logística trabalha com os principais objetivos. Primeiramente a redução de custos, envolvendo os custos relacionados com transporte e armazenagem, onde, por exemplo, é preciso analisar qual o melhor modal de transporte a ser utilizado que possa cooperar com a maximização dos lucros. Em segundo lugar a redução de capital, onde se busca minimizar o nível de investimento do sistema logístico. Como exemplo, 3

4 cita-se a utilização da técnica just-in-time ao invés de manter estoques. Por último, a melhoria de serviços, que usa como parâmetro a concorrência e mesmo que no início os custos aumentem, acredita-se que o nível logístico se adapta produzindo lucros. Para muitos clientes a qualidade e o preço de um produto não bastam para atingir sua satisfação. Outros elementos como, agilidade, flexibilidade e confiabilidade são fundamentais para atingir um nível de serviço excelente. Estas variáveis podem ser utilizadas como pilares para estratégias competitivas das corporações. Neste contexto a Análise SWOT pode colaborar com a estratégia Logística na atividade de Distribuição, demonstrando as áreas fortes e fracas de sua atuação em determinada região. Para isto se propõe um modelo para contribuir com as empresas na realização desta análise. 4. Matriz de análise A matriz foi elaborada com algumas variáveis consideradas importantes na Distribuição. Tabela 1 Matriz SWOT de Análise Interna Matriz SWOT de Análise Interna para Distribuição de Produtos Avaliação Interna Pontos Fortes Pontos Fracos Estoque Produto - qualidade Produto - qualidade Acondicionamento Acondicionamento Agilidade Agilidade Avarias no carregamento Avarias no carregamento Carregamento Controle de pátio Controle de pátio Enlonamento Enlonamento Equipamento carregamento Equipamento carregamento Manuseio Manuseio Mão-de-obra Mão-de-obra Controle de cargas Controle de cargas Frota Própria Frota Própria Manutenção caminhões Manutenção caminhões Planejamento de cargas Planejamento de cargas Transporte Seguro / cobertura de risco Seguro / cobertura de risco Tamanho dos caminhões Tamanho dos caminhões Tipos de entrega Tipos de entrega Transportadora Transportadora Agilidade nos pedidos Agilidade nos pedidos Nível Cargas diferenciadas Cargas diferenciadas de Comunicação Comunicação Serviço Cordialidade atendimento Cordialidade atendimento Devoluções Devoluções Montagem de pedidos Montagem de pedidos Reclamações Reclamações Fonte: os autores 4

5 A finalidade é demonstrar para a organização os itens que precisam ser monitorados e detalhados para se antecipar aos problemas que venham ocorrer ou mesmo corrigir os já existentes. A metodologia consiste em evidenciar qual a situação de atendimento das variáveis identificadas na tabela. Por exemplo, na Análise Interna, no campo Pontos Fracos, deve-se marcar quais itens foram desfavoráveis para o desempenho da Distribuição em determinado período analisado, mediante as falhas que ocorreram durante o processo de Distribuição. No campo Pontos Fortes, marca-se os itens que tiveram bom desempenho. Na Análise Externa é possível visualizar as Ameaças ocorridas no período e mensurar os prejuízos que elas podem causar no sistema de Distribuição. No campo Oportunidades constatam-se os elementos que podem ser aproveitados para aperfeiçoar o processo. O modelo permite uma análise em todos os modais, desde que alterados alguns parâmetros e variáveis pertinentes. Contudo pelo foco que este trabalho se propõe a análise será realizada considerando apenas o modal rodoviário. Outro ponto importante é que a matriz pode ser acrescida de outras variáveis que sejam consideradas relevantes no processo de uma organização e que não constam neste modelo. Tabela 2 Matriz SWOT de Análise Externa Matriz SWOT de Análise Externa para Distribuição de Produtos Avaliação Externa Oportunidades Ameaças Pedágio Pedágio Regras Combustível Combustível Governamentais Excesso de peso Excesso de peso Impostos (ICMS, IPVA, ISS, etc) Impostos (ICMS, IPVA, ISS, etc) Multas diversas Multas diversas Avarias na carga ou descarga Avarias na carga ou descarga Confiabilidade Confiabilidade Cordialidade motorista Cordialidade motorista Conservação veículos Conservação veículos Nivel Descarga Descarga de Equipamentos para descarga Equipamentos para descarga Serviço Freqüência de entrega Freqüência de entrega Horário Entrega Horário Entrega Prazo de entrega Prazo de entrega Velocidade Velocidade Acidentes Acidentes Ajudante descarga Ajudante descarga Atrasos nas viagens Atrasos nas viagens Avarias durante transporte Avarias durante transporte Transporte Distância e rota Distância e rota Distribuição concorrência Distribuição concorrência Fornecedor de transporte Fornecedor de transporte Manutenção com caminhões Manutenção com caminhões Roubos de cargas Roubos de cargas Fonte: os autores 5

6 5. Conclusão Para conquistar posições estratégicas de mercado muitas empresas buscam métodos para monitorar o desempenho de suas atividades. A Logística que tem se mostrado como fonte de vantagem competitiva agrega uma das atividades fundamentais para a sobrevivência econômica do país que é a Distribuição de produtos. Torna-se claro que é necessário e possível associar a Distribuição de produtos com o posicionamento estratégico de uma empresa, visto que a atividade de Transportes contribui diretamente para a competitividade de uma organização. Assim, cabe as empresas encontrarem formas de realizar análises periódicas de seu sistema de Distribuição visando alcançar melhorias em suas operações. A Matriz SWOT de Análise contribui com as organizações permitindo a visualização dos principais elementos que envolvem o sistema de Distribuição. Estes elementos são caracterizados por Pontos Fortes e Oportunidades que possibilitam a empresa utilizá-los para melhoria de seu processo. O outro grupo de elementos formado pelos Pontos Fracos e Ameaças favorecem a elaboração de planos de ações agindo na causa das falhas eliminando perdas e reduzindo custos. Conclui-se que a utilização da Matriz SWOT permite que empresa perceba seus pontos fortes e ainda descubra oportunidades que possam ser implementadas em seu sistema. A análise demonstra também que existem pontos fracos os quais devem ser eliminados e destaca as ameaças que podem comprometer o processo e devem ser evitadas. Referências ALVARENGA, A e NOVAES, A. Logística Aplicada. São Paulo: Edgard Blücher, BALLOU, R.H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. São Paulo: Bookman, BALLOU, R.H. Logística Empresarial. São Paulo: Atlas, BICHO, L e BAPTISTA, S. Modelo de Porter e Análise SWOT. Estratégias de Negócio. Instituto Politécnico de Coimbra: Dez, BOWERSOX, D.J. CLOSS, D.J. COOPER, M.B. Gestão da Cadeia de Suprimentos e Logística. Rio de Janeiro: Campus, CHRISTOPHER, M. Logística e Gerenciamento da SC Estratégias para redução de custos e melhoria dos serviços. São Paulo: Afiliada, FARIA, A e COSTA, M. Gestão de Custos Logísticos. São Paulo: Atlas, HIKAGE, O.K, SPINDOLA, M.M, LAURINDO, F.J. Software de Balance Score Card: proposta de um roteiro de implantação. Revista Produção: Abr, MARQUES, R. Um processo de planejamento estratégico para pequenas empresas de tecnologia da informação. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pernambuco. Recife: 2005 OLIVA, G.M. Planejamento Conjunto e Colaborativo da Cadeia de Suprimentos: Modelo de Controle Ótimo Multiobjetivo com custos de transporte. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:

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