Palavras-chave: Deficiência visual. Ensino-aprendizagem.

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1 O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DE DISCENTES COM DEFICIÊNCIA VISUAL NA EDUCAÇÃO SUPERIOR Thelma Helena Costa Chahini. - Universidade Federal do Maranhão Silvania dos Santos Rabêlo - Universidade Federal do Maranhão João Brito Batista - Universidade Federal do Maranhão Resumo A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, esclarece, dentre outros, que na educação superior, a educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação de alunos (as) com deficiência e/ou com necessidades educacionais específicas. Estas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços à promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino, a pesquisa e a extensão.nesse contexto, desenvolveu-se uma pesquisa exploratória, descritiva, no período de março a setembro de 2015, na Universidade Federal do Maranhão, especificamente, no Centro de Ciências Humanas, visando investigar as percepções dos discentes com deficiência visual em relação à operacionalização da referida Política, bem como aos desafios da permanência, com êxito de aprendizagem, na Educação Superior. Os participantes foram 10 discentes com deficiência visual. Sendo 09 do sexo masculino e 01 do sexo feminino, com idade entre 21 e 43 anos. Pertencentes aos Cursos de Licenciatura em Música, Teatro, Artes Visuais, Filosofia, História, Geografia, Letras (Habilitação em Inglês), Ciências Sociais (Bacharelado) e Geografia (Bacharelado). Os instrumentos de coleta de dados foram entrevistas semiestruturadas. Os resultados enfatizam os desafios da operacionalização da Legislação vigente em relação à inclusão, bem como a urgência de recursos humanos qualificados que possam concretizar a referida Política. Faz-se urgente à implementação de projetos de ensino e de extensão dentro da Universidade, que tenham por objetivo promover a sensibilização do olhar e da escuta da comunidade acadêmica em relação aos discentes com deficiência, para que esta se torne verdadeiramente inclusiva. Palavras-chave: Deficiência visual. Ensino-aprendizagem. Educação Superior

2 2 INTRODUÇÃO A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, esclarece, dentre outros, que na educação superior, a educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação de alunos (as) com deficiência e/ou com necessidades educacionais específicas(brasil, 2007). Estas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços à promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino, a pesquisa e a extensão. Em junho de 2015 é instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais da pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e o exercício de sua cidadania (BRASIL, 2015). Nesse contexto, questiona-se: quais as percepções dos discentes com deficiência visual da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em relação à operacionalização da referida Política, bem como os desafios do processo ensinoaprendizagem na Educação Superior? Para dar conta de responder ao problema levantado, elencou-se como objetivo primário investigar as percepções dos discentes com deficiência visual da UFMA em relação à operacionalização da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, bem como aos desafios da permanência, com êxito de aprendizagem, na Educação Superior. METODOLOGIA Desenvolveu-se uma pesquisa exploratória, descritiva, pois de acordo com Gil (2008) esse tipo de pesquisa é apropriado nos casos pouco conhecidos e/ou pouco explorados, bem como possibilita descrever o fenômeno pesquisado. No total foram 10 alunos (as) com deficiência visual. Sendo 08 alunos do sexo masculino e 02 do sexo feminino. Pertencentes aos Cursos de Licenciatura em Música, Teatro, Artes Visuais, Ciências Sociais (Bacharelado), Filosofia, Letras (Habilitação em Inglês), Letras (Habilitação em Francês), Psicologia, Licenciatura em História e Licenciatura em Geografia

3 3 Realizaram-se entrevistas semiestruturadas, por meio de um roteiro contendo 12 perguntas, pois de acordo com Triviños (1987, p. 152) [...] favorece não só a descrição dos fenômenos sociais, mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade [...] além de manter a presença consciente e atuante do pesquisador no processo de coleta de informações. Os dados foram coletados dentro da UFMA. Após o mapeamento e a identificação dos participantes, agendavam-se as entrevistas de acordo com a disponibilidade dos alunos (as). No dia agendado, explicavam-se os objetivos da pesquisa e após o preenchimento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos participantes, os dados eram coletados em salas que se encontravam disponíveis para este fim. RESULTADOS E DISCUSSÃO Todos os participantes ingressaram na UFMA por meio do Sistema de Cotas. A maioria (90%) relatou insatisfação com a questão da acessibilidade na universidade. Os participantes foram unânimes ao enfatizar que os docentes não se encontram qualificados para o processo ensino-aprendizagem de discentes com deficiência visual. Os dados revelam que existe um bom relacionamento entre os discentes com deficiência e seus colegas, mas em relação aos docentes, existem alguns que não se relacionam bem com os alunos (as) com deficiência. Nesse sentido, Oliveira (apud OLIVEIRA, 2011), ao realizar uma pesquisa na Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 2003, verificou, dentre outros, que os alunos com deficiência enfrentavam dificuldades nas relações interpessoais envolvendo estes e os seus professores,assim como má vontade dos professores em atender suas necessidades educacionais específicas. Metade dos participantes se queixou de demora na entrega dos materiais solicitados ao Núcleo de Acessibilidade da UFMA. 50% relatou que os docentes não utilizam adequações curriculares e/ou recursos pedagógicos no processo ensinoaprendizagem, 40% disse que alguns professores utilizam e outros não e 10% enfatizou que os professores utilizam recursos como Braille e descrição de imagem

4 4 A maioria dos participantes (60%) relatou que os conhecimentos adquiridos em seus Cursos não eram suficientes para garantir condições de inserção no mercado de trabalho competitivo, devido às dificuldades de acesso aos conhecimentos formais socializados na Universidade. Nesse contexto, lembra-se de Machado (2008), ao enfatizar que existe uma distância entre as políticas que são proclamadas e a operacionalização destas nas instituições de ensino, bem como a importância de a Legislação, realmente, se fazer presente dentro das universidades, não como imposição, mas como processo de sensibilização, educação e prática transformadora, pois a lei por si só não garante a política de inclusão. CONCLUSÕES Diante dos fatos, o que se percebe é a falta de operacionalização das Políticas Educacionais que visam a Inclusão de pessoas com deficiência na Educação Superior, bem como a carência de recursos humanos qualificadosque possam concretizar as referidas Políticas. Faz-se urgente à implementação de projetos de ensino e de extensão dentro da Universidade, que tenham por objetivo promover a sensibilização do olhar e da escuta da comunidade acadêmica em relação aos alunos (as) com deficiência, para que esta se torne verdadeiramente inclusiva. É importante que a universidade faça a identificação das necessidades individuais dos discentes com deficiência, visando oferecer apoio necessário durante a trajetória acadêmica, bem como realize modificações curriculares quando necessário, para que os discentes sejam bem-sucedidos em seus Cursos. Que haja uma preocupação por parte das autoridades competentes com o desenvolvimento de uma cultura que valorize a diversidade e promova a inclusão, não somente de alunos (as) com deficiência visual, mas de todos os discentes, com ou sem deficiência. Para que a Universidade Federal do Maranhão possa ser considerada inclusiva, é de suma importância que ocorram mudanças, para melhor, nas relações interpessoais e nas atitudes dos profissionais em relação aos discentes com deficiência, com eliminação de estigmas que associam a deficiência com incapacidade. E que os profissionais que ocupam cargos e/ou funções que atendem alunos (as) com deficiência, 12732

5 5 sejam preparados, qualificados para a receptividade de suas necessidades específicas e, que realmente, ofereçam apoio. Espera-se que este estudo represente a vez e a voz de todos os discentes com deficiência, que através de políticas compensatórias conseguiram ingressar na Educação Superior, mas que se encontram lutando para garantir suas permanências com êxito de aprendizagem, bem como uma educação de boa qualidade que lhes garanta, além de uma educação à cidadania, condições de inserção no mercado de trabalho competitivo. REFERÊNCIAS BRASIL. Estatuto da pessoa com deficiência. Lei Brasileira de Inclusão. Lei nº , de 06 de julho de Brasília DF, BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555, de 5 de junho de 2007, prorrogada pela Portaria nº 948, de 09 de outubro de Brasília, DF, Disponível em: < Acesso em: 8 jun GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, MACHADO, Edileine Vieira. Políticas Públicas de Inclusão no Ensino Superior. In: SOUZA, Olga Solange Herval (Org.). Itinerários da inclusão escolar: múltiplos olhares, saberes e práticas. Porto Alegre: Ulbra, p OLIVEIRA, A. S. S. A Alunos com deficiência no ensino superior: subsídios para a política de inclusão da UNIMONTES Tese (Doutorado em Educação Especial) Universidade Federal de São Carlos UFSCar, TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas,

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