LONGEVIDADE DE SEMENTES DE Crotalaria juncea L. e Crotalaria spectabilis Roth EM CONDIÇÕES NATURAIS DE ARMAZENAMENTO

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1 LONGEVIDADE DE SEMENTES DE Crotalaria juncea L. e Crotalaria spectabilis Roth EM CONDIÇÕES NATURAIS DE ARMAZENAMENTO Odilon Peixoto de Morais Júnior 1, Vladimir Sperandio Porto 1, Daniela Cleide Azevedo de Abreu 2, Paulo César Timossi 3, Joseliana Aparecida Vaz Fernandes 4 1 Programa PVIC/UEG, graduandos do Curso de Agronomia, UnU Ipameri - UEG. 2 Orientadora, docente dos Cursos de Eng. Florestal e Agronomia, UnU Ipameri UEG. 3 Colaborador, docente do Curso de Agronomia, Polo de Jataí UFG. 4 Colaboradora, técnica laboratorial, UnU Ipameri - UEG. Resumo Durante o armazenamento sob condições naturais as sementes podem apresentar diferentes comportamentos quanto ao início e intensidade do processo de deterioração, processo que prejudica a expressão satisfatória de suas funções vitais, caracterizadas pela germinação, vigor e longevidade. Este trabalho teve como objetivo determinar a capacidade germinativa de sementes de Crotalaria juncea e Crotalaria spectabilis, quanto à germinação e vigor, em condições naturais de armazenamento e em função do tempo e do substrato para germinação. Os experimentos foram conduzidos no Laboratório de Sementes da UEG, UnU - Ipameri. Para ambas as espécies foram avaliada a qualidade física (teor de água) e fisiológica (porcentagem de germinação e vigor). Foi utilizado o delineamento inteiramente casualizado submetido ao esquema fatorial 2x2x3 (espécie x substrato x período de armazenamento) com quatro repetições de 50 sementes por tratamento. Todos os dados foram submetidos à análise de variância e as médias foram comparadas entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Devido ao comportamento divergente entre as sementes, sugere-se que as espécies estudadas apresentam diferentes graus de deterioração das sementes. O substrato areia possibilitou maiores valores médios de germinação e vigor durante o período de armazenamento. Observou-se que a longevidade das sementes de Crotalaria juncea, foi mantida durante 180 dias de armazenamento em condições naturais. Enquanto que as sementes de Crotalaria spectabilis apresentaram maior grau de deterioração em relação às sementes de Crotalaria juncea. Palavras-chave: crotalária, sementes, germinação, vigor, deterioração.

2 Introdução Os efeitos da adubação verde sobre os sistemas produtivos agrícolas têm sido bastante procurados por parte de todos ligados ao setor agropecuário, principalmente onde a preocupação com a preservação e melhoria do ambiente é mais acentuada (MONZABANI et al., 1993). Estudos sobre o uso de leguminosas com a finalidade de adubação verde têm demonstrado um grande potencial na recuperação da produtividade do solo (MONZABANI et al., 1993). Dentre as diversas espécies de adubos verdes adotadas, destaca-se a Crotalaria juncea e Crotalaria spectabilis. A crescente utilização de adubação verde tem aumentado a necessidade de disponibilizar sementes de qualidade no mercado (CALEGARI et al., 1992). A capacidade fisiológica das sementes, que consiste em desempenhar funções vitais, caracterizadas pela germinação, vigor e longevidade, tem sido a primeira preocupação de tecnologistas em sementes (NAKAGAWA, 2001). As plantas de crotalária apresentam auto-incompatibilidade, sendo a polinização depende da presença de determinados insetos para que haja produção de sementes, havendo produção de sementes dessa leguminosa toma-se bastante irregular, sendo variável de ano para ano (MAEDA et al., 1986) Este problema é muito delicado, não apenas para o produtor de semente, como também para instituições de pesquisa e bancos de germoplasma (ITO, 1972), onde existe a necessidade de preservação, por diversos anos, de certa quantidade de sementes com alto valor cultural para uso dos melhoristas e estudiosos dessa leguminosa. O presente trabalho teve como objetivo determinar a capacidade germinativa de sementes de Crotalaria juncea e Crotalaria spectabilis, quanto à germinação e vigor, em condições naturais de armazenamento, em função do tempo e do substrato para germinação. Materiais e Métodos As sementes Crotalaria juncea e Crotalaria spectabilis foram colhidas em setembro de 2008, oriundas de experimentos de adubos verdes realizados no campo de pesquisa da Fazenda Experimental da UEG-UnU de Ipameri. Após a colheita, as sementes de cada espécie foram devidamente identificadas e acondicionadas em

3 embalagens de plástico tipo Ráfia com capacidade para 0,5 kg e posteriormente armazenadas em laboratório, sem controle de temperatura e umidade relativa do ar. Os experimentos foram conduzidos no Laboratório de Sementes da Universidade Estadual de Goiás - UEG, Unidade Universitária de Ipameri. As avaliações foram realizadas com 0, 90 e 180 dias de armazenamento. Os testes de germinação foram instalados em dois substratos: areia e papel-mata-borrão. O substrato areia foi lavado a 1% de hipoclorito de sódio e em seguida autoclavado a 110ºC e a secagem foi realizada em estufa em temperatura de 105ºC por duas horas. A areia foi peneirada em peneira de malha fina e posteriormente colocou-se 80 g desse substrato em caixas de plástico tipo gerbox. A areia foi umedecida com 40ml de água deionizada. O papel-mata-borrão foi esterilizado em água sanitária (hipoclorito de sódio a 1%). A assepsia das sementes também foi realizada em solução de água sanitária a 1%. Os testes de germinação foram conduzidos em germinador de câmara tipo BOD, na temperatura constante de 25 C na presença de luz contínua. Foram avaliados a capacidade germinativa (porcentagem de plântulas normais no final do teste de germinação) e o vigor (tempo médio e índice de velocidade de germinação). O delineamento estatístico foi inteiramente casualizado submetido ao esquema fatorial 2x2x3 (espécie x substrato x período de armazenamento) com quatro repetições de 50 sementes por tratamento. Os valores de porcentagem foram submetidos à análise de variância, sem transformação, os valores de IVG submetidos à análise de variância e transformados pelo arc sen sqrt (x + 0,5), e as médias comparadas entre si, pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Resultados e Discussão As sementes de Crotalaria juncea apresentaram porcentagem de germinação avaliações. As sementes de Crotalaria juncea apresentaram porcentagem de germinação avaliações. Pelos dados do tempo médio de germinação, expressos na tabela 2, verificam-se que independentemente dos substratos, apesar do substrato de areia

4 apresentar valor significativamente superior quando comparado ao papel mata-borrão, os valores do TMG aumentaram sensivelmente ao longo do período de armazenamento. Tabela 1 - Média geral da porcentagem de germinação de sementes de Crotalaria juncea e C. spectabilis em função do tempo de avaliação e substrato. Ipameri-GO, Tempo de avaliação Espécie Substrato E 1 E 2 S 1 S ,25 ABa 65,00 Ab 68,75 Ba 69,50 Aa 90 69,75 Ba 37,50 Cb 70,00 Ba 37,25 Cb ,75 Aa 51,25 Bb 79,00 Aa 49,00 Bb Média Geral 62,25 C.V. (%) 6,95 1- Médias seguidas de mesma letra maiúscula nas colunas e da mesma letra minúscula nas linhas cada qual para espécie e substrato, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. 2- E 1- Crotalaria juncea; E 2- Crotalaria spectabilis; S 1- Areia; S 2- Papel mata-borrão. Índice de Umidade (%) Tempo (dias) C. juncea C. spectabilis Figura 1 Teor de água das sementes de Crotalaria juncea e Crotalaria spectabilis em função do período de armazenamento. As sementes de Crotalaria juncea apresentaram porcentagem de germinação avaliações. As sementes de Crotalaria juncea apresentaram porcentagem de germinação avaliações. Pelos dados do tempo médio de germinação, expressos na Tabela 2, verificam-se que independentemente dos substratos, apesar do substrato de areia apresentar valor significativamente superior quando comparado ao papel mata-borrão, os valores do tempo médio de germinação aumentaram sensivelmente ao longo do período de armazenamento.

5 Em relação aos substratos, ambas as espécies se diferiram entre si e apresentaram resposta distinta sobre influencia dos substratos. As sementes de Crotalaria spectabilis apresentaram significativamente valores de TMG bastante superiores que as de Crotalaria juncea em ambos os substratos, sendo que o substrato de areia possibilitou maiores valores médios de TMG. Tabela 2 - Tempo médio de germinação (TMG) de sementes de Crotalaria juncea e C. spectabilis em função do substrato e tempo de avaliação. Substrato Espécie Período de armazenamento (dias) E 1 E S 1 17,89 Ab 18,91 Aa 17,65 Bb 17,89 Bb 19,66 Aa S 2 16,75 Bb 18,55 Ba 15,97 Cc 18,00 Bb 18,97 Aa Média Geral 18,02 C.V. (%) 1, Médias seguidas de mesma letra maiúscula nas colunas e da mesma letra minúscula nas linhas cada qual para espécie e período de armazenamento, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. 2- E 1- Crotalaria juncea; E 2- Crotalaria spectabilis; S 1- Areia; S 2- Papel mata-borrão. Tabela 3. Índice de velocidade de germinação (IVG) de sementes de Crotalaria juncea e C. spectabilis em função do substrato e tempo de avaliação. Tempo de avaliação Espécie Substrato E 1 E 2 S 1 S 2 0 5,89 Aa 4,80 Ab 4,75 Ab 5,94 Aa 90 5,74 Aa 2,47 Bb 4,63 Aa 3,59 Bb 180 4,74 Ba 2,32 Bb 3,91 Ba 3,15 Bb Média Geral 4,35 C.V. (%) 9,17 1- Médias seguidas de mesma letra maiúscula nas colunas e da mesma letra minúscula nas linhas cada qual para espécie e período de armazenamento, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de significância. 2- E 1- Crotalaria juncea; E 2- Crotalaria spectabilis; S 1- Areia; S 2- Papel mata-borrão. Os valores de vigor obtidos colaboram com resultados de alguns trabalhos desenvolvidos com a presente ideologia, sendo que normalmente as sementes quando apresentam maiores teores de umidade quando armazenadas às condições ambientais tendem a apresentar valores de vigor inferiores em relação às sementes com menor teor de umidade. Conclusões Pelos resultados obtidos sugere-se que devido ao comportamento divergente, as espécies estudadas apresentam diferentes graus de deterioração das sementes.

6 O substrato areia foi o mais adequado para a germinação das sementes de ambas espécies; A longevidade das sementes de Crotalaria juncea, foi mantida durante 180 dias de armazenamento em condições naturais. Enquanto que as sementes de Crotalaria spectabilis apresentaram maior grau de deterioração em relação às sementes de Crotalaria juncea. Referências bibliográficas CALEGARI, A; et al Adubação verde no sul do Brasil. ASPTA 346 p. ITO, H. Organization of the national Seed Storage Laboratory for Genetic Resources in Japan. In: ROBERTS, E.H., ed. Viability of seeds. Syracuse, Syracuse University Press, p MAEDA, J. A.; SALGADO, A. L. de B.; LAGO, A. A. do. Deterioração de sementes de Crotalaria juncea e suas conseqüências em laboratório e campo. Bragantia, Campinas Disponível em: /scholar?q=cachê :F7GYmQYkVHkJ: scholar. google.com/&hl=pt-br. Acesso em: 13 jul. de MONZABANI, A.E.; et al A maturação fisiológica e retardamento de colheita de sementes de crotalária (Crotalária juncea L.), Rev. Bras. de Sementes, vol. 15 (1). NAKAGAWA, J.: Fisiologia e qualidade das sementes de adubos verdes e plantas de cobertura.documento eletrônico, 2001.Disponívelem: unesp.br/intranet /arquivos/ciro/sementes.doc. Acesso em: 22 de março, 2008.

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