A UTILIZAÇÃO DO SISTEMA HOME-BROKER COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO DE POTENCIAIS INVESTIDORES AO MERCADO BURSÁTIL BRASILEIRO

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1 UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM MBA GERÊNCIA FINANCEIRA JOELCY JOSÉ SÁ LANZARINI A UTILIZAÇÃO DO SISTEMA HOME-BROKER COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO DE POTENCIAIS INVESTIDORES AO MERCADO BURSÁTIL BRASILEIRO CRICIÚMA, ABRIL DE 2008

2 1 JOELCY JOSÉ SÁ LANZARINI A UTILIZAÇÃO DO SISTEMA HOME-BROKER COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO DE POTENCIAIS INVESTIDORES AO MERCADO BURSÁTIL BRASILEIRO Monografia apresentada ao Setor de Pós- Graduação Lato Sensu da Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC para obtenção do título de Especialista em MBA Gerência Financeira. Orientadora: Profª. Drª. Fernanda Cristina Barbosa Pereira Queiroz CRICIÚMA, ABRIL DE 2008

3 2 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por ter me permitido vencer mais este desafio. Agradeço à minha família, que sempre me incentivou a continuar estudando e que souberam entender a minha ausência em determinados momentos de nossas vidas em função das atividades acadêmicas às quais nos dedicamos incondicionalmente. Agradeço à professora Fernanda, que sempre me incentivou a continuar estudando e que aceitou ser minha orientadora nesta monografia. Agradeço a todos os professores do curso de especialização, que indistintamente foram dedicados e persistentes para que conseguíssemos aproveitar ao máximo o conteúdo lecionado. Agradeço à coordenação e funcionários do curso de pós-graduação, que sempre estiveram lado a lado conosco nesta caminhada, orientando, apoiando e incentivando para que todas as etapas fossem realizadas. Enfim, agradeço a todos, que de uma ou outra forma colaboraram para a conclusão do curso e para a elaboração desta monografia, pois tenho consciência que sozinho esta jornada seria impossível.

4 3 RESUMO O presente trabalho tem por objetivo apresentar o sistema de operação para emissão de ordens de compra e venda de ações diretamente do investidor para a mesa de operação na bolsa de valores como forma de facilitar o acesso ao mercado de onde quer que se esteja, desde que tenha acesso à internet, com objetivo de aumentar o número de investidores no mercado de renda variável. A metodologia utilizada para este trabalho foi a pesquisa bibliográfica, artigos científicos sobre o assunto e a coleta de dados em sites de Internet. A análise dos resultados revela que com a inclusão do sistema de negociação home-broker, muitos foram os benefícios, quer seja pelo número de investidores incluídos, quer seja pelo volume negociado. O estudo mostra que estas mudanças levaram à inclusão de muitos investidores ao mercado de bolsa de valores devido à facilidade de acesso e operacionalização, oportunizando a estes a possibilidade de participarem dos negócios no mercado de ações, além da obtenção de rentabilidade maior que a oferecida pelos investimentos formais do mercado, embora com maior grau de risco. Palavras chave: Investimento; Bolsa de Valores; Clube de Investimentos; Mercado; Rentabilidade; Risco; Home-broker; Internet; Sistema Eletrônico de Negociação.

5 4 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANBID Associação Nacional dos Bancos de Investimento BCB Banco Central do Brasil BOVERJ Bolsa de Valores do Rio de Janeiro BOVESPA Bolsa de Valores de São Paulo CDB Certificado de Depósito Bancário CEF Caixa Econômica Federal CMN Conselho Monetário Nacional CVM Comissão de Valores Mobiliários DI Depósito Interbancário FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Home Broker Sistema de negociação eletrônica via internet IBrX-50 índice de Retorno das 50 ações mais negociadas na Bovespa Ibovespa - índice que mede a variação das 60 ações mais negociadas diariamente PREVIC Superintendência Nacional de Previdência Complementar RDB Recibo de Depósito Bancário SELIC Serviço Especial de Liquidação e Custódia SUSEP Superintendência de Seguros Privados TBF Taxa Básica Financeira TI Tecnologia da informação TJLP Taxa de Juro de Longo Prazo TR Taxa Referencial

6 5 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Comportamento das aplicações e da inflação (IGP-M)...26 Tabela 2 - Nº clubes, clubistas e patrimônio...29 Tabela 3 - Comparativo rentabilidade PIBB x iberas Tabela 4 - Rentabilidade dos Fundos FMP- FGTS...36 Tabela 5 - Nº de negócios, volume financeiro e particip. do Home-Broker na Bovespa...47

7 6 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Problema Objetivos Objetivo geral Objetivos específicos Metodologia O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL Conselho Monetário Nacional (CMN) Banco Central do Brasil (Bacen) Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) Superintendência de Seguros privados (Susep) Investimentos em Ativos de Renda Fixa Investimentos em Ativos de Renda Variável MERCADO DE CAPITAIS NO BRASIL Origens das Bolsas de Valores O Mercado de Ações: Formas de Negociação em Bolsa Clubes de Investimentos Outros programas criados pela Bovespa para popularizar e pulverizar o mercado acionário brasileiro Resultados Obtidos com o Programa BOVESPA vai até você O SISTEMA HOME-BROKER COMO FERRAMENTA FACILITADORA À INCLUSÃO DE NOVOS INVESTIDORES NOS MERCADOS DA BOVESPA A era da Internet e o Home-Broker Acesso do Usuário ao Sistema Home-Broker Vantagens do Sistema Home-Broker Desvantagens do Sistema Home-Broker Riscos Operacionais do uso da Internet Segurança no Mercado de Ações Garantias Custódia...46

8 7 4.9 Cuidados na Escolha do Intermediário Aspectos Jurídicos da Negociação de Valores Mobiliários via Home- Broker CONSIDERAÇÕES FINAIS...50 REFERÊNCIAS...52 ANEXOS...55

9 8 1 INTRODUÇÃO Desde o surgimento da moeda o homem procura alternativas de investimento que propiciem a manutenção do poder de compra ou troca e ainda acrescente rendimentos às suas reservas de poupança ou aos seus excedentes estocáveis. No mercado financeiro existem diversas opções de investimentos de renda fixa e de renda variável que objetivam captar estes recursos circulantes, ávidos em busca de altas taxas de remuneração. Em períodos de inflação alta, a preferência do investidor é por ativos de renda fixa e principalmente àqueles atrelados a um indexador, que possam garantir a reposição do poder de compra de sua moeda e que ainda permita-lhe auferir algum ganho real. Por uma questão de segurança e diminuição do risco, é compreensível esta preferência por ativos de renda fixa em momentos em que ambos renda fixa e renda variável apresentem rentabilidade semelhante. Com o plano de estabilização econômica instituído no país no ano de 1994, tem-se conseguido manter a inflação sob controle, através das políticas fiscal, monetária e cambial, o que vem influenciando na decisão dos investidores na hora de aplicar suas poupanças. Com a inflação baixa, os ativos de renda fixa oferecem baixa remuneração aos capitais aportados. Em contrapartida, a renda variável começa a apresentar melhor desempenho ao longo dos anos e isso tem levado a um grande número de pessoas físicas a buscar esta forma de investimento para alocar suas reservas. Segundo Ferreira, 2004, pág. 17, após a implementação do Plano Real que esta realidade começou a se inverter. A remuneração nominal dos títulos de renda fixa começou a cair significativamente... Na direção inversa, os títulos de renda variável começaram a naturalmente ocupar os espaços e noticiários dos rendimentos de destaque, dado seu retorno real intrinsecamente mais elevado. Existem diversas alternativas para investimento destes recursos, mas o presente trabalho ater-se-á a analisar as formas de operacionalizar os

10 9 investimentos, incluindo nesta análise a utilização do sistema denominado home-broker, que permite operar a compra e venda de ações por parte do investidor diretamente, sem a necessidade de passar as ordens pela mesa de operação da sociedade corretora da qual ele é cliente. Esta pesquisa pretende estudar e demonstrar a potencialidade de inclusão de novos investidores ao mercado de bolsa de valores no Brasil utilizando-se do sistema home-broker. Fará uma analogia sobre a evolução do número de investidores via sistema em relação às ordens normais, número de ordens dadas, valor total e médio das ordens executadas. Fará ainda uma descrição de outras medidas instituídas no mercado bursátil (mercado de bolsa de valores) brasileiro que permitiram sua popularização e pulverização. Para fazer esta análise, é necessário mostrar o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional com suas diversas instituições financeiras e não financeiras necessárias para o seu bom desenvolvimento. Especificamente, será analisado o sistema sob a responsabilidade da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) à qual cabe a normalização e fiscalização dos investimentos em valores mobiliários, dentre eles as bolsas de valores. 1.1 Problema A poupança individual interna vem sendo formada pela abstenção do consumo presente em nome do consumo futuro. Grande parte das reservas de poupança tem sido aplicada em ativos de renda fixa (caderneta de poupança, fundos de investimentos ou certificados de depósito bancário) devido à segurança oferecida pelo Governo para estes investimentos, embora a remuneração esteja abaixo do que realmente se julgue como satisfatório pelos poupadores. Além dos ativos formais ofertados pelo mercado, existem alternativas de investimento em renda variável. Dentro do mercado de renda variável encontramos o mercado de bolsas de valores, que permite investir em ações em carteiras individuais ou de forma coletiva através dos clubes de investimentos, que oportuniza aos poupadores com poucos recursos investirem em ações e principalmente a participar de um mix de ações maior do que seria possível se

11 10 este mesmo investisse individualmente seu dinheiro. Com o somatório dos recursos de todos os membros do clube é possível compor uma carteira diversificada, com menor risco. Até o ano de 2000, o mercado de capitais brasileiro sofreu manipulação por parte de acionistas majoritários e especuladores, o que ocasionou prejuízos para os investidores iniciantes e não profissionais, fazendo com que muitos destes tivessem enormes prejuízos e abandonassem o mercado bursátil como opção de diversificação de investimentos, levando consigo a convicção errônea que investir em ações é muito arriscado e perigoso. Havia grande concentração de investimentos em poder de poucos investidores e as empresas não tinham políticas de transparência e proteção aos investidores minoritários (governança corporativa). Então surgiu a pergunta: como tornar o mercado de capitais brasileiro mais transparente e de acesso mais fácil ao maior número possível de investidores? A partir desta data, começou-se a pensar em formas de torná-lo menos exposto aos interesses particulares, buscando a desconcentração dos investimentos, tornando-o pulverizado, permitindo assim o acesso e participação do maior número possível de investidores e com critérios definidos e ações implementadas que garantissem maior transparência e credibilidade aos investidores participantes. O mercado de ações no Brasil sempre despertou curiosidade nas pessoas, porém, aqueles que fizeram incursões nesta seara sem conhecimento e assessoramento especializado, viram seu dinheiro virar pó, como se diz no jargão popular. Desde o surgimento da Bolsa de Valores no Brasil, este mercado fora considerado elitista, pois sempre esteve distante do povo em geral. Pouca informação se obtinha sobre este tipo de investimento. Primeiro porque havia carência de fontes e meios de disseminação destas informações. Segundo, porque de fato não havia interesse por parte da elite dominante em tornar de conhecimento popular tais informações. Somente pessoas residentes nos centros financeiros que dispunham de uma sucursal da Bolsa de Valores é que tinham a possibilidade de usufruir de tal mercado. As ordens sempre foram emitidas diretamente do investidor para a

12 11 mesa de operações da sociedade corretora através de telefone ou a viva voz presencial no local da sala de operações. Muitas pessoas tinham dificuldade em fazer a emissão de ordens de compra e venda e o acompanhamento da execução destas ordens no intraday (negócios ocorridos durante um dia na bolsa de valores). O que fazer para aumentar o número de investidores e melhorar a eficiência operacional do sistema? Como facilitar ao investidor o acesso ao mercado de ações? Como facilitar a emissão de ordens de compra ou venda e o acompanhamento delas durante o pregão? Criou-se então o sistema home-broker, cuja proposta principal é incluir ao mercado de ações o maior número possível de investidores, bem como permitir a colocação e acompanhamento das ordens de compra e venda, a execução destas ordens, a valorização de suas carteiras, além de possibilitar o acompanhamento da parte financeira de sua conta junto à sociedade corretora à qual é filiado. 1.2 Objetivos Objetivo geral Apresentar o funcionamento do sistema home-broker de emissão de ordens de compra e venda de ações via internet Objetivos específicos Descrever o Sistema Financeiro Nacional Identificar como funciona o mercado de capitais no Brasil; Discorrer sobre as opções de investimento existentes no mercado, tanto de renda fixa como de renda variável. Apresentar as inovações introduzidas no mercado de ações, pós Explicar o funcionamento do sistema de negociação eletrônica denominada home-broker, suas vantagens e desvantagens.

13 Metodologia Para a construção deste trabalho foi utilizada a pesquisa bibliográfica. Segundo Oliveira, Sílvio Luiz de (1999, p. 119) a pesquisa bibliográfica tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição científica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno. A pesquisa utilizada é documental e básica, visando gerar informações ainda desconhecidas no meio acadêmico, que possam ser úteis à sociedade, de tal modo que possa contribuir para o desenvolvimento da ciência. A Internet também foi utilizada como fonte de consulta, pois o assunto tratado tem restritas publicações a respeito por ser muito recente. Também foram utilizadas notícias de jornais e revistas especializadas, bem como artigos científicos publicados como fonte de consulta para a confecção do presente trabalho. No capítulo final, será feita uma análise dos dados coletados para verificação da evolução do número de investidores ocorrida após a implantação do sistema home-broker como ferramenta de acesso ao mercado acionário em bolsa de valores no Brasil.

14 13 2 O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL Neste capítulo é apresentada a estrutura de funcionamento do Sistema Financeiro Nacional e suas instituições complementares. Também é discorrido sobre os tipos de investimentos em renda fixa ou variáveis disponíveis no mercado financeiro do Brasil. Segundo Oliveira (2006, p. 14) o conjunto de instituições que atuam no processo de conciliar interesses de agentes deficitários e superavitários e de converter poupança em investimento recebe o nome de Sistema Financeiro Nacional (SFN). Para Fortuna (2006, p. 16) [...] sistema financeiro poderia ser um conjunto de instituições que se dedicam de alguma forma ao trabalho de propiciar condições satisfatórias para a manutenção de um fluxo de recursos entre poupadores e investidores. Segundo Nascimento (2006, p. 15), o Sistema Financeiro Nacional tem o papel social de intermediador de recursos financeiros no mercado. Sem o Sistema Financeiro, os agentes econômicos não teriam segurança para emprestar seus recursos excedentes e os tomadores de recursos teriam muita dificuldade em encontrar quem os emprestasse. O resultado disso seria uma economia engessada, com grandes dificuldades para crescer. O SFN é composto por dois grupos de órgãos: um, responsável pela regulação e fiscalização do sistema, também chamado de subsistema normativo. Outro, composto por diversas instituições interligadas ao sistema, através da realização da parte operacional, também conhecido como subsistema operativo. 2.1 Conselho Monetário Nacional (CMN) Dentro do subsistema operativo, o CMN - Conselho Monetário Nacional, que é o órgão máximo do Sistema, é responsável pela elaboração e condução das políticas monetária, cambial e creditícias, as quais são determinantes para o desenvolvimento econômico e social do país. Segundo Fortuna (2006, p. 19) como órgão normativo por excelência,

15 14 não lhe cabem funções executivas, sendo o responsável pela fixação das diretrizes das políticas monetária, creditícia e cambial do país. São atribuições do CMN: Controlar o volume de moeda em circulação, os meios de pagamento, a emissão de moeda e a normalização para emissão de títulos públicos; Regular o valor interno da moeda Executar a política cambial (valor de paridade do Real frente a outras moedas) Regulamentação das aplicações de recursos em instituições financeiras, bem como do crédito; Facilitar o desenvolvimento econômico do país através de políticas cambial e monetária eficientes; Acompanhar a liquidez e solvência das instituições financeiras; Regular e fiscalizar as operações de redesconto bancário e de mercado aberto; Definir metas de inflação e acompanhar a sua evolução. Sob a responsabilidade do CMN estão o Banco Central do Brasil (BCB), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e a Superintendência de Seguros privados (Susep), sendo que cada uma destas entidades tem abrigadas sob suas responsabilidades diversas outras entidades congêneres e complementares, cujas finalidades são as de normalizar, regular, fiscalizar e operacionalizar a legislação pertinente a cada uma delas. 2.2 Banco Central do Brasil (Bacen) Vinculado ao Ministério da Fazenda é o órgão executivo e fiscalizador das políticas instituídas pelo CMN junto ao SFN. É o emissor de moeda, gestor e controlador das políticas monetária e cambial. São atribuições do BCB: Fiscalização de todas as instituições financeiras sediadas no país,

16 15 exigindo o cumprimento das diretrizes instituídas pelo CMN; Regulamentar, autorizar o funcionamento, fusões ou incorporações, fiscalizar e aplicar penalidades cabíveis e até mesmo liquidar as instituições financeiras; Realizar e controlar operações de redesconto e de empréstimo bancário e interbancário; Controlar a liquidez da economia através da emissão de papel moeda; Controlar o crédito interno e o ingresso e trânsito de capitais estrangeiros; Receber os depósitos compulsórios; Comprar e vender títulos públicos federais; Inspecionar e coordenar a compensação de cheques interbancária. 2.3 Comissão de Valores Mobiliários (CVM) O principal objetivo da CVM é o fortalecimento do mercado de ações e títulos mobiliários, estimulando a aplicação de recurso no mercado acionário, garantindo o funcionamento das bolsas e corretoras e distribuidoras de valores, protegendo os investidores em valores mobiliários e atuando na fiscalização da emissão, registro, distribuição e negociação de títulos emitidos pelas empresas de capital aberto. (NASCIMENTO, 2006, p.17) As principais atribuições da Comissão de Valores Mobiliários são: 1. Incentivar o investimento de recursos de poupança ao mercado de capitais 2. Estimular o funcionamento das bolsas de valores e das instituições do mercado de ações em fases eficientes e regulares; e 3. Garantir a legalidade e a ética nas operações com títulos e valores mobiliários e proteger os investidores. 2.4 Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) Segundo Fortuna (2006, p. 41) é uma autarquia de natureza especial do Ministério da Previdência Social MPS responsável pela supervisão e fiscalização das atividades das entidades de previdência privada fechada.

17 16 Algumas de suas atribuições são: 1. Proceder à fiscalização das atividades das entidades fechadas de previdência complementar e suas operações e aplicar as penalidades cabíveis nos termos da legislação; 2. Expedir instruções e estabelecer procedimentos pra aplicaçãodas normas relativas à sua área de competência, de acordo com as diretrizes específicas do Conselho Nacional de Previdência Complementar; 3. Autorizar a constituição e o funcionamento das entidades fechadas de previdência complementar, bem como a aplicação dos respectivos estatutos e regulamentos de planos e benefícios e de suas alterações; 4. Autorizar as operações de fusão, cisão, incorporação ou qualquer outra forma de reorganização societária, relativas às entidades fechadas de previdência complementar; 5. Autorizar a celebração de convênios e termos de adesão por patrocinadores e instituidores e suas alterações, bem como as retiradas de patrocinadores e instituidores; 6. Autorizar as transferências de patrocínio, grupos de participantes e assistidos, planos de benefícios e reservas entre entidades fechadas de previdência complementar; 7. Harmonizar as atividades das entidades fechadas de previdência complementar com as normas e políticas estabelecidas para o segmento; 8. decretar intervenção e liquidação extrajudicial das entidades fechadas de previdência complementar, bem como nomear interventor ou liquidante nos termos da legislação aplicável; 9. Nomear administrador especial de plano de benefícios específico, podendo atribuir-lhe poderes de intervenção e liquidação extrajudicial no respectivo plano, na forma da legislação 2.5 Superintendência de Seguros privados (Susep) Segundo Fortuna (2006, p. 43 ) é o órgão responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguros, previdência aberta e capitalização As atribuições da SUSEP estão a seguir relacionadas: 1. Fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e operação

18 17 das Sociedades Seguradoras, de Previdência Aberta e de Capitalização, na qualidade de executora da política traçada pelo Conselho Nacional de Seguros Privados CNSP; 2. Atuar no sentido de proteger a captação de poupança popular que se efetua através das operações de seguros, previdência privada aberta e de capitalização; 3. Zelar pela defesa dos interesses dos consumidores desse mercado; 4. Promover o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos operacionais a eles vinculados, com vista à maior eficiência do Sistema Nacional de Seguros Privados e do Sistema Nacional de Capitalização; 5. Promover a estabilidade dos mercados sob sua jurisdição, assegurando sua expansão e o funcionamento das entidades que neles operam; 6. Zelar pela liquidez e solvência das sociedades que integram o mercado; 7. Disciplinar e acompanhar os investimentos daquelas entidades, em especial os efetuados em bens garantidores de provisões técnicas; 8. Cumprir e fazer cumprir as deliberações do CNSP e exercer as atividades que por este forem delegadas 9. Prover os serviços de Secretaria Executiva do CNSP. Dentro do SFN existem dois tipos de investimentos para a poupança privada: Investimentos em ativos de renda fixa e investimentos em renda variável. A decisão em deixar seu capital investido em ativos de renda fixa ou variável dá-se em função do perfil de cada investidor. Os de perfil conservador preferem à segurança e a liquidez do capital em detrimento da rentabilidade. Os moderados também querem segurança para a maioria de seu capital, porém aceitam aplicar em ativos de maior risco apenas um pequeno percentual de seus recursos. Os agressivos têm alta propensão ao risco, aceitando investir a maior parte ou a totalidade de seus recursos em ativos de renda variável.

19 Investimentos em Ativos de Renda Fixa Os investimentos em ativos de renda fixa são aqueles que apesar de apresentarem menor rentabilidade, oferecem maior segurança ao investidor. Segundo Brito (2005, p. 185) uma característica determinante referese à certeza de se receber, na data de liquidação da aplicação, o principal acrescido de rendimentos. A Caderneta de Poupança é a modalidade de investimento mais conhecida e utilizada pelos investidores. Segundo Fortuna (2006, p. 303), é a aplicação mais simples e tradicional, sendo uma das poucas, senão a única em que se podem aplicar pequenas somas e ter liquidez, apesar da baixa rentabilidade para saques fora da data de aniversário. É amplamente utilizada em virtude da garantia oferecida pelo Governo, até o valor de R$ 5.000,00 por poupador por instituição financeira, além da liquidez imediata que proporciona. A rentabilidade é 6% ao ano + a variação da TR. Debêntures são títulos emitidos por uma sociedade anônima para captar recursos, visando investimento ou o financiamento de capital de giro (BOVESPA, Letra A). Segundo Fortuna (2006, p. 310) [...] garantem ao comprador uma remuneração certa num prazo certo, não dando como rege, direito de participação nos bens ou lucros da empresa. Os investidores recebem em períodos pré-determinados os rendimentos e no vencimento final do contrato o valor principal investido. Podem ser convertidos em ações a exclusivo interesse do investidor. Notas Promissórias Comerciais [...] são formas de captação de recursos de curto prazo que podem ser emitidas por pessoas jurídicas não financeiras. (OLIVEIRA; PACHECO, 2006, p.102). Certificados de Depósitos Bancários e Recibos de Depósitos Bancários são os mecanismos de captação de recursos mais utilizados pelos bancos comerciais e consistem em uma promessa de pagamento dos recursos captados numa data pactuada, acrescidos de uma remuneração. (OLIVEIRA; PACHECO, 2006, p. 99).

20 19 Os bancos captadores emprestam estes recursos para agentes deficitários da economia sob a forma de empréstimos, ajustado a uma taxa de juro superior àquela paga ao depositante. A principal diferença entre CDB e RDB é que o primeiro é transferível para terceiros através de endosso nominativo e o segundo é intransferível. Apresenta remuneração pré-fixada se a taxa for ajustada no momento do depósito e pós-fixada se a taxa for fixada no final do período de depósito. Estas taxas podem ser flutuantes ou indexadas aos índices ofertados pelo Governo ao mercado, tais como TR, TJLP ou TBF. Letra Hipotecária trata-se de um título de crédito cujo lastro são créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária do imóvel [...] ou pode contar com garantia de uma instituição financeira. (OLIVEIRA; PACHECO, 2006, p.100). Podem ser garantidos por um ou mais títulos imobiliários, mas a soma do valor principal não pode exceder o valor dos créditos imobiliários em poder da instituição emissora. O prazo de vencimento não pode ser superior ao prazo de vencimento dos créditos hipotecários utilizados como garantia. O rendimento pode ser indexado à TR, ao IGP-M ou ao INPC. As indexadas à TR o prazo mínimo é 180 dias. As demais, o prazo mínimo é de 60 dias. Letra de Crédito Imobiliário trata-se de um título de crédito cujo lastro são créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária do imóvel. (OLIVEIRA; PACHECO, 2006, p. 100). Podem ser garantidos por um ou mais créditos imobiliários, mas a soma destes créditos não pode exceder o valor dos créditos imobiliários em poder da emissora. Podem ser emitidos pela CEF, bancos comerciais, bancos múltiplos e outros que tenham carteira de crédito imobiliário. O prazo de vencimento não pode ser superior ao prazo de vencimento dos créditos imobiliários que as lastreie. A remuneração pode ser pré-fixada, pós-fixada indexada ao DI, taxa SELIC, taxa ANBID, TJLP ou TBF. Cédula de Produto Rural trata-se de um título emitido por uma pessoa física ou jurídica, que pode ser um produtor rural ou uma cooperativa de produção e representa uma promessa de entrega futura de produtos rurais.

21 20 (OLIVEIRA; PACHECO, 2006, p. 101). Segundo Fortuna (2006, p.236), Existem três tipos de CPR, a saber: I) CPR Física liquidação em produto II) CPR Financeira liquidação financeira III) CPR Exportação nesta modalidade o produto que serve aos exportadores de produtos agropecuários deverá ser necessariamente exportado para compradores externos não residentes no país. Export Notes, segundo Fortuna (2006, p. 425), é como são conhecidos os contratos de cessão de crédito de exportação, em que o exportador cede ao tomador através de um título, os direitos creditícios de uma operação a ser realizada no futuro. Segundo Oliveira & Pacheco (2006, p. 109) a export note é remunerada pela variação cambial da moeda de referência, acrescida de uma taxa de juros prefixada". Títulos Brasileiros negociados no exterior são títulos de renda fixa emitidos no exterior são em geral denominados bonds. De todos eles, o mais conhecido é o C-Bond, que possui vencimento em 2014 e representa um dos principais componentes para se apurar o risco-brasil. (OLIVEIRA; PACHECO, 2006, p. 109). Os títulos emitidos no exterior são diretamente relacionados com a percepção de risco do investidor estrangeiro quanto à economia do país emissor. Quando por exemplo o risco-país atinge 500 pontos, significa dizer que os títulos deste país estão pagando 5% ao ano a mais que os títulos americanos de mesmo prazo. Segundo Fortuna (2006, p. 68) a Secretaria do Tesouro Nacional, como caixa do governo, capta recursos no mercado financeiro via emissão de títulos, para execução e financiamento das dívidas internas do governo.... Segundo Lanzarini (2006, p. 17 e 18) os títulos públicos federais mais importantes são: Letras do Tesouro Nacional, Letras Financeiras do Tesouro Nacional e Notas do Tesouro Nacional. 2.8 Investimentos em Ativos de Renda Variável Segundo Oliveira e Pacheco (2006, p. 132) os ativos de renda variável são ativos reais, portanto não possuem remuneração previamente

22 21 definida, nem prazo de vencimento". Dentre os investimentos em renda variável encontram-se as ações, que representam a menor parcela do capital social de uma sociedade por ações. (FORTUNA, 2006, p. 559). A rentabilidade auferida no mercado de ações dá-se de duas maneiras. A primeira pelo aumento do valor individual de cada ação obedecendo às leis da oferta e procura do mercado e a segunda pela distribuição de dividendos, que é uma parte do lucro obtido pela empresa e pelo pagamento de juros sobre o capital investido, obedecendo aos percentuais máximos do lucro permitido pela legislação vigente. O ouro também é um ativo de renda variável, pois seu preço também varia de acordo com as oscilações do preço do metal no mercado internacional. O mercado de ouro, assim como o de ações, integra o grupo dos chamados mercados de risco, já que suas cotações variam ao sabor da lei básica da oferta e da procura, bem como de fatores exógenos ao mercado. (FORTUNA, 2006, p. 623). Os imóveis também se enquadram nos ativos de renda variável, pois seus preços são determinados pelo mercado e cuja definição dos preços são feitos obedecendo à relação oferta/demanda. É necessário salientar que a rentabilidade de um imóvel está diretamente relacionada com o grau de acerto conseguido por ocasião da sua escolha como forma de investimento, levando em consideração à localização, o tipo do imóvel, a finalidade, o estado de conservação e por fim o preço. Podem remunerar o capital investido sob a forma de aluguéis e pela valorização propriamente dita do imóvel.

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