SEGURO. 1. Referência legal do assunto. Art. 757 ao art. 802 do CC. 2. Conceito de seguro

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1 1. Referência legal do assunto Art. 757 ao art. 802 do CC. 2. Conceito de seguro SEGURO O seguro é uma operação pela qual, mediante o pagamento de uma pequena remuneração, uma pessoa, o segurado, se faz prometer, para si ou para outrem, no caso da realização de um evento determinado a que se dá o nome de risco, uma prestação de uma terceira pessoa, o segurador, que assumindo um conjunto de riscos, os compensa de acordo com as leis da estatística e o princípio do mutualismo (Joseph Hemard, Traité théorique et pratique des assurances terrestres, Paris, 1924). 3. Elementos do contrato O seguro é o contrato pelo qual o segurador, mediante recebimento de um prêmio, se obriga a pagar um valor convencionado, ao segurado ou a terceiro (beneficiário), caso se verifique o sinistro. O valor corresponde ao risco previsto. Partes são a seguradora, que só pode ser uma sociedade anônima, sociedade mútua ou cooperativa (Decreto-lei n , de , art. 1º) o seguro social de acidentes do trabalho tem hoje, como único segurador, o INSS (uma autarquia federal, que é o Instituto Nacional de Seguridade Social), e o segurado. Além disso, a seguradora deve ser entidade autorizada legalmente para exercer a sua atividade (art. 757, parágrafo único, do novo Código Civil).

2 No seguro de vida e no de acidente com morte, aparece a figura do beneficiário, que é o terceiro a quem se paga o valor do seguro. O objeto do contrato é controvertido em doutrina. Para uns é indenização, para outros é o risco e ainda para outros é o interesse. O CC adotou este último. Prêmio é o preço pago pelo segurado à seguradora. No seguro mútuo fala-se também em cotização. A quantia paga pela seguradora é a indenização ou o valor segurado. Na linguagem das seguradoras, usa-se o termo sinistro para indicar o risco assumido. 4. Estrutura O seguro é concebido como promessa condicional de indenização na hipótese de ocorrência do sinistro (acontecimento futuro e incerto causador de prejuízo), tendo como contraprestação o pagamento do prêmio pelo segurado. O elemento aleatório consiste justamente na incerteza referente ao pagamento da indenização, que depende da existência de prejuízo em virtude da ocorrência do sinistro no período de vigência do contrato. Uma das prestações (a indenização a ser paga pelo segurador) é, assim, condicional, enquanto a do outro contratante (o pagamento do prêmio pelo segurado) é certa e independe de condição. A transferência do risco predeterminado para o segurador visa a garantir o equilíbrio econômico nas atividades humanas, exonerando o industrial, transportador ou quem sofra um desfalque dos prejuízos contra os quais fez o

3 seguro. Ocorrendo o sinistro, entendido como acontecimento eventual economicamente desvantajoso, as necessidades econômicas conseqüentes são atendidas pelo segurador e não pelo segurado. 5. Características O contrato de seguro é bilateral, oneroso, aleatório e consensual; é um contrato de adesão e um contrato dirigido. É bilateral porque cria deveres para ambas as partes contratantes, embora uma das prestações seja certa e a outra eventual. É oneroso porque o segurador só assume o risco alheio, comprometendo-se a atender às necessidades econômicas decorrentes do sinistro, mediante o pagamento, pelo segurado, de um prêmio, como compensação ou remuneração pelo risco assumido. O contrato é aleatório, pois a prestação do segurado é certamente devida e prefixada na apólice, enquanto a do segurador é incerta quanto à sua existência e pode ser indeterminada quanto ao seu valor e quanto ao momento do seu pagamento. A incerteza da prestação do segurador depende da ocorrência ou não do sinistro, que é justamente o elemento aleatório do contrato. O contrato de seguro é dirigido, pois depende da aprovação do seu texto pelas autoridades administrativas (SUSEP Superintendência de Seguros Privados), e é de adesão, pois o segurado não tem a possibilidade de discutir as cláusulas contratuais com o segurador, podendo apenas aceitá-las ou deixar de contratar. Muitas vezes, nem a liberdade de contratar, ou não, existe, pois a lei impõe a determinadas classes de pessoas o seguro obrigatório (acidentes de trabalho, de trânsito e outros).

4 6. Instrumentos O seguro tem como instrumentos a apólice e o bilhete de seguros, conforme o caso. Há também a proposta, que fica com a seguradora, enquanto a apólice fica com o segurado. O Decreto-lei n. 73/66 permite a emissão de bilhete de seguro a pedido verbal do interessado (art. 10). A apólice ou o bilhete de seguro são os instrumentos probatórios do contrato, devendo conter a enumeração dos riscos transferidos ao segurador, os dados sobre o prazo de vigência do contrato e as obrigações assumidas pelas partes. No seguro obrigatório de veículos terrestres, basta a declaração do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito) de que foi pago o prêmio (anexa ao Certificado de Propriedade). Nos seguros de viagem, certas seguradoras fornecem um cartão com a espécie de seguro, dando o nome e o período da garantia. Nos estacionamentos pagos de veículos, basta um simples bilhete ou cartão numerado, fornecido por meios eletrônicos, comprovando o estacionamento. Em determinados seguros-saúde, basta um simples cartão com os dados do segurado. Outras vezes, simples indicação nos extratos mensais, como ocorre com os seguros de cartão de crédito. O CC estabelece em seu art. 758: O contrato de seguro prova-se com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro, e, na falta deles, por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio. 7. Obrigações do segurado e do segurador São obrigações do segurado: a) Esclarecer o valor real do bem e as condições peculiares em que se encontra o objeto segurado ou a pessoa candidata ao seguro, indicando no seguro de pessoas o beneficiário.

5 b) Pagar o prêmio na forma estabelecida pela apólice, respondendo por juros moratórios no caso de atraso e podendo reabilitar-se na hipótese de caducidade da apólice por impontualidade ou atraso no pagamento do prêmio. A reabilitação só será concedida nos termos fixados na apólice ou mediante acordo das partes interessadas. c) Não agravar os riscos existentes no momento do contrato, evitando que aumente a probabilidade de ocorrência do sinistro, e comunicar ao segurador, logo que saiba, todo incidente que agrave consideravelmente o risco coberto, hipótese na qual o segurador poderá optar pela rescisão do contrato (art. 769 do CC). d) Comunicar ao segurador todo incidente ou fato que possa agravar o risco existente. Caso o segurado agrave intencionalmente o risco, ele perderá o direito ao valor garantido (art. 768 do CC). e) Comunicar imediatamente ao segurador a ocorrência do sinistro e tomar todas as providências necessárias para minorar as conseqüências (art. 771 do CCl; art do Código Civil de 1916). O segurador deve pagar a indenização devida em dinheiro, salvo estipulação que permita a restituição da coisa in natura (conserto do carro acidentado ou do imóvel destruído pelo fogo), nos termos dos arts. 772 e 776 do CC. Se a danificação foi parcial, o pagamento será feito proporcionalmente ao dano causado. Para eximir-se de qualquer responsabilidade o segurador deve provar um dos seguintes fatos: a) existência de dolo por parte do segurado, que não foi claro e leal nas informações, que agravou o risco ou provocou a ocorrência do sinistro;

6 b) existência de seguro anterior pelo valor total do bem, sem que o segundo seguro se refira simplesmente à insolvência do primeiro segurador; c) valor do seguro superior ao valor do objeto segurado, havendo má-fé do segurado (não havendo má-fé, só cabe a redução da indenização ao justo valor); d) inadimplemento por parte do segurado e violação das suas obrigações contratuais e, em particular, caducidade de apólice pelo não-pagamento oportuno do prêmio (art. 763 do CC); e) inexistência de cobertura para o sinistro ocorrido. Quando o risco for assumido por mais de uma seguradora (co-seguro), a apólice deverá indicar qual empresa administrará o contrato e representará as demais partes, para todos os seus efeitos (art. 761 do CC). Na hipótese de haver diminuição considerável dos riscos durante a vigência do contrato, o segurado poderá exigir a revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770 do CC). 8. Seguros mútuos e seguros de pessoa No seguro mútuo, diversas pessoas se reúnem para assumir conjuntamente os riscos inerentes às suas vidas ou aos seus bens, partilhando entre si os prejuízos que possam ocorrer. A sociedade de seguros mútuos funciona, assim, na base do pagamento de quotas ou contribuições pelos associados, de acordo com as necessidades correspondentes aos prejuízos assegurados ou mediante o pagamento de quantias fixas, previamente determinadas em cada período, verificando-se no fim do exercício financeiro a existência de déficit ou superávit para, conforme o caso, exigir um reforço de contribuição

7 para o pagamento da diferença existente ou, ao contrário, para distribuir dividendos ou aumentar o fundo de reserva com o dinheiro existente em caixa. Uma legislação especial contida nos Decretos-leis n , de , e 3.908, de , trata da regulamentação das sociedades de seguros mútuos. No seguro de pessoa, as partes podem fixar livremente a indenização a ser paga, podendo, inclusive, contratar mais de um seguro sobre o mesmo interesse (art. 789 do CC). Admite-se o seguro sobre a vida de terceiros, desde que exista interesse legítimo, presumido em relação ao cônjuge, ascendente ou descendente (art. 790 do CC). É possível o segurado não indicar desde logo o nome do beneficiário ou reservar-se o direito de substituí-lo em qualquer tempo. Não havendo beneficiário indicado pelo segurado, nem por ocasião da emissão da apólice, nem posteriormente, por qualquer ato, inclusive em testamento, a indenização reverte ao cônjuge, com direito a ficar com metade do valor, e aos herdeiros do segurado, obedecida a ordem de vocação hereditária (art. 792 do CC; art do Código Civil de 1916). 9. Seguro-saúde É a espécie de seguro que promete o reembolso parcial e, em alguns casos, total de despesas com tratamento médico ou hospitalar, mediante prêmio pago pelo segurado ou por terceiro. Pode haver também pagamento direto ao prestador do serviço médico ou hospitalar. A legislação do CC, de acordo com seu art. 802, não disciplina a garantia de reembolso de despesas hospitalares ou de tratamento médico.

8 10. Seguro de vida O seguro de vida reveste diversas modalidades, podendo o beneficiário receber determinada quantia por ocasião da morte do segurado, em qualquer tempo em que ocorra, ou tão-somente se ocorrer em determinado prazo fixado pela apólice. Pode ainda haver uma combinação do contrato de seguro com o de capitalização, estabelecendo-se que, independentemente dos direitos do beneficiário, o segurado, se ainda estiver vivo em determinado momento, receberá uma parte ou a totalidade do capital, que pagou com ou sem correção monetária. É esta uma das modalidades mais difundidas de seguro, pois garante ao beneficiário uma indenização no caso de morte do segurado e a este, se ainda estiver vivo, a reversão do capital pago ou de parte dele.

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