Matéria/Aula : Direito Civil ( Contratos, Consumidor e Obrigações) / aula / facebook: Rafael da Mota Mendonça

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1 Turma e Ano: Flex B ( 2014 ) Matéria/Aula : Direito Civil ( Contratos, Consumidor e Obrigações) / aula 04 Professor: Rafael da Mota Mendonça / facebook: Rafael da Mota Mendonça Conteúdo: II Teoria do Adimplemento / 3.1 Pagamento Direto (D Lugar do Pagamento). III Teoria do Inadimplemento - 1 Espécies / 2 Mora. Início Continuação do objeto do Pagamento Posso convencionar um contrato no Brasil em ouro, moeda estrangeira? Será que eu posso indexar o pagamento em ouro ou moeda estrangeira? R: Em regra sim,mas temos exceções. O art. 315 do CC diz que tem que ser em moeda corrente. Porém, temos o art. 318, CC. Art São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos previstos na legislação especial. Logo, não pode convencionar, nem mesmo indexar sob pena de nulidade absoluta. No programa do Silvio Santos, ele não está convencionando um pagamento de ouro, ele está dando por que quer. Obs: excetuados os casos previstos na legislação especial. Exceções: Decreto lei 857/69 1ª exceção: Art 1º São nulos de pleno direito os contratos, títulos e quaisquer documentos, bem como as obrigações que exeqüíveis no Brasil, estipulem pagamento em ouro, em moeda estrangeira, ou, por alguma forma, restrinjam ou recusem, nos seus efeitos, o curso legal do cruzeiro. Art 2º Não se aplicam as disposições do artigo anterior: I - aos contratos e títulos referentes a importação ou exportação de mercadorias; II - aos contratos de financiamento ou de prestação de garantias relativos às operações de exportação de bens de produção nacional, vendidos a crédito para o exterior;

2 III - aos contratos de compra e venda de câmbio em geral; IV - aos empréstimos e quaisquer outras obrigações cujo credor ou devedor seja pessoa residente e domiciliada no exterior, excetuados os contratos de locação de imóveis situados no território nacional; V - aos contratos que tenham por objeto a cessão, transferência, delegação, assunção ou modificação das obrigações referidas no item anterior, ainda que ambas as partes contratantes sejam pessoas residentes ou domiciliadas no país. Parágrafo único. Os contratos de locação de bens móveis que estipulem pagamento em moeda estrangeira ficam sujeitos, para sua validade a registro prévio no Banco Central do Brasil. Art 3º No caso de rescisão judicial ou extrajudicial de contratos a que se refere o item I do artigo 2º deste Decreto-lei, os pagamentos decorrentes do acêrto entre as partes, ou de execução de sentença judicial, subordinam-se aos postulados da legislação de câmbio vigente. 2ª Exceção: Contrato de arrendamento mercantil / leasing Art. 6º da lei 8.880/94 ( Lei do plano real) c/c Lei 6.099/74( lei de arrendamento mercantil) Art. 6º - É nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado à variação cambial, exceto quando expressamente autorizado por lei federal e nos contratos de arrendamento mercantil celebrados entre pessoas residentes e domiciliadas no País, com base em captação de recursos provenientes do exterior. As prestações do contrato de arrendamento mercantil podem ser indexadas em moeda estrangeira desde que o empréstimo para aquisição do bem tenha sido realizado no exterior. O leasing é mais light que a alienação fiduciária. Ex: O leasing é uma compra e venda conjugada com locação, ou seja, chego no Itaú e quero comprar um carro e peço pro Santander comprar esse carro e me alugar. C/V de um carro Banco Consumidor O banco compra o veículo e depois faz a locação ao consumidor. Digamos que o banco comprou o veiculo por R$ ,00 e celebrou o leasing em 24 parcelas de R$ 1.000,00. Ao final dos 24 meses o consumidor tem 3 opções: Continua alugando, devolve ou adquire o bem. Se o consumidor optar por comprar o mesmo, terá que ter mente que já pagou R$ ,00 e se quiser adquirir, teria a principio que pagar R$ 6.000,00.

3 Essa diferença é chamada de VRG - Valor Residual Garantido, que o banco geralmente coloca o dobro do veículo. Pergunta de Prova: Posso pagar o VRG antecipado, ou seja na celebração do contrato do contrato de leasing? R: Por muito tempo o STJ se manteve na posição de não aceitar, pois dizia que descaracterizava ao contrato de leasing, mas sim uma venda a prazo com uma entrada. Porém hoje o STJ admite o pagamento antecipado do VRG Súmula 293 que fala que tal pagamento antecipado não descaracteriza o contrato de leasing O STJ admite inclusive que o VRG seja diluído em 24 parcelas. Se o consumidor optar por devolver o bem, poderá pegar o VRG ( através de ação) pois o banco voluntariamente não entrega esse valor. Essas prestações podem ser indexadas na moeda estrangeira. Ocorre quando o banco brasileiro realiza esse empréstimo com banco estrangeiro. Ex: Banco Wolksvagem pegou um empréstimo altíssimo num banco alemão e realizou aqui no Brasil a aquisição de uma frota inteira de veículos e espalhou pelas concessionárias do Brasil. As parcelas nesse caso, do leasing que o banco wolksvagen fez foi indexada somente na moeda em que for do país e no caso acima, em euro. Obs: Art É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. O nome dessa cláusula é chamada de Escala Móvel, ou seja, a cláusula que permite o aumento progressivo de prestações sucessivas. Alguns autores dizem que não é a cláusula de escala móvel, mas sim a cláusula de Hardship. Na cláusula de Hardship, usada nos contratos internacionais, o aumento das prestações sucessivas depende de nova manifestação de vontade das partes na hipótese de desequilíbrio das prestações. Isso não ocorre na cláusula de escala móvel, já que nesta eu confecciono o aumento na data da celebração do contrato. Temos um artigo muito importante que é o art. 371, CC, mas vamos falar sobre ele em Contratos em um tópico separado, pois tem caído muito nas provas. d) Lugar do pagamento : Quero saber o local do pagamento e se a dívida é quesível ou portável. Dívida Quesível (deve ser paga no domicilio do devedor) Portável (deve ser paga no domicilio do credor)

4 Em regra, pelo artigo 327, as dividas são quesíveis e devem ser pagas no domicilio do devedor, porém, nada impede convenção em contrário. É importante para a consignação em pagamento, pois se as partes nada falam a ação será proposta no domicilio do autor/devedor. Art O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. (Princípio da boa fé objetiva) Teoria do Inadimplemento Quando se fala em inadimplemento geralmente pensamos em responsabilidade civil que pode ser contratual ou extracontratual. A fonte da responsabilidade civil extracontratual é o ato ilícito, disciplinado nos arts. 186 a 188 c/c art. 927 do CC. Já a fonte da responsabilidade civil contratual é o inadimplemento. Iremos estudar neste módulo a fonte da responsabilidade civil contratual. Espécies de Inadimplemento Absoluto Inadimplemento Relativo O que vai diferenciar um do outra é o interesse que o credor ainda tem no cumprimento da obrigação. Inadimplemento absoluto - O credor não tem mais interesse no cumprimento da obrigação. O resultado prático previamente convencionado não lhe interessa mais. Está disciplinado no art. 389 ao 393 do CC Inadimplemento relativo É chamado pelo legislador de MORA. O credor ainda tem interesse no cumprimento da obrigação. O resultado prático previamente convencionado ainda lhe interessa e tem razão de ser. Logo, a MORA é o inadimplemento relativo obrigacional, onde o credor ainda tem interesse no cumprimento da obrigação. Está disciplinado no art. 394 ao 401 do CC

5 Ex1: Emprestei a Caio R$ ,00, o prazo já venceu e eu não paguei. Que tipo de inadimplemento é? R: É inadimplemento relativo, está em MORA. Vai exigir o cumprimento da obrigação e vai requerer as perdas e danos. Ex2: Fotógrafo que foi contratado para cobrir fotos de um casamento e nãocomprarece. Que tipo de inadimplemento é? R: É o inadimplemento absoluto, já que ela não tem mais interesse nas fotos, no cumprimento da obrigação, visto que já se passou o casamento. Resta a nubente pedir perdas e danos. Se o credor não tem mais interesse, resta a este exigir perdas e danos, porém, se ainda tem interesse, vai exigir a execução específica da obrigação, sempre convencionada com perdas e danos, já que a obrigação não fora cumprida na forma convencionada. MORA Espécies de MORA EX RE ( art. 397, caput) EX PERSONAE ( art. 397, P.U, CC) Mora Ex Re: É aquela que foi convencionada no momento da celebração do contrato. Normalmente encontramos essa mora nos contratos com prazo determinado. Ex: Empresto meu carro (bem infungível ), celebrei contrato de comodato com Natalia que terá que devolver meu carro dia 31. Já é dia 03 e não me devolveu. Já está em mora e esta mora ficou convencionada no contrato como a partir do dia 31. Nesse caso, o credor não precisa constituir o devedor em mora, pois o simples vencimento o faz. Os encargos da mora ( juros, correção monetária, cláusula penal,...) recaem a partir do vencimento. A ação a ser proposta no caso acima, que é de comodato ( contrato que transfere posse direta), se o prazo passa e não devolve o carro, ela esta esbulhando minha posse e a ação cabível é a reintegração de posse. Não precisa notificar sobre a mora. Já basta o vencimento. Mora Ex Personae: É aquela que não foi convencionada no momento da celebração do contrato. Normalmente encontramos essa mora nos contratos com prazo indeterminado.

6 Celebrei contrato de comodato com Natalia que terá que devolver meu carro dia 31. Já é dia 03 e não me devolveu. Já está em mora e esta mora não ficou convencionada no contrato como a partir do dia 31. Nesse caso, preciso notificar e constituir em mora a Natália e a partir desse momento os encargos irão recair. Obs: Se eu proponho ação de reintegração de posse antes de constituir Natália em mora? R: A defesa em preliminar de contestação seria a ausência de uma das condições da ação (Legitimidade, Interesse e Possibilidade), qual seja especificamente nesse caso o interesse de agir (adequação da via e necessidade da tutela jurisdicional). Nesse caso se eu proponho a ação antes de constituir Natália em mora, presume-se que eu não tenho a necessidade da tutela jurisdicional e falta o interesse de agir. Vou requer a extinguir sem analise de mérito. Nesse caso, dificilmente o juiz vai extinguir sem analise de mérito, pois a citação já foi o instrumento adequado para constituir em mora. Logo, o art. 219 do CPC, nos informa: Art A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. A Mora Ex Re e Ex Personae na alienação fiduciária Preciso de um empréstimo e o Itaú pede bens para dar em garantia real. Se eu não tenho bens, o banco vai querer saber pra que quero o dinheiro e ao saber que é para comprar um carro, ele compra e só passa para meu nome quando eu pagar. A alienação fiduciária é sempre um contrato acessório a um contrato de mútuo. Banco Celebro um contrato de mutuo de R$ ,00 Consumidor O banco me empresta R$ ,00 e me cobra 50 parcelas de R$ 1.000,00 e eu celebro um contrato de alienação fiduciária onde eu transfiro a propriedade do veiculo para o banco como garantia de pagamento desta dívida. Ao terminar de pagar, a propriedade que eu transferi volta pra mim. A propriedade fiduciária é a propriedade resolúvel dada em garantia. Se a alienação fiduciária for de bem móvel será regulado pelo decreto lei 911/69, porém se for de bem imóvel é a lei 9514/97.

7 O banco é o proprietário/credor fiduciário do bem, enquanto o consumidor é o possuidor direto do bem, é o nosso devedor fiduciante. Desses R$ ,00 de dívida, eu, consumidor já paguei R$ ,00 e tenho de obrigações vencidas e não pagas de R$ ,00 e a vencer de R$ 8.000,00 ( 8 parcelas de R$ 1.000,00). Mesmo já tendo pago o valor do carro, eu ainda devo as vencidas e vincendas. Se eu não pagar, o banco pega o carro, vende, mas eu ainda tenho que continuar a pagar o restante das prestações. O banco corretamente entrará com uma ação de cobrança para cobrar o restante das prestações. A ação do banco para resgatar o veículo será de ação de busca apreensão e depois a ação de cobrança. A busca e apreensão pode ser cumprida em caráter liminar. Obs: O banco antes de entrar com ação de busca e apreensão, deverá me constituir em mora? Art. 2º, 2 do Dec. Lei - A mora iniciará no simples vencimento do prazo para pagamento. Súmula 72 STJ - A comprovação da Mora é imprescindível a busca e apreensão do bem alienado fiduciariamente. Súmula 245 STJ - A notificação destinada a comprovar a mora nas dívidas garantidas por alienação fiduciária dispensa a indicação do valor do débito. Essa notificação é para fazer prova da mora e não para constituir a mora. Ex: O vencimento da prestação seria no dia 05, mas o banco me notificou no dia 20. Conta-se do dia 05. No dia 20 fui notificado somente para fazer prova da mora. Essa foi uma forma que o STJ encontrou para beneficiar o consumidor, pois os bancos entravam com a busca e apreensão e não juntavam nenhum documento. Se essa alienação fiduciária fosse de bem imóvel? Iríamos aplicar a lei 9514/97, a partir do art. 26 que fala da alienação fiduciária de bem imóvel. O banco irá propor a ação de reintegração de posse. Aqui, a mora é ex personae e o banco tem que constituir o devedor em mora. Na próxima aula continuaremos a falar e fazer algumas observações sobre a mora. Fim da aula!!!

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