AÇÕES DE VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA EM TERESINA - PI

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1 AÇÕES DE VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA EM TERESINA - PI Ferreira, L.C.R.P. (1) ; Lima, N.A. (2) ; Muratori, M.C.S. (3) ; Júnior, M.H.K. (3) ; Aragão, L.V.O. (4) (1) Programa de Pós-Graduação de Mestrado em Ciência Animal da Universidade Federal do Piauí UFPI, Teresina - PI, Brasil; (2) Programa de Pós-Graduação de Mestrado em Desenvolvimento em Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí UFPI, Teresina - PI, Brasil; (3) Professor Adjunto, Departamento de Morfofisiologia Veterinária da Universidade Federal do Piauí UFPI, Teresina - PI, Brasil; (4) Gerência de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, Fundação Municipal de Saúde, Teresina - PI, Brasil. RESUMO A água é um elemento essencial à vida, porém pode trazer riscos à saúde em face de sua má qualidade, servindo de veículo para vários agentes biológicos e químicos. O controle da qualidade da água quanto a sua vigilância se faz por meio dos órgãos de saúde pública. Este estudo tem como objetivo analisar as ações do VIGIAGUA desenvolvido pelo município de Teresina, PI, no período de janeiro a agosto de 2013 quanto aos tipos de estabelecimentos e condições de potabilidade. Os dados foram obtidos com base na análise visual de fichas, laudos das análises da água e quadro de relatório em planilha eletrônica, disponíveis pela instituição como forma de arquivamento de informações sobre ações de fiscalização tendo seus resultados expressos em distribuições percentuais. Foram realizadas 248 visitas de fiscalização justificadas como de monitoramento, sendo 118 (48%) laudos insatisfatórios de potabilidade em estabelecimentos de ensino e tendo como causa valores de cor aparente e coliformes totais acima dos estabelecidos pela Portaria MS n

2 2.914/2011. Conclui-se que as ações de monitoramento do programa VIGIAGUA do município de Teresina são de grande avalia como forma de garantir à população o acesso à água com qualidade para a promoção da saúde. Palavras-chave: Análise da Água, Saúde Pública, Vigiagua. INTRODUÇÃO A água é um elemento essencial à vida, porém pode trazer riscos à saúde em face de sua má qualidade, servindo de veículo para vários agentes biológicos e químicos; por isso, o homem deve estar atento aos fatores que podem interferir negativamente na qualidade da água que consome e no seu destino final (BARCELLOS et al., 2006). Para os profissionais de saúde, o provimento de água em quantidade e qualidade, adequada é medida básica de promoção à saúde e prevenção de doenças. Desde 1854, quando John Snow descobriu a relação existente entre o consumo de água contaminada e a incidência de cólera em Londres, as ações relativas à manutenção da potabilidade da água passaram a ser eleitos como prioritários no âmbito da saúde (FUNASA, CBVA, 2002). O ato de vigiar a água para consumo está diretamente relacionado ao cuidado das autoridades em saúde ambiental na tentativa de protegê-la de um mau uso que possa proporcionar um risco potencial à saúde 2

3 humana. A vigilância, além do caráter fiscalizador, atua rotineiramente de forma preventiva, controlando e intervindo em diversas situações suspeitas. Pela sua dinâmica, a vigilância da qualidade da água torna o trabalho do fiscal um desafio diário (CARMO et al, 2008). Assim, tanto o controle da qualidade da água quanto a sua vigilância, por meio dos órgãos de saúde pública, são instrumentos essenciais para a garantia da proteção à saúde dos consumidores. (BRASIL. Ministério da Saúde, 2006). A inspeção da potabilidade da água destinada ao consumo humano se faz conforme avaliação da qualidade físico-química e microbiológica da água, conforme as normas definidas pela legislação relativa aos padrões de potabilidade. A nível municipal, a ação de vigilância relacionada à qualidade da água para o consumo humano, em Teresina, é feita pelo núcleo do VIGIAGUA presente na Gerência de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (GEVISAST). Este segue as normas e os parâmetros da portaria MS Nº 2.914, de 12 de dezembro de 2011 a cerca dos procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, bem como os riscos que os sistemas e soluções alternativas de abastecimento de água representam para a saúde pública. 3

4 Este estudo tem como objetivo analisar as ações do VIGIAGUA desenvolvido pelo município de Teresina, PI, no período de janeiro a agosto de 2013, bem como quantificar os tipos de estabelecimentos e condições de potabilidade com base na análise microbiológica e físicoquímica da água. MATERIAL E METODOS O VIGIAGUA tem como objetivo fazer a vigilância e o monitoramento da prestadora de serviço de abastecimento de água para consumo humano e das soluções alternativas coletivas de água (fontes, carros pipa, etc.), impedindo de forma preventiva, alguma inconformidade que possa causar danos à saúde coletiva. Considerando a abrangência das ações de vigilância realizadas, que se desenvolvem em todas as zonas da cidade, os dados refletem uma importante caracterização das atividades de fiscalização do VIGIAGUA, como, quantidade e principais motivos das fiscalizações, tipos de estabelecimentos fiscalizados, quantidade e principais causas de análises considerando impróprio ao consumo da água. Estes dados foram obtidos com base na análise visual de fichas, laudos das análises da água e quadro de relatório em planilha eletrônica, disponíveis pela 4

5 instituição como forma de arquivamento de informações sobre ações de fiscalização. Foi autorizada pela Diretoria de Vigilância em Saúde da Fundação Municipal de Saúde a qual o núcleo do VIGIAGUA/GEVISAST municipal esta subordinada, permissão para a resolução deste projeto. Os resultados serão apresentados em distribuições percentuais. RESULTADOS E DISCUSSÃO Durante este período, como observado na Tab.1 foram realizadas 248 visitas de fiscalização dos fiscais do VIGIAGUA, dentre os quais a sua maioria se justificou por visitas de monitoramento, onde é coletado água na entrada da rede e rede de distribuição para análise microbiológica e físico-quimica. Tabela 1. Quantidade e motivos de fiscalizações realizadas pelo VIGIAGUA de Teresina, no período de janeiro a agosto de Fiscalizações Quantidade Monitoramento 174 Denúncias 5 Surtos 59 Total 248 Fonte: Adaptado GEVISAST (2013). 5

6 Os surtos se caracterizaram por solicitação da Gerência de Vigilância Epidemiológica do município a fim de identificar possíveis causas e fatores de risco que comprometem a qualidade da água e assim, a saúde da população. As denuncias, são solicitações de consumidores (alunos, profissionais da saúde, etc) que suspeitam da qualidade da água de abastecimento do seu local de trabalho. Como forma de monitoramento, é coletada amostras de água da torneira antes e após a sua reservação para sua avaliação, conforme os seguintes parâmetros: cloro, flúor, turbidez, cor aparente, ph, coliformes totais e coliformes fecais (Escherichia coli). Quanto aos laudos das fiscalizações quanto aos tipos de estabelecimentos, do total de laudos 248 (100%), 130 (52%) tiveram padrões satisfatórios de potabilidade da água e 118 (48%) laudos insatisfatórios. Destes, as escolas e creches foram as mais monitoradas com 55 (42%) laudos satisfatórios e 56 (47%) insatisfatórios, como apresentado na Figura 1. Os estabelecimentos relacionados aos sistemas de distribuição (residências, reservatório de abastecimento público) na segunda posição, com 45 (35%) laudos satisfatórios e 29 (24%) insatisfatórios. Ainda como observado, os estabelecimentos de saúde (hospitais, postos de saúde) estão em terceiro, com 23 (18%) laudos satisfatórios e 20 6

7 (17%) laudos insatisfatórios. Os outros (estabelecimentos relacionados a áreas de grande circulação como mercados públicos, condomínios e casas de apoio), apresentam 7 (5%) de laudos satisfatórios e 14 (12%) laudos insatisfatórios. Figura 1. Porcentagem (%) do grau de satisfação em estabelecimentos fiscalizados pelo VIGIAGUA de Teresina, no período de janeiro a agosto de Fonte: Adaptado GEVISAST (2013). A Figura 2 mostra a frequência das principais causas dos laudos insatisfatórios das análises de potabilidade da água. No total foram 118 laudos insatisfatórios e a cor aparente 73 (62%) dos laudos de insatisfação, apresenta-se com os maiores percentuais, com valores acima dos valores de referência, conforme a Portaria nº 2.914/2011 atribuída pela quantidade de partículas suspensas na água. A presença de coliformes totais em 23 (19%) dos laudos foi encontrada em analises de bebedouro em estabelecimentos de ensino que possui rede de abastecimento subterrâneo, como também, a presença de 7

8 coliformes termotolerantes (Escherichia coli) em 9 (8%) das análises. Dos outros parâmetros que apresentaram laudos de insatisfação em comparação com a legislação vigente, foram ph e turbidez, representando 13 (11%) das análises. Figura 2. Causas e quantidades (%) dos laudos insatisfatório de potabilidade da água fiscalizados pelo VIGIAGUA de Teresina, no período de janeiro a agosto de Fonte: Adaptado GEVISAST (2013). A aceitabilidade da água para consumo depende do aspecto da água. Ela deve estar livre de gosto e odores que sejam censuráveis pela maioria dos consumidores. No entanto, uma água aparentemente limpa, pode estar repleta de contaminantes químicos e microbiológicos (ALVES et al., 2010). Em virtude de nestes estabelecimentos a água de abastecimento fornecida para consumo humano ser poço tubular, existe a necessidade de serem realizadas visitas de rotina alertando com instruções quanto aos cuidados higiênicos e sanitários ao reservatório, como limpeza e 8

9 cloração adequada, a fim de diminuir os risco de contaminação da água e assim, preservar a saúde dos consumidores, que utilizam este as e outras formas de abastecimento como cisterna e carros pipas. A falta de acondicionamento adequado do reservatório da água utilizada para consumo é outro agravante, pois proporciona condições à vida e à reprodução de vetores ou reservatórios de doenças, comprometendo a qualidade da água e riscos à saúde da população. A água pode veicular um elevado número de enfermidades que podem ser transmitidas por diferentes mecanismos. O mecanismo de transmissão de doenças mais comumente lembrado e diretamente relacionado à qualidade da água é o da ingestão, por meio do qual um indivíduo sadio ingere água que contenha componente nocivo à saúde e a presença desse componente no organismo humano provoca o aparecimento de doença (BRASIL. Ministério da Saúde, 2006). Os indicadores da qualidade da água são instrumentos necessários à construção de estratégias de promoção e prevenção no controle dos riscos ambientais, e à melhoria das condições de meio ambiente e de saúde das populações, permitindo uma visão abrangente e integrada da relação saúde e ambiente (BRASIL, 2002). 9

10 CONCLUSÃO Os estabelecimentos de ensino apresentaram maior índice de laudos insatisfatórios com parâmetros de cor aparente e/ou presença de coliformes totais/ termotolerantes, por terem seu sistema de abastecimento de água provido de água subterrânea. A importância da adoção de medidas de educação e orientação à população sobre ações de cuidados com a procedência da água bem como a higienização e cloração correta dos reservatórios de agua, a fim de prevenir doenças de veiculação hídrica. As ações de monitoramento do programa VIGIÁGUA do município de Teresina são de grande avalia como forma de garantir à população o acesso à água com qualidade compatível com o padrão de potabilidade estabelecido na legislação vigente, para a promoção da saúde. REFERÊNCIAS ALVES, M. G. et al. Qualidade das águas de poços rasos provenientes de áreas urbanas e rurais de campos dos goytacazes (RJ). Anais. Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, 16, e Encontro Nacional de Perfuradores de Poços, 17, Disponível em: <http://aguassubterraneas.abas.org/asubterraneas/article/view/22944/15081>. Acesso em: 29 set ARRUDA, A.M.C.T de. et al. Avaliação da qualidade microbiológica das águas subterrâneas em municípios da mesorregião do agreste pernambucano Brasil. Anais. 10

11 Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, 16 e Encontro Nacional de Perfuradores de Poços, Disponível em:<http://aguassubterraneas.abas.org/asubterraneas/article/view/23149/15264>. Acesso em 29 set BARCELLOS, C. M. et al. Avaliação da qualidade da água e percepção higiênicosanitária na área de Lavras, Minas Gerais, Brasil, Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 9, p set BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Portaria nº , de 12 de dezembro de Dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Diário Oficial da União. Poder Executivo, Brasília, DF, 14 dez Disponível em: < em: 29 set Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano/ Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília : Ministério da Saúde. 212 p Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano. Brasília, DF, (Série A. Textos Básicos de Saúde) Fundação Nacional de Saúde.Vigilância ambiental em saúde/fundação Nacional de Sáude. Brasília: FUNASA, Disponível em:< Acesso em: 29 set CARMO, R.F et al. Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano: Abordagem qualitativa da identificação de perigos. Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, v.13, n.4, dezembro de Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s &lng=en&nrm=iso. Acesso em: 29 set FUNASA (2002) Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde CBVA. Módulo IV. 11

12 GEVISAST TERESINA. Gerência de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. Fundação Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Teresina. Rua Riachuelo n 2988, Matadouro. Fone: (86) , Teresina, PI

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