O FUNCIONALISMO DE ÉMILE DURKHEIM. Prof. Cesar Alberto Ranquetat Júnior

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1 O FUNCIONALISMO DE ÉMILE DURKHEIM Prof. Cesar Alberto Ranquetat Júnior

2 INTRODUÇÃO Émile Durkheim ( ) Principais obras: Da divisão do trabalho (1893); Regras do Método Sociológico (1895); O Suicídio (1897) e As formas elementares da vida religiosa (1912).

3 INTRODUÇÃO Durkheim procurou a institucionalização da Sociologia. Buscou afirmar a Sociologia como uma ciência, como um saber independente e autônomo. Preocupava-se com o estatuto científico da Sociologia.

4 INTRODUÇÃO Intencionava definir uma espécie de zona sociológica exclusiva (Berthelot). Objetivava demarcar bem o saber sociológico da interferência de outros saberes, como a economia, a psicologia e a filosofia social (Pais). A autonomia da sociologia como ciência decorreria da especificidade da realidade social frente outras realidades.

5 INTRODUÇÃO Esforçou-se para harmonizar a Sociologia com o discurso cientificista (Bauman). Perseguiu um modelo de ciência caracterizado por tratar o objeto de estudo como algo destacado do sujeito que estuda (Bauman). O sujeito, assim, focalizaria um objeto lá fora, que poderia ser observado e descrito em linguagem neutra e distinta (Bauman).

6 INTRODUÇÃO Para Durkheim, a sociologia é a ciência que estuda os fatos sociais. Busca uma sociologia objetiva e científica, conforme o modelo das ciências naturais. Para existir esta sociologia duas coisas são necessárias: a) objeto específico, distinto das outras ciências. b) possa ser observado e explicado de modo semelhante aos fatos observados e explicados pelas outras ciências.

7 OS FATOS SOCIAIS Os fatos sociais são coisas externas que exercem uma coerção sobre os indivíduos. É preciso observar os fatos sociais do exterior ; descobri-los como descobrimos os fatos físicos. O fato social é algo que se impõe ao indivíduo. Ex: moda, sentimentos coletivos, correntes de opinião. Direito, crenças, educação.

8 OS FATOS SOCIAIS Os fatos sociais parecem, aos indivíduos, uma realidade inelutável, inflexível, independente de sua vontade (Bauman). Replicam, os fatos sociais, as características dos fatos do mundo físico (Bauman).

9 OS FATOS SOCIAIS São fatos ou fenômenos sociais aqueles que possuem como base o grupo em seu conjunto, e não indivíduos em particular. Explicar um fato social é procurar sua causa eficiente, identificar o fenômeno antecedente que o produz necessariamente. A partir da causa, pode-se procurar a função que exerce, sua utilidade.

10 OS FATOS SOCIAIS As causas dos fatos-fenômenos sociais devem ser procurados no meio social. É na natureza da própria sociedade que devemos procurar a explicação da vida social (Durkheim). Para ele, a sociedade é uma realidade de natureza diferente em relação às realidades individuais.

11 OS FATOS SOCIAIS A sociedade é uma realidade sui generis. A sociedade não é a mera soma de indivíduos, mas o sistema formado pela sua associação representa uma realidade específica, com caracteres próprios (Durkheim). Atomismo x Organicismo. Todo fato social tem como causa um outro fato social, e nunca um fato psicológico e individual.

12 A CONSCIÊNCIA COLETIVA O grupo pensa, sente e age de um modo completamente diferente daquilo que fariam os membros se estivessem isolados (Durkheim). Durkheim elabora o conceito de consciência coletiva. Esta é *...] o conjunto das crenças, dos sentimentos comuns à média dos membros de uma sociedade (Durkheim).

13 A CONSCIÊNCIA COLETIVA A consciência coletiva é o tipo psíquico, a mentalidade de uma determinada coletividade. A consciência coletiva é mais forte em sociedades primitivas e tradicionais. Maior autonomia dos indivíduos na sociedade moderna individualismo.

14 SOCIEDADE E INDÍVIDUO Para ele, o indivíduo nasce da sociedade, e não a sociedade dos indivíduos. Primado da sociedade sobre o indivíduo. Explicação das partes pelo todo. Explica os fenômenos individuais pelo estado da coletividade, e não o estado da coletividade pelos fatores individuais.

15 ANOMIA Durkheim trata da anomia, ausência ou desintegração das normas sociais. A anomia é o estado de desorganização social, que é o efeito da deterioração do controle das normas sobre as condutas (Parsons). Indica o relaxamento da inscrição da sociedade no psiquismo individual (Fernandes).

16 ANOMIA A anomia caracteriza-se pela dissolução, ou relaxamento dos freios da consciência coletiva (Fernandes). É a guerra de todos contra todos, o império das paixões desenfreadas e dos desejos egoísticos. Para Durkheim, as modernas sociedades individualistas seriam marcadas pela anomia.

17 PATOLOGIA SOCIAL Durkheim estuda um fenômeno patológico da sociedade moderna o suicídio. Procura provar que este fenômeno é determinado pela coletividade. Contesta as explicações psicológicas e médicas suicídio como manifestação de um desordem psicofísica.

18 PATOLOGIA SOCIAL Os indivíduos são mais inclinados ao suicídio quando pensam somente em si mesmos, quando não estão integrados num grupo social. Os suicídios são fenômenos individuais, cujas causas são essencialmente sociais. Para ele, o aumento da taxa de suicídio na modernidade é algo patológico.

19 PATOLOGIA SOCIAL O suicídio revela certos traços patológicos da sociedade moderna. Insuficiente integração do indivíduo na coletividade.

20 CRISE DA MODERNIDADE Para Durkheim, o problema da sociedade moderna não é econômico. É sobretudo um problema social e moral, uma problema de ausência de consenso. O problema social e moral está ligado aos processos de socialização.

21 CRISE DA MODERNIDADE Trata-se de fazer do indivíduo um membro da coletividade. Inculcar nos indivíduos o respeito pelos imperativos, obrigações e proibições sem as quais a vida social tornar-se-ia um caos. Transmitir sentimentos comuns para atenuar os conflitos e egoísmos.

22 CRISE DA MODERNIDADE Busca da harmonia e equilíbrio social. Necessidade da organização e da moralização. Instauração de uma forte autoridade moral que limite o desejo dos homens.

23 CRISE DA MODERNIDADE Na modernidade as funções econômicas estão abandonadas a si mesmas. As funções e poderes econômicos não são mais regulados e controlados. Para Durkheim, as funções econômicas precisam estar submetidas a um poder superior. Este poder superior precisa ser ao mesmo tempo moral e político.

24 CRISE DA MODERNIDADE Este poder moral e político não seria mais as famílias, as igrejas ou o Estado, mas os grupos profissionais. A solução do problema social está na reconstituição dos grupos profissionais, as antigas corporações. As corporações exerceriam uma autoridade sobre os indivíduos, regulando e moralizando a vida econômica.

25 CRÍTICAS Os fatos sociais não são coisas externas. Os fatos sociais não são objetos. Os fatos sociais diferem dos fenômenos naturais.

26 CRÍTICAS A sociedade é um conceito abstrato (categoria analítica). Não existe a sociedade como uma realidade concreta, visível. É resultado da ação individual humana, de múltiplas interações.

27 CRÍTICAS A sociedade não é uma substância. Não podemos conceber a sociedade como um ser subsistente, com existência própria e independente (Recásens Siches). Desse modo, não pode ser considerada como uma espécie de animal gigantesco, um grande organismo, ou uma alma coletiva.

28 CRÍTICAS A substancialização da sociedade é algo que pode justificar a escravização dos indivíduos (Recásens- Siches). Converte-se o homem em mera coisa, em uma peça deste imenso maquinismo. O indivíduo torna-se um instrumento, um meio. A sociedade e/ou Estado acaba absorvendo por completo a individualidade humana.

29 CRÍTICAS Em realidade, o homem ao mesmo tempo está dentro e fora da sociedade (Recásens Siches). É um elemento da sociedade e traz o coletivo em sua própria estrutura humana. Por outro lado, pode opor-se à sociedade como contemplador dela, como seu crítico e reformador(ibidem).

30 CRÍTICAS Somos na sociedade simultaneamente objetos e sujeitos, dirigidos e diretores, matéria interventiva e agentes de intervenção (Recásens- Siches). Estrutura dual-bipolar da vida humana. Tensão entre os dois pólos do individual e do social. O homem está só e ao mesmo tempo relacionado (Fromm).

31 CRÍTICAS Destaca em demasia a necessidade do consenso e da harmonia social. A sociedade ora é vista como um objeto a ser observado desde o exterior, ora como a algo a ser idealizado e cultuado (Aron). Toma o meio social como a suprema realidade, a causa última de todas as coisas.

32 CRÍTICAS Reducionismo sociologismo. Todo fato humano tem uma dimensão social, mas não é essencialmente e unicamente social. Ex: Direito, moral, religião. Concebe a sociedade como se fosse uma unidade fechada sobre si mesma, homogênea e sem conflitos.

33 CRÍTICAS Na verdade, no interior de cada sociedade há conflitos e tensões de toda ordem. Substituir a noção de sociedade como uma totalidade homogênea, pela visão de grupos sociais em conflito. Pluralidade conflituosa de grupos sociais no interior de uma dada estrutura social.

34 CRÍTICAS A sociologia de Durkheim é obcecada pela ordem e pelo equilíbrio (Pais). A sociologia atual centra sua atenção nas situações de conflito, instabilidade e assimetria (Touraine). Preocupa-se, hoje, com o que é particular, específico e singular.

35 CRÍTICAS Durkheim é simultaneamente um sociólogo, cientista, e um reformador social, um ideólogo. Para Durkheim, a sociologia pode trazer uma solução para os problemas sociais. É papel do cientista social reformar a sociedade?

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