CURSO ON-LINE PROFESSOR: ANDERSON LUIZ

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1 Olá, amigos(as), Esta é a primeira parte dos comentários à prova de Direito Administrativo do concurso de AFRFB/2009 (P2 Gab. 1). Inicio pelas questões sobre os assuntos que vimos no Curso Regular de Ética na Administração Pública e nos simulados que disponibilizei aqui no Ponto. Vamos lá! 18. (ESAF/AFRFB/2009) Os Crimes contra a Administração Pública são tratados no Título XI do Código Penal Brasileiro. Em seu Capítulo I, foram tipificados os Crimes praticados por Funcionários Púbicos contra a Administração em geral. Não se inclui entre as condutas previstas neste Capítulo: a) apropriar-se de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio. b) extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente. c) dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei. d) acumular, mediante remuneração, cargos, empregos ou funções públicas, excetuadas as hipóteses permitidas constitucionalmente. e) exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. Comentários: A letra a está errada. Essa conduta configura crime de peculato, previsto no art. 312 do CP. A letra b está errada. Essa conduta configura crime de extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento, previsto no art. 314 do CP. A letra c está errada. Essa conduta configura crime de emprego irregular de verbas ou rendas públicas, previsto no art. 315 do CP. A letra d está certa. Essa conduta, embora vedada pelo art. 118 da Lei nº 8.112/90, não configura crime contra a administração pública. Provavelmente, o examinador tentou confundir o candidato neste ponto: a acumulação ilegal, o abandono de cargo e a inassiduidade habitual são faltas puníveis com a demissão, após apuração pelo rito sumário. A despeito dessas semelhanças, apenas o abandono de cargo configura crime contra a administração pública, previsto no art. 323 do CP. Prof. Anderson Luiz 1

2 A letra e está errada. Essa conduta configura crime de concussão, previsto no art. 316 do CP. Portanto, a resposta desta questão é a letra d. Para auxiliar meus alunos na resolução de questões deste tipo, em minhas aulas utilizo os seguintes quadros: CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL A (4) C (3) E (4) F I M P (6) V (3) Abandono de função Advocacia administrativa Concussão Corrupção passiva Corrupção passiva Privilegiada Emprego irregular de verbas ou rendas públicas Excesso de exação Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento Facilitação de contrabando ou descaminho Inserção de dados falsos em sistema de informações Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações Peculato- apropriação Peculato culposo Peculato- desvio Peculato- furto Peculato- mediante erro de outrem Prevaricação Prevaricação Especial ou Imprópria Violência arbitrária Violação de sigilo funcional Violação do sigilo de proposta de concorrência Prof. Anderson Luiz 2

3 CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL C (2) D (2) I (2) S (2) R T U Contrabando ou descaminho Corrupção ativa Desacato Desobediência Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência Inutilização de edital ou de sinal Sonegação de contribuição previdenciária Subtração ou inutilização de livro ou documento Resistência; Tráfico de Influência Usurpação de função pública 19. (ESAF/AFRFB/2009) Quanto à disciplina da Lei de Improbidade Administrativa Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, é incorreto afirmar: a) considera-se agente público todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no art. 1o da Lei. b) aplicam-se também as disposições da Lei de Improbidade Administrativa, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. c) o Supremo Tribunal Federal excluiu da sujeição à Lei de Improbidade Administrativa os agentes políticos que estejam sujeitos ao regime de crime de responsabilidade. d) ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente ou de terceiro, dar-se-á o integral ressarcimento do dano e, no caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio. Prof. Anderson Luiz 3

4 e) tratando-se de penalidades personalíssimas, em nenhuma hipótese, poderá o sucessor ser alcançado por sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa. Comentários: Quem leu o Ponto 05 (Sujeitos do ato de improbidade), que coloquei na parte aberta aqui do Ponto no dia 21/10/2009, garantiu os dois pontos! Por oportuno, reproduzo parte dos comentários feitos naquela ocasião: Podem ser sujeito ativo da improbidade administrativa: Os agentes públicos. Os terceiros. IMPORTANTE: Sujeitos Ativos: Agentes públicos. Terceiros. De acordo com a Lei nº 8.429/92, é considerado agente público todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades citadas como sujeito passivo (art. 2º). Portanto, para que o agente público sujeite-se aos ditames da LIA não é necessário que possua vínculo efetivo com Administração Pública ou então, desta, receba remuneração. Assim, as condutas dos mesários de eleições e dos jurados do Tribunal do Júri, por exemplo, também podem ser avaliadas segundo a LIA. Percebam que a Lei nº 8.429/92 também estende a responsabilização pela prática de ato de improbidade administrativa a terceiros (arts. 3º, 5º, 6º e 8º), quais sejam, aqueles que: Mesmo não sendo agente público, induzam (dêem a idéia) ou concorram (auxiliem) para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficiem sob qualquer forma direta ou indireta. Figurem como sucessores do agente público que praticou o ato de improbidade administrativa ou sucessores dos terceiros referidos no item acima (induzam/concorram/beneficiem-se). Prof. Anderson Luiz 4

5 Deve ficar claro que a prática de ato de improbidade administrativa pressupõe o envolvimento de um agente público. Assim, a responsabilização de particular depende de co-autoria com um agente público. No que tange aos sujeitos ativos, a Lei nº 8.429/92 estabelece que: Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente ou de terceiro, dar-se-á o integral ressarcimento do dano (art. 5º). No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio (art. 6º). O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações da LIA até o limite do valor da herança (art. 8º). Em relação ao sucessor do ímprobo, notem que as sanções de natureza pecuniária cominadas na LIA limitam-se ao valor da herança. Tal fato decorre do regramento contido no art. 5º, XLV da Constituição Federa: nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido. IMPORTANTE: Em relação ao sucessor do ímprobo, as sanções de natureza pecuniária cominadas na LIA limitam-se ao valor da herança (art.8º). JURISPRUDÊNCIA DO STF: INFORMATIVO Nº 471 Quanto ao mérito, o Tribunal, por maioria, julgou procedente a reclamação para assentar a competência do STF para julgar o feito e declarar extinto o processo em curso no juízo reclamado. Após fazer distinção entre os regimes de responsabilidade político-administrativa previstos na CF, quais sejam, o do art. 37, 4º, regulado pela Lei 8.429/92, e o regime de crime de responsabilidade fixado no art. 102, I, c, da CF e disciplinado pela Lei 1.079/50, entendeu-se que os agentes políticos, por estarem regidos por normas especiais de responsabilidade, não respondem por improbidade administrativa com base na Lei 8.429/92, mas apenas por crime de responsabilidade em ação que somente pode ser proposta perante o STF nos termos do art. 102, I, c, da CF. (...) Rcl Prof. Anderson Luiz 5

6 2138/DF, rel. orig. Min. Nelson Jobim, rel. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, (Rcl-2138) Pelo exposto, a resposta desta questão é a letra e. 20. (ESAF/AFRFB/2009) João pretende fazer um requerimento, de seu interesse, junto à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em sua cidade. Conforme o que determina a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, assinale a opção que relata a correta conduta. a) Tratando-se de uma situação urgente, João protocolou seu requerimento num domingo, pela manhã, junto ao segurança do prédio em que funciona a Receita Federal do Brasil em sua cidade, conforme a exceção legal para as hipóteses de emergência. b) O servidor da Receita Federal do Brasil negou-se a receber o requerimento de João alegando a ausência de reconhecimento de sua firma pelo cartório competente. c) Tendo em mãos os documentos originais, João solicitou ao servidor da Receita Federal do Brasil que autenticasse as cópias que apresentava, tendo sido seu pedido deferido. d) Após o transcurso de 15 (quinze) dias do protocolo de seu pedido, João recebeu a intimação para o seu próprio comparecimento à sede do órgão naquele mesmo dia, com um prazo de 3 (três) horas para a apresentação. e) Tendo comparecido na data, hora e local marcados, João alegou a nulidade absoluta da intimação. A autoridade competente, assim, declarou nulo o ato e determinou que a intimação fosse realizada novamente. Comentários: Norteado pelo princípio do informalismo, o processo administrativo não se sujeita a formas rígidas. Contudo, não se pode concluir que há ausência total de forma. Pois, o processo é escrito. Logo, sempre há forma. Além disso, quando a lei expressamente exigir forma legal para a prática de determinado ato, está será cumprida. Caso contrário, o ato será nulo. Portanto, no processo administrativo, o formalismo somente existe quando é necessário à proteção do interesse público e à proteção dos direitos dos administrados. Nesse ponto o processo administrativo difere do processo judicial já que neste a regra é a formalidade de seus atos. Nos termos da Lei nº 9.784/99, o processo administrativo deve observar as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados, bem como adotar formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Assim: Prof. Anderson Luiz 6

7 Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo (em português), com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Em regra, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. A lei, porém, poderá estabelecer outras situações em que o reconhecimento de firma será necessário. A autenticação de documentos exigidos em cópia poderá ser feita pelo órgão administrativo. O processo deverá ter suas páginas numeradas seqüencialmente e rubricadas. Em relação ao tempo do processo (momento de realização do ato administrativo), a Lei dispõe o seguinte: os atos processuais serão realizados nos dias úteis, no horário normal de funcionamento da repartição em que tramitar. Poderão ser concluídos depois desse horário os atos já iniciados, cujo adiamento prejudique o curso regular do procedimento ou cause dano ao interessado ou à Administração (art. 23). Além disso, se não houver disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de 5 dias (art. 24), salvo motivo de força maior. Esse é o chamado prazo genérico do processo administrativo. Pois, só é aplicável se não houver prazo específico. Ressalta-se que esse prazo genérico pode ser dilatado até o dobro, mediante comprovada justificação. Percebam que prazo não será, necessariamente, aumentado para 10 dias. Como a Lei diz até o dobro, tal prorrogação pode ser de 1, 2,..., até 5 dias. No que tange à comunicação dos atos, a Lei dispõe que o órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências (art. 26). Todos os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades, bem como os demais atos de seu interesse, devem ser objeto de intimação (art. 28). Essa intimação observará a antecedência mínima de 3 dias úteis quanto à data de comparecimento (art. 26, 2º). A intimação deverá conter (art. 26, 1º): Identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; Finalidade da intimação; Data, hora e local em que deve comparecer; Se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se representar; Prof. Anderson Luiz 7

8 Informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; Indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. Segundo o art. 26, 3º da Lei, a intimação pode ser efetuada por: Ciência no processo (assinatura do interessado nos autos do processo); Via postal com aviso de recebimento (AR); Telegrama; ou Outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado (p. ex: um servidor vai à casa do interessado para intimá-lo). Publicação oficial, no caso de interessados Desconhecidos, Indeterminados ou com Domicílio Indefinido (art. 26, 4º). (Interessados DIDI = Publicação oficial) As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais. Porém, é importante destacar que o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade (art. 26, 5º). Isso significa que a intimação feita em desacordo com a Lei é nula. Mas, se o administrado comparecer ao local indicado, não há que se falar em nulidade. Ademais, a expressão popular quem cala consente não tem aplicação no processo administrativo. Pois, o desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado (art. 27). Voltemos á questão. A letra a está errada. Viva a criatividade do examinador! A Lei nº 9.784/99 não prevê a exceção citada. A letra b está errada. Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade (art. 22, 2º). No enunciado da questão não há menção à exigência legal nem à autenticidade duvidosa. A letra c está certa. Pois, a autenticação de documentos exigidos em cópia poderá ser feita pelo órgão administrativo (art. 22, 3º). A letra d está errada. A intimação observará a antecedência mínima de 3 dias úteis quanto à data de comparecimento (art. 26, 2º). A letra e está errada. As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade (art. 26, 5º). Assim, a resposta desta questão é a letra c. Continuaremos na próxima semana... Prof. Anderson Luiz 8

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