Política Fiscal CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA. Consultoria Desenvolvendo soluções, alavancando resultados!

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1 Política Fiscal 2 CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA Consultoria Desenvolvendo soluções, alavancando resultados!

2 Política Fiscal Neste Sumário serão analisados os principais indicadores de Política Fiscal. Entre os indicadores analisados estão a carga tributária, o resultado primário, o resultado nominal, a dívida líquida do setor público e a dívida bruta do governo Geral. A situação fiscal do país melhorou nos últimos vinte anos. Tal melhora pode ser vista pela queda da dívida líquida do setor público, pela queda da necessidade de financiamento do setor público, pela relativa estabilidade da dívida bruta do governo geral em proporção do PIB e pela melhora na composição da dívida mobiliária federal interna. Entretanto, há alguns indicadores que mostram que a situação fiscal do país não é tão confortável. Os superávits primários (economia que o Governo faz para, pelo menos, estabilizar a relação dívida/pib) foram obtidos com o crescimento da arrecadação em um percentual maior do que o crescimento das despesas. Consequentemente, a carga tributária do país ampliou substancialmente. Nos últimos anos, parte da queda da dívida líquida do setor público é explicada pela contabilidade criativa, o que diminui a credibilidade do Governo sobre os dados divulgados. Além disso, a comparação dos indicadores fiscais de dívida bruta do governo geral e do pagamento de juros do Brasil com os países do BRICs e dos Estados Unidos, mostram que a dívida bruta brasileira é relativamente elevada e o seu custo (em termos de pagamento de juros) é extremamente elevado. 24

3 Crescimento Contínuo das Receitas Federais A arrecadação das receitas federais cresceu de forma contínua no período 1995 a 213, passando de 16,15% do PIB em 1995 para 22,74% em 213. Esse aumento de 6.6 p.p. do PIB explica a maior parte da elevação da carga-tributária no período, que foi de 7.5 p.p. do PIB. A evolução das receitas federais pode ser explicada por mudanças na legislação tributária, aumento de alíquotas e maior eficiência na arrecadação Política Fiscal Arrecadação % do PIB Arrecadação Total das Receitas Federais a Fonte: Receita Federal do Brasil Valores em R$ Milhões a preços de julho de 214 Edição Outubro I Ano

4 Aumento da Carga Tributária como Instrumento do ajuste fiscal A carga-tributária aumentou de forma contínua e em todos os governos do período analisado. Foi o principal instrumento do "ajuste fiscal. O aumento da carga-tributária ocorreu em todas as esferas de governo, sendo mais expressivo no nível federal, responsável maior pela geração dos resultados fiscais. Esse aumento ocorre de maneira mais expressiva a partir de 1999, ano em que foram instituídas as metas de superávits primários Carga Total Tributos Federais Tributos Estaduais Tributos Municipais Carga Tributária a 213 (%PIB) Fonte: IBPT - Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário Arrecadação total em proporção do PIB, por esfera de governo. 26

5 Crescimento dos Gastos do Governo Central As Despesas Primárias do Governo Central apresentaram contínuo crescimento durante todo o período entre 1997 e 214, passando de 14% do PIB em 1997 para 18,85% do PIB em 214. Este aumento se deve, principalmente, aos gastos com transferências para as famílias e aos gastos na rubrica 'Outras despesas de custeio e capital' do Tesouro Nacional. As transferências para as famílias incluem os pagamentos de benefícios previdenciários, as despesas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e os benefícios assistenciais da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e da Renda Mensal Vitalícia (RMV). Já as outras despesas de custeio e capital incluem, entre outras, as despesas discricionárias e as despesas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) * Despesa Total (R$ milhões) Despesa Total (% PIB) Despesas Primárias do Governo Central a Fonte: Tesouro Nacional Valores em R$ Milhões a preços de junho de 214 * posição até junho de

6 Apesar de toda a propaganda do Governo, os gastos do PAC ainda é uma pequena parcela das despesas do Governo O perfil dos gastos públicos apresentou uma sensível melhora a partir de 22, graças à ampliação da formalização no mercado de trabalho, das políticas voltadas para a redução da desigualdade social (LOAS e RMV) e de investimentos públicos (PAC). O PAC, instituído em janeiro de 27, é um conjunto de medidas de estímulo ao investimento privado e ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura, tão necessários para o crescimento da economia brasileira. Entretanto, os gastos com o PAC foram de apenas 1,15% do PIB em junho de 214, representando 6,9% de toda despesa do governo central. De 1997 a 214, a rubrica que mais pressionou os gastos públicos foi o pagamento de benefícios previdenciários devido à mudança da pirâmide etária brasileira, aumento da massa salarial e formalização do mercado de trabalho * Programa de Aceleração do Crescimento Pessoal e Encargos Sociais Bene cios Previdenciários Despesa Total Bene cios Assistenciais (LOAS e RMV) Despesas do FAT Despesas Selecionadas do Governo Central (% do PIB) Fonte: Tesouro Nacional * valores para junho de

7 A piora dos Resultados Fiscais nos últimos anos O Resultado Primário das Contas Públicas foi expressivo desde 1999, ano em que foi instituída a meta fiscal, até o ano de 212, registrando média superior a 3% do PIB. Esses resultados foram utilizados para pagar parte do custo da dívida pública e reduzir gradativamente a NFSP, como proporção do PIB. Contudo, nos últimos anos, houve queda nos resultados primários e aumento na NFSP. Por sua vez, o custo de rolagem da dívida pública, medido pelos juros nominais, foi elevadíssimo para padrões internacionais em todo o período, com média acima de 6% do PIB Resultado Primário Juros Nominais Resultado Nominal (NFSP) Resultados Fiscais do Setor Público a 214* (%PIB) Fonte: Banco Central do Brasil 29

8 Contabilidade Criativa e queda da Dívida Líquida do Setor Público (DLSS) A DLSP, em proporção do PIB, iniciou um processo de queda a partir do ano de 22, devido, principalmente, pela redução da dívida líquida externa. Esta redução se deu em razão do aumento expressivo das reservas internacionais (que são descontadas do montante da dívida bruta externa), e não pelo pagamento da dívida. O conceito de dívida líquida vem sofrendo diversas críticas nos últimos anos em razão da contabilidade criativa um artifício que permite a expansão dos gastos públicos com aparente melhora nas contas públicas. O Governo tem realizado certas operações financeiras com empresas públicas que estão fora do conceito de setor público, como o recebimento de elevados dividendos das empresas públicas, e os empréstimos às empresas públicas por meio de emissão de títulos públicos. Nesta, a dívida bruta aumenta em razão da emissão dos títulos públicos na mesma proporção em que aumenta o crédito do setor público diante o restante da economia. 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1,, -1, -2, DLSP Dívida Líquida Externa Dívida Líquida Interna Dívida Líquida do Setor Público (% PIB) Fonte: Banco Central do Brasil * posição em junho de 214 3

9 Dívida Bruta x Dívida Líquida No Brasil, a variável que é levada em conta pelo Governo como indicador da dívida pública é a DLSS. Já a nível internacional, a comparação entre os países é realizada através da DBGG. A DLSS apresenta forte queda entre 22 e 214 (passando de 6,4% do PIB para 34,9% do PIB). Já a DBGG apresenta queda entre 22 e 27 e, a partir de então, oscila em torno de 65% do PIB. Esta estabilidade da dívida bruta ocorre, em grande parte, devido aos expressivos superávits primários a partir de Entretanto, a queda do superávit primário nos últimos anos remete preocupação quanto a manutenção do patamar da dívida bruta em proporção do PIB. 1, 8, 6, 4, 2,, 76,7 6,4 DLSP DBGG (metodologia até 27)** 34,9 Dívida Bruta do Governo Geral e Dívida Líquida do Setor Público (%PIB) 65,8 Fonte: Banco Central do Brasil * posição em junho de 214 ** Em 1998, houve mudança de metodologia de cálculo da DBGG. Na metodologia nova (dados disponíveis a partir de 26), a DBGG é menor do que na antiga porque esta não leva em conta os títulos públicos emitidos pelo Tesouro que ficam no caixa do Banco Central. Para o ano de 213, a DBGG foi de 65,6% do PIB na metodologia antiga e de 56,7% na nova metodologia. 31

10 Melhora da Composição da Dívida Mobiliária Federal Interna A composição da dívida mobiliária federal interna (DMFi) melhorou significativamente nos últimos anos. Em 1999, a maior parte da dívida pública ou era indexada (ao câmbio e índice de preços) ou era à taxa flutuante. Já em 214, a maior parcela da dívida é de títulos prefixados. A manutenção de grande parcela de títulos indexados e à taxa flutuante significa uma grande incerteza do Governo sobre o montante que pagará de juros. É melhor manter a maior parte da dívida em títulos prefixados porque o montante de juros que será pago é definido antecipadamente. 1% 8% 6% 4% 2% % * Prefixado Índice de Preços Taxa Flutuante Câmbio Demais 19,96 37,69 41,85 Composição da Dívida Mobiliária Federal Interna (% do total da dívida) Fonte: Tesouro Nacional 32

11 Dívida Bruta Brasileira no Cenário Fiscal Internacional A crise financeira internacional iniciada em 27 provocou um aumento na dívida pública do governo geral em diversos países, como por exemplo, os Estados Unidos, maior potência econômica. No Brasil, apesar do cenário internacional adverso, a dívida em proporção do PIB se manteve relativamente estável. Tal resultado se deve, principalmente, ao crescimento na arrecadação maior do que o crescimento dos gastos públicos. Comparando os países que integram o BRICs, China e Rússia apresentam uma relação dívida bruta/pib relativamente confortável. O Brasil e a Índia, apesar de terem, nos últimos anos, reduzido sensivelmente a dívida pública em relação ao PIB, ela ainda permanece relativamente elevada quando comparada com a média dos países emergentes Brasil China India Rússia Estados Unidos Países Emergentes Dívida Bruta do Governo Geral do BRICs e Estados Unidos (%PIB) Fonte: Fundo Monetário Internacional World Economic Outlook Database, 33

12 O pagamento de juros da dívida no Brasil é um dos maiores do Mundo em proporção do PIB Destaca-se que, em proporção do PIB, o Brasil é um dos países que mais paga juros sobre a dívida pública no mundo. Apesar de o Brasil apresentar uma relação dívida/pib menor do que muitos países, o custo da dívida brasileira é extremamente elevado. Comparando os países do BRICs, o Brasil e a Índia são os países que apresentam os piores desempenhos fiscais Brasil China Índia Rússia Estados Unidos Juros Pagos sobre a Dívida Pública dos BRICs e Estados Unidos (%PIB) Fonte: IMF Data Mapper 34

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