Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005"

Transcrição

1 Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Sinthoma e fantasia fundamental no caso do homem dos ratos * Cleide Maschietto Doris Rangel Diogo ** O Homem dos ratos 1 é um caso de neurose muito comentado, o que possibilita pensar como nele se articulam sinthoma e fantasia fundamental. Pode-se dizer que nesta análise ocorreu apenas uma ultrapassagem da fantasia ou houve também a construção de um sinthoma? Há uma discussão sobre o que é o sinthoma, escrito com th, e sua relação com o sintoma, tal como estabelecido por Freud 2. O sinthoma seria algo inédito que se alcança somente no fim de uma análise ou seria também alguma produção, uma nomeação, a partir da circunscrição de um gozo opaco, durante o percurso de uma análise ou mesmo antes desta? Neste último caso, ou seja, quando o sinthoma não fica restrito ao fim de uma análise, um sintoma seria também um sinthoma. * Este trabalho é resultado de discussões que tiveram lugar na Oficina Sinthoma e fantasia, coordenada por Stella Jimenez e Angela Bernardes, como atividade preparatória das XVI Jornadas Clínicas da EBP-Rio, Sinthoma, corpo e laço social. ** Cleide Maschietto e Doris Diogo correspondentes da Escola Brasileira de Psicanálise, Seção Rio de Janeiro (EBP-RJ). 1 FREUD, S. Notas sobre um caso de neurose obsessiva (1909). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1980, vol. X. 2 FREUD, S. Inibições, sintoma e angústia (1925 [1927]). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1980, vol. XX. 1

2 Stella Jimenez3 aponta, a este respeito, a conjunção e a disjunção entre sintoma e sinthoma no Seminário 23: o sinthoma 4, onde Lacan, ao escrever sintoma, faz também referência ao conceito de sinthoma com todas as suas implicações, além de se referir ao sinthoma como quarto elo, mesmo quando escrito sem th. Citando o Curso de Orientação Lacaniana de de Jacques-Alain Miller 5, Stella afirma que não se trata de substituição de um conceito por outro, mas sim de que o sinthoma estaria presente no sintoma da mesma maneira que a letra está presente no significante, sendo, portanto, em sua essência, irredutível ao significante. O trabalho analítico visaria possibilitar essa diferenciação, levá-lo a ponto do analisando inventar para si um sinthoma. Haveria, no entanto, uma diferença entre o sintoma/sinthoma do neurótico, entre o Nome-do-Pai, como quarto elo, e sinthoma de fim de análise, já que este último é efeito de um trabalho de redução que implica mais do que uma separação entre o sujeito dividido, ($) e o objeto a. Mas esta diferença não impede que se fale de sinthoma para indicar uma construção anterior à análise, conforme apontam Angela Bernardes e Stella Jimenez em Latusa n 10: Na neurose, o Nome-do-Pai e/ou sinthoma está presente, senão desde o início, pelo menos a partir da resolução do Édipo ou, no mais tardar, a partir do início da puberdade. 6 Na análise, devido à orientação do real, uma ultrapassagem pode se dar no ponto em que a construção da fantasia pode ir além da identificação e tocar o 3 JIMENEZ, S. Sinthoma e fantasia fundamental. Em: Latusa digital, nº 12. Rio de Janeiro: EBP-Rio, março de LACAN, J. Le Séminaire, Livre XXIII: Le Sinthome. Paris: Éditions du Seuil, 1999, aula de 11/5/ MILLER, J.-A. Curso de Orientação Lacaniana , Pièces detachées, aula de 15/12/2004. Inédito. 6 BERNARDES, A e Jimenez, S. Sinthoma e fantasia fundamental. Em: Latusa, n 10, Sinthoma, corpo e laço social. Rio de Janeiro: EBP-Rio, outubro de

3 gozo, ponto em que o sujeito estaria na posição do objeto a, e no qual a fantasia pode vir a se reduzir à pulsão. 7 Retomando nossa questão: no caso do Homem dos ratos, pode-se falar em fantasia ou em sinthoma, a partir do trabalho de análise? Em uma releitura deste caso, destacamos o significante criminoso no relato de Freud. Esse significante remete a um vaticínio do pai, ainda que sob a forma de uma dúvida: Ou este menino vai ser um grande homem ou um grande criminoso, quando na infância, sob efeito da raiva após uma surra, o filho chamou-o como: Seu lâmpada! Seu toalha! Seu prato! 8. Isto é, quando ele, menino, degradou o pai, nomeando-o como um objeto. Comentando sobre o poder da blasfêmia, ele assinala que esta faz decair o significante supremo, eminente, pai. O blasfemador faz esse significante decair na categoria do objeto, ele como que identifica o logos com seu efeito metonímico e o faz descer um degrau. Trata-se de fazer o Outro descer à categoria do objeto e de destruí-lo. 9 O paciente destacou que o significante criminoso, que assinala o vaticínio paterno, retornou em uma lembrança despertada quando morre uma tia, dezoito meses após a morte de seu pai. Momento a partir do qual, ele passou a se atribuir culpa por uma atitude de negligência por ocasião da morte de seu pai. O vaticínio do pai lhe oferecia dois destinos: ser um grande homem ou ser um criminoso. Ele escolheu identificar-se a criminoso, significante que veio recobrir parte de suas obsessões, portanto, seu sintoma. Isso ficou no âmago do seu embaraço como sujeito, nos pensamentos e atos compulsivos, nos quais ligava o desejo de ver mulher nua ao medo e o desejo de que o pai 7 MILLER, J.-A. Los signos del goce. Buenos Aires: Paidós, 1999, p FREUD, S. Notas sobre um caso de neurose obsessiva (1909). Op. cit., p LACAN, J. O seminário, livro 5: as formações do inconsciente ( ). Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1990, pp

4 deveria morrer. Em um segundo tempo, criminoso surge também no relato do Capitão sobre o suplício com os ratos, já que este era aplicado como castigo aos criminosos. Freud assinala 10 que o próprio paciente aponta este incidente da infância como relevante, afirmando que isso teria provocado uma mudança em seu caráter: ele se tornara covarde, por medo da sua própria violência durante uma reação de raiva. Portanto, criminoso se destaca como s(a), isto é, como sintoma, já que se refere ao retorno do mandato do supereu, presente nas dúvidas e compulsões. Qual seria o status de rato? Rato pode ser situado nos registros do Real, do Simbólico e do Imaginário. No Simbólico, rato se presentifica no deslizamento significante da cadeia associativa: raten-ratten (ratos-prestações); heiraten (casar); spielratte (rato de jogo). No Imaginário, rato aparece na cena do suplício relatada pelo capitão e comentada pelo paciente. No Real, rato nomeia algo do gozo do Outro, indizível, mas expresso inclusive na face do paciente, gozo apreendido por Freud como uma face de horror ao prazer todo seu do qual ele mesmo não estava ciente. 11 Freud teria circunscrito o objeto rato, ligado tanto à crueldade do castigo aplicado a criminosos e relatado pelo capitão, como à crueldade do paciente, já que este estendeu o castigo, por meio da associação, a seu pai e à dama. A crueldade tanto é atribuída ao Outro como é um pensamento do sujeito, que, ao relatá-la, dá um passo no sentido de vir a admiti-la como algo que lhe diz respeito, na direção de uma retificação subjetiva no trabalho de análise. Com isso, Freud teria tocado algo do real, do gozo da fantasia do sujeito. A crueldade, como manifestação do supereu, reaparece em outro momento da análise, quando o paciente associa Freud a um assassino, o que exigiu deste 10 FREUD, S. Notas sobre um caso de neurose obsessiva (1909). Op. cit., p. p Idem, ibidem, p

5 uma manobra da transferência para lidar com o que poderia vir a se tornar um obstáculo ao tratamento. No texto O estranho, Freud retoma um ponto deste caso clínico, quando o paciente relata uma experiência vivida como estranha, em que ele se refere à morte de um sujeito em um quarto de hotel, contíguo ao dele, duas semanas após ter proferido seu desagrado por este senhor ter ocupado o quarto de sua preferência. Na ocasião, disse: Quero que ele caia morto por causa disso. 12 Freud utiliza este exemplo para apontar o sinistro, para desenvolver a idéia de que na experiência de estranheza é de algo familiar que se trata, o que retorna sob a forma de compulsão à repetição. E nada mais familiar a este paciente do que este pensamento/desejo de onipotência, de que ele poderia causar a morte do outro, o que estava presente também em seu desejo/medo da morte do pai. Isto tem relevância no caso, visto que indica a posição de Senhor da morte à qual o paciente estava fixado, já que este tipo de pensamento (desejo de morte) fazia parte do núcleo de sua fantasia. Este tipo de experiência revela um certo encontro com o real, sob a forma de compulsão à repetição, que retorna como gozo, uma experiência real, no dizer de Freud. 13 Destaca-se, no caso, uma questão em relação à função paterna traduzida por um amor/ódio eterno ao pai, uma vez que ele não podia desejar sua dama sob outra condição que não fosse através de um gozo singular que alcançasse a ela e, ao mesmo tempo, ao pai no outro mundo. Se ele olhasse mulheres nuas, a punição com ratos seria infligida ao pai e à dama. A lei do amor, que Lacan nomeia père-version, é a lei advinda do pai como portador da castração. Seu pai foi designado por ele: spielratte (rato de jogo). Este significante ligado a heinratten (casar), endereça ao sujeito duas dívidas paternas: uma de jogo, nunca paga, e outra de amor, à mulher pobre. Ele, no entanto, nem se casa, 12 Idem, p Idem, p

6 nem paga sua própria dívida com a mulher do Correio. Quanto a tomar uma mulher como objeto de seu desejo, ele prefere o indecidível. Ao tomar para si, como herança, a dívida do pai, ele mantém o gozo necessário para sustentar o impossível do desejo obsessivo. Em Subversão do sujeito 14, Lacan afirma que o sujeito é o objeto de sua fantasia. Neste caso, rato é a nomeação do objeto anal. Ele é o rato. Neste sentido, rato nomeia este sujeito, sendo um signo do gozo por ele manifestado. A fantasia, no caso do Homem dos ratos seria: Penetra-se uma criança pelo ânus, com ratos/fezes. Considerando o caso do Homem dos ratos, o sujeito podia dispor da fantasia, como realidade psíquica já constituída, antes da análise, mas por outro lado, foi preciso essa nomeação do gozo, rato, a partir da construção da fantasia na análise, para inscrever o que, até então, se manifestava como real, apontando para a construção de algo novo, um nome, Homem dos ratos, uma forma de situar o Outro e o objeto a, portanto, uma outra forma de laço social, que possibilitou sua saída do tratamento. Assim, nesse caso clínico, rato tanto indica o objeto da fantasia, a, como aponta o sinthoma, um misto de sintoma e fantasia. No entanto, não se pode dizer que esta construção do sinthoma, a partir do ciframento do gozo através do significante rato, tenha o mesmo status que um sinthoma de fim de análise, seja porque essa nomeação lhe foi atribuída por Freud, e não pelo próprio sujeito, seja porque um sinthoma de fim de análise requer uma construção inédita, algo diferente de uma nomeação do gozo da fantasia. Para concluir, poderíamos situar no grafo do desejo alguns elementos desta análise: poderíamos escrever criminoso em s(a), que aparece sob a forma das 14 LACAN, J. Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano (1966). Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 1998, p

7 suas dúvidas/dívidas e dos atos compulsivos, Senhor da morte como I(A) e rato, como objeto a da fantasia. E como matema da fantasia: Penetra-se uma criança pelo ânus com um rato. 7

A Outra: o delírio da histérica

A Outra: o delírio da histérica Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 1 Ana Martha Maia e Maria Fátima Pinheiro Desde Freud, podemos dizer que a fantasia e o delírio são construções ficcionais

Leia mais

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 Arlete Mourão 2 Essa frase do título corresponde à expressão utilizada por um ex-analisando na época do final de sua análise.

Leia mais

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2 DAR CORPO AO SINTOMA NO LAÇO SOCIAL Maria do Rosário do Rêgo Barros * O sintoma implica necessariamente um corpo, pois ele é sempre uma forma de gozar, forma substitutiva, como Freud bem indicou em Inibição,

Leia mais

Desdobramentos: A mulher para além da mãe

Desdobramentos: A mulher para além da mãe Desdobramentos: A mulher para além da mãe Uma mulher que ama como mulher só pode se tornar mais profundamente mulher. Nietzsche Daniela Goulart Pestana Afirmar verdadeiramente eu sou homem ou eu sou mulher,

Leia mais

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset No início da experiência analítica, foi o amor, diz Lacan 1 parafraseando a fórmula no

Leia mais

2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania?

2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania? 2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania? Giselle Fleury(IP/UERJ), Heloisa Caldas(IP/UERJ) Para pensar, neste trabalho, a neurose e a psicose em relação

Leia mais

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Henrique Figueiredo Carneiro Liliany Loureiro Pontes INTRODUÇÃO Esse trabalho apresenta algumas considerações,

Leia mais

UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO

UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO 2015 Marcell Felipe Alves dos Santos Psicólogo Clínico - Graduado pela Centro Universitário Newton Paiva (MG). Pós-graduando em

Leia mais

O desenho e sua interpretação: quem sabe ler?

O desenho e sua interpretação: quem sabe ler? O desenho e sua interpretação: quem sabe ler? Sonia Campos Magalhães Em seu artigo Uma dificuldade da psicanálise de criança, Colette Soler 1 lança uma questão aos psicanalistas que se ocupam desta prática,

Leia mais

A fala freada Bernard Seynhaeve

A fala freada Bernard Seynhaeve Opção Lacaniana online nova série Ano 1 Número 2 Julho 2010 ISSN 2177-2673 Bernard Seynhaeve Uma análise é uma experiência de solidão subjetiva. Ela pode ser levada suficientemente longe para que o analisante

Leia mais

APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1

APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1 APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1 Elza Macedo Instituto da Psicanálise Lacaniana IPLA São Paulo, 2008 A angústia é um afeto Lacan (2005) dedica o Seminário de 1962-1963 à angústia. Toma a experiência

Leia mais

Latusa Digital ano 3 Nº 24 setembro de 2006

Latusa Digital ano 3 Nº 24 setembro de 2006 Latusa Digital ano 3 Nº 24 setembro de 2006 Filho, não vês que estou queimando! Ondina Maria Rodrigues Machado * Fui a Salvador para o XV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, mas não só para isso. Fui

Leia mais

Um Quarto de Volta. Maria Cristina Vecino de Vidal. Discursos

Um Quarto de Volta. Maria Cristina Vecino de Vidal. Discursos Um Quarto de Volta Maria Cristina Vecino de Vidal Este escrito versará em torno da estrutura dos quatro discursos e seu funcionamento na clínica psicanalítica. As questões se centrarão na problemática

Leia mais

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Maria José Gontijo Salum Em suas Contribuições à Psicologia do Amor, Freud destacou alguns elementos que permitem

Leia mais

Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003

Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003 Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003 O forçamento da psicanálise * Ruth Helena Pinto Cohen ** A ciência moderna tende a excluir a poética de seu campo e a psicanálise, a despeito de ter nascido a

Leia mais

Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC

Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC O Pai em Freud 1997 O Pai em Freud Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC Conteudo: Pais freudianos... 3 O pai de Dora... 3 O pai de Schreber.... 4 O pai castrador, que é o terceiro em Freud,

Leia mais

Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005

Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005 Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005 Dos novos sintomas ao sintoma analítico Elizabeth Karam Magalhães Na contemporaneidade, a prática clínica confronta o analista com novas formas do sintoma, que têm

Leia mais

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 Patrícia Guedes 2 Comemorar 150 anos de Freud nos remete ao exercício de revisão da nossa prática clínica. O legado deixado por ele norteia a

Leia mais

Transferência e desejo do analista: os nomes do amor na experiência analítica ou Amar é dar o que não se tem

Transferência e desejo do analista: os nomes do amor na experiência analítica ou Amar é dar o que não se tem 1 Transferência e desejo do analista: os nomes do amor na experiência analítica ou Amar é dar o que não se tem Palavras-chave: Transferência, Desejo do analista, Formação Que haja amor à fraqueza, está

Leia mais

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO 2014 Matheus Henrique de Souza Silva Psicólogo pela Faculdade Pitágoras de Ipatinga-MG. Especializando em Clínica Psicanalítica na atualidade:

Leia mais

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Angústia: acting-out e passagem ao ato * Manoel Barros da Motta ** Jacques-Alain Miller, ao estabelecer o Seminário X de Lacan, A angústia 1, dividiu-o em quatro

Leia mais

O FALO E A MORTE NA DINÂMICA DA NEUROSE OBSESSIVA

O FALO E A MORTE NA DINÂMICA DA NEUROSE OBSESSIVA O FALO E A MORTE NA DINÂMICA DA NEUROSE OBSESSIVA Doris Rinaldi 1 A neurose obsessiva apresenta uma complexidade e uma riqueza de aspectos que levou, de um lado, Freud a dizer que tratava-se do tema mais

Leia mais

A prova da devastação Daniela Goulart Pestana

A prova da devastação Daniela Goulart Pestana A prova da devastação Daniela Goulart Pestana A comunicação que segue procura pensar algumas especificidades constitucionais do feminino a partir do aforismo lacaniano: Não há relação sexual. Para dizer

Leia mais

Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? nossos tempos não foge à regra. As mulheres, afetadas pela condição de não-todas,

Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? nossos tempos não foge à regra. As mulheres, afetadas pela condição de não-todas, Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? Fernanda Samico Küpper É notória a contribuição que as mulheres sempre deram à engrenagem da psicanálise enquanto campo teórico. Desde Anna O., passando

Leia mais

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Analícea Calmon Seguindo os passos da construção teórico-clínica de Freud e de Lacan, vamos nos deparar com alguns momentos de

Leia mais

Clínica psicanalítica com crianças

Clínica psicanalítica com crianças Clínica psicanalítica com crianças Ana Marta Meira* A reflexão sobre a clínica psicanalítica com crianças aponta para múltiplos eixos que se encontram em jogo no tratamento, entre estes, questões referentes

Leia mais

O amor em análise: algumas considerações a partir de depoimentos de passe Jussara Jovita Souza da Rosa

O amor em análise: algumas considerações a partir de depoimentos de passe Jussara Jovita Souza da Rosa Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 14 julho 2014 ISSN 2177-2673 : algumas considerações a partir de depoimentos de passe Jussara Jovita Souza da Rosa [...] Falar de amor, com efeito, não se

Leia mais

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 Celso Rennó Lima A topologia..., nenhum outro estofo a lhe dar que essa linguagem de puro matema, eu entendo por aí isso que é único a poder se ensinar: isso

Leia mais

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO Denise de Fátima Pinto Guedes Roberto Calazans Freud ousou dar importância àquilo que lhe acontecia, às antinomias da sua infância, às suas perturbações neuróticas, aos seus sonhos.

Leia mais

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos?

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Luciana Silviano Brandão Lopes Quem já não teve a sensação de ter tido muitos

Leia mais

Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América

Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América Entrevistada: Elisa Alvarenga Diretora Geral do IPSM-MG e Presidente da FAPOL (Federação Americana de Psicanálise de Orientação Lacaniana). E-mail:

Leia mais

Esse estranho que nos habita. neuroses clássicas e atuais Marcia Zucchi

Esse estranho que nos habita. neuroses clássicas e atuais Marcia Zucchi Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 14 julho 2014 ISSN 2177-2673 : o corpo nas neuroses clássicas e atuais Marcia Zucchi Introdução Foi através dos mistérios do corpo que Freud criou a psicanálise.

Leia mais

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 Miriam A. Nogueira Lima 2 1ª - O corpo para a psicanálise é o corpo afetado pela linguagem. Corpo das trocas, das negociações. Corpo

Leia mais

Feminilidade e Angústia 1

Feminilidade e Angústia 1 Feminilidade e Angústia 1 Claudinéia da Cruz Bento 2 Freud, desde o início de seus trabalhos, declarou sua dificuldade em abordar o tema da feminilidade. Após um longo percurso de todo o desenvolvimento

Leia mais

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial.

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. Claudia Wunsch. Psicóloga. Pós-graduada em Psicanálise Clínica (Freud/Lacan) Unipar - Cascavel- PR. Docente do curso de Psicologia da Faculdade

Leia mais

Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada

Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada 2001 Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada Márcio Peter de Souza Leite Conteúdo Argumento...

Leia mais

Miller, J. A Un répartiroire sexuel, in: La Cause Freudienne, numero 34, Paris Navarin, 1998, pags 7-28 2

Miller, J. A Un répartiroire sexuel, in: La Cause Freudienne, numero 34, Paris Navarin, 1998, pags 7-28 2 O ANALISTA-PARCEIRO-SINTHOMA DA HISTÉRICA Tania Coelho dos Santos - Membro da EBP/Rio e da AMP Eu defendo que a clínica psicanalítica hoje precisa orientar-se pelo parceiro-sinthoma. 1 Isso signfica que

Leia mais

A criança, a lei e o fora da lei

A criança, a lei e o fora da lei 1 A criança, a lei e o fora da lei Cristina Drummond Palavras-chave: criança, mãe, lei, fora da lei, gozo. A questão que nos toca na contemporaneidade é a do sujeito às voltas com suas dificuldades para

Leia mais

A ética na pesquisa com seres humanos sob um ponto de vista psicanalítico

A ética na pesquisa com seres humanos sob um ponto de vista psicanalítico 1 A ética na pesquisa com seres humanos sob um ponto de vista psicanalítico Samyra Assad Foi a oportunidade de falar sobre o tema da ética na pesquisa em seres humanos, que me fez extrair algumas reflexões

Leia mais

O SUPEREU NA DEMANDA DE AMOR INSACIÁVEL DAS MULHERES

O SUPEREU NA DEMANDA DE AMOR INSACIÁVEL DAS MULHERES O SUPEREU NA DEMANDA DE AMOR INSACIÁVEL DAS MULHERES Daniela de Oliveira Martins Mendes Daibert Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ);

Leia mais

O SIGNIFICANTE NA NEUROSE OBSESSIVA: O SINTOMA E SUA RELAÇÃO COM O DESEJO RILMA DO NASCIMENTO MEDEIROS E MARGARIDA ELIA ASSAD - UFPB

O SIGNIFICANTE NA NEUROSE OBSESSIVA: O SINTOMA E SUA RELAÇÃO COM O DESEJO RILMA DO NASCIMENTO MEDEIROS E MARGARIDA ELIA ASSAD - UFPB O SIGNIFICANTE NA NEUROSE OBSESSIVA: O SINTOMA E SUA RELAÇÃO COM O DESEJO RILMA DO NASCIMENTO MEDEIROS E MARGARIDA ELIA ASSAD - UFPB É a verdade do que esse desejo foi em sua história que o sujeito grita

Leia mais

CONTEMPORANEIDADE. Palavras-chave: pai, interdição do incesto, Lei, complexo de Édipo, contemporaneidade, psicanálise.

CONTEMPORANEIDADE. Palavras-chave: pai, interdição do incesto, Lei, complexo de Édipo, contemporaneidade, psicanálise. A FUNÇÃO DO PAI NA INTERDIÇÃO E NA LEI: UMA REFLEXÃO SOBRE IDENTIFICAÇÃO E VIOLÊNCIA NA CONTEMPORANEIDADE. Jamille Mascarenhas Lima Psicóloga, Universidade Federal da Bahia. Especialista em psicomotricidade,

Leia mais

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante Heloisa Caldas ** Minha contribuição para este número de Latusa visa pensar o amor como um semblante que propicia um tratamento

Leia mais

A palavra que humaniza o desejo

A palavra que humaniza o desejo 1 A palavra que humaniza o desejo Cristina Drummond Palavras-chave: pai, desejo, criança, Gide. Proponho tomarmos o caso Amâncio como um paradigma da função do romance familiar para a amarração de um sujeito.

Leia mais

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO 2014 Olga Cristina de Oliveira Vieira Graduada em Psicologia pela Universidade Presidente Antônio Carlos. Docente no Centro Técnico de Ensino Profissional (CENTEP). Especialização

Leia mais

A descoberta freudiana da fantasia fundamental* Palavras-chave: fantasia, clínica, neurose, realidade psíquica

A descoberta freudiana da fantasia fundamental* Palavras-chave: fantasia, clínica, neurose, realidade psíquica A descoberta freudiana da fantasia fundamental* Palavras-chave: fantasia, clínica, neurose, realidade psíquica Laureci Nunes A fantasia fundamental, aspecto central da vida psíquica, orienta a clínica

Leia mais

Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação

Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação Gresiela Nunes da Rosa Diante do enigma primeiro a respeito do desejo do

Leia mais

Os princípios da prática analítica com crianças

Os princípios da prática analítica com crianças Os princípios da prática analítica com crianças Cristina Drummond Palavras-chave: indicação, tratamento, criança, princípios. As indicações de um tratamento para crianças Gostaria de partir de uma interrogação

Leia mais

CORPO, IMAGEM, ORIFÍCIO: PONTUAÇÕES SOBRE O CORPO EM PSICANÁLISE. O valor do corpo como imagem, como suporte imaginário e consistência, por

CORPO, IMAGEM, ORIFÍCIO: PONTUAÇÕES SOBRE O CORPO EM PSICANÁLISE. O valor do corpo como imagem, como suporte imaginário e consistência, por CORPO, IMAGEM, ORIFÍCIO: PONTUAÇÕES SOBRE O CORPO EM PSICANÁLISE Regina Cibele Serra dos Santos Jacinto Ana Maria Medeiros da Costa Podemos afirmar que o interesse de Lacan pela questão do corpo esteve

Leia mais

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003.

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. Prefácio Interessante pensar em um tempo de começo. Início do tempo de

Leia mais

Sujeito do desejo, sujeito do gozo e falasser

Sujeito do desejo, sujeito do gozo e falasser Sujeito do desejo, sujeito do gozo e falasser Luis Francisco Espíndola Camargo 1 lfe.camargo@gmail.com Resumo: A noção de sujeito do desejo não inclui a substância gozante. Na clínica, tal característica

Leia mais

CLINICA DA ANSIEDADE: Um projeto terapêutico

CLINICA DA ANSIEDADE: Um projeto terapêutico CLINICA DA ANSIEDADE: Um projeto terapêutico De nossos antecedentes Existem instituições onde a psicanálise aplicada da orientação lacaniana tem lugar há muitos anos, como é o caso do Courtil e L Antenne

Leia mais

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM Maria Elisa França Rocha A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da sexualidade, bem como conhecer suas fantasias e as teorias que

Leia mais

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 5 Julho 2011 ISSN 2177-2673 : uma máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues O que tem sido feito do silêncio no mundo atual? Acabou o silêncio? Se

Leia mais

Reinaldo Pamponet 1 rpamponet@terra.com.br

Reinaldo Pamponet 1 rpamponet@terra.com.br * um encontro que não faz laço Reinaldo Pamponet 1 rpamponet@terra.com.br Resumo: Este artigo pretende demonstrar que, na experiência analítica, a felicidade reside no encontro transitório, marcado pelo

Leia mais

QUANDO AMAR É DAR AQUILO QUE SE TEM...

QUANDO AMAR É DAR AQUILO QUE SE TEM... QUANDO AMAR É DAR AQUILO QUE SE TEM... Adelson Bruno dos Reis Santos adelsonbruno@uol.com.br Mestrando em Psicologia - IP/UFRJ; Bolsista CAPES; Membro do CLINP-UFRJ/CNPq (Grupo de Pesquisa Clínica Psicanalítica);

Leia mais

A adoção de uma ficção 1

A adoção de uma ficção 1 1 A adoção de uma ficção 1 Samyra Assad Quatro conceitos fundamentais da psicanálise poderiam ser explorados, se quiséssemos, no que de elementar traz o caso que hoje discutimos, com o tema: Clínica da

Leia mais

Feminilidade e Violência

Feminilidade e Violência Feminilidade e Violência Emilse Terezinha Naves O tema sobre a violência e a feminilidade apresenta-se, nas mais diversas áreas do conhecimento, como um tema de grande interesse, quando encontramos uma

Leia mais

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Oscar Zack O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre as pessoas mediatizadas pelas imagens. Guy

Leia mais

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Clarice Gatto O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Trabalho a ser apresentado na Mesa-redonda Poder da palavra no III Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e IX

Leia mais

INIBIÇÃO, SINTOMA E FPS Cristiane Elael

INIBIÇÃO, SINTOMA E FPS Cristiane Elael 1 INIBIÇÃO, SINTOMA E FPS Cristiane Elael Sabemos que, antes dos 6 meses, o bebê ainda tem de seu corpo a idéia de uma imagem despedaçada. Suas relações com um outro diferenciado dela mesma, ou seja, suas

Leia mais

Latusa digital ano 2 Nº 15 junho de 2005

Latusa digital ano 2 Nº 15 junho de 2005 Latusa digital ano 2 Nº 15 junho de 2005 Identificação e sintoma Jaime Araújo Oliveira* A identificação em Freud Podemos situar o início da investigação sobre este tema na obra de Freud em Introdução ao

Leia mais

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da Introdução O interesse em abordar a complexidade da questão do pai para o sujeito surgiu em minha experiência no Núcleo de Atenção à Violência (NAV), instituição que oferece atendimento psicanalítico a

Leia mais

Analista em função ama?

Analista em função ama? Analista em função ama?... o amor demanda o amor. Ele não deixa de demandá-lo. Ele o demanda... mais... ainda (Lacan) (1) Este texto é causado pelo interrogante insistente sobre o que é do amor ao final?

Leia mais

Os três tempos do objeto no Fort-Da (1) Maria Rita de Oliveira Guimarães Coordenadora Adjunta do Núcleo de Psicanálise e Criança

Os três tempos do objeto no Fort-Da (1) Maria Rita de Oliveira Guimarães Coordenadora Adjunta do Núcleo de Psicanálise e Criança Os três tempos do objeto no Fort-Da (1) Maria Rita de Oliveira Guimarães Coordenadora Adjunta do Núcleo de Psicanálise e Criança O ponto central da investigação que, atualmente, a Nova Rede Cereda realiza,

Leia mais

Fome de quê? Daniela Goulart Pestana

Fome de quê? Daniela Goulart Pestana Fome de quê? Daniela Goulart Pestana O trabalho a seguir fruto de um Cartel sobre sintomas alimentares, propõe a ser uma reflexão dos transtornos alimentares mais comuns de nossa contemporaneidade. O eixo

Leia mais

As vicissitudes da repetição

As vicissitudes da repetição As vicissitudes da repetição As vicissitudes da repetição Breno Ferreira Pena Resumo O objetivo deste trabalho é explorar o conceito de repetição em psicanálise. Para tanto, o autor faz uma investigação

Leia mais

A Estrutura na Psicanálise de criança

A Estrutura na Psicanálise de criança A Estrutura na Psicanálise de criança Maria de Lourdes T. R. Sampaio O que está na cabeça do filho depende de seu desejo 1 Esta frase de Alfredo Jerusalinsky, que se refere à ilusão de alguns pais de que

Leia mais

Não temos tempo a perder 1

Não temos tempo a perder 1 Não temos tempo a perder 1 Ana Martha Wilson Maia Em entrevista concedida a uma revista brasileira, o filósofo Carl Honoré 2 descreve a pressão exercida sobre os pais para oferecerem uma infância perfeita

Leia mais

MESA-REDONDA. Corpo: cenário de amor, gozo e sofrimento. Amor e compulsão: figuras contemporâneas do trabalho de jovens executivos.

MESA-REDONDA. Corpo: cenário de amor, gozo e sofrimento. Amor e compulsão: figuras contemporâneas do trabalho de jovens executivos. IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental Tema: O amor e seus transtornos Curitiba, de 04 a 07 de setembro de 2010 MESA-REDONDA Corpo:

Leia mais

A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO

A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO Fernanda de Souza Borges feborges.psi@gmail.com Prof. Ms. Clovis Eduardo Zanetti Na praça Clóvis Minha carteira foi batida, Tinha

Leia mais

NEUROSE OBSESSIVA: O INÍCIO DE UMA INVESTIGAÇÃO METAPSICOLÓGICA A PARTIR DE SUAS BASES PRÉ-PSICANALÍTICAS

NEUROSE OBSESSIVA: O INÍCIO DE UMA INVESTIGAÇÃO METAPSICOLÓGICA A PARTIR DE SUAS BASES PRÉ-PSICANALÍTICAS NEUROSE OBSESSIVA: O INÍCIO DE UMA INVESTIGAÇÃO METAPSICOLÓGICA A PARTIR DE SUAS BASES PRÉ-PSICANALÍTICAS Joselene Monteiro Silva Eduardo Silva Taveira Clarissa Maia Esmeraldo Barreto Henrique Riedel Nunes

Leia mais

A bela Junie 1 : uma conversa sobre o amor Ângela Batista 2

A bela Junie 1 : uma conversa sobre o amor Ângela Batista 2 A bela Junie 1 : uma conversa sobre o amor Ângela Batista 2 Chistophé Honoré, diretor do filme A bela Junie, inspira-se no romance A Princesa de Clèves, publicado anonimamente por Madame de Lafayette,

Leia mais

Palavras chave: Desamparo, mãe, feminilidade, infância, objeto a.

Palavras chave: Desamparo, mãe, feminilidade, infância, objeto a. A FILHA ENTRE A MÃE E A MULHER Cláudia Regina de Oliveira Mestranda em Pesquisa e Clínica em Psicanálise da UERJ Leila Guimarães Lobo de Mendonça Mestranda em Pesquisa e Clínica em Psicanálise da UERJ

Leia mais

O trauma da poesia inconsciente

O trauma da poesia inconsciente O trauma da poesia inconsciente Marlise Eugenie D Icarahy Psicanalista, doutoranda do Programa de pós-graduação em Psicanálise da UERJ e psicóloga da Prefeitura do Rio de Janeiro. O complexo de Édipo,

Leia mais

A importância teórica e prática do ensino de Jacques Lacan Palavras-chaves: Lacan, ensino, subversão, orientação. Zelma Abdala Galesi

A importância teórica e prática do ensino de Jacques Lacan Palavras-chaves: Lacan, ensino, subversão, orientação. Zelma Abdala Galesi A importância teórica e prática do ensino de Jacques Lacan Palavras-chaves: Lacan, ensino, subversão, orientação. Zelma Abdala Galesi As inúmeras homenagens prestadas durante o ano de 2001, ao centenário

Leia mais

Angústia e sexualidade masculina

Angústia e sexualidade masculina Angústia e sexualidade masculina Palavras-chave: angústia, falo, órgão real, virilidade Sérgio Laia * Em psicanálise, a associação entre angústia e sexualidade masculina é geralmente abordada a partir

Leia mais

O sintoma freudiano e o gozo 1

O sintoma freudiano e o gozo 1 O sintoma freudiano e o gozo 1 Palavras-chave: Sintoma, Freud, gozo. Ondina Maria Rodrigues Machado Psicanalista, Membro aderente da EBP, Mestre em Psicanálise IPUB/UFRJ, Doutoranda em Teoria Psicanalítica

Leia mais

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Inovação em psicanálise: rumos e perspectivas na contemporaneidade Quarta-feira 10/6 10h30-12h Mesa-redonda Saúde mental e psicanálise

Leia mais

Há ou não um ato sexual? 1

Há ou não um ato sexual? 1 Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 13 março 2014 ISSN 2177-2673 Há ou não um ato sexual? 1 Patrícia Badari Um, dois, três..., uma série de homens, uma série de encontros sexuais é o que ouvimos

Leia mais

Amor, Transferência e Desejo 1.

Amor, Transferência e Desejo 1. Amor, Transferência e Desejo 1. Maria Lia Avelar da Fonte 2 1 Trabalho apresentado na II Jornada Freud lacaniana. Recife, 1997. Trabalho publicado nos Anais da II Jornada Freud lacaniana. Recife, 1998.

Leia mais

O sinthome no autismo é o corpo

O sinthome no autismo é o corpo O sinthome no autismo é o corpo M. Aparecida Farage Osorio Na origem do autismo, está a dissociação entre a voz e a linguagem, como proteção da presença sonora real do Outro angustiante. A voz, assim,

Leia mais

A CRIANÇA, O ADULTO E O INFANTIL NA PSICANÁLISE. Desde a inauguração da psicanálise, através dos estudos de seu criador Sigmund

A CRIANÇA, O ADULTO E O INFANTIL NA PSICANÁLISE. Desde a inauguração da psicanálise, através dos estudos de seu criador Sigmund A CRIANÇA, O ADULTO E O INFANTIL NA PSICANÁLISE Germano Quintanilha Costa Desde a inauguração da psicanálise, através dos estudos de seu criador Sigmund Freud, a infância se difundiu e se impôs à cultura

Leia mais

Escrita poética chinesa. interpretação no último Lacan Cleyton Andrade

Escrita poética chinesa. interpretação no último Lacan Cleyton Andrade Opção Lacaniana online nova série Ano 6 Número 18 novembro 2015 ISSN 2177-2673 e a interpretação no último Lacan Cleyton Andrade No início da lição de 20 de dezembro de 1977 do seminário O momento de concluir

Leia mais

O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa

O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa No decorrer dos séculos, a histeria sempre foi associada a uma certa imagem de ridículo que por vezes suas personagens

Leia mais

AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO

AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO Lucia Serrano Pereira 1 Afirmo em nada mais ser entendido, senão nas questões do amor. Isso é o que está dito por Sócrates na obra de Platão O Banquete. O Banquete nos é indicado

Leia mais

Quando a adolescência se prolonga

Quando a adolescência se prolonga Opção Lacaniana online nova série Ano 4 Número 11 junho 2013 ISSN 2177-2673 Alexandre Stevens O sintoma e a fantasia são o que Lacan chama pontos de basta, pontos de estabilização que um sujeito encontra

Leia mais

O papel do corpo na contemporaneidade, as novas patologias e a escuta analítica.

O papel do corpo na contemporaneidade, as novas patologias e a escuta analítica. O papel do corpo na contemporaneidade, as novas patologias e a escuta analítica. Silvana Maria de Barros Santos Entre o século XVI a XIX, as transformações políticas, sociais, culturais e o advento da

Leia mais

Sobre o filme Sonata de Outono - Da (im)possibilidade do amor

Sobre o filme Sonata de Outono - Da (im)possibilidade do amor Sobre o filme Sonata de Outono - Da (im)possibilidade do amor Cristina Marcos No filme Sonata de Outono, Bergman nos dá a ver a conturbada relação entre mãe e filha, marcada pela impossibilidade do amor.

Leia mais

REICH E A ECONOMIA SEXUAL

REICH E A ECONOMIA SEXUAL 1 REICH E A ECONOMIA SEXUAL José Henrique Volpi Freud havia postulado que o sintoma neurótico é resultado da repressão de um trauma sexual ocorrido na infância. Mas não conseguia explicar o porque tal

Leia mais

CASO ERICK: NASCER, DEPOIS VIVER

CASO ERICK: NASCER, DEPOIS VIVER CASO ERICK: NASCER, DEPOIS VIVER Vera Pollo Márcia Pourchet A psicanálise permite afirmar que, do ponto de vista subjetivo, não se nasce homem ou mulher, já que os seres falantes, antes de se afirmarem

Leia mais

A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação. com a função paterna

A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação. com a função paterna www.franklingoldgrub.com Édipo 3 x 4 - franklin goldgrub 7º Capítulo - (texto parcial) A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação com a função paterna (Salvo menção expressa em contrário,

Leia mais

A criança objetalizada

A criança objetalizada A criança objetalizada Cristina Drummond Psicanalista, Membro da Escola Brasileira de Psicanálise A posição de objeto da criança Para ler as evidências, em nosso mundo contemporâneo, de que os sujeitos

Leia mais

O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1

O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1 O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1 I Introdução O objetivo deste trabalho é pensar a questão do autismo pelo viés da noção de estrutura, tal como compreendida

Leia mais

O DE SEJO QUE (LHE ) RESTA. Adriana Grosman

O DE SEJO QUE (LHE ) RESTA. Adriana Grosman O DE SEJO QUE (LHE ) RESTA Adriana Grosman Pretendo tratar de um caso clinico que coloca em evidencia que não é só a questão fálica que está em jogo na maternidade se não o resto do desejo, algo que escapa

Leia mais

Há um acontecimento de corpo

Há um acontecimento de corpo Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 13 março 2014 ISSN 2177-2673 1 Ram Avraham Mandil Para uma discussão sobre a lógica do tratamento a partir do Seminário...ou pior, de Jacques Lacan, gostaria

Leia mais

Uma introdução Chafia Américo Farah 1

Uma introdução Chafia Américo Farah 1 PASSAGEM AO ATO, ACTING OUT, ATO PSICANALÍTICO: Uma introdução Chafia Américo Farah 1 Palavras chaves: passagem ao ato, acting,psicose,gozo Manhãs de quartas-feiras. Caso clínico ou apresentação de pacientes?

Leia mais

Biblioteca Freudiana de Curitiba Centro de Trabalho em Psicanálise

Biblioteca Freudiana de Curitiba Centro de Trabalho em Psicanálise O psicanalista só se autoriza de si mesmo Inicio com três citações de Lacan: Angela Dal' Vesco Nery O analista só se autoriza de si mesmo, isso é óbvio (...)Aquilo que ele tem de cuidar é que, a autorizar-se

Leia mais

A letra no corpo. Celso Rennó Lima

A letra no corpo. Celso Rennó Lima A letra no corpo Celso Rennó Lima É tu que está escrevendo teu rótulo! Paulo Vilheña, ator. Tatuagem é alma! Tatiane, modelo. Paredes para se proteger Entrevistada 1. Tatuagem não é moda, é coisa definitiva,

Leia mais