Fenologia e Produção de Seleções e Cultivares de Amoreira-Preta em Pelotas-RS

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1 Fenologia e Produção de Seleções e Cultivares de Amoreira-Preta em Pelotas-RS Gerson Kleinick Vignolo 1 ; Juliano Dutra Schmitz 2 ; Roberta Jeske Kunde 1 ; Savana Irribarem Costa 3 ; Patricia Graosque Ulguim Zuge 3 ; Jorge Atilio Benati 3 ; Maria do Carmo Bassols Raseira 1 ; Luis Eduardo Correa Antunes 1 1 Embrapa Clima Temperado, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense- IFC, 3 Universidade Federal de Pelotas-UFPel, Resumo: Objetivou-se com este estudo, avaliar o comportamento agronômico de seleções de amoreira-preta comparando-as com cultivares comerciais. O experimento foi realizado na Embrapa Clima Temperado, Pelotas-RS, sendo utilizadas plantas de amoreira-preta com três anos e sem tutoramento. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso com quatro repetições e seis plantas por parcela. Foram realizadas avaliações de fenologia e produção de frutas de oito seleções avançadas (Black 112, 118, 124, 128, 145, 178, 198 e seleção 05-96) e duas cultivares (Tupy e BRS Xingu). Com relação aos resultados referentes à fenologia das plantas, observou-se que as seleções Black 112 e Black 118 apresentaram início e plena floração mais tardia do que os demais genótipos, sendo a seleção 124 a primeira a iniciar o florescimento. O início e final das colheitas da seleção 118 foi o mais tardio entre os genótipos testados, sendo o que mais difere da época de produção da cultivar Tupy. As seleções 124, 145, 178, 198 e a cultivar BRS Xingu apresentaram as maiores produções de frutas, sendo aproximadamente o dobro da produção observada em plantas da cultivar Tupy. Palavras-chave: frutas de clima temperado; Rubus spp.; seleções avançadas INTRODUÇÃO A produção de frutas de clima temperado representa apenas 7,5% da área total cultivada com frutíferas no Brasil. No entanto, as mesmas são responsáveis por aproximadamente 37% do valor total das exportações de frutas do país, valores que demonstram a grande importância da fruticultura de clima temperado, principalmente nas exportações, as quais são necessárias para manter a balança comercial positiva (FACHINELLO et al., 2011). No contexto da produção de frutíferas de clima temperado, as pequenas frutas, também denominadas frutas vermelhas ou berries, têm se destacado no cenário

2 nacional (FACHINELLO et al., 2011). Entre as espécies, a amora-preta (Rubus sp.) apresenta aumento significativo na área plantada. A superfície cultivada em 2005 era de 250 hectares (STRIK et al., 2007), entretanto, nos últimos anos a mesma aumentou cerca de 100%, chegando a mais de 500 hectares (ANTUNES et al., 2014). Os principais estados produtores brasileiros estão localizados nas regiões Sul e Sudeste, sendo eles: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Atualmente, existe poucas cultivares de amoreira-preta disponíveis aos produtores brasileiros, sendo que a mais importante delas ainda é a cultivar Tupy, considerada a cultivar mais plantada no Brasil, no México (STRIK; FINN, 2012) e em outras áreas com inverno ameno. O Programa de melhoramento da Embrapa Clima Temperado, conduzido em Pelotas-RS, lançou sete cultivares de amoreirapreta, sendo elas: Ébano, Negrita, Guarani, Caingangue, Xavante, Tupy, e mais recentemente a BRS Xingu. A cultivar BRS Xingu foi lançada em dezembro de 2015 e possui como característica principal a possibilidade de prolongar o período de colheita (EMBRAPA, 2015), mantendo as características qualitativas da 'Tupy', sendo mais produtiva que esta. Portanto, amplia o período de oferta do produto e maximiza a mão de obra na propriedade, já que 'Tupy' responde por mais de 80% da área cultivada atualmente no Brasil, com colheita concentrada. Assim como a cultivar BRS Xingu, existem diversas seleções avançadas neste programa de melhoramento e que estão sendo avaliadas, com potencial para se tornarem cultivares e substituírem a cultivar Tupy ou complementarem o período de safra desta cultivar, por apresentarem maior produtividade, além de melhor qualidade de frutas e conservação pós-colheita. Objetivou-se com este estudo, avaliar o comportamento agronômico de seleções avançadas de amoreira-preta na região de Pelotas-RS. MATERIAL E MÉTODOS O experimento a campo, conduzido em área experimental pertencente à Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS (coordenadas geográficas: 31º40 S e 52º26 W; 60m de altitude), foi implantado em novembro de 2013, utilizando mudas propagadas em laboratório de cultura de tecidos. O clima da região é classificado, segundo Köppen, como subtropical mesotérmicoúmido (Cfb) e o solo é classificado como Argissolo vermelho eutrófico típico. Foram utilizadas plantas de genótipos de amoreira-preta, conduzidas sem tutoramento, em espaçamento de 0,6 m entre plantas x 3,5 m entre linhas, com densidade de plantio de plantas ha -1. O manejo nutricional e fitossanitário foi efetuado seguindo as recomendações técnicas para a cultura (ANTUNES, 2002). O delineamento experimental adotado foi em blocos casualizados com dez genótipos de amoreira preta, sendo oito seleções avançadas (Black 112, 118, 124, 128, 145, 178, 198 e seleção 05-96) e duas cultivares (BRS Xingu e Tupy). Cada tratamento teve quatro repetições com seis plantas por parcela. Após o término das colheitas (12 de janeiro), foi realizada poda drástica, reduzindo todas as hastes a 5 cm do solo. Trinta dias após a poda, foram selecionadas quatro hastes por planta e foram retiradas hastes novas que brotaram ao longo do ciclo. No inverno, em 10 de agosto, realizou-se a redução

3 das quatro hastes primárias à 1 m acima do solo, selecionando-se oito ramos secundários, que foram reduzidas à 30 cm de comprimento. Foram avaliados os estádios fenológicos, sendo observados o início da brotação e início, plena e final da floração. As colheitas das frutas foram realizadas de 04/11/16 a 04/01/17. As variáveis avaliadas foram: produção de frutas (g planta -1 ), número médio de frutas por planta e massa média de fruta (g fruta -1 ). Os resultados obtidos foram submetidos à análise de variância pelo teste F. Quando o efeito de tratamento foi significativo, as médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott em nível de 5% de probabilidade de erro. RESULTADOS E DISCUSSÃO As seleções Black 112 e 118 apresentaram início e plena floração mais tardia que os demais genótipos, sendo a Black 118 a seleção que mais diferiu da 'Tupy' quanto ao período de colheita (Tabela 1). O início e o final das colheitas da seleção Black 118 ocorreram 11 e 15 dias após a cultivar Tupy, respectivamente. Por outro lado, diversos genótipos apresentaram precocidade no início e na plena floração, incluindo a Black 124 que iniciou o florescimento 16 dias antes da cultivar Tupy, no entanto, não houve precocidade no período de colheita. Segundo Antunes et al. (2000), os aspectos fenológicos da amoreira-preta podem variar de ano para ano em função da exigência em frio ter sido ou não satisfeita. Além de aspectos climáticos, fatores inerentes à espécie e/ou cultivar podem afetar o comportamento da planta. Com relação às variáveis relacionadas a produção de frutas, verificou-se que o número de frutas por planta dos genótipos Black 178, 198, BRS Xingu, Black 118, 124 e 145 foram superiores aos demais, colhendo-se 214 frutas a mais por planta na Black 178 comparativamente a cultivar Tupy (Tabela 1). Foram obtidas maiores frutas nas seleções Black 112 e 128 com média de 7,8 e 7,5 g por fruta, sendo superiores aos demais genótipos, inclusive 'Tupy' que produziu frutas com média de 5,6 g. A seleção apresenta problema na formação das frutas, proporcionando massa média de fruta de apenas 2,5 g. A produção de frutas por planta diferiu significativamente entre os genótipos avaliados, sendo que as maiores produções foram observadas em plantas de Black 178 (2441 g), Black 124 (2353 g), BRS Xingu (2343 g), Black 145 (2313 g) e 198 (2184 g) (Tabela 1). A média da produção destes genótipos (2326 g) apresenta superioridade de 52% comparativamente a cultivar Tupy (1114 g), que é a cultivar mais plantada no Brasil atualmente. Raseira et al. (2012), avaliando a produção e qualidade de frutas de seleções de amoreira-preta, relataram produções semelhantes ao presente estudo, com exceção da cultivar Xingu (Black 164) que foi altamente produtiva no trabalho citado (3096 g planta -1 ). De acordo com a produção de frutas por planta observada em cada um dos genótipos avaliados no presente estudo, foi realizada estimativa da produtividade utilizando a densidade de plantas ha -1, correspondente ao espaçamento entre plantas e linhas utilizado no experimento. Pode-se verificar que a estimativa da produtividade variou de 3 a 5,5 toneladas por hectare nos genótipos menos produtivos e de 10 a 11,5 toneladas por hectare entre os mais produtivos.

4 Tabela 1- Dias após a poda de inverno para início e plena floração, início e final da colheita de frutas. Número de frutas e produção de frutas por planta, massa média de fruta e produtividade estimada de plantas de amoreira preta de diferentes genótipos. Genótipos Inicio da Plena Início Final floração floração colheita colheita Black a 59 a 91 b 130 b Black a 60 a 99 a 147 a Black d 42 c 91 b 132 b Black c 45 c 86 c 129 c Black c 44 c 91 b 132 b BRS Xingu 34 c 43 c 86 c 132 b Black c 43 c 86 c 132 b Black c 43 c 86 c 132 b Seleção c 48 c 90 b 127 c Tupy 43 b 55 b 88 c 132 b CV% 7,7 5,5 2,0 1,3 Número de frutas Massa de fruta (g) Produção de frutas (g) Produtividade (kg/ha) Black b 7,8 a 1014 c 4827 c Black a 4,7 d 1637 b 7794 b Black a 6,6 b 2353 a a Black b 7,5 a 1746 b 8316 b Black a 7,1 b 2313 a a BRS Xingu 397 a 5,7 c 2343 a a Black a 5,4 c 2441 a a Black a 5,1 d 2184 a a Seleção b 2,5 e 666 c 3169 c Tupy 192 b 5,6 c 1114 c 5304 c CV% 20,3 21,4 6,8 21,4 Médias seguidas de letras iguais, não diferem pelo teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade. CONCLUSÕES As seleções 124, 145, 178 e 198, devido a elevada produção de frutas, têm potencial para serem lançadas como novas cultivares, superando a cultivar Tupy e igualando a produção da cultivar BRS Xingu, recentemente lançada. A seleção Black 118 se destaca por proporcionar época de produção mais tardia que a cultivar 'Tupy'. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq pelo apoio financeiro e concessão de bolsa PDJ. REFERÊNCIAS ANTUNES, L. E. C. CHALFUN, N. N. J.; REGINA, M. de A.; DUARTE FILHO, J. Fenologia e produção de variedades de amora-preta nas condições do Planalto

5 de Poços de Caldas-MG. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.22, n.1, p.89-95, ANTUNES, L. E. C.; PEREIRA, I. S.; PICOLOTTO, L.; VIGNOLO, G. K.; GONÇALVES, M. A. Produção de amoreira-preta no Brasil. Revista Brasileira de Fruticultura, v.36, n.1, p , RASEIRA, M. C. B.; SOUZA, E. L.; FELDBERG, N. P.; SILVA, W. R.; VAZ, A. P.A. Seleções avançadas de amora-preta em comparação com a cultivar padrão, 'Tupy'. Anais... XXII Congresso Brasileiro de Fruticultura, p , EMBRAPA. BRS Xingu é a nova variedade de amora-preta com tecnologia da Embrapa. Disponível em: noticia/ /brs-xingu-e-anova-variedade-de-amora-preta-com-tecnologia-daembrapa. Acesso em: 17 mai FACHINELLO, J. C.; PASA, M. S.; SCHMITZ, J. D.; BETEMPS, D. L. Situação e perspectivas da fruticultura de clima temperado no Brasil. Revista Brasileira de Fruticultura, v.33, n.1, STRIK, B. C., CLARK, J. R., FINN, C. E., BAÑADOs, M. P. Worldwide blackberry production. HortTechnology, Alexandria, v.17, n.2, p , STRIK, B.C. E FINN, C. E..Blackberry production systems a worldwide perspective, Proc. Xth Intl. Rubus and Ribes Symp., Serbia ; Acta Horticulturae. 946, ISHS, p , 2012.

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