EDUCAÇÃO E IMAGENS: A UTILIZAÇÃO DO AUDIOVISUAL COMO RECURSO DIDÁTICO NO CAMPUS AVANÇADO SOMBRIO

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1 EDUCAÇÃO E IMAGENS: A UTILIZAÇÃO DO AUDIOVISUAL COMO RECURSO DIDÁTICO NO CAMPUS AVANÇADO SOMBRIO Autores: Ulysses Tavares CARNEIRO Orientador IFC Campus Avançado Sombrio, Cynthia Nalila Souza Silva Colaboradora IFC Campus Avançado Sombrio, Amanda de VARGAS - Bolsista PIBIC-EM/IFC Campus Avançado Sombrio, Lívia Silva MARQUES Colaboradora EM/IFC Campus Avançado Sombrio Introdução Observamos, nos últimos anos, um crescente desenvolvimento dos equipamentos eletrônicos, incluídos aí aparelhos de captação audiovisual, possibilitando que, hoje, sejam carregados no bolso. Com isso, virtualmente qualquer pessoa pode ser produtor de conteúdo. Nos últimos anos, na esfera do consumo, dos usos práticos e cotidianos dos objetos, quem antes era, sobretudo, retratado nas imagens, passam a ser também seu produtor, realizador e distribuidor (BERINO, 2013 p.12). Pode-se dizer mesmo que, hoje, vivemos em uma cultura eminentemente audiovisual, o que faz emergir outras formas de significação, novas maneiras de perceber, de representar, de apresentar e de reconhecer, além de engendrar inéditas formas de experiência, pensamento e imaginação (SOARES e CAETANO, 2013 p. 19). No Campus Sombrio, de uma forma geral, professores e estudantes agregam ao cotidiano do fazer escolar a fruição e produção de material audiovisual. Entretanto, na maioria das vezes esta ação acontece de forma pontual, como culminância de uma série de outras atividades ou como realização de tarefas dos estudantes. Tampouco observa-se integração direta desta produção com outras disciplinas. Sendo assim, neste projeto nos propomos a investigar quais as motivações e objetivos de estudantes e professores ao utilizarem o recurso da linguagem audiovisual no cotidiano escolar. Material e Métodos O estudo se desenvolve por meio de uma pesquisa do tipo exploratória, de abordagem quantitativa, com dados coletados por meio de questionário com perguntas fechadas, dirigido a alunos. Além disso, está sendo realizada uma busca junto aos docentes e estudantes para coleta de cópias das produções, para composição de um acervo. A aplicação do questionário foi proposta a todos os alunos matriculados nos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio do IFC Campus Avançado Sombrio. Atingiu-se

2 57,6% dos estudantes, com 152 respondentes no total. Foi utilizado o recurso Google Formulários. As respostas foram agrupadas em quatro eixos de atenção: 1) o quanto os alunos procuram vídeos que possam apoiá-los nos momentos de estudo; 2) a opinião dos alunos sobre a contribuição dos vídeos produzidos por eles para um aprendizado significativo; 3) a frequência de produção de vídeos por alunos e por professores; 4) as disciplinas cuja produção audiovisual é de maior interesse dos alunos. Resultados e Discussão A maioria dos alunos procura por vídeos como uma segunda opção, para auxiliálos com algum conteúdo que não entendeu na sala de aula. No entanto, boa parte deles escolhe essa como a primeira opção na hora do estudo. Figura 01 Busca por conteúdo audiovisual Mais da metade dos alunos (65,8%) relata que os vídeos colaboram, especialmente quando assistem vídeos de conteúdos. Outro grupo de alunos (19,7%) considera que há uma contribuição aos estudos quando eles próprios produzem o vídeo. Figura 02 Contribuição com o aprendizado

3 Considerando o percentual que declara obter melhor aprendizado quando assiste vídeos (65,8%) somado ao percentual que diz aprender quando produz vídeos (19,7%), observa-se que aproximadamente 85% dos alunos admitem influência positiva na utilização dos vídeos para o bom desempenho nos estudos. Figura 03 Frequência da produção de vídeos pelos estudantes Ao falar de uma frequência ideal para produção de vídeos pelos discentes, 35% dos estudantes consideraram ser ideal a produção de um vídeo por trimestre. Os alunos também foram indagados sobre qual a frequência que consideravam ideal para a produção de vídeo por professores. Neste caso, a maior parte estabeleceu que dois ou mais vídeos por mês seria o ideal. Figura 04 Frequência da produção de vídeos pelos professores Perguntados sobre as disciplinas que julgavam mais importantes para produção de material didático audiovisual, os estudantes mencionaram, em maior ou menor grau, todas as disciplinas, conforme observa-se na Figura 05:

4 Figura 05 Necessidade de audiovisual por disciplina Conclusão Entendemos que, quando fruição e produção de audiovisual acontecem na escola, principalmente quando incorporadas às práticas cotidianas, tem-se a oportunidade de reflexão sobre o próprio fazer pedagógico, já que a linguagem cinematográfica confere, a estudantes e professores, novas possibilidades de ver e interpretar situações de ensinoaprendizagem. Portanto, como bem definiram Silva e Cardoso: Um conceito ampliado de educação que desconsidere as imagens e a leitura estética não se faz nesta época, pois as imagens são presença maciça no mundo. Com o desenvolvimento da tecnologia e consequentemente dos meios de comunicação, o fluxo de imagens ganhou maior velocidade, de modo que a escola não pode mais ser indiferente às questões relacionadas às visualidades. (2013 p. 45, 46) Os alunos, em sua maioria, mostraram-se utilizadores de materiais audiovisuais na hora do estudo, demonstrando que a utilização desse recurso produz uma influência maior no aprendizado quando os vídeos são produzidos pelos professores e assistidos por seus alunos. Como preconizado nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, quando trata de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, o trabalho com produção audiovisual oferece a oportunidade de desenvolvimento de projetos educacionais interligados, articulando-se a conhecimentos culturais aprendidos pelos alunos em Informática (Cibercultura), Educação Física (Cultura e Movimento Corporal), Língua Portuguesa e

5 Língua Estrangeira (Cultura Verbal, trabalhando inclusive as artes literárias) (PCN, 2000 p. 48 a 49) Evidenciou-se ainda que todas as disciplinas foram citadas para que tivessem vídeos como material. Conclui-se, portanto, que há uma adesão positiva a esse recurso didáticos. Percebe-se uma oportunidade adequada para o desenvolvimento de atividades interdisciplinares e aprendizagem por projetos. Referências BERINO, Aristóteles. A escola na câmera dos alunos, identidades juvenis, projeções midiáticas. In: BERINO, Aristóteles (Org.). Ensino e Pedagogia da Imagem. Seropédica, RJ. Ed. da UFRRJ, BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Parte II: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (Ensino Médio).Brasília: MEC/SEB, IFC CAMPUS AVANÇADO SOMBRIO. Canal Videoaula IFC Campus Sombrio. Playlists: Pesquisas e Resultados. Disponível em: <https://goo.gl/sio1hf >. Acesso em 27 de julho de SILVA, Monique de Oliveira; CARDOSO, Talita Raquel Dantas. O cinema na sala de aula e as culturas jovens. In: BERINO, Aristóteles (Org.). Ensino e Pedagogia da Imagem. Seropédica, RJ. Ed. da UFRRJ, SOARES, Conceição; CAETANO, Aline. História de nós mesmos: vídeo, pesquisa e extensão. In: BERINO, Aristóteles (Org.). Ensino e Pedagogia da Imagem. Seropédica, RJ. Ed. da UFRRJ, 2013.

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