II. Conceito de Direito Constitucional

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1 DIREITO CONSTITUCIONAL I II. Conceito de Direito Constitucional José Afonso da Silva: É o ramo do Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e normas fundamentais do Estado. 1. Conteúdo Científico do Direito Constitucional Abrange três aspectos que dão lugar a 3 disciplinas: (a) direito constitucional positivo ou particular; (b) direito constitucional comparado; (c) direito constitucional geral. 1

2 Direito Constitucional Positivo ou Particular: tem por objeto de estudo princípios e normas de uma constituição concreta, de um Estado determinado. Direito Constitucional Comparado: tem por objeto o estudo das normas jurídicoconstitucionais positivas não necessariamente vigentes de vários Estados, preocupando-se em destacar as singularidades e os contrastes entre eles ou entre grupos deles. É um método de cotejar instituições políticas e jurídicas para, através, do cotejo, extrair a evidência de semelhanças entre elas, que não chega a ser uma conclusão científica, a qual será encontrada na relação que se estabelece em função da comparação. 2

3 O método comparativo permite a formulação de leis ou relações gerais e a verificação de estruturas governamentais semelhantes. Ele concorre para as conclusões do Direito Constitucional Geral e para o aperfeiçoamento do Direito Constitucional interno ou particular. Direito Constitucional Geral: disciplina uma série de princípios, de conceitos e de instituições que se acham em vários direitos positivos ou em grupos deles para classificálos e sistematizá-los numa visão unitária. 2. Distinção entre Constituição Liberal e Social Conceito de Constituição Liberal: é um conjunto racional e sistemático de normas hierarquicamente superiores a todo o ordenamento jurídico e que dispõem sobre a organização do Estado, organização do poder e sobre a proteção aos direitos individuais. 3

4 Conceito de Constituição Social: é um conjunto racional e sistemático de normas hierarquicamente superiores a todo o ordenamento jurídico e que dispõem que, além da organização estatal do poder e do Estado, e a proteção aos direitos individuais, ainda disciplinam a ordem social, econômica e cultural. Espécies de Constituição Social: (a) Constituição Programática: é aquela constituição social que prevê normas-tarefas e normas-fins, ESTABELECENDO ORIENTAÇÕES para o Estado implementar programas sociais e econômicos. (b) Constituição Dirigente (brasileira): essa expressão foi criada para designar um modelo de constituição implementado pela constituição portuguesa e que influenciou a brasileira de 1988, por isso classifica a Constituição de 1988 de dirigente, isso porque ela contém normas-tarefas e normas-fins que OBRIGAM ao poder público a execução de programas sociais e econômicos. 4

5 (c) Constituição Balanço: essa modalidade de constituição social trás a expressão que foi consagrada para designar o MODELO DE CONSTITUIÇÃO SOVIÉTICA. O Estado Soviético teria como fim maior o Socialismo, o SOCIALISMO PLENO, que só seria atingido por etapas. A cada etapa vencida iria exigir uma nova constituição e em cada nova constituição estaria representado um BALANÇO DAS VITÓRIAS E CONQUISTAS OBTIDAS e um avanço no maior ideal do Estado que era a busca do Socialismo. (d) Constituição Cultural: é a constituição social que não se restringe a disciplina da ordem econômica e que trata também da educação, da cultura e do desporto. 5

6 3. Elementos das Constituições (José Afonso da Silva) Elementos Orgânicos: Compreendem as normas que tratam da organização do Estado, da organização do poder, do sistema tributário, orçamento público, forças armadas e segurança pública. São funções primárias de qualquer Estado. Elementos Limitativos: Têm por finalidade limitar o poder do Estado, portanto, são as normas que tratam de direitos fundamentais, exceto as que tratam de direitos sociais. Assim, são aquelas normas constitucionais que tratam de direitos individuais e coletivos, nacionalidade, direitos políticos e partidos políticos. Elementos Sócio-ideológicos: São as normas da Constituição que permitem identificar qual foi a influência doutrinária ideológica que o constituinte sofreu e que, portanto, a Constituição consagrou. Aqui entram as normas de direitos sociais, econômicos, culturais e sistema financeiro e que refletem a postura estatal que a Constituição adotou. 6

7 Elementos de Estabilização Constitucional: Visam assegurar a estabilidade do texto constitucional e a proteção das instituições democráticas e a defesa do próprio Estado. Esses elementos congregam as normas sobre jurisdição constitucional (controle de constitucionalidade); reforma da Constituição; intervenção federal e estadual; estado de defesa e; estado de sítio. Elementos Formais de Aplicabilidade: Visam assegurar uma melhor interpretação e aplicabilidade das normas da Constituição, tais como as disposições transitórias, art. 5, 1º, da CF/88 e preâmbulo. STF: o preâmbulo não tem força normativa, mas exprimem os sentimentos e influências do constituinte, por isso servem de elemento interpretativo da Constituição, ou seja, não há inconstitucionalidade por afronta ao preâmbulo. 7

8 Paulo Bonavides, influenciado pela doutrina espanhola, classifica os elementos da Constituição da seguinte forma: Preâmbulo: exprime os sentimentos do constituinte. Parte Introdutória: contém disposições preliminares que definem o regime político, a forma de governo, modelo de organização do Estado, princípio de organização de poderes (Título I da CF/88). Parte Dogmática: reuniria as normas sobre direitos fundamentais, pois permitem identificar o modelo de influência ideológica do Estado, se liberal ou social. 8

9 Parte Orgânica: trata dos órgãos do Estado e do poder. Disposições Gerais. Disposições Transitórias. 4. O Direito Constitucional e sua Relação com outros Ramos do Direito. Divisão entre direito público e privado não é absoluta. Constituição: papel central de todos os ramos. Direito Administrativo: o direito constitucional trata de regras gerais da função pública. Normas sobre desapropriação (arts. 182, 184 e 185). Poderes do Presidente da República e dos ministros de Estado (arts. 84 e 87, par. único). Normas sobre Administração Pública (arts. 37 a 43). 9

10 Direito Tributário: os princípios tributários (a CF é a lei tributária fundamental). Tributação: liberdade e propriedade (direitos fundamentais). Tributação sustenta a autonomia dos entes federados. Direito Penal: direitos fundamentais no campo penal. Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. Diversas garantias: incisos XXXVII e LXVII do art. 5º. Direito Processual: diversos princípios constitucionais do processo. Juiz natural, contraditório, ampla defesa, devido processo legal, direito de ação, duplo grau de jurisdição, etc. Ação popular (art. 5º, LXXIII); mandado de segurança (art. 5º, LXIX); assistência judiciária (art. 5º, LXXIV). 10

11 Direito Internacional: art. 4º, I a X da CF/88 princípios que regem a atuação internacional do Brasil. Princípios: independência nacional; direitos humanos; autodeterminação dos povos e; igualdade entre os Estados. Direito do Trabalho: rol de direitos do trabalhador assegurados na CF/88 (arts. 6º, 7º, 8º e 9º). Jornada semanal, salário-mínimo, greve, pagamento de horas extras, segurança no trabalho, férias, 13º salário, participação nos lucros e resultados, etc. Direito Privado: princípios com eficácia horizontal que servem de fonte de interpretação. A CF/88 dispõe sobre o amparo à família, aos filhos e aos idosos (arts. 226 e 230); a defesa do consumidor (art. 5º), etc. 11

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