A IMPORTÂCIA DA PRESERVAÇÃO DAS MARGENS DO RIO DE CONTAS PARA A COMUNIDADE RIBEIRINHA DE MANOEL VITORINO-BA.

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1 00480 A IMPORTÂCIA DA PRESERVAÇÃO DAS MARGENS DO RIO DE CONTAS PARA A COMUNIDADE RIBEIRINHA DE MANOEL VITORINO-BA. Beatriz Pires Silva (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB). Guadalupe Edilma Licona de Macedo (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB). Resumo: O presente trabalho foi desenvolvido a partir de informações obtidas junto aos ribeirinhos, de uma comunidade no município de Manoel Vitorino-BA, e teve por objetivo promover discussões sobre a importância da preservação das margens do Rio de Contas pela necessidade da sociedade estar envolvida nas questões ambientais, assumindo um papel significativo nas decisões políticas para a população. Como método de coleta de dados, foram realizadas entrevistas do tipo grupo focal, e ministradas oficinas com o propósito de nortear as discussões acerca da temática. Optou-se por trabalhar com os ribeirinhos, por se tratar de uma população que convive de perto os problemas ambientais da localidade. As entrevistas visaram analisar as concepções dos ribeirinhos, quanto ao conceito de preservação e compreender as relações dos mesmos com esse recurso ambiental. Foi determinada a participação de pessoas com idade igual ou superior a 30 anos, por possuir uma maior vivência com esse ambiente. Participaram da pesquisa 16 membros da comunidade ribeirinha. A existência de uma Associação, favoreceu para a realização da pesquisa, pelo fato de ser um espaço de referência na localidade. A partir dos relatos dos ribeirinhos, pode-se constatar que os mesmos expressam preocupação quanto ao acelerado processo de assoreamento e degradação das margens do Rio de Contas, pois, este representa uma importante fonte econômica para a população local. Foi ainda possível perceber, mediante os dados coletados, que não são desenvolvidas ações concretas com relação a proteção deste recurso que possam garantir a preservação deste recurso às futuras gerações. Diante desse contexto, ressalta-se que a inserção da educação ambiental na comunidade contribui para a formação de um olhar crítico e ativo no que diz respeito às questões ambientais. Palavras-chave: educação ambiental; espaços não-formais; população ribeirinha. Introdução O presente trabalho foi desenvolvido juntamente com moradores de uma comunidade ribeirinha do município de Manoel Vitorino-BA, baseado na seguinte questão de pesquisa: Como a educação ambiental, numa comunidade ribeirinha, pode contribuir na construção de um olhar crítico para a preservação das margens do Rio de Contas? Optou-se por trabalhar com os ribeirinhos, pois, pela necessidade da sociedade estar envolvida nas questões ambientais, assumindo um papel significativo nas decisões políticas. E cabe a educação ambiental promover estes discursos, mesmo que fora do ambiente escolar (JACOBI, 2003). Além disso, muitas pesquisas em Educação Ambiental são voltadas para a sala de aula, mas como afirma Carvalho, a temática precisa alcançar um público maior, como adultos, agentes locais, moradores e líderes comunitários e não

2 00481 apenas crianças e jovens. De fato, se é um assunto de interesse social, porque limitá-lo aos muros da escola? A bacia do Rio de Contas, localizada na porção centro-sul do estado da Bahia, é a maior bacia do estado, sendo inteiramente baiana, com uma área de drenagem correspondendo a pouco mais de 10% do território. Percorre por muitos municípios dentre os quais, o município de Manoel Vitorino (CHIAPETTI, 2009). A vegetação das margens do Rio de Contas nas localidades deste município se encontram extremamente degradadas, devido ao desmatamento, ocasionado pelas atividades agrícolas, principalmente implantação de pastagem, pois, a atividade econômica predominante na região é a criação de gado. Os ribeirinhos possuem uma vivência direta e dramática com as manifestações de degradação ambiental local e já se sentem afetados pela falta de água. Tendo em vista a problemática da preservação, este trabalho teve por objetivo promover, junto aos ribeirinhos, discussões sobre a importância da preservação das margens do Rio de Contas. Metodologia A pesquisa foi realizada em Manoel Vitorino-BA numa comunidade composta por 40 famílias. O município possui uma área de cerca de 2.231,625 km 2 e apresenta habitantes (IBGE, 2013). É considerada a Terra do Umbu, devido à grande produtividade. Apresenta população de baixa renda, sendo a agricultura e a pecuária a maior fonte econômica. A solicitação da participação dos ribeirinhos, foi feita mediante Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, no qual constou os objetivos da pesquisa, a justificativa e esclarecimentos quanto aos procedimentos. Caracteriza-se como uma pesquisa de intervenção, tendo como instrumentos de coleta de dados, entrevistas semiestruturadas do tipo grupo focal. Esta técnica é definida por Flick (2009) como uma entrevista que aprecia a interação e as trocas de conhecimentos entre os participantes, como meio de gerar dados interativos. As entrevistas visaram analisar as ideias dos ribeirinhos quanto ao tema preservação e compreender as relações dos mesmos com o rio. Foi determinado a participação de pessoas com idade igual ou superior a 30 anos, pois, estes possuem uma maior vivência com esse ambiente. No total, foram entrevistados 16 indivíduos em dois grupos focais.

3 00482 O local para a realização das entrevistas foi a Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Pombas e Conceição, por ser um espaço aberto para todos. Após a realização e análise das entrevistas, foram realizadas duas oficinas, também ministradas na Associação, nas quais foram discutidos os temas preservação e conservação, as principais consequências ambientais da degradação dos recursos hídricos e o Código Florestal Brasileiro e sus respectivas mudanças. Após as oficinas foi realizada uma nova entrevista, da mesma modalidade que a primeira, com a finalidade de identificar mudanças nos participantes quanto a importância da preservação das margens do Rio de Contas. Resultados e discussões Dos ribeirinhos entrevistados 12 eram do sexo masculino e 5 do sexo feminino. Quanto ao grau de escolaridade, apenas um dos participantes possui ensino médio completo, os demais, possuem o ensino fundamental completo ou incompleto e há alguns que sabem apenas assinar o nome. Na primeira entrevista todos os ribeirinhos relataram já ter ouvido falar nos conceitos preservação e conservação ambiental, nove deles mencionam ter ouvido falar dos temas em reuniões com representantes da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), que foram visitar a Associação Rural da comunidade. Os demais mencionaram a escola como mediadora dessa informação e outros citaram a mídia. Mas, não há clareza sobre o que significa estes termos para eles. Ex.: São quase iguais, a diferença é pouca, por que preservar é conservar, então são quase o mesmo sentido[...] (entrevistado 3, grupo focal 2). Preservar, eu acho que é uma coisa que a gente não deixa acontecer né. É prever[...] A pessoa não deve fazer queimadas próximo ao rio. E conservar é conservar do jeito que está. (entrevistado 2, grupo focal 1). Os ribeirinhos consideram importante a preservação das margens do Rio de Contas, relatam sobre a relevância na localidade e expressam preocupação quanto ao acelerado processo de assoreamento e degradação de suas das margens, pois, este representa uma importante fonte econômica para a população local, havendo assim uma maior dependência deste recurso para sobrevivência dos mesmos.

4 00483 É importante preservar pra gente ter uma água de boa qualidade, ter sempre o rio cheio, por que se fizer desmatamento a tendência é entupir o rio mais ainda. Então, é importante preservar, para aumentar a quantidade de água, para ter o peixe para os pescadores, ter a água pra irrigação [...] (entrevistado 2, grupo focal 2). [...]a gente já está com dificuldade de água e a poluição é demais, a água hoje não é o que era antes. Então eu acho que a gente tem mais é que cada um fazer a sua parte e cuidar mais[...] (entrevistado 9, grupo focal 2). Na segunda entrevista, após as oficinas, quando questionados sobre os motivos pelos quais se desmata as margens do rio, a maioria considerou que é por falta de conhecimento sobre a importância dessas áreas, outros, consideram que é pela necessidade de subsistência ou ainda por falta de fiscalização. Ex.: Eu acho que começa desde a falta de conhecimento das pessoas, talvez nem todo mundo tá tendo esse conhecimento[...] (entrevistado 1, grupo focal 1) [...] tem gente que não vai numa reunião, não ouvi ninguém falando sobre isso e não se importa[...] (entrevistado 2, grupo focal 1). Eu acredito que é de acordo com a necessidade de cada um, a condição de sobrevivência de cada família que depende do recurso para sobrevier[...] (entrevistado 4, grupo focal 2). A partir dos relatos dos ribeirinhos pode-se constatar que os mesmos estão preocupados com o futuro do rio, mas também foi possível perceber que não são desenvolvidas ações concretas com relação a proteção deste recurso, para garantir a sua existência para as futuras gerações. Um outro questionamento levantado foi sobre a importância de momentos de discussão sobre os problemas ambientais vivenciados na região. Quanto a este questionamento, não houve controvérsias, todos ressaltam que é muito importante falar destes assuntos, não só para os moradores da comunidade em questão, mas também nas demais que se encontram no perímetro Rio de Contas. Ao falar de Código Florestal Brasileiro, foi notado que os ribeirinhos desconheciam as determinações da lei. Entretanto quando questionados, após as oficinas, quanto as modificações ocorridas no Código, apresentaram posições críticas quanto a produção agrícola nas margens do rio, como detectado nas seguintes falas:

5 00484 Minha opinião é que se diminuir não vai adiantar em nada, porque vai diminuir uma área de preservação de onde vai vir o futuro, por que se você não preservar não tem a água e sem a água você não vai poder plantar nada, então não adianta nada [...] (entrevistado 2, grupo focal 1) Considerações finais Foi positivo desenvolver oficinas com discussões sobre a preservação das margens do Rio de Contas com os moradores da comunidade ribeirinha, contribuindo para formação de um olhar crítico sobre a problemática, favorecendo também para que se tornem mais atuantes no que diz respeito a proteção do Rio de Contas. Dessa forma se confirma que a educação ambiental é uma importante ferramenta, desde que promova análises críticas dos problemas vivenciados (LOUREIRO, 2008). Referências CARVALHO, I. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. 3ª ed. São Paulo: Cortez, CHIAPETTI, R. J. N. Na Beleza do Lugar, o Rio das Contas Indo... Ao Mar f. Tese (doutorado). Instituto de Geociências e Ciências Exatas IGCE, Universidade Estadual Paulista Unesp Júlio de Mesquita Filho. São Paulo, Disponível em: Acesso em 09 de dezembro de FLICK, U. Desenho da pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009 IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: < bahia manoel-vitorino infograficos:-dados-gerais-do-municipio >. Acesso em: 10 dez LOUREIRO,C.F.B. Teoria Social e Educação Ambiental: pressupostos para uma práxis crítica em educação ambiental. In: LOUREIRO, C.F.B et al (Org). Sociedade e Meio Ambiente: A educação Ambiental em Debate. São Paulo: Cortez, p JACOBI, P. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, n. 118, p , março

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