JOSIANE MINARDI TRIBUTÁRIO TEORIA E PRÁTICA. revista e atualizada. edição. 1ª e 2ª FASES

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1 JOSIANE MINARDI TRIBUTÁRIO TEORIA E PRÁTICA 7 edição revista e atualizada 1ª e 2ª FASES 2017

2 CAPÍTULO 2 Competência Tributária Os tributos serão inseridos no ordenamento jurídico por meio da competência tributária, pois é através dela que os entes federativos podem inovar a ordem tributária, criando tributos por meio de lei que irão descrever as suas hipóteses de incidência, bem como seus sujeitos passivos, suas bases de cálculo e suas alíquotas. Nos dizeres de Roque Antônio Carrazza a competência tributária é: a habilitação ou, se preferirmos, a faculdade potencial que a Constituição confere a determinadas pessoas (as pessoas jurídicas de direito público interno) para que, por meio de lei, tributem. (Curso de Direito Constitucional Tributário. 25 a ed. Malheiros: São Paulo, 2009, p. 507) 2.1 CARACTERÍSTICAS DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA A competência tributária apresenta cinco características importantes. São elas: (i) indelegabilidade, (ii) facultatividade, (iii) incaducabilidade, (iv) inalterabilidade e (v) irrenunciabilidade, que estudaremos a seguir. (i) Indelegabilidade: Quando a Constituição permite aos entes federativos criarem os tributos, ela estabelece exatamente quais serão os tributos de competência de cada ente, de modo que a competência tributária seja indelegável, ou seja, intransferível. O ente federativo não poderá transferir a sua competência tributária, quer no todo, quer em parte, para nenhum outro ente, ainda que por meio de lei. Assim, se a Constituição determinou que cabe à União instituir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), apenas ela poderá instituir esse imposto, mais ninguém. Enquanto a competência tributária que consiste na criação e majoração de tributo é indelegável, as funções administrativas de arrecadar, fiscalizar tributos e executar leis, que compreendem a capacidade ativa tributária, podem ser delegadas, como define o art. 7 o do CTN. PARTE 1 TEORIA DIREITO MATERIAL CTN Art. 7 o A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do 3 o do artigo 18 da Constituição.

3 42 OAB (1ª e 2ª fases) DIREITO TRIBUTÁRIO Josiane Minardi 1 o A atribuição compreende as garantias e os privilégios processuais que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir. 2 o A atribuição pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido. 3 o Não constitui delegação de competência o cometimento, a pessoas de direito privado, do encargo ou da função de arrecadar tributos. Exemplo é o caso do Imposto Territorial Rural (ITR), cuja competência tributária, ou seja, a competência para criá-lo, instituí-lo ou majorá-lo é da União, conforme estabelece o art. 153, VI da CF. No entanto, a União poderá delegar a função de arrecadar e fiscalizar (a capacidade ativa tributária) aos Municípios, nos termos do art. 153, 4 o, III da CF. Pela literalidade do art. 7 o do CTN a capacidade ativa tributária só pode ser delegada para uma pessoa jurídica de direito público. (ii) Facultatividade: Os Entes Federativos não estão obrigados a instituir os tributos, cuja competência tributária lhe foi atribuída pela Constituição Federal. O art. 145 da CF determina que a União, Estados, Distrito Federal e Municípios poderão, e não deverão instituir tributos. Art A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I impostos; II taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; III contribuição, decorrente de obras públicas. Veja que os dispositivos constitucionais que conferem, aos entes federativos, competência tributária não os obrigam a exercitá-las, apenas possibilitam sua utilização. As pessoas políticas podem simplesmente não criar os tributos, ou ainda, exercitar sua competência tributária parcialmente, criando o tributo aquém dos limites constitucionais. A União até hoje não criou o Imposto sobre Grandes Fortunas IGF e não há problema algum. A não utilização, porém, por parte de uma pessoa política, de sua competência tributária não autoriza qualquer outra a dela se valer. (iii) Incaducabilidade: O direito do ente federativo de instituir o tributo pode ser exercido a qualquer tempo, não está submetido a prazo. O não exercício da competência tributária não impede que a pessoa política venha exercê-la posteriormente, pois esse direito não decai. O fato da União não ter instituído o IGF, em 1988, quando da promulgação da Constituição Federal, não lhe retira o direito de instituí-lo neste momento, apesar de passados mais de 20 anos.

4 Cap. 2 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA 43 (iv) Inalterabilidade: A competência tributária não pode ser alterada por norma legal ou infralegal. A Constituição Federal traçou os limites para pessoa política criar os tributos e tal situação não poderá ser modificada nem mesmo pelo Código Tributário Nacional. A competência tributária poderá, no entanto, sofrer alterações por meio de Emenda Constitucional. Como exemplo tem-se a EC n o 19/02, que inseriu na Constituição o art. 149-A e criou a Contribuição para custeio do serviço de iluminação pública (COSIP). (v) Irrenunciabilidade: A competência tributária é irrenunciável. O Ente Federativo jamais pode renunciar sua competência tributária em favor de outro Ente, podendo apenas deixar de exercê-la. Trata-se de matéria de direito público constitucional, portanto, indisponível. A renúncia seria, na verdade, ato unilateral e definitiva abdicação ao direito de criar tributos, o que é juridicamente ineficaz. (CARRAZZA, Roque Antônio. op. cit., p. 677) PARA MEMORIZAR, A COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA É: Características da competência tributária 1) Indelegável 2) Facultativa 3) Incaducável 4) Inalterável 5) Irrenunciável A competência tributária está disposta segundo a Constituição Federal da seguinte forma: PARTE 1 TEORIA DIREITO MATERIAL UNIÃO ESTADOS DISTRITO FEDERAL MUNICÍPIOS do art. 153 CF do art. 155 CF do art. 155 CF do art. 156 CF IPI ICMS ICMS IPTU IE IPVA IPVA ITBI IR II ITR ITCMD (Imposto sobre Transmissão causa mortis ou doação) ITCMD (Imposto sobre Transmissão causa mortis ou doação) ISS IOF IGF

5 44 OAB (1ª e 2ª fases) DIREITO TRIBUTÁRIO Josiane Minardi UNIÃO do art. 154 Cf IEG (Imposto Extraordinário Guerra) Imposto Residual Imposto Residual ESTADOS IPTU ITBI ISS DISTRITO FEDERAL do art. 147 Cf MUNICÍPIOS Taxas Taxas Taxas Taxas art. 149 CF 1) Contribuição Social 2) Contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) 3) Contribuição de Interesse de categoria Profissional ou Econômica Empréstimo compulsório art. 148 CF art. 149, 1 O CF Contribuição Social Previdenciária do Servidor Público Estadual art. 149, 1 O CF Contribuição Social Previdenciária do Servidor Público Contribuição art. 149-A CF contribuição para custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP) Não tem Não tem Não tem art. 149, 1 O CF Contribuição Social Previdenciária do Servidor Público Municipal Contribuição art. 149-A CF Contribuição para custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP) Observação: O Distrito Federal apresenta competência tributária para instituir o IPTU, ITBI e ISS, por força do disposto no art. 147 da CF que estabelece que os impostos dos Municípios serão do Distrito Federal. 2.2 REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS A Constituição Federal prevê algumas hipóteses de transferência obrigatória da arrecadação dos impostos, conforme os artigos 153, 5 o, 157, 158 e 159. O art. 153, 5 o da CF estabelece que a União é obrigada a repassar 30% da arrecadação do IOF incidente sobre o ouro tido por lei como ativo financeiro para o Estado, conforme a origem e 70% para o Município de origem.

6 Cap. 2 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA 45 De acordo com o art. 157 da CF competem aos Estados e Distrito Federal: a) 100% da arrecadação do IR incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, pelos Estados, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; b) 20% do produto da arrecadação do imposto residual. Nos termos do art. 158 da CF competem aos Municípios: a) 100% da arrecadação do IR incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, pelos Municípios, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; b) 50% do ITR, como via de regra, e 100% do ITR quando o Município detiver a capacidade ativa tributária, ou seja, a função de arrecadar, fiscalizar esse imposto; c) 50% do IPVA; d) 25% do ICMS. O art. 159 da CF prevê que a União entregará 49% da arrecadação do Imposto sobre Renda e proventos de qualquer natureza (IR) e sobre produtos industrializados (IPI) da seguinte forma: a) 21,5% ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal; b) 22,5% ao Fundo de Participação dos Municípios; c) 3% para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, através de suas instituições financeiras de caráter regional, de acordo com os planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao semiárido do Nordeste a metade dos recursos destinados à Região, na forma que a lei estabelecer; d) 1% ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro decêndio do mês de dezembro de cada ano. e) 1% ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro decêndio do mês de julho de cada ano; Os incisos II e III do art. 159 da CF, por sua vez, determinam que: a) 10% da arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados serão repassados aos Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos industrializados; b) 29% do produto da arrecadação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, prevista no art. 177, 4 o da CF, será repassada aos Estados e ao Distrito Federal, distribuídos na forma da lei, observada a destinação a que se refere o inciso II, c, do referido parágrafo. PARTE 1 TEORIA DIREITO MATERIAL

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