Cartografia: projeções cartograficas

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1 Cartografia: projeções cartograficas Projeção cartográfica é a representação de uma superfície esférica num plano (o mapa) ou, ainda, um sistema plano de paralelos e meridianos sobre os quais pode-se desenhar um mapa. Como a esfera não é um sólido desenvolvível, obrigatoriamente sofrerá deformações quando projetada sobre um plano. As deformações podem ser em relação ás distâncias, ás áreas ou os ângulos; por isso cabe ao cartógrafo escolher o tipo de projeção que melhor atenda aos objetivos do mapa. As opções são de três tipos: Equidistância são as projeções que mantêm as distâncias corretas: Equivalência são as projeções que mantêm a proporção entre área real e sua representação no mapa; Conformidade são as projeções que mantêm a igualdade dos ângulos na Terra no mapa. O globo terrestre artificial, guardada as proporções, constitui a mais perfeita representação da Terra, pois, sendo igualmente esférico, nos dá uma idéia bastante aproximada da realidade, apresentando ainda as seguintes vantagens ou características; mostra-nos todos os continentes, os oceanos, as principais cadeias montanhosas; possibilita a simulação dos movimentos da Terra; apresenta as distâncias em latitude e longitude. Por outro lado, o globo artificial apresenta alguns inconvenientes, tais como; sua dimensão, geralmente reduzida, não permite um grande número de informações: se construído em tamanho muito grande, torna-se de elevado custo e de difícil manuseio; é mais utilizado para informações generalizadas da superfície terrestre. Classificação das projeções Embora existam diversos tipos, as projeções costumam ser agrupadas em três tipos básicos: cilíndricas, cônicas e azimutais. As projeções cilíndricas baseiam-se na projeção dos paralelos e dos meridianos em um cilindro envolvente, posteriormente planificado. Têm as seguintes características: os paralelos e os meridianos são linhas retas que se cruzam em ângulos retos; o intervalo entre os meridianos é constante, e a escala é verdadeira sobre o Equador; as regiões de elevadas latitudes aparecem bastante exageradas ( na latitude de 60º chega a ser de 100º); A mais conhecida projeção cilíndrica é de Mercator (1569), a preferida pelos navegantes

2 Imagem 1: projeção cilíndrica. As projeções cônicas baseiam-se na projeção do globo terrestre sobre um cone que o tangencia, sendo depois planifico. A projeção cônica simples apresenta as seguintes características: os meridianos são linhas retas e convergentes, e os paralelos são círculos concêntricos; os paralelos e os meridianos estão separados por distâncias iguais; São mais utilizadas para representar regiões de latitudes médias. Imagem 2: projeção cônica. As projeções azimutais baseiam-se na projeção da superfície terrestre num plano. Têm as seguintes características: os meridianos são linhas retas divergentes, e os paralelos são círculos concêntricos; as distorções aumentam a partir do centro (ponto de tangência); são as preferidas para representar as regiões polares. Imagem 3: Projeção azimutal. Projeção de Mercator A projeção de Mercator é uma projeção cilíndrica conforme que distorce a proporção do tamanho dos continentes, mas mantém correta a forma. Essa projeção reforça a visão

3 eurocêntrica a Europa como o centro do mundo e expressa a dominação econômica e cultural dos países do hemisfério norte sobre os países do hemisfério sul. Projeção de Peters Imagem 4: Projeção de Mercator 1569 É também uma projeção cilíndrica, com os paralelos e meridianos representados ortogonalmente. As áreas dos continentes são reproduzidas fielmente, porém deforma o formato dos mesmos. As regiões de baixa latitude aparentam se alongar, enquanto as de alta latitude parecem que estão achatadas. Dessa característica, a denominação de um mapa para um mundo mais solidário, na qual os países subdesenvolvidos são destacados.

4 Imagem 5: Projeção de Peters Escala e Legenda de um mapa Como já vimos anteriormente para a representação de uma determinada área da superfície terrestre em um mapa é necessário que haja uma redução para caber no mapa, portanto uma proporção entre a área real e a sua representação em um mapa. Geralmente, aparece designada nos próprios mapas na forma numérica e/ou na forma gráfica. A escala numérica é a relação entre a distância no terreno representada por uma fração ordinária, a qual o numerador corresponde a medida do mapa e o denominador a medida real. Por exemplo: 1: , logo 1 cm no mapa corresponde a cm no terreno, consequentemente 1000 m, que corresponde a uma medida de 1km, na realidade. Para se calcular uma escala gráfica, levamos em consideração a seguinte fórmula: D= d x E Nesta fórmula: d: distância medida na carta D: distância real E = o numerador da escala, ex: 1: , E= A escala gráfica, por sua vez, se trata da representação através de uma linha reta graduada.

5 Nestes casos, a reta foi seccionada em quatro pedaços iguais, cada um medindo 1 cm. Isso quer dizer que 1 cm no mapa corresponde a 90 km na realidade, e assim sucessivamente. Grande escala e pequena escala De modo prático, podemos dizer que, quanto maior for o denominado da fração, menor será a escala e, inversamente, quanto menor for o denominador, maior será a escala. Exemplos: Escala A: 1/ Escala B: 1/ Neste caso, podemos dizer que a escala A é menor que a Escala B. Podemos dizer também que quanto maior for a escala, maior será a riqueza de detalhes, ao passo que, quanto menor for a escala, menor será a riqueza de detalhes. Exemplo: um mapa do Brasil na escala de 1: comporta muito menos informações (detalhes) do que um mapa na escala de 1: É que, no primeiro caso, o Brasil foi reduzido de vezes, ao passo que, no segundo caso, a redução foi de apenas de vezes. Quanto á grandeza, as escalas podem ser assim classificadas: Grande escala até 1 : Média escala - até 1 : a 1 : Pequena escala acima de 1 : Imagem 1: pequena, média e grande escala. Fonte: https://pt.slideshare.net/joaoarturlara/cartografia-completa Legenda Como podemos representar os fenômenos, os objetos existentes num determinado espaço? Ao representá-los devemos lembrar que existem pessoas, os usuários, que utilizam se das representações feitas para obter informações sem contato direto com os elementos representados de um determinado espaço.

6 Desta forma, como vimos na aula anterior, a legenda é parte importantíssima na composição de um mapa, pois indica as informações as quais sequer passar ao leitor, através da utilização de símbolos. Alguns símbolos cartográficos e suas legendas são padronizados para todos os mapas, como o azul para designar a água e o verde para indicar uma área de vegetação, etc. Códigos são usados para representar os elementos que compõem o mapa, como, por exemplo, capitais, cidades, rodovias,ferrovias. Os símbolos ou desenhos que representam os elementos de um mapa são chamados convenções cartográficas. Imagem 2: exemplo de códigos que podemos encontrar em um mapa.

7 Imagem 3: legenda de um mapa, relacionando as cores ao tema agropecuária. Fonte: Tipos de mapas Os primeiros registros cartográficos feitos pelas civilizações antigas representavam pequenas localidades. Eram confeccionados com materiais bem diferentes dos atuais. Esculturas em pedra e representações feitas em argila cozida marcaram o surgimento da cartografia. Posteriormente, esses registros passaram a ser entalhados em madeira e gravados em metal. Somente no sec.ii passaram a existir mapas em papiro. Outro material utilizado para produzir mapas foi o pergaminho, produto derivado do pelo da ovelha. Ao longo dos tempos, a criação dos mapas e a própria cartografia foi evoluindo, a incorporação de novas técnicas e elementos, como a escala, a legenda, fez com que houvesse uma grande variedade mapas, relacionados com diversas temáticas. Como não é possível representar todos os elementos da paisagem ou do espaço em um único mapa, foram criados diversos tipos de mapas, que representam cada um, determinado tema, são os chamados mapas temáticos. Desta forma, podemos encontrar diversos tipos de mapas, entre eles os mapas físicos ou hipsométricos, políticos, climáticos, demográficos, econômicos, entre outros. Mapas políticos- são os mais comuns, aqueles que representam países com suas divisões territoriais e respectivas capitais.

8 Imagem 1: Mapa político do Brasil. Fonte: Mapas físicos ou hipsométricos- mapas que representam as formas do relevo e registram as altitudes do terreno. Imagem 2: mapa físico-hipsométrico/ América do Sul. Fonte:

9 Mapas climáticos- são aqueles que retratam o clima e os fenômenos meteorológicos (chuvas, pressão atmosférica, temperatura, etc.). Imagem 3: Climas do Brasil, exemplo de mapa climático. Mapas demográficos-aqueles que registram dados da população(distribuição da população no espaço, crescimento demográfico, migração, etc). Imagem 4: Mapa demográfico, densidade populacional do Brasil. Fonte: Aplicação da cartografia no terreno

10 Curvas de nível É o método mais comum de representar as elevações do relevo. A curvas de nível são linhas que ligam pontos ou cotas de igual altitude em intervalos iguais. A escolha do espaçamento ou equidistância das linhas depende de vários fatores, como escala do mapa, tipo de relevo etc. A equidistância entre as curvas pode ser, de acordo com o caso, de 10, ou 100m; As curvas mostram tanto a altitude como o formato do relevo; Quando o relevo é muito abrupto, as curvas aparecem no mapa muito próximas umas das outras; quando o relevo é suave, aparecem mais distanciadas. Imagem 1: Curvas de nível Imagem 2: curvas de nível

11 Perfil Topográfico Com base nas curvas de nível podemos construir perfis topográficos do relevo. O perfil topográfico é uma representação gráfica de um corte vertical do terreno segundo uma direção previamente escolhida. Um dos processos para construir um perfil topográfico é o seguinte: Sobre o mapa topográfico traça uma reta, que corresponde à secção transversal l, cujo perfil pretendemos construir. Orienta sobre o mapa uma folha de papel milimétrico ou quadriculado de maneira que o eixo horizontal sobre o qual se vai construir o perfil seja paralelo à linha reta que traçaste no mapa. Projeta-se sobre o eixo horizontal a intersecção de cada curva de nível com a linha reta, tendo em conta a cota de altitude correspondente. Traça um eixo vertical, que representa a altitude ou cotas. Recorrendo ao eixo vertical localiza e marca o valor de cada curva de nível projetada. Depois de marcados todos os pontos correspondentes às curvas de nível projetadas, unem-se dando origem a um perfil topográfico. Construção de um perfil topográfico Imagem 3: Perfil topográfico O exemplo em cima mostra um perfil topográfico mais complexo. Temos duas montanhas com formas muito distintas. A da esquerda tem maiores altitudes, tem um cume mais pontiagudo, maiores declives e alguma assimetria. A sua vertente direita tem maiores declives que a vertente da esquerda, como se pode ver no perfil e nas curvas de nível que estão mais juntas. O cume da esquerda tem uma forma mais arredondada, menores altitudes, mas continuamos na presença de um relevo assimétrico: há uma diferença de declives entre as duas montanhas.

12 https://pt.slideshare.net/profacacio/cap-3-mapas-6-ano

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