Relatório Semanal de Estratégia de Investimento

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1 9 de março de 2015 Relatório Semanal de Estratégia de Investimento Destaques da Semana Economia internacional: Dados positivos nos Estados Unidos aproximam aumento de juros; DXY tem forte alta na semana; Mario Draghi detalha programa de expansão monetária na Zona do Euro; China corta projeção de crescimento e apresenta alta na balança comercial com exportações mais altas e importações mais baixas. Economia brasileira: Inflação acima do esperado; crise de governabilidade prejudica implementação do ajuste fiscal; Dólar ultrapassa marca de R$3,00; Copom eleva Selic em 50bps e mantém discurso.

2 jul-07 dez-07 mai-08 out-08 mar-09 ago-09 jan-10 jun-10 nov-10 abr-11 set-11 fev-12 jul-12 dez-12 mai-13 out-13 mar-14 ago-14 jan-15 Economia Internacional A primeira semana de março teve como principal destaque os dados mais fortes que o esperado de criação de empregos nos EUA, reforçando as expectativas de normalização das taxas de juros no país. A moeda norteamericana voltou a apresentar forte valorização frente uma cesta de moedas, após algumas semanas de estabilidade. A expectativa do início do programa de afrouxamento monetário (quantitative easing) na Zona do Euro, que tem como objetivo reanimar a economia da região e afastar o risco de deflação, tem dado forte impulso aos preços dos títulos soberanos do bloco, com consequente queda nos juros dos papéis. O início do programa se dará de fato a partir de hoje, 09/03, e tem prazo inicial estipulado até setembro de 2016, chegando a um total de 1,1 trilhão de euros. Na China, após os anúncios de corte de juros e redução na projeção de crescimento do PIB para 2015, foram divulgados dados da balança comercial acima do esperado, com destaque para as exportações que saltaram para 48,3% em fevereiro comparado a igual mês do ano passado. Os preços das principais commodities seguem pressionados nos mercados internacionais, com foco para o minério de ferro sendo negociado abaixo de 60 dólares a tonelada. O foco desta semana será os dados de inflação na China, vendas no varejo nos EUA e Brasil e novos pedidos de seguro desemprego nos EUA. Por enquanto, continuamos preferindo ativos de risco dos mercados desenvolvidos vs. emergentes, pela melhor relação retorno/risco (apesar dos elevados níveis de preço), e também por não vermos uma alteração no fluxo de capitais até que tenhamos um cenário mais benéfico para commodities GT 10

3 jan-08 jun-08 nov-08 abr-09 set-09 fev-10 jul-10 dez-10 mai-11 out-11 mar-12 ago-12 jan-13 jun-13 nov-13 abr-14 set-14 fev-15 Economia brasileira Os dados da semana contribuíram para deteriorar o quadro político e econômico do país. Do lado econômico, tivemos uma inflação acima do esperado no mês de fevereiro, elevando a variação acumulada do IPCA para um patamar superior a 7,5%. Também retomamos o posto de país com maior juros real do mundo, e cuja trajetória tende a permanecer em alta diante da perspectiva de inflação elevada nos próximos meses. Já do lado institucional, a Lista de Janot trouxe nomes de lideres do congresso, ex-ministros e uma grande quantidade de deputados e senadores da base do governo, dificultando ainda mais a governabilidade da atual presidente. A respeito do IPCA, a expectativa de mercado era de 1,08%, porém o dado veio com alta de 1,22%, elevando as projeções do Banco Votorantim para 7,7% de inflação para o ano de As surpresas do índice se concentraram na alta acima do esperado na gasolina e em alimentos no domicílio. A pressão adicional nesses grupos ficou por conta da greve dos caminhoneiros e alta expressiva do dólar. Também o Boletim Focus, logo na segunda, já diminuiu a previsão de crescimento do país, com os riscos de racionamento de energia e agua no radar dos analistas. Com essa rápida deterioração, a curva de juros permaneceu em trajetória de alta, o que indica que os agentes estão exigindo um prêmio cada vez maior para aplicar recursos na dívida brasileira. Do lado politico, os agentes ficaram apreensivos durante toda a semana na expectativa da lista de Janot, que afetaria direto a governabilidade. Um dos indícios de crise na base, foi a devolução da MP que voltava a onerar a folha de pagamento de industrias, por parte do Presidente do Senado (PMDB). Com esse movimento, foi dado o recado a presidente da necessidade de melhorar a articulação politica para dar respaldo ao ajuste fiscal. Também foi revelado os nomes de 47 políticos que integram a suspeita de envolvimento na operação Lava Jato. Essa lista é formada por grande parte da base aliada ao governo, e um membro da oposição. Do lado politico, os desdobramentos dos inquéritos e depoimentos na CPI da Petrobrás trazem grandes expectativas. Para esta semana o principal destaque na agenda doméstica é a ata do Copom. Certamente o andamento da política monetária é uma grande incógnita para os investidores e até mesmo para o próprio Banco Central. No último aumento da Selic para 12,75% o BC manteve seu discurso inalterado em relação à última reunião. O mercado aguardava alguma sinalização da diminuição do ritmo, indicando que o ciclo de altas estava próximo do fim. Contudo, os dados de inflação acima do esperado e a disparada do câmbio surpreenderam e abriram margem para um ciclo ainda mais contracionista. O cenário, que já é recessivo, pode ser observado nas expectativas para as vendas no varejo, dado importante que será divulgado essa semana, mais especificamente na sexta-feira. O indicador apresentou variação positiva 0,30% para o mês de dezembro no acumulado de doze meses, porém o mercado aguarda que esse número passe para -1,30% em janeiro, demonstrando clara desaceleração. 8,0% 7,0% 6,0% 5,0% 4,0% 3,0% IPCA 12M Meta LS

4 abr-08 set-08 fev-09 jul-09 dez-09 mai-10 out-10 mar-11 ago-11 jan-12 jun-12 nov-12 abr-13 set-13 fev-14 jul-14 dez-14 Mercados BOLSA As principais bolsas mundiais começaram março devolvendo parte dos ganhos do bimestre Janeiro/Fevereiro de 2015, tendo como pano de fundo a piora no cenário para as commodities (petróleo e minério de ferro) e duvidas com relação ao crescimento chinês este ano. O principal índice americano (SP500) fechou a ultima semana abaixo dos 2100 pontos (-1,58% na semana), com dados fortes do mercado de trabalho e alta nos juros dos títulos de 10 anos (2,24%). Na Ásia, o destaque ficou por conta da China (-2,09%), que anunciando corte nos juros e novos incentivos fiscais, além de já anunciar um crescimento menor para o ano de 2015 (algo ao redor de 7%). O impacto de um mundo crescendo menos e a mudança na matriz de crescimento chinês, seguem impactando o preço do minério de ferro, que encerrou a ultima sexta-feira abaixo dos 60 dólares por tonelada. Por outro lado, as bolsas europeias (Euro Stoxx + 0,75%) tiveram um bom desempenho, influenciadas pelo detalhamento do programa de compra de títulos por parte do BCE. No Brasil, o Ibovespa (-3,11%) voltou a sentir o peso na piora das expectativas econômica e politica, com destaque para a queda do real (-7,85%) e o efeito deste sobre a curva de juros local. A queda semanal das ações da Vale (-8,50%) e duvidas com relação a manutenção do grau de investimento seguem pesando sobre o índice Bovespa, que apesar de viver um momento ruim, continua recebendo fluxo de investidores estrangeiros (aproximadamente R$ 6 bilhões em 2015), muito em função da baixa cotação em dólar dos ativos locais e desconto versus os pares internacionais. O alto custo de oportunidade local e duvidas com relação ao impacto de um racionamento de energia nas empresas brasileiras, nos deixam com uma posição conservadora para ativos de renda variável local Ibovespa Under Over

5 jan-08 jul-08 jan-09 jul-09 jan-10 jul-10 jan-11 jul-11 jan-12 jul-12 jan-13 jul-13 jan-14 jul-14 jan-15 jul-07 jan-08 jul-08 jan-09 jul-09 jan-10 jul-10 jan-11 jul-11 jan-12 jul-12 jan-13 jul-13 jan-14 jul-14 jan-15 CÂMBIO Na primeira semana do mês de março o dólar teve alta de 7,84% perante o real, acumulando variação de 15,29% em O forte movimento da semana se deve a uma soma de fatores internos e externos. Internamente, o governo vem sofrendo uma crise de confiança graças à perda de apoio do Congresso e Senado, problema que foi agravado com a divulgação da lista de Janot, na ultima sextafeira. O fato é preocupante já que prejudica a implementação do ajuste fiscal e pode levar o Brasil a perder seu grau de investimento. Externamente, Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, detalhou o programa de expansão monetária no bloco, contribuindo para um avanço do dólar. Entretanto, a grande surpresa externa na ultima semana foi o dado de payroll nos Estados Unidos, que veio bem acima do esperado e aumentou as expectativas quanto a normalização da taxa de juros americana, valorizando expressivamente a moeda norte-americana. Dado os movimentos dos Bancos Centrais ao redor do mundo, da queda nos preços das commodities graças à desaceleração da China, além do provável fim do programa de swaps cambiais por parte do BC, acreditamos que o avanço do dólar é estrutural e mantemos posição comprada na moeda DXY Under Over JUROS Os juros futuros tiveram na ultima semana um movimento de forte alta ao longo de toda a curva. Já na segunda-feira (2/3/2015), o Boletim Focus trouxe perspectivas piores a respeito do crescimento do PIB e inflação para 2015/2016. Também foi uma semana marcada pela alta do dólar, onde houve o rompimento da barreira psicológica dos R$ 3,00, após muitos anos operando abaixo desse patamar. Com isso, as expectativas de inflação continuam em ritmo acelerado de alta, já se aproximando dos 8% e indicando que o juros ainda não chegaram num topo no curto prazo. Outro ponto importante foi a reunião do Copom, que seguiu o esperado pelo mercado e subiu a taxa básica de juros em 50 bps, para 12,75% ao ano. Porém o comunicado pós reunião deixou em aberto novas altas de 50 bps. Os agentes já esperavam que a taxa de juros ficasse estável, porém com a rápida deterioração da situação politica e econômica brasileira e dados do mercado de trabalho americano acima do esperado, que devem acelerar o inicio da normalização dos juros nos EUA, ajudaram a curva de juros no Brasil a seguir o movimento de alta. 18,00 16,00 14,00 12,00 10,00 8,00 DI 17 DI 21 16,00 14,00 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0,00 Juros Pré-Fixado Inflação Under Over Under Over

6 Indicadores e Cotações Classe Ativo Último Nível Dia Semana Mês 12 meses 2015 Indicadores de Risco EMBI Brasil 317,00 0,00-11,00-11,00 82,00 48,00 VIX 15,20 1,16 1,86 1,86 1,09-0,72 US High Yield Spread 484,66-6,26-11,32-11,32-62,79 Bolsas IBOV 49981,19-0,76% -3,11% -3,11% 8,08% -0,05% ISE 2414,81-0,25% -2,90% -2,90% 8,46% -0,69% IDIV 2589,0701-0,72% -5,21% -5,21% -14,25% -7,26% SMALL 987,77-0,75% -2,26% -2,26% -15,64% -9,16% SP 500 (USD) 2071,26-1,42% -1,58% -1,58% 10,29% -0,44% Euro Stoxx (EUR) 369,99 0,17% 0,75% 0,75% 16,23% 16,09% Nikkei (JPY) ,17% 0,92% 0,92% 24,20% 8,71% Shangai Comp (CNY) 3241,188 0,00% -2,09% -2,09% 57,50% 2,38% MSCI ACWI (USD) 424,86-1,14% -1,76% -1,76% 3,27% 1,27% MSCI Emerging Markets (USD) 971,23-0,34% -1,92% -1,92% 0,47% 1,74% Classe Ativo Último Nível Dia Semana Mês 12 meses 2015 Commodities CRY 220,14-0,89% -1,76% -1,76% -28,34% -5,71% Oil 49,61-2,27% -0,30% -0,30% -51,64% -8,33% Gold 1167,29-2,60% -3,78% -3,78% -12,89% -2,77% Juros Germany Generic 10 Y 0,39 0,05 0,07 0,07-1,26-0,15 US Generic 10Y 2,24 0,13 0,25 0,25-0,55 0,05 Spread US x GE 1,85 0,08 0,18 0,18 0,71 0,20 Brazil Generic 10Y 12,97 6,93 0,68 0,68 6,38 0,62 IPCA 10 Y ( Generic NTN-B) 6,32 0,01 0,29 0,29-0,27 0,16 Inflação Implicita Brazil 5 Y 6,74 0,12 0,33 0,33 0,20 0,22 Inflação Implicita US 5 Y 1,63 0,01-0,02-0,02-0,39 0,46 Fundo Imobiliario IFIX 1355,1899 0,07% -1,04% -1,04% 1,34% 1,38% Moedas DXY 97,62 1,28% 2,44% 2,44% 22,45% 8,47% BRL 3,06 2,03% 7,84% 7,84% 30,89% 15,29%

7 Agenda Semanal Segunda País Período Estimado Atual Anterior IPC-S IPC FGV BRA 08/03/ ,97% Balança comercial semanal BRA 08/03/ IPC A/A CHI Feb 1,00% -- 0,80% IPP A/A CHI Feb -4,30% -- -4,30% New Yuan Loans CNY CHI Feb 750.0B B Terça IGP-M Inflation 1st Preview BRA Mar ,09% Estoques no atacado M/M EUA Jan -0,10% -- 0,10% Quarta Vendas varejo acum/ano A/A CHI Feb 11,60% Produção industrial acum no ano A/A CHI Feb 7,70% MBA-Solicitações de empréstimos hipotecários EUA 06/03/ ,10% Orçamento mensal EUA Feb -$188.0B Quinta IPC FIPE- Semanal BRA 07/03/ ,40% Produção industrial SAZ M/M EUR Jan 0,20% -- 0,00% COPOM Monetary Policy Meeting Minutes BRA 00/01/ ,00% 0 Adiantamento de vendas no varejo M/M EUA Feb 0,40% -- -0,80% Novos pedidos seguro-desemprego EUA 07/03/ K K Seguro-desemprego EUA 28/02/ K K Sexta Balança comercial SA EUR Dec 19.0B B Vendas no varejo A/A BRA Jan -1,40% -- 0,30% Demanda final IPP M/M EUA Feb 0,30% -- -0,80% U. of Mich. Sentiment EUA Mar P 95, ,40 INFORMAÇÕES IMPORTANTES AO INVESTIDOR Este material, meramente informativo, foi preparado pela área de Estratégia do Votorantim Private Bank e não se caracteriza como relatório de análise, para fins da Instrução CVM nº 483/2010, e, não foi produzido por analista de valores mobiliários. As informações contidas neste material foram obtidas por meio de comunicação de acesso público, tais como jornais, revistas, internet entre outros, de forma aleatória. Tais informações estão sujeitas a alterações, a qualquer momento, sem que haja necessidade de comunicação neste sentido. Apesar das informações aqui contidas terem sido obtidas de fontes consideradas confiáveis, a área de Estratégia não pode garantir a precisão e veracidade das mesmas. As recomendações de alocação deste documento refletem única e exclusivamente a opinião pessoal dos profissionais da área de Estratégia do Votorantim Private Bank, de modo que as recomendações foram elaboradas de forma independente e autônoma com relação às demais áreas da Votorantim Asset Management DTVM Ltda., ao Banco Votorantim S.A. e demais empresas do Consolidado Econômico Financeiro Votorantim. As recomendações de alocação contidas neste documento apresentam riscos de investimento e não são asseguradas pelos fatos nem contam com qualquer tipo de garantia ou segurança da área de Estratégia. O Votorantim Private Bank e suas áreas de negócio não serão responsáveis por perdas diretas, indiretas ou lucros cessantes decorrentes da utilização deste material para quaisquer finalidades, incluindo, mas não se limitando a realização de negócios, investimentos ou transações baseadas nestas informações.sac: , Deficientes Auditivos e de Fala: Todos os dias, 24 horas por dia, ou pelo Ouvidoria: , Deficientes Auditivos e de Fala: , de 2ª a 6ª feira das 9:00 às 18:00 hs. Estratégia de Investimento Votorantim Private Bank (11)

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