AMOSTRAGEM DE PRAGAS EM SOJA. Beatriz S. Corrêa Ferreira Entomologia

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1 AMOSTRAGEM DE PRAGAS EM SOJA Beatriz S. Corrêa Ferreira Entomologia

2 INSETICIDAS CONTROLE BIOLÓGICO FEROMÔNIOS MANIPULAÇÃO GENÉTICA DE PRAGAS VARIEDADES RESISTENTES A INSETOS (plantas modificadas geneticamente) MANIPULAÇÃO DO AMBIENTE E MÉTODOS CULTURAIIS MORTALIDADE NATURAL NO AGROECOSSISTEMA NÍVEIS DE CONTROLE AMOSTRAGEM IDENTIFICAÇÃO DAS PRAGAS Alicerce para decisões do manejo Técnicas de manejo

3 AMOSTRAGEM Contagem direta: ovos, ninfas, larvas, pupas e adultos Contagem indireta: sinais de injúrias ( N o. de plantas atacadas, % de desfolha, % de brotos ou frutos atacados, etc) Tamanho da amostra e a freqüência de amostragem: dependem da distribuição espacial do inseto e do comportamento do inseto no campo O número de unidades amostrais, o método utilizado e a época ou período de amostragem: influenciam a precisão e o custo/esforço da amostragem Decisão final: considerar além do nível de precisão desejado a relação custo/benefício

4 PORQUE FAZER O MONITORAMENTO NAS LAVOURAS DE SOJA? AVALIAR A PRESENÇA DAS PRAGAS CONHECER A OCORRÊNCIA DOS I. NATURAIS AVALIAR O ÍNDICE DE INJÚRIA CAUSADO CONHECER A DISTRIBUIÇÃO DAS PRAGAS DETERMINAR O ESTÁGIO DA SOJA TER O REGISTRO DA OCORRÊNCIA AO LONGO DO CICLO DA SOJA

5 COMO FAZER O MONITORAMENTO DAS LAVOURAS DE SOJA? ATRAVÉS DOS MÉTODOS DE AMOSTRAGENS

6 MONITORAMENTO x AMOSTRAGEM Permite conhecer e acompanhar o nível populacional das pragas e de seus inimigos naturais presentes na lavoura Serve de base para a tomada de decisão sobre o controle das pragas Deve ser: Representativa da realidade de campo Fácil execução Barata Rápida

7 PONTOS IMPORTANTES NA REALIZAÇÃO DAS AMOSTRAGENS EM PROGRAMAS DE MIP RECONHECIMENTO DAS PRAGAS E DOS INIMIGOS NATURAIS COMPORTA- MENTO E BIOLOGIA AMOSTRAGEM NA SOJA ESTÁDIOS DA SOJA REGISTRO DOS DADOS

8 RECONHECIMENTO DOS INSETOS Pragas Inimigos Naturais

9 ESTÁDIOS NINFAIS DO Euschistus heros QUE CAUSAM DANOS À SOJA NINFAS 4º ínstar 3º ínstar 5º ínstar 3,63 mm (3,36 a 3,98) 5,52 mm (4,84 a 5,95) 8,63 mm (6,87 a 12,08)

10 Lagartas: COMPORTAMENTO DOS INSETOS Falsa-medideira período reprodutivo, normalmente, na parte mediana ou baixeira da planta Lagarta-da-soja período vegetativo e florescimento da soja parte superior Percevejos: Adultos: Na parte superior das plantas nos horários mais frescos do dia Formas jovens: agregadas e normalmente na parte mediana das plantas Na soja: no período do desenvolvimento de vagens ao enchimento de grãos 70 a 80% da população é composta por ninfas

11 NA CULTURA DA SOJA

12 MONITORAMENTO NA LAVOURA DE SOJA Exame de plantas Amostragem de solo de solo Pano-de-batida Pano-de-batida Insetos de solo Brocas Galhadores Helicoverpa Lagartas Percevejos Besouros Inimigos naturais

13 MÉTODOS DE AMOSTRAGENS Exame visual de plantas: - Método indicado para o monitoramento de brocas (C. aporema, E. zinckenella) e lagarta enroladeira (O. indicata) - Para a leitura da ocorrência de adultos de S. subsignatus - Utilizado para o levantamento de vários outros insetos durante a fase inicial do desenvolvimento das plantas Método não indicado para o monitoramento de percevejos sugadores

14 Monitoramento de percevejos em lavouras de soja Pano x Visual Nº percevejos / 2m E. heros: 63% D. melacanthus: 20% Acrosternum: 6,5 % Outros: 1 0,5% R2 R3 R5 Área 5 10/jan 20/jan 30/jan 09/fev 19/fev 01/mar 11/mar 21/mar 31/mar R6 V R7 V V Amostragens Dano Percevejo: (TZ1-8) = 16,0%; (TZ6-8) = 1,6% Fonte: Corrêa-Ferreira et al. 2009

15 MONITORAMENTO DA LAVOURA Pano-de-batida É fundamental na tomada de decisão de controle Auxilia no posicionamento correto das aplicações Frequência: 1 x /semana ou a cada 4 ou 5 dias nos períodos mais críticos Horário: períodos mais frescos do dia Período: até a maturação da soja (R7)

16

17 NÚMERO DE AMOSTRAS X TAMANHO DA ÁREA Área Número mínimo de pontos de amostragem 1,40 m < 10 ha 6 pontos 1 m 11 a 30 ha 8 pontos >100 ha 30 a 100 ha Dividir 10 pontos em talhões Percevejos: Contagem dos adultos + ninfas grandes (3º, 4º e 5º ínstar) Lagartas: registrar lagartas pequenas (< 1,5cm) e grandes (>1,5cm)

18 DIVISÃO DA ÁREA EM TALHÕES HOMOGÊNEOS: mesma cultivar; mesma época de plantio; mesmo solo; etc; QUANTO MENOR O TALHÃO MAIS PRECISO - porém mais trabalho de amostragem;

19 Exemplo de amostragem correta

20 Exemplo de amostragem não correta

21 Monitoramento da população de percevejos 67 percevejos / m Foto Coamo 67 percevejos Nível populacional: percevejos / m Foto Coamo População de percevejos concentrada na bordadura

22 Pano Vertical: Levantamento Georreferenciado: R4 R5 R6

23 Pano x Rede Amostragem de percevejos 35 Rede Pano Método mais eficiente para pequenos insetos, como dípteros e himenópteros

24 AMOSTRAS DE SOLO Método indicado para: - estimar populações de insetos de solo (corós, percevejo castanho) - estimar populações de S. subsignatus para a próxima safra, auxiliando os produtores a decidir sobre práticas de controle e rotação de cultura - preferencialmente, realizada nas linhas de soja - tamanho da amostra: variável em função do equipamento utilizado. É indicado amostras de 25cm de largura x 50 a 100cm de comprimento x 25cm de profundidade

25 AMOSTRAGEM PARA MOSCA BRANCA - Através de amostras de folíolos do terço médio - Contagem das ninfas - Especialmente a partir do florescimento da soja Fonte: Hirose, 2010

26 ARMADILHAS ATRATIVAS Feromônios para percevejos: - Método em ajustes e com potencial para o monitoramento - Apresenta alta eficiência de captura no período da chegada dos percevejos na área - Não captura formas jovens

27 Armadilha de feromônio para captura de mariposas Ferramenta útil como alerta da presença da praga Captura diferentes espécies Difícil correlacionar mariposas x nível de infestação de lagartas

28 Armadilha luminosa Coleta diferentes espécies de mariposas A coleta sofre interferência de vários fatores Não se tem ainda uma boa correlação das mariposas com a população de lagartas presente na lavoura

29 ARMADILHA COM URINA BOVINA Utilizada em áreas de soja orgânica Utilizada na bordadura da lavoura Captura a população colonizante, reduzindo a população infestante Captura grande quantidade de diferentes espécies de percevejos Maior eficiência na captura de adultos Captura mais fêmeas que machos Dose: 3L de urina+7l de água+500g de sal

30 CONTAGEM INDIRETA: NÚMERO DE PLANTAS ATACADAS Ex.: ataque de Elasmo ou tamanduá-da-soja PERCENTUAL DE DESFOLHA Ex.: ataque de lagartas desfolhadoras PERCENTUAL DE PONTEIROS OU VAGENS ATACADAS Ex.: ataque da broca dos ponteiros ou da broca das vagens

31 DESFOLHA Avaliação em diferentes pontos da lavoura O índice de desfolha deve sempre considerar a planta como um todo

32 DESFOLHA NA SOJA Foto: A.C.Santos Pela lagarta da soja Pela lagarta falsa-medideira

33 Amostragem para quantificar o dano nas vagens - Coleta de determinado número de vagens em diferentes pontos da área - Contagem do número de vagens danificadas em relação ao total de vagens colhidas Sadias Dano Helicoverpa Dano por outras lagartas

34 MONITORAMENTO x AMOSTRAGEM Para o MIP o registro das informações é fundamental: É fundamental na tomada de decisão Amostragens semanais com o uso do pano-de-batida Registro da população e do estádio das plantas Intensificar amostragens em períodos de maior ocorrência Densidade das pragas e dos inimigos naturais Índice de dano Estádio de desenvolvimento das plantas

35 Registro em fichas de amostragem Disponível:

36 DESCRIÇÃO DOS ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO DA SOJA (Fehr et al., 1971) ESTÁDIOS VEGETATIVOS V1 Folha completamente desenvolvida nó unifoliar V2 - Folha completamente desenvolvida nó primeiro nó acima do nó unifoliar V3 Três nós no caule principal, começando com o nó unifoliar Vn - N nós no caule principal, começando com o nó unifoliar V3

37 ESTÁDIOS REPRODUTIVOS FLORAÇÃO R1 Uma flor em qualquer nó R2 Flor em um dos 2 últimos nós da haste principal, com folha completamente desenvolvida. R1- Início floração R2 Floração plena

38 DESENVOLVIMENTO DE VAGENS R3 Vagem com 0,5cm em um dos 4 últimos nós da haste principal, com folha completamente desenvolvida R4 Vagem com 2cm em um dos 4 últimos nós da haste principal, com folha completamente desenvolvida R3 Inicio desenv. vagens R4 Final desenv. vagens

39 ENCHIMENTO DE GRÃOS R5 Grãos começando a se desenvolver (0,3cm) em um dos 4 últimos nós da haste principal, com folha desenvolvida R6 Vagens contendo grãos verdes completamente desenvolvidos em um dos 4 últimos nós da haste principal, com folha completamente desenvolvida R5 Início do enchimento de grãos R6 Final do enchimento de grãos

40 MATURAÇÃO R7 Vagens amarelando; 50% das folhas amarelas R8 95% das vagens de cor marrom. Maturação plena R7 Maturação fisiológica R8 Maturação de colheita

41 QUAL O RESULTADO DO MONITORAMENTO NAS LAVOURAS DE SOJA? CONHECER A DISTRIBUIÇÃO DAS PRAGAS ACOMPANHAR A FLUTUAÇÃO POPULACIONAL CONHECER O NÍVEL DE INFESTAÇÃO PRESENTE DECIDIR COM MAIS CRITÉRIO SOBRE AS MEDIDAS DE CONTROLE

42 FLUTUAÇÃO POPULACIONAL EM RELAÇÃO À FENOLOGIA Precoce x Semi-Precoce Nº de percevejos / m R6 R7 R7 R6 R5 NA R4 R5 R2 R4 R1 R2 R Amostragens V-Max BRS-258 Flutuação populacional de percevejos (ninfas grandes+adultos) em áreas de Soja sem controle, em Tarumã, SP.

43

44 CONSEQUÊNCIAS DO NÃO MONITORAMENTO 1. Pulverizar sem necessidade Desperdiça produto Maior impacto sobre os inimigos naturais Eleva os custos de produção 2. Pulverizar quando a praga já atingiu o NDE Dano já causado Reduz a produtividade Escape de espécies mais tolerantes

45 AMOSTRAGEM DE INSETOS Amostragens devem ser realizadas, semanalmente, em diversos pontos da lavoura Caminhamento, normalmente, em ziguezague Quando a densidade da praga estiver próxima do nível de controle é indicado repetir a amostragem em 3 ou 4 dias Além do número de insetos é importante também avaliar a injúria causada É fundamental fazer o registro dos dados

46 Obrigado b

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