Zona do Euro: PIB (100=1T2008) Zona do Euro Alemanha Espanha França Itália Portugal

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1 RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS Vendas do varejo e mercado de trabalho doméstico mostram sinais melhores na margem. Nossa expectativa é que a Selic será reduzida novamente em agosto para 7,50% e permaneça neste patamar nos próximos trimestres. O PIB da Zona do Euro no segundo trimestre deste ano teve retração de 0,2% frente ao trimestre anterior (com ajuste sazonal), vindo em linha com o consenso de mercado e levemente acima de nossa projeção (-0,5%). No primeiro trimestre de 2012 o PIB da região teve variação zero. A abertura dos dados por países no segundo trimestre mostrou que a diferença entre o crescimento da Europa central e da periférica persiste, apesar de sua baixa magnitude: as economias da Alemanha, Holanda e França tiveram variações de +0,3%, +0,2% e % respectivamente no período, ao passo que Portugal (-1,2%), Itália (-0,7%) e Espanha (-0,4%) mostraram queda em seus níveis de atividade. 102,0 101, ,0 98,0 97,0 96,0 95,0 94,0 93,0 92,0 Zona do Euro: PIB (100=1T2008) Fonte: EUROSTAT 1T08 2T08 3T08 4T08 1T09 2T09 3T09 4T09 1T10 2T10 3T10 4T10 1T11 2T11 3T11 4T11 1T12 2T12 Zona do Euro Alemanha Espanha França Itália Portugal 101,3 99,2 97,8 95,3 93,4 A despeito deste moderado recuo do PIB europeu no segundo trimestre, avaliamos que uma nova retração (-0,3%) está a caminho neste terceiro trimestre, impactada principalmente pelo enfraquecimento da economia alemã (reflexo do baixo dinamismo da economia mundial). Neste sentido, inclusive, vale citar que o indicador ZEW de confiança empresarial na Alemanha recuou de maneira expressiva em agosto para -25,5 pontos, abaixo da expectativa (-19,3) e do resultado de julho (-19,6), sinalizando que a confiança dos empresários do país segue deprimida no presente trimestre. Nossa projeção é de retração de 0,5% da economia do bloco em ,0 0,9 Zona do Euro: PIB (%QoQ) 0,8 0,7 0,6 0,4 0,2 0,4 0,3 0,2 0,1-0,2-0,4 Fonte: Eurostat -0,2-0,3 2T10 3T10 4T10 1T11 2T11 3T11 4T11 1T12 2T12 1

2 Avaliamos que este cenário de fraqueza econômica na região contribui para tornar ainda mais complexo o quadro de ajuste fiscal necessário à normalização das condições de financiamento das economias periféricas e, além disso, torna bastante provável a redução da taxa básica de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) em sua próxima reunião (agendada para 6 de setembro). E na esfera política o cenário também segue complexo. O foco do mercado deve voltar-se para a aprovação do ESM pela Corte Constitucional da Alemanha no próximo mês (12 de setembro) e também para o cumprimento do acordo entre a Grécia e os seus credores. Em resumo, o cenário para a Europa como um todo segue incerto ainda que a promessa de ação por parte do BCE no mercado de títulos soberanos continue mitigando o risco de grande deterioração no curto prazo. Por outro lado, nos EUA, as vendas varejistas aceleraram em julho, mostrando ganho mensal de 0,8%, acima da retração de 0,7% apurada em junho e também superando o consenso de mercado (+0,3%). Houve crescimento mensal em diversas atividades pesquisadas, tais como combustíveis, veículos e materiais de construção. Mais importante, o núcleo das vendas varejistas (grupo de controle do PIB) também subiu de forma expressiva em julho (+0,90%), vindo de -0,20% no mês anterior e acima da expectativa (+0,5%). Com isso, avaliamos que o consumo das famílias deve exercer contribuição relevante para o PIB no terceiro trimestre, ajudado também pelo efeito defasado da queda dos preços de energia. Já a produção industrial nos EUA aumentou em 0,6% em julho (em linha com o esperado, 0,5%), vindo de 0,1% no mês anterior e contando com forte aceleração da produção de veículos e partes (+3,3%). Mantemos nossa projeção de 1,7% para o PIB dos EUA em ,20% 0,90% 0,60% 0,30% 0% -0,30% -0,60% -0,90% Vendas no Varejo nos EUA (MM3M %) 1,10% 0,84% 0,21% 0,27% Fonte: Bloomberg, BRAM 0,25% -2% -0,10% Produção Industrial nos EUA 105,0 Fonte: Bloomberg , , jan-00 jan-01 jan-02 jan-03 jan-04 jan-05 jan-06 jan-07 jan-08 jan-09 jan-10 jan-11 jan-12 Total Total (ex-autos) Discricionário Total Manufatura Quanto à inflação nos EUA, o CPI teve variação zero pelo segundo mês consecutivo em julho e o PPI (preços atacadistas) acelerou de 0,1% para 0,3% entre junho e julho. Em linhas gerais, a inflação não representa restrição para os próximos passos do Federal Reserve em termos de política monetária. Avaliamos que o FOMC manterá sua postura acomodatícia até fins de 2014, tal como explícito em seus últimos documentos e, em nossa visão, o desempenho do mercado de trabalho norte-americano será crucial para a implementação (ou não) de eventual afrouxamento quantitativo (QE3) em sua próxima reunião do FOMC (13 de setembro). Neste sentido, os dados de auxílio desemprego (média móvel de quatro semanas) têm recuado de forma consistente nos últimos dois meses, sugerindo alguma melhora no mercado de trabalho na margem. Com isso, avaliamos que é baixa a probabilidade de implementação de um QE3 em setembro. 2

3 jan Fonte: Bloomberg, BRAM mar-10 jun-10 Novos Pedidos Auxílio Desemprego (em milhares) set-10 dez-10 Novos Pedidos 402 fev-11 mai ago-11 nov-11 jan abr-12 Média Móvel 4 Semanas 387 jul Já no Brasil, a atividade econômica mostrou algum sinal de recuperação na margem: as vendas varejistas restritas tiveram alta de 1,5% em junho sobre maio (com ajuste sazonal) e as vendas ampliadas, que incluem material de construção e veículos, cresceram em 6,1% nesta mesma base. A expectativa de mercado e a nossa projeção estavam em -0,2% para o indicador restrito. Entre as dez atividades pesquisadas pelo IBGE, nove mostraram aumento de vendas no período, com destaque para veículos (+16,4%) e móveis e eletrodomésticos (+5,3%). O ramo dos supermercados também cresceu (+0,7%), apontando para a solidez do consumo doméstico no segundo trimestre de Com este resultado, o IBC-BR (PIB mensal estimado pelo Banco Central do Brasil) aumentou em 0,75% em junho, vindo de -1% em maio. Esta trajetória é compatível com um crescimento em torno de 0,4% para o PIB (IBGE) no segundo trimestre (nossa projeção é de alta de 0,6%) e, além disso, colabora também para um patamar de retomada importante no terceiro trimestre (para o qual projetamos aumento de 1,1% na margem) em função do efeito carry over, que deve contratar +0,50% de variação (tudo mais constante). Mantemos nossa expectativa de crescimento de 1,7% para o PIB do Brasil em Ou seja, em nossa visão, os indicadores de atividade devem ser mais fortes no segundo semestre de 2012 quando comparados com a primeira metade do ano. 7,0 Vendas Varejo 6,0 MoM (%) 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0-1,0-2,0 Restrita Ampliada Os dados do CAGED referentes a julho também surpreenderam para cima. A geração de empregos no mês foi de postos, superior ao resultado de junho ( ) e também acima do consenso de mercado (93.750). O resultado com ajuste sazonal elevou-se de 64 mil postos para 94 mil postos no período, sugerindo alguma melhora do mercado de trabalho doméstico na margem. Julgamos que a ocupação seguirá crescendo nos próximos trimestres em função dos diversos estímulos à demanda agregada que foram implementados na economia doméstica. Em nosso cenário básico, a taxa de desemprego (IBGE) ajustada pela sazonalidade deve ficar ao redor de 5,7% ao longo do segundo semestre de Apesar destas surpresas com a atividade na margem, mantemos o nosso call de mais uma redução adicional da taxa Selic na próxima reunião do COPOM (em 29 de agosto), levandoa para 7,50% a.a., patamar em que deve permanecer nos próximos trimestres. 3

4 Além disso, na última semana, o Governo Federal anunciou o Programa de Investimentos em Logística, que pretende melhorar a infra-estrutura do país ao longo das próximas décadas, reduzindo o custo dos transportes. Este programa prevê R$ 133 bilhões de investimentos nos próximos 25 anos em ferrovias e rodovias e engloba a concessão de km de rodovias ao setor privado e a construção e operação de km de ferrovias através de parcerias público-privadas. Além disso, os portos e aeroportos também serão contemplados em outras rodadas futuras do pacote. Em nossa avaliação este programa tende a melhorar o ambiente de negócios no país e constitui medida na direção correta em favor da elevação da competitividade do país no médio prazo. Seus efeitos na economia real, entretanto, devem ser sentidos apenas a partir da segunda metade de As referidas surpresas com a atividade, contudo, fizeram a curva de juros deslocar-se para cima na última semana. As taxas dos contratos de DI com vencimento em janeiro de 2013, 2014 e 2017 subiram respectivamente em +1 p.p., +7 p.p. e +5 p.p. no período. A cotação do Dólar, por sua vez, permaneceu estável ao redor de R$ 2,02 / US$, sendo que o CRB (em US$) também mostrou estabilidade semelhante. Na próxima semana, o calendário internacional será marcado pelos PMI s da China e dos países da Zona do Euro referentes a agosto, além da Ata da última reunião do FOMC. No quadro doméstico, teremos o IPCA-15 de agosto e os indicadores de confiança da indústria e do consumidor (agosto). Para o IPCA-15 de agosto projetamos alta de 0,34%, estável frente ao mês anterior (0,33%). Confirmado nosso número, o IPCA-15 interanual aumentará para 5,31% (de 5,24% em julho). 4

5 INDICADORES DE MERCADO 9,5 9,0 8,5 8,0 7,5 7,0 7,29 7,28 Estrutura a Termo de Juros no Brasil (Vértices DI) - % 7,89 7,82 9,30 9,25 DI Jan13 DI Jan14 DI Jan17 4,0 3,5 3,0 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 Yield da NTN-B (%) 3,45 3,58 2,70 2,52 NTN-B 2014 NTN-B /8/ /8/ /8/ /8/2012 Moedas¹ Cotação Variação Semanal Mês Ano 12 Meses Franco Suíço 0,97 0,55% 0,46% -3,48% -18,29% Euro 1,24 0,55% 0,43% -4,66% -13,79% Libra 1,57 0,15% 0,23% 1,10% -4,86% Dolar Canadense 0,99 0,28% 1,50% 3,34% 0,22% Dolar Australiano 1,04-1,31% -0,62% 2,24% 0,45% Rublo Russo 31,92-0,36% 0,87% 0,67% -8,85% Iene (Japão) 79,44-1,46% -1,66% -3,18% -3,60% Yuan (China) 6,36 3% 5% -1,00% 0,47% India 55,75-0,83% -0,16% -4,81% -17,93% Real 2,02-0,11% 1,93% -7,49% -20,75% Peso Chileno 483,45-0,90% -0,22% 7,47% -2,70% Peso Mexicano 13,21-0,95% 0,91% 5,51% -7,16% Peso Colombiano 1819,30-1,58% -1,49% 6,55% -2,33% Sol Peruano 2,61 0,10% 0,46% 3,15% 4,87% Lira Turca 1,80-1,01% -0,29% 5,03% -0,88% Commodities, Juros e Risco Cotação Variação Semanal Mês Ano 12 Meses CRB 487,4-0,12% 1,37% 1,12% -9,72% CRB (em Reais) 983,3-4% -0,58% 9,27% 13,89% Petróleo BRENT 116,9 2,17% 9,67% 7,56% 8,31% Libor USD 3m 0, ,15 0,14 Libor EUR 3m 0, ,02-1,20 Título 10 anos Itália 5, ,27-1,29 0,86 Título 10 anos Alemanha 1,52 0,13 0,23-0,31-0,57 Título 10 anos EUA 1,82 0,16 0, ,25 CDS Brasil 5 anos VIX 14,3-0,5-4,6-9,1-28,4 Bolsas² Cotação Variação Semanal Mês Ano 12 Meses S&P 500 Index 1.415,5 0,69% 2,62% 12,56% 24,10% Dow Jones ,1 0,32% 1,86% 8,45% 20,56% CAC (França) 3.479,7 1,28% 5,71% 10,12% 13,12% DAX (Alemanha) 7.018,7 1,07% 3,64% 18,99% 25,27% FTSE 100 (Inglaterra) 5.841,7-9% 3,66% 4,83% 14,72% Nikkei 225 (Japão) 9.162,5 3,05% 5,38% 8,36% 2,45% Shangai (China) 2.215,2-2,49% 0,51% -3,86% -17,36% Ibovespa ,8 0,28% 5,97% 4,74% 11,88% Dados atualizados às 10:30 (1) Variações positivas das moedas significam valorização em relação ao dólar (2) Índices acionários medidos em moeda local 5

6 CALENDÁRIO E PROJEÇÕES Data Evento País Período BRAM Consenso Anterior 20 a 24 ago - Arrecadação Federal Brasil JUL $81107 Segunda 20-ago 08:00 Confiança da Indústria - Prévia Brasil AGO :30 Índice de Atividade Chicago Fed EUA JUL ,00% Terça 21-ago - CNI - Confiança da Indústria Brasil JUL SERASA - Indicador de Cheque sem Fundo Brasil JUL Quarta 22-ago 09:00 IPCA-15 (M/M) Brasil AGO 0,34% 0,38% 0,33% 11:00 Pedido de Hipotecas (MBA) EUA JUL - - 3,00% -5,40% 15:00 Ata do FOMC EUA :30 PMI - HSBC China AGO ,3 Quinta 23-ago 04:30 Confiança da Indústria PMI (Prévia) Alemanha AUG ,0 05:00 PMI Composto Z. Euro AGO ,5 09:00 Taxa de Desemprego Brasil JUL 5,70% :30 Conta Corrente Brasil JUL $4419M 10:30 Investimentos Estrangeiros Diretos Brasil JUL $5822M 11:00 Confiança do Consumidor Z. Euro AGO ,5 11:00 Vendas de Casas Novas (M/M) EUA JUL - - 3,40% -8,40% Sexta 24-ago 08:00 Confiança do Consumidor - FGV Brasil AGO ,6 09:30 Pedidos de Bens Duráveis ex Transportes EUA JUL - - 0,50% -1,10% 09:30 Pedidos de Bens Duráveis EUA JUL - - 2,10% 1,60% 09:30 Pedidos Bens de Capital ex Defesa e Aviação EUA JUL ,40% Projeções Macroeconômicas - BRAM PIB (% ao ano) -0,3% 7,5% 2,7% 1,7% 4,5% Taxa de Inflação - IPCA (% a.a.) 4,3% 5,9% 6,5% 5,1% 5,3% Taxa de Inflação - IGP-M (% a.a.) -1,7% 11,3% 5,1% 7,8% 4,7% Taxa Selic (final do ano) 8,75% 10,75% 11,00% 7,50% 9,00% Taxa Selic (média do ano) 9,92% 10% 11,75% 8,52% 8,06% R$/US$ média do ano 1,99 1,76 1,67 1,92 1,90 R$/US$ final do ano 1,74 1,67 1,83 1,92 1,90 Exportações (US$ bilhões) 153,0 201,9 256,0 254,0 283,0 Importações (US$ bilhões) 127,6 181,6 226,2 238,0 253,0 Balança Comercial (US$ bilhões) 25,4 20,3 29,8 16,0 3 Balanço em Conta-Corrente (US$ bilhões) -24,3-47,4-52,6-53,0-65,0 Balanço em Conta-Corrente (% do PIB) -1,6-2,3-2,2-2,3-2,6 Superávit Primário (% PIB) 2,1 2,8 3,15 2,8 3,0 Dívida Líquida (% PIB) 43,0 42,5 36,4 36,0 34,5 6

7 FERNANDO HONORATO BARBOSA Economista-chefe MIRELA SCARABEL DANIEL XAVIER FRANCISCO THIAGO NEVES PEREIRA HUGO RIBAS DA COSTA Tel.: Material produzido em 17/08/2012 às 12h00 Outras edições estão disponíveis no Site: item Informações aos Investidores / Nossa visão / Informativos de Macroeconomia. As opiniões, estimativas e previsões apresentadas neste relatório constituem o nosso julgamento e estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio, assim como as perspectivas para os mercados financeiros, que são baseadas nas condições atuais de mercado. Acreditamos que as informações apresentadas aqui são confiáveis, mas não garantimos a sua exatidão e informamos que podem estar apresentadas de maneira resumida. Este material não tem intenção de ser uma oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. BRAM - Bradesco Asset Management é a empresa responsável pela atividade de administração de recursos de terceiros do Banco Bradesco S.A. BRAM - Bradesco Asset Management - Todos os direitos reservados. 7

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