PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5.ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ MARIA LUCENA

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1 APELANTE APELADO ADV/PROC REMTE ORIGEM RELATOR : FAZENDA NACIONAL : SUASSUNA CORRETORA E ADMINISTRADORA DE SEGUROS LTDA : MÁRIO DE GODOY RAMOS e outro : JUÍZO DA 12ª VARA FEDERAL DE PERNAMBUCO (RECIFE) : 12ª VARA FEDERAL DE PERNAMBUCO : DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ MARIA LUCENA E M E N T A TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. SOCIEDADE CORRETORA DE SEGUROS. ROL DO 1º, DO ART. 22, DA LEI Nº 8.212/91. NÃO ENQUADRAMENTO. COFINS. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. DESCABIMENTO. ADOÇÃO DA TÉCNICA DA MOTIVAÇÃO REFERENCIADA ( PER RELATIONEM ). AUSÊNCIA DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ENTENDIMENTO DO STF. 1. Cuida-se de apelação cível e de remessa obrigatória de sentença que concedeu a segurança para determinar que a impetrada se abstenha de tributar a COFINS com majoração prevista para as pessoas jurídicas constantes do rol do 1º, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, bem como para autorizar, após o trânsito em julgado, a compensação dos valores eventualmente recolhidos indevidamente com tributos recolhidos pela Secretaria da Receita Federal (excetuados os do art. 11, parágrafo único, a, b e c, da Lei nº 8.212/91), atualizados pela SELIC (que também engloba os juros de mora), respeitada a prescrição quinquenal 2. A mais alta Corte de Justiça do país já firmou entendimento no sentido de que a motivação referenciada ( per relationem ) não constitui negativa de prestação jurisdicional, tendo-se por cumprida a exigência constitucional da fundamentação das decisões judiciais. Adota-se, portanto, os termos da sentença como razões de decidir. 3. (...) O cerne da questão reside no enquadramento da impetrante no rol art. 22, 1º, da Lei nº 8.212/91, para fins de submissão ao recolhimento da COFINS na alíquota majorada de 4%. 4. (...) A interpretação da impetrada, arrimada no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 17, de 23/12/2011 e na Solução de Divergência COSIT nº 26, de 24/11/2011, é de que a impetrante, na condição de sociedade corretora de seguros, estaria enquadrada na expressão "sociedades corretoras", contida na enumeração acima. Entendo, "data venia", que a impetrante não se enquadra no conceito de "sociedades corretoras", porque, estando tal expressão, no dispositivo, em meio àquelas que envolvem pessoas jurídicas que atuam no mercado financeiro, somente poderia estar a se referir a corretoras que lidam com bens negociáveis no mercado financeiro, dentre as quais a impetrante não se inclui. Observe-se que, caso as apólices de seguro constituíssem "produto eminentemente financeiro", como aduz a impetrada, seria natural que as corretoras de seguro sofressem fiscalização do Banco Central, o que não é o caso. A entidade responsável pela sua fiscalização, contrariamente, é a SUSEP. 1

2 O art. 22, 1º, portanto, está a se referir às sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, cuja definição também pode ser encontrada no site do BACEN. Conquanto também haja, no dispositivo, menção aos "agentes de seguros privados", também neste conceito a impetrante não se enquadra. Estes (os agentes) têm sua atividade regulamentada pela Lei nº 4.883/1995 (que trata dos representantes comerciais), ao passo que a impetrante tem sua atividade regulamentada pelo DL nº 73/1996, que trata do Sistema Nacional de Seguros Privados (v. art. 122 e seguintes). 5. (...) Dessa forma, não se enquadrando a impetrante no rol do 1º, do art. 22, da Lei 8.212/91, descabe a majoração da alíquota da COFINS para 4%. 6. Precedentes: (AGRESP , Benedito Gonçalves, STJ - Primeira Turma, DJE Data:06/09/2011); (APELREEX28396/PE, Relator: Desembargador Federal Manoel Erhardt, TRF5 - Primeira Turma, Julgamento: 31/10/2013, Publicação: DJE 07/11/2013) Apelação e remessa obrigatória improvidas. A C Ó R D Ã O Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Primeira Turma do egrégio Tribunal Regional Federal da 5.ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa obrigatória, nos termos do relatório e voto constantes dos autos, que integram o presente julgado. Recife, 24 de julho de 2014 (data do julgamento). JOSÉ MARIA LUCENA, Relator. 2

3 R E L A T Ó R I O O Desembargador Federal JOSÉ MARIA LUCENA (Relator): Cuida-se de apelação cível e de remessa obrigatória de sentença da lavra da MM. Juíza Federal da 12ª Vara/PE que concedeu a segurança para determinar que a impetrada se abstenha de tributar a COFINS com majoração prevista para as pessoas jurídicas constantes do rol do 1º, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, bem como para autorizar, após o trânsito em julgado, a compensação dos valores eventualmente recolhidos indevidamente com tributos recolhidos pela Secretaria da Receita Federal (excetuados os do art. 11, parágrafo único, a, b e c, da Lei nº 8.212/91), atualizados pela SELIC (que também engloba os juros de mora), respeitada a prescrição quinquenal. A União/Fazenda Nacional, em suas razões de apelação, às fls. 186/194, pugna pela reforma da r. sentença ao argumento de que a sociedade corretora de seguros enquadra-se no conceito de correta de seguro, razão pela qual a legalidade da aplicação da alíquota majorada da COFINS de acordo com o art. 18 da Lei nº /03. recurso. Contrarrazões apresentadas, às fls. 200/215, pelo improvimento do RELATEI. 3

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5 V O T O O Desembargador Federal JOSÉ MARIA LUCENA (Relator): Considerando que a mais alta Corte de Justiça do país já firmou entendimento no sentido de que a motivação referenciada ( per relationem ) não constitui negativa de prestação jurisdicional, tendo-se por cumprida a exigência constitucional da fundamentação das decisões judiciais 1, adoto como razões de decidir os termos da sentença, que passo a transcrever: O cerne da questão reside no enquadramento da impetrante no rol art. 22, 1º, da Lei nº 8.212/91, para fins de submissão ao recolhimento da COFINS na alíquota majorada de 4%. Dispõe o art. 22, 1º da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 22. (...) 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. Grifei. A interpretação da impetrada, arrimada no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 17, de 23/12/2011 e na Solução de Divergência COSIT nº 26, de 24/11/2011, é de que a impetrante, na condição de sociedade corretora de seguros, estaria enquadrada na expressão "sociedades corretoras", contida na enumeração acima. Entendo, "data venia", que a impetrante não se enquadra no conceito de "sociedades corretoras", porque, estando tal expressão, no dispositivo, em meio àquelas que envolvem pessoas jurídicas que atuam no mercado financeiro, somente poderia estar a se referir a corretoras que lidam com bens negociáveis no mercado financeiro, dentre as quais a impetrante não se inclui. Observe-se que, caso as apólices de seguro constituíssem "produto eminentemente financeiro", como aduz a impetrada, seria natural que as corretoras de seguro sofressem fiscalização do Banco Central, o que não é o caso1. A entidade responsável pela sua fiscalização, contrariamente, é a SUSEP. 1 Precedentes do STF: AI AgR, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 20/11/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-241 DIVULG PUBLIC ; AI AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 29/05/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-119 DIVULG PUBLIC ; e AI AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 28/02/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-056 DIVULG PUBLIC

6 O art. 22, 1º, portanto, está a se referir às sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, cuja definição também pode ser encontrada no site do BACEN 2. Conquanto também haja, no dispositivo, menção aos "agentes de seguros privados", também neste conceito a impetrante não se enquadra. Estes (os agentes) têm sua atividade regulamentada pela Lei nº 4.883/1995 (que trata dos representantes comerciais), ao passo que a impetrante tem sua atividade regulamentada pelo DL nº 73/1996, que trata do Sistema Nacional de Seguros Privados (v. art. 122 e seguintes). A respeito do tema, confira-se o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COFINS. EMPRESAS CORRETORAS DE SEGUROS. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PARA 4%. INAPLICABILIDADE. DIFERENÇA ENTRES OS TERMOS "SOCIEDADES CORRETORAS DE SEGUROS" E "EMPRESAS CORRETORAS DE SEGUROS" E "AGENTES AUTÔNOMOS DE SEGUROS PRIVADOS". NÃO INCIDÊNCIA DA ALÍQUOTA MAJORADA. PRECEDENTES. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Hipótese na qual se discute a majoração da alíquota da COFINS de 3% para 4% sobre o faturamento das corretoras de seguros. 2. O Tribunal de origem decidiu pela não incidência da majoração ao fundamento de que não há como equiparar as corretoras de seguros, como no caso dos autos, às pessoas jurídicas referidas no 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, que são as sociedades corretoras e os agentes autônomos. 3. O entendimento desta Corte, já aplicado quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, é no mesmo sentido, de que as empresas corretoras de seguros, cujo objeto social se refere às atividades de intermediação para captação de clientes (segurados), não se enquadram no conceito de sociedades corretoras, previsto no art. 22, 1º, da Lei nº 8.212, porquanto estas destinam-se à distribuição de títulos e valores mobiliários. Da mesma forma, não existe equivalência entre o conceito de corretor de seguros e o de agente autônomo de seguros privados, cujas atividades são disciplinadas pelos regimes jurídicos estabelecidos, respectivamente, no Decreto-Lei 73/1966 e na Lei 4.886/1965, conforme já delineado no julgamento do REsp /PR. 4. Agravo regimental não provido. (AGRESP , BENEDITO GONÇALVES, STJ - PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:06/09/2011). Transcrevo, na sequência, trecho do voto do relator Min. Benedito Gonçalves, nos autos do mencionado AgRg no REsp Pelo que se infere das normas citadas, não há como equiparar as corretoras de seguros, como no caso dos autos, às pessoas jurídicas referidas no 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, para os fins de majoração da contribuição previdenciária. No ponto, há que se distinguir corretoras de seguros, sociedades corretoras e, por fim, os agentes autônomos. As corretoras de seguros são meras intermediárias da captação de eventuais segurados, ou seja, da captação de interessados na realização de seguros. 6

7 Já as sociedades corretoras são aquelas autorizadas pelo governo federal, às quais compete a intermediação obrigatória para a concretização dos negócios jurídicos realizados nas bolsas de mercadorias e futuros. Nesse compasso, as sociedades corretoras são aquelas cuja atividade é típica das instituições financeiras ou a elas equiparadas, dentre as quais não se enquadram, de regra, as corretoras de seguros. Também não se confundem com agentes autônomos de seguros privados, os quais extraímos seu conceito legal no art. 722 do Código Civil. Vejamos: Art Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Situação ainda diversa é aquela traduzida pelo agenciamento, cuja conceituação se extrai do Código Civil, verbis: Art Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. Logo, a expressão "sociedades corretoras" encontrada no 1º do art. 22 da Lei 8.212/91, por seu turno, não pode abarcar toda e qualquer empresa sujeita a contrato de corretagem. Mister a verificação do tipo de corretora que se está a tratar. (Grifei.) Destarte, inaplicável às corretoras de seguros a majoração de alíquota prevista no art. 18 da Lei /03, já que não constam do rol de pessoas jurídicas supracitado. Essa mesma diferenciação já foi decidida quando da análise da majoração da contribuição social sobre o lucro líquido, inteligência essa no todo aproveitável à COFINS, porque se utilizam do mesmo conceito, com remissão ao mesmo dispositivo, art. 22, 1º da Lei 8.212/91. Confira-se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO. EXEGESE DO ART. 22, 1º, DA LEI 8.212/91. O TERMO "SOCIEDADES CORRETORAS DE SEGUROS" DIFERE DE "AGENTES AUTÔNOMOS DE SEGUROS PRIVADOS". NÃO INCIDÊNCIA DE ALÍQUOTA MAJORADA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. (REsp /PR, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2009, DJe 10/12/2009) 7

8 Por fim, frise-se que o objeto social da impetrante, constante à fl. 29 dos autos3, confirma a sua atuação como mera intermediária da captação de pessoas interessadas na realização de seguros, pelo que a expressão "empresas de seguros privados" também não lhe abarca. Dessa forma, não se enquadrando a impetrante no rol do 1º, do art. 22, da Lei 8.212/91, descabe a majoração da alíquota da COFINS para 4%. Transcreve-se, abaixo, julgado desta e. Turma nesse mesmo sentido sobre a matéria em análise. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. ART. 22, PARÁGRAFO PRIMEIRO, DA LEI Nº 8.212/91. MAJORAÇÃO DA ALIQUOTA DO COFINS DE 3% PARA 4%. IMPOSSIBILIDADE. EMPRESA NÃO FAZ PARTE DO ROL DAS PESSOAS JURÍDICAS INSERTAS NO ART. 22, PARÁGRAFO 1º, LEI Nº 8.212/91. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. TRÂNSITO EM JULGADO. POSSIBILIDADE. ADOÇÃO DA TÉCNICA DA MOTIVAÇÃO REFERENCIADA ("PER RELATIONEM"). APELAÇÃO IMPROVIDA. 1. Trata-se de apelação cível contra sentença (fls. 166/169-V), em sede de mandado de segurança, que concedeu a segurança requestada, para determinar que o FISCO se abstenha de tributar a COFINS com a majoração prevista para pessoas jurídicas constantes do rol do parágrafo 1º, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, assim como que se proceda a compensação dos valores indevidamente recolhidos, após o trânsito em julgado, com atualização via taxa SELIC. 2. A mais alta Corte de Justiça do país já firmou entendimento no sentido de que a motivação referenciada ("per relationem") não constitui negativa de prestação jurisdicional, tendo-se por cumprida a exigência constitucional da fundamentação das decisões judiciais. Adota-se, portanto, os termos da sentença como razões de decidir. 3. Com efeito, os fundamentos expostos na sentença monocrática restam irretocáveis, pois indica-se que a empresa impetrante/apelada não se enquadra no rol do parágrafo 1º, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, ou seja, difere daquelas classificadas como "sociedades corretoras", descabendo, portanto, a majoração da alíquota de COFINS de 3% para 4%, observando-se que tais entidades integrantes da relação disposta no art. 22, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91, são as consideradas pessoas jurídicas que atuam no mercado financeiro em relação aos bens negociáveis, não sendo, portanto, o caso da impetrante/apelada, que atua como mera intermediadora da captação de pessoas interessadas na realização de seguros. Ademais, a sentença autoriza que se proceda a compensação dos valores indevidamente recolhidos, após o trânsito em julgado, com atualização via taxa SELIC. 4. Apelação improvida. (PROCESSO: , APELREEX28396/PE, RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL MANOEL ERHARDT, Primeira Turma, JULGAMENTO: 31/10/2013, PUBLICAÇÃO: DJE 07/11/ Página 120) obrigatória. Por tais argumentos, nego provimento à apelação e à remessa ASSIM VOTO. 8

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