REFORMA TRABALHISTA LEI Nº , DE 13 DE JULHO DE 2017

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1 REFORMA TRABALHISTA LEI Nº , DE 13 DE JULHO DE 2017 André Luís Saraiva Vice-Presidente de Relações do Trabalho e Sindical 1

2 As Relações do trabalho são reconhecidamente diferenciais para o crescimento, a produtividade e o desenvolvimento de qualquer país. O desafio de fazer com que as relações de trabalho privilegiem o diálogo e confiram segurança jurídica para os envolvidos é também o desafio de garantir sustentabilidade para as empresas, competitividade no mercado nacional e internacional e de estimular a geração de mais e melhores empregos. Há bastante tempo o Brasil já precisava ter enfrentado esse desafio, pois a CLT, criada na década de 1940, apesar de sua motivação e importância na época para consolidar direitos e proteger os trabalhadores, há muito não atendia às demandas das novas formas de trabalhar e produzir nesses mais de 70 anos. A Lei n /2017 tem extrema relevância e representa um avanço para a modernização das relações do trabalho no Brasil, ainda que esteja sujeita a aperfeiçoamentos. Dos 922 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), foram alterados 54, inseridos 43 novos e revogados 9 um total de 106 dispositivos. Além disso, na Lei n /1974, no que se refere à regulamentação da Terceirização, foram alterados 2 artigos e inseridos 3 novos. Ainda foram realizados alguns ajustes pontuais na legislação e tudo isso resultou, enfim, em 114 artigos entre inseridos e alterados. 2

3 Dentre as principais novidades trazidas pela lei estão a prevalência do negociado sobre o legislado, o fim da ultratividade dos instrumentos coletivos, a exclusão do cômputo das horas in itinere na jornada de trabalho, a regulamentação do teletrabalho e do trabalho intermitente e a previsão de que a contribuição sindical passa a ser facultativa. Tudo isso mantendo os direitos fundamentais dos trabalhadores, tais como férias, 13º, licença-maternidade e paternidade, seguro desemprego, FGTS e aposentadoria. Com a nova lei se abre um horizonte de mais segurança jurídica e cooperação, proporcionando a melhoria do ambiente de negócios, o que contribuirá com o crescimento econômico, beneficiando as empresas, os empregados, enfim, o Brasil. A seguir, comentamos algumas das alterações promovidas pela lei, que entrará em vigor em 120 dias a partir da publicação (11 de novembro de 2017). 3

4 PONTOS PRINCIPAIS Não se considera tempo de trabalho o período em que o empregado ficar dentro da empresa para atividades particulares, para descanso, práticas religiosas, estudo, lazer, alimentação, higiene pessoal e troca de roupa não obrigatória (art. 4º) Súmulas de TST e TRT não podem restringir direitos previstos em lei e não podem criar obrigações não previstas em lei (art. 8º) A análise de normas coletivas deve se limitar aos seus aspectos formais, observando o princípio de intervenção mínima na autonomia privada coletiva Tempo usado pelo empregado no deslocamento de sua residência até ocupação do posto de trabalho em qualquer meio de transporte, inclusive aquele fornecido pelo empregador, não será computado na jornada (fim da hora in itinere) (art. 58) Dano extrapatrimonial contra o empregado ou contra o empregador, com limitação do valor da indenização (de três a 50 salários conforme o dano) (art. 223) 4

5 Banco de horas por acordo individual escrito, com compensação em seis meses no máximo (art. 59) Teletrabalho, realizado preponderantemente fora das dependências do empregador, com o uso de tecnologias de informação e comunicação, com previsão expressa no contrato de trabalho e sem estar submetido ao regime de horas extras ou horas noturnas (como cargos de confiança e funções externas) (arts. 62 e 75) A falta de concessão do intervalo intrajornada dá direito ao pagamento apenas do período suprimido, na forma de indenização (art. 71) Contrato intermitente para prestação de serviços não contínuos, com alternância de períodos de prestação de serviços, em horas, dias ou meses, independentemente da atividade do empregador, de forma escrita, sendo que o período sem trabalho não é tempo à disposição, e com salário não inferior ao mínimo ou ao do empregado equivalente (art. 443) 5

6 Não são salariais mesmo que pagas com habitualidade a ajuda de custo, o auxílio alimentação (vedado o pagamento em dinheiro), as diárias para viagem e prêmios e abonos. Os prêmios são liberalidades, em dinheiro, bens ou serviços, pagas para um ou mais empregados, por desempenho superior ao esperado (art. 457) Não há mais obrigatoriedade de homologação da rescisão do contrato de trabalho no sindicato, independentemente do tempo do vínculo (art. 477) Não há diferença entre dispensas individuais, plúrimas ou coletivas, que podem ocorrer sem necessidade de prévia autorização do sindicato profissional ou celebração de acordo ou convenção coletiva de trabalho (art. 477) Desligamento por acordo, com 50% do aviso prévio, 50% da indenização do FGTS, totalidade das demais verbas rescisórias, movimentação de até 80% dos depósitos do FGTS e sem seguro desemprego (art. 484) 6

7 Representação dos empregados, por meio de Comissão eleita nas empresas com mais de 200 empregados, com estabilidade para seus membros e com a finalidade de aprimorar o relacionamento, de promover o diálogo, de buscar soluções, de assegurar tratamento justo e imparcial, de encaminhar reivindicações e acompanhar a aplicação de normas (art. 510) Eliminação da contribuição sindical obrigatória (empregados, empresas, profissionais liberais, avulsos) e os interessados devem autorizar o desconto da contribuição (arts. 545, 578, 582, 583, 587, 602) Prevalência da negociação sobre a legislação sobre algumas matérias exemplificativas (jornadas, banco de horas, redução de intervalo, cargos de confiança, remuneração por produtividade, regulamento de empresa, sobreaviso, grau de insalubridade) (art. 611) Matérias proibidas na negociação (proteção ao salário, FGTS, INSS, IR, adicional de 50% para hora extra, seguro desemprego, normas de higiene, saúde e segurança, acidentes, férias) 7

8 Proibição da ultratividade das normas coletivas e prevalência dos acordos coletivos sobre convenções coletivas de trabalho (art. 614 e 620) Limitação das custas processuais, de 2% a um máximo de quatro vezes o teto de benefícios da previdência (R$22.125,24) (arts. 775 e 789) Honorários de sucumbência de 5% a 15% sobre a liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou sobre o valor atualizado da causa (art. 791) O preposto da empresa não precisa ser empregado da reclamada (art. 843) Correção de débitos trabalhistas pela TR (art. 876) Permissão expressa para terceirização de quaisquer atividades da tomadora, inclusive as principais, mas sem exigência de subordinação e com quarentena de 18 meses (Lei nº 6.019/74) 8

9 REFORMA TRABALHISTA E SEUS EFEITOS NAS NEGOCIAÇÕES COLETIVAS Aumento das situações que não exigem mais a participação do sindicato laboral: Compensação de jornadas e banco de horas Estipulação de jornadas e de horários de trabalho Remuneração por desempenho (PLR) Redução do poder de negociação dos sindicatos laborais Esse ano será atípico com provável aumento de tensões com as empresas com o apelo para as movimentações e greves objetivando o acordo ou dissídio coletivo Necessidade de se evitar a exposição das empresas em acordos coletivos de trabalho e focar no Interesse de valorizar as convenções coletivas de trabalho nesse primeiro momento. 9

10 DESTAQUES DA SEMANA 10

11 Muito obrigado!!! André Luís Saraiva Vice-Presidente de Relações do Trabalho e Sindical 11

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