CONFIGURAÇÃO E INSERÇÃO NO MERCADO INTERNACIONAL DE DOIS SISTEMAS PRODUTIVOS LOCAIS.

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1 CONFIGURAÇÃO E INSERÇÃO NO MERCADO INTERNACIONAL DE DOIS SISTEMAS PRODUTIVOS LOCAIS. A Experiência dos Agrupamentos Vitícolas de Petrolina (Brasil) e Tierra Amarilla (Chile).

2 Estrutura do Trabalho: 1. Integrando as Concepções de Desenvolvimento Territorial e de Sistemas Produtivos Locais 2. Configuração dos Agrupamentos Vitícolas 3. Grau de Maturidade dos Agrupamentos das Duas Localidades 4. Características e Indicadores de Desempenho 5. Considerações Finais

3 1. Integrando as Concepções de Desenvolvimento Territorial e de Sistemas Produtivos Locais Duas matrizes teóricas foram adotadas para desenvolver a metodologia implementada no trabalho: 1. Concepção de Território como ambiente inovador apresentada pelos pesquisadores agregados ao GREMI (Groupe de Recherche Européen), complementada com a introdução da dimensão social, segundo Méndez. 2. Teoria de agrupamentos produtivos (clusters) apresentada por Rosenfeld, ampliada por Lagendijk e Porter; e tipologia de análise, elaborada por Enright.

4 Condicionantes às fontes de vantagem comparativa da localização (Porter) Condições de Fatores posição quanto à qualidade, especialização e custo dos fatores de produção. Condições de Demanda natureza da demanda para os produtos e serviços do setor, destacando-se a importância de consumidores exigentes e sofisticados. Setores Correlatos e de apoio presença de setores fornecedores e outros correlatos, que sejam internacionalmente competitivos. Contexto para a estratégia e rivalidade das empresas condições predominantes que encorajam formas apropriadas de investimento e aprimoramento sustentado.

5 Condições para a formação e desenvolvimento de um meio inovador (Méndez) Diagrama 1

6 2. Configuração dos Agrupamentos Vitícolas: Clima Solo Fator Tierra Amarilla Petrolina Recursos hídricos superficiais Recursos hídricos subterrâneos Ocupação QUADRO 1 Recursos naturais de Petrolina e Tierra Amarilla Desértico Litoral. Temperatura média anual de 16,1º C; umidade relativa do ar de 74%. Difícil condução para atividades agrícolas. Solo raso e extremamente pedregoso. Margem direita do Rio Copiapó. Vazão média de 1,9m³/segundo. Alta disponibilidade e potabilidade das águas. Abastecimento de água de zonas urbanas e rurais. Difícil. Pequena disponibilidade de recursos hídricos superficiais. Semi-Árido. Temperaturas médias anuais de 23º a 27º C. Difícil condução para atividades agrícolas. Solo raso e arenoso. Margem esquerda do Rio São Francisco. Vazão média de m³/segundo. Potencial para irrigar 3 milhões de hectares. Possibilidade de exploração nula ou quase nula. Pequeno potencial (5.000 l/hora/poço), alto teor de sais, limitando o uso para condução da pecuária. Média. Desde as últimas décadas do século XIX destacava-se como entreposto comercial e centro de prestação de serviços.

7 2. Configuração dos Agrupamentos Vitícolas: Elementos constitutivos dos sistemas produtivos Elem entos constitutivos Terra Am arilla Petrolina Origem e Capital das Em presas QUADRO 2 Oligarquia e imigrantes até Em 1960, Oligarquia. Em 1960, ingresso de empresários ingresso de empresas de comercialização de orientados para a produção agrícola, capital nacional, associadas com empresas desenvolvendo inicialmente a cultura do tomate estrangeiras. Ao final de 1970, ingresso de para a indústria. A partir de 1990 empresas de empresas internacionais na comercialização, e a capital nacional e produtores rurais com partir de 1980 na produção. formação média ou superior dedicam-se Intensidade de Capital Alta. Média. Porte das Propriedades Rurais Médio a Grande Pequeno a Médio Empresários líderes Família Prohens, desde 1940, empresário Garziera, desde 1975, empresário e articulador inovador. político. Clima de negócios Rivalidade. Cooperação. Políticas para o setor agrícola Orientadas, desde 1973, para gerar e fortalecer Induzidas pelo Estado, desde 1970, visando a empresas rurais de médio e grande porte da partir de 1990 fortalecer as empresas no ramo produção de uva de mesa competitivas e da fruticultura para a exportação e o mercado atuantes no mercado externo. Subsídios para interno. Subsídios para a expansão ou criação irrigação, e incorporação de novas áreas. de complexos agro-industriais. Logística Adequada e apoiada por empresas nacionais e Recentemente desenvolvida pelo setor privado. transnacionais. Infra-estrutura Desenvolvimento da infra-estrutura de irrigação Infra-estrutura de irrigação construída pelo pelo setor privado Estado. Pesquisa Pesquisa implementada pelas empresas, com Pesquisa implementada pelo Estado, Embrapa do subsídio público parcial. Parceria com a Semi-árido, em contato permanente com Universidade de Davis na Califórnia, que passou produtores dos Perímetros de Irrigação. a ser o principal provedor de tecnologia agrícola. continua...

8 2. Configuração dos Agrupamentos Vitícolas: QUADRO 2 continuação... Elementos constitutivos dos sistemas produtivos Elementos constitutivos Terra Amarilla Petrolina Tecnologia Incorporação de tecnologia de ponta em todas as Incorporação parcial da tecnologia disponível fases do processo produtivo até a referente à produção e ainda bastante restrita, comercialização do produto, por todas as às empresas rurais e grandes produtores, na unidades rurais. fase de comercialização da produção. Crédito Linhas de financiamento via Banco do Estado, Acesso ao crédito rural, principalmente no ODEPA (Oficina de Estúdios y Políticas momento de implantação do parreiral com amplo Agrícolas), CORFO (Corporação de Fomento à financiamento do Banco do Nordeste Brasileiro e Produção) que visavam aumentar a capacidade Banco do Brasil. competitiva dos produtores e empresas rurais no mercado internacional de uvas de mes Aspectos Econômicos - Estabilidade econômica desde 1974; Estabilidade econômica a partir de Instituições Taxa de cambio sofreu apreciação de 4% entre 1991 e Competitiva desde então. Manutenção de taxas de juros domésticas em níveis elevados. Taxa média de crescimento do PIB no período 1990/2000 de 6,3% ao ano. Desregulamentação dos mercados de água, terra e trabalho. Taxa de Cambio supervalorizada entre 1995 e Competitiva desde janeiro/1999. Taxa de juros extremamente alta desde Taxa média de crescimento do PIB no período 1990/2000 de 2,0% ao ano. Regulamentação dos mercados de água e terra e manutenção da legislação laboral de 1943.

9 3. Grau de Maturidade dos Agrupamentos das Duas Localidades Quadro 3 Distribuição da amostra, segundo número de estabelecimentos e área total de cultivo Petrolina Brasil Tierra Am arilla Chile Estratos de área cultivada com uva de mesa Estratos de área cultivada com uva de mesa Número Área total de uva (ha) Número Área total de uva (ha) < 1 ha 0 0 < 1 ha 0 0 de 1 ha a < 5 ha 21 71,2 de 1 ha a < 5 ha 1 3,8 de 5 ha a < 10 ha ,2 de 5 ha a < 10 ha 1 7,5 de 10 ha a < 20 ha 6 84 de 10 ha a < 20 ha 5 88,6 de 20 ha a < 50 ha 5 128,3 de 20 ha a < 50 ha de 50 ha a < 100 ha 1 70 de 50 ha a < 100 ha 9 649,9 TOTAL DA AMOSTRA ,7 de 100 ha a < 200 ha ,30 Representatividade % 15,6 38,8 de 200 ha a < 500 ha 3 750,2 AMOSTRA ,80 Universo Amostral ,62 Representatividade % 42,4 25,5 Universo Amostral ,00

10 3. Grau de Maturidade dos Agrupamentos das Duas Localidades Quadro 4 Variáveis de identificação, nominais ilustrativas e ativas utilizadas na construção da tipologia Discriminação MODALIDADES (Valor e Rótulo) Identificação País 1=Brasil; 2=Chile Categoria 1=Produtor Rural; 2=Empresa Rural Acesso ao crédito rural 1=Sem acesso ao credito; 2=Com acesso ao crédito. Crédito de custeio para viticultura 1=Não recebeu; 2=Recebeu Crédito de investimento para viticultura 1=Não recebeu; 2=Recebeu Freqüência crédito de custeio (últimos 3 anos) 1=Nunca obteve; 2=1 a 2 anos de crédito; 3=3 anos Freqüência crédito de investimento (últimos 3 anos) 1=Nunca obteve; 2=1 ano de crédito; 3=2 anos; 4=3 anos Incentivo para plantar 1=Não; 2=Sim Incentivo creditício 1=Não; 2=Sim Incentivo treinamento 1=Não; 2=Sim Nível tecnológico 1=Tradicional; 2=Em Transição; 3=Moderno. Nível de adaptação ao mercado global 1=Nulo; 2=Baixo; 3=Médio; 4=Total. Grau de utilização da mão-de-obra (MO/safra/ha) 1=Médio-Baixo; 2=Médio; 3=Médio-Alto; 4=Alto. Grau de especialização (Participação da produção de 1=Baixo; 2=Médio; 3=Alto; 4=Total; 5=S/I uva de mesa no faturamento) Grau de competitividade no mercado externo 1=Baixo; 2=Médio; 3=Alto; 4=Total; 5=S/I (Participação do volume exportado sobre a produção) Destino da produção 1=Mercado Interno; 2= Mercado Externo; 3=Ambos; 4=S/I Canal de comercialização para o mercado interno 1=Não tem; 2=Atacadista ou Cooperativa; 3=Varejista; 4=Atacadista e Varejista; 5=S/I Canal de comercialização para o mercado externo. 1=Não tem; 2=Cooperativa; 3=Exportador; 4=Exporta diretamente; 5=Exportador e Cooperativa; 6=S / I

11 Tipologia dos Clusters Vitícolas Gráfico 1

12 Tipologia dos Clusters Vitícolas Novos produtores rurais que substituíram todo o parreiral por uvas sem semente. Totalmente adaptados ao mercado global. Tradicionais produção destinada exclusivamente para mercado interno. Grau baixo ou médio de competitividade externa Em transição produção destinada tanto para mercado externo como para o interno. Alto grau de competitividade externa. Modernos produção voltada exclusivamente para mercado externo. Alto grau de competitividade externa. Nunca receberam crédito rural ou incentivos. Inovadores produção destinada exclusivamente para mercado externo. Alto grau de competitividade externa. Acesso ao crédito ao rural de custeio e investimento.

13 4. Características e Indicadores de Desempenho Modalidade (% no tipo) PETROLINA TIERRA AMARILLA Novos Tradicionais Em Transição Modernos* Inovadores Nível Tecnológico moderno moderno (72,4%) moderno (81,3%) moderno moderno Nível de Produtividade por safra Nível de Produtividade da Mãode-obra por safra Grau de Especialização na Produção S/I S/I S/I médio / médio alto (27,6%) Médio (44,8%) Alto (51,7%) médio (43,8%) Médio (43,8%) Alto (43,8%) médio (41,7%) Médio (45,8%) Total (91,7%) médio baixo (33,3%) Médio (59,3%) Total (88,9%) Nível de Adaptação ao Mercado Global Total Nulo (41,4%) Baixo (37,5%) Total (95,8%) Total Grau de Competitividade Exte rno S/I Médio (51,7%) Alto (81,3%) Total (95,8%) Total Acesso ao Crédito Rural com acesso (50,0%) com acesso (79,3%) com acesso (75,0%) fornecido pelos exportadores com acesso Acesso ao Crédito de Custeio Não recebeu Não recebeu (55,1%) Não recebeu (68,7%) fornecido pelos exportadores Recebeu Freqüência do Crédito de Custeio nos últimos 3 anos nunca obteve nunca obteve (79,3%) nunca obteve (87,5%)) fornecido pelos exportadores 3 vezes (54,9%) OBS: (*) O tipo "moderno" inclui um produtor rural de Petrolina continua...

14 4. Características e Indicadores de Desempenho continuação... Modalidade (% no tipo) PETROLINA TIERRA AMARILLA Novos Tradicionais Em Transição Modernos* Inovadores Acesso ao crédito de Investimento Recebeu (50,0%) Recebeu (65,5%) Recebeu (62,5%) Não recebeu Não recebeu (51,0%) Freqüência do Crédito de Investimento nos últimos 3 anos nunca / 1 vez nunca obteve (89,7%) nunca obteve (81,3%) nunca obteve 2 a 3 vezes (81,4%) Incentivos para plantar recebeu recebeu (86,2%) recebeu (87,5%) não recebeu (79,2%) recebeu (88,9%) Incetivos Creditícios para plantar Incentivos de Treinamento para plantar Relacionamento com produtores rurais Relacionamento com empresas Relacionamento com o Poder Público Local Recebeu (50,0%) não recebeu Cooperativo Cooperativo (75,0%) não se relaciona recebeu (65,5%) não recebeu (75,9%) Cooperativo (89,7%) Cooperativo (51,7%) não se relaciona (75,9%) Recebeu (50,0%) não recebeu (68,8%) Cooperativo (75,0%) Cooperativo / Competitivo (37,5%) não se relaciona (87,5%) não recebeu (83,3%) não recebeu Cooperativo (54,2%) Competitivo (50,0%) não se relaciona (54,2%) recebeu (85,2%) não recebeu (96,3%) Cooperativo (85,2%) Cooperativo (63,0%) cooperativo (48,1%) OBS: (*) O tipo "moderno" inclui um produtor rural de Petrolina

15 5. Considerações Finais Estruturada em três eixos: 1. Complementar a análise anterior sobre as diferenças existentes entre os dois sistemas produtivos no que se refere a competitividade, principalmente através de informações qualitativas; 2. Examinar as principais diferenças de capital humano e de desenvolvimento das duas localidades; 3. Discutir as implicações das características dos dois sistemas produtivos, e as suas inter-relações com o ambiente econômico e social, sobre o desenvolvimento social.

16 Quadro 5 Condicionantes da vantagem competitiva entre territórios Condições Petrolina Tierra Amarilla Oferta de fatores Elevada. Incipiente. Demanda Interna em expansão. Externa consolidada. Externa a consolidar. Setores correlatos Locais e regionais. Externos à região. Estratégia das empresas Em construção. Articulada e eficaz.

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