Carlos Fabiano de Souza IFF Mestrando em Estudos de Linguagem (UFF)

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1 RELAÇÕES DICOTÔMICAS NO ENSINO DE INGLÊS EM CURSOS DE IDIOMAS: as implicaturas da (de)formação do professor de línguas que atua nesse contexto de ensinoaprendizagem de língua estrangeira Carlos Fabiano de Souza IFF Mestrando em Estudos de Linguagem (UFF)

2 Considerações iniciais Cursos de idiomas (CIs): locus de atuação profissional do professor de língua estrangeira; A (de)formação do professor de inglês que atua nesse contexto de ensino-aprendizagem de língua estrangeira; Análise de discurso crítica: FAIRCLOUGH (2001; 2003); Concepção dialógica de linguagem: BAKHTIN (1997); A dicotomia do ser/estar: SOUZA (2003); Vozes do exercício docente em CIs.

3 [1/3] Cursos livres de idiomas (CIs) [...] cursos de línguas são classificados como "cursos livres" pelo Ministério da Educação, não estando sujeitos a qualquer tipo de controle nem de reconhecimento. Tampouco as secretarias estaduais regulamentam cursos livres. Pode-se ensinar inglês assim como informática ou karatê. Por um lado, isso pode parecer negativo, pois permite a proliferação de iniciativas mercantilistas não apoiadas em competência (SCHÜTZ, 2011, grifo meu, aspas do autor).

4 [2/3] Cursos livres de idiomas (CIs) O exercício docente em cursos livres de idiomas constitui-se em um ramo específico de ensino de línguas com características empregatícias próprias e cujas práticas de ensino aplicadas nestes espaços diferem sobremaneira do modo como se dá o processo ensinoaprendizagem na rede regular de ensino (SOUZA, 2013, p ).

5 [3/3] Cursos livres de idiomas (CIs) Institutos Binacionais Cursos Franqueados Escolas Independentes (SCHÜTZ, 2011)

6 Relações dicotômicas em CIs Estar professor de línguas Ser professor de línguas (SOUZA, 2013)

7 [1/2] A formação e o trabalho docente [...] muitas pessoas acreditam que o desempenho satisfatório do professor na sala de aula depende de vocação natural ou somente da experiência prática, descartando-se a teoria. É verdade que muitos professores manifestam especial tendência e gosto pela profissão, assim como se sabe que mais tempo de experiência ajuda no desempenho profissional....

8 [2/2] A formação e o trabalho docente... Entretanto, o domínio das bases teóricocientíficas e técnicas, e sua articulação com as exigências concretas do ensino, permitem maior segurança profissional, de modo que o docente ganhe base para pensar sua prática e aprimore sempre mais a qualidade do seu trabalho (LIBÂNEO, 1994, p.28).

9 [1/8] Ecos do ser/estar e o ensino de LE Se o profissional de língua estrangeira não fizer uso do idioma na sala de aula, ele estará abrindo mão da qualificação que mais o caracteriza e que o destingue de professores de outras matérias: a sua condição de transitar entre duas culturas, a materna e a estrangeira. O que nós esperamos de um professor de inglês, espanhol ou japonês? Que ele fale o referido idioma estrangeiro e tenha uma competência profissional na metodologia de ensino de língua estrangeira (SCHMITZ, 2009, p.17).

10 [2/8] Ecos do ser/estar e o ensino de LE [...] o professor de inglês deveria ter, além de consciência política, bom domínio do idioma (oral e escrito) e sólida formação pedagógica com aprofundamento em linguística aplicada. Em número reduzido, temos profissionais bem formados dentro do perfil ideal que acabamos de descrever. A boa formação é, muitas vezes, fruto apenas de esforço próprio, pois os cursos de licenciatura, em geral, ensinam sobre a língua e não aprofundam conhecimentos na área...

11 [3/8] Ecos do ser/estar e o ensino de LE... específica de aprendizagem de língua estrangeira (PAIVA, 1997, p. 9).

12 [4/8] Ecos do ser/estar e o ensino de LE [...] embora tenhamos no Brasil condições de considerar o ensino de língua estrangeira como uma profissão, em muitas instâncias este é visto como ocupação, isto é, não tem reconhecimento devido. Isto pode ser mais facilmente visível no setor privado que, como empregador, muitas vezes requer apenas o domínio da língua como requesito para ser professor (GIMENEZ, 2004, p. 172).

13 [5/8] Ecos do ser/estar e o ensino de LE [...] muitos professores de inglês realmente não se interessam por teorias. Eles, inclusive, não costumam comprar livros teóricos, mas, sim, livros com atividades para serem feitas na sala de aula, os chamados resource books. [...] muitos professores de inglês não têm consciência da importância das leituras teóricas para o seu amadurecimento profissional. (OLIVEIRA,, p. 13, grifo do autor).

14 [6/8] Ecos do ser/estar e o ensino de LE Algumas [escolas de idiomas] são extremamente exigentes com a formação de seus profissionais. Outras (a maioria, claro), no entanto, nem tanto. Essas mais despreocupadas, às vezes, são as que mais crescem no Brasil (em termos de business, não em termos pedagógicos e qualidade de ensino). Essas são também mais relaxadas em relação a assuntos que envolvem o ensino/aprendizagem de inglês para crianças, adolescentes e adultos (LIMA, 2012, p. 2, online).

15 [7/8] Ecos do ser/estar e o ensino de LE O que fazer para ser professor de inglês no Brasil

16 [8/8] Ecos do ser/estar e o ensino de LE [...] podemos dizer que não é preciso fazer muita coisa [...]. Basta fazer um currículo e nele colocar informações relacionadas à sua experiência com a língua inglesa (saber falar, por exemplo) e mencionar que você morou fora do Brasil por uns seis meses (ou até menos). Feito isso, deixe seu currículo em uma escola de idiomas. Se você fez tudo bem certinho, espere ser chamado para fazer uma prova escrita e uma entrevista (que pode ser) em inglês (LIMA, 2012, online, grifos do autor).

17 O professor de línguas estrangeiras [1/2] O professor de línguas estrangeiras, quando ensina uma língua a um aluno, toca o ser humano na sua essência tanto pela ação do verbo ensinar, que significa provocar uma mudança, estabelecendo, portanto, uma relação com a capacidade de evoluir, como pelo objeto do verbo, que é a própria língua, estabelecendo aí uma relação com a fala. Mas, se lidar com a essência do ser humano...

18 O professor de línguas estrangeiras [2/2]... é o aspecto fascinante da profissão há, no entanto, um preço a se pagar por essa prerrogativa, que é o longo e pesado investimento que precisa ser feito para formar um professor de línguas estrangeiras. Sem este investimento não se obtém um profissional dentro do perfil que se deseja: reflexivo, crítico e comprometido com a educação (LEFFA, 2008, p ).

19 Treinamento X Formação [1/3] Um exemplo clássico de treinamento são os cursos às vezes oferecidos pelas escolas particulares de línguas aos seus futuros professores e que visam simplesmente desenvolver a competência no uso do material de ensino produzido pela própria escola. O objetivo imediato é ensinar o professor a usar aquele material; no dia em que o material for substituído,...

20 Treinamento X Formação [2/3]... o professor deverá fazer um outro curso. Geralmente não há condições de dar ao professor um embasamento teórico; buscam-se resultados imediatos que devem ser obtidos de maneira mais rápida e econômica possível. Formação é diferente: busca a reflexão e o motivo por que uma ação é feita da maneira que é feita. Há, assim, uma preocupação com o embasamento teórico que subjaz à atividade do professor....

21 Treinamento X Formação [3/3]... Enquanto o treinamento limita-se ao aqui e agora, a formação olha além (LEFFA, op. cit., p. 355, grifo meu).

22 [1/4] Vozes do exercício docente em CIs Figura 2 Ficha de identificação: professor-participante Fonte: o autor

23 [2/4] Vozes do exercício docente em CIs Fonte: o autor Questão 12 Instrumento de pesquisa: questionário

24 [3/4] Vozes do exercício docente em CIs Fonte: o autor Questão 13 Instrumento de pesquisa: questionário

25 [4/4] Vozes do exercício docente em CIs Fonte: o autor Questão 14 Instrumento de pesquisa: questionário

26 Figura 1 Esquema ilustrativo do processo contínuo de formação docente de professores de língua inglesa em serviço (SOUZA, 2013, p. 42)

27 [1/3] Considerações finais Há profissionais licenciados e não licenciados atuando em cursos livres de idiomas como professores de inglês; Ser fluente no idioma alvo é aspecto determinante para atuar como professor de inglês nesses ambientes educacionais; Cursos livres acabam optando pelo contrato de profissionais que possuem fluência;

28 [2/3] Considerações finais Há profissionais que começam a trabalhar em cursos de idiomas ministrando aulas de inglês como um serviço extra para complementar a renda por falarem fluentemente o idioma alvo e, em seguida, acabam buscando a formação em Letras por se identificarem com a profissão;

29 [3/3] Considerações finais Acredita-se que profissionais licenciados, com fluência e experiência no ensino de línguas estrangeiras em cursos de idiomas, demandam maior comprometimento com o processo ensino-aprendizagem de seus educandos.

30 [1/4] Referências GIMENEZ, T. Tornando-se professores de inglês: experiências de formação inicial em curso de letras. In: VIEIRA-ABRAHÃO, M. H. (org.). Prática de ensino de língua estrangeira: experiências e reflexões. Campinas, SP: Pontes Editores, ArteLíngua, LEFFA, V. J. Aspectos políticos da formação do professor de línguas estrangeiras. In:. (org.). O professor de línguas estrangeiras: construindo a profissão. 2ª ed. Pelotas: EDUCAT, LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

31 [2/4] Referências LIMA, D. O que fazer para ser professor de inglês no Brasil? In: Denilso de Lima teacher trainer. Disponível em: Atualizado em: 12 fev Acesso em: 15 mar.. OLIVEIRA, L. A. Métodos de ensino de inglês: teorias, práticas, ideologias. São Paulo: Parábola,. PAIVA, V. L. M. O. A identidade do professor de inglês. APLIEMGE: ensino e pesquisa, Uberlândia: APLIEMGE/FAPEMIG, n. 1, p. 9-17, 1997.

32 [3/4] Referências SCHMITZ, J. R. Ensino/aprendizagem das quatro habilidades linguísticas na escola pública: uma meta alcançável? In: LIMA, D. C. (org.). Ensino e aprendizagem de língua inglesa: conversas com especialistas. São Paulo: Parábola Editorial, SCHÜLTZ, R. Como escolher um programa de inglês. In: English Made in Brazil. Disponível em: Atualizado em: 26 out Acesso em: 26 dez Como abrir uma escola de inglês? In: English Made in Brazil. Disponível em: Atualizado em : 8 ago Acesso em: 26 dez

33 [4/4] Referências SOUZA, C. F. Representações do exercício docente em cursos livres de idiomas: reflexões acerca de relações dicotômicas no ensino de língua inglesa. VÉRTICES, Campos dos Goytacazes/RJ, v. 15, n. 1, p , jan./abr

34 MUITO OBRIGADO PELA ATENÇÃO!

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