COMENTÁRIO DA PROVA DE FILOSOFIA. Professores Daniel Hortêncio de Medeiros, Eduardo Emerick e Ricardo Luiz de Mello

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1 COMENTÁRIO DA PROVA DE FILOSOFIA Professores Daniel Hortêncio de Medeiros, Eduardo Emerick e Ricardo Luiz de Mello Excelente prova. Clara, direta, coerente e consistente. Os alunos e alunas prepararam-se exatamente para isso. Parabéns para os elaboradores! A transmutação da ideia de secularização gerou uma dupla versão, uma em favor da modernidade, que teria realizado uma bem sucedida domesticação da autoridade eclesiástica pelo poder mundano, outra como crítica dessa modernidade, relevando o caráter de apropriação ilícita dos bens e prerrogativas da igreja. A saída seria pelo retorno ao político. Habermas afirma que esta saída seria a recuperação da capacidade de construção do espaço público no qual fosse exercida a fala e o diálogo e se obtenha o consenso não coercitivo. É preciso destacar o sentido crítico que Habermas atribui ao termo hobbesiano e o significado de político que ele busca alcançar. Partindo da afirmação bíblica: Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, Habermas reflete sobre o significado de criar algo, por amor e livremente, para que o ser criado [ igualmente livre e capaz de amar] entenda a importância dessa criação. Depois levanta a questão, vinculada aos resultados da engenharia genética: Se estabelecermos padrões diferentes de criação, como assegurar a liberdade resultante da ideia religiosa na sua origem de que todos são iguais por sua humanidade comum? Por fim, conclui: Se alguém pudesse, ao seu bel-prazer, definir como será a vida de outrem, impondo o que lhe parece melhor, a diferença que lhe parece mais adequada, as vantagens que julga melhores, as características que deseja ver disseminadas, quebrando assim a relação de imagem e semelhança, fazendo sumir dessa forma a dependência causal que me faz livre para retribuir a doação do Criador que é viver livremente, como um igual entre iguais pois todos somos criados da mesma forma e com a mesma intenção essa atitude não destruiria aquelas mesmas liberdades que existem entre iguais, para, assim, assegurar a sua diferença? 1 FILOSOFIA

2 Trata-se do que Habermas denominou de impulso reflexivo, isto é, um trabalho incessante de posicionamento dos fieis e suas crenças em uma sociedade democrática, pluralista e pós-secular. Essa reflexão [ constante] deve abranger três aspectos muito importantes. Primeiramente, a consciência religiosa tem de assimilar o encontro cognitivamente dissonante com outras confissões e religiões. Em segundo lugar, ela tem de adaptar-se à autoridade das ciências que detêm o monopólio social do saber mundano. Por fim, ela tem de adequar-se às premissas do Estado constitucional, que se fundam em uma moral profana [não religiosa]. O que é o esclarecimento para Kant? O esclarecimento é o entendimento atingido usando a própria razão e sem a tutela dos outros. O que ele entende por menoridade? Menoridade é a condição daquele que não atinge o entendimento e depende da tutela dos outros. Em que circunstância, segundo o filósofo, o homem seria considerado culpado por manter-se em um estado de menoridade? Quando o homem se submete à preguiça ou à covardia. 2 FILOSOFIA

3 Uso público da razão É aquele uso da razão que o homem esclarecido faz ao partilhar suas ideias de forma autônoma e crítica com o mundo letrado. Uso privado da razão É o uso que se faz da razão em decorrência das regras e limites da função que se exerce. explique o que seria necessário para que um profissional, um oficial ou um sacerdote, por exemplo, mesmo cumprindo suas obrigações no âmbito privado, não prejudicasse o esclarecimento Seria necessário que ele pudesse ter liberdade de exercer sua a razão pública fora do espaço privado, em um ambiente letrado. A influência da religião no esclarecimento. Kant pode dizer que vive em uma época de esclarecimento porque a maioria das pessoas de seu tempo não são esclarecidas ainda. 3 FILOSOFIA

4 Segundo Hume, é possível realizar uma ciência da ação e do comportamento dos homens. Porque é universalmente admitido que há uma grande uniformidade nas ações dos homens em todas as nações e épocas e que a natureza humana ainda continua a mesma em seus princípios e operações, ou seja, os mesmos motivos sempre produzem as mesmas ações. Desse modo, podem-se interpretar as ações humanas a partir do conhecimento de seus motivos e inclinações. As observações gerais, acumuladas ao longo da história e no curso da experiência dão-nos a chave da natureza humana e ensinam-nos a deslindar todas as suas complexidades. Porém, não devemos esperar que essa uniformidade das ações humanas chegue ao ponto de que todos os homens, nas mesmas circunstâncias, venham sempre a agir precisamente da mesma maneira, sem levar minimamente em consideração a diversidade dos caracteres, predisposições e opiniões. Uma uniformidade desse tipo, em todos os detalhes, não se encontra em parte alguma da natureza. Ao contrário, ao observar a diversidade de condutas em diferentes homens, tornamo-nos capazes de moldar uma maior variedade de máximas, que continuam pressupondo algum grau de uniformidade e regularidade. Portanto, para a fundação de uma ciência moral, a ciência da natureza humana deve tomar a experiência como ponto de partida do conhecimento, descrevendo as regularidades observáveis. Hume propõe que liberdade é um poder de agir ou não agir de acordo com as determinações da vontade (liberdade hipotética admitida como pertencente a todo aquele que não esteja preso e acorrentado). Para o filósofo, uma das razões para defender essa definição é de que as ações têm conexão com motivos, inclinações e circunstâncias e deles se seguem com certo grau de uniformidade, ou seja, apoiam inferências que permitem concluir a ocorrência das ações e delas regular as condutas futuras. Outra razão é de que sem liberdade, não há ação humana que tenha qualidades morais ou que possa ser aprovada ou censurada. As ações são objeto dos sentimentos morais apenas à medida que são indicações de caráter, paixões e afecções interiores. É impossível que possam dar origem a aprovação ou a censura se decorrem totalmente da coação exterior. 4 FILOSOFIA

5 Segundo David Hume, a investigação apropriada à filosofia é de assuntos discutidos que digam respeito à vida e à experiência cotidianas. Para o filósofo, não adianta discutir questões inteiramente fora do alcance das faculdades humanas (a origem dos mundos, a organização do sistema intelectual, a organização da região dos espíritos). Isso é golpear o vazio em brigas inúteis, que não levam a qualquer conclusão determinada. Além disso, imprecisões nos termos e ambiguidades nos significados também impedem o progresso do entendimento e do conhecimento. Portanto, o verdadeiro papel da filosofia consiste em uma reflexão sobre o nosso modo comum de pensar e não deve ser obscura e complicada. Respeito pela racionalidade alheia, ambiente democrático e livre de censura e reconhecimento pelo caráter não simétrico da informação científica e da formação tradicional. 5 FILOSOFIA

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