A VERDADE SOBRE O AÇAFRÃO Ana Maria Pintão e Inês Filipa da Silva. Resumo

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A VERDADE SOBRE O AÇAFRÃO Ana Maria Pintão e Inês Filipa da Silva. Resumo"

Transcrição

1 A VERDADE SOBRE O AÇAFRÃO Ana Maria Pintão e Inês Filipa da Silva Instituto Superior de Saúde Egas Moniz, Campus Universitário, Quinta da Granja - Monte de Caparica Caparica, Portugal Resumo Na Índia, Moçambique e para os povos da África Oriental o açafrão é o açafrão da Índia ou curcuma (Curcuma longa, sin. C. domestica - Zingiberaceae) que confere o amarelo vivo e o sabor picante aos apreciados pratos de caril. Foi trazido da Índia para o mundo através dos percursos dos mercadores árabes ou das caravelas quinhentistas dos Portugueses. O valor medicinal desta planta não é tão conhecido no Ocidente como na Ásia. Em medicina Chinesa é um remédio tradicional contra a icterícea e nas ultimas décadas o uso corrente do açafrão no tratamento de problemas digestivos e hepáticos tem sido confirmado pela investigação A planta tem sido tradicionalmente usada como fluidificante do sangue e na redução dos níveis de colesterol. A curcumina, componente principal do caril, particularmente utilizado na alimentação Indiana, tem sido considerada responsável pela baixa incidência de Alzheimer na Índia. Para além da sua forte actividade antioxidante, a curcumina tem sido intensivamente estudada como agente anticancerígeno. Recentemente, foi verificado o seu papel na indução da apoptose e como quimioprotector na inibição da formação de metastases em cancros da mama.. No Alentejo e Algarve o açafrão utilizado para a confecção do famoso arroz amarelo é o Açafrão-Bastardo ou Cártamo, Carthamus tinctorius (Asteraceae). Esta planta foi, originalmente, trazida por missionários da Índia para o Alentejo. É nativa do Irão, noroeste da Índia e África e as suas flores, semente e óleo têm várias aplicações medicinais. Investigações recentes efectuadas na China indicam que podem reduzir a doença coronária, diminuir o colesterol e ainda estimular o sistema imunitário. O óleo de cártamo, rico em ácido linoleico conjugado (CLA), tem reconhecida acção na redução da gordura corporal e aumento da tonicidade muscular, pelo que tem particular interesse comercial a nível alimentar e como suplemento. Nos países ocidentais o açafrão é o Crocus sativus (Iridaceae) nativo da Índia, Balcãs e Mediterrâneo Oriental e cultivado hoje em Espanha, França, Itália, Índia e Médio Oriente, pelo valor comercial elevado do condimento a que dá origem. O seu pigmento, de sabor e aroma inconfundíveis, é muito valorizado em culinária e na indústria alimentar pelo que atinge preços elevados no mercado. O rendimento deste pigmento é muito baixo por ser extraído dos 3 finos estigmas e estiletes da for da planta do açafrão. As suas utilizações medicinais muito em voga na Idade Média caíram em desuso embora em fitoterapia chinesa continuem a ser usadas para aliviar dores abdominais e espasmos brônquicos. Vários dos seus constituintes sido investigados pelas suas actividades antioxidantes, antitumorais, protectoras contra a agentes carcinogénicos, e ainda na redução do colesterol. Foi verificada em ratos actividade neuroprotectora e efeito sobre o sistema nervoso central do safranal. Palavras chave: Açafrão; Portugueses; Actividade medicinal; Produtos naturais INTRODUÇÃO As plantas e os produtos naturais delas derivados têm sido utilizados ao longo da História e no mundo com variados fins. A medicina com base em plantas desempenhou um papel fundamental na sobrevivência de várias civilizações. Em algumas, como é o caso da medicina chinesa ou da medicinal tradicional indiana ayurvédica, o seu papel primordial como agente curativo permaneceu até aos nossos dias. Na medicina ocidental cerca de 25% dos produtos

2 farmacêuticos contêm na sua composição compostos provenientes ou derivados de moléculas vegetais. A expansão quinhentista de Portugal contribuiu intensamente para a divulgação de muitas plantas medicinais desconhecidas até então pelos europeus e provenientes das regiões tropicais visitadas na África, Índia, China ou Japão. Algumas plantas medicinais já eram conhecidas mas chegavam à Europa através das vias terrestres dos mercadores árabes e o seu efeito terapêutico ou culinário eram esquecidos ou adulterados nestes percursos. No âmbito da epopeia portuguesa as plantas medicinais orientais foram transportadas e divulgadas no Brasil e aí foi descoberta uma nova e até hoje inesgotável fonte de novas plantas com diferentes efeitos medicinais. Algumas foram trazidas e cultivadas em climas similares das colónias africanas como Angola, S. Tomé e Príncipe ou Moçambique. Uma das plantas mais apelativas e valorizadas da época era o açafrão. O açafrão é uma especiaria conhecida, cultivada e apreciada desde a antiguidade em toda a bacia mediterrânica, como matéria corante, aromatizante e medicinal. Os egípcios usaram-na para pintar múmias, foi o primeiro corante a ser usado em Histologia, em 1714, por Van Leeuwenhoek, foi usada em vários países para tingir tecidos, dar cor aos alimentos ou como calmante para a dentição infantil. O seu preço sempre foi elevado, por ser proveniente de uma pequena parte da planta, por isso outras plantas trazidas pelas caravelas portuguesas com aspecto semelhante começaram a ser designadas por açafrão. Estas confusões e falsificações chegaram até aos nossos dias. A utilização das especiarias provenientes destas diferentes plantas são conducentes a diferentes resultados gastronómicos e o seu uso terapêutico na forma de pós ou formulações galénicas poderá ser ineficaz ou eventualmente perigoso. Pretende-se neste artigo de pesquisa reconhecer as diferentes plantas designadas por açafrão, analisar a influência dos portugueses na sua disseminação, distinguir os seus diferentes usos e os seus efeitos medicinais. São descritas as actividades medicinais dos fármacos obtidos destas plantas evidenciadas por estudos etnobotânicos ou pelos usos tradicionais relacionados com estes fármacos. São apresentadas as suas propriedades, verificadas por ensaios in vitro em modelos animais e humanos e in vivo, em modelos animais dos extractos e das suas moléculas activas, os seus mecanismos de acção e a sua eventual toxicidade. 2

3 AÇAFRÃO N.º 1: CURCUMA LONGA L. Esta planta é nativa da Índia e Ásia Meridional. Foi trazida para o resto do mundo através dos percursos dos mercadores árabes ou das caravelas quinhentistas dos Portugueses. A Curcuma Ionga, hoje é muito cultivada, sobretudo nos países orientais. No Colóquio dos Simples, Garcia d`orta, médico do Vice-rei da Índia já referia esta planta distinguindo-a do nosso açafrão : O Açafrão-da-Índia: Nasce no Malabar, em Calecute...também se dá aqui em Goa mas em pequena quantidade...avicena parece fazer menção dele.. Vulgarmente utilizam-se desta raiz para tingir e adubar os alimentos, tanto aqui como entre os Árabes e Persas, pelo motivo de ser comprado mais barato que o nosso açafrão, que também se dá na terra deles; também se aplica em medicina, principalmente em medicamentos de olhos e para a sarna... (Garcia d`orta, 1563). Em termos botânicos, a planta está classificada como Curcuma longa L. (sin. C. domestica) pertencente à família das Zingiberaceae. As partes utilizadas são os rizomas (radix curcuma), raízes tuberculosas (longa ou rotonda), aromáticas, cerosas e amareladas por fora e alararanjadas por dentro. A sua designação comum é Açafrão-da-Índia mas também se aparece designada por açafrão da terra, açafroa, gengibre amarelo, curcuma ou turmérico do nome comum inglês turmeric. Neste idioma também é conhecida como French saffron, Indian saffron, long turmeric ou yellow ginger e em francês como curcuma ou safran des Indes. A palavra curcuma é derivada de «kurkum», designação persa para açafrão. Existem 5 variedades comerciais de Curcuma: China, Bengala, Madras, Malabar e Bombaim. É actualmente cultivado principalmente na Índia e na China Figura 1 - Aspecto morfológico da Curcuma Longa L. Fonte:http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Koeh-048.jpg 3

4 Para os Indianos, Moçambicanos e muitos povos provenientes da África Oriental o açafrão é o açafrão da Índia ou curcuma responsável pelo amarelo vivo e sabor picante dos apreciados pratos de caril. O pó de caril, que tanto se popularizou em todo ocidente nos últimos 30 anos, é constituído por uma mistura de cominhos, sementes de curcuma, coentros, mostarda, funcho, feno-grego, cravinho, alho, louro, canela e malaguetas. Em termos gastronómicos a Curcuma é, também, entre nós, frequentemente confundida com o açafrão por ter igualmente a propriedade de corar de amarelo. No entanto, o verdadeiro açafrão (referido como açafrão nº3 neste trabalho) dá origem a uma coloração mais alaranjada e a um aroma mais intenso, pelo que para certos pratos não é considerado um substituto aceitável. Composição química da curcuma Relativamente à sua composição química a planta é rica em (3-4%), um composto polifenólico responsável pela cor amarela característica dos rizomas da C. longa. Possui ainda outros Curcuminóides, as s II e III. Possui também um óleo essencial (3 a 5%), de cor laranja, rico em sesquiterpenos. As raízes do Açafrão das Figura Índias 2 são - Estrutura colhidas aos 10 química meses, lavadas Carcumina. e colocadas em ebulição em água. São depois secas, lentam 4

5 moídas até se obter um pó fino. Fitoterapia e medicina tradicional da Curcuma Planta Eupéptico, estimulante de secreções digestivas e carminativo Nas perturbações hepatobiliares Fluidificante do sangue. Anticoagulante. Distúrbios circulatórios. Planta Redução dos níveis de colesterol Na prevenção de lipidemias, ateroesclerose e tromboembolias Planta Pomadas Anti-inflamatório, artrites, asma e alergias Infecções e eczemas externamente. Icterícia. Psoríase. Micoses. Responsável pela baixa incidência de Alzheimer na Índia Tabela 1 Utilizações do Açafrão da Índia em fitoterapia e medicina tradicional (adaptado de múltiplas referências) O valor medicinal desta planta não é tão conhecido no ocidente como na Ásia. Em medicina chinesa é um remédio tradicional contra a icterícia e nas últimas décadas o uso corrente do Açafrão no tratamento de problemas digestivos e hepáticos tem sido confirmado pela investigação. A planta tem sido tradicionalmente usada como fluidificante do sangue e na redução dos níveis de colesterol (Tab.1). A curcumina, componente principal do caril, particularmente utilizado na alimentação Indiana, tem sido considerada responsável pela baixa incidência de Alzheimer na Índia (Tab.1). 5

6 Farmacologia e actividades medicinais da curcumina Actividade hipolipidémica Curcuma Acção antidispéptica, colerética, espasmolítica e hepatoprotectora Diminui o colesterol e permite a sua mobilizacão para o fígado, aumentando assim a sua excreção biliar Curcuma Propriedades antiagregante plaquetária Extractos curcuma Prevenção da ateroesclerose em coelhos Actividade Antioxidante sobre certos ácidos gordos poli insaturados Raíz (mais activa) Anti-diabético Reduz o açúcar no sangue de ratos albinos diabéticos Actividade antimutagénica inibindo as mutações induzidas por UV Actividade antibiótica Actividade anti-inflamatória Modelos de inflamação aguda, subaguda e crónica em animais Actividade antiviral HIV Actividade imunomoduladora Actividade anti- parasitária Aumenta a resposta dos linfócitos e a actividade fagocítica dos macrófagos em ratos Protozoário Leishmania amazonensis Tabela 2 Farmacologia e actividades medicinais da Curcuma e curcumina. (adaptado de múltiplas referências) Para além da sua forte actividade antioxidante, a curcumina tem sido intensivamente estudada como agente anticancerígeno. Recentemente, foi verificado o seu papel na indução da apoptose e como quimioprotector na inibição da formação de metastases em cancros da mama (Bachmeier et al., 2008). 6

7 Existem muitos estudos relacionados com a farmacologia e actividade medicinais da curcumina (Tab. 2) estando muitos desses estudos vocacionados para a actividade antitumoral da molécula (Tab.3). Na pesquisa efectuada sobre a curcumina foram encontrados mil e quatrocentos artigos científicos, onze estudos etnobotânicos, setenta e sete estudos de actividade em animais, dezanove ensaios clínicos de eficácia em humanos, doze ensaios clínicos fase I e II a decorrer no EUA, Japão e Israel, dez estudos de segurança sobre toxicidade e efeitos adversos (PubMed, Agosto 2008). A pesquisa intensiva de quem tem sido alvo nos últimos 50 anos indica que a curcumina pode ser um agente importante quer na prevenção como no tratamento do cancro. Antiproliferativa, antitumoral e anticancerígena In vitro, modelos animais e ensaios clínicos Aggarwal, B.B. et al. (2003) Indução da apoptose de células cancerígenas e como quimioprotector na inibição da formação de metastases Cancro, cólon, pulmão, próstata, etc Carcinoma da mama Aggarwal, B.B. (2008) Bachmeier,B.E. et al. (2008) Actividade Antiproliferativa e proapoptotica Melanoma maligno Pisano,M. (2007) Protecção contra os efeitos das nitrosaminas sobre as células hepáticas. Rato Shukla (2003) Tabela 3 Farmacologia e actividade antitumoral da curcumina. A curcumina é estável tanto no estômago como no intestino delgado e absorvida rapidamente pelo tracto gastrointestinal devido à sua elevada afinidade para os lípidos (Ruiz, 2006). 7

8 O modo de acção da curcumina parece incluir diferentes mecanismos. Para além de ser um potente agente antioxidante, apresenta a capacidade de suprimir a proliferação de uma variedade de células tumorais, a iniciação tumoral e a metástase. Actua como inibidor de activação de factores de transcrição que regulam a expressão de genes relacionados com a tumorogénese. Influencia a regulação da expressão de várias moléculas associadas a cancros (COX2, LOX, NOS, MMP-9, upa, TNF, citoquinas, moléculas de adesão superficial e a ciclina D1) e a regulação de receptores de factores de crescimento (EGFR e HER2). Foi também demonstrada a inibição da actividade de várias enzimas que contribuem para o desenvolvimento de tumores e metastização (Aggarwal, et al ). Toxicidade da curcumina A curcumina apresenta baixa toxicidade. Os ensaios clínicos em humanos indicam que não existe toxicidade em doses até 10 g.dia -1. Nos USA, o consumo de é considerado seguro quando se emprega como aditivo alimentar. Contudo, a Curcuma terá induzido alguns efeitos teratogénicos. A dose diária admissível (OMS), quando utilizada como corante, é de 0,1 mg.kg -1. A utilização de aumenta as contracções biliares em pacientes sãos pelo que para pessoas com doenças neste órgão a utilização de deve ser restringida. Foram observadas hepatotoxicidade (induzida em ratos com 0,2 a 1% de extracto etanólico de curcuma, durante 14 dias) e dermatites de contacto causadas pela curcumina (Ruiz, 2006). Em termos de interacções farmacológicas, entre outras, a inibe a agregação das plaquetas, pelo que a administração do composto, aumenta o risco de hemorragias em pessoas medicadas com anticoagulantes ou antiplaquetários (Ruiz, 2006). Utilização Medicinal da Existe um interesse crescente na exploração comercial da para a Indústria relacionada com a obtenção de fármacos a partir de recursos naturais, pois apresenta inúmeras actividades, baixa toxicidade e poucas interacções farmacológicas. A Curcuma Ionga, a sua principal fonte de obtenção, é muito cultivada, sobretudo nos países orientais. 8

9 AÇAFRÃO N.º2: CARTHAMUS TINCTORIUS L. Em Portugal, sobretudo no Alentejo e Açores, o açafrão é o açafrão-bastardo ou açafroa, botanicamente classificado como Carthamus tinctorius L. Apesar de ser morfológicamente completamente diferente as suas flores ou pó são confundidas e vendidas como açafrão, especiaria muito mais cara. Esta planta é nativa do Irão, noroeste da Índia e África. Foi trazida da Índia, provavelmente de Goa, no Séc. XVI, para o Alentejo por missionários ou marinheiros, juntamente com outras especiarias muito usadas na culinária alentejana como o cravinho. No distrito de Portalegre o açafrão-bastardo ou cártamo é utilizado para a confecção do famoso arroz amarelo que acompanha um ensopado de borrego com cravinho. Em Alter do Chão, no Alto Alentejo, atribui-se a sua introdução, ao Alterense Arcebispo D. Francisco Garcia Mendes, missionário e professor em Cochim e em Goa (Diário do Sul (1991); CMAlter do Chão, 2008). É também usado na culinária açoreana, o que se justifica, eventualment, pela forte incidência de radicação de alentejanos nos últimos séculos. Cultiva-se, raramente, no Alentejo e no Algarve onde aparece também, ocasionalmente, como sub-expontânea. É uma cultura oleaginosa importante na Índia, Hungria, Etiópia, EUA, Canadá, e América Latina. Pertence à família das Asteraceae. O seu nome comum é açafrão-bastardo, açafroa, açafrol, falso açafrão, cártamo, saflor. Em Inglês designa-se por safflower, safflor ou bastard saffron. A palavra Carthamus deriva do hebraico «Kartami», que significa tingir. As partes do cártamo utilizadas são as numerosas e finas flores alaranjadas dos capítulos e ainda o óleo das sementes com usos diversos. Para utilização gastronómica as flores são previamente tostadas ao lume e pulverizadas. Das flores do cártamo extraem-se dois corantes um amarelo, solúvel na água, utilizado em culinária e um vermelho, insolúvel na água, utilizado tradicionalmente em tinturaria, pintura e cosmética. Muitas vezes as flores ou o pó são vendidos como açafrão. As sua sementes muito apreciadas pelos pássaros, originam um óleo alimentar de elevado valor dietético muito usado actualmente como suplemento alimentar. Também é usado, desde a antiguidade, como secante em tintas e vernizes para pintura e em cosmética, devido a propriedades emolientes e regeneradoras do tecido cutâneo. O bagaço aproveita-se como suplemento proteico na alimentação animal. 9

10 Composição Química do Cártamo As sementes são ricas num óleo onde predominam os ésteres glicéridos de ácidos gordos insaturados (90%), ácido oleico (20-30%) e/ou ácido linoleico (55-88%). Considerado o óleo com maior teor de gorduras poli-insaturadas e a razão PUFA/SFA mais favorável. São também ricas em vitamina E (Ekin, 2005). Nas flores do capítulo do cártamo encontram-se os pigmentos amarelo, cartamidina, e vermelho-alaranjado cartamina e saponinas. As folhas e sementes possuem uma enzima que provoca a coagulação do leite. Fitoterapia e medicina tradicional do cártamo Hipercolesterolemias e prevenção ateroesclerose Óleo Obstipação, reumatismo e dores Topicamente em micoses Purgante Antifúngico Sementes Tumores Especialmente do fígado Flores Pigmentos mucilagens e flavonóides Como emenagogo, laxante, sedativo, cicatrização feridas Acção cicatrizante e suavizante da pele Medicina Chinesa Infusão Bebida saudável recomendada para pessoas de meia idade e idosos Muito popular no Japão, Coreia e recentemente no Ocidente Tabela 4 Utilizações tradicionais do cártamo em fitoterapia (múltiplas referencias). Farmacologia e actividades medicinais do cártamo As flores, semente e óleo de cártamo têm várias aplicações medicinais (Tab.5). Investigações recentes efectuadas na China indicam que podem reduzir a doença coronária, diminuir o colesterol e ainda estimular o sistema imunitário (Ekin, 2005). 10

11 Óleo de cártamo, rico em ácido linoleico conjugado (CLA) Reduzir a gordura corporal e aumentar a tonicidade muscular In vivo Vários estudos Antifúngicas Pigmentos Antivirais Anti-inflamatórias In vitro Ekin, 2005 Saponinas Anti-inflamatórias In vitro Yadava & Chakravarti, 2008 Pigmentos Reduzir a doença coronária Coelhos Cartamidina 220 mg/ml inibe totalmente a agregação plaquetária e previne a trombose Ratos Zhengliang et al. 1984, 1987 Pigmentos Diminuir o colesterol Estimular o sistema imunitário In vitro Dajue & Mundel, 1996 Ekin, 2005 Extractos cártamo Combater a esterilidade masculina e feminina Ratos Dajue & Mundel, 1996 Carthamus tinctorius geneticamente modificado Produção de insulina humana em larga escala Ensaios campo Índia Nykiforuk C.L. et al., 2006 Tabela 5 Aplicações medicinais do Cártamo. O óleo de cártamo, rico em ácido linoleico conjugado (CLA), tem reconhecida acção na redução da gordura corporal e aumento da tonicidade muscular, pelo que tem particular interesse comercial a nível alimentar e como suplemento. 11

12 AÇAFRÃO N.º3: CROCUS SATIVUS L. Para a Indústria e fitoterapia dos países ocidentais O Açafrão é o Crocus sativus L. (Iridaceae). Flor lilás, cujos estigmas e parte dos estiletes, muito finos e de cor vermelha, dão a especiaria mais cara do mundo, de pefume e sabor intensos e muito apreciados. Originária da Índia, Balcãs e Mediterrâneo Oriental a cultura desta especiaria foi introduzida em Portugal e Espanha no séc. IX pelos Árabes e daqui passou a ser divulgada a toda a Europa e América. O Crocus sativus é hoje cultivado em Espanha, França, Itália, Índia e Irão pelo valor comercial elevado do condimento a que dá origem. O seu pigmento, possui um aroma intenso e agradável, com sabor levemente amargo, é muito valorizado em culinária e na indústria alimentar pelo que atinge preços elevados no mercado. Ao ser imerso em água quente obtém-se uma solução de cor amarelada. O rendimento do pigmento do açafrão é muito baixo por ser extraído dos 3 finos estigmas e estiletes da flor da planta do açafrão. A verdadeira especiaria é constituída apenas pelos estigmas desidratados de Crocus sativus ou o seu pó. A colheita assim como a separação dos estigmas da flor são inteiramente feitas à mão, pelo que o açafrão verdadeiro é um produto susceptível de falsificação pois o seu preço é muito elevado. Um quilograma de açafrão corresponde a cerca de 100 mil estigmas e custará o mesmo de um quilograma de ouro, aproximadamente onze mil dólares. A nível culinário o seu uso encontra-se difundido pelo mundo: na Europa, na paella Valenciana, na bouillabaisse Francesa e no risoto alla Milanesa ; na Ìndia alguns doces são preparados com açafrão, bem como manteiga e vários pratos à base de arroz, onde pode ser combinado a folhas de louro, canela, cravo, cardamomo, anis estrelado ou noz moscada; no Irão em conjunto com hortelã; no golfo árabe associado a especiarias picantes. O tempero em pó não deve ser utilizado directamente, necessitando ser refogado ou diluído e deve ser usado em pequena quantidade. O açafrão foi o primeiro corante a ser usado em Histologia, em 1714, por Van Leeuwenhoek. Tem sido usado como condimento alimentar, agente corante de queijos, pastas, arroz, massas, tecidos, manteiga, vernizes, e também em confeitaria e confecção de licores. 12

13 A planta pertence à família Iridaceae. As partes utilizadas são os três estigmas e as partes finais dos estiletes (Stigmata Croci). Figura 3- Aspecto morfológico do Crocus sativus O seu nome vulgar em Portugal é Açafrão, Açafroeira ou Açaflor, no Brasil açafrãooriental, açafrão-verdadeiro ou flor-de-hércules e no Reino Unido designa-se por Safron. Este nome vulgar vem da palavra árabe az-za'afran - ser amarelo que em latim medieval evoluiu para safranum. O nome científico da planta deve-se à aldeia de Krokos, na Grécia, origem de um dos maiores volumes de produção de açafrão no Ocidente. Composição química do Crocus sativus A coloração vermelho-escura dos estigmas é devida à existência de heterósidos do grupo dos carotenóides, nomeadamente a crocina (2%) que é o diéster da crocetina e da gentobiose (Fig. 4). Possui um óleo essencial (1%) onde predomina o safranal com propriedades espasmolíticas e carminativas e ainda um glucósido amargo, a picrocrocina (4%) (Fig. 4) com acção digestiva e eupéptica 13

14 Figura 4 Estrutura química da crocetina, crocina e picrocrocina. Fitoterapia e medicina tradicional do Açafrão Infusão Aliviar dores abdominais e espasmos brônquicos Medicina chinesa Tintura Infusão, Alcoolato Infecções na boca Acalmar dores nos bebés quando os dentes começam a aparecer Digestivo, aperitivo, carminativo, antiespasmódico e emenagogo Externamente Estimular o apetite, por aumento das secreções Açafrão Estimula o sistema nervoso central e o útero Em doses elevadas Extracto Melhora a disposição e acalma a ansiedade Em pequenas doses Considerado afrodisíaco na antiguidade Extracto Açafrão Útil no tratamento de doenças neurodegenerativas e perda de memória relacionada Tratamento da depressão, 30 mg diárias tão eficazes como os medicamentos convencionais para a depressão - estudos preliminares, efectuados no Irão. Akhondzadehet al., 2005, 2006 Tabela 6 - As utilizações medicinais do Crocus sativus (Múltiplas referências) Existem referências ao açafrão desde 2300 A.C. Os Assírios utilizavam-no com fins medicinais. Foi a especiaria mais valorizada pelos Gregos, Egípcios e Romanos devido ao seu aroma, cor e propriedades afrodisíacas. Hipócrates e Dióscorides utilizavam o Crocus sativus como planta terapêutica. São variadas e diversas as referências sobre o seu uso em ritos e cerimónias religiosas, em medicina e em gastronomia. As utilizações medicinais do Crocus, muito em voga na idade média, caíram em desuso, embora em fitoterapia chinesa continuem a ser usadas para aliviar dores abdominais e espasmos brônquicos. Nos países ocidentais tem sido utilizado sobretudo pela sua acção sedativa e em xaropes para a dentição infantil (Tab. 6). 14

15 Açafrão Afectar a síntese proteíca e a formação de ácidos nucleicos Modelo animal Abdullaev & Frenkel, 1992 Extracto de açafrão Crocina, safranal e picrocrocina Extracto de açafrão Inibir o crescimento de células tumorais Proteger contra a toxicidade induzida pela cisplatina Células Hela in vitro Adenocarcinoma do cólon Escribano et al., 1996 Garcia-Olmo, et al, 1999 Leucemia Tarantilis 1994, Carcinoma Pele Wang et al.,1995 Ratos El Daly, 1998 Extracto de açafrão Rios, 1996 Actividade antioxidante In vitro Crocina e crocetina Bors et al., 1982 Extracto de açafrão Actividade quimioprotectora contra a genotoxicidade induzida por agentes antitumorais (aflatoxina B1, nitrosaminas e benzopirenos) Ratos Premkumar K et al., 2006 Crocetina Hepatócitos de rato Wang et al., 1991 Crocina Pele Wang et al., 1995 Extracto de açafrão Reduzir os níveis de colesterol Modelo animal Xu et al., 2005 Crocina e crocetina Aumentar a actividade cerebral, a aprendizagem e memorização Ratos Abe et al., 2000 Safranal Actividade neuroprotectora e efeito sobre o SNC Ratos Hosseinzadeh e Sadegnhia, 2005 Tabela 7 Farmacologia e aplicações medicinais do Crocus sativus Vários dos constituintes do Açafrão tem sido investigados pelas suas actividades antioxidantes, antitumorais, protectoras contra a agentes carcinogénicos, e ainda na redução do colesterol. (Tab.7). 15

16 Toxicidade do Açafrão Em doses elevadas é considerado abortivo, hemorrágico e pode provocar vertigens. O seu uso como abortivo tem levado a intoxicações graves. A dose letal para o adulto é considerada entre 12 a 20g. Contudo, em estudos recentes com voluntários não se registaram efeitos negativos até 200 mg.dia -1 de açafrão, durante uma semana, pelo que é considerado um produto seguro (Modaghegh et al., 2008). CONCLUSÃO O historial das três plantas descritas esteve e está intimamente ligado com a nossa cultura e vivência no Mundo assim como com a das civilizações com quem temos interagido. A tão característica flexibilidade e capacidade de absorção portuguesa de outras formas de viver levounos a receber uma influência muito marcada de outros povos e a transmiti-la de várias formas. Seria interessante analisar esta influência e observar o paradigma descrito com os açafrões num universo maior de condimentos e plantas medicinais. Os estudos recentemente efectuados sobre as três plantas pesquisadas confirmam o seu interesse como plantas medicinais importantes, nomeadamente ao nível da actividade antitumoral, o que as torna recursos importantes para a obtenção de fitoquímicos para a indústria farmacêutica. As diferenças encontradas entre as plantas, habitualmente designadas como açafrão, não são apenas morfológicas e organolépticas mas, também se verificam ao nível das suas actividades biológicas e toxicidade, pelo que a sua clara designação e reconhecimento são de toda a importância. Existem ainda outras espécies (Tab. 8) que poderiam ser objecto de confusão ou falsificação, facto que pode apresentar risco em aplicações medicinais ou gastronómicas. 16

17 Estames amarelos das flores de Crocus Qualidades inferiores de açafrão Sem sabor próprio Adição de gorduras e óleos ao pó de açafrão Substituído pelos pós e/ou flores de Curcuma longa ou de Carthamus tinctorius Aumento do peso dos estigmas Menos aromáticos e de sabores diferentes O açafrão deve ser comprado inteiro e não em pó Confusão mais crítica em aplicações medicinais Crocus clusii - Açafrão bravo Crocus carpetanus Açafrão da Primavera Colchicum autumnale Açafrão de Outono ou Açafrão dos prados Tintureira, pouco aromática, pinhais e matos Continente e Madeira Pouco aromática, prados e zonas pedregosas Centro e Norte Bastante parecido e com colchicina altamente tóxica Utilização de espécies afins ou similares Menos frequente Tabela 8 Falsificações com a designação geral de Açafrão BIBLIOGRAFIA ABDULLAEV, F.I. & FRENKEL, G.D. (1992), The effect of saffron on intracellular DNA, RNA and protein synthesis in malignant and non-malignant human cells. Biofactors 1992, 4: ABDULLAEV, F.I. (2004), Antitumor effect of saffron (Crocus sativus L.): Overview and perspectives, ISHS Acta Horticulturae 650: I International Symposium on Saffron Biology and Biotechnology. ABE, K., SAITO, H. (2000), Effects of saffron extract and its constituent crocin on learning behaviour and long-term potentiation. Phytother Res.14: AKHONDZADEH, S.; TAHMACEBI-POUR, N., Noorbala, A.A. (2005), Crocus sativus L. in the treatment of mild to moderate depression: a double-blind, randomized and placebo-controlled trial. Phytother Res. 2005;19: AKHONDZADEH BASTI A, MOSHIRI E, NOORBALA AA, et al. (2006), Comparison of petal of Crocus sativus L and fluoxetine in the treatment of depressed outpatients: a pilot double-blind randomized trial. Prog Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry. Dec 14. AGGARWAL, B.B. KUMAR, A.; BHARTI, A.C. (2003), Anticancer potential of curcumin: preclinical and clinical studies, Anticancer Res. Jan-Feb;23(1A): AGGARWAL, B.B. (2008), Prostate cancer and curcumin: Add spice to your life. Cancer Biol.Ther. 21:7(9). 17

18 BACHMEIER; B.E.; MOHRENZ, I. V.; MIRISOLA, V.; SCHLEICHER, E., Romeo, F.; HÖHNEKE, C. JOCHUM, M.; NERLICH, A. G.; PFEFFER, U. (2008), Curcumin downregulates the inflammatory cytokines CXCL1 and 2 in breast cancer cells via NFkB, Carcinogenesis 29(4): BORS, W.; SARAN, M.; MICHEL, C. (1982), Radical intermediates involved in the bleaching of the carotenoid crocin. Hydroxyl radicals, superoxide anions and hydrated electrons. Int J Radiat Biol Relat Stud Phys Chem Med, 41: BRUNETON,J (1995), Pharmacognosy Phytochemistry Medicinal Plants. Lavoisier Ed. Paris. COSTA, A.F. (1986), Farmacognosia, Vol I, 4ª ed., Fund. Cal. Gulb., Lisboa. CÂMARA MUNICIPAL ALTER DO CHÃO (2008), O saber da tradição com sabor a açafrão. Folheto de divulgação. DAJUE, L; MUNDEL, H. (1996), Saflower. Carthamus tinctorius. Promoting the conservation and use of underutilized and neglected crops. 7. Ed. Heller, J., IPGRI.- International Plant Genetic Resources Institute Mündel. Consultado a 20 Agosto de DIÁRIO DO SUL (1991), Alter do Chão recorda um arcebispo erudito e ainda hoje ritualiza o açafrão Periódico Diário do Sul EL DALY, E.S. (1998), Protective effect of cysteine and vitamin E, Crocus sativus and Nigella sativa extracts on cisplatin-induced toxicity in rats J Pharm Belg, 53: ESCRIBANO J; Alonso G.L.; COCA-PRADOS, M.; FERNANDEZ, J.A. (1996), Crocin, safranal and picrocrocin from saff ron (Crocus sativus L.) inhibit the growth of human cancer cells in vitro, Cancer Lett, 100: EKIN, Z. (2005), Resurgence of Safflower (Carthamus tinctorius L.). Utilization: A global view, J. of Agronomy 4(2): GARCIA D`ORTA (1563), Coloquio dos Simples. Goa. Reprodução fac-similada. Academia das Ciências. Lisboa. GARCIA-OLMO, D.C., RIESE, H.H.; ESCRIBANO, J. (2000), Effects of long-term treatment of colon adenocarcinoma with crocin, a carotenoid from saffron ( Crocus sativus L.): an experimental study in the rat, Nutr Cancer.; 35: GUIMIAO, W., L. Yili, (1985), Clinical application of safflower (Carthamus tinctorius), Zhejiang Traditional Chinese Med. Sci. J.,. 20: HOSSEINZADEH, H.; SADEGNHIA, H. (2005), Safranal, a constituent of Crocus sativus (saffron), attenuated cerebral ischemia induced oxidative damage in rat hippocampus, J Pharm Pharmaceut Sci 8(3): MODAGHEGH, M.H.; SHAHABIAN, M.; ESMAEILI, H.A.; RAJBAI, O.; HOSSEINZADEH, H. (2008), Safety evaluation of saffron (Crocus sativus) tablets in healthy volunteers. Phytomedicine. 15(12): Nykiforuk, C.L.; Boothe, J. G.; Murray, E. W., Keon, R. G.; Goren, H. J.; Markley, N. A.; Moloney, Maurice M. (2006), Transgenic expression and recovery of biologically active recombinant human insulin from Arabidopsis thaliana seeds, Plant Biotechnology Journal 4: PEREIRA J. (1853), The Elements of Materia Medica and Therapeutics, Vol. II, 3th American ed. Consultado PISANO, M. (2007), Antiproliferative and pro-apoptotic activity of eugenol-related biphenyls on malignant melanoma cells. Molecular Cancer, 6:8.PubMed - 18

19 PREMKUMAR K.; THIRUNAVUKKARASU, C.; ABRAHAM, S. K.; SANTHIYA, S. T.; RAMESH; A. (2006), Protective effect of saffron (Crocus sativus L.) aqueous extract against genetic damage induced by anti-tumor agents in mice, Human & Experimental Toxicology. 25(2): PROENÇA DA CUNHA, A.; SILVA, A.P.; ROQUE, O.R. (2003), Plantas e produtos vegetais em fitoterapia, Fund. Cal. Gulb. PROENÇA DA CUNHA, A.; SILVA,A.P.; ROQUE, O.R.; CUNHA, E. (2004), Plantas e produtos vegetais em cosmética e dermatologia, Fund. Cal. Gulb. PROENÇA DA CUNHA, A. (2005), Farmacognosia e fitoquímica, Fund. Cal. Gulb. PROENÇA DA CUNHA, A.; RIBEIRO, J.A.; ROQUE, O.R. (2007,) Plantas aromáticas em Portugal. Caracterização e utilizações., Fund. Cal. Gulb. RIOS, J.L.; RECIO, M.C., GINGER, R.M.; MANZ, S. (1996), An update review of saffron and its active constituents, Phytother Res, 10: ROYLE, J.F. (1837), An essay on the antiquity of Hindoo medicine : including an introductory lecture to the course of materia medica and therapeutics delivered at King'sCollege, London : W. H. Allen : J. Churchill. p. 87. RUIZ, M. G. (2006), : antiinflamatorio natural com propriedades anti cancerígenas, infármate, Ano 2, nº 8. SHUKLA Y; ARORA A. (2003), Suppression of altered hepatic foci development by curcumin in wistar rats, Nutr. Cancer: 45(1):53-9. TARANTILIS, P.A. (1994), Inhibition of growth and induction of differentiation promyelocytic leukemia (HL-60) by carotenoids from Crocus sativus L., Anticancer Res. 14: VIVAS, M.J. (2002), Culturas Alternativas Cártamo, Sésamo e Camelina, Melhoramento, 38: WANG, C.; HSU, J.; LIN, J. (1991), Suppression of aflatoxin B1-induced hepatoxic lesions by crocetin (a natural carotenoids), Carcinogenesis, 12, WANG, C.; LEE, M.; CHANG, M.; LIN, J. (1995), Inhibition of tumor promotion in benzo(a)pyrene-initiated CD-1 mouse skin by crocetin, Carcinogenesis, 16, XU, G.L., YU, S.Q., GONG, Z.N. (2005), Study of the effect of crocin on rat experimental hyperlipemia and the underlying mechanisms, Zhongguo Zhong Yao Za Zhi.;30: YADAVA, R. N.; CHAKRAVARTI, N. (2008), Anti-inflammatory activity of a new triterpenoid saponin from Carthamus tinctorius Linn., Journal of Enzyme Inhibition and Medicinal Chemistry 23(4), (6). 19

Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica?

Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Ana Verina Faria Fernandes Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Universidade Fernando Pessoa Porto, 2011 Ana Verina Faria Fernandes Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica?

Leia mais

Emília Nunes João Breda

Emília Nunes João Breda Emília Nunes João Breda Fundos Estruturais MINISTÉRIO DA SAÚDE Direcção-Geral da Saúde MINISTÉRIO DA SAÚDE Direcção-Geral da Saúde Emília Nunes João Breda Autores Emília Nunes - Médica de Saúde Pública,

Leia mais

O Mirtilo e suas Propriedades Terapêuticas

O Mirtilo e suas Propriedades Terapêuticas Tiago Filipe Pereira de Jesus O Mirtilo e suas Propriedades Terapêuticas Universidade Fernando Pessoa Faculdade de Ciências da Saúde Porto, 2013 Tiago Filipe Pereira de Jesus O Mirtilo e suas Propriedades

Leia mais

A QUÍMICA NA COZINHA APRESENTA: O AÇÚCAR. Série Química na Cozinha Editora Cia da Escola ZOOM Ano 6 nº 4 p. 1

A QUÍMICA NA COZINHA APRESENTA: O AÇÚCAR. Série Química na Cozinha Editora Cia da Escola ZOOM Ano 6 nº 4 p. 1 Série Química na Cozinha Editora Cia da Escola ZOOM Ano 6 nº 4 p. 1 CHEMELLO, Emiliano. A Química na Cozinha apresenta: O Açúcar. Revista Eletrônica ZOOM da Editora Cia da Escola São Paulo, Ano 6, nº 4,

Leia mais

Caraterização química e biológica do própolis da Serra de Bornes por TLC.

Caraterização química e biológica do própolis da Serra de Bornes por TLC. Caraterização química e biológica do própolis da Serra de Bornes por TLC. Vanessa Marina Branco Paula Dissertação apresentada à Escola Superior Agrária de Bragança para obtenção do Grau de Mestre em Qualidade

Leia mais

OS ANTIOXIDANTES. Dossiê antioxidantes

OS ANTIOXIDANTES. Dossiê antioxidantes Dossiê antioxidantes OS ANTIOXIDANTES Segundo a ANVISA, antioxidante é a substância que retarda o aparecimento de alteração oxidativa no alimento. Do ponto de vista químico, os antioxidantes são compostos

Leia mais

ILSI EUROPE CONCISE MONOGRAPH SERIES NUTRIÇÃO E IMUNIDADE NO HOMEM

ILSI EUROPE CONCISE MONOGRAPH SERIES NUTRIÇÃO E IMUNIDADE NO HOMEM ILSI EUROPE CONCISE MONOGRAPH SERIES NUTRIÇÃO E IMUNIDADE NO HOMEM International Life Sciences Institute SOBRE O ILSI / ILSI EUROPE Fundado em 1978, o International Life Sciences Institute (ILSI) é uma

Leia mais

CORANTES NATURAIS ALIMENTÍCIOS E SEUS BENEFÍCIOS À SAÚDE

CORANTES NATURAIS ALIMENTÍCIOS E SEUS BENEFÍCIOS À SAÚDE CORANTES NATURAIS ALIMENTÍCIOS E SEUS BENEFÍCIOS À SAÚDE Rosilane Moreth de Souza Rio de Janeiro 2012 ii ROSILANE MORETH DE SOUZA Aluna do curso de Farmácia Matrícula 0823800117 CORANTES NATURAIS ALIMENTÍCIOS

Leia mais

RECENTES AVANÇOS NA NUTRIÇÃO DE CÃES E GATOS

RECENTES AVANÇOS NA NUTRIÇÃO DE CÃES E GATOS RECENTES AVANÇOS NA NUTRIÇÃO DE CÃES E GATOS Flávia M. de Oliveira Borges 1, Rosana M. Salgarello 2, Tatiane M. Gurian 3 1 - Médica Veterinária, MSc., Dra, Pós-Doutorado em Nutrição Animal Professora Adjunta

Leia mais

O chá verde e suas ações como quimioprotetor. Green tea as a chemoprotector

O chá verde e suas ações como quimioprotetor. Green tea as a chemoprotector O chá verde e suas ações como quimioprotetor O chá verde e suas ações como quimioprotetor Green tea as a chemoprotector Wanderlei Schmitz 1 ; Alexandre Yukio Saito 2 ; Dirceu Estevão 2 ; Halha Ostrensky

Leia mais

estauração LUME I - Iniciação VO Higiene e Segurança Alimentar na R Paulo Baptista / Mário Linhares Forvisão - Consultoria em Formação Integrada, S.A.

estauração LUME I - Iniciação VO Higiene e Segurança Alimentar na R Paulo Baptista / Mário Linhares Forvisão - Consultoria em Formação Integrada, S.A. Higiene e Segurança Alimentar na Restauração VOLUME I - Iniciação Paulo Baptista / Mário Linhares Forvisão - Consultoria em Formação Integrada, S.A. ficha técnica Título Higiene e Segurança Alimentar na

Leia mais

Ficha técnica. Coordenação M. Conceição Colaço

Ficha técnica. Coordenação M. Conceição Colaço Ficha técnica Manual produzido no âmbito do protocolo existente entre a Autoridade Florestal Nacional, o Centro de Ecologia Aplicada Prof. Baeta Neves do Instituto Superior de Agronomia (CEABN/ISA) e a

Leia mais

OVOS SORVETES & CASQUINHAS

OVOS SORVETES & CASQUINHAS 44 LÍQUIDOS, CONGELADOS OU EM PÓ? O sorvete é um alimento refrescante e nutritivo, acondicionado e apresentado em diversos formatos. As matérias-primas mais utilizadas pela indústria sorveteira são gemas

Leia mais

DOSSIÊ: OS MINERAIS NA ALIMENTAÇÃO

DOSSIÊ: OS MINERAIS NA ALIMENTAÇÃO Dossiê minerais Foto: Fortitech DOSSIÊ: OS MINERAIS NA ALIMENTAÇÃO Os minerais são substâncias nutritivas indispensáveis ao organismo, pois promovem desde a constituição de ossos, dentes, músculos, sangue

Leia mais

Alimentação Saudável, Atividade Física e Qualidade de Vida

Alimentação Saudável, Atividade Física e Qualidade de Vida Alimentação Saudável, Atividade Física e Qualidade de Vida Roberto Vilarta (Organizador) Autores e Pesquisadores do Grupo de Estudos em Atividade Física e Qualidade de Vida da Faculdade de Educação Física

Leia mais

Introdução I. INTRODUÇÃO

Introdução I. INTRODUÇÃO Introdução I. INTRODUÇÃO Este trabalho foi realizado no âmbito da disciplina de Seminário do 4º ano do curso de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra. Na temática aqui desenvolvida

Leia mais

GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA

GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA

Leia mais

Alimentação. em Tempos de

Alimentação. em Tempos de Alimentação em Tempos de Gripe Ficha Técnica Título: Edição: Concepção: ISBN: Alimentação em Tempos de Gripe Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto - FCNAUP Bela Franchini,

Leia mais

ESTUDO DO POTENCIAL CARCINOGÊNICO DOS AGROTÓXICOS EMPREGADOS NA FRUTICULTURA E SUA IMPLICAÇÃO PARA A VIGILÂNCIA DA SAÚDE.

ESTUDO DO POTENCIAL CARCINOGÊNICO DOS AGROTÓXICOS EMPREGADOS NA FRUTICULTURA E SUA IMPLICAÇÃO PARA A VIGILÂNCIA DA SAÚDE. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ CENTRO DE PESQUISAS AGGEU MAGALHÃES Doutorado em Saúde Pública CHEILA NATALY GALINDO BEDOR ESTUDO DO POTENCIAL CARCINOGÊNICO DOS AGROTÓXICOS EMPREGADOS NA FRUTICULTURA E SUA IMPLICAÇÃO

Leia mais

Declaração para uma vida melhor

Declaração para uma vida melhor É Tempo de Agir! Declaração para uma vida melhor ABORDAGEM DAS DOENÇAS CRÓNICAS ATRAVÉS DA PREVENÇÃO Níveis elevados de saúde e de bem-estar constituem a base para o desenvolvimento das diversas dimensões

Leia mais

O Futuro da Alimentação: Ambiente, Saúde e Economia

O Futuro da Alimentação: Ambiente, Saúde e Economia O Futuro da Alimentação: Ambiente, Saúde e Economia O Futuro da Alimentação: Ambiente, Saúde e Economia Autores Arlindo Cunha, Armando Sevinate Pinto, Augusto Manuel Correia, Benoît Miribel, Carlos Cardoso,

Leia mais

Glossário de Termos Usados em Atividades Agropecuárias, Florestais e Ciências Ambientais. Compilação: José Geraldo Pacheco Ormond

Glossário de Termos Usados em Atividades Agropecuárias, Florestais e Ciências Ambientais. Compilação: José Geraldo Pacheco Ormond Glossário de Termos Usados em Atividades Agropecuárias, Florestais e Ciências Ambientais Compilação: José Geraldo Pacheco Ormond Rio de Janeiro Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 3ª Edição

Leia mais

ÍNDICE GERAL I - INTRODUÇÃO

ÍNDICE GERAL I - INTRODUÇÃO ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS... 5 ÍNDICE DE FIGURAS... 6 ÍNDICE DE TABELAS... 7 LISTA DE ABREVIATURAS... 9 ABSTRACT... 12 OBJECTIVOS GERAIS... 13 I - INTRODUÇÃO 1. ANTIOXIDANTES... 15 1.1. INTRODUÇÃO GERAL...

Leia mais

CINCO CHAVES PARA UMA ALIMENTAÇÃO MAIS SEGURA MANUAL

CINCO CHAVES PARA UMA ALIMENTAÇÃO MAIS SEGURA MANUAL CINCO CHAVES PARA UMA ALIMENTAÇÃO MAIS SEGURA MANUAL Organização Mundial de Saúde DEPARTAMENTO DE SEGURANÇA ALIMENTAR, ZOONOSES E DOENÇAS DE ORIGEM ALIMENTAR CINCO CHAVES PARA UMA ALIMENTAÇÃO MAIS SEGURA

Leia mais

ALTERAÇÕES NOS NÍVEIS DE FERRITINA E TRANSFERRINA E SUA RELAÇÃO COM DOENÇA HEPÁTICA

ALTERAÇÕES NOS NÍVEIS DE FERRITINA E TRANSFERRINA E SUA RELAÇÃO COM DOENÇA HEPÁTICA UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE UNESC UNIDADE ACADÊMICA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE UNASAU CURSO DE FARMÁCIA CAMILA BRINGHENTI ALTERAÇÕES NOS NÍVEIS DE FERRITINA E TRANSFERRINA E SUA RELAÇÃO COM DOENÇA

Leia mais

As Algas Marinhas e Respectivas Utilidades

As Algas Marinhas e Respectivas Utilidades Leonel Pereira Departamento de Botânica Universidade de Coimbra Texto baseado na palestra com o mesmo título, integrada na iniciativa Contam as Plantas, organizada pelo Departamento de Botânica (FCTUC)

Leia mais

Nutrição e exercício na prevenção e controle das doenças cardiovasculares *

Nutrição e exercício na prevenção e controle das doenças cardiovasculares * ARTIGO DE REVISÃO Nutrição e exercício na prevenção e controle das doenças cardiovasculares * Ana Beatriz Ribeiro Rique 1, Eliane de Abreu Soares 2 e Claudia de Mello Meirelles 3 RESUMO As doenças cardiovasculares

Leia mais

SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS PERIGOSAS À SAÚDE E AO AMBIENTE

SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS PERIGOSAS À SAÚDE E AO AMBIENTE SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS PERIGOSAS À SAÚDE E AO AMBIENTE O Programa Internacional sobre Segurança Química (IPCS), implantado em 1980, é coordenado conjuntamente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio

Leia mais