Rogério Gandra Martins

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1 LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. ALÍQUOTAS FIXADAS DE ACORDO COM A ATIVIDADE EXPLORADA E NÃO CONFORME O FATURAMENTO OU CLASSIFICAÇÃO DE CADA UMA. DESONERAÇÃO DA FOLHA DE PAGAMENTO. LEI Nº /2014 Rogério Gandra Martins SUMÁRIO: I - Considerações Iniciais. II - Do Lucro Presumido. III - Tributação de Atividades Diversificadas. IV - Lei nº / Contribuição Patronal sobre a Receita Bruta. V - Conclusões. I - Considerações Iniciais Atualmente, não é raro depararmo-nos com empresas que possuem em seu contrato social, como objeto, a exploração de inúmeras atividades de natureza distinta, principalmente a locação de imóveis próprios. Nesse contexto, muitas vezes surgem dúvidas por parte dos contribuintes acerca da alíquota correta a ser adotada para cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro na hipótese de opção pelo regime do lucro presumido, como, por exemplo, se as alíquotas se relacionam somente à atividade explorada ou se o valor do faturamento de cada atividade deve ser observado para a "escolha" da alíquota certa, etc. Do mesmo modo, vários questionamentos surgiram quando da edição da MP nº 651/2014, convertida com várias alterações na Lei nº /2014, especialmente se a nova sistemática da contribuição social sobre a receita bruta seria opcional ou obrigatória, como ocorre no lucro real ou presumido. 1

2 Assim, atendo-se aos objetivos do presente trabalho, importante tecer, inicialmente, breves considerações acerca das principais características do regime do lucro presumido. II - Do Lucro Presumido A opção pelo lucro presumido é faculdade do contribuinte para o aferimento da base de cálculo do imposto de renda a ser pago pela pessoa jurídica, nos termos do art. 44 do Código Tributário Nacional, que assim prevê: "Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis." Diversamente do lucro real, a pessoa jurídica que apura o imposto de renda pelo lucro presumido não tem a necessidade de manutenção de complexos controles contábeis, sendo tal opção de livre-escolha da empresa contribuinte, desde que não se enquadre em nenhum dos impedimentos traçados pelo art. 14 da Lei nº 9.718/98 e alterações posteriores, in verbis: "Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I - cuja receita total no ano-calendário anterior seja superior ao limite de R$ ,00 (setenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº , de 2013) (vigência) II - cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; III - que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV - que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; 2

3 V - que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996; VI - que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). VII - que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. (Incluído pela Lei nº , de 2010)" Sendo assim, desde que a pessoa jurídica apresente no ano-calendário anterior receita igual ou inferior, atualmente, a R$ ,00, ou a R$ ,00 multiplicado pelo número de meses de atividade quando inferior a um ano, e não se enquadre nas demais hipóteses elencadas no art. 14 da Lei nº 9.718/98, poderá a mesma optar pelo regime do lucro presumido para pagamento do IR e da CSLL. Mister neste ponto apenas ressaltar que, no tocante à verificação de referido limite, devem ser consideradas todas as receitas da pessoa jurídica no ano anterior, ou seja, a receita bruta decorrente das atividades operacionais da empresa, acrescida de quaisquer outras receitas não operacionais (como, por exemplo, ganhos de capital, receitas financeiras, etc.). No regime do lucro presumido, a base de cálculo tanto do IR quanto da CSLL é obtida segundo uma "presunção" por parte do Estado de uma margem de lucro em relação ao faturamento total da empresa de acordo com a área de atuação, devendo ser obedecida a apuração em períodos trimestrais. Em outras palavras, o Estado define, por intermédio da Lei nº 9.430/96, os percentuais necessários para cálculo do lucro presumido, de acordo com a atividade econômica do contribuinte. Nesse sentido, dispõe o art. 25 da Lei nº 9.430/96: "Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do 3

4 Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos; e (Redação dada pela Lei nº , de 2014) [Vide art. 119 da Lei nº /2014] (vigência) II - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I, com os respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. (Redação dada pela Lei nº , de 2014) [Vide art. 119 da Lei nº /2014] (vigência) 1º O ganho de capital nas alienações de investimentos, imobilizados e intangíveis corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (Incluído pela Lei nº , de 2014) [Vide art. 119 da Lei nº /2014] (vigência) 2º Para fins do disposto no 1º, poderão ser considerados no valor contábil, e na proporção deste, os respectivos valores decorrentes dos efeitos do ajuste a valor presente de que trata o inciso III do caput do art. 184 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de (Incluído pela Lei nº , de 2014) [Vide art. 119 da Lei nº /2014] (vigência) 3º Os ganhos decorrentes de avaliação de ativo ou passivo com base no valor justo não integrarão a base de cálculo do imposto, no momento em que forem apurados. (Incluído pela Lei nº , de 2014) [Vide art. 119 da Lei nº /2014] (vigência) 4º Para fins do disposto no inciso II do caput, os ganhos e perdas decorrentes de avaliação do ativo com base em valor justo não serão considerados como parte integrante do valor contábil. (Incluído pela Lei nº , de 2014) [Vide art. 119 da Lei nº /2014] (vigência) 5º O disposto no 4º não se aplica aos ganhos que tenham sido anteriormente computados na base de cálculo do imposto. (Incluído pela Lei nº , de 2014) [Vide art. 119 da Lei nº /2014] (vigência)" E o aludido art. 15 da Lei nº 9.249/95 veicula os seguintes percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta: 4

5 "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1997, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de (Redação dada pela Lei nº , de 2014) (vigência) [Vide Medida Provisória nº 627, de 2013] 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I - um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II - dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III - trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa; (Redação dada pela Lei nº , de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). e) prestação de serviços de construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento de infraestrutura vinculados a contrato de concessão de serviço público. (Incluído pela Lei nº , de 2014) (vigência) [Vide Medida Provisória nº 627, de

6 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Incluído pela Lei nº , de 2005)" (grifamos) Destarte, a regra é de que o lucro presumido é composto de uma porcentagem de 8% sobre a receita bruta auferida, havendo as exceções de acordo com a atividade (alíquotas de 1,6% a 32%, art. 15 da Lei nº 9.249/95) e uma outra parte não decorrente da atividade operacional da empresa, como os ganhos de capital, demais receitas e outros ganhos também definidos em lei, os quais devem ser incluídos na base de cálculo do IRPJ em sua totalidade, ou seja, sem aplicação de qualquer percentual. Para a contribuição social sobre o lucro das empresas tributadas pelo lucro presumido, a base de cálculo, nos termos do art. 29 da Lei nº 9.430/96, é de 12% da receita bruta do trimestre, adicionada de ganhos de capital, de rendimentos de aplicações financeiras e outras receitas, exceto para as pessoas jurídicas enquadradas no inciso III do 1º do art. 15 da Lei nº 9.249/95, cuja a base de cálculo é de 32%, com a alíquota de 9%. III - Tributação de Atividades Diversificadas Nos casos em que a pessoa jurídica atue em mais de um segmento, ou seja, em que conste como objeto em seu contrato social mais de uma atividade, há a expressa determinação do 2º do art. 15 da Lei nº 9.249/95 para que seja aplicado "o percentual correspondente a cada atividade", ou seja, quando a pessoa jurídica 6

7 explora atividades distintas, como, por exemplo, comércio e prestação de serviços, devem ser observadas as alíquotas explicitadas pelo art. 15 para cada atividade. Nesse sentido, destaca-se a Solução de Consulta nº 123/2014 da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação - Cosit, cuja ementa segue abaixo: "LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE SOFTWARE. PERCENTUAL APLICÁVEL. A venda (desenvolvimento e edição) de softwares prontos para o uso (standard ou de prateleira) classifica-se como venda de mercadoria e o percentual para a determinação da base de cálculo do imposto é de 8% sobre a receita bruta. A venda (desenvolvimento) de softwares por encomenda classifica-se como prestação de serviço e o percentual para determinação da base de cálculo do imposto é de 32% sobre a receita bruta. Caso a consulente desempenhe concomitantemente mais de uma atividade, o percentual de presunção correspondente deve ser aplicado sobre o valor da receita bruta auferida em cada atividade. Dispositivos Legais: Decreto nº 3.000, de Regulamento do Imposto de Renda, arts. 518 e 519. Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. Ementa: LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE SOFTWARE. PERCENTUAL APLICÁVEL. A venda (desenvolvimento e edição) de softwares prontos para o uso (standard ou de prateleira) classifica-se como venda de mercadoria e o percentual para a determinação da base de cálculo da contribuição é de 12% sobre a receita bruta. A venda (desenvolvimento) de softwares por encomenda classifica-se como prestação de serviço e o percentual para determinação da base de cálculo da contribuição é de 32% sobre a receita bruta. Caso a consulente desempenhe concomitantemente mais de uma atividade, o percentual de presunção correspondente deve ser aplicado sobre o valor da receita bruta auferida em cada atividade. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 20 c/c art. 15, 1º; art. 15, 2º. (...) Fernando Mombelli - Coordenador-Geral da Cosit (Data da Decisão: , j )." 7

8 Observe que em nenhum momento a Lei nº 9.249/95 faz qualquer referência ao montante faturado por cada atividade para definição da alíquota cabível. A alíquota vincula-se exclusivamente à atividade explorada e não à receita bruta de cada atividade. Assim, é possível concluir que independentemente da receita total de cada atividade desenvolvida, ou da forma de classificação das mesmas no contrato social da pessoa jurídica - atividade principal ou secundária -, sempre deverá ser seguida a determinação do art. 15, 2º, da Lei nº 9.249/95. Em outras palavras, a receita advinda de cada atividade, seja esta principal ou secundária, não acarreta qualquer modificação no tocante à aplicação da regra traçada pelo art. 15, 2º, da Lei nº 9.249/95. Cada atividade tem sua alíquota previamente estabelecida pelo art. 15 da Lei nº 9.249/95, não havendo nada mais a ser observado pela empresa contribuinte além das características de sua atividade para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda. Especificamente no caso da locação de imóveis próprios, deve ser observado o previsto no art. 15, inciso III, c, da Lei nº 9.249/95. Assim, quando também consta no contrato social da pessoa jurídica como objeto a administração de imóveis próprios, deve ser aplicado o coeficiente de 32% sobre as receitas de aluguéis, para cálculo da base de cálculo do IR e da CSLL. De outro modo, quando não há tal previsão contratual, tais receitas são consideradas como outras receitas da pessoa jurídica, ou seja, não operacionais, devendo, portanto, serem adicionadas à receita bruta da empresa em sua totalidade, sem a aplicação de qualquer alíquota prévia (Lei nº 9.430/96, art. 25, inciso II). De acordo, ainda, com o 3º do art. 3º da IN da SRF nº 93/97, as "pessoas jurídicas exclusivamente prestadoras de serviços em geral, mencionados nas alíneas b a f do inciso IV do parágrafo anterior, cuja receita bruta anual seja de até R$ ,00 (cento e vinte mil reais), poderão utilizar, na determinação da parcela da base de cálculo do imposto de renda de que trata o 1º deste artigo, o percentual de 16% (dezesseis por cento)". 8

9 O que vale dizer que, se a receita bruta anual da locação de imóveis próprios for inferior a R$ ,00 e a atividade da empresa se resumir apenas à locação, ou seja, não há a prática de qualquer outra atividade, pode ser adotada a alíquota reduzida de 16% para a determinação da base de cálculo, ao invés do percentual de 32%, como decidido inúmeras vezes pela Administração: "LOCAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO. A pessoa jurídica que exerce atividade de locação de imóveis próprios pode aplicar o percentual reduzido de 16% para a determinação da base de cálculo do imposto de renda pela sistemática do lucro presumido, desde que atendidos os demais requisitos legais. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.430/96, arts. 1º e 25, I; Lei nº 9.249/95, art. 15, 1º, III, c; IN SRF nº 93/97, arts. 3º, 2º, IV, c, e 36, 3º; Lei nº 9.250/95, art. 40; e Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10/93." (Processo de Consulta 93/07, Superintendência Regional da Receita Federal - SRRF da 9ª Região Fiscal, Data da Decisão: , j ) "LOCAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO. As receitas de aluguel, decorrentes da locação de imóveis próprios, integram o conceito de receita bruta, submetida ao percentual de presunção de 32%, a ser utilizado na apuração das bases de cálculo do IRPJ, na sistemática do lucro presumido. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, 1º, III, c; IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, 1º; ADN Cosit nº 10, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. LOCAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO. As receitas de aluguel, decorrentes da locação de imóveis próprios, integram o conceito de receita bruta, submetida ao percentual de presunção de 32%, a ser utilizado na apuração das bases de cálculo da CSLL, na sistemática do lucro presumido. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.981, de 1995, arts. 31 e 57; Lei nº 9.249, de 1995, arts. 15, 1º, III, c, e 20; IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, 1º; ADN Cosit nº 10, de 1993." (Processo de Consulta 132/06, Superintendência Regional da Receita Federal - SRRF da 8ª Região Fiscal, Data da Decisão: , j ) "LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. A pessoa jurídica que exerça exclusivamente a atividade de locação de imóveis próprios, para determinação da base de cálculo 9

10 do imposto de renda com base no lucro presumido, deve aplicar o percentual de 32% (trinta e dois por cento). Caso a receita bruta anual seja de até R$ ,00 (cento e vinte mil reais), poderá utilizar o percentual de 16% (dezesseis por cento). Se exercer atividades diversificadas, independentemente do valor da receita bruta anual, deverá utilizar o percentual de presunção correspondente a cada atividade, sem qualquer redução. Dispositivos Legais: RIR/99, arts. 518 e 519; IN SRF nº 93/97, arts. 3º e 36; e ADN Cosit nº 10/93." (Processo de Consulta 12/13, Superintendência Regional da Receita Federal - SRRF da 8ª Região Fiscal, Data da Decisão: , j ) "LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. A pessoa jurídica que exerça exclusivamente a atividade de locação de imóveis próprios, para determinação da base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido, deve aplicar o percentual de 32% (trinta e dois por cento). Caso a receita bruta anual seja de até R$ ,00 (cento e vinte mil reais), poderá utilizar o percentual de 16% (dezesseis por cento). Se exercer atividades diversificadas, independentemente do valor da receita bruta anual, deverá utilizar o percentual de presunção correspondente a cada atividade, sem qualquer redução." (Processo de Consulta 13/13, Superintendência Regional da Receita Federal - SRRF da 8ª Região Fiscal, Dispositivos Legais: RIR/99, arts. 518 e 519; IN SRF nº 93/97, arts. 3º e 36; e ADN Cosit nº 10/93, Data da Decisão: , j ) "IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA. A administração e a locação de imóveis, próprios ou não, se enquadram na alínea c, inciso III, 1º, do art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda, atividades sujeitas à aplicação do percentual de 32% na determinação do lucro presumido. Somente as pessoas jurídicas exclusivamente prestadoras de serviço em geral podem se beneficiar da aplicação do percentual de 16% na apuração do lucro presumido sobre a receita bruta anual que não ultrapasse R$ ,00. Se exercer atividades diversificadas, independentemente do montante da receita bruta anual, deverá utilizar o percentual de presunção correspondente a cada atividade, sem qualquer redução. Dispositivos Legais: arts. 518 e 519, 1º, III, c, 3º e 4º, do Decreto nº 3.000, de 1999; arts. 3º e 36 da IN SRF nº 93, de 1997, e ADN Cosit nº 10, de 1993." 10

11 (Processo de Consulta nº 240/2011, Superintendência Regional da Receita Federal - SRRF da 8ª Região Fiscal, Data da Decisão: , j ) Necessário, ainda, comentar sinteticamente a Lei nº /2014, fruto da conversão da MP nº 651/2014 com inúmeras alterações. IV - Lei nº / Contribuição Patronal sobre a Receita Bruta A Lei nº /2014 tornou definitiva a desoneração da folha de pagamento prevista inicialmente pela Lei nº /2011 (conversão da MP nº 540/2011), segundo a qual, a partir de até , algumas empresas, seja pelo setor econômico, natureza da operação, seja pelo produto fabricado e/ou comercializado, passariam a recolher a contribuição patronal não mais à alíquota de 20% sobre a folha de salários, mas, sim, à alíquota de 1% ou 2%, conforme o caso, sobre a receita bruta. Em outras palavras, de acordo com a Lei nº /2011, para aquelas empresas por ela mencionadas, a contribuição patronal de 20% sobre a folha de pagamento seria substituída "temporariamente" pela contribuição previdenciária sobre a receita bruta às alíquotas de 1% a 2%, dependendo da atividade, do setor econômico ou do produto. Com a Lei nº /2014, tal desoneração passou a ser definitiva, assim como houve um aumento das empresas abrangidas por esta sistemática. No entanto, muito embora tais normas tenham sido amplamente divulgadas como benéficas para a redução da carga tributária, em virtude da desoneração da folha de pagamentos, na prática, para muitas empresas, como, por exemplo, para aquelas com um número reduzido de empregados, ou com um faturamento mensal elevado, a tributação sobre a receita bruta demonstrou-se muito mais onerosa do que a anterior sobre a folha. Melhor explicando, apesar de a nova sistemática prever uma alíquota bem menor, a tributação sobre a receita bruta acabou resultando, em muitos casos, em uma arrecadação muito maior do que os 20% sobre a folha de salários 11

12 anteriormente recolhidos, o que, inclusive, fez com que muitas empresas se socorressem do Poder Judiciário visando à manutenção do regime antigo. O fato é que a desoneração sobre a folha de pagamentos aplica-se somente para aquelas empresas expressamente citadas pelas Leis ns /2011 e /2014, sendo que, na hipótese de atividades diversificadas, deverão ser aplicadas ambas as regras, ou seja, recolhimento sobre a receita bruta e sobre a folha de pagamento, de modo proporcional a cada atividade. Nesse sentido, todavia, é importante esclarecer que referida desoneração não será aplicada nos casos em que a receita bruta da atividade não prevista for igual ou superior a 95% da receita bruta total da empresa. V - Conclusões a) Quando no contrato social da empresa está previsto como seu objetivo, dentre outras atividades, a locação de imóveis próprios, deve ser adotado o percentual de 32% sobre as respectivas receitas de aluguéis para cálculo da base de cálculo do IR e da CSLL. b) O fato de explorar atividades diversificadas não resulta em qualquer alteração relativa às alíquotas para apuração da base de cálculo do IR e da CSLL. A regra a ser observada é sempre a do 2º do art. 15 da Lei nº 9.249/95, segundo o qual para cada atividade dever ser aplicada sua alíquota específica. c) Para cálculo do lucro presumido, não importa se a atividade é principal ou secundária, bem como se o faturamento de uma é maior do que o da outra para apuração da base de cálculo. A alíquota está vinculada exclusivamente à atividade praticada, e não ao faturamento desta. d) A MP nº 651/2014, convertida na Lei nº /2014, que desonera a folha de pagamento, não é opcional, sendo obrigatória para todas aquelas empresas listadas em seus anexos. 12

13 Na verdade, a desoneração prevista na Lei nº /2014, tão comemorada pelos contribuintes, nada mais é do que a substituição da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamentos por uma nova contribuição previdenciária sobre a receita bruta total da empresa, a qual, muitas vezes, mostra-se mais elevada do que a anterior!!! 13

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