Notas Explicativas. Armando Madureira Borely

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1 CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Home page: - Notas Explicativas Armando Madureira Borely (Rio de Janeiro) atualização: 07/2014 1

2 SUMÁRIO Estrutura das Notas Explicativas Divulgação da política contábil Fontes de incerteza na estimativa Informações sobre a gestão do capital Comentários gerais às notas explicativas Comentários específicos às notas explicativas Critérios de avaliação dos elementos patrimoniais Investimentos Reavaliação Ônus, garantias e outras responsabilidades Empréstimo e financiamento Capital social Ajustes de exercícios anteriores Notas Explicativas conforme CPC e órgãos reguladores Exemplos sobre notas explicativas Conclusão Bibliografia 2

3 Segundo a Lei /09 Artº 37: As notas explicativas devem: NOTAS EXPLICATIVAS I. Apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; II. Divulgar informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações financeiras; III. Fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; e IV. Indicar: a) Os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisão para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo; b) Os investimentos em outras sociedades, quando relevantes; c) O aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações; d) Os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; e) A taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; f) O número, espécies e classes das ações do capital social; g) As opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; h) Os ajustes de exercícios anteriores; e i) Os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam a vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. 3

4 DIVULGAÇÃO DE POLÍTICAS CONTÁBEIS Informação sobre a base de mensuração utilizada na elaboração das demonstrações contábeis. Por exemplo: custo histórico, custo corrente, valor realizável líquido, valor justo. Cada entidade deve considerar a natureza de suas operações e as políticas que os usuários de suas demonstrações contábeis esperam que sejam divulgadas para esse tipo de entidade. Por exemplo: tipo de tributação a que esteja sujeita, política contábil para o ganho ou perda nas variações cambiais, reconhecimento dos instrumentos financeiros (mantidos até o vencimento, etc.). Algumas divulgações são requeridas por outras normas, interpretações e comunicados técnicos. FONTES DE INCERTEZA NA ESTIMATIVA A entidade deve divulgar nas notas explicativas informação acerca dos principais pressupostos relativos ao futuro, e outras fontes principais da incerteza das estimativas à data do balanço, que tenham risco significativo de provocar modificação material nos valores contábeis de ativos e passivos durante os próximos exercícios. Devem ser incluídos detalhes acerca da sua natureza e do seu valor contábil à data do balanço. Quando for impraticável divulgar a extensão de possíveis efeitos de pressuposto ou de outra fonte principal de incerteza das estimativas à data do balanço, a entidade deve divulgar que é razoavelmente possível, com base no conhecimento existente, que os valores dos respectivos ativos e passivos no próximo período tenham que sofrer ajustes materiais em função da observação da realidade distinta em relação àqueles pressupostos assumidos. INFORMAÇÕES QUANTO À GESTÃO DO CAPITAL As entidades devem divulgar informações que permitam aos usuários das demonstrações contábeis avaliarem seus objetivos, políticas e processos de gestão do capital, como por exemplo: o Descrição dos elementos abrangidos pela gestão do capital; 4

5 o Caso a entidade esteja sujeita a requisitos de capital impostos externamente, a natureza desses requisitos e a forma como são integrados na gestão de capital; o Como está cumprindo seus objetivos em matéria de gestão de capital. COMENTÁRIOS GERAIS ÀS NOTAS EXPLICATIVAS Notas explicativas podem ser evidenciadas através de quadros analíticos ou outras demonstrações contábeis. As notas devem ser claras e ordenadas, fazendo sempre que possível, referência aos itens das demonstrações contábeis. A menção de um erro em nota explicativa não justifica o erro. Em algumas situações são necessárias notas explicativas adicionais àquelas previstas na lei. Ou, em algumas situações, as notas explicativas determinadas na lei não são aplicáveis. Exemplo da última situação: estoques e imobilizado na prestadora de serviços, etc. É importante incluir uma nota sobre as operações da empresa, a fim de que os usuários possam melhor avaliar a situação financeira da empresa, analisar os indicadores de liquidez, endividamento, rentabilidade e outros. Isso pode incluir: atividades, base de operações, mercado, etc. COMENTÁRIOS ESPECÍFICOS ÀS NOTAS EXPLICATIVAS Critérios de avaliação dos elementos patrimoniais a) Avaliação das aplicações temporárias em títulos e valores mobiliários, ouro, etc. (custo atualizado ou mercado); b) Base e critério da provisão para perdas nas vendas à prazo; c) Critério de valorização dos estoques; d) Critério de avaliação do imobilizado, por classe, destacando os bens arrendados, taxas de depreciação, valor residual, método de aplicação das taxas. Incluir o movimento do período; e) Critério de avaliação dos investimentos, ou seja, se estão avaliados ao custo menos provisões para perda, ou pelo MEP, no caso de controladas e coligadas; f) Critério de registro do passivo, quanto a empréstimos e financiamentos, incluindo prazos, apropriação dos juros, vencimento, condições de negociação. g) Base de contabilização do imposto de renda e da CSSL, incentivos fiscais, etc. 5

6 Investimentos Investimentos em coligadas e controladas, incluindo detalhes como: valor, empresa, percentuais, etc. Os demais investimentos também devem ser objeto de nota explicativa. Reavaliações Caso a empresa tenha efetuado reavaliação no passado, deve divulgar esse fato, contemplando: Histórico e data das reavaliações; Sumário da contas reavaliadas; Efeito no resultado do exercício, quanto a depreciações, amortizações, etc. Divulgar novas avaliações (permitidas por lei) e se houve estorno dos saldos existentes na reserva de reavaliação. Ônus, garantia e outras responsabilidades Ônus sobre elementos dos ativos e garantias prestadas a terceiros, tais como aquelas relacionadas a empréstimos e financiamentos obtidos (bancos ou fornecedores), operações de créditos que envolvam duplicatas ou estoques. Outras responsabilidades e contingências ativas ou passivas, tais como: fiscais, trabalhistas, produtos que envolvam risco de acidente em relação à saúde de terceiros, contratos de risco (compra e venda de opções, mercado futuro, etc.) Empréstimos e financiamentos A prática é fornecer informações sobre o exigível a longo prazo, onde devem ser mencionados os credores, saldos, datas de vencimento, valor das prestações, taxas de juros e garantias fornecidas, a moeda de pagamento (real ou moeda estrangeira), parcelas ainda não liberadas e, portanto, não contabilizadas. Capital social Devem ser considerados: o limite do capital autorizado, número, espécie e classe de ações que poderão (ou foram) emitidas, opção de compra de ações, se houver, aos administradores, empregados, ou outras pessoas. Ajustes de exercícios anteriores Os ajustes de exercícios anteriores contabilizados na conta de Prejuízos acumulados. 6

7 Podem ser referentes ao efeito de mudanças de práticas contábeis inseridas durante o exercício, ou à retificação de erros de exercícios anteriores não atribuíveis a fatos subsequentes. Deve ser descrita a natureza da mudança de critério contábil e o valor do efeito gerado calculado com base nos saldos no início do exercício. No caso de retificação de erro, deve ser descrita a sua natureza e o valor do ajuste. NOTAS EXPLICATIVAS CONFORME CPC E ÓRGÃOS REGULADORES Além das notas explicativas obrigatórias pela lei /09, existem outras informações a serem divulgadas, previstas pelo CPC 26 Apresentação das Demonstrações Contábeis, aprovado pela deliberação CVM 595/09 e pela Resolução CFC 1.185/09. As principais são as seguintes: Composição das contas; Demonstração do cálculo do dividendo mínimo obrigatório; Lucro por ação e dividendo por ação; Segregação entre circulante e não circulante; Seguros; Amortização do ágio; Arrendamento mercantil; Tributos sobre o lucro; Variações cambiais e conversão das demonstrações contábeis; Demonstrações contábeis consolidadas; Debêntures; Subvenções governamentais; Benefícios a empregados e planos de aposentadoria e pensões; Divulgação de instrumentos financeiros; Composição das disponibilidades (DFC); Ações em tesouraria; Capacidade ociosa; Continuidade normal dos negócios (incertezas relevantes); Programa de desestatização; Vendas ou serviços a realizar; Juros sobre capital próprio; Estoques; Ativos especiais; Equivalência patrimonial; Ativo intangível; Programa de Recuperação Fiscal (REFIS); Ativo imobilizado; perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa; Opções de compra de ações; Despesas e receitas financeiras; Instrumentos financeiros derivativos; 7

8 Adoção de nova prática contábil e mudança de política contábil; Correção de erros de períodos anteriores; Mudanças em estimativas contábeis; Segmentos de negócios; Informações sobre concessões; Ativo não circulante mantido para venda e operação descontinuada; Provisões, passivos e ativos contingentes; Redução ao valor recuperável dos ativos; Ajuste a valor presente; Combinação de negócios; Investimento em coligada e controlada; Propriedade para investimento; Receitas (reconhecimento, categorias, etc.); Destinação dos lucros; Evento subsequente; e Outras notas que forem consideradas relevantes. Ponto de Atenção Exemplo de NE x Erro: Efetua-se o diferimento de uma despesa que deveria estar considerada integralmente no resultado. O erro não é sanado, mas, a empresa evidencia o fato em nota explicativa. A nota é obrigatória, entretanto, as demonstrações continuam erradas e não se deve considerar a evidenciação como atenuante. Exemplo de demonstrações adicionais: As companhias fechadas que apresentem, na data do balanço, um patrimônio líquido inferior a R$ ,00 estão dispensadas da publicação da Demonstração dos Fluxos de Caixa. Nesse caso, a DFC constitui-se em uma demonstração complementar com benefícios para o usuário da informação. Exemplo de Ajuste de Exercício Anterior: A Sociedade introduziu, durante o exercício, uma mudança no critério de contabilização das despesas incorridas com a cláusula contratual de garantia sobre defeitos de fabricação de seus produtos, passando do regime de caixa para o regime de competência, mediante uma provisão para garantia. O efeito dessa mudança foi de R$ mil, debitados à conta de Prejuízos Acumulados. 8

9 Exemplo de nota sobre ônus reais, garantias prestadas e outras responsabilidades eventuais e contingentes A Sociedade tem, em 31 de dezembro de 20x1, R$ mil de estoques e R$ mil de bens do ativo imobilizado, dados em garantia de financiamento bancário. (Discriminar por classe, tanto o estoque como o imobilizado). A Sociedade tem, em 31 de dezembro de 20x1, R$ mil de avais concedidos a sociedades controladas e coligadas. (Discriminar as sociedades e o valor para cada uma delas). Parte do edifício administrativo, está em litígio com as autoridades municipais para desapropriação. Exemplo de nota sobre empréstimo a longo prazo Os empréstimos a longo prazo tem os seguintes vencimentos: 20x1 R$ 20x0 R$ Vencimento 20x x x x Após 20x Total Obs.: Os empréstimos vencem juros de 15% ao ano e estão garantidos por bens do ativo imobilizado no montante de R$ (20x0 R$ ). 9

10 CONCLUSÃO Conforme verificamos, as Notas Explicativas são de grande utilidade para os usuários das demonstrações contábeis, já que as mesmas integram o conjunto de relatórios a serem publicados. As empresas devem se esforçar para encontrar um meio-termo no sentido de não deixar de publicar as notas exigidas pela legislação e normatização contábil e o excesso que venha a prejudicar ou confundir a análise dos interessados. As notas explicativas referentes à prática contábil específica do ramo de atividade da empresa esclarecem e as tornam eficazes quando utilizadas em conjunto com as demais. 10

11 BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Manual Prático de Interpretação Contábil da Lei Societária. 2 ed. Ed. Atlas. SP CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC 1.376/11 de 08/12/2011 Alteração da Apresentação das Demonstrações Contábeis e Contratos de Concessão. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC 1.185/09 de 15/09/2009 Apresentação das Demonstrações Contábeis. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. NBC TG 26 (R1) de 20/12/2013 Apresentação das Demonstrações Contábeis. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC 1.184/09 de 15/09/2009 Eventos Subsequentes. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. NBC TG 24 (R1) de 11/12/2013 Eventos Subsequentes. IUDÍCIBUS, Sérgio de. MARTINS, Eliseu. GELBECKE, Ernesto R. SANTOS, Ariovaldo dos. Manual de Contabilidade Societária. 2 ed. Ed. Atlas. SP

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