Gilmara Noronha Guimarães 1 Rafaela Campos Emídio 2 Rogério Raulino Bernardino Introdução

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1 Comparação entre a média de permanência padronizada pelo Ministério da Saúde e a calculada em tempo real de um Hospital de Ensino da cidade de Manaus - AM. 1. Introdução Gilmara Noronha Guimarães 1 Rafaela Campos Emídio 2 Rogério Raulino Bernardino 2 Os Serviços de Saúde são avaliados através de estatísticas construídas a partir de dados referentes a eventos vitais, características da população, doenças e serviços, bem como atividades sanitárias [1]. Nesse contexto, a avaliação da situação de saúde também pode ser complementada pelos indicadores hospitalares [4]. De forma mais ampla os indicadores são medidas usadas para descrever a atual situação de um determinado fenômeno, fazer comparações a partir dessa descrição, verificar a ocorrência de mudanças ou tendências, para então avaliar o desempenho do mesmo e executar a tomada de decisões. Vale ressaltar que: O trabalho com indicadores é o primeiro passo na evidência de transparência nas ações de uma instituição, mais ainda, no momento em que se propagam parcerias público-privadas, em que certamente haverá espaço para hospitais públicos e privados, laboratórios e outros ramos da indústria que poderão interagir [2]. Dentre os indicadores hospitalares de produção, padronizados pelo Ministério da Saúde MS, o indicador média de permanência é um dos principais e tem grande importância para a Gestão de Saúde. Permite avaliar tanto a eficiência de uma determinada unidade hospitalar quanto serve de base para mensurar o número de leitos necessários ao atendimento da população [5]. A média de permanência também indica o equilíbrio do custo hospitalar, pois se um paciente excede o número de dias internado permitidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), viabiliza um aumento do custo paciente-dia, que é o valor correspondente a todos os gastos com o paciente em um dia de internação [3]. 1 Fundação Hospital Adriano Jorge - FHAJ 2 Universidade Federal do Amazonas - UFAM 1

2 Para a realização do presente estudo decidiu-se pela Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), que é um hospital geral de referência para tratamento de diversas patologias, permitindo uma média de permanência, muitas vezes, longa. A importância do referido estudo justifica-se pelo fato de que a curta permanência do paciente no ambiente hospitalar traduz-se em alto nível de atendimento, redução de custo de hospitalização, melhor utilização de leitos, maior produção de saúde para a coletividade, dentre outros. Ao executar a comparação entre os dois modelos de cálculo, verificar-se-á se existem diferenças significativas entre eles, e qual deles seria mais efetivo para aplicação no hospital estudado. 2. Material e métodos Trata-se de um estudo descritivo e comparativo, com duração de 12 meses, cujo início para coleta de dados ocorreu em setembro de A população de estudo foi composta pelo total de prontuários de pacientes internados, no período de janeiro de 2009 a junho de O instrumento de coleta foi uma ficha para transcrição dos dados, onde estão descritas as variáveis de interesse do estudo. Os elementos amostrais foram o prontuário e a ficha social do paciente. O tamanho da amostra está estimado em relação á proporção de internações na FHAJ, estratificado por clínica. Adotou-se uma precisão de 5%, com 95% de confiança, obteve-se um tamanho de amostra de 255 prontuários. Por se tratar de amostragem estratificada usando o critério de proporcionalidade, optou-se por realizar um sorteio sistemático, onde o prontuário que estiver dentro dos critérios de inclusão do estudo fará parte da amostra. 3. Resultados e discussões Realizou-se uma análise descritiva e inferencial dos dados. A média de permanência em tempo real foi calculada considerando o n.º de dias que o paciente ficou internado na FHAJ, para tal foram consideradas as variáveis data de internação e data de alta. Para verificar se existia diferenças significativas entre os dois modelos de indicadores foi 2

3 Distribuição % utilizado o teste estatístico t-student, considerando um nível de 5% de significância. Para levantar o motivo da longa permanência foi realizada uma busca ativa nos prontuários dos pacientes. Os dados foram tabulados e analisados do programa MINITAB versão Foram consideradas apenas duas características pessoais da amostra estudada: gênero e faixa etária. Observou-se que, conforme apresentado na Figura 1, a maioria dos pacientes é do gênero masculino (51%), enquanto que 49% são do gênero feminino. Feminino 49% (125) Masculino 51% (130) Figura1. Distribuição por Gênero dos pacientes internados na FHAJ entre janeiro e junho de Quanto à faixa etária, observou-se que a maioria dos pacientes tem entre 46 e 60 anos (25,88%), enquanto que a minoria está entre zero e 15 anos de idade. A idade média dos pacientes internados na FHAJ no período foi de 45 anos (Figura 2). 22,35 24,71 25,88 16,08 4,31 6,67 0 a a a a a a 95 Faixa Etária (em anos) Figura2. Distribuição por faixa etária dos pacientes internados na FHAJ entre janeiro e junho de

4 Com relação às características clínicas da amostra foram consideradas: clínica de internação dos pacientes, motivo de internação, data da internação e data de alta (período de internação). Na Tabela 1 verificou-se a distribuição por clínica dos pacientes internados, onde a maioria dos pacientes esteve internada na Clínica Médica (31,76%). Tabela 1. Distribuição por clínica da quantidade de pacientes internados na FHAJ entre janeiro e junho de CLÍNICA FREQUÊNCIA % Cirúrgica 79 30,98 Ortopédica 60 23,53 Médica 81 31,76 UTI 22 8,63 Tsiologia 13 5,10 TOTAL ,00 Fonte: Fundação Hospital Adriano Jorge / SAME (2009) Com relação aos principais motivos para internação, observou-se que a maioria dos pacientes internou por Colelitíase (30,4%), conforme apresentado na Tabela 2. Tabela 2. Distribuição dos principais motivos de internação na FHAJ no período de janeiro a junho de MOTIVO DA INTERNAÇÃO FREQUÊNCIA % Colelitíase 38 30,4 Traumatismo Craniano 17 13,6 Hérnia Inguinal 14 11,2 Tuberculose Pulmonar 14 11,2 Lesão do Joelho 9 7,2 AVC Hemorrágico 8 6,4 Miomatose Uterina 7 5,6 Fratura do Tornozelo 6 4,8 Hipertensão Arterial 6 4,8 Lúpus 6 4,8 TOTAL ,0 Fonte: Fundação Hospital Adriano Jorge / SAME Na Tabela 3 verificou-se que o motivo mais freqüente para a longa permanência de internação dos pacientes foi tratamento clínico cirúrgico, principalmente quando o paciente necessitou realizar tratamento medicamentoso prolongado (85,19%). 4

5 Tabela 3. Relação dos motivos principais para a longa permanência dos pacientes na FHAJ entre janeiro e junho de Motivo da Longa Permanência Frequência % Tratamento Clínico/Cirúrgico 23 85,19 Cirurgia tranferida para outro dia 2 7,41 Complicação no pós-operatório 1 3,70 Suporte Avançado de Vida em UTI 1 3,70 TOTAL ,00 Fonte: Fundação Hospital Adriano Jorge / SAME (2009) Ao verificar as diferenças de médias entre os dois modelos de indicadores, observouse que, se não considerarmos a clínica de internação dos pacientes, não há evidências de que exista diferença significativa entre eles (p-valor = 0,061). Ao estratificar as diferenças por clínica de internação, observou-se que há evidências de que existe diferença significativa entre as médias apenas para a Clínica Médica. (p-valor < 0,05). Para todos os cálculos com o teste t-student foi considerada a significância de 5%. 4. Conclusões A pesquisa foi muito pertinente, principalmente porque ainda não havia sido realizados estudos desse tipo na Fundação. Dessa forma, a pesquisa confirmou a importância do indicador Média de Permanência e que a funcionalidade do mesmo na Fundação Hospital Adriano Jorge está dentro do que se espera pelo modelo preconizado pelo MS. 5. Referências [1]AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, Indicadores. Disponível em: <http:// Acesso em: 22.jun [2] BITTAR, Olímpio J. Nogueira V. Indicadores de qualidade e quantidade em saúde Parte II. Revista de Prevenção em Saúde, Vol. 6, n.23, jan-mar, p.16. [4] LAURENTI, R. et al. Estatísticas de Saúde. 2a. edição. São Paulo, E.P.U., [5] SANTOS, Marcelo Cincotto Esteves et al. O indicador hospitalar média de permanência e sua aplicação no ambiente hospitalar. São Paulo, UNIFESP,

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