PALESTRA SOBRE SITUAÇÃO ATUAL DA FEBRE MACULOSA BRASILEIRA

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1 PALESTRA SOBRE SITUAÇÃO ATUAL DA FEBRE MACULOSA BRASILEIRA NICOLAU MAUÉS SERRA-FREIRE BMV, MSc., PhD., Chefe do Laboratório de Ixodides Diretor do Curso de Medicina Veterinária - Universidade Estácio de Sá

2 Nomes Nomes da Doença. Febre Maculosa Brasileira Febre Maculosa Tifo Exantemático tico Tifo Exantemático tico de São S o Paulo Febre das Montanhas Rochosas Riquetsiose Doença a do Carrapato

3 O que q é esta doença? É uma doença a causada por uma bactéria; é doença a infecciosa conhecida internacionalmente por ter distribuiçã ção mundial; a bactéria causadora é identificada por Rickettsia rickettsii, é transmitida por carrapatos, e se conhece desde o século s XIX, mas no Brasil tem sido pouco assinalada. É uma doença a que pode acontecer em humanos e em animais não n o humanos caracterizando-se como zoonose.

4 Quais são os animais que se infectam com a bactéria? Eqüídeos = cavalo, burro, asno. Canídeos = cão, cachorro do mato, lobo guará. Bovídeos = boi, zebu. Roedores = rato, capivara, camundongo, ratazana. Animais silvestres = gambá, ratão do banhado. Primatas = homem.

5 Quais são os animais que se infectam com a bactéria? Eqüídeos Cavalos

6 Quais são os animais que se infectam com a bactéria? Canídeos Cão doméstico

7 Quais são os animais que se infectam com a bactéria? Roedores = rato, capivara, camundongo, ratazana.

8 Quais são os animais que se infectam com a bactéria? Primatas - humano

9 Como Rickettsia rickettsii infecta o homem? Por transfusão de sangue contendo a bactéria. Por picada de carrapato infectado. Neste caso é necessário que o carrapato permaneça um mínimo de quatro horas fixados na pele do humano, em média mais de seis horas em processo de busca de alimento, que é o sangue do hospedeiro.

10 Rickettsia rickettsii infecta por transfusão de sangue contendo a bactéria.

11 Amblyomma cajennense = carrapato do cavalo; carrapato da anta; carrapato estrela ; carrapato rodoleiro; carrapato redoleiro; micuim; carrapatinho. Amblyomma aureolatum = carrapato silvestre do cão; carrapato amarelo do cão. Amblyomma dubitatum (= Amblyomma cooperi) = carrapato da capivara. Rhipicephalus sanguineus = carrapato vermelho do cão. Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Boophilus microplus = carrapato do bovino, carrapato da vaca, carrapato. Anocentor nitens = carrapato da orelha do cavalo; carrapato tropical do cavalo; carrapato do cavalo troncho (encontrado naturalmente infectado).

12 Quais Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Amblyomma cajennense = carrapato do cavalo; carrapato da anta; carrapato estrela ; carrapato rodoleiro; carrapato redoleiro; micuim; carrapatinho. As larvas são os principais vetores. Micuins na vegetação

13 Quais Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Amblyomma cajennense = carrapato do cavalo; carrapato da anta; carrapato estrela ; carrapato rodoleiro; carrapato redoleiro; micuim; carrapatinho. A fêmea é o principal amplificador.

14 Quais Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Amblyomma cajennense = teleógina se despendendo do hospedeiro para oviposição. Visão frontal

15 Quais Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Amblyomma cajennense = teleógina em oviposição de ovos infectados por riquétsias.

16 Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Amblyomma dubitatum (= Amblyomma cooperi) = carrapato da capivara. Já encontrado parasitando humanos.

17 Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Macho de Rhipicephalus sanguineus = carrapato vermelho do cão. Já encontrado parasitando humanos e outros mamíferos.

18 Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Fêmea de Rhipicephalus sanguineus = carrapato vermelho do cão. Já encontrado parasitando humanos e outros mamíferos. Decúbito ventral

19 Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Fêmea de Rhipicephalus sanguineus = carrapato vermelho do cão. Já encontrado parasitando humanos e outros mamíferos. Decúbito dorsal

20 Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Boophilus microplus = carrapato do bovino, carrapato da vaca, carrapato. Já encontrado parasitando outros mamíferos.

21 Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Fêmea de Anocentor nitens = carrapato da orelha do cavalo; carrapato tropical do cavalo; carrapato do cavalo troncho. Já encontrado parasitando outros mamíferos.

22 Quais são os carrapatos envolvidos na transmissão? Larva de Anocentor nitens = carrapato da orelha do cavalo; carrapato tropical do cavalo. Já encontrado parasitando outros mamíferos.

23 Como o carrapato se infecta com a Rickettsia rickettsii Quando o carrapato se alimenta em um animal infectado pela bactéria ele recebe a Rickettsia rickettsii junto com o sangue; a bactéria atravessa a parede do intestino e invade o corpo do carrapato. Fêmeas de carrapato sofrem infecção do ovário e todos os ovos produzidos estarão infectados; as larvas oriundas destes ovos nascerão infectadas e transmitirão a bactéria.

24 Como o carrapato se infecta com a Rickettsia rickettsii Esquema do cone de fixação do carrapato Queratina Cemento Epiderme Derme inflamada Zonas do cone de fixação

25 Como se detecta no carrapato a infecção por Rickettsia rickettsii?

26 Como se detecta no carrapato a infecção por Rickettsia rickettsii?

27 Como se detecta no carrapato a infecção por Rickettsia rickettsii? Hemócito de carrapato com riquétsias

28 Como o carrapato infecta com a Rickettsia rickettsii outro hospedeiro A bactéria fica mantida em circulação silvestre (carrapato animal hospedeiro carrapato filhos animal hospedeiro); a invasão do homem em área silvestre, o transporte de carrapatos silvestres para o ambiente rural ou urbano, ou a entrada de carrapatos de animais zootécnicos em contato com animais silvestres pode gerar a circulação da bactéria em ambiente urbano.

29 Como pode ser reconhecida a doença no humano? Por lesões cutâneas advindas de flebite generalizada; febre intermitente.

30 Como pode ser reconhecida a doença no humano? Por lesões cutâneas advindas de flebite generalizada; febre intermitente.

31 Como pode ser reconhecida a doença no humano? Os sintomas e sinais clássicos da doença são: febre intermitente, dor de cabeça, desconforto físico; história de infecção por carrapato, mancha vermelhas na pele (máculas), inicialmente pequenas e que crescem; evolução para confusão mental.

32 Como pode ser reconhecida a doença no humano? Outras manifestações incluem: alterações físicas (cansaço, desequilíbrio em estação); alterações respiratórias (tosse,( dor no peito, pneumonia); alterações urinárias (insuficiência( urinária); alterações digestivas (náuseas,( vômitos, dor abdominal, falta de apetite); alterações nervosas (convulsão,( confusão mental, perda de consciência, meningite).

33 A A Febre Maculosa Brasileira é de fácil reconhecimento? Os sintomas e sinais de fácil observação e comprovação, mas também de fácil confundimento com outras doenças. É necessário fazer a distinção com: meningite meningocócica, dengue, leptospirose, sarampo, gripe, pneumonia, entre outras.

34 A A Febre Maculosa Brasileira é de fácil intervenção? Se o diagnóstico for correto e precoce, o tratamento iniciado rapidamente, a prescrição medicamentosa seguida corretamente, o resultado será a cura completa. Os medicamentos usados são antibióticos de preços accessíveis que podem ser adquiridos facilmente. A gravidade dos casos é inversamente proporcional ao tempo gasto para o diagnóstico, a implementação do tratamento e a obediência ao que for prescrito.

35 Qual a incidência da Febre Maculosa Brasileira no Brasil? Há registros da doença desde a década de 20 no século XX, quase todos os registros relativos a região sudeste. Nas décadas de 50, 60 e 70, no século XX, praticamente não aconteceram casos, ou não foram notificados; na década de 80 recomeçam encontros de casos, ainda na região sudeste, mais precisamente em São Paulo.

36 Qual a incidência da Febre Maculosa Brasileira no Brasil? Houve melhoria na notificação da doença a partir do momento em que foi incluída na lista de doenças de notificação compulsória através da Portaria non 1943/GM, de 18 de outubro de Houve sub-notificação de casos, e parece que há deficiência de conhecimento sobre a doença entre profissionais da área de saúde. Entre foram notificados 386 casos, que por estado são:

37 Estado Espírito Santo Rio de Janeiro Minas Gerais Número de casos Percentagem de letalidade 30 23% 55 24% % São o Paulo % Santa Catarina 26 0%

38 Coeficiente de letalidade da Febre Maculosa Brasileira, por estado, entre 1995 e ES RJ MG SP SC Coeficiente de Letalidade

39 A A incidência ncia anual para estes cinco estados, nos últimos 10 anos foi: Ano Número de casos Número de óbitos Letalidade ,15% ,67% ,14% ,14% ,90% ,61% ,70% , 00% ,00% ,85% Total ,98%

40 A A incidência ncia anual de casos de Febre Maculosa Brasileira em cinco estados, entre os anos de 1995 e Casos Casos Óbitos

41 Tendência ncia do coeficiente de letalidade da Febre Maculosa Brasileira em cinco estados, entre os anos de 1995 e Mortes

42 Como ter certeza se houve ou não infecção por Rickettsia rickettsii? Se você vive em área de ocorrência de casos, sentir alguns dos sintomas, manifestar alguns dos sinais, mesmo que não tenha consciência de haver sido parasitado por carrapato, procure atendimento médico, preferencial mente no posto de saúde; fale com o ACS (Agente Comunitário de Saúde). Caso seja suspeitado de ser caso de Febre Maculosa Brasileira haverá solicitação de exame sorológico do sangue, específico para a doença; só o médico pode solicitar.

43 Como ter certeza se houve ou não infecção por Rickettsia rickettsii? Se o resultado do exame sorológico der resultado positivo, mas você não apresentou nenhum sintoma ou sinal, é sinal que seu organismo reagiu a infecção da Rickettsia rickettsii,, venceu a disputa com a bactéria e guardou na memória, por isso tem anticorpos. Você não está doente.

44 Como ter certeza se houve ou não infecção por Rickettsia rickettsii? Se o resultado do exame sorológico der resultado positivo, você desenvolveu sintomas e/ou sinais da doença, o médico estará prescrevendo o tratamento que deve ser seguido à risca. Você está doente, mas tem todas as condições de se recuperar com o tratamento. Se você não procurar o serviço de saúde, não realizar o exame sorológico do sangue, não voltar para saber o resultado do exame, ou não seguir as prescrições médicas no tratamento, você corre risco de vida.

45 É É possível se imunizar em relação a Febre Maculosa Brasileira? Existe vacina própria contra a Febre Maculosa Brasileira, porém não há recomendação para vacinação massal. Primeiro porque a incidência é baixa em relação ao tamanho da população; segundo porque há tratamento eficaz, efetivo e eficiente, rápido, barato e disponível.

46 É É possível se prevenir em relação a Febre Maculosa Brasileira? Evitar o contato com carrapatos é uma medida muito boa. Evite entrar em áreas infestadas por carrapatos; se souber de áreas infestadas em ambiente urbano ou peri-urbano, comunique a Secretaria de Saúde do município, o Serviço de Controle de Zoonoses, converse com Médico Veterinário buscando orientação. Não use medicamentos líquidos, pós, suspensões, sabonetes para dar banho em animais ou em si próprio, ou em vegetais e estruturas físicas; não faça auto-tratamento. tratamento. Estas iniciativas são perigosas, empíricas, pouco eficazes e quase sempre desastrosas.

47 Casos de Febre Maculosa Brasileira no Estado do Rio de Janeiro Ano Suspeito Compatí vel Confirm ado Descarta do Total Númer o de óbitos Percenta gem de óbitos Total

48 Obrigado.

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