QUEM FAZ E COMO SE FAZ O BRASIL? Professor: Joaldo Dantas de Medeiros Sociologia 3ª Série

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1 QUEM FAZ E COMO SE FAZ O BRASIL? Professor: Joaldo Dantas de Medeiros Sociologia 3ª Série

2 A SOCIOLOGIA E O MUNDO DO TRABALHO Durkheim, sociólogo francês do final do século XIX, ao observar a vida social de seu tempo, deu-se conta do quanto ela havia sido modificada pelas novas formas de produzir bens. Para ele, era no ambiente das fábricas, das corporações, do trabalho, enfim, onde os homens e as mulheres passavam a maior parte do seu tempo, que eles aprendiam a se relacionar com seus ofícios e com as pessoas com as quais conviviam. Da mesma forma, nós também podemos nos perguntar: Onde passamos a maior parte do nosso tempo? O que fazemos com nossos dias?

3 A sociedade urbana criou uma diversidade de ocupações e de espaços onde se pode trabalhar. Como vimos com Durkheim, se os trabalhadores passam a maior parte do seu tempo no local de trabalho, eles têm de aprender ali o que podem ou não podem fazer, que atitude se espera deles, como devem conviver com os que estão a seu lado. Durkheim buscava entender o tipo de sociedade que existia dentro deste campo de trabalho. Como ele identificava essa sociedade? Pelas regras, normas e orientações definidas para que todos soubessem como deveriam proceder e como seriam punidos caso não respeitassem o que fora estipulado.

4 Acontece que nem sempre todas as pessoas têm trabalho, e nem todas, mesmo trabalhando, o fazem em lugares fixos. Fala-se muito no Brasil em trabalho formal e trabalho informal. TRABALHO FORMAL é aquele que é regulado por regras precisas: carteira assinada, números de hora de trabalho, salário correspondente, direito a férias e ao 13º salário e contribuição para Previdência Social. Mas no Brasil, existe um número grande de jovens e adultos que estão fora desse ambiente formal.

5 COMEÇAMOS MAL, OU O PASSADO NOS CONDENA? O trabalho no período colonial no Brasil pautou-se por modalidades compulsórias, sendo a escravidão a principal e a mais cruenta de todas. Tudo começou quando a população que habitava a terra foi capturada pelos portugueses, que aqui aportaram em 1500, para trabalhar na extração do pau-brasil que seria vendido no mercado internacional. Os nativos povos diferentes, que os portugueses chamaram genericamente de índios foram portanto, os primeiros cobaias dessa forma compulsórias, obrigatória, de trabalhar. Posteriormente as tentativas de aprisionamento e escravização dessas populações tiveram como meta o cultivo da cana-de-açúcar. A história do trabalho na colônia teve um começo cruel que prosseguiu com mais sofrimento. Aos índios seguiram-se os negros africanos, que já vieram escravizados de seu continente de origem.

6 O MERCADO DE GENTE Comprar e vender pessoas para o trabalho forçado: é disso que se trata quando falamos da escravidão no Brasil. O comércio de pessoas na costa africana alimentou o território brasileiro com mão de obra farta e continuada de meados do século XVI a meados do século XIX, o que significa que por mais de trezentos anos a sociedade brasileira conviveu com a prática de trabalho cruenta e condenável.

7 Com a Abolição da Escravatura, em 13 de maio de 1888, às vésperas da Proclamação da República em 1889, o trabalho no Brasil tornou-se, por lei, livre. Mas a caminhada foi longa, e de então até hoje os trabalhadores construíram uma história de resistências, lutas conquistas e retrocessos, que se confunde com a dos movimentos coletivos por mais bem-estar e mais justiça nas sociedades.

8 TRABALHO LIVRE: LIBERTOS E IMIGRANTES Florestan Fernandes, um sociólogo brasileiro, escreveu um livro que retratava a integração do negro na sociedade de classes. Trata da passagem do regime escravista para o do trabalho livre em nosso país. Saindo de uma longa tradição escravista, sem acesso aos benefícios da civilização estudo, proteção social, preparação psicológica, educação para o mercado -, o negro liberto foi jogado na sociedade competitiva sem qualquer habilidade de competir. Era um jogo condenado ao fracasso, que reproduzia tudo de negativo que a sociedade divulgava sobre os negros, uma imensa parcela da população desprovida de qualquer direito à cidadania.

9 Como se não bastasse, os negros teriam de enfrentar todos os preconceitos que ficaram enraizados nos costumes da sociedade, marcando-os como inferiores, incapazes, em suma, inabilitados para o trabalho livre, que exigia iniciativa, conhecimento e capacidade. Completadas duas décadas da República, o Brasil passou a estimular a vida de imigrantes para o desenvolvimento da cultura cafeeira, principalmente no estado de São Paulo. A entrada de estrangeiros de várias nacionalidades italianos, espanhóis, alemães, japoneses foi tão grande que em 1930 foi aprovada a Lei dos dois terços, estabelecendo que as empresas tinham de ter em seus quadros dois terços de trabalhadores brasileiros.

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