DEPÓSITO DO PEDIDO DE PATENTE: MERA EXPECTATIVA DE DIREITO.

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1 DEPÓSITO DO PEDIDO DE PATENTE: MERA EXPECTATIVA DE DIREITO. Inicialmente cabe definirmos o que é patente, a qual nada mais é que uma propriedade temporária, legalmente concedida pelo Estado, sobre uma invenção ou modelo de utilidade. É uma forma de reconhecimento do esforço inventivo e, por isso, garante ao seu proprietário direitos exclusivos sobre sua invenção. Por ser um importante e valioso instrumento para proteger e tornar a invenção rentável é preciso depositar o pedido de concessão junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), responsável pela análise do pedido de acordo com as regras da Lei 9.279/96. É bom lembrar que, esta mesma lei determina em seu artigo 10 o que não é considerado invenção nem modelo de utilidade, sendo assim, o que não é passível de ser patenteado. Grande é a discussão acerca da natureza jurídica do depósito de patente, uma vez que, após o depósito, o pedido ficará em sigilo durante o prazo de dezoito meses. Findo este período, haverá publicação do pedido. Parte da doutrina acredita que a partir da publicidade do pedido da patente, existe a possibilidade de se exercer o direito de propriedade, podendo intentar contra outrem ações judiciais, visando resguardar seu invento. Majoritariamente o entendimento é diferenciado, haja vista as decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça, que compreendem que o simples depósito do pedido de patente, gera apenas uma mera expectativa de direito. Logo, é necessário frisar, que o simples depósito do pedido de patente, dirigido ao INPI, não confere, por si só, o direito de exclusividade do produto, mas sim, mera expectativa de tal direito, sendo que, apenas após a concessão da patente, advirá o direito de impedir que terceiros produzam o produto patenteado. O depósito de pedido de patente constitui mera "expectativa de direito", o que significa dizer que o depositante poderá ver seu direito assegurado mediante a concessão da carta-patente, que é a afirmação do Estado de que o pedido cumpriu todas as exigências e requisitos legais.

2 Antes da efetiva concessão não há propriedade, mas apenas uma mera expectativa do direito, que pode lograr êxito ou não. Pode ocorrer, por exemplo, um indeferimento ou mesmo abandono do pedido, motivo. Sendo assim, é claro o disposto na Lei nº. 9279/1996, frisando-se que é direito tão somente do TITULAR DA PATENTE, não abrangendo ao mero depósito de patente: Art. 42. A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro, sem o seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar com estes propósitos: I - produto objeto de patente; II - processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. 1º Ao titular da patente é assegurado ainda o direito de impedir que terceiros contribuam para que outros pratiquem os atos referidos neste artigo. 2º Ocorrerá violação de direito da patente de processo, a que se refere o inciso II, quando o possuidor ou proprietário não comprovar, mediante determinação judicial específica, que o seu produto foi obtido por processo de fabricação diverso daquele protegido pela patente. Após a publicação do pedido de patente, terceiros podem apresentar subsídios ao exame técnico do mesmo, fornecendo ao INPI as razões ou provas pelas quais consideram que a patente não pode ser concedida. O exame vai considerar toda a documentação apresentada que for relevante para a avaliação da patenteabilidade do pedido. A jurisprudência é pacífica no Estado do Paraná, quanto ao fato que o depósito de patente gera mera expectativa de direito, a qual não pode ser assistida jurisdicionalmente, uma vez que não há comprovação fática da substancialidade e verossimilhança do pedido de patente. Assim sendo, o INPI tem a faculdade de deferir ou indeferir o pedido, conforme documentos, provas e subsídios acostados ao pedido.

3 Senão vejamos o entendimento da jurisprudência: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO CAUTELAR INOMINADA - PROPRIEDADE INDUSTRIAL - DEPÓSITO DE PATENTE - PRETENSÃO DE PROIBIÇÃO DE FABRICAÇÃO, COMERCIALIZAÇÃO E EXPOSIÇÃO DO PRODUTO OBJETO DO REGISTRO DE PATENTE - SISTEMA DE BARRAS HIDRÁULICAS PARA PULVERIZADORES - MERA EXPECTATIVA DE DIREITO - PEDIDO RECEBIDO COM A RESSALVA DE QUE EXISTIAM OUTROS PEDIDOS SEMELHANTES - DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA NO MERCADO DE PRODUTOS SEMELHANTES, DE VÁRIAS MARCAS - AUSÊNCIA DO PERICULUM IN MORA, A JUSTIFICAR A CONCESSÃO DAS LIMINARES PRETENDIDAS. RECURSO DESPROVIDO - POR UNANIMIDADE. (TJPR- 17ª C.Cível - AI Santo Antônio do Sudoeste - Rel.: Des. Fernando Vidal de Oliveira - Unânime - J ). É preciso evidenciar que é somente a partir da concessão da patente de invenção (conferida com a emissão da carta-patente) que surgem direitos, como: o direito de exclusividade temporária na sua exploração, bem como o de insurgir-se contra terceiro que, sem o seu consentimento, produza, use, coloque à venda, venda, importe, produto objeto de sua patente. Justiça do Paraná: Assim dispõe jurisprudencia atual do Tribunal de IMPETRANTES: GURTEQ COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS PARA ENSAIOS NÃO DESTRUTIVOS LTDA. E OUTRO IMPETRADO: SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DO PARANÁ LITISCONSORTE: ESTADO DO PARANÁ RELATOR: DES. ABRAHAM LINCOLN CALIXTO MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. AQUISIÇÃO DE APARELHOS PARA O INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA DO ESTADO DO PARANÁ. POSSIBILIDADE. TITULARIDADE DE

4 PROPRIEDADE INDUSTRIAL SOBRE INVENÇÃO OU MÉTODO DE PRODUÇÃO QUE SOMENTE OCORRE COM O REGISTRO DA PATENTE PELO INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL INPI. EXEGESE DO ARTIGO 38 DA LEI N.º 9.279/1996. DEPÓSITO DOS PEDIDOS. MERA EXPECTATIVA DE DIREITO "(...) Ninguém pode reivindicar o direito de exploração econômica com exclusividade de qualquer invenção, modelo de utilidade, desenho industrial ou marca se não obteve do INPI a correspondente concessão." (FÁBIO ULHOA COELHO, in MANUAL DE DIREITO COMERCIAL, 22ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 85). REALIZAÇÃO DE CERTAME LICITATÓRIO. MATÉRIA DE MÉRITO ADMINISTRATIVO. NÃO APONTAMENTO DAS JUSTIFICATIVAS LEGAIS QUE IMPEDEM A AQUISIÇÃO DIRETA. SEGURANÇA DENEGADA. (TJPR- 4ª C.Cível em Com. Int. - MS Foro Central da Região Metropolitana de Curitiba - Rel.: Des. Abraham Lincoln Calixto - Unânime - J ). Portanto, conclui-se que, quanto aos direitos que nascem com a concessão da respectiva patente, o mero pedido de patente não antecipa ou garante qualquer um deles. Trata-se, de fato, de mera expectativa de direito, que não pode servir de base para a adoção de medidas contra terceiros, se a tese sustentada for exatamente violação de patente de invenção, que, a rigor, ainda não existe, haja vista que ainda não há, formalmente, qualquer patente de invenção (a emissão da carta-patente tem caráter atributivo). Logo o titular do pedido de patente, só poderá pleitear direitos liquidos e certos, após a concessão da mesma, uma vez que até o presente momento, não está habilitado a adotar medidas que tem por exigência a apresentação do título que dê guarida ao direito invocado, no caso a respectiva carta-patente.

5 Portanto, no que tange às criações registráveis por meio de carta-patente, a Lei da Propriedade Industrial, dispõe de forma a conferir exclusivamente ao titular da patente, o direito de impedir seu uso perante terceiros, excluindo o depositante, conforme texto legal a baixo transcrito: Art. 42. A patente confere ao seu TITULAR o direito de impedir terceiro, sem o seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar com estes propósitos: (...) Com efeito, os Tribunais têm entendido categoricamente que o simples depósito do pedido de concessão da cartapatente tem o condão de conferir ao depositante somente uma expectativa de direito, desconstituída, portanto, de proteção jurisdicional. No mesmo sentido, assevera Sonia Regina Federman: Enquanto o pedido de patente não é decidido (concedida a patente após o exame técnico), o depositante tem apenas uma expectativa de um direito, ou seja, apenas uma esperança. de que seu pedido de patente pode se transformar, futuramente, em uma patente (direito concedido). (FEDERMAN, 2006, p. 41). Além disso, apresenta ainda a jurisprudência ao depositante, a opção de, depois de deferida a concessão da patente, obter uma indenização pela suposta exploração indevida ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente, nos termos do artigo 44, da Lei 9.279/96: Art. 44. Ao titular da patente é assegurado o direito de obter indenização pela exploração indevida de seu objeto, inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a data da concessão da patente.

6 Logo, deve-se considerar que embora a lei conceda prerrogativas similares tanto ao titular quanto ao depositante da MARCA, o mesmo incorre no que concerne às PATENTES, uma vez que se assevera um posicionamento mais limitado e restrito, atribuído UNICAMENTE AO TITULAR da carta-patente o direito de opor seu uso e exclusividade perante terceiros. Por fim, nota-se claramente que o entendimento jurisprudencial adotado pelos Tribunais de Justiça dos Estados do Paraná e de São Paulo é bastante pacífico quanto ao fato de que somente após o deferimento do INPI e concessão da patente, o titular da carta-patente terá o direito de opor a abstenção do uso de sua invenção perante terceiros, deixando o depositante sob a égide de uma mera expectativa, de uma esperança de direito; uma vez que somente será reconhecido seu direito e sua invenção após a concessão da patente.

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