A entrega de nacionais ao Tribunal Penal Internacional à luz da Constituição Federal e das alterações advindas da Emenda Constitucional nº 45 de 2004

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1 FLÁVIA NUNES DE CARVALHO A entrega de nacionais ao Tribunal Penal Internacional à luz da Constituição Federal e das alterações advindas da Emenda Constitucional nº 45 de 2004 Monografia apresentada à Fundação Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios- FESMPDFT como exigência parcial para obtenção do grau de pós-graduado em Direito Público sob a orientação do Professor Paulo Gustavo Gonet Branco. Brasília 2009

2 Dedico o presente trabalho a Deus, alicerce da minha vida. Aos meus pais, irmã e sobrinhos, por me darem o que há de melhor na vida: amor! 2

3 Agradeço ao meu orientador Paulo Gustavo Gonet Branco, pelo exemplo, solicitude e carinho com o qual desempenha o magistério. Ao professor Paulo Afonso Cavichioli Carmona, pelo incentivo e valiosos ensinamentos. À promotora Hiza Maria Silva Carpina Lima pela amizade e apoio na realização deste trabalho. Aos meus colegas de turma, pelos inúmeros sonhos e anseios compartilhados durante o período de convivência acadêmica. Aos servidores da Fundação Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, pela disponibilidade em atender bem os alunos. 3

4 Se a justiça pudesse perecer, não teria sentido e nenhum valor que os homens vivessem sobre a Terra. Immanuel Kant 4

5 5 RESUMO CARVALHO, Flávia Nunes de. A entrega de nacionais ao Tribunal Penal Internacional à luz da Constituição Federal e das alterações advindas com a Emenda Constitucional nº 45 de Fl. 74. Trabalho de conclusão de curso de Pós-Graduação Direito Público, Fundação Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios - FESMPDFT, Brasília, Pesquisa a entrega de nacionais ao Tribunal Penal Internacional à luz da Constituição Federal e das alterações advindas com a Emenda Constitucional nº45 de A impossibilidade de extradição de brasileiros imposta como cláusula pétrea na Carta Magna. Principais características e diferenças entre os institutos da extradição e da entrega. Análise do artigo 5º, LI da Constituição, bem como dos artigos 89 e 102 do Estatuto de Roma. Aspectos hermenêuticos a serem considerados na recepção do Tribunal Penal Internacional pela Lex Superior, fundamentando-se nos princípios da dignidade humana e da prevalência dos direitos humanos nas relações internacionais. Análise dos reflexos da Emenda constitucional 45/2004 no que diz respeito ao Tribunal Penal Internacional e na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Precedentes históricos e a contribuição dos Tribunais Temporários Tribunal de Nuremberg, Tribunal de Tóquio, Tribunal Penal Internacional para antiga Iugoslávia e Tribunal Penal Internacional para Ruanda para a criação de uma Corte de caráter permanente, que veio consagrar a internacionalização da justiça penal individual. Palavras-chave: Tribunal Penal Internacional, Estatuto de Roma, entrega de nacionais, extradição, constitucionalidade, Emenda Constitucional 45/2004.

6 6 LISTA DE SIGLAS ADCT Ato das Disposições Constitucionais Transitórias CDI Comissão de Direito Internacional EC Emenda Constitucional ONU Organização das Nações Unidas STF Supremo Tribunal Federal RE Recurso Extraordinário TMI Tribunal Militar Internacional TPI Tribunal Penal Internacional TPII Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia TPIR Tribunal Penal Internacional para Ruanda

7 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO... 9 Capítulo A criação do Tribunal Penal Internacional e seus principais aspectos Antecedentes Tribunal de Nuremberg Tribunal de Tóquio Tribunais ad hoc para ex-iuguslávia e Ruanda Estatuto de Roma características do Tribunal Penal Internacional Aspectos institucionais Jurisdição do Tribunal Penal Internacional Ratificação do Estatuto de Roma pelo Brasil...32 Capítulo Extradição e entrega Extradição Princípios e Formas de extradição Extradição no ordenamento jurídico brasileiro Princípio da igualdade de soberania cooperação horizontal Entrega Entrega no contexto do Estatuto de Roma Princípio da complementaridade cooperação vertical Capítulo

8 8 A entrega de nacionais ao Tribunal Penal Internacional à luz da Constituição Federal e das alterações advindas da Emenda Constitucional nº 45 de Princípio da prevalência dos Direitos Humanos nas relações internacionais Princípio da dignidade da pessoa humana Hermenêutica constitucional ante a questão da entrega de nacionais Os reflexos da Emenda Constitucional 45/2004 no que diz respeito ao Tribunal Penal Internacional e na jurisprudência correlata do Supremo Tribunal Federal...62 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS... 72

9 9 INTRODUÇÃO O Tribunal Penal Internacional (TPI) foi criado ante a necessidade de uma corte internacional permanente, independente e competente para julgar os crimes de maior seriedade de interesse internacional 1. Dessa forma, foi aprovado em 17 de julho de 1998, na denominada conferência United Nations Diplomatic conference of Plenipotentiaries on the Establishiment of an International Criminal Court, o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, o qual teve sua atuação jurisdicional iniciada em 1 de julho de O Brasil tornou-se membro originário do TPI ao ratificar em 20 de junho de 2002 o Estatuto de Roma, promulgado pelo decreto nº 4.388, de 25 de setembro de Obrigando-se, assim, segundo a prática consuetudinária que rege o Direito Internacional, a cooperar e cumprir as normas previstas neste. Impende aventar, que no ordenamento pátrio, a Constituição é tida como a Lex Superior e, portanto erige-se como parâmetro de validez das demais normas jurídicas do sistema 2. Neste prisma, com a ratificação do Estatuto de Roma, pelo Brasil, surgiram algumas questões acerca da constitucionalidade de alguns de seus artigos, dentre elas o tema da presente monografia, qual seja, a entrega de nacionais ao Tribunal Penal Internacional à luz da Constituição Federal das alterações advindas com a Emenda Constitucional 45 de O cerne da questão encontra-se no fato de o Estatuto de Roma prevê em seu artigo 89 a entrega de pessoa que cometa qualquer um dos crimes de 1 GUSKOW, Miguel. O Tribunal Penal Internacional e os problemas futuros a enfrentar em relação à soberania nacional. Tribunal Penal internacional: universalização da cidadania. Câmara dos Deputados, Brasília: Centro de documentação e informação, coordenação de publicação, 2000, p SANTOS, Fernando Ferreira. Princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. São Paulo: Celso Bastos Editor: instituto brasileiro de Direito constitucional, 1999, p. 13.

10 10 competência do TPI 3, sem estabelecer qualquer exceção aos nacionais; ao passo que a Constituição Federal tem como uma de suas Cláusulas Pétreas a proibição da extradição de nacionais. Assim, gerou-se uma polêmica acerca da constitucionalidade de tal entrega, ou melhor, se esta seria uma espécie de extradição. Justifica-se a escolha do tema, uma vez que não se tem definida a postura a ser adotada pelo Brasil, ante a um caso prático de pedido de entrega de um nacional brasileiro ao TPI, mais precisamente, se a Constituição admite a entrega. Ainda neste sentido, nas entrelinhas, encontra-se uma matéria bem mais ampla a ser estudada que é a relação da soberania brasileira e as relações internacionais quando o que se encontra em voga é um bem maior e de interesse mundial, que são os direitos humanos. Neste contexto, um estudo aprofundado é de suma importância, notadamente pelo fato de ainda ser escassa a literatura acerca do tema. A problematização do tema, portanto, fixa-se em dois pontos: a) a entrega prevista no artigo 89 do Estatuto de Roma pode ser considerada uma espécie de extradição? b) a entrega de um nacional ao Tribunal Penal Internacional é, ou não, uma afronta a Constituição Federal de 1988? O objetivo maior da presente pesquisa, como já mencionado, é averiguar a constitucionalidade da entrega de nacionais ao TPI, para tanto, faz-se necessário em um primeiro momento buscar o contexto histórico em que o TPI foi criado, bem como entender suas características; em seguida há de se comparar os institutos da entrega e da extradição, para enfim analisar aspectos constitucionais e hermenêutas de tal entrega. Destarte, para alcançar todos os objetivos acima propostos o presente trabalho está estruturado da seguinte forma: 3 Segundo o artigo 5º o Estatuto o Tribunal terá competência para julgar os seguintes crimes: a) O crime de genocídio; b) Crimes contra a humanidade; c) crimes de guerra; d) O crime de agressão.

11 11 No primeiro capítulo tratar-se-á dos Tribunais que antecederam a criação do TPI, o seu surgimento, as suas características, aspectos institucionais e sua jurisdição, bem como a ratificação do Estatuto de Roma, pelo Brasil. No segundo capítulo, será traçado um paralelo entre o instituto da extradição e da entrega no intuito de que seja estudado com profundidade cada um com suas peculiaridades e os seus princípios. No terceiro e último capítulo, tendo por fundamento os anteriores, o leitor poderá embasado no enfoque deste, qual seja: princípios da prevalência dos direitos humanos nas relações internacionais, da dignidade humana, alguns aspectos hermenêuticos constitucionais e análise dos reflexos da Emenda Constitucional 45/2004, concluir se a entrega de nacionais é uma afronta à Constituição Federal de No que diz respeito à metodologia de abordagem será utilizado, principalmente, o método dedutivo, o qual parte do geral, versando noção de interpretação jurídica, tratando os métodos ou técnicas principais, como processos de raciocínio, para se chegar ao específico. Sem, contudo, descartar o uso da metodologia jurídica lógica, do razoável e dos métodos teleológico e evolutivo. Salienta-se, ainda, que a técnica a ser empregada na coleta de dados é a pesquisa bibliográfica, a qual terá como fonte os textos legais, doutrina e publicações. Considerando o número de obras citadas, optou-se pela remissão completa nas notas de rodapé e a utilização do sistema numérico de chamada. No texto, foi utilizada a fonte Arial, no tamanho 12 (doze), reservando-se a letra em itálico às palavras de língua estrangeira e ao destaque dos títulos das obras citadas.

12 12 Capítulo 1 A CRIAÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL E SEUS PRINCIPAIS ASPECTOS A idéia da criação de um Tribunal Penal Internacional nos termos adotados no Estatuto de Roma é fruto de um longo processo, que foi catalisado com as atrocidades decorrentes, em especial, da I e II Guerra Mundial. Assim, o mundo almejava paz e decidiu não mais fechar os olhos às agressões, genocídios ou qualquer tipo de violação aos direitos humanos. Dessa forma, conclamou-se a necessidade da internacionalização da justiça penal individual. 1.1Antecedentes Remonta-se de 1474 a primeira notícia de um tribunal penal internacional, o qual foi instituído em Breisach, Alemanha, para julgar Peter Von Hagenbach, por haver permitido que suas tropas saqueassem, estuprassem e matassem civis, durante um momento que não havia hostilidades 4 4 JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p. 37.

13 13 Embora tal fato seja freqüentemente abordado como precedente histórico do atual Tribunal Penal Internacional, segundo Carlos Eduardo Adriano Japiassú, tal julgamento não influenciou na criação de Tribunal permanente. 5 Verifica-se, portanto, que foi em 1872 a primeira vez que aventou-se a necessidade da criação de uma jurisdição internacional penal permanente, cujo o objetivo seria processar e julgar os responsáveis pelas violações da Convenção de Genebra de 1864, que se deu com as atrocidades cometidas na guerra Franco- Prussiana de No entanto, tal idéia não prosperou. Após a I Guerra Mundial, mais especificamente em 1919, foi criada uma comissão de investigação para julgamento de criminosos em conflitos internacionais 7, a fim de investigar os excessos cometidos durante a guerra, no massacre de armênios praticado pelo Império Turco-Otamano. Neste sentido, ao recomendar o julgamento dos militares turcos, a comissão utilizou a noção de crime contra a humanidade o que fez com que os Estados Unidos alegassem que tais crimes não existiam no cenário internacional. 8 Dessarte, o Tratado de Sèvres que serviria de base ao Tribunal, pois previa em seu artigo 230 o julgamento dos responsáveis pelo massacre supramencionado, não foi ratificado pela Turquia, sendo substituído em 1927 pelo Tratado de Lausanne, que concedeu anistia geral aos oficiais turcos". 9 Não obstante, em 28 de junho de 1919 o Tratado de Versalhes previu a criação de um tribunal criminal internacional para processar o Kaiser Guilherme II e 5 JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p MAIA, Marriele. Tribunal Penal Internacional: Aspectos institucionais, Jurisdição e princípio da Complementaridade. Belo horizonte: Del Rey, 2001, p JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p PIOVESAN, Flávia. Temas de direitos humanos. 2ª Ed., São Paulo : Max Limonad, 2003, p. 149/150.

14 14 oficiais militares que haviam violado leis de guerra. Neste tribunal, os acusados foram reduzidos a 895. Destes, o Procurador Geral Alemão reduziu para 45, sendo julgados efetivamente 21, e apenas 13 condenados a pena máxima de três anos 10, cabendo salientar que o Kaiser não foi condenado, prevalecendo-se, assim, a política em detrimento à justiça. Apesar da idéia da criação de uma corte penal internacional ter surgido no século XIX e evoluído, na medida do possível, ao longo do tempo, foram às agressões e atrocidades cometidas pela Alemanha e Japão durante a II Guerra Mundial que instigaram os aliados a constituírem dois tribunais penais internacionais: em Nurmberg e em Tóquio. 11 Ao fim da guerra, mais precisamente em 1947 a ONU criou a Comissão de Direito Internacional (CDI), com o intuito de elaborar um código contendo o que seria considerado delitos contra a paz e a segurança da humanidade, bem como criar uma corte internacional permanente com competência de julgar indivíduos, uma vez que a Corte Internacional de Justiça limitava-se à resolução de conflitos e conseqüente punição de Estados. Dessa forma, a CDI apresentou em 1951 um anteprojeto, e outro revisado em 1953, no entanto, o mundo encontrava-se em meio a guerra fria, o que fez com que os trabalhos fossem procrastinados por 35 anos, sendo reabertos somente em com a queda do muro de Berlim, por iniciativa de Trinidad e Tobago. Cabe ressaltar, que esta reabertura foi impulsionada pelo violento conflito étnico ocorrido na ex-iugoslávia, o que levou o conselho de segurança da ONU a criar o Tribunal Penal Internacional para ex-iugoslávia. Da mesma forma, o conselho 10 ARAUJO JR., João Marcello. Tribunal penal internacional permanente, instrumento de garantia dos direitos humanos fundamentais (processo legislativo histórico e características). Parecer apresentado ao Instituto dos Advogados Brasileiros, indicação nº 036/98,1999,p PIOVESAN, Flávia. Temas de direitos humanos. 2ª Ed., São Paulo : Max Limonad, 2003, p MAIA, Marriele. Tribunal Penal Internacional: Aspectos institucionais, Jurisdição e princípio da Complementaridade. Belo horizonte: Del Rey, 2001, p. 51/52.

15 15 interveio criando uma segunda Corte de Justiça, o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, devido a um genocídio sem precedentes lá ocorrido. É inegável que os Tribunal de Nuremberg, Tribunal de Tóquio, Tribunal ad hoc para ex-iugoslávia e Tribunal ad hoc para Ruanda representaram um avanço em favor do desenvolvimento da paz e do respeito ao direito internacional, no entanto, suas competências estavam circunscritas ao julgamento de determinados crimes, cometidos em um certo território e dentro de um lapso temporal definido, assim, careciam de princípios fundamentais do direito. Neste mesmo sentido encontra-se o posicionamento de Juan Antônio Martabit Scaff (in verbis): (...) Los tribunales de Nuremberg y Tokio, estabelecidos al término de la segunda guerra mundial para juzgar a los responsables de crimines de guerra, si bien constituyen precedentes de una justicia internacional, sufren el stigma de ser la manifestación de la ley del vencedor sobre el vencido. Asimismo, los tribunales de naturaleza ad-hoc creados por el consejo de seguridad para juzgar los crimines de la Ex Yugoslavia y Ruanda, sin perjuicio de las circunstâncias que justificaron su instauración, carecen de las condiciones de legitimidad, representatividad y amplio consenso con que deberia ser consagrado un tribunal con tales atribuiciones (...) Tribunal de Nuremberg Considerado o mais célebre dos tribunais penais ocorridos até hoje, o Tribunal de Nuremberg julgou alguns dos homens mais importantes da Alemanha, 13 SCAFF, Juan Antônio Martabit. Tribunal Penal internacional: universalização da cidadania. Câmara dos Deputados, Brasília: Centro de documentação e informação, coordenação de publicação, 2000, p 31/32.

16 16 considerados responsáveis pelo desencadeamento de toda a sorte de atrocidade cometidas sob a égide do nazismo. 14 O contexto histórico do final da Primeira Guerra, na qual a Alemanha foi derrotada e teve que solicitar armistícios, sendo gravosamente atingida com as severas cláusulas do Tratado de Versalhes, corroboraram para surgimento de um sentimento de ódio, concomitantemente, ao de um nacionalismo exacerbado, que foi o palco perfeito para o ascensão ao poder de uma figura como Adolf Hitler com ideais nazistas, nitidamente evidenciados na questão judaica que teve três soluções: inicialmente, a expulsão; após a deportação para campos de concentração; e, ao final, o extermínio 15 de milhares de judeus. Neste ínterim, os aliados denunciaram inúmeras vezes tais atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, cabendo salientar a Declaração de Saint James, de 13 de janeiro de 1942, e a Declaração de Moscou, de 30 de outubro de 1943, a qual, por seu turno, fixou o modelo de julgamento a ser seguido para os que tivessem praticado violações 16. No entanto, somente com o fim da Guerra, mais precisamente em 8 de agosto de 1945, na Conferência de Londres, os países vencedores Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética e França firmaram o Acordo no qual delineavam a Carta do Tribunal Militar Internacional (TMI) também conhecido como Tribunal de Nuremberg prevendo no seu texto as regras de processo e julgamento dos criminosos ligados ao regime nazista, que cometessem crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p MAIA, Marriele. Tribunal Penal Internacional: Aspectos institucionais, Jurisdição e princípio da Complementaridade. Belo horizonte: Del Rey, 2001, p. 48.

17 17 O Tribunal de Nuremberg, em sua composição contava com um representante e respectivo suplente de cada um dos países supracitados. Geoffrey Lawrence (escolhido como presidente do Tribunal) e Normann Birkett (suplente) eram os representantes do Reino Unido; Francis Biddle e John Parker (suplente) foram indicados pelos Estados Unidos; Henri Donnedieude Vabres e Robert Falco (suplente) pela França; e o Major-General Iona T. Nikitchenko e o Tenente-Coronel Alexander F. Volchkov pela União Soviética. Não obstante, as quatro nações também cuidaram da composição do Ministério Público, nomeando assim, cada uma o seu represente na qualidade de Procurador-Chefe da seguinte forma: Robert H. Jackson, pelos Estados Unidos; François de Menthon, pela França; General R. A. Rudenko, pela União Soviética; e Sir Hartley Shawcross, pela Grã-Bretanha. 18 Por oportuno, ressalta-se que a defesa foi representada por advogados alemães indicados pelos aliados. Por base em sua organização, difícil seria entender a conotação que é conferida ao Tribunal de Nuremberg de Tribunal Militar, haja vista que a maioria dos juizes eram civis considerados juristas notáveis. No entanto, esta foi a forma que os Estados Unidos encontraram para contornar o princípio da anterioridade da lei previsto no Direito Penal comum interno e inexistente em seu Direito Penal Militar 19. A cidade de Nuremberg foi escolhida como sede porque lá foram promulgadas as leis de perseguição racial, bem como foi local que houve a maior concentração do partido nazista. 18 FERRO, Ana Luiza Almeida. O Tribunal de Nurembreg: dos precedentes à confirmação de seus princípios. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002, p JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p. 50.

18 18 No que concerne ao julgamento, o estatuto do Tribunal de Nuremberg previa tanto o julgamento de indivíduos, como de organizações. Neste sentido, foram denunciados vinte e quatro líderes nazistas e seis organizações: o Governo do Reich, o corpo dos chefes políticos do Partido Nacional Socialista Alemão (NSDAP); grupos de segurança do Partido Nacional Socialista (SS); grupos de segurança (SD); a polícia secreta (GESTAPO); seções de assalto do Partido Nacional Socialista (AS); o Estado-Maior das forças armadas. 20 Neste viés, em 20 de novembro de 1945 iniciou-se o julgamento o qual era feito em inglês, francês, alemão, russo e na língua do acusado, caso não fosse nenhuma das línguas oficiais. As decisões advinham sempre da maioria, e em caso de empate o voto do presidente do Tribunal era o decisivo. Ao final do julgamento, em 01 de outubro de 1946, chegou-se aos seguintes números: dos 24 indiciados, dois não chegaram a ser julgados, pois um, Robert Ley, cometeu suicídio e o outro, Gustav Krupp, sofreu um acidente circulatório e perdeu a razão. No entanto, dos 22 que foram efetivamente processados, 03 foram absolvidos, 03 condenados à prisão perpétua, 04 condenados de 10 à 20 anos e os 12 restantes, condenados à pena de morte. Estes, tiveram suas penas executadas por enforcamento em 16 de outubro de 1946 na própria prisão de Nuremberg. De fato, o Tribunal de Nuremberg representou um avanço, no Direito Internacional Penal, pois além de dar uma resposta ao mundo que viu atemorizado o massacre de milhares de judeus, trouxe uma importante contribuição teórica ao definir crime contra humanidade e reconhecer os crimes de guerra e agressão. Embora, não se possa negar a fragilidade sob a qual se ergueu a estrutura do TMI, pois além de ter sido um tribunal de vencedores sobre vencidos, prejudicou princípios importantes tal como o da irretroatividade da lei penal; também não se 20 FERRO, Ana Luiza Almeida. O Tribunal de Nurembreg: dos precedentes à confirmação de seus princípios. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002, p. 143.

19 19 pode negar o seu mérito, de levar a julgamento ao invés de somente punir, em um mero exercício de vingança. A contribuição do Tribunal de Nuremberg para o direito penal internacional sintetiza-se bem com os ensinamentos de S Herbst, in verbis: (...) una evolución que abrió nuevos cauces al Derecho Penal Internacional y la convivencia entre los pueblos, pues esa era la primera vez que la comunidad internacional hizo el intento de llevar ante los Tribunales a criminales de guerra y responsables de crímines contra los Derechos humanos, y así juzgar a los acusados en un proceso justo, es decir, hacerles acreedores de la protección y la dureza de la justicia, sin abandonarlos en manos de la arbitrariedad de los vencedores, pero tampoco dejarlos impunes, sino exigirles responsabilidad por sus hechos ilícitos Tribunal de Tóquio Na Conferência do Cairo, em 1º de dezembro de 1943, suscitou-se, pela primeira vez, a idéia da criação de um Tribunal Militar para o Extremo Oriente. Tal intuito foi reiterado em Potsdam, julho de 1945; ganhando força em 2 de setembro do mesmo ano, com o ato de rendição japonesa, o qual definia como se daria a prisão e o tratamento imposto aos criminosos de guerra 22. Neste ínterim, as Nações Unidas também recomendaram a criação do referido Tribunal, tendo a Conferência de Moscou decidido que o esse seria em Tóquio. 21 HERSBT, S. Los derechos humanos ante las cortes: los juicios de Nuremberg y su significado actual. Revista Memoria, Nuremberg,n.8,p.12-20,1996 apud MAIA, Marriele. In: Op cit, p JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p. 61.

20 20 Assim, em 19 de janeiro de 1946, baseado no ato de rendição dos japoneses, foi instituído o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente também conhecido com Tribunal de Tóquio com a finalidade de julgar as agressões japonesas cometidas durante a Guerra. No que diz respeito à composição, o Tribunal era formado por onze juízes, representantes da Austrália, do Canadá, da China, dos Estados Unidos, das Filipinas, da França, do Reino Unido, dos países Baixos, da Nova Zelândia, da URSS e da Índia. 23 Assim, verifica-se que o Tribunal de Tóquio possuía uma estrutura mais diversificada do que o Tribunal de Nuremberg, aproximando-se mais da regra da imparcialidade. 24 No entanto, semelhantemente ao TMI, foi também um tribunal de vencedores julgando vencidos e os procedimentos adotados foram marcados por irregularidades e abusos, dado ao critério político utilizado na escolha dos acusados. A carta do Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente possuía 17 artigos de natureza similar aos 30 artigos da carta do TMI. Competiu ao Tribunal de Tóquio julgar os crimes contra paz; crimes de guerra e crimes contra Humanidade. As atividades do Tribunal tiveram início em 29 de abril de 1946, terminando em 12 de novembro de 1948, neste período dos 80 prisioneiros, apenas 28 foram acusados, sendo que três não chegaram a ser julgados pois dois, Yosuke Matsuoka e Osami Nagano, morreram de morte natural no decorrer do processo, e o terceiro, Sumei Okawa, foi hospitalizado e libertado em Ocorre que, diferentemente do TMI, somente foram levadas a julgamento no Tribunal de Tóquio pessoas físicas, salientando-se ainda, que nenhum dos acusados julgados foi absolvido, embora as decisões não tenham sido sempre 23 JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p PIOVESAN, Flávia. Temas de direitos humanos. 2ª Ed., São Paulo : Max Limonad, 2003, p. 151.

21 21 unânimes; e os que foram condenados à pena de morte tiveram suas sentenças executadas na prisão de Sugamo, Tóquio, em 23 de dezembro de As questões políticas no Tribunal Militar para o Extremo Oriente sobressaíram, mais uma vez, em detrimento da justiça. Fato que comprova-se com o não julgamento do imperador Hirohito, que ao que tudo indica estava diretamente relacionado com os crimes cometidos durante a Guerra, sobremaneira com o ataque de Pearl Harbor. 25 Outra crítica que se faz ao Tribunal é o fato de mais uma vez somente os vencidos terem sido julgados, ao passo que os responsáveis aos ataques cruéis de Hiroshima e Nagasaki ficaram impunes. Evidencia-se, ainda, a influência norte-americana, no que tange ao fato de terem libertado inúmeros criminosos de guerra sem qualquer processo. Os Estados Unidos financiavam o Tribunal, dessa forma, haviam imposto a rendição aos japoneses à derrota e o seu Comandante Supremo podia escolher os juízes e igualmente reduzir as penas, somente não podia aumentá-las. 26 Adstrito ao todo elucidado, verifica-se que tanto o Tribunal de Tóquio, quanto o Tribunal de Nuremberg violaram o princípio da reserva legal. Por outro lado, significaram um passo significativo na história do Direito ao trazer à tona a questão da responsabilidade penal internacional individual. 25 JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p. 67.

22 Tribunais ad hoc para ex-iuguslávia e Ruanda Desde a idade antiga há conflitos na região dos Balcãs, no entanto, a idéia denominada de limpeza étnica surgiu com vigor em 1941 com a invasão dos nazistas alemães à Iugoslávia que uniram-se aos croatas para deportarem e executarem os sérvios. 27 Em 1944 o Marechal Josep Braz Tito, com apoio da União Soviética e do Reino Unido, expulsam os alemães, instaurando-se o regime comunista que, nas quatro décadas seguintes, conseguiu manter uma harmonia no território. Entretanto, com a morte do Marechal, em 1980, ressurgem os conflitos que se agravaram ainda mais devido à crise econômica em O cenário da época aliava a derrocada do regime comunista no Leste Europeu, com antigos ódios raciais que fizeram eclodir uma série de conflitos onde as atrocidades cometidas chocaram o mundo. Desse modo, em 17 de novembro de foi constituído o Tribunal Penal Internacional para ex-iugoslávia (TPII), o qual possuía poderes para julgar graves violações à Convenção de Genebra, violações de leis e costumes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade, que tenham sido cometidos no território da ex-iugoslávia, a partir de O Tribunal para ex-iugoslávia é composto por dezesseis juízes permanentes e no máximo nove ad litem, provenientes de diversos países, distribuídos em três câmaras de julgamento e uma câmara de apelação, a qual representou um avanço considerável em relação aos tribunais de Nuremberg e Tóquio, onde o acusado não tinha direito a recorrer de sua sentença. 27 MAIA, Marriele. Tribunal Penal Internacional: Aspectos institucionais, Jurisdição e princípio da Complementaridade. Belo horizonte: Del Rey, 2001, p JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2004, p. 97.

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