OUTUBRO/NOVEMBRO 2009

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1 FISCAL N.º 4/2009 OUTUBRO/NOVEMBRO 2009 INCENTIVOS FISCAIS A PROJECTOS DE INVESTIMENTO DE INTERNACIONALIZAÇÃO No passado mês de Setembro foram publicados dois decretos-lei que completaram e alteraram o conteúdo e a aplicação do artigo 41.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais, relativo aos incentivos fiscais concedidos a projectos de investimento de natureza contratual. O primeiro desses diplomas é o Código Fiscal de Investimento, consagrado pelo Decreto-lei n.º 249/2009, de 23 de Setembro. Este texto legal reúne num único documento as regras gerais de concessão de benefícios fiscais ao investimento produtivo e ao investimento para a internacionalização das empresas portuguesas, previstos no artigo 41.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF), efectuando assim uma uniformização normativa do âmbito de aplicação daqueles incentivos aos investimentos acima aludidos. I Âmbito de Aplicação De acordo com o novo Código Fiscal de Investimento, relevam, para efeitos de aplicação do regime de benefícios fiscais previsto no artigo 41.º do EBF, os projectos de investimento cujo objecto incida nas seguintes actividades económicas 1 : 1 O Decreto-lei n.º 250/2009, de 23 de Setembro, adiante referido, estende o âmbito de aplicação a projectos de investimento que incidam, igualmente, sobre actividades associadas aos pólos de competitividade e tecnologia, construção de edifícios, obras públicas e actividades de arquitectura e de engenharia conexas com aquelas, bem como transportes e logística.

2 Indústria extractiva e indústria transformadora; Turismo e as actividades declaradas de interesse para o turismo nos termos da legislação aplicável; Actividades e serviços informáticos conexos; Actividades agrícolas, piscícolas, agro-pecuárias, e florestais; Actividades de investigação e desenvolvimento e de alta intensidade tecnológica; Tecnologias de informação e produção de audiovisual e multimédia; Ambiente, energia e telecomunicações. II Elegibilidade dos Projectos Nos termos do Código Fiscal do Investimento são, somente, elegíveis, para efeitos de concessão de benefícios fiscais, os projectos de investimento que cumpram as seguintes condições: Os promotores possuam capacidade técnica e de gestão; Os promotores e o projecto de investimento demonstrem uma situação financeira equilibrada, tendo, nomeadamente, uma contabilidade organizada e uma situação fiscal regularizada 2 ; Os promotores disponham de contabilidade regularmente organizada de acordo com a normalização contabilística e outras disposições legais em vigor para o respectivo sector de actividade; O lucro tributável dos promotores não seja determinado por métodos indirectos de avaliação; Os promotores se comprometam a cumprir as regras de contratação pública e dos normativos nacionais e comunitários em matéria de ambiente, igualdade de oportunidades e concorrência; A contribuição financeira dos promotores corresponda pelo menos a 25% dos custos elegíveis isenta de qualquer apoio público. 2 No âmbito de apreciação dos projectos de investimento, são excluídos os promotores que não apresentem a situação fiscal e contributiva regularizada 2

3 III Entidade Responsável O referido diploma prevê as regras referentes à contratualização dos benefícios fiscais ao investimento produtivo em território nacional e ao investimento com vista à internacionalização das empresas portuguesas, criando uma entidade responsável por estes procedimentos o Conselho Interministerial de Coordenação dos Incentivos Fiscais ao Investimento, que ficará responsável pela centralização de todo o procedimento de contrato de concessão, e respectivo acompanhamento, renegociação e resolução dos contratos de investimento. IV Contrato de Concessão e sua Resolução A concessão dos benefícios fiscais é objecto de contrato aprovado por resolução do Conselho de Ministros, do qual deverão constar, designadamente, os objectivos e as metas a cumprir pelo promotor e os benefícios fiscais concedidos e que tem um período de vigência até 10 anos a contar da conclusão do projecto de investimento 3. A resolução do contrato é declarada por resolução do Conselho de Ministros nos seguintes casos: Não cumprimento dos objectivos e obrigações estabelecidos no contrato, nos prazos aí fixados, por facto imputável à empresa promotora; Não cumprimento atempado das obrigações fiscais e contributivas por parte da empresa promotora; Prestação de informações falsas sobre a situação da empresa ou viciação de dados fornecidos na apresentação, apreciação e acompanhamento dos projectos. A resolução do contrato nos termos anteriormente descritos implica a perda total dos benefícios fiscais concedidos desde a data de aprovação do mesmo, e ainda a obrigação de, no prazo de 30 dias a contar da respectiva notificação, pagar, nos termos 3 Os contratos de investimento de montante superior a e inferior a bem como os aditamentos aos contratos de concessão de benefícios fiscais, dos quais não resulte um aumento dos benefícios ou da intensidade do apoio, são aprovados através de despacho conjunto dos membros do governo responsáveis pelas áreas das finanças e economia. 3

4 da lei, as importâncias correspondentes às receitas fiscais não arrecadadas, acrescidas de juros compensatórios. V Benefícios Fiscais com Vista à Internacionalização No que se refere, em particular, à atribuição de benefícios fiscais ao investimento para a internacionalização das empresas portuguesas, o diploma condiciona, ainda, a possibilidade de acesso a benefícios fiscais, aos projectos de investimento de montante igual ou superior a ,00 (duzentos e cinquenta mil euros) 4, que preencham, cumulativamente, as seguintes condições: Demonstrem interesse estratégico para a internacionalização da economia portuguesa; Demonstrem ter viabilidade técnico-económica e financeira; Não se localizem em países, territórios e regiões com regimes de tributação privilegiada, claramente mais favoráveis; Não impliquem a diminuição dos postos de trabalho em Portugal. Os benefícios fiscais, os critérios de determinação do crédito fiscal e as aplicações relevantes relativos a projectos de internacionalização são definidos no Decreto-Lei n.º 250/2009, de 23 de Setembro: I Âmbito Temporal Estabelece-se o prazo de aplicação destes benefícios fiscais aos projectos de investimento realizados até 31 de Dezembro de 2020, alterando-se desta forma o anterior prazo consagrado no artigo 41.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais, que condicionava a aplicação dos mencionados incentivos fiscais aos projectos de investimento realizados até 31 de Dezembro de Eleva-se o montante mínimo, anteriormente estipulado, de aplicações relevantes para elegibilidade dos projectos de investimento para internacionalização de uma empresa portuguesa. 4

5 II Objectivo Este regime de benefícios de natureza excepcional com carácter temporário, concedidos em regime contratual e limitados em função do investimento realizado, tem como objectivo a promoção de projectos de investimento que sejam relevantes para o desenvolvimento do tecido empresarial nacional e de sectores com interesse estratégico para a economia portuguesa. III Benefícios Fiscais De acordo com o diploma ora mencionado, os benefícios fiscais para investimentos com vista à internacionalização consistem num crédito de imposto correspondente a 10% de todas as aplicações relevantes relacionadas com a: Criação de sucursais ou outros estabelecimentos estáveis no estrangeiro; Aquisição de participações em sociedades não residentes ou criação de sociedades no estrangeiro, desde que a participação directa seja, pelo menos, de 25% do capital social; Campanhas plurianuais de promoção em mercados externos, tais como as de lançamento ou promoção de bens, serviços ou marcas, incluindo as realizadas com feiras, exposições e outras manifestações análogas com carácter internacional. O crédito de imposto é concedido por via contratual, com período de vigência até cinco anos a contar da data da conclusão do projecto de investimento, sendo dedutível ao montante apurado em sede de IRC 5, mas sem ultrapassar 25% daqueles montantes, com o limite de 1.000,000 (um milhão de euros) por exercício fiscal. Relativamente às campanhas plurianuais, a dedução do crédito de imposto é concedida automaticamente ao sujeito passivo pelo período de cinco anos, sem necessidade de cumprimento dos procedimentos contratuais exigidos pelos artigos 5º a 14º do Código Fiscal do Investimento. 5 Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas. 5

6 As deduções são feitas na liquidação do IRC respeitante ao exercício em que forem realizadas as despesas relevantes, ou em que seja atingida a participação de 25% consoante o caso, e, quando o não possa ser integralmente, a importância ainda não deduzida pode sê-lo nas mesmas condições, na liquidação dos cinco exercícios seguintes 6. IV Critérios de Determinação do Crédito Fiscal A percentagem de 10% estabelecida no ponto III do presente documento pode ser majorada em 10 pontos percentuais, caso o promotor do projecto seja uma pequena ou média empresa, definida nos termos do ordenamento comunitário, ou, no caso de investimentos realizados através de acções conjuntas de internacionalização cujos termos são definidos por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças. Em caso de reconhecida relevância excepcional do projecto para a economia nacional pode ser atribuída, através de resolução do Conselho de Ministros, uma majoração até cinco pontos percentuais, com o limite total de 20 % das aplicações relevantes. V Aplicações Relevantes São consideradas aplicações relevantes 7, para efeitos de cálculo dos supra referidos benefícios, salvo as excepções previstas na lei, as despesas associadas aos projectos e relativas a: Aquisição de equipamento afecto à actividade de sucursal ou de estabelecimento estável no exterior, directamente relacionado e relevante para a actividade desenvolvida. 6 A dedução prevista no artigo 51.º do Código do IRC é aplicável cumulativamente à dedução à colecta acima prevista e durante os períodos de tempo aí previstos. 7 Devem ser considerados como aplicações relevantes os investimentos realizados através de acções conjuntas de internacionalização, cujos termos são definidos por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças. 6

7 Aquisição de participações em sociedades não residentes, excluindo a aquisição de sociedades não residentes intra-grupo; Realização do capital social de sociedades no estrangeiro; Custo com a realização de campanhas plurianuais de promoção em mercados externos, desde que, não impliquem ultrapassar, por sujeito passivo beneficiário, durante um período de três anos, os montantes de apoio definidos de acordo com as regras comunitárias aplicáveis aos auxílios de minimis; Custos corporizados em activo fixo incorpóreo, designadamente, os relacionados com despesas com assistência técnica e elaboração de estudos, bem como com patentes, licenças e alvarás, sendo aplicável, para as empresas que não sejam pequenas e médias empresas, o disposto no ponto anterior relativamente aos limites do apoio. Nota: A presente Newsletter não dispensa a leitura dos respectivos diplomas legais. Departamento de Fiscal Rua Victor Cordon, nº 10 A 4º e 5º Lisboa Portugal Tel Fax / NIPC Nº REGISTADA NA OA SOB O Nº 27/9 A presente newsletter foi elaborada com fins informativos, sendo disponibilizada de forma gratuita, para uso exclusivo e restrito dos clientes CCA, encontrando-se vedada a sua reprodução e circulação não expressamente autorizadas. Esta informação tem carácter geral e não substitui o aconselhamento jurídico para a resolução de casos concretos. Não hesite em contactar-nos caso necessite de esclarecimentos adicionais. 7

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