Análise do Sector Bancário Angolano 1

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1 Análise do Sector Bancário Angolano 1

2 Análise do Sector Bancário Angolano 2 Prefácio e agradecimentos A importância do Sector Financeiro no contexto macroeconómico do País, continua a justificar que seja um dos principais focos da actividade da KPMG em Angola. O acompanhamento conferido às alterações regulamentares, à evolução do Sector e aos desafios futuros revelou-se decisivo na abordagem da nossa Firma aos principais players do Sector Financeiro Angolano. Em linha com a nossa actuação e presença no mercado Angolano durante os últimos três anos, a KPMG em Angola vem apresentar mais uma edição do estudo sobre o Sector Bancário em Angola, o qual se pretende continue a ser uma importante ferramenta de pesquisa e um retrato fiel do panorama do Sector Financeiro do País. Adicionalmente, esta análise pretende não apenas reflectir o estado actual do Sector mas também uma reflexão acerca das medidas que as Instituições Financeiras poderão ter que implementar para fazerem face aos desafios futuros. Os dados constantes deste estudo relativamente às Instituições Financeiras que desenvolvem a sua actividade em Angola foram retirados das contas publicadas ou divulgadas pelas mesmas (com excepção dos casos em que tal é contrariamente indicado). Em 2012, Angola manteve a mesma tendência de crescimento económico evidenciado nos últimos anos, com uma evolução do PIB acima dos 5%. Para tal, muito contribuiu a contínua aposta na diversificação da economia do País face ao sector do petróleo. Neste campo, importa destacar o Programa de Investimentos Públicos (elaborado com o propósito de reforçar as infra-estruturas públicas), o Programa de Desenvolvimento de Micro, Pequenas e Médias Empresas (que tem como objectivo a criação e solidificação do tecido empresarial Angolano) ou mesmo a própria reforma tributária (criada com o objectivo de diversificar a receita fiscal, até agora muito dependente dos impostos ligados ao sector petrolífero). No âmbito desta política de diversificação, o Sector Bancário afigura-se cada vez mais como um dos impulsionadores da economia Angolana. De facto, no ano de 2012 continuou a verificar-se um crescimento deste Sector, não só ao nível do número de balcões mas também em termos de rentabilidade das Instituições Financeiras que desenvolvem a sua actividade em Angola. Assim, a robustez de um Sector que em 2012 contou com 23 entidades autorizadas para operar no País (em 2005 eram apenas 13) pode tornar-se decisiva numa altura em que a diversificação económica é, como já foi referido, uma das prioridades nacionais. Como consequência do referido crescimento, o Banco Nacional de Angola tem vindo a desenvolver esforços no sentido de promover a estabilidade do Sector Bancário através da emissão de regulamentação relativa à governação corporativa, ao controlo interno e à auditoria externa (entre outros). A aposta na regulamentação do Sector Financeiro revela a preocupação do País em sustentar o crescimento exponencial que agora se verifica, com o objectivo de o tornar um dos sectores chave da economia Angolana. No capítulo dos desafios futuros, merece destaque o planeado aparecimento do mercado de capitais (realidade cada vez mais próxima), o qual implicará diversas mudanças não só ao nível das adaptações que deverão ocorrer nas estruturas das instituições, mas também ao nível de todo o processo de adaptação e modernização que forçosamente deverá ser desenvolvido relativamente aos serviços que pelas mesmas poderão passar a ser prestados (assim como os produtos que poderão passar a ser disponibilizados). Para concluir, gostaria de prestar um especial agradecimento a todos os que contribuíram para a elaboração deste estudo, esperando que o mesmo vá ao encontro das expectativas dos seus destinatários. Melhores Cumprimentos, Sikander Sattar, Presidente do Conselho de Administração da KPMG Angola

3 Índice 1. Breve Descrição da Metodologia do Estudo 4 2. Enquadramento Macroeconómico 6 3. Análise do Sector Bancário em Angola Desafios do Sector Bancário em Angola Principais Conclusões Dados Financeiros 48

4 Análise do Sector Bancário Angolano 4 1 Breve descrição da Metodologia do Estudo Metodologia do Estudo e Fontes de Informação Os dados e análises apresentados sobre o Sector Bancário em Angola resultaram da informação pública (Relatórios e Contas), disponibilizada pelas Instituições Financeiras incluídas no nosso estudo, informação disponibilizada no site do Banco Nacional de Angola (BNA) e dados obtidos através da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS), entre outras fontes. A análise efectuada baseia-se em valores agregados e salvo quando expressamente mencionado, resultam do somatório dos valores associados às Instituições Financeiras consideradas no presente documento. Não obstante o universo do estudo pretender ser composto pela totalidade das Instituições Financeiras a operar em Angola (total de 23 Instituições, conforme listagem de Instituições Financeiras autorizadas constante no site do BNA à data de 21 de Junho de 2013), para cinco das Instituições não foi possível recolher atempadamente a informação necessária para efeitos do nosso estudo. Ano de início de actividade Banco Ano BPC BANCO DE POUPANÇA E CRÉDITO 1976 BCI BANCO DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA 1991 BCGTA BANCO CAIXA GERAL TOTTA DE ANGOLA 1993 BFA BANCO DE FOMENTO ANGOLA 1993 BAI BANCO ANGOLANO DE INVESTIMENTOS 1997 BCA BANCO COMERCIAL ANGOLANO 1999 SOL BANCO SOL 2001 BESA BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA 2002 BRK BANCO REGIONAL DO KEVE 2003 BMF BANCO BAI MICRO-FINANÇAS 2004 BIC BANCO BIC 2005 BPA BANCO PRIVADO ATLÂNTICO 2006 BMA BANCO MILLENNIUM ANGOLA 2006 BNI BANCO DE NEGÓCIOS INTERNACIONAL 2006 BDA BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE ANGOLA 2006 VTB BANCO VTB-ÁFRICA 2007 BANC BANCO ANGOLANO DE NEGÓCIOS E COMÉRCIO 2007 FNB FINIBANCO ANGOLA 2008 BKI BANCO KWANZA DE INVESTIMENTO 2008 SBA STANDARD BANK 2009 BCH BANCO COMERCIAL DO HUAMBO 2010 BVB BANCO VALOR 2010 BPPH BANCO DE POUPANÇA E PROMOÇÃO HABITACIONAL 2013 STC STANDARD CHARTERED BANK ANGOLA 2013 Fonte: BNA e Relatórios e Contas dos Bancos

5 Análise do Sector Bancário Angolano 5 As Instituições Financeiras não consideradas para efeitos do presente estudo foram as seguintes: Banco Comercial Angolano; Banco Angolano de Negócios e Comércio; Banco BAI Micro-Finanças; Banco de Desenvolvimento de Angola; Banco Kwanza de Investimento. Sem prejuízo deste facto consideramos estar assegurada a representatividade do Sector na globalidade dos indicadores analisados. Adicionalmente, referência para o registo junto do BNA de duas novas Instituições Financeiras já em 2013, nomeadamente: Banco de Poupança e Promoção Habitacional (nova denominação do Banco de Promoção para o Desenvolvimento); Standard Chartered Bank Angola (Setembro de 2013). Assim, o presente estudo visa dar uma perspectiva quantitativa e qualitativa sobre as diferentes dimensões de análise do Sector Bancário Angolano, nomeadamente: Dimensão do Sector (p.e.: activos, crédito, depósitos, produto bancário, número de balcões, número de empregados); Rentabilidade (p.e.: resultados líquidos, ROE, ROAA); Eficiência (p.e.: cost-to-income); Alavancagem (p.e.: rácio de transformação); e Solidez (p.e.: solvabilidade).

6 Análise do Sector Bancário Angolano 6 2 Enquadramento Macroeconómico Em linha com o ano de 2011, a tendência económica mundial em 2012 foi de desaceleração, sentindo-se, ainda, os efeitos da crise iniciada em Reflexo disso foi o menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, passando de 3,9% em 2011 para 3,2% em De acordo com as últimas projecções do World Economic Outlook de Outubro de 2013 elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) este indicador deverá continuar a decrescer em 2013 (2,9%), retomando uma tendência crescente em 2014 (3,6%). Apesar do referido abrandamento, o facto de as economias emergentes (incluindo Angola) continuarem a crescer com valores próximos dos 5%, acabou por compensar a tendência de abrandamento das economias desenvolvidas (Japão, EUA e Zona Euro), cujo crescimento do PIB não ultrapassou 1,5% em PIB (%) 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% -5,00% Evolução do PIB real (%) -10,00% Angola África do Sul China Euro Area USA Projecção Fonte: FMI, World Economic Outlook, October 2013 Como factores explicativos do abrandamento económico mundial encontramos as fragilidades que continuam a ser demonstradas pelo Sector Financeiro das economias desenvolvidas, a contínua crise da dívida soberana da Zona Euro e o respectivo efeito de contágio a nível mundial, as preocupações adjacentes às altas taxas de desemprego na Europa e nos EUA, a oscilação dos indicadores de confiança da economia americana, a deflação no Japão e o abrandamento das economias em desenvolvimento, onde se inclui a África Subsariana (a este respeito, note-se que as únicas excepções são as regiões do Médio Oriente e Norte de África, as quais registaram uma evolução positiva face ao ano anterior). Angola continua a ser um dos países com maior crescimento económico no continente africano. No que respeita ao caso de Angola, o ritmo de crescimento do PIB (5,2%) foi superior ao da região da África Subsariana (4,9%), superando, inclusivamente, um dos países de referência na região, a África do Sul (2,5%).

7 Análise do Sector Bancário Angolano 7 Continua a verificar-se um esforço para a redução da dependência da economia Angolana face ao sector petrolífero (objectivo já iniciado em anos anteriores), nomeadamente com o aumento do peso dos serviços mercantis e das indústrias transformadoras, o que tem proporcionado um equilíbrio da estrutura económica do País. pontos percentuais face ao ano anterior (de 13,5% para 10,3%), o que representa um decréscimo significativo. Adicionalmente, no final do ano de 2012 verificou-se pela primeira vez na história de Angola que a taxa de inflação foi inferior a dois dígitos (9%). O FMI prevê que a taxa para 2013 se situe na ordem dos 9,2%. 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Evolução da estrutura do PIB Angolano Outros Serviços Mercantis Energia Construção Indústria Transformadora Petróleo Diamantes e Outros Pescas e Derivados Agricultura Fonte: Relatório e Contas Banco Nacional de Angola Assim, é possível afirmar que, ao nível da inflação, o ano de 2012 aproximou Angola de algumas das maiores economias do continente africano. Taxa de Inflação 17,00% 15,00% 13,00% 11,00% 9,00% 7,00% 5,00% 3,00% Evolução da Taxa de Inflação Projecção Angola Nigeria África do Sul Por outro lado, e no que respeita às iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas com o objectivo de reduzir de forma gradual a dependência e exposição a determinadas economias mais evoluídas, continuam a destacar-se o Programa de Investimentos Públicos (com o propósito de reforçar as infra-estruturas públicas), o Programa de Desenvolvimento de Micro, Pequenas e Médias Empresas (que tem como objectivo a criação e solidificação do tecido empresarial Angolano) e a própria reforma tributária. Balanço Fiscal O ano de 2012 trouxe importantes mudanças a nível fiscal em Angola, nomeadamente através da contínua implementação da Reforma Tributária, a qual tem como um dos objectivos reduzir, também a nível fiscal, a dependência orçamental. 1,00% -1,00% Relações Comerciais Balança Comercial Desde 2009 que a balança comercial Angolana apresenta um crescimento sustentado. Apesar deste superavit, a balança de transacções correntes apresenta incrementos cada vez menores devido ao aumento crescente das importações de bens e serviços de consumo. 60,0 50,0 40,0 30,0 Fonte: FMI, World Economic Outlook, October 2013 Projecção Se atentarmos à evolução do montante de receita proveniente de impostos não petrolíferos (a qual praticamente duplicou de 2010 para 2012), podemos concluir que aquele objectivo está em vias de ser atingido. 20,0 10,0 0,0-10, Balança de transacções correntes Balança Comercial Execução Fiscal Informação Preliminar Fonte: EIU Em Mil Milhões de AOA Peso de cada sector (%) Orçamentado 2012 Preliminar Orçamentado 2012 Preliminar Impostos Petrolíferos 2.500, , , ,30 75,90 79,90 68,10 74,80 Não Petrolíferos 594,10 710, ,40 958,90 18,00 14,90 26,70 20,10 Fonte: Relatório e Contas Banco Nacional de Angola Inflação No que respeita ao ano de 2012, verificámos que a inflação média anual em Angola caiu mais de 3 Como parceiros de referência na exportação de produtos Angolanos encontram-se a China, os EUA, a Índia, África do Sul e a Zona Euro. Ao nível das importações de Angola, os principais fornecedores são a Zona Euro, com especial destaque para Portugal, China e EUA.

8 Análise do Sector Bancário Angolano 8 No que respeita à recepção de investimento directo externo, Angola continua a ser um dos principais países no que toca à recepção de investimento externo, sobretudo devido aos investimentos nas indústrias relacionadas com recursos naturais. De facto, a indústria petrolífera continua a ser o principal destino do investimento estrangeiro no País. No entanto, actividades não petrolíferas como a indústria transformadora, a reabilitação de infra- -estruturas ou a agricultura são também sectores onde se prevê que o investimento externo se venha a intensificar num futuro próximo. Assim, encontramos o sector da indústria transformadora a liderar a lista dos investimentos externos, seguida das prestações de serviços, do comércio por grosso e a retalho, da construção e do design. A este respeito, refira-se ainda que as províncias de Luanda, Benguela e Bengo são as regiões do País que mais têm vindo a beneficiar com estes investimentos. Adicionalmente, merece também destaque o crescente investimento de Angola no estrangeiro (com particular destaque para o realizado em Portugal) nos mais variados sectores, como seja o Sector Financeiro, petrolífero, telecomunicações, comunicação social e agro-indústria. Emissão de Títulos Relativamente a 2012 e no que respeita à emissão de títulos de Dívida Pública, apesar da clara tendência de diminuição na emissão de Bilhetes de Tesouro, houve um acréscimo nas necessidades de financiamento da economia Angolana, quer por via do aumento das Obrigações do Tesouro, quer pela crescente oferta de Títulos do Banco Central Bilhetes do tesouro Obrigações do tesouro Títulos do Banco Central Fonte: Banco Nacional de Angola O petróleo e os restantes recursos naturais do País continuam a ser o principal ponto de interesse no que respeita ao investimento externo directo em Angola. Taxa de Câmbio Em virtude da (histórica) elevada volatilidade do AOA (Kwanza) face ao USD (Dólar Norte Americano), o Executivo Angolano tentou promover ao longo da última década a estabilização da taxa de câmbio das referidas divisas. De facto, ao longo de 2012 o comportamento da taxa de câmbio no que respeita ao mercado primário e secundário foi estável e praticamente linear, resultado da contínua aplicação de medidas de sustentabilidade e estabilidade do mercado cambial. AOA/USD 120,0 100,0 80,0 60,0 40,0 20,0 0,0 Evolução da taxa de câmbio média AOA/USD Projecção Adicionalmente, tem-se verificado uma gradual desdolarização da economia, tanto no que diz respeito a depósitos como à concessão de empréstimos. De modo a atingir este objectivo, o Executivo Angolano tem promovido medidas como o estabelecimento de limites máximos de venda e a fiscalização do cumprimento da Lei Cambial. Durante 2012 foi aprovado o Novo Regime Cambial para o Sector Petrolífero, o qual irá forçar a que os montantes pagos pelas petrolíferas às empresas estrangeiras contratadas para lhes prestarem serviços em Angola sejam transaccionados através de Bancos a operar em Angola. Os impactos expectáveis serão o aumento da liquidez no mercado, do volume e número de transacções, da eficiência do sistema de pagamentos, da margem financeira dos Bancos, bem como possíveis alterações na quota de mercado de cada Banco. Fonte: EIU

9 Análise do Sector Bancário Angolano 9 Perspectivas Futuras A recente (e contínua) crise financeira tem vindo a afectar o mundo a nível global e Angola não é uma excepção, principalmente devido à sua dependência face ao petróleo. No entanto, a África Subsariana demonstrou um crescimento na ordem dos 4,9%, sendo que Angola contribui com um crescimento na ordem dos 5,2%. Não obstante, o País tem promovido mudanças substanciais que têm levado à melhoria dos seus indicadores macroeconómicos. De facto, é impossível não constatar que a estabilidade macroeconómica foi restaurada e que a economia Angolana está agora melhor preparada para enfrentar os desafios vindouros. O sector não petrolífero, nomeadamente as entidades financeiras, telecomunicações, actividades agrícolas e indústria transformadora, continuam a ser um motor da economia e diminuem a dependência do País face ao petróleo. Olhando para o futuro, a redução da pobreza e a diversificação e estabilidade económica são os principais desafios que o País enfrenta, sendo que para os conseguir superar é necessário continuar a manter a política macroeconómica prudente que, nos últimos anos, reconstruiu a economia Angolana. Contudo, e ao mesmo tempo, continuam a existir grandes necessidades no País, nomeadamente ao nível social e de desenvolvimento de infraestruturas, pelo que as escolhas e opções a tomar proximamente levarão em consideração todos estes factores. Neste contexto, é importante que Angola continue a liderar o conjunto dos países emergentes e em desenvolvimento que se têm vindo a destacar dos demais, para que as suas perspectivas a médio e longo prazo continuem a ser positivas. O processo de desdolorização da economia Angolana já se começa a fazer sentir, com particular incidência nos depósitos e nos empréstimos concedidos.

10 Análise do Sector Bancário Angolano 10 3 Análise do Sector Bancário em Angola À semelhança do que ocorreu em 2011, o ano de 2012 foi sinónimo de crescimento económico em África, não tendo o Sector Financeiro sido excepção. O contínuo e crescente investimento estrangeiro no continente e a modernização de uma série de estruturas tem vindo a contribuir para um impulsionamento generalizado da economia africana nos mais variados sectores (onde se inclui o Sector Bancário). Angola, como um dos países com maior índice de crescimento em África, é um exemplo perfeito do impacto que o investimento externo e o desenvolvimento económico do continente têm no Sector Financeiro, colocando 4 instituições nos 50 maiores Bancos africanos ( Ranking Top 100 Banks 2012 African Business Magazine ) A análise que realizámos permitiu-nos concluir que o Sector Bancário em Angola continua a crescer, nomeadamente ao nível da sua dimensão (aumento de 10,5% em número de balcões, 13,8% no número médio de colaboradores e 14% em activos). Por outro lado, no que diz respeito aos resultados, foi possível verificar um decréscimo de 30,9% ao nível dos resultados líquidos apurados pelas instituições que compõem o Sector, sendo o mesmo consequência do menor crescimento do produto bancário do Sector. Não obstante, a crescente robustez que tem vindo a ser apresentada por um Sector que em 2005 possuía apenas 13 instituições (presentemente encontram-se registados 24 Bancos em Angola, o que praticamente representa uma duplicação dos players existentes no mercado), assim como o esforço que tem vindo a ser desenvolvido pelas instituições no sentido de estarem presentes em mais províncias do País e em oferecer aos seus clientes produtos mais diversificados, auguram um futuro promissor aos Bancos a operar em Angola. Evolução do Sector De acordo com o Banco Nacional de Angola (BNA), o número de Instituições Financeiras registadas em Angola manteve-se inalterado de 2011 para 2012 (23 Bancos).

11 Análise do Sector Bancário Angolano 11 Por outro lado, e não obstante a tendência de crescimento do número de instituições nos últimos anos, a elevada concentração do Sector (cinco instituições detêm 78% dos activos totais) continua a ser uma realidade. No que respeita à regulação do Sector, importa destacar o esforço desenvolvido pelo BNA durante o ano de 2012 (e início do ano de 2013) no sentido de continuar a efectivar a estabilidade de um Sector com cada vez mais peso na economia Angolana. Assim, foi emitida nova regulamentação relativa ao sistema de pagamentos, governação corporativa, controlo interno e auditoria externa (entre outros), que visa exactamente o desenvolvimento regulamentar do Sector Financeiro consequência do crescimento do mesmo nos últimos anos. O aparecimento de um mercado de capitais (realidade cada vez mais próxima) é visto como um dos próximos grandes desafios para os Bancos, não só ao nível das adaptações que deverão ocorrer nas suas estruturas, mas também na adaptação e modernização dos serviços que poderão ser prestados e dos produtos que poderão ser disponibilizados pelos mesmos. Bancarização A bancarização da população Angolana continua a ser um objectivo do Sector Financeiro. Reflexo disso é o aumento do número de balcões (praticamente duplicaram de 2009 para 2012) e a sua descentralização de Luanda. Não obstante, o nível de bancarização da população está ainda aquém daquilo que o Sector ambiciona (cifra-se em cerca 23% - Dezembro de 2012), não obstante o referido aumento do número de agências e a diversificação dos serviços disponibilizados pelas Instituições Financeiras a empresas e famílias. Meios de pagamento e novos canais O ano de 2012 confirmou uma evolução positiva ao nível da utilização dos meios de pagamento e dos novos canais electrónicos, tendo em vista o acesso às principais operações bancárias. Assim, e apesar da maioria dos contactos estabelecidos entre Bancos e (futuros) clientes ser efectuado in loco numa agência bancária, cerca de 75% dos Bancos Angolanos possuem já um serviço de internet banking. Tal facto poderá ser explicado pela crescente competitividade entre as Instituições Financeiras que compõem o Sector, cada vez mais empenhadas em disponibilizar aos seus clientes um maior número de soluções que podem potenciar a sua fidelização e satisfação. Por outro lado, no que diz respeito às transacções efectuadas em Automatic Teller Machines (ATM s), a tendência de crescimento exponencial, já verificada em anos anteriores, manteve-se em 2012, aumentando o volume médio mensal de transacções para 9,3 milhões (mais 35% do que o verificado no ano anterior) % Transacções em ATM 31% 47% 37% 35% Fonte: EMIS À semelhança do verificado com os ATM s, os Terminais de Pagamento Automático (TPA s) registaram um aumento de cerca de 72% no número de transacções face ao período homólogo % Nº de Balcões 10,5% ,1% Transacções em TPA 72% % % 68% Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos Fonte: EMIS

12 Análise do Sector Bancário Angolano 12 Para além do anteriormente referido, são também indicadores de crescimento e de evolução do Sector Bancário o aumento do número de ATM s e de TPA s face ao ano de 2011 (de 24% e 29%, respectivamente). Unidades % Evolução Caixas Automáticas (ATM) 39% 30% 26% 24% Fonte: EMIS Evolução Terminais Pagamento Automático (ATM) 29% A tendência de crescimento dos vários meios de pagamento alternativos e a sua utilização cada vez mais significativa, são sinais claros da evolução da bancarização da população Angolana. De facto, a confiança dos cidadãos na utilização dos referidos meios de pagamento, bem como a cada vez maior ligação à Internet e aos serviços disponibilizados pelas Instituições Financeiras (os quais permitem a realização de operações bancárias online através de um computador ou de um smartphone) acaba por funcionar como um indicador positivo de evolução do Sector Bancário, que acaba por promover a própria educação bancária da população Angolana. Depósitos e Créditos Evolução do Crédito Também no crédito concedido a tendência de 25% crescimento verificada em anos anteriores confirmou-se em 22,7% 2012, registando-se um aumento de cerca de 25% relativamente ao ano anterior. Unidades % % % 185% Valores em milhões de AOA Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos Fonte: EMIS A evolução do Sector Financeiro tem tido igualmente repercussões no número de cartões bancários utilizados de acordo com os dados da EMIS relativos ao ano de 2012, o número de cartões vivos registou um aumento de 31% face ao período anterior. Evolução do nº de Cartões (1000 Unidades) Por outro lado, e em relação ao crédito vencido, o ano de 2012 foi marcado por um aumento significativo de cerca de 83,5% face a 2011 (ampliando assim para 6,8% o peso do crédito vencido no total de credito concedido (4,6% em 2011). Evolução do Crédito Vencido 83,5% Total 2012 Cartões Válidos Cartões Vivos Fonte: EMIS Valores em milhões de AOA Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos

13 Análise do Sector Bancário Angolano 13 8,0% 6,0% 4,0% Crédito Vencido/Crédito Total (%) 6,8% 5,6% 4,6% Quanto às taxas de juro do mercado interbancário, as mesmas mantiveram-se estáveis. Assim, a taxa de juro média de referência das operações de cedência de liquidez (LUIBOR) seguiu uma tendência estável ao longo de 2012, oscilando entre 6,2% (overnight) e 10,7% (12 meses de maturidade). 2,0% 0,0% Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos Por outro lado, no que respeita às taxas de juro activas no mercado Angolano, a tendência nos últimos anos é a de diminuição das mesmas. Ora, o ano de 2012 manteve a tendência dos anos anteriores, com particular incidência no crédito concedido em moeda nacional. Tal facto poderá ser explicado pela campanha de desdolorização da economia Angolana, o que faz com que as operações em Kwanzas aumentem e, consequentemente, o seu custo diminua. Contudo, existem ainda diferenças bastante significativas nas taxas de juro adoptadas pelas Instituições Financeiras nas operações com particulares e com empresas (com particular incidência nas operações em moeda estrangeira). Taxas de Juro Activas Moeda Nacional Moeda Estrangeira Crédito ao Sector Empresarial Até 180 dias 15,3% 8,9% De 181 dias a 1 ano 14,4% 11,5% Mais de 1 ano 15,1% 11,3% Crédito a Particulares Até 180 dias 17,2% 5,1% De 181 dias a 1 ano 12,8% 5,1% Mais de 1 ano 13,3% 5,7% Fonte: Banco Nacional de Angola No que respeita ao crédito concedido por sector de actividade, verificamos que o Comércio por Grosso e a Retalho, os Particulares e Outras Actividades de Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais representam praticamente 50% de todo o crédito concedido no mercado Angolano, o que demonstra que a economia de Angola tem ainda espaço para crescer em outras áreas de negócio e que, consequentemente, os Bancos poderão diluir o seu crédito concedido por outros sectores de actividade, diversificando o risco. 3% 3% 4% 10% 10% 3% 1% 1% 3% 12% Crédito por Sector de Actividade 18% 15% 17% Outras Activ.de Serv. Colect., Sociais e Pessoais Comércio por grosso e a retalho Particulares Construção Activ. Imob.,Alugueres e Serv.Prest. as Empresas Indústrias Transformadoras Indústria Extrativa Activ. Financeiras, Seguros e Fundos de Pensões Outros Transportes, Armazenagem e Comunicações Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura Alojamento e restauração (restaurantes e similares) Educação; Saúde e acção social; Pesca; E de água; Famílias com empregados dos domésticos Fonte: Banco Nacional de Angola Quanto aos depósitos, a tendência de crescimento continuou a confirmar-se em 2012, com um aumento de 7,9% nos depósitos totais e um aumento do valor relativo dos depósitos a prazo face aos depósitos à ordem (48% em 2012 face a 43% em 2011). Taxas de Juro Passivas Dep. Ordem Dep. Prazo Moeda Nacional Moeda Estrangeira 0,0% 0,0% até 90 dias 3,1% 1,8% de 91 a 180 dias 4,7% 2,3% de 181 dias - 1 ano 4,9% 2,7% mais de 1 ano 7,0% 3,1% Fonte: Banco Nacional de Angola Evolução de Depósitos 7,9% ,3% Valores em milhões de AOA Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos

14 Análise do Sector Bancário Angolano 14 A temática da desdolorização tem sido, por outro lado, outra das preocupações do Executivo e dos Bancos Angolanos. O objectivo claro de tornar o Kwanza na moeda corrente na execução de operações (com o propósito de a valorizar) tem sido progressivo. De facto, podemos afirmar que tal foi conseguido, na medida em que o ano de 2012, assistiu-se a uma diminuição na percentagem de depósitos constituídos em moeda estrangeira (49% em 2011 para 45% em 2012). Depósitos por Natureza Depósitos por Moeda % 43% 48% 52% 57% 59% 45% 48% 49% 51% 52% 55% Depósitos à Ordem Depósitos a Prazo Moeda Nacional Moeda Estrangeira Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos

15 Análise do Sector Bancário Angolano 15 Por outro lado, e sendo 2012 um ano em que se confirmou a tendência crescente do número de depósitos, o rácio de transformação voltou a colocarse em níveis mais próximos dos registados em 2010 (mas, ainda assim, longe dos rácios praticados na União Europeia). 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 59,3% Rácio de transformação 54,2% 62,7% Assim, com o processo de bancarização em curso no País, é expectável que os Bancos a operar em Angola possam atingir os rácios de transformação praticados na Europa, sinónimo de um maior acesso ao crédito por parte da população e das empresas, bem como um maior índice de confiança nas Instituições Financeiras. Activos No seguimento da tendência dos últimos anos, os Activos dos Bancos do Sector Financeiro Angolano continuaram a crescer, cifrando-se o referido crescimento à roda dos 14%. Activos Totais Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos De facto, a heterogeneidade dos activos das Instituições Financeiras Angolanas é reflexo do elevado número de Bancos existentes e das diferentes estratégias adoptadas pelos mesmos na condução da sua actividade operacional. Estrutura de Activos ,7% 4,4% 3,4% 37,2% 18,0% Produto Bancário O ano de 2012 registou um aumento do produto bancário agregado dos Bancos Angolanos, mais concretamente na ordem dos 3,4%. Tal deveu-se, sobretudo, a um aumento da margem complementar das instituições, uma vez que os valores da margem financeira diminuíram face aos registados no ano de ,4% Estrutura de Activos ,1% 3,4% 5,0% 4,1% 40,5% Produto Bancário 17,9% 15,4% Disponibilidades Aplicações de Liquidez Crédito sobre clientes Obrig/Títulos Part/Imobilizado Outros Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos 20,6% % Margem Financeira Margem Complementar Valores em milhões de AOA Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos De facto, a margem financeira agregada dos Bancos Angolanos foi ligeiramente afectada, nomeadamente através da diminuição dos Proveitos de títulos e valores mobiliários (decréscimo de cerca de 34,7% face ao ano de 2011). Valores em milhões de AOA Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos A este respeito, importa ainda realçar o bom desempenho dos Proveitos de aplicações de liquidez (crescimento de cerca de 46,1%) e da diminuição do Custo de depósitos (em cerca de 11,1%), bem como dos Custos de captações com títulos e valores mobiliários (em 42,4%).

16 Análise do Sector Bancário Angolano 16 Cost-to-Income O rácio Cost-to-Income manteve-se estável durante o ano de 2012, cifrando-se nos 52% (ao passo que no ano de 2011 o mesmo ascendia a 51,9%). 60% 50% Cost-to-Income 52,1% 51,9% 52,0% Rácio de Solvabilidade O rácio de solvabilidade médio do Sistema Bancário Angolano ascendeu em 2012 a 18,3% (o que representa um ligeiro decréscimo face aos 19,2% registados em 2011 no mesmo rácio). Rácio de Solvabilidade 40% 30,00% 27,97% 30% 25,00% 20% 20,00% 19,2% 18,3% 10% 0% ,00% 10,00% 5,00% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 28,9% 23,3% 14,7% Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos É visível no mercado que os Bancos em Angola têm revelado uma maior preocupação com os seus níveis de eficiência, procurando proceder a uma cada vez maior optimização dos seus custos operacionais. Contudo, e mesmo tendo em conta o esforço desenvolvido no sentido de diminuir o rácio em apreço, ainda existem investimentos que os Bancos deverão procurar fazer, com o objectivo de tornar mais eficiente o seu funcionamento tendo em conta os desafios vindouros, nomeadamente ao nível da formação dos seus quadros, da optimização e modernização dos seus sistemas informáticos e na (re)definição de processos operacionais. Rentabilidade Em 2012, continuou a verificar-se a tendência decrescente na rentabilidade dos capitais próprios (ROE) do sistema bancário Angolano, a qual se cifrou em 14,7% (contrastando com os 23,3% verificados em 2011). Seguindo a mesma tendência, o ROAA apresentou também um comportamento similar (1,65% em 2012, contra os 2,8% apresentados em 2011). Return on Average Assets (ROAA) Return-on-Equity (ROE) 0,00% Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos Não obstante, considerando que o rácio de solvabilidade mínimo exigido pelo BNA é de 10%, os níveis médios de solvabilidade continuam a revelar a robustez financeira que as instituições têm vindo a apresentar nos últimos anos. Qualidade do Nível de Serviço O recente Estudo da Satisfação do Cliente Bancário em Angola realizado pela KPMG mostrou uma cada vez maior preocupação com a efectividade dos modelos de serviço instituídos pelos Bancos em Angola. Por outro lado, a busca por níveis de satisfação e lealdade dos clientes tem sido outro dos pilares que tem orientado as Instituições Financeiras Angolanas e a sua relação com os seus clientes (e futuros clientes). Assim, e tendo como um dos principais objectivos estratégicos o aumento dos níveis de fidelização e retenção dos seus clientes, os Bancos têm feito um esforço significativo para melhorar o serviço/ experiência do cliente, nomeadamente ao nível do desenvolvimento de produtos e serviços cada vez mais customizados e da adaptação dos processos e sistemas com o propósito de assegurar uma comunicação mais eficaz e eficiente com os clientes (presentes e futuros). 5% 0% 3,4% 2,8% 1,7% Fonte: Relatórios e Contas dos Bancos

17 Análise do Sector Bancário Angolano 17 4 Desafios do Sector Bancário em Angola Vitor Ribeirinho A KPMG procura, no âmbito deste estudo, partilhar a sua visão sobre os principais desafios do Sector e contribuir para uma reflexão do mercado sobre as melhores soluções para a Banca em Angola. Vitor Ribeirinho, Partner, Head of Audit & Financial Services O Sector Bancário Angolano permanece atractivo, quer para stakeholders nacionais, quer para potenciais investidores internacionais, continuando a evoluir num contexto cada vez mais concorrencial, o que tem contribuído para uma redução das margens do negócio. Em geral o Sector tem registado nos últimos anos uma diminuição dos seus níveis de rentabilidade e sustentabilidade financeira futura, induzindo a necessidade de serem adoptadas medidas estruturantes para retomar a rentabilidade para níveis anteriores e fortalecer o balanço. Por outro lado, os clientes e o mercado em geral são cada vez mais exigentes e sofisticados, procurando não só uma maior literacia financeira, como também mais e melhores opções de investimento e de poupança. Neste contexto, as Instituições Financeiras continuarão a ter novos e crescentes desafios pela frente, quer ao nível do seu modelo de negócio global, quer ao nível do seu modelo operativo. Estes desafios irão permitir às Instituições continuar a acrescentar e criar valor nos seus processos de negócio, nos seus produtos e serviços, e consequentemente repassar esse valor para o cliente. Apesar do volume da nova regulamentação apresentada pelo Banco Nacional de Angola (BNA) nos últimos meses, as Instituições Financeiras têm cada vez mais a capacidade e a oportunidade de se alinharem com as melhores práticas internacionais, uma vez que as próprias Entidades de Supervisão Angolanas fomentam e procuram em primeira instância, que o Sector garanta esse mesmo alinhamento de forma gradual. Como exemplo desse alinhamento, refira-se todos os aspectos relacionados com a governação corporativa, com o sistema de controlo interno, os próprios modelos de risco no âmbito de Basileia, o caminho ainda a percorrer na adopção das IFRS ou a implementação de mecanismos de prevenção ao branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo. Neste contexto e dada a contínua evolução do Sector, tão relevante para o desenvolvimento e modernização da economia Angolana, a KPMG procura, no âmbito deste estudo, partilhar a sua visão sobre os principais desafios do Sector e contribuir para uma reflexão do mercado sobre as melhores soluções para a Banca em Angola, demonstrando claramente como poderá estabelecer relações de parceria fortes e consolidadas com as Instituições Financeiras, apoiando-as ao longo dos próximos anos, no seu desenvolvimento e crescimento sustentado. Para o efeito, destacamos doze desafios que nas páginas seguintes serão apresentadas e desenvolvidas pelos nossos Sócios e Management Group que desenvolvem na KPMG Angola os diferentes tópicos: 1. Reforço da Rentabilidade na Banca Angolana; 2. Satisfação de Cliente Bancário; 3. Desenvolvimento de Modelos de Bancassurance; 4. Basileia/Modelos de Risco; 5. Novo pacote regulamentar: Governação Corporativa e Sistema de Controlo Interno; 6. Implementação dos IFRS; 7. FATCA Desafios e Implicações no Sector Financeiro Angolano; 8. Reforma Tributária - Desenvolvimentos recentes; 9. Gestão de Processos de Negócio (BPM); 10. Continuidade de Negócio; 11. Anti-Money Laundering; 12. Mercado de Capitais.

18 Análise do Sector Bancário Angolano Reforço da Rentabilidade na Banca Angolana Gonçalo Traquina Os Bancos têm vindo a adoptar medidas casuísticas, produzindo efeitos de curto prazo e ficando aquém das suas expectativas e necessidades. Gonçalo Traquina, Senior Manager, Management & Risk Consulting O Sector Bancário Angolano permanece altamente atractivo mas com um forte contexto concorrencial o que tem contribuído para uma redução das margens do negócio. A maioria dos Bancos tem registado nos últimos anos uma degradação dos seus níveis de rentabilidade e sustentabilidade financeira futura, induzindo urgência na adopção de medidas estruturantes para retomar a rentabilidade para níveis sustentáveis e fortalecer o balanço. De forma a inverter esta tendência, os Bancos têm procurado adoptar medidas com vista a reforçar a respectiva capacidade de geração de resultados. A KPMG considera que a melhoria da rentabilidade dos Bancos está dependente de uma actuação articulada em eixos que, por um lado, permitam um reforço da competitividade do negócio, adoptando medidas com impacto e contributo directo e sustentável no produto bancário e, por outro lado, a criação de bases para um modelo operativo eficiente e adequado às reais necessidades do negócio. Deste modo, consideramos que, ao nível da Melhoria da Competitividade do Negócio, os Bancos deverão actuar em três áreas fundamentais: Optimização de carteiras de crédito e passivo A degradação das margens do negócio exige que os Bancos desenvolvam estratégias de optimização do negócio, tendo em consideração (i) a análise e caracterização da carteira de crédito, passivo e meios de pagamento numa lógica multidimensional, incorporando vertentes de segmentação comercial, risco e rentabilidade e (ii) a análise da eficácia de cobrança através da identificação de potenciais fugas de receita que possam existir no ciclo comercial. Redefinição de propostas de valor de segmentos com potencial futuro A recente evolução das necessidades, preferências e comportamentos do mercado de Particulares (e.g. emergir do Mass Affluent, Expatriados, entre outros) e de Empresas (e.g. Institucionais, PME, entre outros) exige pela parte dos Bancos uma nova segmentação do mercado e uma consequente redefinição das propostas de valor, motivando a redefinição do portfolio de Produtos e Serviços (alinhado com as novas necessidades e ciclos de vida) e do Mix de Canais, de acordo com novas exigências de transacionalidade e de relacionamento. Segmentar por critérios de valor e rentabilidade As recentes dinâmicas do mercado têm vindo a reforçar a heterogeneidade na rentabilidade dos clientes, exigindo uma análise individual com vista à identificação dos drivers de incremento da receita. Os Bancos deverão reforçar a sua actual abordagem comercial e de marketing numa óptica de Valor através da adopção de estratégias comerciais segmentadas segundo critérios de rentabilidade efectiva e potencial.

19 Análise do Sector Bancário Angolano Reforço da Rentabilidade na Banca Angolana (continuação) Eficácia na gestão da força de vendas A necessidade de atingir níveis de eficácia comercial mais elevados exigirá aos Bancos a optimização das práticas de gestão comercial de acordo com quatro princípios essenciais: i) assegurar um contacto sistemático em segmentos de maior potencial, ii) acelerar os ciclos comerciais das equipas de venda (tempo médio de vendas), iii) tangibilização de oportunidades de negócios identificadas e iv) monitorização de KPIs e produção de alarmística que assegurem a maximização da performance comercial. Por outro lado, ao nível da optimização da eficiência operativa, os Bancos deverão actuar tanto na quantificação como no controlo permitindo um maior equilíbrio entre as necessidades do negócio e os recursos afectos. Deste modo, a KPMG entende um actuação concertada em três áreas: Conhecer e quantificar os custos do negócio Desenvolver uma perspectiva da base total de custos orientada ao negócio, sobre quais são os custos, as razões porque são incorridos e de que forma se ligam aos outputs de negócio da instituição, no sentido de suportar os processos de decisão operacionais e estratégicos. Optimizar categorias de compras com elevado peso na despesa total Estruturação das categorias de compras por famílias e em torno de quatro vertentes (oportunístico, estratégico, recorrente e específico), dadas as suas características em termos de complexidade e valor, permitindo racionalizar a despesa nos grupos de compras com elevado peso na despesa total através da adopção de medidas de gestão da procura, gestão da oferta e gestão da base total de custo. Optimizar e controlar o modelo operativo A optimização operacional das estruturas, exige uma sistematização das capacidades operacionais actuais e os requisitos de negócio futuros com vista a eliminar o gap operacional vs negócios. Os Bancos deverão adoptar uma abordagem pragmática, reflectindo criticamente sobre o modelo actual e alinhando a organização e a operativa segundo uma tradução de objectivos estratégicos em capacidade operativa permitindo criar as bases para uma análise quantitativa segundo princípios de eficácia e eficiência, que vise optimizar a capacidade de minimizar a variabilidade e desperdícios operacionais.

20 Análise do Sector Bancário Angolano Satisfação de Cliente Bancário O aumento dos níveis de concorrência aliado ao crescimento exponencial dos índices de bancarização e a imersão de segmentos de clientes cada vez mais exigentes, tem suscitado à maioria dos Bancos a operar em Angola uma cada vez maior preocupação com a efectividade dos modelos de serviço instituídos e correspondentes níveis de satisfação e lealdade dos clientes. Frederico Silva As Instituições Bancárias têm feito um esforço significativo para melhorar o serviço/experiência ao cliente. Frederico Silva, Manager, Management & Risk Consulting Tendo como um dos principais objectivos estratégicos o aumento dos níveis de fidelização e retenção, os Bancos têm feito um esforço significativo para melhorar o serviço/experiência ao cliente, contudo ainda são evidentes algumas fragilidades a diversos níveis nos modelos de serviço. Ao nível do Atendimento ao Cliente, consideramos existir um espaço de melhoria ao nível das competências técnicas e comportamentais por parte dos colaboradores dos Bancos, tanto ao nível da actividade comercial (ex: entendimento das necessidades financeiras do cliente e aconselhamento de soluções) bem como no serviço prestado (ex: gestão e tratamento de reclamações). Por outro lado, apesar dos importantes investimentos feitos nos últimos anos no reforço dos Processos e Sistemas de Suporte para fazer face ao forte crescimento verificado no Sector Financeiro, continuam a existir áreas de ineficiência, com impacto significativo ao nível da satisfação do cliente, nomeadamente ao nível do tempo excessivo na execução de transacções/ordens, decorrente da existência de ineficiências operacionais nos back-offices dos Bancos. Ao nível da Conveniência, verifica-se ainda na maioria dos Bancos a operar em Angola um tempo excessivo de espera pelo atendimento nas agências (ex. longas filas no atendimento) e apesar de uma extensa cobertura bancária na zona de Luanda, constata-se ainda dificuldades de acesso nas zonas rurais e periféricas. Adicionalmente, o crescimento económico do país encorajou os Bancos a desenvolver e apresentar uma oferta de Produtos e Serviços que satisfaçam integralmente as necessidades de poupança, investimento e consumo das famílias e empresas. Apesar da evidência de uma forte evolução neste domínio ao longo dos últimos anos, ainda se verificam desafios relevantes, tal como a dificuldade de acesso ao crédito por parte dos particulares (ex. para consumo e/ou habitação), a reduzida facilidade em executar a transferência de valores e a reduzida facilidade no entendimento dos produtos e serviços financeiros comercializados nos Bancos. Para mitigar as fragilidades existentes e reforçar a experiência de cliente, os Bancos deverão implementar gradualmente abordagens cada vez mais orientadas para o cliente, tal como aquelas que se encontram em países com maior maturidade e literacia financeira, onde se verifica uma segmentação do mercado, permitindo práticas de gestão individualizadas e personalizadas que tomam em consideração as necessidades, preferências e comportamentos dos clientes.

21 Análise do Sector Bancário Angolano Satisfação de Cliente Bancário (continuação) Deste modo, a KPMG entende que os Bancos devem iniciar este processo de transformação actuando em quatro áreas principais e inter-relacionadas: Ouvir a Voz do Cliente Conhecer o ciclo de experiência de cliente, identificar os factores críticos de sucesso (FCS), conhecer as proposta de valor e expectativas do cliente e compreender o posicionamento face aos FCS, permitindo compreender os sintomas dos gap s e conduzir análises selectivas com o objectivo de identificar a origem das causas; Optimizar os Modelos de Serviço Compreender as alavancas de valor em cada segmento (oferta, canal, preço) e reflectir as mesmas nas experiências de venda e serviço, disponibilizadas através dos vários canais e questionar o seu próprio negócio e os respectivos processos de suporte, a fim de incrementar a eficiência e a experiência do cliente; Alinhar Front e Back-Office Implementar uma estratégia comercial segmentada e orientada ao cliente, suportada por um modelo de back-office que garanta níveis de serviço que optimizem a experiencia do cliente e a rentabilidade e eficiência da instituição; Reforçar o Capital Humano Implementar um modelo de gestão de Capital Humano integrado, capaz de atrair, motivar, desenvolver e reter os Colaboradores, capacitando-os técnica e comportamentalmente para cumprirem as suas funções com o objectivo principal de prestar um serviço ao cliente de excelência.

22 Análise do Sector Bancário Angolano Desenvolvimento de Modelos de Bancassurance O conceito de Bancassurance consiste na disponibilização de produtos de seguros através de um canal de distribuição bancário (ver figura 1). Se, do ponto de vista do Sector Segurador, a Bancassurance surge como uma importante oportunidade para abranger um vasto conjunto de clientes e potenciar as suas vendas. Nuno Esteves Não existem modelos óptimos, sendo a chave do sucesso o alinhamento entre o modelo e a estratégia das organizações. Nuno Esteves, Director, Management & Risk Consulting Para o Sector Bancário estes modelos podem igualmente trazer diversos benefícios: Aumento do produto bancário através diversificação das fontes de receitas; Alargamento da oferta de produtos em complementaridade com produtos bancários; Diferenciação face à concorrência através do desenvolvimento de uma proposta de valor integrada e focada nas necessidades de cada segmento de clientes. Consistindo num modelo que junta diversas partes, com interesses e objectivos nem sempre convergentes, consideramos que o desenvolvimento de um adequado modelo de Bancassurance deverá ter em consideração o seguinte conjunto de factores críticos (ver figura 2): 1. Alinhamento de Objectivos e Estratégia, incluindo a clara definição do Modelo de Relação, clarificando as responsabilidades, tanto a nível da comercialização como da gestão do serviço; 2. Clarificação da proposta de valor a nível de clientes, Produtos e Canais de Distribuição; 3. Adequação do modelo de operativo, incluindo a estrutura de pessoas, processos e sistemas de informação. Conceito de Bancassurance Banco Serviços e produtos a Clientes Bancassurance Figura 1: Conceito de Bancassurance Seguradora Consiste na disponibilização de Seguros junto da base de clientes bancários e poderá assumir diversas formas: Distribuição: Modelo assente numa lógica de distribuição dos produtos da seguradora através da rede do Banco, remunerado via comissões; Joint-Venture: Modelo assente na criação de uma Joint-Venture conjunta entre as duas organizações, com os lucros a serem distribuídos equitativamente entre as duas organizações; Subscrição: O Banco assume directamente o Risco de Seguro (risco de subscrição), seja através da subscrição directa de produtos, seja através da aceitação do resseguro dos mesmos.

23 Análise do Sector Bancário Angolano Desenvolvimento de Modelos de Bancassurance (continuação) 1. Estratégia e Objectivos Definição de objectivos, das linhas de orientação estratégica de suporte à parceria e caracterização do modelo de relação proposto entre o Banco, a Seguradora e os Clientes, tanto a nível da fase de setup da operação como na fase de acompanhamento. Factores Críticos 2. Proposta de Valor 3. Modelo Operativo Definição da Oferta adaptada aos diversos Segmentos de Clientes, abrangendo empresas e particulares e do Modelo de Distribuição, incluindo a análise dos canais a desenvolver e das geografias alvo para desenvolvimento do modelo de Bancassurance. Definição da estrutura de processos, pessoas e sistemas de informação de suporte à operação, com especial incidência na ligação do Banco com a Seguradora, tanto no momento de cotação e subscrição, como ao longo das diversas fases de um contrato de seguro. Figura 2: Factores Críticos do Modelo de Bancassurance 1. Alinhamento de Objectivos e Estratégia Os objectivos definidos para o desenvolvimento de uma parceria de Bancassurance vão desde o aumento de receitas até à diferenciação e alargamento da oferta para clientes. A estratégia a desenvolver para o modelo de Bancassurance deverá ter por base objectivos e metas claras (ex: taxa de crescimento, taxa de penetração, rentabilidade) e permitir a obtenção de vantagens para ambas as partes (Banco e Seguradora). Existem diversos modelos possíveis, desde a pura distribuição até modelos assentes na subscrição pelos Bancos. Não existem modelos óptimos, sendo a chave do sucesso o alinhamento entre o modelo e a estratégia das organizações. O modelo de relação a desenvolver deverá permitir uma clara definição de responsabilidades, tanto a nível da comercialização como da gestão do serviço. 2. Clarificação da proposta de valor A definição de uma clara proposta de valor para os diversos segmentos de clientes é outro do factores críticos de sucesso de um modelo de Bancassurance. Deverá ser desenvolvida uma oferta simples, diferenciada e consistente para cada segmento de clientes, tendo em consideração: Complementaridade com os produtos bancários (ex: protecção ao crédito); Atractividade potencial para os segmentos bancários; Adequação da complexidade dos produtos às características dos canais utilizados.

24 Análise do Sector Bancário Angolano Desenvolvimento de Modelos de Bancassurance (continuação) 3. Adequação do modelo de operativo É necessário pensar a arquitectura de processos e de tecnologias (de informação de forma faseada e escalável) e definir uma estrutura de pessoas com as competências adequadas ao desenvolvimento de um modelo de Bancassurance. As dificuldades de performance, a falta de integração de processos e sistemas ou o desconhecimento do produtos de seguros constituem importantes barreiras ao desenvolvimento do negócio. A nível do modelo operativo, alguns factores críticos a considerar incluem: Adequar o nível de competências, garantindo a formação adequada dos colaboradores; Definir claramente processos e procedimentos de suporte a toda a operação, clarificando as áreas de actuação entre o Banco e a Seguradora e definindo níveis de serviço para os processos mais críticos; Desenvolver sistemas eficientes e fáceis de utilizar, capazes de suportar a operação e respectivos processos, garantindo a existência de informação de qualidade. Na perspectiva da KPMG, nos próximos anos continuará a assistir-se ao desenvolvimento do modelo de Bancassurance em Angola, devendo assumir um papel cada vez mais relevante na proposta de valor para clientes particulares e empresariais, contribuindo não apenas para um aumento sustentado do produto bancário, mas também para uma crescente diversificação e alargamento da oferta, em complementaridade aos produtos bancários, tanto a nível de produtos de crédito como na captação de investimentos de longo prazo.

25 Análise do Sector Bancário Angolano Basileia/Modelos de Risco Luís Jesus No actual enquadramento do mercado Angolano, a implementação de modelos de risco assume especial relevância. Luís Jesus, Director, Management & Risk Consulting O novo Aviso n.º 2/2013 emitido pelo Banco Nacional de Angola impõe às instituições de crédito sujeitas à respectiva supervisão, o estabelecimento de um sistema de gestão do risco que incorpore um conjunto integrado de políticas e processos - incluindo procedimentos, limites, controlos e sistemas - que possibilite uma avaliação regular de todos os riscos que afectam a actividade da instituição. Os requisitos destes modelos globais de risco colocam desafios significativos às Instituições Financeiras e antecipam, em parte, os requisitos específicos que serão definidos pelo BNA para riscos específicos como, por exemplo, o risco de crédito, o qual tem assumido maior importância com o crescimento dos rácios de incumprimento no mercado Angolano. A esse respeito, o Acordo de Basileia II representa uma referência a nível mundial, uma vez que define um conjunto de melhores práticas no desenvolvimento e utilização de modelos de risco no âmbito dos processos de concessão, acompanhamento e recuperação de crédito. Estes modelos de risco podem ser genericamente divididos em modelos de scoring - para segmentos de Retalho - e modelos de rating - para segmentos de Empresas -, podendo adicionalmente serem divididos em modelos aplicacionais, utilizados no âmbito da concessão de operações de crédito ou comportamentais, utilizados ao longo da vida do crédito. Estes são os modelos de PD (Probability of Default), uma vez que o objectivo é a determinação da probabilidade de uma operação ou cliente entre em incumprimento. Para os créditos que já se encontrem em incumprimento são utilizados modelos que permitem estimar as perdas associadas a estas operações, geralmente denominados modelos de LGD (Loss Given Default). No actual enquadramento de desenvolvimento da actividade creditícia no mercado Angolano, a implementação destes modelos assume uma especial relevância. Modelos de aceitação Atendendo à necessidade crescente de concessão de crédito à economia e à previsível introdução de novos produtos no mercado, é fundamental assegurar a eficiência dos processos de concessão de crédito, assim como a consistência dos critérios utilizados na avaliação de cada proposta de crédito. Os modelos de aceitação podem assegurar estes objectivos, assumindo que são desenvolvidos de forma a reproduzir adequadamente as políticas de concessão da instituição e que são efectivamente utilizados como uma ferramenta de suporte à decisão. O resultado do modelo deverá ser uma notação de risco que permita caracterizar no momento da concessão o grau de risco da operação ou cliente.

26 Análise do Sector Bancário Angolano Basileia/Modelos de Risco (continuação) Modelos comportamentais Após a atribuição de uma notação de risco inicial é fundamental que se adopte um processo de monitorização do risco da operação ou cliente de forma a conseguir captar com a antecipação possível os sinais de eventual deterioração da sua capacidade de pagamento. A utilização de modelos comportamentais permite incorporar nesta análise algumas variáveis que traduzem o comportamento do cliente, como a existência de situações de atraso no pagamento das prestações, alterações nos saldos médios junto da instituição e num futuro próximo informação sobre o seu comportamento no Sector Financeiro (CIRC - Central de Informação e Risco de Crédito), informação que se torna cada vez mais distintiva dos clientes. Modelos de Rating de Empresas Relativamente às empresas, a evolução dos modelos de avaliação de risco das Instituições Financeiras têm conduzido à necessidade de obter mais e melhor informação sobre o desempenho económico e financeiro dos seus clientes. A este respeito, é fundamental o desenvolvimento de unidades de balanços que tenham como atribuição a recolha e tratamento dessa informação financeira para que esta possa ser utilizada no desenvolvimento e utilização dos modelos de risco, mas também de forma a permitir a preparação e divulgação de análises sectoriais sobre o mercado. Estes modelos devem também permitir atribuir notações de risco diferenciadas às empresas de acordo com o seu desempenho financeiro e de acordo com outras variáveis qualitativas como a qualidade da sua gestão ou o seu nível de desenvolvimento tecnológico. Modelos de perdas Para as operações ou clientes que se encontrem em incumprimento e tendo em conta os custos associados aos processos de recuperação - principalmente a nível judicial - é fundamental o desenvolvimento de modelos que permitam estimar as perdas esperadas e, assim, suportar as decisões no âmbito das estratégias de recuperação a seguir para cada cliente. A maior maturidade do mercado e a progressiva melhoria na qualidade dos dados deverá permitir o desenvolvimento destes modelos, permitindo quantificar de forma mais precisa os riscos a que as instituições estão sujeitas. Por outro lado, uma diferenciação mais efectiva do risco dos clientes permitirá o desenvolvimento de ofertas comerciais mais focalizadas para determinados segmentos da carteira e em condições de rentabilidade que sejam adaptadas ao nível de risco dos clientes.

27 Análise do Sector Bancário Angolano Novo pacote regulamentar: Governação corporativa e Sistema de controlo interno Marcelo Costa Estes processos irão preparar as instituições para abordar de forma mais segura e eficaz as principais oportunidades e desafios. Marcelo Costa, Senior Manager, Audit Em Abril de 2013 foram publicados os Avisos n.º 1/2013 e n.º 2/2013, do BNA, os quais regulam as obrigações das Instituições Financeiras supervisionadas pelo BNA no âmbito da governação corporativa e do estabelecimento de um Sistema de Controlo Interno (SCI). Dado o crescimento do Sistema Financeiro Angolano, torna-se premente adequar a estrutura governativa e de controlo interno das Instituições Financeiras ao respectivo volume de negócios e à complexidade das suas operações de acordo com as melhores práticas internacionais, assegurando assim a definição de uma estratégia clara, transparência, inexistência de conflitos de interesse, segregação de funções e a mitigação e controlo dos riscos. A definição, implementação e monitorização de uma estrutura de Governação Corporativa e de um SCI nos termos preconizados nos novos avisos representam processos estruturantes, complexos e morosos, que deverão estar articulados e que necessariamente implicam uma série de desafios para as Instituições Financeiras Angolanas nos próximos anos. Estes processos irão preparar as instituições para abordarem de forma mais segura e eficaz as principais oportunidades e desafios com que se irão deparar ao longo do seu ciclo evolutivo e, desta forma, permitir que continuem a funcionar como o instrumento de suporte necessário à economia Angolana. Os principais desafios a enfrentar pelas Instituições Financeiras Angolanas neste âmbito serão os seguintes: Definição, implementação e revisão periódica do seu Modelo de Governação Corporativa, contemplando: Transparência da estrutura de capital, através da identificação dos detentores de participações qualificadas; Definição, implementação, monitorização e revisão da sua estratégia de negócio e políticas e processos de gestão do risco (SCI);

28 Análise do Sector Bancário Angolano Novo pacote regulamentar: Governação corporativa e Sistema de controlo interno (continuação) Definição da sua estrutura organizacional, com adequada delegação de competências, nomeadamente no que respeita à política de avaliação e remunerações, ao acompanhamento do SCI e à gestão do risco; Definição e implementação de políticas de remuneração, conflitos de interesse e transparência e divulgação da informação; Definição, estruturação e interligação dos seus principais processos de negócio e de suporte; Redefinição da sua estrutura organizativa, nomeadamente autonomizando, segregando e definindo competências claras para as funções chave do SCI (Gestão do risco, Compliance e Auditoria Interna); Reafectação e formação de recursos humanos e definição de valores éticos e profissionais que assegurem um adequado ambiente de controlo interno; Identificação e avaliação dos principais riscos que afectam a sua actividade; Desenho e documentação dos seus principais processos de negócio e de suporte, identificando as actividades, riscos e controlos associados aos mesmos; Adequação dos sistemas de informação e comunicação e dos normativos internos; Definição e implementação de um processo de gestão e monitorização do SCI, que permita uma permanente avaliação dos riscos da instituição e do desenho e efectividade operacional dos controlos existentes, identificação de deficiências, definição de planos de acção para a sua correcção e acompanhamento da implementação dos planos de acção. A criação de uma estrutura de Governação Corporativa e de um SCI robustos deverá ser encarada pelas Instituições Financeiras Angolanas como um investimento na melhoria da sua estrutura, da sua imagem perante os diversos stakeholders, na eficácia das suas operações e na performance do seu negócio, sendo, de igual modo, uma base fundamental para um crescimento interno sustentado, bem como para o sucesso do seu processo de internacionalização. Até 31 de Dezembro de 2013, deverão ser emitidos pelas Instituições Financeiras os primeiros relatórios sobre a Governação Corporativa e sobre o SCI, em base individual e consolidada (Grupo Financeiro), os quais devem espelhar o estado actual das mesmas, relativamente aos requisitos definidos nos novos avisos. No entanto, no decurso de 2014, as Instituições Financeiras deverão fazer um esforço no sentido de implementar todas as insuficiências identificadas nos primeiros relatórios, dado que até 31 de Dezembro de 2014 deverão estar em total conformidade com o disposto nos avisos..

29 Análise do Sector Bancário Angolano Novo pacote regulamentar: Governação corporativa e Sistema de controlo interno (continuação) Estamos certamente perante um dos principais desafios das Instituições Financeiras Angolanas, não só no imediato, mas também durante os próximos cinco anos, período que em média será necessário para maturar uma estrutura de Governação Corporativa e um SCI. Como tal, nesta fase será fundamental para as Instituições Financeiras o apoio activo e permanente de um parceiro experimentado nestas matérias. A KPMG desempenhou e continua a desempenhar um papel activo no apoio à definição, implementação e monitorização das estruturas de Governação Corporativa e dos SCI das principais Instituições Financeiras, possuindo um conjunto vasto de credenciais nesta matéria, onde se inclui o continente Africano.

30 Análise do Sector Bancário Angolano Implementação das IFRS Inês Filipe Conforme já referido na edição anterior do nosso estudo, as Instituições Financeiras em Angola têm vindo desde 2010 a implementar o Plano Contabilístico das Instituições Financeiras (CONTIF). É nossa convicção que as instituições que se aproximarem mais de uma adopção completa e adequada do CONTIF, estarão mais bem preparadas para uma eficiente e eficaz adopção das IFRS. A adopção das IFRS, permitirá às Instituições Financeiras posicionarem- -se num mercado global. Inês Filipe, Partner, Audit & Financial Services O BNA tem vindo a suportar este processo mantendo uma monitorização contínua da implementação e definindo planos de acção para a mitigação dos gaps ainda existentes. Em Março de 2013, o BNA impôs às Instituições Financeiras Angolanas um plano de acção para correcção das deficiências que tenham sido identificadas no diagnóstico de implementação do CONTIF, o qual deverá ocorrer até ao fim do primeiro trimestre de Estamos pois perante uma conjuntura em que, considerando as alterações regulamentares e de mercado em curso, nomeadamente com o desenvolvimento do mercado de capitais, a maior abertura aos mercados internacionais e o desejo das Instituições Financeiras de se capacitarem para uma maior comparabilidade com os seus pares a nível internacional, o processo de conversão das demonstrações financeiras para as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) no Sector Bancário em Angola será irreversível. A adopção das IFRS permitirá às Instituições Financeiras posicionaremse num mercado global, quer através do acesso ao mercado de capitais, quer através de uma linguagem contabilística universal mais familiar a um maior número de potenciais investidores. Nesta base, a adopção completa e adequada do CONTIF permitirá que as Instituições Financeiras Angolanas estejam já num ponto de partida mais confortável para a adopção às IFRS.

31 Análise do Sector Bancário Angolano Implementação das IFRS (continuação) Transição para as IFRS Contudo a transição para as IFRS será sempre um desafio para as Instituições, não apenas pelas implicações em termos de processos, sistemas e métodos mas essencialmente pelo impacto ao nível das pessoas. Um projecto de IFRS tem impacto tanto a nível interno como de todos os stakeholders da instituição. Um projecto de conversão não começa nem acaba nas áreas de contabilidade e atravessa todas as áreas de negócio e de suporte. O envolvimento de todas as áreas, potenciado ao mais alto nível pelos Órgãos de Administração, é vital para o seu sucesso, nomeadamente ao nível da preparação dos produtos e serviços, preparação da informação contabilística e de gestão, covenants das operações, comunicação com o mercado, analistas e investidores. Neste âmbito, a experiência que a KPMG acumulou de projectos de conversão, nomeadamente em Portugal, será seguramente uma mais valia para as Instituições em Angola, não só pelas ferramentas que podem ser utilizadas para tornar o projecto mais harmonioso, como pelo conhecimento dos desafios e ameaças que o mesmo implica. Por outro lado, a experiência dos profissionais da KPMG será sempre uma mais valia em termos de formação e identificação dos principais gaps entre as IFRS e o CONTIF e a melhor forma de os mitigar. A experiência na condução e coordenação destes projectos de transição dentro das Instituições é vital dado que os mesmos têm um impacto que vai muito para além do momento da respectiva implementação. Neste âmbito, a KPMG tem as competências necessárias para apoiar as Instituições Financeiras em várias vertentes e para que no final do projecto as IFRS sejam business as usual para toda a instituição e seus stakeholders.

32 Análise do Sector Bancário Angolano FATCA Desafios e Implicações no Sector Financeiro Angolano A Comissão Económica do Conselho de Ministros de Angola aprovou em Agosto de 2013 a constituição de um grupo de trabalho para dar início à preparação e negociação do acordo intergovernamental no âmbito do Foreign Account Tax Compliance Act (FATCA). Sónia Alves Se a adesão ao regime traduz desafios, os riscos associados à sua não adesão também não deverão ser descurados por parte das Instituições Financeiras Angolanas. Sónia Alves, Senior Manager, Tax Em Março de 2010 foi divulgado pelo Governo norte-americano o FATCA, como forma de combater a evasão fiscal por parte dos cidadãos norte-americanos (ou residentes nos EUA) que detenham investimentos fora daquele território. O regime do FATCA traduz novos e significativos desafios ao nível da actividade desenvolvida pelas Instituições Financeiras, com maior enfoque nas instituições não residentes nos EUA (FFI), afectando, por um lado, os respectivos modelos de negócio e, por outro lado, os seus clientes, investidores e contrapartes residentes fora dos EUA. As diversas regras estabelecidas pelo FATCA (i) impõem obrigações às FFI, investment entities e companhias de seguro do ramo vida, nomeadamente quanto a procedimentos de due diligence, abertura de conta, reporte e retenção na fonte, (ii) estabelecem um regime penalizador de retenção na fonte à taxa de 30%, multas e juros, bem como um possível risco reputacional em caso do seu incumprimento, (iii) aplicam-se, antes e em adição, às actuais regras de retenção na fonte nos EUA, sem possibilidade de aplicação da convenção para eliminar a dupla tributação internacional e (iv) são estabelecidas em conformidade com diversas formas de jurisprudência, designadamente a regulamentação final do FATCA, regulamentos, formulários e vários acordos com os respectivos Governos de cada país (IGA). Obrigações das FFI Dividendos Implementar procedimentos de verificação e due diligence para identificação de US accounts. Obter informação de cada titular da conta. Juros Sujeitos a 30% Retenção na Fonte ou Acordo com o IRS Obrigações Declarar anualmente ao IRS informação das contas detidas por US persons. Disponibilizar informação adicional sobre qualquer US account quando o IRS o exija. Preço de venda bruto Reter 30% sobre pagamentos efectuados a clientes que não queiram revelar a sua informação (clientes recalcitrantes) ou a FFI que não tenham celebrado o acordo com o IRS (NPFFI) Este regime apresenta-se como sendo mais do que uma iniciativa fiscal e de compliance para as Instituições Financeiras. A preparação para o cumprimento com os complexos requisitos do regime irá impor, em parte, mudanças ao nível dos processos e tecnologia nas áreas financeira e operacional, bem como na comunicação aos clientes dos novos requisitos de obtenção e divulgação de informação.

33 Análise do Sector Bancário Angolano FATCA Desafios e Implicações no Sector Financeiro Angolano (continuação) Atenta a complexidade das regras inerentes ao FATCA, bem como a proximidade do prazo para a sua entrada em vigor 1 de Julho de 2014, torna-se imperativo que as Instituições Financeiras (incluindo, naturalmente, as Angolanas) antecipem o seu planeamento na adaptação e implementação a este regime, por forma a acomodar as alterações necessárias para fazer face às exigências inerentes ao mesmo. 19 de Agosto 2013 Abertura do IRS Portal 25 de Abril 2014 Data limite para o registo junto do IRS por forma a constar na primeira FFI list 1 de Julho 2014 As contas abertas a partir desta data serão tratadas como new accounts Início das due diligence para as new accounts 30 de Junho 2015 Data limite para completar o processo de due diligence para as preexisting high value individual accounts 30 de Junho 2016 Data limite para completar o processo de due diligence para as preexisting lower value accounts e preexisting entity accounts de Junho 2014 As contas abertas até esta data serão tratadas como preexisting accounts 31 de Dezembro 2015 Data limite para as FFI se classificarem enquanto limited branch e limited FFI 31 de Março 2015 Reporte para o período de 2014 O profundo efeito que a aplicação do regime tem vindo a exercer no Sector Bancário a uma escala mundial irá, igualmente, afectar as Instituições Financeiras em Angola, cujo impacto dependerá, em grande parte, da dimensão, estrutura internacional e operacionalização das mesmas nos mercados em que operam. Em concreto, no caso das Instituições Financeiras Angolanas, os desafios de maior relevância inerentes à adopção do FATCA dizem respeito, essencialmente, à legislação em vigor no âmbito das políticas de Anti-Money Laundering e Know Your Customer, bem como às necessidades de adaptação interna das instituições, essencialmente nas áreas de front-office, back-office, operações, IT, fiscal, legal, risco e compliance. Por outro lado, também o cumprimento dos diversos requisitos impostos pela respectiva regulamentação (reporte, encerramento de contas, entre outros), tem suscitado diversas questões, de entre as quais se destaca a eventual impossibilidade de cumprimento dos mesmos em virtude de restrições legais (e.g., sigilo bancário, encerramento de contas) existentes nalguns países onde se encontram sediadas as FFIs, como é o caso de Angola. Mas se a adesão ao regime traduz os desafios já mencionados, os riscos associados à sua não adesão também não deverão ser descurados por parte das Instituições Financeiras Angolanas. Em particular, deve atender-se ao risco reputacional e comercial associado às operações realizadas com outras Instituições Financeiras (muitas das quais assumiram que não realizarão operações comerciais com intermediários financeiros não participantes no FATCA).

34 Análise do Sector Bancário Angolano FATCA Desafios e Implicações no Sector Financeiro Angolano (continuação) Por último, no que respeita à possibilidade conferida por este regime de celebração de acordos entre os EUA e os Governos de cada país (IGA) com vista a facilitar a implementação dos seus requisitos face às disposições legais dos últimos, importa destacar o facto de, segundo a informação divulgada em Agosto do presente ano, a Comissão Económica do Conselho de Ministros de Angola ter aprovado a constituição de um grupo de trabalho para dar início à preparação e negociação do referido acordo, desenvolvimentos que se demonstram vitais ao compliance das Instituições Financeiras daquele país com o FATCA. Em face de todo o exposto, será fundamental que as Instituições Financeiras em Angola se posicionem rapidamente nesta matéria, dando a conhecer ao mercado as suas opções quanto à adesão/não adesão ao regime, medindo de forma ponderada os riscos e as vantagens decorrentes dessas opções, de forma a acautelar os respectivos impactos, bem como os ambiciosos deadlines impostos pelo mesmo.

35 Análise do Sector Bancário Angolano Reforma Tributária - Desenvolvimentos recentes Pedro Marques É sem dúvida a introdução de regras relativas a Preços de Transferência que decididamente marca o Estatuto dos Grandes Contribuintes. Pedro Marques, Partner, Tax Durante os primeiros dez meses de 2013 assistiu-se ao processo de consolidação da Reforma Tributária em curso em Angola. Embora, numa análise superficial, pareça que o processo da reforma esmoreceu um pouco este ano quando comparado com as alterações operadas em 2012 (ano em que, recorde-se, entrou em vigor o novo Código do Imposto do Selo e se assistiu a uma profunda revisão ao Código do Imposto sobre a Aplicação de Capitais), um exame mais cuidado mostra uma realidade bastante diferente. Desde logo, é evidente um maior enfoque por parte das Autoridades Fiscais no reforço das acções de fiscalização, alargando não só de forma significativa o espectro técnico das matérias sobre as quais incide a sua análise, mas procurando também reduzir significativamente o desfasamento temporal entre os exercícios sob análise e o próprio ano da inspecção. Este maior escrutínio por parte das Autoridades, conjugado com as inúmeras alterações fiscais que se têm verificado nos últimos anos (seja por via de alterações legislativas, seja por via entendimentos administrativos) é logicamente propiciador de um incremento nas situações de litigância (fruto natural de divergentes interpretações sobre matérias técnicas novas e materialmente relevantes) e marca decididamente um novo ciclo na relação entre os Serviços de Inspecção e os Bancos, exigindo a estes, por esta via, um reforço das competências na gestão da Função Fiscal. A crescente preocupação das Autoridades Fiscais em conhecerem com maior detalhe as operações dos Bancos não se esgota neste novo modelo de actuação dos Serviços de Inspecção. Ela é também evidente em recentes alterações legislativas, como bem ilustrado pelo Estatuto dos Grandes Contribuintes recentemente aprovado. Este Estatuto versa basicamente três áreas de actuação: (i) consagração dos direitos e obrigações dos Grandes Contribuintes, (ii) criação de um regime de tributação consolidado e, (iii) introdução de regras relativas a Preços de Transferência em Angola. No que respeita aos direitos e obrigações, ressalta desde logo a necessidade da Declaração de Imposto Industrial (Modelo 1) ter de ser acompanhada de relatório técnico especializado. Tal exigência significará seguramente um maior esforço na divulgação e justificação não só dos elementos contabilísticos utilizados mas também dos próprios ajustamentos realizados ao resultado contabilístico com vista a apurar o resultado tributável. Mas é, sem dúvida, a introdução de regras relativas a Preços de Transferência que decididamente marca este estatuto dos Grandes Contribuintes.

36 Análise do Sector Bancário Angolano Reforma Tributária - Desenvolvimentos recentes (continuação) Assim, as instituições com um volume de proveitos anuais superiores a AOA 7,000M deverão passar a elaborar um dossier de preços de transferência, o qual deve ser submetido anualmente às Autoridades Tributárias. Tal dossier deverá conter a identificação e caracterização das entidades consideradas como partes relacionadas com o Banco (conceito definido no diploma), descrever qualitativa e quantitativamente as transacções realizadas entre tais entidades e, como corolário, o dossier deverá comprovar que os termos e condições utilizados nas transacções são equivalentes aos que seriam utilizados caso não existisse qualquer relação especial entre as entidades (recorrendo, para isso a determinados métodos de determinação dos preços de transferência). Tal como referimos na edição do ano passado deste estudo a respeito dos impactos da Reforma Tributária, as alterações verificadas em 2012 constituíam indícios mais do que suficientes para se constatar que os recursos, preocupações e actividades da Função Fiscal num cenário de pré Reforma Tributária deveriam ser claramente reforçados e ajustados a esta nova realidade. Em 2013, a dinâmica dos Serviços de Inspecção e as novas exigências impostas pelas novidades legislativas descritas permitem reafirmar e consolidar definitivamente esta conclusão. Os profissionais da KPMG possuem uma vasta experiência prática na assessoria permanente a Instituições Bancárias e acompanharam já outros processos de transição de sistemas fiscais. Por assim ser, consideramos que a conjugação dos nossos conhecimentos técnicos legislativos com a nossa metodologia de estruturação e monitorização da função fiscal nas Instituições Bancárias poderá contribuir para o sucesso na implementação da Reforma Tributária nas Instituições Bancárias Angolanas.

37 Análise do Sector Bancário Angolano Gestão de Processos de Negócio (BPM) Rui Gomes A implementação de um programa de BPM implica sistemas de informação ágeis e flexíveis, capazes de orquestrar e automatizar as actividades dos processos de negócio. Actualmente, a maioria das Instituições Financeiras Angolanas têm na respectiva agenda estratégica diversos temas relacionados com o crescimento do negócio, o aumento da rentabilidade, a melhoria da qualidade do serviço ao cliente e a redução do risco operacional. Na maior parte dos casos, as iniciativas necessárias para endereçar estes desafios tem implicações directas no modelo operativo das instituições. No entanto, o primado da Gestão Funcional do negócio onde a instituição está estruturada e é gerida com base em áreas funcionais especializadas (e.g. área comercial, área de crédito, área de operações) dificulta o desenvolvimento de uma visão integrada e transversal dos processos de negócio. Numa gestão funcional existe a tendência para gerir, monitorizar e optimizar as actividades desenvolvidas no âmbito estrito de cada um das funções, o que gera frequentemente problemas de desequilíbrio entre a capacidade instalada e as necessidades do mercado, redundâncias funcionais, inconsistência na execução dos processos, proliferação de actividades de baixo valor acrescentado e aumento dos erros operacionais. Conscientes destes problemas, muitas instituições evoluem para uma Gestão por Processos de negócio (BPM Business Process Management), onde é promovida uma visão transversal dos processos, independentemente das áreas funcionais envolvidas na execução das actividades dos processos. Rui Gomes, Head of IT Advisory Gestão Funcional VS Gestão por Processos (BPM) Alinhamento Funcional Alinhamento Processual Em termos formais, o BPM é uma disciplina de gestão de processos combinada com tecnologia de automatização de processos que permite às instituições analisar, modelar, redesenhar e optimizar os seus processos de negócio. Segundo um estudo internacional da KPMG sobre BPM, as principais razões apontadas para justificar a implementação dos respectivos programas de BPM são, por ordem de importância, as seguintes: 1. Melhorar a qualidade dos serviços; 2. Aumentar o foco no cliente; 3. Aumentar a produtividade; 4. Gerir o risco operacional; 5. Reduzir custos; e 6. Melhorar os processos da organização.

38 Análise do Sector Bancário Angolano Gestão de Processos de Negócio (BPM) (continuação) Numa dimensão mais pragmática, os principais benefícios esperados da implementação de um BPM são os seguintes: 1. Formalização e documentação dos processos de negócio, promovendo a compreensão e conhecimento dos processos; 2. Normalização dos processos de negócio, garantindo a sua consistência, facilitando a formação dos recursos humanos e reduzindo o número de erros operativos; 3. Optimização dos recursos existentes, eliminando redundâncias nas actividades desenvolvidas pelas diversas áreas funcionais; 4. Definição e monitorização de indicadores de desempenho (KPI) e níveis de serviço que facilitam a identificação e eliminação de constrangimentos ao nível dos processos e a melhoria dos níveis de serviço; 5. Identificação sistemática de riscos operacionais e implementação de controlos adequados para o mitigar; 6. Implementação de um processo de melhoria contínua, que promove a maturação e a consolidação dos processos ao longo do tempo. A implementação de um BPM requer o patrocínio ao nível dos Órgãos de Administração e uma estrutura de governo adequada que defina a estratégia da instituição para os processos de negócio, as prioridades a considerar na elaboração do plano de transformação e a matriz de responsabilidades. Adicionalmente, é boa prática a criação de um centro de competências de BPM interno que defina e promova as normas, métodos e ferramentas de BPM, que garanta a gestão operacional do plano de implementação e a gestão da mudança organizacional. Finalmente, a implementação de um programa de BPM implica sistemas de informação ágeis e flexíveis, capazes de orquestrar e automatizar as diversas actividades dos processos de negócio, envolvendo os diversos actores relevantes (externos ou internos) e integrar as múltiplas aplicações e bases de dados centrais e departamentais da instituição.

39 Análise do Sector Bancário Angolano Gestão de Processos de Negócio (BPM) (continuação) Existem no mercado soluções específicas de BPM (BPMS - Business Process Management Systems) que permitem cumprir estes requisitos com tempos de implementação mais reduzidos e com menos recursos do que os projectos de desenvolvimento tradicionais e potenciando a colaboração entre as áreas de negócio e as áreas de TI ao longo do ciclo de vida típico de implementação, o qual inclui as seguintes fases: 1. Modelação de processos: as ferramentas de BPMS permitem capturar a alto-nível os processos de negócio da instituição através de ferramentas gráficas e de uma linguagem padrão (BPMN - Business Process Modeling Notation); 2. Implementação: as ferramentas de BPMS permitem estender a modelização de alto-nível dos processos, capturando todo o detalhe necessário para a sua implementação, incluindo os actores, os eventos, as regras, os dados e os sistemas a integrar; 3. Execução: as ferramentas de BPMS permitem executar instâncias dos processos implementados que interagem com os utilizadores e os sistemas de informação da instituição; 4. Monitorização: as ferramentas de BPMS permitem definir e medir indicadores de desempenho e níveis de serviço; a medição destes indicadores permite aumentar a visibilidade para o desempenho dos processos de negócio; 5. Optimização: através da medição do desempenho dos processos, as ferramentas de BPMS permitem identificar e compreender pontos de constrangimento na execução dos processos de negócio e simular o impacto de cenários de optimização dos processos na redução e/ou eliminação desses pontos de constrangimento. Considerando os desafios actuais do Sector e os argumentos acima apresentados, consideramos que as Instituições Financeiras Angolanas podem retirar benefícios da implementação, parcial ou total, de uma gestão por processos de negócio.

40 Análise do Sector Bancário Angolano Continuidade de negócio Na actual conjuntura de elevado crescimento económico, as Instituições Financeiras Angolanas prestam serviços a clientes e operam em mercados cada vez mais complexos que exigem destas instituições uma resiliência adequada ao risco operacional do seu negócio. Cristina Alberto As principais preocupações dos executivos do Sector Financeiro Angolano são as falhas dos sistemas de informação e das infra- -estruturas críticas. Cristina Alberto, Director, IT Advisory O estudo Gestão de Continuidade de Negócio em África: Assegurar a resiliência num ambiente volátil, realizado pela KPMG em 2013, que envolveu 18 países entre os quais Angola, permite-nos efectuar uma análise sobre os principais riscos de negócio e o nível de preparação de várias Instituições Financeiras Angolanas para os gerir. O estudo revela que as principais preocupações dos executivos do Sector Financeiro Angolano são as falhas dos sistemas de informação e das infra-estruturas críticas; por outro lado, os principais impulsionadores dos programas de Continuidade de Negócio são os requisitos regulamentares e o governo das sociedades. Em matéria de requisitos regulamentares, o BNA associou recentemente a Continuidade de Negócio ao pacote regulamentar no âmbito do Sistema de Controlo Interno e Gestão de Risco, através do artigo 10º do Aviso n.º 2/2013, de 19 de Abril. Este artigo faz referência à necessidade das Instituições Financeiras Angolanas implementarem Planos de Continuidade de Negócio que incidam sobre os sistemas de informação, as infra-estruturas físicas e os recursos humanos. Como em todo o continente Africano, a recuperação dos sistemas de informação é a primeira prioridade em Angola as falhas de sistemas de informação e perda de dados são a principal preocupação dos líderes das Instituições Financeiras Angolanas e a recuperação de desastres de sistemas de informação (IT Disaster Recovery) são a componente do sistema de Gestão da Continuidade de Negócio (GCN) mais implementada. No entanto, menos de 50% das Instituições Financeiras Angolanas que participaram no estudo afirma possuir soluções de recuperação de sistemas de informação. Os restantes componentes da GCN estão ainda menos implementados, talvez devido ao facto de as normas internacionais de GCN ainda não serem, na generalidade, seguidas. Muitas Instituições Financeiras não efectuam análises de impacto de negócio para definir processos de negócio críticos e estratégias de recuperação de negócio adequadas. A gestão da crise, planos de recuperação de negócio e ainda melhoria contínua são também disciplinas da Continuidade de Negócio ainda pouco comuns em Angola. O estudo revela também que apesar das iniciativas de Continuidade de Negócio serem patrocinados pelos Órgãos de Administração, a atribuição de responsabilidades, fundos e recursos para a GCN não está, muitas vezes, claramente definida no seio das instituições, sendo a Continuidade de Negócio frequentemente vista como mais uma actividade ao nível dos sistemas de informação e não como uma disciplina corporativa que envolve todas as áreas de negócio críticas para a prestação de serviços aos clientes.

41 Análise do Sector Bancário Angolano Continuidade de negócio (continuação) O estudo conclui que a Continuidade de Negócio ainda não faz parte da cultura das Instituições Financeiras Angolanas e que, nas actuais circunstâncias, é muito provável que as Instituições Financeiras Angolanas não estejam preparadas para responder de forma eficaz a um incidente grave, que interrompa as suas operações críticas e as impeça de prestar serviços aos seus clientes. Neste contexto, era importante que: por um lado, o BNA, à semelhança de outros órgãos de supervisão financeira a nível internacional, emitisse recomendações detalhadas para a implementação de sistemas de Gestão de Continuidade de Negócio, baseadas em normas internacionais (i.e. ISO 22301), e que, por outro lado, os líderes destas instituições tomassem consciência de que os programas de continuidade de negócio não podem ter sucesso sem uma estratégia clara e eficaz de atribuição de fundos e de recursos que lhes permita implementar todos os componentes GCN e, quando esta missão estiver concluída, efectuar testes, exercícios, revisões, actualizações e programas de sensibilização regulares, de forma a incorporar a continuidade de negócio na cultura da organização. A KPMG possui uma vasta experiência na implementação de sistemas de Gestão de Continuidade de Negócio em grandes grupos financeiros e poderá apoiar as Instituições Financeiras Angolanas na implementação das suas várias componentes. Resposta de Emergência Gestão de Incidentes / Crise Negócio Recuperação do Negócio Tempo Tecnologia Resposta de Emergência de TI Recuperação de Sistemas de Informação

42 Análise do Sector Bancário Angolano Anti-Money Laundering João Madeira A credibilidade do Sistema Financeiro no mercado externo poderá ser influenciada pela posição adoptada pelas instituições- João Madeira, Director, Transactions & Restructuring Um efectivo programa de prevenção de branqueamento de capitais e de combate ao financiamento do terrorismo assenta em três pilares: i) o conhecimento que a Instituição Financeira detém sobre os seus clientes e contrapartes (KYC Know Your Customer), ii) a monitorização das transacções processadas (KYT Know Your Transactions) e iii) as políticas e os procedimentos que suportam o cumprimento das exigências regulamentares (KYP Know Your Processes). No entanto, o desenvolvimento de um programa completo composto por estes três pilares levanta alguns desafios para as Instituições Financeiras Angolanas. Desafios de KYC Alguns dos desafios enfrentados pelas Instituições Bancárias estão directamente associados à informalidade existente nas relações de negócio, nomeadamente ao nível da recolha de documentação, cujo objectivo é obter informação que permita à instituição financeira conhecer a contraparte (cliente ou não) com a qual está a lidar, bem como da sua constante actualização e arquivo. Com a recolha de informação sobre a contraparte, as Instituições Financeiras poderão ajustar o seu padrão de monitorização de transacções de acordo com o risco de branqueamento de capitais e de financiamento do terrorismo eventualmente associado à entidade ou indivíduo em análise. Desafios de KYT No que respeita à monitorização de transacções, importa referir os riscos associados a operações de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo na medida em que, num contexto de um Mundo cada vez mais global, os fluxos financeiros provêem de inúmeras geografias, tornando difícil detectar a sua origem. A implementação de mecanismos de monitorização de transacções torna-se uma ferramenta crucial no controlo e prevenção do branqueamento de capitais e de combate ao terrorismo na medida em que permite às Instituições Financeiras bloquear eventuais situações suspeitas. Desafios KYP Por último, mas não menos importante, a implementação de ferramentas que dêem resposta às exigências regulamentares ao nível dos pilares KYC e KYT deverá ser suportada por uma estrutura que consiga dar resposta atempada, quer através da definição de procedimentos e processos, quer através da alocação de recursos com formação adequada. Adopção de uma Política de Sanções eficiente e eficaz Sem descurar a relevância da adopção de um sistema integrado de prevenção de branqueamento de capitais e de combate ao terrorismo, a adopção de uma política de sanções é particularmente relevante na medida em que a credibilidade do Sistema Financeiro Angolano no mercado externo poderá ser directamente influenciada pela posição adoptada pelas Instituições Financeiras a esse respeito.

43 Análise do Sector Bancário Angolano Anti-Money Laundering (continuação) No entanto, a implementação de uma política de sanções reveste-se de alguma complexidade. Por um lado, as sanções podem adoptar diversas naturezas consoante o seu destinatário (a título de exemplo, um Estado ou um indivíduo pode ser sujeito a um embargo através da proibição de vendas de armas ou congelamento de bens); por outro lado, o controlo sobre entidades sancionadas deve ocorrer sobre o universo de contrapartes com as quais a Instituição Financeira se relaciona e sobre qualquer transferência de fluxos financeiros para o exterior. Devido às suas particularidades, a adopção de uma política de sanções deve ser efectuada em conjunto com a implementação de um programa de prevenção de branqueamento de capitais e de combate ao financiamento do terrorismo. A KPMG tem vindo a apoiar as Instituições Bancárias nas mais diversas vertentes de um programa de prevenção de branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo, nomeadamente nos seguintes aspectos: Definição de procedimentos e controlos internos a implementar; Desenho de planos de remediação; Desenvolvimento de conteúdo para acções de formação; Realização de Gap Analysis; Assessoria na selecção e implementação de ferramentas informáticas de prevenção e controlo; Investigações independentes de casos de suspeita. Fonte: Metodologia de Serviços de Anti-Money Laundering e Sanções da KPMG

44 Análise do Sector Bancário Angolano Mercado de Capitais A implementação do Mercado de Capitais continuará a ser um dos grandes desafios do Sector Financeiro em Angola, havendo um caminho a percorrer e com inúmeras áreas de actuação a reclamarem um desenvolvimento no Sector. José Luís Silva A afirmação do Sector Financeiro Angolano depende, também, do sucesso na concretização do Mercado de Capitais. José Luís Silva, Partner, Transactions & Restructuring Em primeiro lugar deve referir-se, a própria estruturação da Comissão do Mercado de Capitais (CMC) enquanto órgão Regulador e dinamizador do mercado. A CMC tem vindo a produzir sistematicamente um vasto conjunto de legislação que permitirá criar todo o framework dos diferentes players neste mercado (quer sejam os intermediários, os emitentes ou os próprios investidores), assim como a definição e enquadramento dos diferentes activos a serem transaccionados (sejam eles títulos de dívida pública ou privada, fundos de investimento, acções ou derivados). Em segundo lugar, o desafio para o Sector Financeiro será o de se estruturar e organizar por forma a poder prestar os serviços que tradicionalmente lhe são atribuídos (como sejam o papel de intermediários financeiros, corretores ou de sociedades gestoras), bem como o de conseguir desenvolver os produtos e as soluções mais adequadas às necessidades do mercado em Angola, procurando garantir a existência de liquidez, sem a qual não haverá investidores interessados em investir no Mercado de Capitais em Angola. Neste ponto particular, o papel dos market makers será crucial e um dos mais difíceis que se antevê, pelo menos numa primeira fase em que o investimento no Mercado de Capitais estará mais do que provavelmente circunscrito a investidores nacionais. O Sector Financeiro terá, ainda, a responsabilidade de conseguir atrair emitentes e investidores, sendo este provavelmente, o maior desafio. Do lado dos emitentes, a necessidade é fácil de perceber: os investimentos necessários em Angola para suportar o crescimento económico e o desenvolvimento do País não conseguirão ser satisfeitos exclusivamente através de meios de financiamento tradicionais, competindo ao mercado de capitais um papel fundamental na captação de fundos para financiar esses projectos. Por outro lado, ainda para os emitentes, os desafios são vários e vão desde novos modelos de governo até todo um novo modelo de transparência e comunicação com o mercado, o qual implicará um processo de preparação e transformação destas entidades para uma eventual abertura ao Mercado de Capitais.

45 Análise do Sector Bancário Angolano Mercado de capitais (continuação) Do lado dos investidores o desafio não será menor. Por um lado, há a impossibilidade de considerar os investidores internacionais em virtude das limitações existentes à livre circulação de capitais, a qual é condição precedente para atrair esta tipologia de investidores para o Mercado de Capitais e, por outro lado, haverá a própria competição (saudável), pela captação desses mesmos fundos, o que colocará o Sector Financeiro no centro do desafio. Apesar destes desafios, críticos para o sucesso do projecto que é erguer um Mercado de Capitais em Angola em pleno século XXI, a progressiva afirmação do Sector Financeiro Angolano e a capacidade que o mesmo terá para conseguir executar o seu papel de suporte e dinamizador do desenvolvimento económico de Angola, depende, também, do sucesso na concretização do Mercado de Capitais. A KPMG, com a sua vasta experiência em Angola e África e a liderança em Financial Services, está preparada para contribuir com o seu conhecimento e especialistas para apoiar e contribuir no estabelecimento do Mercado de Capitais em Angola, quer actuando e colaborando com a CMC, quer apoiando o Sector Financeiro a vencer os desafios que se lhe deparam, quer, também, no apoio às entidades emitentes em todo o processo de preparação e transformação que terão de encetar para poderem aspirar a conquistar a confiança dos investidores.

46 Análise do Sector Bancário Angolano 46 5 Principais Conclusões O ano de 2012 continuou a confirmar Angola como um dos países com maior índice de crescimento do continente africano, contrastando com a crise económica que se mantém desde 2008 um pouco por todo o globo. Para tal, muito têm contribuído os esforços envidados pelo Executivo Angolano no sentido de diversificar os pólos de crescimento da economia do País, com o propósito de dirimir os índices de dependência face ao sector petrolífero e diamantífero. Esta diversificação tem sido particularmente evidente no Sector Financeiro, no qual se nota uma clara evolução nos últimos anos, tornando-o num dos mais robustos da economia de Angola na actualidade. Não obstante a crise económica já referida, bem como a sua particular incidência no Sector Financeiro, as Instituições Financeiras Angolanas (apesar de não se encontrarem imunes à conjuntura mundial negativa) têm demonstrado grande vigor. Exemplo da evolução do Sector são o aumento continuado do número de balcões, trabalhadores empregados nas instituições, activos ou mesmo do produto bancário, o que é revelador do esforço que tem vindo a ser desenvolvido pelos responsáveis das Instituições Financeiras Angolanas no sentido de elevar o nível do Sector, aproximando-o dos high standards africanos e, num futuro não tão longínquo, das melhores práticas europeias. Também a nível regulamentar tem sido feito um enorme esforço no sentido de a regulação do Sector acompanhar o seu crescimento. De facto, a aprovação de nova regulamentação em diversas áreas, com o objectivo de melhorar os níveis de monitorização e regulação das Instituições Financeiras do País, tem contribuído para o seu desenvolvimento. A desdolorização da economia Angolana, outra das principais preocupações do Executivo (e combatida através de diversas medidas) começa também a fazer-se sentir, na medida em que o ano de 2012 ficou marcado por uma diminuição na percentagem de depósitos constituídos em moeda estrangeira e, consequentemente, um aumento dos depósitos constituídos em moeda nacional.

47 Análise do Sector Bancário Angolano 47 Digno de ressalva continua a ser o rácio de solvabilidade médio apresentado pelos Bancos Angolanos (superior a 18%). Tendo em conta que o mínimo exigido pelo BNA se cifra nos 10%, este é um dos rácios ideais para demonstrar a robustez do Sector e das Instituições Financeiras que o compõem. Apesar do Sector apresentar elevado crescimento, importa destacar o ainda baixo nível de bancarização da população Angolana, bem como a elevada concentração do Sector Financeiro (cinco instituições detém aproximadamente 78% dos seus activos totais). Outra das preocupações prende-se com a tendência decrescente na rentabilidade dos capitais próprios (ROE) e na rentabilidade dos activos (ROA), face aos valores apresentados em Em face do exposto, e não obstante o enorme potencial evidenciado, é possível afirmar que o Sector Financeiro Angolano enfrenta ainda importantes desafios nos próximos anos. De facto, a evolução do mesmo irá originar novos desafios ao nível da regulação, da organização das instituições, das opções comerciais a tomar (fruto da maior concorrência e das alterações a nível fiscal que já ocorreram e ainda irão ocorrer) e da estratégia utilizada para enfrentar um Sector cada vez mais competitivo. Um dos indicadores que demonstra se a adaptação à evolução do Sector Bancário tem sido efectuada da melhor forma é o da satisfação do cliente bancário. De facto, o Estudo da Satisfação do Cliente Bancário em Angola realizado pela KPMG acabou por demonstrar isso mesmo: uma preocupação cada vez maior com a efectividade dos modelos de serviço instituídos pelas Instituições Financeiras em Angola. Enquanto entidade de referência na prestação de serviços na área de Financial Services não só em Angola, como em todo o mundo a KPMG assume a sua responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento das Instituições Financeiras do país, aproximando o Sector Bancário das melhores práticas e padrões de excelência à escala global.

48 Análise do Sector Bancário Angolano 48 6 Dados Financeiros Activos Totais Milhões AOA Resultados Líquidos Milhões AOA # Instituição Financeira # Instituição Financeira BAI Banco Angolano de Investimentos BFA Banco de Fomento Angola BESA Banco Espírito Santo Angola BAI Banco Angolano de Investimentos BPC Banco de Poupança e Crédito BIC Banco BIC BFA Banco de Fomento Angola BPC Banco de Poupança e Crédito BIC Banco BIC BCGTA Banco Caixa Geral Totta de Angola BPA Banco Privado Atlântico BPA Banco Privado Atlântico SOL Banco Sol BESA Banco Espírito Santo Angola BMA Banco Millennium Angola BMA Banco Millennium Angola BNI Banco de Negócios Internacional BNI Banco de Negócios Internacional BCGTA Banco Caixa Geral Totta de Angola SOL Banco Sol BCI Banco de Comércio e Indústria VTB Banco VTB África BRK Banco Regional do Keve BRK Banco Regional do Keve SBA Standard Bank Angola FNB Finibanco Angola FNB Finibanco Angola BCH Banco Comercial do Huambo VTB Banco VTB África SBA Standard Bank Angola BVB Banco Valor BVB Banco Valor BCH Banco Comercial do Huambo BCI Banco de Comércio e Indústria KWANZA INVEST Banco Kwanza de Investimento nd KWANZA INVEST Banco Kwanza de Investimento nd BCA Banco Comercial Angolano nd BCA Banco Comercial Angolano nd BANC Banco Angolano de Negócios e Comércio nd BANC Banco Angolano de Negócios e Comércio nd BAI Micro-Fin Banco BAI Micro-Finanças nd nd 21 BAI Micro-Fin Banco BAI Micro-Finanças nd nd 22 BDA Banco de Desenvolvimento de Angola nd nd 22 BDA Banco de Desenvolvimento de Angola nd nd 23 BPPH Banco de Poupança e Promoção Habitacional nd nd 23 BPPH Banco de Poupança e Promoção Habitacional nd nd Situação Líquida Milhões AOA Produto Bancário Milhões AOA # Instituição Financeira # Instituição Financeira BESA Banco Espírito Santo Angola BPC Banco de Poupança e Crédito BAI Banco Angolano de Investimentos BAI Banco Angolano de Investimentos BPC Banco de Poupança e Crédito BESA Banco Espírito Santo Angola BFA Banco de Fomento Angola BFA Banco de Fomento Angola BIC Banco BIC BIC Banco BIC BPA Banco Privado Atlântico BPA Banco Privado Atlântico BCGTA Banco Caixa Geral Totta de Angola BMA Banco Millennium Angola BMA Banco Millennium Angola BCGTA Banco Caixa Geral Totta de Angola BNI Banco de Negócios Internacional SOL Banco Sol SOL Banco Sol BNI Banco de Negócios Internacional BRK Banco Regional do Keve BRK Banco Regional do Keve SBA Standard Bank Angola BCI Banco de Comércio e Indústria BCI Banco de Comércio e Indústria SBA Standard Bank Angola FNB Finibanco Angola VTB Banco VTB África VTB Banco VTB África FNB Finibanco Angola BCH Banco Comercial do Huambo BVB Banco Valor BVB Banco Valor BCH Banco Comercial do Huambo KWANZA INVEST Banco Kwanza de Investimento nd KWANZA INVEST Banco Kwanza de Investimento nd BCA Banco Comercial Angolano nd BCA Banco Comercial Angolano nd BANC Banco Angolano de Negócios e Comércio nd BANC Banco Angolano de Negócios e Comércio nd BAI Micro-Fin Banco BAI Micro-Finanças nd nd 21 BAI Micro-Fin Banco BAI Micro-Finanças nd nd 22 BDA Banco de Desenvolvimento de Angola nd nd 22 BDA Banco de Desenvolvimento de Angola nd nd 23 BPPH Banco de Poupança e Promoção Habitacional nd nd 23 BPPH Banco de Poupança e Promoção Habitacional nd nd Fonte: Banco Nacional de Angola, KPMG, Relatórios e Contas dos Bancos Legenda: "nd" - não disponível

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