CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA. Profº Ney Jansen Sociologia

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1 CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA Profº Ney Jansen Sociologia

2 Ao problematizar a relação entre indivíduo e sociedade, no final do século XIX a sociologia deu três matrizes de respostas a essa questão: I-A sociedade determina os indivíduos II-Os indivíduos determinam a sociedade III-As sociedades e os indivíduos determinam-se reciprocamente, de acordo com os limites das condições materiais de existência em um dado período histórico

3 O reconhecimento do indivíduo como elemento distinto da sociedade é um fenômeno moderno. Exemplos: Filosofia política moderna século XVIII (Hobbes, Locke, Rousseau) Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)

4 Contexto Histórico Iluminismo Revolução Francesa Revolução Industrial Modernidade (Século XVIII)

5 Período marcado pela ideia de progresso que ocupou um lugar de destaque com o advento do iluminismo Esta visão permeou o pensamento de muitos autores nas ciências sociais O positivismo foi o nome que se deu ao conjunto de doutrinas, a uma escola filosófica, sociológica e política nos séculos XVIII e XIX que congregava diferentes pensadores como Augusto Comte ( ), Saint Simon ( ), John S. Mill ( )

6 Esse tal de positivismo

7 Esse tal de positivismo

8 Esse tal de positivismo O positivismo: Ideia de neutralidade científica, ciência livre de julgamentos de valor Descobrir leis do funcionamento da sociedade Explicação causal dos fenômenos

9 Esse tal de positivismo Visão evolucionista da história: Progresso econômico Ordem social levaria ao fim dos conflitos Sociedade harmônica

10 Esse tal de positivismo Os positivistas eram: Críticos do absolutismo Críticos do obscurantismo religioso Comte, que usou a palavra sociologia pela primeira vez projetava que uma sociedade superior deveria ser dirigida com base em notáveis, em esclarecidos. Quem seriam eles?

11 Esse tal de positivismo Os notáveis: Industriais Elite científica e intelectual leis do bom funcionamento e da harmonia social Visão elitista, burguesa

12 Sociologia como ciência Observar regularidades dos fenômenos sociais Desenvolver n procedimentos metodológicos de pesquisa social

13 Como os clássicos da sociologia analisaram essa relação indivíduo-sociedade?

14 Durkheim analisa a preponderância da sociedade sobre os indivíduos como ângulo de análise. O termo "consciência coletiva" designa a formação ou maneiras de ser, pensar e agir que são externas, coletivas e coercitivas as vontades individuais.

15 "consciência coletiva maneiras de ser, pensar e agir externas, coletivas e coercitivas

16 A consciência coletiva está difusa por toda a sociedade, por isso é externa ao indivíduo (não é o que o indivíduo pensa, mas é o que a sociedade pensa). Por isso a consciência coletiva age sobre o indivíduo de forma coercitiva (uma força impositiva sobre o indivíduo). O todo (a sociedade) é mais complexo que as partes (os indivíduos).

17 Os fatos sociais (fenômenos sociais) não são explicados pela vontade dos indivíduos, nem biologicamente, nem psiquicamente. A consciência coletiva expressa-se de várias maneiras, através de mecanismos de identificação comum (ideias, símbolos, sentimentos, vestimentas, linguagem verbal ou corporal). Um determinado grupo social representa a criação desses mecanismos de consciência coletiva. Por exemplo: torcidas organizadas de futebol, integrantes de grupos religiosos, militante de partido político, skinheads, integrantes de grupos de hip hop, etc.

18 A ordem social para Durkheim está ligada as funções sociais que garantam a coesão social (ou solidariedade social) Quando há interrupção dessa solidariedade social entramos em um processo de anomia (doença, sintoma de crise), tornando-se patológico

19 Sociedades simples menor divisão social do trabalho consciência coletiva (valores, regras) é mais coesa (solidariedade orgânica)

20 Sociedades complexas maior divisão social do trabalho consciência coletiva (valores, regras) é menor, com menor probabilidade de coesão social

21 Especialização de funções interdependência vínculos morais A sociedade deve ser vista como um corpo, com seus vários órgãos em funcionamento (noção positivista de ordem social)

22 Para Max Weber, a sociedade não é algo externo ou superior aos indivíduos que a compõe mas é fruto da interação ou conexões de n motivações recíprocas. A sociedade deve ser compreendida pelo conjunto das ações individuais recíprocas (valores compartilhados por indivíduos e grupos de indivíduos).

23 Devemos compreender o sentido das ações sociais: os indivíduos agem a partir de valores, motivações, interesses, códigos de honra, noções de justiça e expectativas (subjetividade) Ações sociais são orientadas por motivações tradicionais, afetivas-emocionais ou racionais (com relação a meio ou fins) Exemplos: intenção de voto, religião, afeto, expectativas de ascensão profissional, expectativas de enriquecimento, etc.

24 Por ação social entende-se as ações que quanto ao seu sentido visado pelo agente, se refere ao comportamento dos outros, orientando-se por este em seu curso. (WEBER, Max. Economia e Sociedade. Vol. 1. Brasília. UNB p. 3). Exemplo hipotético: durante as manifestações de massa no Brasil em junho de 2013 muitos indivíduos não se somaram à manifestação pois não se sentiram motivados a participarem mesmo que a manifestação tenha passado hipoteticamente em frente de sua residência. Outros indivíduos por outro lado, mesmo sem se conhecerem, sentiram-se motivados a participar, estabelecendo conexões motivacionais.

25 Tipologias de ações sociais Tradicionais (costume) Afetivas-emocionais (paixão a algo) Racionais a meios (agir refletindo sobre consequências) Racionais a fins (agir sem se importar com consequências)

26 Para Karl Marx o olhar deve estar direcionado para as condições materiais de existência, para as relações de produção material que condicionam a superestrutura (ideológica, leis, concepções de mundo)

27 Marx e o fetiche da mercadoria: A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista apresenta-se como uma imensa acumulação de mercadorias. [...] A mercadoria é, antes de tudo, um objeto exterior, uma coisa que, pelas suas propriedades, satisfaz necessidades humanas de qualquer espécie. Que essas necessidades tenham a sua origem no estômago ou na fantasia, a sua natureza em nada altera a questão. [...]. Fonte: MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Capítulo I. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro: 1980.

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29 O fetiche da mercadoria é o desejo de consumo de mercadorias por suas qualidades aparentes mas que ocultam que o valor de uma mercadoria de fato é fruto de trabalho social contido nela. As relações de trabalho, produção e apropriação da riqueza material são a base da análise sociológica em Marx Quem produz a riqueza e quem se apropria dela?

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31 As classes sociais são: fenômenos históricos surgem com a propriedade privada dos meios de produção com a apropriação da riqueza produzida por uma classe social que explora outra

32 Uma estrutura social condiciona comportamentos independentemente da consciência que temos dela (Durkheim e Marx) A ação social só pode ser analisada pela compreensão das conexões motivacionais dos indivíduos

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